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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do pessoal ao político: as metodologias de investigação qualitativa como aliadas da ação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: EPISTEMOLOGIAS, METODOLOGIAS E PRODU&Ccedil;&Atilde;O DE CONHECIMENTO CR&Iacute;TICO DE MATRIZ QUALITATIVA EM ESTUDOS SOBRE AS MULHERES, G&Eacute;NERO E FEMINISTAS – Coordena&ccedil;&atilde;o de Cristina C. Vieira e Sofia Bergano</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Do pessoal ao pol&iacute;tico: as metodologias de investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa como aliadas da a&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Sofia Bergano<a name="topa1" id="topa1"></a><a href="#a1">*</a>, Cristina C. Vieira<a name="topa2" id="topa2"></a><a href="#a2">**</a></b></p>     <p>* Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos e Interven&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (CEAD), Universidade do Algarve, Portugal</p>     <p>** Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Coimbra, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos e Interven&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (CEAD), Universidade do Algarve, Portugal. </p>     <p><a name="top0" id="top0"></a><a href="#0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Tem sido inc&oacute;modo o persistente questionamento dos pressupostos tradicionais de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico que &eacute; feito pelos Estudos sobre as Mulheres, de G&eacute;nero e Feministas (EMGF) &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais e humanas. Esta vis&atilde;o cr&iacute;tica estende-se, por&eacute;m, tamb&eacute;m &agrave;s ci&ecirc;ncias ditas exatas, que h&aacute; muito come&ccedil;aram a abandonar a defesa do monismo metodol&oacute;gico, deixando de acreditar que h&aacute; apenas uma via de trabalho cred&iacute;vel – a nomot&eacute;tica – para separar o dom&iacute;nio especulativo do cient&iacute;fico.</p>     <p>Os argumentos de contesta&ccedil;&atilde;o usados pelos/as investigadores/as dos EMGF prendem-se n&atilde;o apenas com a conce&ccedil;&atilde;o de sujeito (abstrato) que &eacute; objeto de estudo, mas tamb&eacute;m com a suposta neutralidade dos contextos ou, dir&iacute;amos, com o quase &laquo;branqueamento&raquo; das condi&ccedil;&otilde;es de vida das pessoas, o que tornaria, nessa perspetiva, plaus&iacute;vel aceitar a universalidade das generaliza&ccedil;&otilde;es ou validar a exaustividade inerente &agrave; no&ccedil;&atilde;o de representatividade das amostras. Trata-se assim, de repensar criticamente as dimens&otilde;es ontol&oacute;gicas e epistemol&oacute;gicas que alicer&ccedil;am o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, bem como as vertentes metodol&oacute;gicas e &eacute;ticas do saber que vai sendo constru&iacute;do nas diversas &aacute;reas cient&iacute;ficas.</p>     <p>As pesquisas de inspira&ccedil;&atilde;o feminista desde cedo se opuseram, sobretudo depois da segunda vaga do feminismo (no final da d&eacute;cada de 1960), aos pressupostos positivistas &laquo;tradicionais&raquo;, desenvolvendo uma abordagem human&iacute;stica e subjetiva por meio do uso de m&eacute;todos que tornassem aud&iacute;vel a voz das pessoas marginalizadas ou mesmo esquecidas. Nestas, inclu&iacute;am-se as que faziam parte de grupos at&eacute; ent&atilde;o invis&iacute;veis (p. ex.: as mulheres em geral), mas tamb&eacute;m as que n&atilde;o dominavam as ferramentas lingu&iacute;sticas e a tecnicidade dos instrumentos de produ&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, sendo em consequ&ecirc;ncia disso subestimadas na sua capacidade de dar significado ao mundo em que viviam.</p>     <p> Na psicologia, Carol Gilligan ([1982] 1997) veio a p&uacute;blico, num livro publicado no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, com o t&iacute;tulo original <i>In a different voice<a name="top1" id="top1"></a></i><sup><a href="#1">1</a></sup>, denunciar o facto de o seu colega Lawrence Kohlberg se ter esquecido de metade da humanidade, uma vez que prop&ocirc;s uma teoria do desenvolvimento do ju&iacute;zo moral – com uma universalidade na sequ&ecirc;ncia das fases – baseada no estudo de 84 rapazes que acompanhou durante 20 anos. Nessa mesma obra, a autora relembra ainda os estudos de Jean Piaget, sobre o mesmo tema, no qual &laquo;as raparigas ficam de lado, como uma curiosidade &agrave; qual ele dedica quatro curtas refer&ecirc;ncias num &iacute;ndice que omite &laquo;rapazes&raquo; porque a &laquo;crian&ccedil;a&raquo; &eacute; assumida como masculina&raquo; (Gilligan [1982] 1997, 35). Talvez por isso se compreenda por que raz&atilde;o a &laquo;natureza e o significado do desenvolvimento das mulheres foram obscurecidos e envolvidos em mist&eacute;rios durante tanto tempo&raquo; (1997, 35).</p>     <p> No dom&iacute;nio da sociologia, ouviu-se a cr&iacute;tica ao chamado <i>malestream</i>, que denotava a exclus&atilde;o da vida das mulheres do foco das investiga&ccedil;&otilde;es, por serem consideradas secund&aacute;rias ou sem import&acirc;ncia. Para Dorothy Smith (1987), o feminismo deu &agrave;s mulheres o direito de ver os seus interesses representados naquela &aacute;rea do saber, &laquo;em vez de aceitarem como autoridade os interesses de uma sociologia desenvolvida por homens&raquo; (1987, 85).