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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Otilde;ES</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Feeling Academic in the Neoliberal University. Feminist Flights, Fights and Failures, edited by Yvette Taylor and Kinneret Lahad. London: Palgrave/ Macmillan, 2018, 368 pp.</b></p>     <p><b> Adriana Bebiano</b></p>     <p> Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras e Centro de Estudos Sociais</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Esta colet&acirc;nea de ensaios, inclu&iacute;da na s&eacute;rie &laquo;Palgrave Studies in Gender and Education&raquo;, come&ccedil;a por surpreender logo no t&iacute;tulo: &laquo;<i>feeling</i> academic&raquo;. Escrever sobre emo&ccedil;&otilde;es em contexto acad&eacute;mico &eacute; j&aacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de resist&ecirc;ncia &agrave; universidade neoliberal, de cuja organiza&ccedil;&atilde;o foi rasurada a dimens&atilde;o humana. A cr&iacute;tica &agrave; universidade-empresa j&aacute; conta com uma extensa bibliografia; por&eacute;m, o enfoque tem estado na questiona&ccedil;&atilde;o de um conhecimento avaliado segundo &laquo;metas de produ&ccedil;&atilde;o&raquo;, expressas em n&uacute;meros (&laquo;outputs&raquo;). Conv&eacute;m lembrar ainda que &eacute; de &laquo;audit culture&raquo; que falamos quando falamos da universidade neoliberal: um sistema de hiperavalia&ccedil;&atilde;o pautado por uma l&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o quantitativa, que emergiu na d&eacute;cada de 1990 e que &eacute; agora hegem&oacute;nica. Os Estudos sobre Mulheres, Feministas e G&eacute;nero (EMFG) t&ecirc;m participado neste debate, centrandose nas dificuldades acrescidas de quem trabalha na &aacute;rea.</p>     <p> O que este livro traz de novo &eacute; o enfoque no corpo concreto das acad&eacute;micas – autoras dos ensaios e entrevistadas – em quinze ensaios etnogr&aacute;ficos e autoetnogr&aacute;ficos, hist&oacute;rias de vida que incluem o que &eacute; invisibilizado na ret&oacute;rica acad&eacute;mica: o stress, o medo, a culpa, a frustra&ccedil;&atilde;o. Emo&ccedil;&otilde;es, portanto. E se h&aacute; d&eacute;cadas que a teoria feminista inscreve o sujeito na investiga&ccedil;&atilde;o e na escrita, entendendo que o conhecimento &eacute; &laquo;fundado na experi&ecirc;ncia&raquo; (Harding, 1988), a op&ccedil;&atilde;o pela autoetnografia leva mais longe esse lugar de sujeito. Conhecendo os par&acirc;metros de valida&ccedil;&atilde;o do conhecimento acad&eacute;mico, esta op&ccedil;&atilde;o &eacute; um risco – e um risco muito bem-vindo.</p>     <p> Por outro lado, uma vez que os EMFG se encontram ainda em processo de valida&ccedil;&atilde;o – que se obt&eacute;m &agrave; custa da obedi&ecirc;ncia aos c&oacute;digos dominantes –, este lugar de margem entra em conflito com posicionamentos de resist&ecirc;ncia &agrave; l&oacute;gica neoliberal, dilema que se encontra presente em todos os artigos. Yvette Taylor (Universidade de Strathclyde, Esc&oacute;cia) e Kinneret Lahad (Universidade de Tela vive) re&uacute;nem ensaios diversificados que problematizam fracassos e poss&iacute;veis formas de resist&ecirc;ncia de acad&eacute;micas feministas na universidade neoliberal. Em &laquo;Failure to Launch?&raquo;, Heather Shipley centra-se na competi&ccedil;&atilde;o – que define os percursos acad&eacute;micos, na luta pelos parcos recursos –, desmontando &laquo;o mito de uma sororidade harmoniosa&raquo; entre as feministas. Como contraponto &agrave; &laquo;narrativa do sucesso&raquo;, a autora prop&otilde;e uma &laquo;narrativa do fracasso&raquo; que opte pela constru&ccedil;&atilde;o colaborativa do conhecimento. Mas quais s&atilde;o as possibilidades reais desta op&ccedil;&atilde;o? Em &laquo;Feel the Fear and Killjoy Anyway&raquo;, &Oacute;rla Meadhbh Murray faz um ataque feroz &agrave;s &laquo;narrativas feministas de sucesso&raquo;, que mais n&atilde;o seriam do que um instrumento de opress&atilde;o para as jovens acad&eacute;micas. A partir de entrevistas a quatro jovens prec&aacute;rias, Murray faz um retrato arrasador da universidade