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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENSÕES</b></p>     <p><b>Ecología y género en diálogo interdisciplinar, editado por Alicia H. Puleo.Madrid: Plaza y Valdés Editores, 2015, 415 pp. </b></p>     <p><b>Rosana Albuquerque <sup>*</sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup>Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI) Universidade Aberta, Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Ecología y género en diálogo interdisciplinar </i>nasce do projeto de investigação <i>La igualdad de género en la cultura de la sostenibilidad. Valores y buenas prácticas para el desarrollo solidario</i>, coordenado por Alicia Puleo na Universidade de Valladolid, Espanha. Ambos resultam de um sistemático percurso de investigação da autora e colegas neste contexto institucional e revelam o interesse em construir conhecimento a partir da alimentação recíproca dos contributos da ética ecológica e dos estudos feministas, sobre as mulheres e de género. O livro acolhe reflexões muito diversas em torno de grandes temáticas: corpos; territórios; resistências.</p>     <p><i>Corpos </i>inicia-se com a análise de Carme Valls-Llobet sobre os efeitos da poluição ambiental na saúde humana, identificando alterações no sistema endócrino das mulheres e doenças daí resultantes. Alerta para a necessidade de alterar as políticas de saúde e a formação de docentes no sentido de ter em conta os impactos ambientais e as vulnerabilidades específicas de homens e mulheres.</p>     <p>Pilar Errázuriz desenvolve uma reflexão sobre os estereótipos de género e a dicotomia natureza/cultura nas propostas psicanalíticas, contrapondo, particularmente, Freud e Lacan.</p>     <p>Lucile Desblache centra a sua crítica na relação da mulher com a moda e na posição desta face a um mercado globalizado que vive da crueldade face a animais não humanos. Convida-nos a pensar um «sistema de moda» em que os animais não humanos sejam vistos como fontes de inspiração e criatividade, seres que são parte de nós e a chave para renovar as nossas identidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Laura Torres San Miguel e Iván Sambade analisam como os meios de comunicação de massas e as redes sociais continuam a produzir representações de género e formas de controlo social que legitimam práticas masculinas de sujeição da mulher, criando imagens desta enquanto objeto sexual de consumo. Chamam a atenção para os efeitos destes processos nas subjetividades das jovens, nomeadamente a exposição da privacidade nas redes sociais e o desejo de atrair o olhar masculino, que as reproduz e confirma como «objeto».</p>     <p>Verónica Perales Blanco aborda o tema do sofrimento animal na perspetiva do processo criativo, com base na sua obra <i>Grandes Símios no Feminino</i>. Explica o seu objetivo: mostrar que a prática artística é um instrumento de visão e perceção que vai para além do visual, concebendo o desenho como agente de empatia. Propõe dois desafios: enfatizar as palavras que não vemos e deslocar o ponto de fuga; ou seja: analisar a ausência, o que não vemos; e questionar o antropocentrismo e o androcentrismo, presentes não apenas em textos e imagens, mas no próprio prisma através do qual olhamos para o mundo.</p>     <p>Concha Roldán ajuda-nos a compreender o pensamento de Anne Finch Conway e as suas implicações metafísicas e éticas para a sustentabilidade. Realça que Conway, tal como outras/os pensadoras/es modernas/os, partilha a ideia de uma harmonia global e defende a correspondência universal das criaturas e a sua interação mútua, ideias que antecedem as propostas da interdependência entre todos os seres hoje sustentadas pela Ecologia e pela Ética Ambiental.</p>     <p>Margarita Pintos de Cea-Naharro e Juan José Tamayo-Acosta analisam como as religiões têm legitimado a dominação e o controlo das mulheres, propondo uma teologia feminista cujas raízes se encontram na longa história de luta e de resistência contra o patriarcado protagonizada pelas mulheres.</p>     <p><i>Territórios </i>tem início com um texto de Isabel Balza Múgica e Francisco Garrido Peña que apresentam os resultados da sua investigação sobre as diferenças de opiniões e atitudes entre homens e mulheres face aos problemas ecológicos. Sublinham a consistência entre os dados empíricos e a teoria feminista e identificam os contributos do ecofeminismo construtivista para a ecologia política, em particular.</p>     <p>Teresa López de la Vieja analisa o significado do cuidado relativamente aos não humanos e ao meio ambiente, a partir de normas jurídicas sobre a proteção dos animais utilizados em testes laboratoriais. Questionando o que é «cuidar da natureza», propõe antes o conceito de responsabilidade, sobretudo de responsabilidade partilhada, e defende que «o natural é político», alertando para a necessidade de as políticas públicas integrarem um compromisso efetivo com a sustentabilidade.</p>     <p>Eva Antón (<i>Una lectura ecofeminista de la novela de anticipación actual</i>) e Ángela Sierra González (<i>Utopías feministas: las dualidades rotas</i>) oferecem-nos análises literárias complementares em torno da utopia, numa perspetiva feminista crítica.</p>     <p>Paula Núñez observa que a história escrita sobre a Patagónia argentina associa a paisagem à tragédia e ao vazio, evidenciando uma ideia de território como «natureza a dominar». Contudo, na recolha das memórias dos seus residentes sobressai uma história vivida, misto de afetos, alegrias e conquistas, onde a paisagem assume um potencial de emancipação. Reflete sobre a diferença entre</p>     <p>o planificado, por parte das políticas públicas, e o vivido, pelas práticas quotidianas que procuram alternativas de vida digna, no reconhecimento da relação indissociável entre natureza e humanidade.