</p>     <p> Experi&ecirc;ncias de observa&ccedil;&atilde;o participante em contextos de ruralidade em Portugal a meio da d&eacute;cada de 1980 mostraram, por exemplo, que as pessoas n&atilde;o respondiam &agrave;s quest&otilde;es colocadas pelo investigador porque n&atilde;o sabiam responder; os seus quadros de refer&ecirc;ncia eram simplesmente diferentes daqueles de quem tinha concebido a pesquisa (Portela 1985). N&atilde;o se tratava, por isso, de uma inten&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de oculta&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, mas eram elas – as pessoas que viviam numa aldeia do interior pobre do pa&iacute;s – que tinham a perspetiva &eacute;mica<sup><a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a></sup> (linguagem de primeira ordem) que o investigador em causa pretendia compreender e comunicar &agrave; comunidade cient&iacute;fica, atrav&eacute;s da perspetiva &eacute;tica, isto &eacute;, de uma linguagem de segunda ordem, de teor formal e erudito.</p>     <p> S&atilde;o v&aacute;rios os/as autores/as (e.g., Olesen 2005; Denzin e Lincoln 2011; Mills e Birks 2014) que, ao descreverem o percurso hist&oacute;rico de desenvolvimento da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, d&atilde;o conta desta sua rela&ccedil;&atilde;o com crescente estatuto epistemol&oacute;gico dos EMGF como &aacute;rea interdisciplinar<sup><a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>. Parece, pois, consensual que o feminismo exerceu um papel fundamental no campo da metodologia da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, por &laquo;honrar as vozes mudas&raquo; (Reason 1994a, 33). Veio, pois, tentar quebrar uma tend&ecirc;ncia, sobretudo ocidental, de representar o mundo atrav&eacute;s de uma ci&ecirc;ncia masculina, branca, de cunho patriarcal, onde as mulheres sempre tiveram consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da sua participa&ccedil;&atilde;o, sofrendo no entanto o abafamento da sua voz (Reason 1994b).</p>     <p> Por influ&ecirc;ncia dos feminismos, a defesa de que o &laquo;pessoal &eacute; pol&iacute;tico&raquo;<a name="top4" id="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup> levou a comunidade cient&iacute;fica, por exemplo, na &aacute;rea dos estudos culturais, a reconhecer o ato de fazer ci&ecirc;ncia como intencionalmente politizado, j&aacute; que as experi&ecirc;ncias vividas das pessoas s&oacute; ganhavam significado se perscrutadas atrav&eacute;s de dimens&otilde;es pessoais de quem era objeto de estudo. N&atilde;o &eacute; por isso poss&iacute;vel manter a neutralidade no ato de investigar fen&oacute;menos humanos, onde a dimens&atilde;o da alteridade na rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre quem investiga e quem participas na investiga&ccedil;&atilde;o tem inerentemente subjetividade, a qual deve ser reconhecida como lente indispens&aacute;vel de an&aacute;lise e de interpreta&ccedil;&atilde;o do que se estuda.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobre a influ&ecirc;ncia do pensamento feminista na investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa &eacute; diversa, quer no que diz respeito aos seus fundamentos filos&oacute;ficos e epistemol&oacute;gicos, quer do ponto de vista metodol&oacute;gico e axiol&oacute;gico. De acordo com Denzin e Lincoln (2011), a defini&ccedil;&atilde;o do campo da metodologia qualitativa tem de considerar a pluralidade te&oacute;rica a que se associa como o construtivismo, a teoria cr&iacute;tica, o feminismo, os estudos <i>queer</i>, as teorias da ra&ccedil;a, os estudos culturais, entre muitas outras propostas. Da mesma forma, observase uma diversidade de m&eacute;todos e estrat&eacute;gias de investiga&ccedil;&atilde;o, como o estudo de caso, a etnografia, as hist&oacute;rias de vida, a an&aacute;lise documental, a observa&ccedil;&atilde;o participante, etc. S&atilde;o tamb&eacute;m m&uacute;ltiplas as &aacute;reas disciplinares em que &eacute; utilizada e para as quais tem contribu&iacute;do, o que ilustra bem o seu potencial para construir um conhecimento que permite apreender a din&acirc;mica e complexidade das viv&ecirc;ncias humanas. Este aspeto revela uma das caracter&iacute;sticas fundamentais da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa (Bergano e Vieira 2016): o seu foco na experi&ecirc;ncia humana, atrav&eacute;s de uma abordagem hol&iacute;stica das quest&otilde;es, que permite descrever e interpretar a complexidade dos fen&oacute;menos sociais, tornando vis&iacute;vel e respeitando a unicidade das pessoas e grupos a partir dos quais, e com os quais, se constr&oacute;i o conhecimento.</p>     <p>A este respeito, Olesen destaca como caracter&iacute;sticas comuns aos estudos feministas e aos estudos qualitativos a diversidade, a controv&eacute;rsia, a din&acirc;mica e o seu car&aacute;ter desafiante. Dentre esta diversidade destaca, no entanto, que um dos temas dominantes na investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa de influ&ecirc;ncia feminista &eacute; a quest&atilde;o do conhecimento, designadamente, no que se refere &agrave;s interroga&ccedil;&otilde;es que suscita, nomeadamente, de quem &eacute; o conhecimento, onde e como foi obtido, por quem, a partir de quem, e com que prop&oacute;sito? (2011, 129). Estas indaga&ccedil;&otilde;es est&atilde;o relacionadas com os processos de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, com as rela&ccedil;&otilde;es entre intervenientes neste processo e tamb&eacute;m com a pertin&ecirc;ncia social do saber produzido. Articulam especificidades epistemol&oacute;gicas, ontol&oacute;gicas &eacute;ticas e pol&iacute;ticas, o que de resto &eacute; reconhecido e sublinhado por Rogowska-Stangret (2018), a respeito do &laquo;conhecimento situado&raquo; proposto por Haraway (1988) no final da d&eacute;cada de 1980. A