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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: TRANS-A&Ccedil;&Otilde;ES DE G&Eacute;NERO: RESSON&Acirc;NCIAS E SABERES TRANS*</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Trans-a&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero, operando contra o cistema</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Manuel de Oliveira* </b></p>     <p>* Departamento de Psicologia, Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas – CFH, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florian&oacute;polis, Brasil/Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Social do ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. Endere&ccedil;o eletr&oacute;nico: <a href="mailto:joao.m.oliveira@gmail.com">joao.m.oliveira@gmail.com</a></p>     <p><a name="top0" id="top0"></a><a href="#0">Endere&ccedil;o postal</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A abrir este dossi&ecirc;, recupero a ideia, dos prim&oacute;rdios dos estudos de g&eacute;nero, nos tempos e textos de John Money (Money, Hampson e Hampson 1957): tentar criar &agrave; custa das pessoas trans* e intersexo uma teoria do g&eacute;nero-cultura que se sobrepusesse ao sexo-natureza. A teoria de Money, que permitia organizar o dimorfismo sexual transformando-o em unidades discretas, no &acirc;mbito de um modelo de dois sexos (Laqueur 1990) que emerge com o Iluminismo e a cren&ccedil;a da &laquo;Ci&ecirc;ncia&raquo; na &laquo;diferen&ccedil;a sexual&raquo;, &eacute; fundamental, como explica Paul B. Preciado (2018), para afirmar as potencialidades tecnol&oacute;gicas na domina&ccedil;&atilde;o da natureza no &acirc;mbito da 2.&ordf; Guerra Mundial. Tecnog&eacute;nero, pois. Mas tamb&eacute;m tecnosexo, se pensarmos nas possibilidades oferecidas pela tecnologia com as cirurgias de redesigna&ccedil;&atilde;o genital – possibilidade de progresso e de emancipa&ccedil;&atilde;o para alguns grupos, marca de opress&atilde;o quando for&ccedil;ada, por crit&eacute;rios sobretudo est&eacute;ticos do discurso biom&eacute;dico para resolver o que para eles &eacute; genit&aacute;lia &laquo;amb&iacute;gua&raquo; (Machado 2005) – uso de hormonas, recurso a modos de tecnologicamente mediar o corpo de outra forma. Contudo, n&atilde;o &eacute; que o cisg&eacute;nero – que se refere aos processos e experi&ecirc;ncia de g&eacute;nero que coincide com o sexo atribu&iacute;do (Vergueiro 2015) – n&atilde;o implique tamb&eacute;m tecnologias de g&eacute;nero (Lauretis 1987), dado que a cisgeneridade &eacute; tamb&eacute;m mediada tecnologicamente com todo o arsenal de p&iacute;lula contracetiva, maquilhagem, depila&ccedil;&atilde;o a laser e a cera, moda, cabelos, ind&uacute;stria da cirurgia pl&aacute;stica e mir&iacute;ades de outras n&atilde;o fizessem parte de uma constru&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, material e semi&oacute;tica, do (cis)g&eacute;nero. E como mostra Jack Halberstam (1998), encarar tamb&eacute;m as tecnologias de g&eacute;nero (Lauretis 1987) que permitem uma performatividade que aparenta ser n&atilde;o performance na masculinidade, tamb&eacute;m das mulheres, como &eacute; o caso de determinadas roupas, sapatos, &aacute;lcool, cigarros. Um corpo que &eacute; sempre produzido semi&oacute;tica e materialmente em rela&ccedil;&otilde;es de poder, que nunca &eacute; simplesmente dado, tal como o g&eacute;nero.</p>     <p> Falar apenas de homens e mulheres sem equacionar o plano dos usos queer do corpo, possibilidades mil de corpos intersexo e de corpos trans*, hibridiza&ccedil;&otilde;es e <i>gender-bending </i>implica n&atilde;o atender ao espectro vasto a que nos acostum&aacute;mos a chamar g&eacute;nero ou n&atilde;o entender o rizoma g&eacute;nero (Oliveira 2016). Um g&eacute;nero mir&iacute;ade e m&aacute;quina de guerra e n&atilde;o apenas aparelho de Estado (Deleuze e Guattari 1987). Ent&atilde;o &eacute; preciso pensar a partir das express&otilde;es de g&eacute;nero trans* e n&atilde;o conformes &agrave;s normas para conceptualizar o pr&oacute;prio g&eacute;nero, habitualmente apenas entendido como cisg&eacute;nero. Trata-se de um erro comum, uma sin&eacute;doque de g&eacute;nero, tornar o todo (g&eacute;nero) pela parte (cisg&eacute;nero), em muito material produzido sobre g&eacute;nero, n&atilde;o entender que se est&aacute; sempre a falar ou a pressupor cisg&eacute;nero, bio-homens e bio-mulheres (Preciado 2003). Ent&atilde;o, um