neoliberal, com a qual n&atilde;o h&aacute; negocia&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel: resta apenas denunciar os mecanismos de poder e vigil&acirc;ncia que produzem desequil&iacute;brio emocional e infelicidade. Tamb&eacute;m C. Laura Lovin, em &laquo;Feelings of Change&raquo;, n&atilde;o encontra solu&ccedil;&atilde;o feliz dentro da academia: socorre-se de narrativas de quatro jovens doutorandas em EMFG para apontar possibilidades de realiza&ccedil;&atilde;o profissional noutras organiza&ccedil;&otilde;es, onde a forma&ccedil;&atilde;o obtida possa contribuir para um trabalho comprometido com a comunidade e a justi&ccedil;a social. Por seu lado, a partir da posi&ccedil;&atilde;o privilegiada no topo de uma carreira bem-sucedida, em &laquo;A Long Goodbye to the ‘Good Girl'&raquo; Pat Thomson narra a sua experi&ecirc;ncia de d&eacute;cadas; sugere a procura de um lugar de fala solid&aacute;rio, com a autoridade necess&aacute;ria para negociar com a institui&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; um texto na linha dos exempla, narrativas did&aacute;ticas que fazem parte da tradi&ccedil;&atilde;o ocidental desde a Antiguidade Cl&aacute;ssica, particularmente cultivadas na Idade M&eacute;dia, um g&eacute;nero narrativo que tem o seu m&eacute;rito. Em &laquo;Feminist Conference Time&raquo;, Emily F. Henderson concentra-se nas pr&aacute;ticas discursivas do uso do &laquo;tempo&raquo; na academia: a press&atilde;o para converter todo o tempo em tempo &laquo;&uacute;til&raquo;, que invade e rasura o privado, enquadrado por uma narrativa de culpa. Henderson usa &laquo;o tempo dos congressos&raquo; como exemplo de um tempo percecionado como luxo e &oacute;cio que, no entanto, &eacute; crucial para aprendizagem, inspira&ccedil;&atilde;o e estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es colaborativas. Henderson defende ainda a &laquo;tranquilidade&raquo; como condi&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de pensamento relevante. Com um posicionamento muito pr&oacute;ximo, em &laquo;Gender, Time and ‘Waiting' in Everyday Academic Life&raquo;, Barbara Read e Lisa Bradley falam do tempo privado sacrificado ao &laquo;labour time&raquo;. As autoras defendem a op&ccedil;&atilde;o pelo &laquo;tempo lento&raquo; – na esteira do movimento &laquo;slow science&raquo; –, como &uacute;nica forma de superar uma cultura caracterizada pela culpabiliza&ccedil;&atilde;o, a ansiedade e o medo. Por seu lado, Yvette Taylor – uma das organizadoras deste volume – questiona a validade das narrativas que celebram a interseccionalidade, mas que escondem exclus&otilde;es, em &laquo;Navigating the Emotional Landscapes of Academia: Queer Encounters&raquo;. Taylor foca-se na an&aacute;lise de narrativas de perten&ccedil;a que frequentemente ocultam corpos concretos que vivem simultaneamente dentro e fora, em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, da etnia, da classe ou da orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Tamb&eacute;m Sarah Burton, vive) re&uacute;nem ensaios diversificados que problematizam fracassos e poss&iacute;veis formas de resist&ecirc;ncia de acad&eacute;micas feministas na universidade neoliberal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em &laquo;Failure to Launch?&raquo;, Heather Shipley centra-se na competi&ccedil;&atilde;o – que define os percursos acad&eacute;micos, na luta pelos parcos recursos –, desmontando &laquo;o mito de uma sororidade harmoniosa&raquo; entre as feministas. Como contraponto &agrave; &laquo;narrativa do sucesso&raquo;, a autora prop&otilde;e uma &laquo;narrativa do fracasso&raquo; que opte pela constru&ccedil;&atilde;o colaborativa do conhecimento. Mas quais s&atilde;o as possibilidades reais desta op&ccedil;&atilde;o? Em &laquo;Feel the Fear and Killjoy Anyway&raquo;, &Oacute;rla Meadhbh Murray faz um ataque feroz &agrave;s &laquo;narrativas feministas de sucesso&raquo;, que mais n&atilde;o seriam do que um instrumento de opress&atilde;o para as jovens acad&eacute;micas. A partir de entrevistas a quatro jovens prec&aacute;rias, Murray faz um retrato arrasador da universidade neoliberal, com a qual n&atilde;o