import&acirc;ncia deste conceito foca-se na tentativa de ultrapassar a dualidade entre objetividade e relativismo, uma vez que, segundo a autora, os polos desta d&iacute;ade, ainda que aparentemente opostos, s&atilde;o semelhantes no que toca &agrave; impossibilidade de &laquo;ver&raquo; a realidade com clareza (Haraway 1988, 584). Assim, pensar fora desta dualidade permite um conhecimento assente &laquo;numa objetividade que privilegie a contesta&ccedil;&atilde;o, a desconstru&ccedil;&atilde;o, a constru&ccedil;&atilde;o apaixonada, as conex&otilde;es intrincadas, e a esperan&ccedil;a de transforma&ccedil;&atilde;o de dois sistemas de conhecimento e das formas de ver&raquo; (1988, 585). Como se pode verificar, estamos perante a proposta e a possibilidade de compreender que o conhecimento cient&iacute;fico deve afastar-se da suposta neutralidade de uma &laquo;ci&ecirc;ncia ass&eacute;ptica&raquo; (Alvarez, Vieira, e Ostrouch-Kaminska 2017, 17) sem comprometer os requisitos de rigor conceptual, metodol&oacute;gico e &eacute;tico dos quais n&atilde;o se pode distanciar.</p>     <p>Na din&acirc;mica de produzir conhecimento e de pensar cr&iacute;tica e reflexivamente sobre o conhecimento produzido, as inter-rela&ccedil;&otilde;es entre estes processos t&ecirc;m contribu&iacute;do para o desenvolvimento de um saber fundado e fundamentado no reconhecimento do outro, da sua especificidade e da sua unicidade. Esta an&aacute;lise focada na diversidade das pessoas, das suas viv&ecirc;ncias e dos seus contextos, d&aacute; visibilidade ao particular, ao contextual e ao idiossincr&aacute;tico, isto &eacute;, ao que as investiga&ccedil;&otilde;es quantitativas t&ecirc;m negligenciado em nome da necessidade de generaliza&ccedil;&atilde;o (car&aacute;ter nomot&eacute;tico) e da (suposta) neutralidade da ci&ecirc;ncia.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa pressup&otilde;e uma aproxima&ccedil;&atilde;o a uma interpreta&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico como um saber que se pretende mais democr&aacute;tico e transformador, que participa na constru&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa, equitativa e sustent&aacute;vel. &Eacute;, por esse motivo, um conhecimento que resultou de um processo coconstru&iacute;do, que ativou e mobilizou todas as partes envolvidas na sua produ&ccedil;&atilde;o, que pretende informar e esclarecer a opini&atilde;o p&uacute;blica, e que almeja fundamentar a a&ccedil;&atilde;o (pol&iacute;tica ou de outra natureza).</p>     <p>Esta forma de interpretar a fun&ccedil;&atilde;o social do conhecimento tem assumido, nos EMGF, uma import&acirc;ncia fundamental, uma vez que tem tornado vis&iacute;veis situa&ccedil;&otilde;es de iniquidade que habitam e limitam os quotidianos de muitas mulheres e tamb&eacute;m de muitos homens. A este respeito, Fonseca, Ara&uacute;jo e Magalh&atilde;es (2000) referem a exist&ecirc;ncia de um forte movimento em defesa das metodologias qualitativas protagonizado por investigadoras feministas, uma vez que este tipo de investiga&ccedil;&atilde;o permite aceder &agrave;s experi&ecirc;ncias das mulheres, dando-lhes voz, e possibilita tamb&eacute;m convocar as suas subjetividades, o que viabiliza a produ&ccedil;&atilde;o de uma ci&ecirc;ncia mais humana e sens&iacute;vel &agrave; vida das pessoas (Vieira 2019), &agrave;s suas experi&ecirc;ncias e &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es que fazem das suas viv&ecirc;ncias, das suas rela&ccedil;&otilde;es com outras pessoas e com as institui&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>A produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento como processo partilhado</b></p>     <p>O processo de questionamento sobre o conhecimento e as rela&ccedil;&otilde;es que a sua produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o envolvem &eacute; comum &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa e aos EMGF, como se disse atr&aacute;s. E esta postura cr&iacute;tica &eacute; tamb&eacute;m vis&iacute;vel no processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, o que se concretiza numa outra forma (que n&atilde;o a tradicional) de compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre quem desenvolve as investiga&ccedil;&otilde;es e as pessoas que nelas est&atilde;o envolvidas. Estas &uacute;ltimas veem refor&ccedil;ada a sua identidade de sujeitos que participam na investiga&ccedil;&atilde;o, libertando-se da sua situa&ccedil;&atilde;o de objetos sobre os quais o ato de conhecer se desenvolve.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa prop&otilde;e uma outra forma de analisar a realidade, valorizando a complexidade e a din&acirc;mica dos contextos sociais e focando o interesse da ci&ecirc;ncia nas viv&ecirc;ncias das pessoas (Bergano 2012). Como j&aacute; foi referido, a complexidade das quest&otilde;es inerentes &agrave;s diferentes formas de discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero (ou outras), e a inevitabilidade de uma an&aacute;lise interseccional dos diferentes eixos de privil&eacute;gio e de opress&atilde;o, que este campo do saber visibiliza, exige a articula&ccedil;&atilde;o de perspetivas te&oacute;ricas hol&iacute;sticas com metodologias de investiga&ccedil;&atilde;o que deem conta dessa integralidade das pessoas e das suas viv&ecirc;ncias. Quando este pressuposto se torna matricial, o sujeito, que, nas perspetivas mais tradicionais de investiga&ccedil;&atilde;o, &eacute; visto como objeto de estudo, adquire um novo estatuto epistemol&oacute;gico (Amado 2014) e passa a ser conceptualizado como participante na/da investiga&ccedil;&atilde;o. &Agrave; medida