dos primeiros efeitos desta sin&eacute;doque ser&aacute; que n&atilde;o incorporar ou pensar o g&eacute;nero como tamb&eacute;m transg&eacute;nero equivale a fazer uma esp&eacute;cie de ciscentrismo, a que Vergueiro (2015) chama o cistema (sistema cis), em que s&oacute; pessoas cisg&eacute;nero contam como propriamente e autenticamente marcadas pelo g&eacute;nero. Infelizmente, a maioria da pesquisa sobre g&eacute;nero, sobretudo a que documenta exaustivamente diferen&ccedil;as entre homens e mulheres, &eacute; na realidade sobre homens e mulheres cis. O g&eacute;nero &eacute; express&atilde;o e norma simultaneamente, poder, potestade e pot&ecirc;ncia (J. M. Oliveira 2016). Recorremos &agrave; ideia de trans*, esbo&ccedil;ada por Lucas Platero (2014), como um conceito amplo para incluir identifica&ccedil;&otilde;es, identidades e express&otilde;es de g&eacute;nero transexuais, transg&eacute;nero e trans, travesti, etc., pensadas de forma heterog&eacute;nea, mult&iacute;plice e n&atilde;o for&ccedil;osamente adstritas ao binarismo de sexo e de g&eacute;nero. Ent&atilde;o este trans* &eacute; um signo de multiplicidade que percorre todo o espectro do g&eacute;nero: um trans* que inclui simultaneamente as especificidades trans* (travestis no contexto latino-americano, transg&eacute;nero, transexuais, entre outras) mas tamb&eacute;m outras formas de se colocar para l&aacute; do binarismo de g&eacute;nero (<i>genderfuck</i>, <i>genderqueer</i>, <i>queer</i>, n&atilde;o bin&aacute;rias, entre outras).</p>     <p> Levando esta defini&ccedil;&atilde;o a s&eacute;rio, precisamos simultaneamente atender &agrave;s especificidades dos corpos lidos/intelig&iacute;veis como trans* e universalizar o ponto de vista trans* para pensar outros modos n&atilde;o s&oacute; de teorizar o g&eacute;nero, mas sobretudo de o problematizar a partir desta perspetiva, vendo no g&eacute;nero e nas teorias sobre o g&eacute;nero saberes que s&atilde;o sempre e desde logo saberes trans, que s&atilde;o desde logo pr&aacute;xis e a&ccedil;&atilde;o sobre o mundo – trans-a&ccedil;&atilde;o. Neste dossi&ecirc; estamos muito interessadas em discutir e entender saberes trans como pr&aacute;ticas, trans-a&ccedil;&otilde;es no duplo sentido de a&ccedil;&atilde;o trans e de transa&ccedil;&atilde;o, de troca com outros saberes. Ent&atilde;o este dossi&ecirc; assume como &eacute;tica a despatologiza&ccedil;&atilde;o dos saberes, identifica&ccedil;&otilde;es e corpos trans*: n&atilde;o ser&aacute; a biomedicina a definir quem conta como trans* e quem n&atilde;o conta, n&atilde;o ser&atilde;o os saberes psi a definir trans* como doente e cis como normal. N&atilde;o h&aacute; express&otilde;es de g&eacute;nero (em si mesmo) patol&oacute;gicas. </p>     <p>A despatologiza&ccedil;&atilde;o dos corpos trans* implica a descoloniza&ccedil;&atilde;o dos corpos destes crit&eacute;rios de quem pode contar como humano (Haraway 2004): implica que possamos pensar corpos e pessoas para l&aacute; da cisnormatividade, que, como mostra Viviane Vergueiro (2015), se trata de um aparato normativo que produz uma ideia do g&eacute;nero como pr&eacute;-discursivo, bin&aacute;rio e est&aacute;vel ao longo da vida. A pr&eacute;-discursividade est&aacute; muito associada a uma certa metaf&iacute;sica da subst&acirc;ncia descrita por Judith Butler (2017), um g&eacute;nero verific&aacute;vel por especialistas nos saberes que definem o que &eacute; sexo e o que &eacute; g&eacute;nero, como uma unidade discreta e identific&aacute;vel e que se exprime na ideia da irredutibilidade do sexo biol&oacute;gico como verdade interior e alinhado com o g&eacute;nero. Pouco atento &agrave;s m&uacute;ltiplas possibilidades quer de desobedi&ecirc;ncia, quer de ressignifca&ccedil;&atilde;o da norma, este g&eacute;nero seria a express&atilde;o dessa ontologia, o sexo (Oliveira 2017). Contudo, os trabalhos da biologia (Fausto-Sterling 2012), da filosofia (Butler 2017) e da hist&oacute;ria (Laqueur 1990) desconstroem totalmente esta premissa, mostrando como a inteligibilidade das normas de g&eacute;nero vai dar sentido e produzir o sexo. Este discurso da preced&ecirc;ncia e causalidade do sexo sobre o g&eacute;nero fundamenta tamb&eacute;m a explica&ccedil;&atilde;o biom&eacute;dica da transexualidade, denunciada por Sandy Stone (2006), como discurso do corpo errado, de um corpo que tem que ser tecnologicamente corrigido para apresentar uma coer&ecirc;ncia com uma identifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero tratada como identidade e que d&aacute; sentido patologizante &agrave; experi&ecirc;ncia trans*, traduzida em v&aacute;ria nosologia psiqui&aacute;trica e diagn&oacute;stico m&eacute;dico (ver Davy 2015) que varia entre perturba&ccedil;&atilde;o da identidade de g&eacute;nero e disforia de g&eacute;nero. A mesma Sandy Stone sofreu o ataque de feministas transf&oacute;bicas, como Janice Raymond (descrito em Oliveira 2014), ataque esse que, infelizmente, ainda hoje continua a ser desferido pelas feministas essencialistas que destratam as mulheres trans* (designa&ccedil;&otilde;es assentes em crit&eacute;rios de autodetermina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero) como n&atilde;o mulheres, os homens trans* como mulheres traidoras e encaram ambxs como uma amea&ccedil;a do patriarcado, tomando transfobia por feminismo. Sandy Stone (2006) transformou esse ataque em teoria trans*, produzindo uma nova forma e posi&ccedil;&atilde;o para pensar as pessoas trans*, nomeadamente ao demonstrar a import&acirc;ncia da heteroglossia do g&eacute;nero e salientar a pluralidade de experi&ecirc;ncias e de socializa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero. Assim, o j&aacute; gasto argumento essencialista da socializa&ccedil;&atilde;o e da experi&ecirc;ncia feminina (como se n&atilde;o fosse uma multiplicidade) tenta produzir o efeito que diz descrever: manter o g&eacute;nero fixo num bin&aacute;rio como se ele fosse apenas cisg&eacute;nero e permanentemente fixo. Essa fixidez do g&eacute;nero &eacute; um exerc&iacute;cio (de fic&ccedil;&atilde;o) para manter seguras, naturalizadas e policiadas as fronteiras de g&eacute;nero. Se pensarmos no transfemin&iacute;cidio (Bento 2016) e nas necropol&iacute;ticas trans (Oliveira 2014), vemos o efeito destas normas no homic&iacute;dio muito acima dos padr&otilde;es para outras popula&ccedil;&otilde;es (overkill), esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida muito mais baixa para esta popula&ccedil;&atilde;o, a viol&ecirc;ncia policial e de Estado e o noticiar destas mortes a partir das mesmas premissas transf&oacute;bicas que certos tipos de feminismo compartilham, nomeadamente pela sua cren&ccedil;a na fixidez e const&acirc;ncia do g&eacute;nero, metaf&iacute;sica da subst&acirc;ncia e ontologia est&aacute;tica do dimorfismo de g&eacute;nero (Butler 2004). &Eacute; preciso questionar estas formas de viol&ecirc;ncia e a sua legitima&ccedil;&atilde;o em alguma da teoria e pr&aacute;xis feministas.</p>     <p> Nos &uacute;ltimos anos, para al&eacute;m do surgimento de in&uacute;meras obras e peri&oacute;dicos como o <i>Transgender Studies Quarterly</i>, a reflex&atilde;o e a an&aacute;lise da posi&ccedil;&atilde;o das pessoas trans* e intersexo &eacute; uma das &aacute;reas mais vibrantes da investiga&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o feminista atualmente. Desde os tempos do manifesto de Sandy Stone (2006), inicialmente publicado em 1987 passando pela publica&ccedil;&atilde;o dos <i>Transgender Studies Readers,</i> j&aacute; com uma segunda edi&ccedil;&atilde;o (Stryker e Azura 2013), no panorama anglo- -sax&oacute;nico, estas &aacute;reas, denominadas tamb&eacute;m de teoria trans (Stryker 2006), t&ecirc;m sido bastante pensadas e transpostas para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Um outro desenvolvimento &eacute; o transfeminismo. No Brasil, &eacute; editada a antologia Transfeminismo (Jesus 2014) que atesta a crescente import&acirc;ncia da inter-rela&ccedil;&atilde;o entre teoria trans* e teoria feminista. Esta inter-rela&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; um modo eficaz de rebater determinados fantasmas de formas culturais de feminismos radicais minorit&aacute;rios e sect&aacute;rios que tentam ressurgir. Como resposta, Susan Stryker (2015) recupera a figura de Frankenstein para pensar-se tamb&eacute;m como monstro, usando a estrat&eacute;gia da Queer Nation, de usar o insulto como identifica&ccedil;&atilde;o, desarticulando-o do seu prop&oacute;sito de discurso de &oacute;dio e ressignificando-o (Butler 1993). A recusa do projeto euroc&ecirc;ntrico de um humanismo que o feminismo cultural cultuou, a partir de uma ideia de mulher essencial a que as mulheres trans* n&atilde;o podiam aspirar a ser, implicou uma s&eacute;rie de respostas e de posicionamentos, v&aacute;rios deles traduzidos na antologia <i>Pol&iacute;ticas Trans</i> (Galofre e Miss&eacute; 2015).