h&aacute; negocia&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel: resta apenas denunciar os mecanismos de poder e vigil&acirc;ncia que produzem desequil&iacute;brio emocional e infelicidade. Tamb&eacute;m C. Laura Lovin, em &laquo;Feelings of Change&raquo;, n&atilde;o encontra solu&ccedil;&atilde;o feliz dentro da academia: socorre-se de narrativas de quatro jovens doutorandas em EMFG para apontar possibilidades de realiza&ccedil;&atilde;o profissional noutras organiza&ccedil;&otilde;es, onde a forma&ccedil;&atilde;o obtida possa contribuir para um trabalho comprometido com a comunidade e a justi&ccedil;a social. Por seu lado, a partir da posi&ccedil;&atilde;o privilegiada no topo de uma carreira bem-sucedida, em &laquo;A Long Goodbye to the ‘Good Girl'&raquo; Pat Thomson narra a sua experi&ecirc;ncia de d&eacute;cadas; sugere a procura de um lugar de fala solid&aacute;rio, com a autoridade necess&aacute;ria para negociar com a institui&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; um texto na linha dos <i>exempla</i>, narrativas did&aacute;ticas que fazem parte da tradi&ccedil;&atilde;o ocidental desde a Antiguidade Cl&aacute;ssica, particularmente cultivadas na Idade M&eacute;dia, um g&eacute;nero narrativo que tem o seu m&eacute;rito. </p>     <p>Em &laquo;Feminist Conference Time&raquo;, Emily F. Henderson concentra-se nas pr&aacute;ticas discursivas do uso do &laquo;tempo&raquo; na academia: a press&atilde;o para converter todo o tempo em tempo &laquo;&uacute;til&raquo;, que invade e rasura o privado, enquadrado por uma narrativa de culpa. Henderson usa &laquo;o tempo dos congressos&raquo; como exemplo de um tempo percecionado como luxo e &oacute;cio que, no entanto, &eacute; crucial para aprendizagem, inspira&ccedil;&atilde;o e estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es colaborativas. Henderson defende ainda a &laquo;tranquilidade&raquo; como condi&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de pensamento relevante. Com um posicionamento muito pr&oacute;ximo, em &laquo;Gender, Time and ‘Waiting' in Everyday Academic Life&raquo;, Barbara Read e Lisa Bradley falam do tempo privado sacrificado ao &laquo;labour time&raquo;. As autoras defendem a op&ccedil;&atilde;o pelo &laquo;tempo lento&raquo; – na esteira do movimento &laquo;slow science&raquo; –, como &uacute;nica forma de superar uma cultura caracterizada pela culpabiliza&ccedil;&atilde;o, a ansiedade e o medo. </p>     <p>Por seu lado, Yvette Taylor – uma das organizadoras deste volume – questiona a validade das narrativas que celebram a interseccionalidade, mas que escondem exclus&otilde;es, em &laquo;Navigating the Emotional Landscapes of Academia: Queer Encounters&raquo;. Taylor foca-se na an&aacute;lise de narrativas de perten&ccedil;a que frequentemente ocultam corpos concretos que vivem simultaneamente dentro e fora, em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, da etnia, da classe ou da orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Tamb&eacute;m Sarah Burton, em &laquo;Writing Yourself In?&raquo;, questiona a ret&oacute;rica dominante da interseccionalidade, exemplificando as dificuldades dos &laquo;corpos negros e castanhos&raquo;, e da &laquo;classe trabalhadora &raquo;, na integra&ccedil;&atilde;o do mundo acad&eacute;mico. Por seu lado, em &laquo;When Love Becomes Self-Abuse&raquo;, Francesca Coin desmonta o discurso do trabalho acad&eacute;mico feito &laquo;por amor&raquo; ao conhecimento, mostrando-o pelo que &eacute;: mais um instrumento de domina&ccedil;&atilde;o, usado para justificar a explora&ccedil;&atilde;o de trabalho prec&aacute;rio, mal pago e, muitas vezes, <i>pro bono</i>.