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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p><b>Virg&iacute;nia Ferreira</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Neste quadrag&eacute;simo primeiro n&uacute;mero da ex &aelig;quo reunimos um conjunto de textos sobre temas diversos, que t&ecirc;m em comum a mobiliza&ccedil;&atilde;o de metodologias qualitativas de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. A organiza&ccedil;&atilde;o do dossier sobre <i>Epistemologias, metodologias e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento cr&iacute;tico de matriz qualitativa em Estudos sobre as Mulheres, de G&eacute;nero e Feministas</i> esteve a cargo de Cristina C. Vieira e Sofia Bergano, ambas especialistas em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, com amplo dom&iacute;nio destas metodologias, incluindo a sua apresenta&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica em manuais.</p>     <p>Como se pode ver na Nota Pr&eacute;via, este dossier resultou da parceria estabelecida com o <i>8.&ordm; Congresso Ibero-Americano em Investiga&ccedil;&atilde;o Qualitativa (CIAIQ2019) e a 4.&ordf; World Conference on Qualitative Research (WCQR2019)</i>. Feita uma primeira sele&ccedil;&atilde;o de textos a incluir, a partir da avalia&ccedil;&atilde;o dos resumos das comunica&ccedil;&otilde;es, foi lan&ccedil;ado o desafio &agrave;s respetivas autoras e autores para procederem &agrave; sua amplia&ccedil;&atilde;o tendo em vista a publica&ccedil;&atilde;o. Uma vez recebidos, os textos foram ainda objeto de uma &uacute;ltima avalia&ccedil;&atilde;o. Da sele&ccedil;&atilde;o feita, resultou um conjunto de seis textos sobre tem&aacute;ticas e proveni&ecirc;ncias muito diversas, incidente sobre problemas sociais que afetam em especial as mulheres. Da sua diversidade e relev&acirc;ncia nos d&aacute; conta o texto de apresenta&ccedil;&atilde;o do dossier. Neste Editorial, incumbe-me dar conta, ainda que brevemente, do contexto em que este n&uacute;mero da revista foi produzido e dos textos e outro material extra <i>dossier</i>.</p>     <p> Este n&uacute;mero da ex &aelig;quo foi produzido ao longo dos tr&ecirc;s primeiros meses da crise pand&eacute;mica da COVID-19, cujos impactos na comunidade acad&eacute;mica e cient&iacute;fica est&atilde;o ainda por conhecer em profundidade. &Eacute; sabido que nenhuma crise &eacute; neutra sob o ponto de vista de g&eacute;nero, acarretando impactos diferenciados para diferentes tipos de pessoas em fun&ccedil;&atilde;o do estatuto, reconhecimento e acesso a recursos de que disp&otilde;e. As especificidades desta crise e a experi&ecirc;ncia de crises anteriores permitem antecipar uma especial severidade dos impactos para as mulheres, tamb&eacute;m no contexto acad&eacute;mico, tendo em conta a ‘ordem de g&eacute;nero' vigente. Algumas an&aacute;lises instant&acirc;neas e testemunhos rapidamente divulgados durante estes meses, mas tamb&eacute;m os dados disponibilizados por v&aacute;rias diversas publica&ccedil;&otilde;es relativos &agrave; preval&ecirc;ncia de submiss&otilde;es de autoria feminina e masculina, apontam para uma significativa quebra de produtividade feminina. As medidas de conten&ccedil;&atilde;o do coronav&iacute;rus repercutiram-se especialmente na ambiguidade da posi&ccedil;&atilde;o social das mulheres, entre o p&uacute;blico e o privado, entre a casa e a universidade, entre o trabalho do cuidado e o trabalho acad&eacute;mico. O confinamento tornou mais penosa a negocia&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado, sobre a qual se organizam as carreiras. As acad&eacute;micas m&atilde;es, em especial as que comp&otilde;em fam&iacute;lias monoparentais, est&atilde;o entre as que mais se ressentem do confinamento e do isolamento social. O mesmo se diga das que ocupam posi&ccedil;&otilde;es de grande precariedade. </p>     <p>Outro impacto da crise pand&eacute;mica fez-se sentir no trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, interrompido por via da impossibilidade de acesso ao terreno de investiga&ccedil;&atilde;o (laborat&oacute;rios ou comunidades humanas) e as dificuldades acrescidas para manter o &laquo;normal&raquo; funcionamento em regime de teletrabalho (num contexto de condi&ccedil;&otilde;es sociais excecionais, exacerbadas pelos desafios emocionais inerentes &agrave; pandemia). Temos todos os motivos para pensar que as mulheres foram as mais afetadas pela situa&ccedil;&atilde;o: ocupando, em geral, as posi&ccedil;&otilde;es de maior precariedade e de menor estatuto, s&atilde;o elas que mais frequentemente sentem as dificuldades e <i>stress</i> associados &agrave; gest&atilde;o do tempo, do <i>home office</i> em que h&aacute; constantes interrup&ccedil;&otilde;es por atividades de cuidado (de crian&ccedil;as ou outras pessoas dependentes) ou, ainda, que s&atilde;o sobrecarregadas com tarefas de <i>care of academic family, </i>na express&atilde;o de Guarino e Borden (2017), ou seja, com tarefas administrativas, de envolvimento de p&uacute;blicos, tutorias, gest&atilde;o de cursos, etc.