</p>     <p> Outras alternativas ao cistema de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento incluem a importante considera&ccedil;&atilde;o de pessoas trans* que possam falar sobre pessoas trans*. Vou dar alguns exemplos, sem nenhuma pretens&atilde;o de exaustividade. O trabalho de Megg R. Gomes de Oliveira (2017) mostra a import&acirc;ncia de produzir saberes interseccionais que cruzem cisnormatividade, heteronormatividade e ra&ccedil;a para pensar a resist&ecirc;ncia e exist&ecirc;ncia de gays e bichas negras na educa&ccedil;&atilde;o, permitindo pensar as possibilidades de cruzamento de eixos de opress&atilde;o e privil&eacute;gio, mas tamb&eacute;m as pot&ecirc;ncias da resist&ecirc;ncia a esses mesmos eixos. Igualmente o trabalho de Luma Nogueira de Andrade (2012) desmontou a quest&atilde;o do abandono escolar de pessoas travestis, mostrando que a escola &eacute; hostil &agrave; presen&ccedil;a de trans* nos seus espa&ccedil;os. A recente tese de doutoramento de Adriana Sales (2018) cartografa as lideran&ccedil;as do movimento travesti no Brasil, apresentando-se na conflu&ecirc;ncia de um saber constru&iacute;do por uma travesti sobre o movimento travesti. No campo do trabalho sexual, o livro de Amara Moira (2016) mostra as m&uacute;ltiplas interse&ccedil;&otilde;es entre trabalho sexual e travestilidade. </p>     <p>Estas s&atilde;o exemplos de investiga&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o tomam as pessoas trans* como objeto de estudo como fazem muitos investigadorxs cis, mas a constru&ccedil;&atilde;o de pesquisa trans* e travesti feita por pessoas trans* e travestis. Trata-se de projetos de insurrei&ccedil;&atilde;o de saberes acompanhados tamb&eacute;m pela entrada das pessoas trans* na academia, &laquo;Nada de n&oacute;s sem n&oacute;s&raquo;, diria o movimento trans*. Sem com isto negar o que pessoas trans* tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para pensar essa condi&ccedil;&atilde;o cis e a cisnormatividade, como j&aacute; mencion&aacute;mos. Ent&atilde;o, neste dossi&ecirc;, quisemos coligir trabalhos para tentar pensar uma ideia de teoria (feminista) trans que n&atilde;o tome as pessoas trans* como objeto de estudo, mas antes construa saberes com elas e a partir delas.</p>     <p>Os artigos apresentados d&atilde;o conta do grande progresso desta investiga&ccedil;&atilde;o, cada vez mais marcada pela interse&ccedil;&atilde;o de identifica&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es sociais, mas tamb&eacute;m pela interdisciplinaridade na pesquisa, muitas vezes marcada pela alian&ccedil;a com o ativismo como forma de usar a investiga&ccedil;&atilde;o para produzir alguns efeitos na vida das pessoas trans* e n&atilde;o bin&aacute;rias. O texto de Tiago Coacci, baseado no Brasil, &eacute; um bom exemplo de um trabalho em que se interrogam as fontes cient&iacute;ficas do direito para produzir quem conta para a Lei como sujeito transexual. Analisando a transi&ccedil;&atilde;o de um modelo patologizador para um direito que recorre mais &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o, via despatologiza&ccedil;&atilde;o, o texto oferece um panorama do modo como direito e ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas e psi se retroalimentam e de que forma v&atilde;o produzir determinados sujeitos jur&iacute;dicos. Em Portugal, Ana Cristina Santos conceptualiza o cuidado como ato heroico, a partir de uma releitura das narrativas de pessoas trans* e n&atilde;o bin&aacute;rias e da forma como se constroem redes de cuidados, onde fam&iacute;lia e Estado social falham na prote&ccedil;&atilde;o contra a precariza&ccedil;&atilde;o, na Europa do Sul.</p>     <p> Sobre o Equador, a estrat&eacute;gia de Fernando Sanch&eacute;z e R. Lucas Platero &eacute; recorrer e recontar mem&oacute;rias trans* como ato pol&iacute;tico. Para tal oferecem-nos uma hist&oacute;ria de como o movimento trans no Equador se adaptou e lutou dentro de um determinado contexto socio-hist&oacute;rico e pol&iacute;tico. Trazendo saberes-lutas constru&iacute;dos fora do Norte global e mostrando como as pessoas envolvidas nestas lutas s&atilde;o marcadas socialmente, racializadas e precarizadas para al&eacute;m do g&eacute;nero, este texto &eacute; muito significativo na constru&ccedil;&atilde;o de saberes trans* que contam os modos como se vivenciaram as lutas naquele pa&iacute;s latino-americano. J&aacute; no trabalho de Mar