</p>     <p> O tema, j&aacute; antigo, mas ainda pertinente, das dificuldades de legitima&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m abordado. Susanne Gannon, Sarah Powell e Clare Power, escrevem coletivamente &laquo;On the Thresholds of Legitimacy&raquo;, um exerc&iacute;cio disruptivo da valoriza&ccedil;&atilde;o da autoria em contexto acad&eacute;mico, exemplificando, com a sua escrita, aquilo que defendem: a constru&ccedil;&atilde;o coletiva e colaborativa do conhecimento. &laquo;China with ‘Foreign Talent' Characteristics&raquo;, de Lauren Ila Misiaszzek, traz como contribui&ccedil;&atilde;o interessante para reflex&atilde;o o pr&oacute;prio processo de escrita: o ensaio &eacute; &laquo;messy&raquo; – palavra usada pela pr&oacute;pria autora –, fragmentado e deliberadamente desorganizado, recusando a estrutura e a linguagem impostas &agrave; escrita acad&eacute;mica. Por seu lado, em &laquo;Digital Scholars&raquo;, Cristina Costa aborda uma &aacute;rea emergente. N&atilde;o encontrei aqui qualquer dimens&atilde;o feminista, pelo que creio que ter&aacute; sido inclu&iacute;do neste volume na medida em que reflete sobre o dif&iacute;cil processo de valida&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o marginalizada, tal como aconteceu, durante longas d&eacute;cadas, com os EMFG.</p>     <p> &laquo;Teaching Gender in a Postfeminist Management Classroom&raquo;, de Nick Rumens, cruza a universidade neoliberal com o discurso do p&oacute;sfeminismo, uma conflu&ecirc;ncia que tem merecido alguma aten&ccedil;&atilde;o nos EMFG. Situado no ensino de gest&atilde;o – &aacute;rea endemicamente resistente a abordagens feministas e com afinidades &laquo;naturais&raquo; com a ideologia neoliberal – o ensaio tem o interesse acrescido de ser uma narrativa de trabalho realizado em territ&oacute;rio hostil.</p>     <p> Os ensaios mais disruptivos s&atilde;o, no entanto, os que se centram em emo&ccedil;&otilde;es vividas espec&iacute;ficas. &laquo;Impostor Syndrome as a Public Feeling&raquo;, de Maddie Breeze, &eacute; particularmente audaz. Fala do &laquo;sentimento de impostura&raquo;, com o concomitante medo de ser descoberta enquanto &laquo;fraude&raquo; – um sentimento aparentemente frequente, &iacute;ntimo e calado, aqui colocado em espa&ccedil;o p&uacute;blico. Breeze prop&otilde;e o seu reconhecimento, desestigmatiza&ccedil;&atilde;o e despatologiza&ccedil;&atilde;o, e a transforma&ccedil;&atilde;o deste sentimento em instrumento de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. H&aacute; aqui, de novo, a questiona&ccedil;&atilde;o da narrativa hegem&oacute;nica do sucesso – ela pr&oacute;pria uma impostura. A autora prop&otilde;e que a &laquo;d&uacute;vida de si&raquo; seja deslocada do lugar que ocupa no indiv&iacute;duo para a questiona&ccedil;&atilde;o dos par&acirc;metros impostos e avalia&ccedil;&atilde;o – onde reside a causa da d&uacute;vida.</p>     <p> Talvez o ensaio mais insurreto contra as regras de comportamento n&atilde;o escritas, mas nem por isso menos poderosas, em vigor na academia seja &laquo;Crying on Campus&raquo;, de Daphna Hacker. O choro &eacute;, por excel&ecirc;ncia, uma express&atilde;o de emo&ccedil;&atilde;o feminizada. Perturbando a l&oacute;gica racionalista e masculina da academia, &eacute; estigmatizado e, por isso, rigorosamente controlado. Partindo da narrativa de quatro epis&oacute;dios de choro, Hacker defende a sua aceitabilidade em contexto acad&eacute;mico, enquanto forma de express&atilde;o do humano. </p>     <p>Abordei os diferentes ensaios por uma ordem diversa daquela em que surgem publicados: Esta &eacute; uma leitura subjetiva, que segue uma l&oacute;gica associativa e fundada tamb&eacute;m nas emo&ccedil;&otilde;es de quem l&ecirc;. Acresce que exclu&iacute; a refer&ecirc;ncia aos espa&ccedil;os concretos nos quais decorrem as experi&ecirc;ncias de vida de pessoas singulares, com circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas, que constituem estudos de caso; fi-lo deliberadamente. De facto, se estes estudos de caso s&oacute; ganham o seu significado pleno no contexto em que ocorrem, cada um destes ensaios produz uma reflex&atilde;o que pode migrar e, atravessando fronteiras geogr&aacute;ficas e culturais, servir ainda para pensar as situa&ccedil;&otilde;es de novo concretas, materializadas noutros corpos, noutros lugares. No seu retrato da academia do presente, e nas propostas de formas poss&iacute;veis de resist&ecirc;ncia, negocia&ccedil;&atilde;o e combate, este &eacute; um livro not&aacute;vel, cuja leitura recomendo. Emotionally speaking, it's a book after my own heart.</p>      ]]></body>
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