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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cristina C. Vieira</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O segundo n&uacute;mero da ex &aelig;quo, publicado no ano em que a Revista comemora duas d&eacute;cadas de vida, convida-nos a refletir sobre um tema ainda pouco explorado na Academia e que se prende com o uso do reconhecimento dos direitos das mulheres como &laquo;moeda de troca&raquo; na conquista de status na arena internacional. A vis&atilde;o humanista subjacente ao feminismo, que advoga o respeito integral pelos direitos das mulheres sem possibilidade de negocia&ccedil;&otilde;es ou reservas, surge assim deturpada por uma postura de tipo mercantilista, que autoriza benef&iacute;cios – inclusive monet&aacute;rios, no &acirc;mbito da ajuda de entidades supranacionais – &agrave;s na&ccedil;&otilde;es melhor colocadas no &laquo;ranking&raquo;. Contra esta instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da garantia dos direitos das mulheres, para a obten&ccedil;&atilde;o de poder no jogo de for&ccedil;as entre as na&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m surgido movimentos organizados de mulheres (que tamb&eacute;m incluem homens), que usam o ativismo como forma de ter voz coletiva. Essas pessoas t&ecirc;m sido no entanto perseguidas, presas e silenciadas de v&aacute;rias outras formas, porque funcionam como contrapoder que perturba os &laquo;jogos de bastidores&raquo; dos pa&iacute;ses envolvidos e colocam a nu as evidentes contradi&ccedil;&otilde;es entre a bondade da pol&iacute;tica externa dos governos e as graves viola&ccedil;&otilde;es dos direitos das mulheres nos pa&iacute;ses que governam. Na verdade, continua a ser um desafio desvendar a l&oacute;gica que domina as rela&ccedil;&otilde;es<br />   internacionais que empurra os governos para a aceita&ccedil;&atilde;o de compromissos indesejados, ou, apenas tolerados, e que resistem a respeitar internamente.</p>     <p><br />   N&atilde;o h&aacute; pactos poss&iacute;veis quando est&atilde;o em causa direitos humanos inalien&aacute;veis, nem a autodetermina&ccedil;&atilde;o das mulheres deve ser amea&ccedil;ada pelas disputas geopol&iacute;ticas entre pa&iacute;ses. Os quatro textos do Dossier Tem&aacute;tico, organizado por V&acirc;nia Carvalho-Pinto e por Andrea Fleschenberg, permitem-nos compreender como em na&ccedil;&otilde;es t&atilde;o distintas como o Brasil, a Indon&eacute;sia e a Ar&aacute;bia Saudita as din&acirc;micas de coopera&ccedil;&atilde;o, os conflitos e os ativismos trazem &agrave; tona a rela&ccedil;&atilde;o entre a defesa da igualdade de g&eacute;nero e a obten&ccedil;&atilde;o de status por parte de diferentes pa&iacute;ses no cen&aacute;rio internacional. O texto introdut&oacute;rio das autoras &eacute; um excelente ponto de partida para a leitura dos restantes, porque esclarece a complexidade pol&iacute;tica da tem&aacute;tica e, ao mesmo tempo, alerta-nos para a fragilidade e a porosidade das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p><br />   O Conselho Editorial da ex aequo agradece &agrave;s organizadoras do dossier o facto de terem acolhido desde o in&iacute;cio o desafio que lhes foi lan&ccedil;ado, e tamb&eacute;m por terem trazido para a Revista contributos cient&iacute;ficos de investigadores/as de nacionalidades nunca antes representadas, nos trinta e nove n&uacute;meros anteriores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><br />   Na sec&ccedil;&atilde;o de Estudos e Ensaios publicam-se cinco textos, de autores/as da Europa e da Am&eacute;rica Latina, cuja diversidade de tem&aacute;ticas espelha a indiscut&iacute;vel multidisciplinaridade do campo dos Estudos sobre as Mulheres, de G&eacute;nero e Feministas (EMGF). No primeiro artigo, da autoria de Pedro Saraiva, Virg&iacute;nia Ferreira e Maria Jo&atilde;o Silveirinha, &eacute; analisada a evolu&ccedil;&atilde;o global da cobertura do desporto<br />   feminino em Portugal, atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos tr&ecirc;s jornais di&aacute;rios de desporto publicados no pa&iacute;s (A Bola, O Jogo e Record), bem como a potencial objetifica&ccedil;&atilde;o sexual de atletas do sexo feminino.