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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>LEITURAS</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (2015). <i>Estudos sobre as Mulheres e Biografias no Feminino: Contributos de Maria Reynolds de Sousa.</i> Lisboa: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 87 pp.</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rita Mira</b></font></p>     <p >A Comissão da Condição Feminina, desde a sua criação na década de 70 do século XX, adotou como função central o incremento dos Estudos sobre as Mulheres em Portugal, incentivando e apoiando diversos projetos promotores do conhecimento nesta área do saber e a atual Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, autora deste livro, dá continuidade a esta missão, procurando, entre outros objetivos, dar visibilidade ao papel das mulheres nas diferentes áreas da sociedade. Neste sentido, a obra em apreço pretende ser uma justa homenagem a uma individualidade que tanto contribuiu para (re)colocar na História o percurso de diversas mulheres, tantas vezes esquecidas e ignoradas, apesar da sua relevante participação na construção de uma sociedade melhor. </p>     <p >Esta obra inicia­&#8209;se com um notável texto do historiador João Esteves, intitulado <i >Voto</i><i > feminino</i><i >, primeiras parlamentares e cidadãs: relendo Maria Reynolds de Souza</i>, que reúne e sistematiza o trabalho pioneiro desta personalidade sobretudo na evocação do percurso de vida de mulheres que tiveram um papel ativo na vida social e política durante o Estado Novo, nomeadamente nos seus órgãos &#8211; na Assembleia Nacional, na Câmara Corporativa e nos Colégios Eleitorais do Presidente da República &#8211; não esquecendo &#8220;outras vivências&#8221; no feminino (p.&nbsp;34), bem como o processo árduo e longo das mulheres alcançarem o estatuto de cidadãs com o sufrágio universal. </p>     <p >Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Reynolds de Souza possui uma invejável biografia e bibliografia na área dos <i >Women</i><i > Studies</i>, tendo, com a sua pesquisa &#8220;pioneira, metódica, rigorosa, exaustiva e fundamentada&#8221; (Esteves, p.12), resgatado vozes e percursos femininos da provável invisibilidade histórica.</p>     <p >Integra, em 1977, a Comissão da Condição Feminina, ainda em regime de instalação e é, no contexto desta organização e da posterior Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres, que Maria Reynolds de Souza encontra o espaço privilegiado para o desenvolvimento de um conjunto diversificado de atividades que visava um maior conhecimento sobre a situação das mulheres em Portugal, bem como denunciar a construção histórica e social da sua invisibilidade e da necessidade de uma nova conceção, individual e coletiva, do seu papel na sociedade. </p>     <p >No contexto desta entidade pública, entre 1977 e 2004, Maria Reynolds de Souza coordena publicações, projetos de informação, educação e comunicação; é responsável pela organização de seminários e conferências; representa a Comissão para a Condição Feminina e, posteriormente, a Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres em diversos grupos e redes de trabalho, a nível nacional e internacional; desenvolve investigações sobretudo sobre a participação política das mulheres e sobre os movimentos feministas no contexto da ditadura portuguesa. Muitas destas iniciativas só foram passíveis de concretização graças ao &#8220;olhar visionário&#8221; (p.&nbsp;8) desta investigadora que, durante grande parte da sua vida, impulsionou o conhecimento e a tomada de consciência acerca dos contributos das mulheres em termos políticos e sociais.</p>     <p >Em 1985, no Colóquio <i >A Mulher na Sociedade Portuguesa &#8211; Visão Histórica e Perspectivas Actuais</i>, Maria Reynolds de Souza apresenta a comunicação &#8220;arrojada e inovadora&#8221;, nas palavras de João Esteves (p.&nbsp;12) &#8211; &#8220;As primeiras deputadas portuguesas<i >&#8221;</i>&#8211; que praticamente inaugura o extenso acervo bibliográfico da autora sobre a temática da participação das mulheres na vida política durante a ditadura do Estado Novo.</p>     <p >A professora e médica Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho, a advogada Maria Cândida Bragança Parreira e a docente Maria Baptista dos Santos Guardiola foram as primeiras deputadas à Assembleia Nacional, na sequência das eleições de 16 de dezembro de 1934 e integrando o único partido do regime de António de Oliveira Salazar (1889­&#8209;1970). Por outro lado, a comerciante e industrial Clemência Dupin de Seabra e Maria José de Abreu do Couto de Amorim Novais, proprietária, foram nomeadas procuradoras à Câmara Corporativa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Em diversos textos e entradas em três Dicionários &#8211; <i >Dicionário</i><i > Biográfico Parlamentar (1935 &#8211; 1974)</i> [2004­&#8209;2005], <i >Dicionário</i><i> no Feminino (séculos XIX­&#8209;XX)</i> [2005] e <i>Feminae</i><i > &#8211; Dicionário Contemporâneo</i>[2013] &#8211; Maria Reynolds de Souza desvenda o percurso, tanto público &#8211; académico, profissional, político e de intervenção cívica &#8211; como pessoal e familiar destas mulheres e de muitas outras que desempenharam um papel ativo e político durante a ditadura salazarista. Esta investigadora dá a conhecer as suas principais intervenções e querelas, bem como as temáticas centrais pelas quais mais se debateram no cenário político da altura, desocultando o seu protagonismo e principais contributos.</p>     <p >Para além de toda a investigação desenvolvida sobre as mulheres eleitas, Maria Reynolds de Souza estudou igualmente o sufrágio feminino, publicando, em 2006, <i >A concessão do voto às portuguesas &#8211; breve apontamento</i>, dando conta dos &#8220;avanços e retrocessos&#8221; deste &#8220;árduo, moroso e intrincado processo&#8221; (Esteves, p.&nbsp;33) desde 1822, altura em que, pela primeira vez, é solicitado o voto para as mulheres pelo deputado Domingo Borges de Barros nas Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes de Portugal (p.&nbsp;33). Só em 1976, com a promulgação da nova Constituição da República Portuguesa, são reconhecidos iguais direitos políticos a mulheres e a homens.</p>     <p >A seguir ao texto de João Esteves, esta obra contempla um conjunto de testemunhos de colegas e amigas de Maria Reynolds de Souza que tiveram o privilégio de se cruzar e de trabalhar com a sua individualidade, tais como Ana Vicente, Dina Canço, Fátima Duarte, Isabel de Castro, Leonor Beleza, Maria do Céu Cunha Rêgo, Maria Regina Tavares da Silva, Teresa Alvarez, Teresa Pinto e Zília Osório de Castro. Estes testemunhos dão­&#8209;nos conta das inúmeras qualidades e competências de Maria Reynolds de Souza, &#8220;Zinha&#8221; para os/as mais próximos/as, bem como do seu entusiasmo, convicção e dedicação à promoção dos Estudos sobre as Mulheres em Portugal.</p>     <p >Este opúsculo é, assim, um exemplo de que as mulheres que dedicaram grande parte da sua vida à árdua tarefa de não deixar cair em esquecimento os percursos e as vozes no feminino, merecem elas próprias o reconhecimento e a visibilidade por terem contribuído para uma História mais completa e verdadeira e para uma sociedade mais justa e solidária, como é o caso de Maria Reynolds de Souza.</p>      ]]></body>
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