</p>     <p>María Luisa Femenías e Micaela Anzoátegui demonstram como o desenvolvimento das cidades tem sido marcada por processos de domínio, negação e ocupação, nos quais a cidade «devora o ambiente» e o assume como matéria-prima sem reconhecer o seu valor intrínseco. Analisando as inundações que atingiram a cidade de La Plata em 2013, desenvolvem uma reflexão ecofeminista para pensar sobre o modo de vida na cidade e a sua relação com o ecossistema.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A concluir esta parte, María Teresa Alario Trigueros conduz-nos ao trabalho de três artistas contemporâneas (Magda Bolumar, Teresa Lanceta e Andrea Milde) para analisar como se apropriam do tecido, um antigo lavor feminino, e recuperam a sua capacidade de comunicar ideias, narrar e denunciar.</p>     <p><i>Resistências </i>abre com a reflexão de Georgina Aimé Tapia González sobre as reivindicações de género que têm vindo a nascer nos movimentos de resistência de comunidades indígenas, a partir da história de vida de uma mulher indígena, médica, feminista e zapatista. Argumenta que a «metodologia dos feminismos indígenas» é o diálogo entre modernidade e tradição, entre feminismos ocidentais e cosmovisões ameríndias, defendendo a importância dos conhecimentos das mulheres envolvidas nestas lutas para os estudos de género e a ética ecológica.</p>     <p>Emma Siliprandi aborda as relações teóricas e políticas entre os movimentos agro-ecológicos e feministas, com o olhar focado no Brasil. Analisa como o aumento progressivo de participação das mulheres nestes movimentos tem alterado o seu papel e desocultado as tensões entre os sexos, introduzindo nas suas lutas temas históricos do feminismo, como a desigualdade e a violência de género, ao mesmo tempo que o feminismo também integra questões que na sua origem têm sido debatidas pelos movimentos ecologistas, como a soberania alimentar.</p>     <p>Também como <i>Resistências </i>encontramos dois textos que chamam a atenção para o desenvolvimento de uma perspetiva ecológica na crítica literária, designada por «ecocrítica». Teo Sanz oferece-nos uma síntese das ideias centrais da ecocrítica, aplicando a sua análise à obra de Marguerite Yourcenar, que define como ecoética por evidenciar um compromisso para com a natureza e os animais humanos e não humanos. Carmen Flys aplica conceitos do ecofeminismo de Karen Warren e Val Plumwood a diferentes autoras e obras, demonstrando o valor do diálogo entre filosofia e crítica literária na construção do pensamento ecofeminista.</p>     <p>Carmen García Colmenares reflete sobre o poder que certas figuras ficcionais (como Lilith ou Melusina) podem exercer na criação de abordagens feministas de rutura, libertas de modelos identitários femininos passivos, assimétricos e subordinados, catalisando contra-subjetividades e identidades alternativas. Defende o interesse de abordagens metodológicas situadas e estratégias etnográficas interpretativas para a recriação de subjetividades subversivas que inspirem as identidades emergentes deste século.</p>     <p>Os textos de Angélica Velasco Sesma e Kaarina Kail partem do reconhecimento do peso do imaginário dominante na organização social e económica e oferecem propostas de transformação que confrontem esse domínio, seja por via de heroínas de filmes que defendem o valor da natureza face ao paradigma mecanicista da modernidade, seja pela cosmovisão dos antigos povos da Finlândia.</p>     <p>María José Guerra Palmero explora as teses do ecofeminismo materialista de Mary Mellor, autora que critica o modelo do <i>homo economicus </i>e as suas implicações na vida material e social, evidenciando que a economia capitalista global assenta numa definição inadequada do ser humano, pelo que ignora o trabalho reprodutivo e não contempla os custos dos trabalhos ligados ao cuidado e à natureza.</p>     <p>O último capítulo é um texto de Alicia Puleo onde assume o desafio de contribuir para definir o que designa por «Pactos de Ajuda Mútua» entre os movimentos ecologista, eco-socialista, do decrescimento e ecofeminista. Analisa as convergências entre o ecofeminismo e estes movimentos e identifica as zonas opacas dos novos paradigmas ecológicos que o ecofeminismo deve saber detetar se não quiser sofrer velhas deceções. Defende que o reconhecimento das mulheres como sujeitos com uma história de auto-consciência emancipatória resultará em conquistas para todos os movimentos.</p>     <p>Este livro alerta para uma ideia central: a busca de um modelo de desenvolvimento sustentável exige mudanças a vários níveis e a construção de uma cultura de sustentabilidade em múltiplas dimensões, sendo a igualdade efetiva entre homens e mulheres um desafio-chave. Defendendo que é essencial que as ciências sociais e as humanidades contribuam para um pensamento filosófico, ético, político, artístico e científico em torno da ecologia e do género, convida a construir conhecimento e a agir, aliando motivações de natureza epistemológica, ética e política.</p>     <p>Livro também disponível em formato de <i>e-book </i>no endereço: <a href="http://www.plazayvaldes.es/upload/ficheros/ecologia_y_genero_en_dialogo_interdisciplinar_ebook.pdf">http://www.plazayvaldes.es/upload/ficheros/ecologia_y_genero_en_dialogo_interdisciplinar_ebook.pdf</a> </p>     ]]></body>
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