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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>PIONEIRAS</b></font></p>     <p><b>Joana Marques Vidal</b></p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/eva/n34/n34a14f1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <p><b>Maria José Remédios e Rita Mira</b></p>      <p>Maria Joana Raposo Marques Vidal nasceu em Coimbra, a 31 de Dezembro de 1955. Com um notável percurso pautado por valores inabaláveis de defesa da dignidade humana e de promoção da justiça social, Joana Marques Vidal - Joaninha para as pessoas mais próximas - é a primeira mulher a liderar a Procuradoria-Geral da República Portuguesa.</p>      <p>Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1978 fez formação complementar à sua licenciatura, na área do Direito da Família frequentando o 1.º Curso de Pós-Graduação de Protecção de Menores. No exercício da Magistratura foi a primeira Presidente da Comissão de Protecção de Menores da Comarca de Cascais. Foi ainda, Procuradora da República Coordenadora do Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Lisboa de 1994 a 2002.</p>      <p>Foi Directora-adjunta do Centro de Estudos Judiciários, tendotambém no CEJ, exercido funções de docente na área de Família e Menores no Centro de Estudos Judiciários, durante três anos. Participou em diversas Comissões Legislativas no âmbito do Direito da Família e dos Menores destacando-se a participação como membro da Comissão Legislativa para a redacção da Lei Tutelar Educativa e como membro da comissão que procedeu às alterações de 2003 da Legislação da Adopção.</p>      <p>Em Novembro de 2004, é nomeada auditora jurídica junto do Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores e representante do Ministério Público na Secção Regional dos Açores do Tribunal de Contas tendocom autorização do Conselho Superior do Ministério Público assegurado a coordenação do Ministério Público na área de Família e Menores naquela região autónoma. </p>      <p>Foi ainda, Vice-Presidente da Direcção da Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família - <i>Crescer Ser</i> - e a primeira mulher presidente da Direcção da APAV, de 2007 a 2012. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No domínio sindical foi Secretária-Geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público tendo também presidido à Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal do SMMP.</p>      <p>O pioneirismo é desta forma um traço marcante do seu percurso de vida.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>1 . Sabemos que era chamada de Joaninha nos tempos de escola primária em Moimenta da Beira. Que recordações possui desse tempo?</i></p>      <p>Sendo filha de magistrado tive oportunidade de viver em diversas localidades do País,o que determinou que a minha infância e juventude, bem como o meu percurso escolar, tivessem decorrido por terras da Beira Alta, frequentado, sempre, escolas públicas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>2. Na sua infância e/ou juventude há algum ou alguns acontecimentos que influenciaram a escolha da área do Direito?</i></p>      <p>A opção pelo curso de Direito surgiu como natural para quem claramente preferia as letras às "ciências" e considerava não ter vocação para o ensino numa época em que as saídas profissionais, tradicionais, eram limitadas.</p>      <p>Se as circunstâncias de então se assemelhassem às de hoje provavelmente, teria seguido a área das ciências sociais.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>3. O percurso académico e profissional do seu pai terá tido influência na sua escolha pelo Curso de Direito e/ou pela escolha da Magistratura? Caso não tenha tido qualquer influência por que escolheu fazer uma carreira profissional na Magistratura?</i></p>      <p>Nunca houve qualquer tentativa de influência familiar ainda que o mundo dos tribunais, como é claro, fizesse parte do nosso quotidiano, não constituindo pois algo de estranho ou de assustador. Pelo contráriofoi-se construindo a ideia de que, "por aí", alguma justiça se poderia alcançar.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>4. O que mais recorda dos tempos da licenciatura? Quando entrou na Faculdade de Direito de Lisboa ainda vigorava o regime do Estado Novo de que forma sentiu a ditadura enquanto rapariga/mulher estudante?