Fournier Pereira, a partir da Costa Rica, um grupo de mulheres trans* trabalhadoras e ex-trabalhadoras do sexo discutem as formas como lidaram com a extrema viol&ecirc;ncia da pol&iacute;cia, do sistema de sa&uacute;de, da lei, das ci&ecirc;ncias sobre si e o modo como produziram resist&ecirc;ncia face a um Estado que as reprimia de v&aacute;rias formas, recorrendo inclusivamente &agrave; viola&ccedil;&atilde;o. Uma pedagogia da crueldade que &eacute; retratada assim pelas experi&ecirc;ncias destas mulheres. Estas experi&ecirc;ncias n&atilde;o se limitam no entanto &agrave; viol&ecirc;ncia. A pesquisa de Andr&eacute; Leite e de Claudiene Santos (Brasil) sobre os modos n&atilde;o esperados pelas ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas de como mulheres trans* recorrem a um discurso m&iacute;stico sobre a terapia hormonal mostra como as hormonas devem ser pensadas enquanto agentes sociais e pol&iacute;ticos de direito pr&oacute;prio. As hormonas s&atilde;o aqui consideradas a partir da teoria queer e provocam uma reflex&atilde;o sobre o papel das tecnologias nas subjetiva&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero. No caso do trabalho de Claudenilson Dias e de Leandro Colling sobre pessoas trans* nas religi&otilde;es afro- -brasileiras, mostram-se as resist&ecirc;ncias e as tens&otilde;es com que estas pessoas podem ser recebidas em terreiros de Candombl&eacute;. Igualmente se salientam os modos que as pessoas trans* encontram para ultrapassar essa situa&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m das invisibilidades produzidas e da transfobia. Os dois &uacute;ltimos trabalhos versam sobre pessoas n&atilde;o bin&aacute;rias. No caso de Espanha, Isabel Gom&eacute;z e Lucas Platero trazem-nos um olhar sobre quem est&aacute; fora da inteligibilidade do binarismo de g&eacute;nero. Como afirmam, trata-se de um processo de constru&ccedil;&atilde;o de subjetividades em curso mas que j&aacute; implica uma diversidade de posi&ccedil;&otilde;es e de ruturas com as categorias sociais e expetativas sociais. A partir de Portugal, Teresa Teixeira e Nuno Santos Carneiro mostram como pessoas n&atilde;o bin&aacute;rias, ao desconstru&iacute;rem com os seus corpos as normas de g&eacute;nero, s&atilde;o encaradas como menos humanas ou n&atilde;o humanas pela rela&ccedil;&atilde;o entre g&eacute;nero, reconhecimento e inteligibilidade do humano. As implica&ccedil;&otilde;es na escuta destas pessoas s&atilde;o analisadas, explorando a ambiguidade e fluidez de g&eacute;nero, com recurso a questionamento, desnaturaliza&ccedil;&atilde;o e incerteza pr&oacute;prios da teoria queer. Conforme explica Susan Stryker (2006), estes saberes produzidos a partir da experi&ecirc;ncia das pessoas trans* foram saberes lidos como marginais e irrelevantes. A teoria trans vai promover a insurrei&ccedil;&atilde;o dos saberes subjugados como lhe ir&aacute; chamar Michel Foucault (1980). Aqui Foucault refere-se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de saberes desqualificados, que contam pouco na hierarquia dos saberes, que est&atilde;o abaixo do reconhecimento. Como exemplos, os saberes das mulheres, queer e trans*, saberes decoloniais e p&oacute;s-coloniais, dos quilombos e dos movimentos sociais. Os efeitos de uma pol&iacute;tica de despatologiza&ccedil;&atilde;o das suas subjetividades que resultam de lutas dos movimentos sociais e de uma crescente participa&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o das pessoas trans* em estarem presentes, recontando hist&oacute;rias que foram feitas sem elas, como mostram, por exemplo, na sua fundamental participa&ccedil;&atilde;o nos motins de Stonewall (Rivera e Johnson 2015) e da Compton Cafeteria em S. Francisco em 1966 (Stryker 2008), entre muitos outros, ilustram a necessidade de contar uma hist&oacute;ria que n&atilde;o seja a repeti&ccedil;&atilde;o da invisibilidade e exclus&atilde;o das pessoas trans*. A (cis)-hist&oacute;ria parece ser sempre a hist&oacute;ria do cistema. Essa desoculta&ccedil;&atilde;o corresponde tamb&eacute;m a um processo de dessubjuga&ccedil;&atilde;o dos saberes, que vai acompanhar os avan&ccedil;os legais que permitem passar de um modelo de identidade de g&eacute;nero atestada medicamente para um modelo de autodetermina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero. Gra&ccedil;as aos esfor&ccedil;os das campanhas pela despatologiza&ccedil;&atilde;o trans* que grande parte do movimento LGBT