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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Virgínia Ferreira</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No ano em que comemora 20 anos, a <b><i>ex æquo </i></b>disponibiliza mais    um conjunto de textos de grande interesse para visibilizar o contributo de muitas    mulheres, reconhecidas como escritoras, ou não, que se dedicaram a examinar    e a comentar e denunciar as mais diversas condições vividas pelas suas contemporâneas.    Esse é o contributo que nos traz o <b>dossier temático </b>deste número 39 da    revista, dedicado às <b><i>Mulheres na imprensa periódica colonial: discursos    e representações</i></b>. O tempo colonial de referência é o do império português    e, por isso, não é de estranhar que aqui encontremos textos que versam sobre    estudos de caso com origem numa diversidade de países de língua portuguesa,    incluindo, para além evidentemente de Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Brasil.    Nele se agregam textos procedentes da área de Estudos Literários, que tem marcado    uma rara presença na revista, pelo que assim se procurou colmatar um claro e    injustificado défice.</p>     <p><br />   As investigações agora reportadas dão continuidade ao processo só recentemente    iniciado de desocultação de muitos contributos de mulheres extraordinárias,    para a imprensa e o jornalismo, que foram sendo remetidos à obscuridade pelos    estudos literários e historiográficos <i>mainstream</i>. Nelas encontramos abordagens    de cariz interseccional que cruzam as articulações entre sexo, género e raça.    A apresentação detalhada de cada uma das contribuições incluídas no dossier    temático é feita no texto de autoria das editoras convidadas, Jessica Falconi    e Doris Wieser, a quem o conselho editorial agradece a colaboração.<br /> </p>     <p>Na secção de <b>Estudos e Ensaios</b>, incluímos um texto que dá continuidade    às questões das identidades que dominam a atual produção científica sociológica.    Trata-se do texto da autoria de Nicolas Martins da Silva e de Sofia Marques    da Silva intitulado: «&ldquo;Cada um no seu canto!&rdquo;: Olhares de jovens do ensino profissional    sobre homossexualidade e masculinidade». Nele se dá conta de uma pesquisa junto    de jovens estudantes que frequentam o ensino profissional, um contexto educativo    raramente estudado, para, tendo em conta conceitos como sexualidade, heteronormatividade    e homofobia, discutir as perspetivas de rapazes e raparigas sobre homossexualidade    na sociedade e dirimir questões como o preconceito, tipificação de comportamentos    e importância da abordagem das sexualidades por parte da escola. Podemos com    segurança inclui-lo no acervo já largo de contributos que chama a atenção para    mudanças urgentes no papel da escola na educação sexual.<br /> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo texto da autoria de Maria do Mar Pereira aborda uma problemática    frequentemente abordada nestes editoriais. Com o título «&ldquo;You Can Feel the Exhaustion    in the Air around You&rdquo;: The Mood of Contemporary Universities and its Impact    on Feminist Scholarship», a autora dá conta do ambiente que se vive no sistema    universitário em Portugal, tal como é percebido e vivenciado por quem se dedica    aos Estudos sobre as Mulheres, de Género e Feministas (EMGF). É um interessante    pretexto para refletirmos sobre os desafios que se colocam atualmente ao ensino    e pesquisa dos EMGF nos sistemas universitários cada vez mais marcados pelas    políticas neoliberais, pelos cortes orçamentais e por estilos de gestão managerialistas.    Alguns dos processos em curso merecem ser objeto de reflexão, nomeadamente,    a hiperespecialização e a disciplinarização; os riscos de invisibilidade associados    à estratégia de <i>mainstreaming</i> de género; a «ideologia de género» e os    antimovimentos sociais (ver dossier temático sobre <i>A «ideologia de género»    e a religião </i>no número 37 da <b><i>ex æquo</i></b>); os impactos produzidos    pelos estudos pós-coloniais e LGBTIQ (ver dossier temático sobre <i>Trans-ações    de género: ressonâncias e saberes trans*</i> no número 38 da <b><i>ex æquo</i></b>),    a que se acrescentam a globalização neoliberal dos sistemas de ensino, que transformam    ideias em produtos comerciais e a burocratização, exploração e medição do trabalho    académico, que define o pano de fundo de «Exhaustion in the Air» que Maria do    Mar Pereira encontrou nas académicas Portuguesas a ensinar e investigar na área    dos EMGF, mas que poderá ser extensível a outros contextos nacionais e científicos.<br /> </p>     <p>Como sempre, fechamos com um convite ao prosseguimento da leitura, atendendo    às sugestões que colegas nos trazem de obras em variadas línguas sobre diversas    problemáticas. Assim, Sara Vidal chama a atenção para a importância da coletânea    <i>Women&rsquo;s Activisms in Africa. Struggles for Rights and Representation</i>,    para ficarmos a saber mais sobre a mobilização de mulheres no continente africano.    Os 10 capítulos que a compõem abrangem as regiões do Norte de África e África    Subsariana e vão, em alguns casos, até à época da resistência e combate ao colonialismo.    María Teresa Márquez traz-nos a sua leitura de <i>Barbarismos queer y otras    esdrújulas</i>, editado por R. Lucas Platero, María Rosón y Esther Ortega, o    que de algum modo dá continuidade às leituras disponibilizadas no dossier temático    do número 38 da <b><i>ex æquo</i></b> (já referido). Outra coletânea é-nos apresentada    por Helena Pereira de Melo. Tem por título <i>Género, Direitos Humanos e Desigualdades</i>,    e compõe-se de uma diversidade de textos que estiveram na base de algumas das    comunicações feitas no âmbito do I Congresso Internacional de Estudos de Género,    realizado em 2016 e promovido pelo CIEG. Também nesta obra encontramos alguns    contributos sobre as questões dos Estudos sobre a Mulheres, de Género e Feministas,    provenientes de contextos e quadros teóricos diversos.<br /> </p>     <p>O 20.º aniversário da <b><i>ex æquo</i></b>, que aqui assinalamos, constitui    uma oportuna ocasião para aprofundarmos a reflexão sobre os desafios que se    colocam aos Estudos sobre as Mulheres, de Género e Feministas, a que prometemos    dar visibilidade em próximos números. Aproveito, aliás, para, em meu nome e    do Conselho Editorial, estender estes agradecimentos ao e às colegas que têm    colaborado com a organização dos dossiers temáticos da <b><i>ex æquo</i></b>,    uma tarefa que reconhecemos árdua, pois compreende a gestão do processo de arbitragem    duplamente cega de todos os textos. Na verdade, só essa colaboração tem tornado    possível a sobrevivência da revista e a qualidade de alto nível que tem garantido    a crescente valorização que esta tem conhecido nas plataformas de indexação    de revistas científicas. A este propósito vale a pena referir que, finalmente,    aparece listada entre os títulos de revistas indexadas nas Ciências Sociais    e nos Estudos de Género (Gender Studies) da SCOPUS, como se pode verificar na    última lista divulgada por esta base (maio de 2019).</p>      ]]></body>
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