</p>     <p> Pensando, nas ci&ecirc;ncias sociais, em particular, &eacute; para n&oacute;s claro que as metodologias qualitativas, que implicam um grande envolvimento com participantes nas pesquisas, est&atilde;o a ser, sem d&uacute;vida, particularmente relegadas para segundo plano, mesmo quando se tenta ultrapassar a situa&ccedil;&atilde;o de distanciamento f&iacute;sico e social, com recurso a tecnologias. Ora, as metodologias qualitativas s&atilde;o um pilar fundamental dos Estudos sobre as Mulheres, dos Estudos de G&eacute;nero e dos Estudos Feministas. Os textos inclu&iacute;dos no <i>dossier</i> deste n&uacute;mero da ex &aelig;quo s&atilde;o mais uma demonstra&ccedil;&atilde;o dessa afirma&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> Na sec&ccedil;&atilde;o de<i> Estudos e Ensaios</i>, voltamos a encontrar metodologias qualitativas (an&aacute;lise do discurso e entrevistas semiestruturadas), mas tamb&eacute;m as quantitativas. Concretizando, Sonia N&uacute;&ntilde;ez Puente e Diana Fern&aacute;ndez Romero analisam &laquo;La misoginia popular como contramovimiento: estudio de la resemiotizaci&oacute;n y los discursos manipulativos como desaf&iacute;os contra el feminismo&raquo;. Com base em tr&ecirc;s estudos de caso, desconstroem os discursos de partidos de direita, como o VOX, em Espanha, que se baseiam em quadros interpretativos vinculados a conceitos como &laquo;ideologia de g&eacute;nero&raquo; ou &laquo;feminazi&raquo;. &Eacute; um contributo muito relevante para a compreens&atilde;o de discursos cada vez mais presentes na pol&iacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda em Espanha, Ra&uacute;l Pay&aacute; Castiblanque denuncia a &laquo;La invisibilidad normativa de los riesgos psicosociales que afectan a las mujeres trabajadoras. El caso espa&ntilde;ol en perspectiva europea&raquo;. Com efeito, o autor mostra como a subestima&ccedil;&atilde;o dos riscos psicossociais afetam sobretudo as mulheres trabalhadoras.</p>     <p>Os dois textos que se seguem incidem sobre a realidade portuguesa: Rita Pinto e Alexandra Oliveira enfatizam a import&acirc;ncia das visitas &iacute;ntimas para a adapta&ccedil;&atilde;o das mulheres &agrave; pris&atilde;o no texto sobre &laquo;Reclus&atilde;o feminina: As implica&ccedil;&otilde;es da visita &iacute;ntima na adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; pris&atilde;o&raquo;; e Filipa C&eacute;sar, Alexandra Oliveira e Anne Marie Fontaine, na sua an&aacute;lise sobre &laquo;M&atilde;es cuidadoras, pais imperfeitos: Diferen&ccedil;as de g&eacute;nero numa revista portuguesa para m&atilde;es e pais&raquo; ajudam-nos a ter uma leitura mais fina de uma revista de grande difus&atilde;o nacional – a <i>Pais &amp; Filhos</i> – que evidencia fortes marcas de ambival&ecirc;ncia num discurso que, apesar de apelar a modelos de paternidade mais partilhados, continua a chamar a aten&ccedil;&atilde;o para as exig&ecirc;ncias do papel que incumbe &agrave;s m&atilde;es como &laquo;principal e insubstitu&iacute;vel cuidadora &raquo;, refor&ccedil;ando desse modo uma clara diferencia&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero.</p>     <p>No &uacute;ltimo artigo inclu&iacute;do neste n&uacute;mero, Ana R. Pinho, Liliana Rodrigues e Concei&ccedil;&atilde;o Nogueira ensaiam uma desconstru&ccedil;&atilde;o da parentalidade em homens trans* que engravidam no texto que intitularam &laquo;(Des)Constru&ccedil;&atilde;o da parentalidade trans*: Homens que Engravidam&raquo;. A revis&atilde;o te&oacute;rica que fizeram exp&otilde;e as m&uacute;ltiplas quest&otilde;es que a situa&ccedil;&atilde;o destas pessoas suscita e a pouca resposta que encontram nas nossas sociedades dominadas pela heteronormatividade.</p>     <p>A sec&ccedil;&atilde;o de <b>Recens&otilde;es</b>, por fim, convida-nos a acompanhar de perto as leituras que a Adriana Bebiano, a Eliz&acirc;ngela Costa de Carvalho Noronha e o Tiago Rolino fizeram, respetivamente, das colet&acirc;neas editadas por Yvette Taylor e Kinneret Lahad, sobre <i>Feeling Academic in the Neoliberal University – Feminist Flights, Fights and Failures,</i> por Mar&iacute;a Jos&eacute; G&aacute;mez Fuentes, Sonia N&uacute;&ntilde;ez Puente e Emma G&oacute;mez sobre <i>Re-writing Women as Victims: From Theory to Practice,</i> e, ainda, a obra de Adriana Ramos de Mello, sobre <i>Feminic&iacute;dio: uma an&aacute;lise sociojur&iacute;dica da viol&ecirc;ncia contra a mulher no Brasil. </i>Todas constituem excelentes e oportunas sugest&otilde;es de leitura.</p>     <p> A <i>ex &aelig;quo</i> continua a tentar ser um pilar de apoio ao aprofundamento e &agrave; visibiliza&ccedil;&atilde;o dos Estudos sobre as Mulheres, de G&eacute;nero e Feministas. O objetivo &eacute; destacar a import&acirc;ncia de manter a igualdade de g&eacute;nero na agenda dos nossos locais de trabalho e nas nossas organiza&ccedil;&otilde;es, bem como na prepara&ccedil;&atilde;o de respostas das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, em situa&ccedil;&atilde;o de crise pand&eacute;mica ou n&atilde;o.</p>      ]]></body>
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