<br />   Rita Grave, Jo&atilde;o Manuel de Oliveira e Concei&ccedil;&atilde;o Nogueira assinam o segundo artigo, onde discutem os resultados de um estudo qualitativo com pessoas que n&atilde;o se sentem em conformidade com a norma de g&eacute;nero, as quais trabalham permanentemente com e contra a ideologia dominante, evidenciando uma diversidade de experi&ecirc;ncias que conflui com os processos de resist&ecirc;ncia queer, propondo a desconstru&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</p>     <p><br />   O terceiro artigo tem como autora a investigadora polaca Emilia Kramkowska e resulta de um estudo quantitativo alargado, feito com pessoas idosas polacas, acerca das suas perce&ccedil;&otilde;es sobre o corpo a envelhecer. Os resultados apresentados e discutidos mostram que a discrimina&ccedil;&atilde;o de um corpo envelhecido com base na apar&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; uma utopia.</p>     <p><br />   No quarto artigo desta sec&ccedil;&atilde;o, Marisa Antunes Santiago, Hebe Signorini Gon&ccedil;alves e Cristiane Brand&atilde;o Augusto discutem a imbricada problem&aacute;tica da viol&ecirc;ncia sobre as mulheres com base na sua experi&ecirc;ncia de atendimento a v&iacute;timas, no Centro de Refer&ecirc;ncia de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Mulher no Complexo de Favelas da Mar&eacute;, no Rio de Janeiro, Brasil. As autoras defendem o desenvolvimento de estrat&eacute;gias<br />   emancipat&oacute;rias das mulheres que procuram ajuda, que n&atilde;o se traduza numa interven&ccedil;&atilde;o vitimizante. Para tal, &eacute; fundamental que sejam reconhecidas as suas diferen&ccedil;as individuais e a multiplicidade dos contextos de vida envolvidos, e que se mobilizem recursos locais para a forma&ccedil;&atilde;o de quadros t&eacute;cnicos multidisciplinares, permanentes e qualificados, ao dispor da comunidade.</p>     <p><br />   O quinto e &uacute;ltimo texto re&uacute;ne na sua equipa de autores/as Claudia Lazcano V&aacute;zquez, Maria Juracy Toneli e Jo&atilde;o Manuel Oliveira, sendo dedicado &agrave; aus&ecirc;ncia de direitos sociais e c&iacute;vicos das pessoas trans*, no Brasil. Partindo das elevadas cifras de assassinatos recentes com base em crimes de &oacute;dio, discutem a necessidade de considerar a perspetiva interseccional na formula&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que possam garantir o efetivo exerc&iacute;cio da cidadania &agrave;s pessoas trans*. </p>     <p><br />   As seis Recens&otilde;es que integram a &uacute;ltima parte da Revista reportam-se a livros publicados entre 2017 e 2019, voltando a espelhar a diversidade de tem&aacute;ticas e de nacionalidades das pessoas autoras. Todas as obras em an&aacute;lise resultam de trabalhos coletivos que versam sobre temas como: as viol&ecirc;ncias de g&eacute;nero; o lugar do pensamento feminista em Paulo Freire; a afirma&ccedil;&atilde;o das mulheres no mundo da Arquitetura; o papel das mulheres na Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho desde o in&iacute;cio do s&eacute;c. XX; as manifesta&ccedil;&otilde;es na internet da literatura latina que &eacute; publicada nos Estados<br />   Unidos sobre as pessoas queer; e, por fim, a necessidade de uma abordagem intersecional na educa&ccedil;&atilde;o de pessoas adultas, que interligue g&eacute;nero e diversidade. </p>     <p><br />   Entendemos estarem reunidos argumentos suficientes para uma leitura inspiradora e reflexiva, que permita estimular mais investiga&ccedil;&atilde;o sobre as problem&aacute;ticas abordadas e tamb&eacute;m a aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico produzido ao desenvolvimento acad&eacute;mico e &agrave; pr&aacute;tica profissional, seja em que &aacute;rea for.</p>      ]]></body>
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