s&oacute; ir&aacute; abra&ccedil;ar bem mais tarde – dada a dificuldade de determinados movimentos sociais homonormativos <i>mainstream</i> e feminismos essencialistas, com pr&aacute;ticas transf&oacute;bicas legitimadas num modelo patologizador –, conseguiu-se transpor na lei em pa&iacute;ses como Argentina, Dinamarca, Malta, Noruega, Irlanda e Portugal a autodetermina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero. Assim, nestes pa&iacute;ses n&atilde;o existe uma media&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica ou psi para determinar quem pode solicitar o reconhecimento legal da sua autodetermina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero. Estes saberes s&atilde;o parte fundamental desta luta e de uma crescente preocupa&ccedil;&atilde;o com pessoas variantes de g&eacute;nero, como as pessoas n&atilde;o bin&aacute;rias, com o espectro do g&eacute;nero para l&aacute; do binarismo e numa luta para que os saberes delas constituam outros l&eacute;xicos, outros vocabul&aacute;rios tanto para a teoria feminista como para os estudos de g&eacute;nero. &Eacute; preciso pensar tamb&eacute;m nas consequ&ecirc;ncias de pol&iacute;ticas dos movimentos sociais sempre centrados num modelo de democracia liberal, numa l&oacute;gica estritamente identitarista e reformista de reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos, sem tomar em considera&ccedil;&atilde;o as formas de viol&ecirc;ncia administrativa e a cumplicidade do Estado com determinadas formas de necropol&iacute;tica trans, racial e de g&eacute;nero (Spade 2015). Uma pol&iacute;tica trans n&atilde;o pode deixar de analisar as interse&ccedil;&otilde;es com outros eixos de domina&ccedil;&atilde;o em que as vidas das pessoas trans* e pessoas variantes de g&eacute;nero tamb&eacute;m se jogam. Ent&atilde;o um olhar mais complexo e muito para l&aacute; da ret&oacute;rica comum dos direitos coloca desafios que aqui tentamos tamb&eacute;m descrever. Este dossi&ecirc; ima    gina-se como uma pequena contribui&ccedil;&atilde;o para o esfor&ccedil;o de dessubjuga&ccedil;&atilde;o dos saberes trans, tentando tra&ccedil;ar os rastros das a&ccedil;&otilde;es trans contra o cistema.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p> Andrade, Luma Nogueira. 2012. <i>Travestis na Escola: assujeitamento e resist&ecirc;ncia &agrave; ordem normativa.</i> Tese de doutorado. Fortaleza: Universidade Federal do Cear&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253498&pid=S0874-5560201800020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </p>     <!-- ref --><p>Bento, Berenice. 2016. &laquo;Transfeminic&iacute;dio: viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e o g&ecirc;nero da viol&ecirc;ncia&raquo;. In <i>Dissid&ecirc;ncias sexuais e de g&ecirc;nero</i>, organizado por Leandro Colling, 25-40. Salvador: EDUFBA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253500&pid=S0874-5560201800020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith. 1993. <i>Bodies that matter: on the discursive limits of ‘sex</i>'. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253502&pid=S0874-5560201800020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith. 2004. <i>Undoing gender</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253504&pid=S0874-5560201800020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith. 2017. <i>Problemas de G&ecirc;nero: Feminismo e subvers&atilde;o da identidade</i>. Lisboa: Orfeu Negro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253506&pid=S0874-5560201800020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Davy, Zowie. 2015. &laquo;The DSM 5 and the politics of diagnosing transpeople&raquo;. <i>Archives of Sexual Behavior </i>44: 1165-1176. DOI: <a href="https://doi.org/10.1007/s10508-015-0573-6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10508-015-0573-6</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253508&pid=S0874-5560201800020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, Gilles, e Felix Guattari. 1987. <i>A thousand plateaus</i>. Minneapolis, MN: Minnesota University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253509&pid=S0874-5560201800020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fausto-Sterling, Anne. 2012. <i>Sex/Gender: Biology in a Social World</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253511&pid=S0874-5560201800020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Foucault, Michel. 