</i></p>      <p>A Faculdade de Direito de Lisboa, especialmente pelas circunstâncias da época aí vivida - entre Outubro de 1973 e Julho de 1978 -foi uma verdadeira Escola de Vida.</p>      <p>Acentuou-se, uma visão do mundo respeitadora da diversidade, da diferença de opinião, do debate de ideias e do diálogo, que ao longo dos anos se tinha desenvolvido na continuada vivência em comum</p>      <p>e no contacto com as mais distintas pessoas e classes sociais. E uma recusa intransigente de modelos ditatoriais e autoritários.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>5. Numa análise do seu percurso de vida, não se podendo ignorar que assumiu a presidência da APAV transparece uma atenção especial à área da Família das Mulherese das Crianças. Como interpreta este enfoque?</i></p>      <p>A dignidade humana, os direitos das pessoas, principalmente na perspectiva da sua efectiva aplicação, estiveram sempre presentes no núcleo central das minhas preocupações constituindo-se como o factor determinante das minhas opções e intervenções cívicas com manifesta influência no meu percurso profissional.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foram assim muito gratificantes todas as experiências de participação cívica que fui desenvolvendo em diversas associações designadamente a de presidente da APAV ainda que estas funções só tenham significado enquanto parte de um continuado trabalho de equipa.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>6. Tem uma história pessoal profissional e cívica que a liga ao apoio às vítimas em Portugal. Como é que este activismo se reflecte ou se pode reflectirna sua função de Procuradora-Geral da República?</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O núcleo essencial de referências de que falei, mantém-se sempre presente também nas funções que ora desempenho. </p>      <p>Tanto mais que ao Ministério Público enquanto magistratura de iniciativa, à Procuradoria-Geral da República, estão constitucionalmente atribuídas especiais competências e deveres de promoção dos direitos fundamentais dos mais vulneráveisde defesa da legalidade democrática e de promoção da igualdade do cidadão perante a lei.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>7. A mulher no caso português só acedeu à Magistratura depois de 1974. Mas, hoje, algumas vozes afirmam que a profissão está feminizada. Contudo foram necessárias quatro décadas para o lugar de Procurador/a-Geral da República ser entregue a uma mulher. A nomeação duma mulher para ocupar um dos cargos mais elevados na organização do Estado tem/pode ter alguma leitura especial? </i></p>      <p>Ser mulher faz parte de mim da pessoa que sou e tem, necessariamente, reflexo no que faço. Mas não sei até que ponto esse facto será por si só, determinante. Penso que um homem com as mesmas referências e interesses poderia ter um percurso idêntico.</p>      <p>Existem diversos estudos de investigação científica sobre a influência do género nas decisões dos tribunais. Por exemplo quanto ao crime de violência doméstica e de abuso sexual. E as conclusões não se têm revelado conclusivas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enfim esse é um debate em aberto a exigir uma continuada e aprofundada reflexão. </p>      <p>Efectivamente actualmente a maioria dos magistrados do Ministério público são mulheres. São cerca de 60%. </p>      <p>A nomeação para PGR no entantoestará principalmente relacionada com a evolução da própria sociedade portuguesa. Tanto mais que o cargo de PGR, nos termos da nossa Constituição poderá ser assumido por qualquer cidadão ou cidadã não sendo requisito sequera respectiva formação jurídica.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i>8. Ao longo do seu percurso profissional e pessoal sentiu algumas dificuldades/obstáculos pelo facto de ser mulher? </i></p>      <p>No meu percurso profissional não me recordo de sentir dificuldades pelo facto de ser mulher.</p>      <p>Mas no meio profissional a que pertenço, já fui confrontada com opiniões sobre magistradas eivadas de condescendência e considerações discriminatórias que raramente se utilizam quanto aos homens. A gravidez das magistradas ainda é referenciada (cada vez mais raramente é certo)como um problema pessoal prejudicial para o serviço.</p>      <p>E por esse mundo fora infelizmente a situação das mulheres fala por si.</p>      ]]></body>
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