que se d&aacute; voz &agrave;s pessoas, a investiga&ccedil;&atilde;o deixa de ser sobre elas e passa a ser investiga&ccedil;&atilde;o com elas (Vieira 2004). As pessoas s&atilde;o convidadas a interpretar-se e a interpretar o mundo, e desta forma a pesquisa torna-se um processo de reflexibilidade dial&eacute;tica entre quem investiga e quem participa na investiga&ccedil;&atilde;o. O conhecimento produzido neste processo transporta o compromisso da partilha que lhe deu origem, o que pressup&otilde;e a sua devolu&ccedil;&atilde;o ao contexto em que colaborativamente se construiu. &Eacute; assim um conhecimento cuja credibilidade cient&iacute;fica &eacute; resultante do seu valor para a interven&ccedil;&atilde;o, seja para tornar vis&iacute;veis e resolver problem&aacute;ticas espec&iacute;ficas de pessoas e grupos, seja para melhorar a vida coletiva comum.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Um saber socialmente justo e comprometido com os direitos das pessoas</b></p>     <p> A ci&ecirc;ncia e a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento cient&iacute;fico devem assumir o compromisso &eacute;tico da inclus&atilde;o e, para cumprirem tal des&iacute;gnio, &eacute; necess&aacute;rio que sejam metodologicamente diversas (Alvarez, Vieira, e Ostrouch-Kaminska 2017). Se, por um lado, a investiga&ccedil;&atilde;o tradicional de cariz positivista valoriza a representatividade e a generaliza&ccedil;&atilde;o, por outro lado, exclui do seu foco de interesse todas as pessoas (mulheres e homens) que, por pertencerem a grupos minorit&aacute;rios, veem as suas especificidades e idiossincrasias ocultadas por esta forma de fazer ci&ecirc;ncia. Neste sentido, atrav&eacute;s da afirma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento dos paradigmas interpretativo e cr&iacute;tico, resgatou-se um conjunto de quest&otilde;es e experi&ecirc;ncias de vida que, por serem muito particulares de grupos de pessoas espec&iacute;ficos, exigem abordagens investigativas hol&iacute;sticas, contextuais e cr&iacute;ticas, que permitam uma outra apropria&ccedil;&atilde;o da realidade.</p>     <p>Um contributo fundamental para compreender a import&acirc;ncia de analisar as especificidades das pessoas tem sido a perspetiva de Butler (1990), que, ao aprofundar o conceito de g&eacute;nero, coloca em causa a homogeneidade das categorias homem e mulher e questiona a vis&atilde;o dualista em que tradicionalmente emergiam estas quest&otilde;es, sublinhando que tratar todas as mulheres (ou todos os homens) como se fossem iguais est&aacute; na base de m&uacute;ltiplas invisibilidades e discrimina&ccedil;&otilde;es, sofridas por mulheres e tamb&eacute;m por homens.</p>     <p>Ainda sobre as quest&otilde;es &eacute;ticas associadas &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa relembramos a imers&atilde;o na complexidade da rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre o sujeito enquanto ser individual e o contexto em que se desenvolve e no qual participa. Este princ&iacute;pio convoca a utiliza&ccedil;&atilde;o de metodologias de forte inspira&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica e hermen&ecirc;utica que, quando perspetivam a realidade social como din&acirc;mica e coconstru&iacute;da pelos sujeitos, exigem que investigar seja um processo que parte da vida das pessoas, das interpreta&ccedil;&otilde;es que fazem das suas circunst&acirc;ncias, das justifica&ccedil;&otilde;es que utilizam para legitimar as suas escolhas e dos recursos culturais de que disp&otilde;em para construir as narrativas que d&atilde;o sentido &agrave;s suas vidas (Bergano e Vieira 2016). E, por tudo isto, torna-se fundamental o respeito profundo pela pessoa e pelo seu contexto. Passa-se, assim, do pessoal ao pol&iacute;tico – para retomar o mote dos movimentos feministas de segunda vaga que se escolheu para o t&iacute;tulo – ao trazer para o dom&iacute;nio da investiga&ccedil;&atilde;o problem&aacute;ticas muitas vezes privadas e invis&iacute;veis ao escrut&iacute;nio p&uacute;blico, mas cuja resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; um imperativo para o empoderamento das pessoas e para a garantia da dignidade das suas vidas. Sem essa intencionalidade, acrescida de preocupa&ccedil;&otilde;es com o respeito pela &eacute;tica do ato nobre de investigar e com o rigor na difus&atilde;o do saber produzido, incluindo a rela&ccedil;&atilde;o entre pares na comunidade cient&iacute;fica, n&atilde;o vale a pena fazer ci&ecirc;ncia.</p>     <p>O presente <i>dossier</i> tem&aacute;tico – <i>Epistemologias, metodologias e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento cr&iacute;tico de matriz qualitativa em Estudos sobre as Mulheres, de G&eacute;nero e Feministas</i> – prop&otilde;e um conjunto de textos que ilustram a diversidade metodol&oacute;gica que caracteriza a investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa e o seu potencial na constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento que se enra&iacute;za nas viv&ecirc;ncias das pessoas, que lhes d&aacute; voz e que permite compreender a complexidade das suas experi&ecirc;ncias de vida em discurso direto.