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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Virgínia Ferreira </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O trigésimo sexto número da <i>ex æquo</i> reúne em dossier um conjunto de textos em resposta ao nosso apelo sobre o tema <i>Género, educação e cidadania: conhecimento, ausências e (in)visibilidades</i>. Os numerosos textos submetidos dizem bem da relevância da temática e de como ela continua a concitar a atenção da academia nos vários países donde recebemos propostas (em especial provenientes da Europa do Sul e da América Latina). As análises ultrapassam largamente a pergunta mais convencional que incide sobre os efeitos da escola mista em rapazes e raparigas ou os diferenciais de in/sucesso escolar entre eles e elas. As abordagens, as teorias de enquadramento, os objetos de estudo e até as conceções de género pautam-se pela diversidade. </p>     <p>As relações sociais de género são uma dimensão fulcral na organização das sociedades e nos processos educativos. As suas implicações nas experiências de vida são bem merecedoras do nosso escrutínio continuado e sistemático. Como se afirma no nosso apelo a submissões de artigos, «A premência de se usar uma abordagem sensível ao género nos diferentes contextos e espaços educativos, formais e não formais, parece não carecer de grandes justificações, dadas as evidências da manutenção, e da reconfiguração, de desigualdades e de discriminações sexuais assentes no diferencial de poder entre mulheres e homens, em diferentes domínios».</p>     <p> A questão do que podemos esperar da escola é, com efeito, fundamental e multidimensional na encruzilhada social e política em que as sociedades se encontram atualmente. Nos diferentes textos que incluem o dossier encontramos ambos os posicionamentos quanto às expectativas a depositar nos sistemas educativos &#8211; tanto são vistos como parte do dispositivo de reprodução das desigualdades sociais e sexuais, como apontados como sede de transformação social, agentes fundamentais de rutura e base da construção de sociedades mais justas e equilibradas. A tensão entre estes dois posicionamentos tem continuamente alimentado e expandido a investigação e a produção teórica sobre o tema «educação e género». </p>     <p>Os textos incluídos no presente número da<i> ex æquo</i> compõem ilustrações relevantes dos novos ângulos de análise do campo educacional, em quatro vertentes fundamentais. Registamos, com efeito, um alargamento da investigação ao ensino pré-escolar e ao ensino superior, níveis que tinham estado numa relativa obscuridade. As representações de docentes e estudantes, no primeiro caso e no segundo respetivamente, enquanto pontos de metamorfose necessária, têm vindo a ser cada vez mais recente também se faz presente em estudos sobre as experiências escolares de pessoas que fogem ao cânone da heterossexualidade, nomeadamente, homossexuais e transgénero. Neste caso, a ênfase recai frequentemente nas vivências e nas marcas de violência de que são objeto na escola, quer pelos grupos de pares, quer pelo pessoal docente e não-docente, quer ainda pelas regras das instituições. Vale, ainda, a pena assinalar a proeminência crescente da atenção dada aos espaços informais de educação, nomeadamente os possibilitados pelas novas tecnologias, como é o caso dos blogues. Por fim, alguns textos veiculam propostas políticas de como os sistemas educativos devem enfrentar o desafio da diversidade, hoje cada vez mais reivindicada como sendo parte da sua missão. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No conjunto, os textos incluídos no dossier são bem representativos das tendências mais atuais da produção científica em trono da temática proposta. Em nosso entender, os dois contributos incluídos na secção «Estudos e Ensaios» complementam muito bem os do dossier, centrando-se em espaços diferenciados que se articulam estreitamente com o sistema educativo. Um diz respeito ao campo científico e o outro ao da cultura popular. No caso ambos incidem sobre a realidade brasileira. No texto de Marcel de Almeida Freitas e Eduardo Godinho Pereira, intitulado «A inexpressiva representação feminina nas academias científicas brasileiras e no prêmio nobel», é feita a caracterização da composição sexual da Academia Brasileira de Ciências e do Prémio Nobel, por área científica, bem assim como da estrutura que gere a investigação científica no Brasil (a conhecida CAPES). Por fim, são discutidos os potenciais efeitos negativos nas escolhas e nas oportunidades educativas e profissionais das raparigas perante essas realidades. Denise Castilhos de Araújo e Poliana Lopes trazem-nos uma análise sobre «<i>Que horas ela volta?</i>: Percepções do discurso fílmico por blogueiras feministas do Brasil», na qual podemos ver o papel da cultura popular como recurso para a crítica multicultural do curriculum escolar. Neste caso, temos um filme sobre a exploração das empregadas domésticas no Brasil, que só recentemente viram a lei dar-lhes uma proteção mínima e a análise do que sobre ela escrevem feministas em blogues, um suporte frequente para a expressão dos novos feminismos. </p>     <p>A secção de leituras deste número da<i> ex æquo </i>vem reforçar a diversidade de perspetivas disciplinares, incidindo sobre obras provenientes da filosofia, da sociologia, da psicologia e dos estudos culturais e da comunicação. Um todo capaz, é a nossa convicção, de contribuir com conhecimento válido que traz compreensão à diversidade e complexidade das sociedades atuais.</p>      ]]></body>
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