1980. &laquo;Two Lectures&raquo;. <i>Power/Knowledge</i>, organizado por Colin Gordon, 78-108. New York: Pantheon Books,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253513&pid=S0874-5560201800020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Galofre, Pol, e Miquel Miss&eacute;. 2015. <i>Pol&iacute;ticas Trans: una antologia de textos desde los estudios trans norteamericanos</i>. Barcelona: Equales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253515&pid=S0874-5560201800020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Gomes de Oliveira, Megg Rayara. 2017. <i>O diabo em forma de gente: (R)exist&ecirc;ncias de gays afeminados, viados e bichas pretas na educa&ccedil;&atilde;o</i>. Curitiba: Prismas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253517&pid=S0874-5560201800020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Halberstam, Jack. 1998. <i>Female masculinity</i>. Durham: Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253519&pid=S0874-5560201800020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Haraway, Donna. 2004. &laquo;Otherworldly conversations: terrain topics, local terms&raquo;. In <i>The Haraway Reader</i>, organizado por Donna Haraway, 120-150. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253521&pid=S0874-5560201800020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Jesus, Jaqueline G. 2014. <i>Transfeminismo: teorias e pr&aacute;ticas</i>. S&atilde;o Paulo: Metan&oacute;ia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253523&pid=S0874-5560201800020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Laqueur, Thomas. 1990. <i>Making Sex: Body and Gender from the Greeks to Freud</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253525&pid=S0874-5560201800020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Lauretis, Teresa. 1987. <i>Technologies of Gender</i>. Bloomington: Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253527&pid=S0874-5560201800020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Machado, Paula Sandrine. 2005. &laquo;O sexo dos anjos: um olhar sobre a anatomia e a produ&ccedil;&atilde;o do sexo (como se fosse) natural&raquo;. <i>Cadernos Pagu </i>24: 249-281.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253529&pid=S0874-5560201800020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Moira, Amara. 2016. <i>E se eu fosse puta?</i> S&atilde;o Paulo: Hoo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253531&pid=S0874-5560201800020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Money, John, John Hampson, e Joan Hampson. 1957. &laquo;Imprinting and the establishment of gender role&raquo;. <i>Archives of Neurology and Psychiatry </i>77, 333-336.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253533&pid=S0874-5560201800020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Oliveira, Jo&atilde;o Manuel de. 2014. &laquo;A necropol&iacute;tica e as sombras na teoria feminista&raquo;. <i>ex aequo</i> 29: 69-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253535&pid=S0874-5560201800020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Oliveira, Jo&atilde;o Manuel de. 2016. &laquo;Tra&#094;nsitos de Ge´nero: leituras queer/trans* da pote&#094;ncia do rizoma ge´nero&raquo;. In <i>Dissid&ecirc;ncias sexuais e de g&ecirc;nero</i>, organizado por Leandro Colling, 109-132. Salvador: EDUFBA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253537&pid=S0874-5560201800020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, Jo&atilde;o Manuel de. 2017. <i>Desobedi&ecirc;ncias de g&eacute;nero</i>. Salvador: Devires.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253539&pid=S0874-5560201800020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Platero, Lucas. 2014. <i>Trans*exualidades: Acompa&ntilde;amiento, factores de salud y recursos educativos.</i> Barcelona: Bellaterra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253541&pid=S0874-5560201800020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Preciado, Paul B. 2002. <i>Manifiesto Contrasexual</i>. Madrid: Opera Prima.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253543&pid=S0874-5560201800020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Preciado, Paul B. 2018. <i>Testo Junkie</i>. S&atilde;o Paulo: N-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253545&pid=S0874-5560201800020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rivera, Sylvia, e Martha Johnson. 