</p>     <p>O primeiro texto do <i>dossier</i> – <i>Constru&ccedil;&atilde;o do p&acirc;nico moral a partir das quest&otilde;es de g&ecirc;nero e sexualidades nos discursos ultraconservadores no Brasil</i> –, da autoria de Cleide Ester de Oliveira, Nadir de F&aacute;tima B. Bittencourt, Veral&uacute;cia G. de Souza, Paulo Sesar Pimentel, K&aacute;tia Terezinha P. Ormond e Isabel Cristina Silva, aborda a perigosa discursividade de l&iacute;deres pol&iacute;ticos e religiosos brasileiros a respeito do modo como ideologicamente interpretam o conceito de g&eacute;nero e o ligam &agrave;s sexualidades. Sublinha, ainda, a forma como esta discursividade contribuiu para induzir o &laquo;p&acirc;nico moral&raquo; na sociedade, atrav&eacute;s da reprodu&ccedil;&atilde;o desses discursos e da difus&atilde;o do preconceito em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos das pessoas LGBT e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&eacute;nero. Para abordar esta quest&atilde;o, s&atilde;o mobilizadas as contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas da arqueogenealogia de Foucault. As categorias abordadas na an&aacute;lise do discurso s&atilde;o: discurso, poder/saber/verdade e normatiza&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s das quais s&atilde;o analisados v&iacute;deos do YouTube de acesso aberto. Deste texto, destaca-se a an&aacute;lise de como o poder se manifesta no discurso e como, atrav&eacute;s dele, se distorcem propositadamente propostas te&oacute;ricas sobre o g&eacute;nero e se difundem cosmovis&otilde;es assentes numa perspetiva heteronormativa da sexualidade e de rejei&ccedil;&atilde;o dos direitos das pessoas que dela s&atilde;o exclu&iacute;das. Um outro aspeto que importa real&ccedil;ar neste trabalho &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de articula&ccedil;&atilde;o entre o discurso e o poder, pelos quais se difunde o ide&aacute;rio ultraconservador que reproduz o preconceito e a viol&ecirc;ncia sobre as pessoas LGBT no Brasil nos dias de hoje.</p>     <p>O segundo texto do <i>dossier</i> – <i>Violaci&oacute;n de adolescentes en situaci&oacute;n de calle en Medell&iacute;n, Colombia </i>–, de Anghie Phamela L&oacute;pez Mej&iacute;a, Constanza Forero Pulido e &Aacute;lvaro Giraldo Pineda, aborda a situa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens que vivem na rua por terem sido v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual nos seus contextos familiares, mais especificamente de jovens raparigas com idades entre os 12 e os 18 anos que vivem nas ruas de Medell&iacute;n. A investiga&ccedil;&atilde;o apresentada recorre &agrave; etnografia e tem como principais estrat&eacute;gias de recolha de dados a entrevista em profundidade e os di&aacute;rios de campo produzidos pelos/as investigadores/as. Com esta aproxima&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica, &eacute; dada primazia &agrave; voz das jovens que constituem o grupo de participantes da investiga&ccedil;&atilde;o, dando visibilidade &agrave; viol&ecirc;ncia a que estiveram sujeitas (em contexto familiar) e &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade atual, na rua, que as exp&otilde;e a formas acrescidas de viol&ecirc;ncia sexual e f&iacute;sica. Neste sentido, o estudo descrito &eacute; um exemplo de como as abordagens centradas nas pessoas e nas suas viv&ecirc;ncias podem contribuir para a compreens&atilde;o dos fen&oacute;menos sociais marcados pela complexidade e tamb&eacute;m para a interven&ccedil;&atilde;o mais informada e fundamentada, no &acirc;mbito do apoio social e de sa&uacute;de prestado a estas popula&ccedil;&otilde;es. Destaca-se ainda de forma muito cruel a certeza de que, em muitos casos, a fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; um lugar seguro para as mulheres, qualquer que seja a sua idade.</p>     <p>O texto de Daniela Garcia Damaceno, Miriam Fernanda Sanches Alarcon, Viviane Boacnin Yoneda Sponchiado, Mara Quaglio Chirelli, Maria Jos&eacute; Sanches Marin e Joyce Fernanda Soares Albino Ghezzi – com o t&iacute;tulo <i>Mulheres idosas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia: o protagonismo nas den&uacute;ncias</i> – foca tamb&eacute;m a viol&ecirc;ncia sobre mulheres em contexto familiar que, neste caso, foram capazes de fazer a den&uacute;ncia j&aacute; em idades avan&ccedil;adas. A entrevista a mulheres idosas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia foi a estrat&eacute;gia de recolha de dados utilizada neste trabalho, e a informa&ccedil;&atilde;o recolhida foi tratada com recurso &agrave; an&aacute;lise tem&aacute;tica de conte&uacute;do. Dos resultados ressalta a ambival&ecirc;ncia sentida por estas mulheres, que, por um lado, se sentem empoderadas por terem feito a den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia de que foram alvo e, por outro, se sentem angustiadas pelos sentimentos que as ligam aos agressores. Tamb&eacute;m neste trabalho se parte da experi&ecirc;ncia das mulheres e das suas vozes, o que permite identificar aspetos que favorecem as den&uacute;ncias de viol&ecirc;ncia e a ag&ecirc;ncia das v&iacute;timas, como, por exemplo, o apoio social de que usufruem. De forma contr&aacute;ria, s&atilde;o nomeados fatores que perpetuam a situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia, como a manuten&ccedil;&atilde;o de modelos do que &eacute; &laquo;ser mulher&raquo;, associados aos pap&eacute;is sociais de m&atilde;es, esposas e cuidadoras, os quais contribuem para a reprodu&ccedil;&atilde;o de comportamentos ensinados que podem desencadear a interpreta&ccedil;&atilde;o da den&uacute;ncia como a n&atilde;o assun&ccedil;&atilde;o de um desse pap&eacute;is. Mais uma vez se evidencia a relev&acirc;ncia de ouvir o discurso das mulheres, que falam das suas ang&uacute;stias e dos seus recursos reais e simb&oacute;licos, para fundamentar a interven&ccedil;&atilde;o em casos concretos e a preven&ccedil;&atilde;o de potenciais situa&ccedil;&otilde;es diversas de vulnerabilidade.</p>     <p> <i>Struggling for the dignity of women with Relapsing-Remitting Multiple Sclerosis: An interpretative phenomenological single case study analysis</i>, de Michaela Miertov&aacute;, Juraj C&aacute;p e Katar&iacute;na Žiakov&aacute;, &eacute; o quarto texto apresentado neste dossier. Tratase de um estudo de caso &uacute;nico de inspira&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica interpretativa, com recurso &agrave; entrevista, cujo objetivo foi explorar o significado da dignidade de uma mulher com esclerose m&uacute;ltipla recidivante remitente. Neste artigo, sublinha-se a relev&acirc;ncia de compreender a quest&atilde;o da dignidade a partir do ponto de vista de uma mulher numa condi&ccedil;&atilde;o marcada por uma enorme especificidade. Este trabalho constitui um contributo extraordin&aacute;rio para a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais que prestam cuidados de proximidade. As conclus&otilde;es retiradas deste estudo de caso t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es profundas para a reflex&atilde;o em torno da humaniza&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de e dos servi&ccedil;os de apoio social prestados a pessoas com doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, especialmente porque se focaliza na necessidade de perceber as quest&otilde;es da dignidade a partir da pr&oacute;pria pessoa e da leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o que ela faz da situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra.</p>     <p>Os dois &uacute;ltimos textos que constituem o dossier s&atilde;o tamb&eacute;m do &acirc;mbito da sa&uacute;de e referem-se a temas relacionados com a gravidez, a saber: <i>Maternidade Tardia: da consciencializa&ccedil;&atilde;o do desejo &agrave; decis&atilde;o de ser m&atilde;e</i>, de Maria Anabela Ferreira dos Santos, Maria dos Anjos Pereira Lopes e Maria Ant&oacute;nia Rebelo Botelho; e <i>Perspectivas y experiencias sobre el consumo de bebidas alcoh&oacute;licas durante el embarazo: estudio cualitativo con embarazadas de Espa&ntilde;a, Francia y Portugal,</i> da autoria de Renata Franco, Bel&eacute;n Charro e Maria Raul Xavier.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No primeiro destes textos, as autoras recorrem &agrave; <i>Grounded Theory</i> como metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o e utilizam a entrevista semiestruturada, o <i>Photovoice</i> e notas de campo como estrat&eacute;gias de recolha de dados. O recurso &agrave; <i>Grounded Theory </i>torna necess&aacute;ria a explicita&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es de quem investiga sobre o que &eacute; investigado e atribui ao conhecimento produzido um estatuto diferenciado (quando comparado com o que resulta de outros processos de investiga&ccedil;&atilde;o). Assim, as conclus&otilde;es de quem faz investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o entendidas como representativas de uma verdade, ou de uma realidade descoberta, mas t&ecirc;m e assumem o estatuto de conjunto de interpreta&ccedil;&otilde;es de m&uacute;ltiplas realidades que foram mutuamente constru&iacute;das pelas investigadoras e pelas participantes.</p>     <p> No &uacute;ltimo artigo do <i>dossier</i>, o objetivo do trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o apresentado consistiu em explorar perspetivas e experi&ecirc;ncias de gr&aacute;vidas espanholas, francesas e portuguesas quanto ao consumo de &aacute;lcool durante a gravidez. Para o efeito, as autoras desenvolveram um estudo qualitativo baseado numa abordagem fenomenol&oacute;gica, no qual foram realizadas 68 entrevistas. A an&aacute;lise dos dados foi feita com recurso ao programa QSR-NVIVO. Dos resultados obtidos, destacam-se semelhan&ccedil;as nas perce&ccedil;&otilde;es sobre os efeitos do consumo de &aacute;lcool durante a gravidez nos tr&ecirc;s pa&iacute;ses analisados e a exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o limitada e/ou errada quanto &agrave;s consequ&ecirc;ncias da exposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-natal a estes consumos por parte das gestantes.</p>     <p> As autoras e os autores que contribu&iacute;ram para este <i>dossier</i> da <i>ex &aelig;quo </i>s&atilde;o de oito nacionalidades diferentes, mas t&ecirc;m em comum o reconhecimento do valor da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa para a constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento cientificamente v&aacute;lido, em diversas &aacute;reas, que seja tamb&eacute;m rigoroso do ponto de vista metodol&oacute;gico e valioso para a interven&ccedil;&atilde;o, cumprindo todos os requisitos &eacute;ticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p> Alvarez, Teresa, Cristina Vieira, e Joanna Ostrouch-Kaminska. 2017. &laquo;G&eacute;nero, educa&ccedil;&atilde;o e cidadania: que &laquo;agenda&raquo; para a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e para o ensino e a forma&ccedil;&atilde;o.&raquo; ex &aelig;quo, 36: 9-22. DOI: <a href="https://doi.org/10.22355/exaequo.2017.36.01" target="_blank">https://doi.org/10.22355/exaequo.2017.36.01</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260752&pid=S0874-5560202000010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amado, Jo&atilde;o. 2014. <i>Manual de Investiga&ccedil;&atilde;o Qualitativa em Educa&ccedil;&atilde;o.</i> 1.&ordf; ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260753&pid=S0874-5560202000010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Bergano, Sofia. 2012. &laquo;Ser e tornar-se mulher – Classe Social, educa&ccedil;&atilde;o e discursos sobre identidade(s) feminina(s).&raquo; Tese de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o publicada). Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260755&pid=S0874-5560202000010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bergano, Sofia, e Cristina C. Vieira. 2016. &laquo;Dar visibilidade cient&iacute;fica a assuntos na sombra: contribui&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas entre os estudos de g&eacute;nero e a investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa.&raquo; <i>Atas CIAIQ 2016 – Investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa em ci&ecirc;ncias Sociais </i>3: 508-518. Dispon&iacute;vel em <a href="https://proceedings.ciaiq.org/index.php/ciaiq2016/article/view/995" target="_blank">https://proceedings.ciaiq.org/index.php/ciaiq2016/article/view/995</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260757&pid=S0874-5560202000010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Butler, Judith. 1990. <i>Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260758&pid=S0874-5560202000010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Denzin, Norman, e Yvonna Lincoln. 2011. &laquo;Introduction: the discipline and practice of qualitative research.&raquo; In<i> The Sage Handbook of Qualitative Research.</i> 4.&ordf; ed., editado por Norman Denzin e Yvonna Lincoln, 1-19. Thousand Oaks, CA: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260760&pid=S0874-5560202000010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Fonseca, Laura, Helena Ara&uacute;jo, e Maria Jos&eacute; Magalh&atilde;es. 2000. &laquo;Integrando as metodologias qualitativas na sua contribui&ccedil;&atilde;o para o campo educativo e de estudos sobre as mulheres. &raquo; In <i>Actas do Semin&aacute;rio Internacional Coeducar para uma sociedade inclusiva,</i> 133-146. Lisboa: CIDM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260762&pid=S0874-5560202000010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gilligan, Carol. (1982) 1997. <i>Teoria Psicol&oacute;gica e Desenvolvimento da Mulher, </i>traduzido por Nat&eacute;rcia Rocha. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260764&pid=S0874-5560202000010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Haraway, Donna. 1988. &laquo;Situated Knowledges: The Science Question in Feminism and Privilege of Partial Perspective.&raquo; <i>Feminist Studies </i>14 (3): 575-599. DOI: <a href="https://doi.org/10.2307/3178066" target="_blank">https://doi.org/10.2307/3178066</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260766&pid=S0874-5560202000010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Keating, Elizabeth. 2001. &laquo;The Ethnography of Communication.&raquo; In <i>Handbook of Ethnography,</i> editado por Paul Atkinson, Amanda Coffey, Sara Delamont e Lyn Lofland, 285- 301. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260767&pid=S0874-5560202000010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Mills, Jane, e Melanie Birks. 2014. &laquo;Introducing Qualitative Research.&raquo; In Q<i>ualitative Methodology: a practical guide</i>, editado por Jane Mills e Melanie Birks, 3-15. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260769&pid=S0874-5560202000010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Olesen, Virginia. 2005. &laquo;Early Millennial Feminist Qualitative Research: Challenges and Contours.&raquo; In T<i>he Sage Handbook of Qualitative Research</i>. 3.&ordf; ed., editado por Norman Denzin e Yvonna Lincoln, 235-278. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260771&pid=S0874-5560202000010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Olesen, Virginia. 2011. &laquo;Feminist Qualitative Research in the Millennium's first Decade.&raquo; In <i>The Sage Handbook of Qualitative Research. </i>4.&ordf; ed., editado por Norman Denzin e Yvonna Lincoln, 129-146. Thousand Oaks, CA: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260773&pid=S0874-5560202000010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Portela, Jos&eacute;. 1985. &laquo;Observa&ccedil;&atilde;o Participante (Reflex&otilde;es sobre uma Experi&ecirc;ncia).&raquo; <i>Cadernos de Ci&ecirc;ncias Sociais </i>13: 157-176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260775&pid=S0874-5560202000010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Reason, Peter. 1994a. &laquo;Future Participation.&raquo; In <i>Participation in Human Inquiry,</i> editado por Peter Reason, 30-39. London, Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260777&pid=S0874-5560202000010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Reason, Peter. 1994b. &laquo;Participation in the Evolution of Consciousness.&raquo; In <i>Participation in Human Inquiry,</i> editado por Peter Reason, 16-29. London, Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260779&pid=S0874-5560202000010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Rogowska-Stangret. Monika. 2018. &laquo;Situated Knowledges.&raquo; <i>NewMaterialism.eu.</i> Dispon&iacute;vel em <a href="https://newmaterialism.eu/almanac/s/situated-knowledges.html" target="_blank">https://newmaterialism.eu/almanac/s/situated-knowledges.html</a> (Consultado em 30 de maio de 2020).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260781&pid=S0874-5560202000010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Smith, Dorothy. 1987. Women's Perspective as a Radical Critique of Sociology. In <i>Feminism and Social Theory</i>, editado por S. Harding. Milton Keynes: Open University Press, 84-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260783&pid=S0874-5560202000010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> van Loon, Joost. 