2015. <i>Acci&oacute;n Travesti Callejera Revolucion&aacute;ria</i>. Madrid: editorial imperdible.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253547&pid=S0874-5560201800020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sales, Adriana. 2018. <i>Travestis brasileiras e escolas (da vida): cartografias do movimento social organizado aos ge&#094;neros no&#094;mades.</i> Tese de doutorado. Assis: Universidade Estadual Paulista.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253549&pid=S0874-5560201800020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Spade, Dean. 2015. <i>A normal life: Administrative Violence, Critical Trans Politics, and the Limits of Law</i>. Durham, NC: Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253551&pid=S0874-5560201800020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stone, Sandy. 2006. &laquo;The empire strikes back: a posttranssexual manifesto&raquo;. In <i>The transgender studies reader</i>, organizado por Susan Stryker e Stephen Whittle, 221-235. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253553&pid=S0874-5560201800020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Stryker, Susan. 2006. &laquo;(De)subjugated knowledge: an introduction to transgender studies&raquo;, <i>The Transgender Studies Reader</i>, organizado por Susan Stryker e Stephen Whittle, 1-17. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253555&pid=S0874-5560201800020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stryker, Susan. 2008. <i>Transgender history</i>. Berkeley, CA: Seal Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253557&pid=S0874-5560201800020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stryker, Susan. 2015. &laquo;Mis palabras a Victor Frankenstein sobre el Pueblo de Chamonix: performando la ira transg&eacute;nero&raquo;. In <i>Pol&iacute;ticas Trans: una antolog&iacute;a de textos desde los estudios trans norteamericanos</i>, organizado por Pol Galofre e Miquel Miss&eacute;, 135-165. Barcelona: Equales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253559&pid=S0874-5560201800020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stryker, Susan, e Airen Z. Azura. 2013. <i>The Transgender Studies Reader 2</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253561&pid=S0874-5560201800020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vergueiro, Viviane. 2015. <i>Por inflex&otilde;es decoloniais de corpos e identidades de g&ecirc;nero inconformes: uma an&aacute;lise autoetnogr&aacute;fica da cisgeneridade como normatividade</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Salvador: Universidade Federal da Bahia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=253563&pid=S0874-5560201800020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="0" id="0"></a><a href="#top0">Endere&ccedil;o postal</a>: Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Campus Universit&aacute;rio – Trindade, CEP 88.040-970 – Florian&oacute;polis, Santa Catarina – Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Manuel de Oliveira</b></p>     <p>Professor Visitante Associado na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Trabalha na &aacute;rea dos Estudos de G&eacute;nero, Estudos Cr&iacute;ticos da Sexualidade, Teoria Feminista e Teoria Queer. Doutor em Psicologia Social. Investigador no Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e de Interven&ccedil;&atilde;o Social do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa.</p>      ]]></body><back>
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<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Andrade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luma Nogueira]]></given-names>
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<source><![CDATA[Travestis na Escola: assujeitamento e resistência à ordem normativa]]></source>
<year>2012</year>
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<surname><![CDATA[Bento]]></surname>
<given-names><![CDATA[Berenice]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transfeminicídio: violência de gênero e o gênero da violência]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Colling]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leandro]]></given-names>
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<source><![CDATA[Dissidências sexuais e de gênero]]></source>
<year>2016</year>
<page-range>25-40</page-range><publisher-loc><![CDATA[Salvador ]]></publisher-loc>
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