2001. &laquo;Ethnography: A Critical turn in Cultural Studies.&raquo; In <i>Handbook of Ethnography</i>, editado por Paul Atkinson, Amanda Coffey, Sara Delamont e Lyn Lofland, 273-284. London: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260785&pid=S0874-5560202000010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Vieira, Cristina C. 2004. &laquo;A investiga&ccedil;&atilde;o participativa: Algumas considera&ccedil;&otilde;es em torno desta metodologia qualitativa.&raquo; In <i>Investiga&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o. Abordagens conceptuais e pr&aacute;ticas</i>, organizado por L&uacute;cia Oliveira, Anabela Pereira e Rui Santiago, 59-76. Porto: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260787&pid=S0874-5560202000010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vieira, Cristina C. 2019. &laquo;Investiga&ccedil;&atilde;o, conhecimento cient&iacute;fico e responsabilidade social: reflex&otilde;es a partir das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas.&raquo; <i>Exedra,</i> N&uacute;mero Tem&aacute;tico EIPE 2019: 28-37. Dispon&iacute;vel em <a href="http://exedra.esec.pt/wp-content/uploads/2020/01/03-EIPE2019.pdf" target="_blank">http://exedra.esec.pt/wp-content/uploads/2020/01/03-EIPE2019.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=260789&pid=S0874-5560202000010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b>: Este trabalho &eacute; financiado por Fundos Nacionais atrav&eacute;s da FCT – Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, no &acirc;mbito do Projeto UIDB/05739/2020.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <a name="0" id="0"></a><a href="#top0">Endere&ccedil;o postal</a>: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>*Campus de Santa Apol&oacute;nia, 5301-856 Bragan&ccedil;a, Portugal.</p>     <p>**Rua do Col&eacute;gio Novo, 3001-802, Coimbra, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="a1" id="a1"></a><a href="#topa1">*</a>Sofia Bergano</b></p>     <p>Endere&ccedil;o eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sbergano@ipb.pt">sbergano@ipb.pt</a><br />   ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-9523-8884" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-9523-8884</a></p>     <p>Professora Adjunta do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o e Supervis&atilde;o da Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a, doutorada em e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, especializa&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Permanente e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos, na Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra. Membro integrado do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos e Interven&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (CEAD), da Universidade do Algarve. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="a2" id="a2"></a><a href="#topa2">**</a>Cristina C. Vieira</b></p>     <p>Endere&ccedil;o eletr&oacute;nico: <a href="mailto:vieira@fpce.uc.pt">vieira@fpce.uc.pt</a> <br />   ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-9814-1076" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-9814-1076</a></p>     <p>Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra. Membro integrado do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos e Interven&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (CEAD). Tem ampla experi&ecirc;ncia de doc&ecirc;ncia em cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, na &aacute;rea das metodologias quantitativas e qualitativas de investiga&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias sociais e humanas. Codiretora da Rede de G&eacute;nero e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos da ESREA. Colabora com regularidade com a FCT na avalia&ccedil;&atilde;o de projetos, relat&oacute;rios e candidaturas a bolsas de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a name="1" id="1"></a><a href="#top1">1</a> A obra foi traduzida para portugu&ecirc;s e publicada em 1997, pela Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, com o t&iacute;tulo <i>Teoria Psicol&oacute;gica e Desenvolvimento da Mulher</i>.</p>     <p> <a name="2" id="2"></a><a href="#top2">2</a> Os termos <i>emic</i> e <i>etic</i> foram propostos pelo antrop&oacute;logo americano Kenneth Pike, em 1954, no &acirc;mbito dos seus estudos no campo da antropologia cultural (Keating 2001).</p>     <p> <a name="3" id="3"></a><a href="#top3">3</a> Ver a este prop&oacute;sito uma Carta escrita por sete investigadoras e um investigador dos EMGF da Academia portuguesa &agrave;s Secret&aacute;rias de Estado do Ensino Superior, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e da Cidadania e Igualdade, em 2017, no qual foram expostos fundamentos e reivindicadas medidas de pol&iacute;tica para a ci&ecirc;ncia, tendo em vista <i>Refor&ccedil;ar o Sucesso e a Excel&ecirc;ncia dos Estudos de G&eacute;nero em Portugal</i>. Dispon&iacute;vel em &lt;<a href="https://apem-estudos.org/pt/files/2017-08/recomenda-es-para-odesenvolvimento-dos-emgf-30junho2017.pdf" target="_blank">https://apem-estudos.org/pt/files/2017-08/recomenda-es-para-odesenvolvimento-dos-emgf-30junho2017.pdf</a>&gt;.</p>     <p> <a name="4" id="4"></a><a href="#top4">4</a> De acordo com van Loon, este <i>slogan</i> famoso dos movimentos feministas dos anos 1970 &laquo;pode ser considerado como a defini&ccedil;&atilde;o perfeita da abordagem dos estudos culturais &agrave;s “experi&ecirc;ncias vividas”&raquo;&raquo; (2001, 277) das pessoas estudadas.</p>      ]]></body><back>
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