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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O &#8220;Jardim de Sophia&#8221;: uma fantasia espacial inspirada na obra literária de Sophia de Mello Breyner Andresen]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O &#8220;Jardim de Sophia&#8221; - uma fantasia espacial inspirada na obra liter&#225;ria de Sophia de Mello Breyner Andresen</b></font></p>     <p><b>Ana Catarina Antunes *, Paulo Farinha Marques**</b></p>     <p>*&#160;Faculdade de Ci&#234;ncias da Universidade do Porto, Portugal, <a href="mailto:ana.catarina.antunes@gmail.com">ana.catarina.antunes@gmail.com</a></p>     <p>** Faculdade de Ci&#234;ncias da Universidade do Porto, Centro de Investiga&#231;&#227;o em Biodiversidade e Recursos Gen&#233;ticos, Porto, Portugal, <a href="mailto:pfmarques@fc.up.pt">pfmarques@fc.up.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo prop&#245;e fazer uma apresenta&#231;&#227;o do projeto Jardim de Sophia, espa&#231;o onde Sophia de Mello Breyner Andresen passou muitos momentos da sua inf&#226;ncia, atualmente Jardim Bot&#226;nico do Porto.</p>     <p>Neste projeto procurou-se criar uma narrativa especial, que apela aos sentidos atrav&#233;s da identifica&#231;&#227;o objetiva das marcas do passado, numa fixa&#231;&#227;o de identidades que real&#231;a os lugares simb&#243;licos associados aos espa&#231;os de mem&#243;ria e &#224;s narrativas e poesia de Sophia.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b> Sophia de Mello Breyner Andresen, Jardim Bot&#226;nico do Porto, simbologia liter&#225;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article presents the project &#8220;Sophia&#8217;s Garden&#8221;, the place where Sophia de Mello Breyner Andresen spent many moments of her childhood, currently Botanical Garden of Porto.</p>     <p>In this project we sought to create a special narrative that appeals to senses, through an objective</p>     <p>identification of the marks of the past, which highlights the symbolic places associated with memory spaces and Sophia&#8217;s narratives and poetry.</p>     <p><b>Keywords: </b>Sophia de Mello Breyner Andresen, Botanical Garden of Porto, literary symbology.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A obra de Sophia de Mello Breyner Andresen celebra a beleza das coisas elementares. &#201; uma obra que assinala uma ideia de poesia como acontecimento (Lopes, 2004), muito seduzida por uma certa dimens&#227;o &#233;pica, com um discurso de uma singular limpidez e transpar&#234;ncia. A import&#226;ncia da sua obra resulta de um original cruzamento de um discurso liter&#225;rio de forte conceptualiza&#231;&#227;o imag&#233;tica (Guimar&#227;es, 2005) com uma elegante e concreta enuncia&#231;&#227;o de pensamentos pela palavra, narrativas muito po&#233;ticas, e, ao mesmo tempo, muito concretas.</p>     <p>O Jardim de Sophia assenta numa constru&#231;&#227;o ficcional dos espa&#231;os da casa dos av&#243;s paternos, nos quais Sophia passou muitos momentos da sua inf&#226;ncia e que inspiraram a sua obra. A Quinta do Campo Alegre &#233; atualmente o Jardim Bot&#226;nico do Porto. O presente artigo tem como principal objetivo evidenciar o efeito incitador da narrativa po&#233;tica de Sophia na cria&#231;&#227;o de uma narrativa t&#233;cnica que instruiu a representa&#231;&#227;o ficcional e simb&#243;lica de um conjunto de espa&#231;os do Jardim Bot&#226;nico do Porto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas duas narrativas, a po&#233;tica e a t&#233;cnica, que se misturam e se confundem no Jardim de Sophia, levam-nos a organizar o presente texto em duas partes.</p>     <p>Na primeira parte, apresenta-se uma breve nota sobre o mundo de inf&#226;ncia de Sophia, com o prop&#243;sito de nos ajudar a melhor compreender os ambientes e &#8220;espa&#231;os a cuja ordem subjaz uma l&#243;gica do maravilhoso &#8211; com a presen&#231;a de fadas, an&#245;es, animais humanizados e transforma&#231;&#245;es m&#225;gicas&#8221; (Gomes, 2007, p. 2), que povoam, de forma expl&#237;cita ou alusiva,&#160; a sua obra po&#233;tica e ficcional, particularmente as narrativas que escreveu para crian&#231;as.</p>     <p>Na segunda parte, de cariz mais t&#233;cnico, do &#226;mbito da arquitetura paisagista, sintetizam-se os aspetos principais do projeto Jardim de Sophia, uma fantasia espacial inspirada na obra liter&#225;ria de Sophia de Mello Breyner Andresen, que reflete, prioritariamente, sobre o patamar envolvente da casa. Aqui s&#227;o indicados os princ&#237;pios que orientaram a proposta e as principais tipologias de interven&#231;&#227;o ao n&#237;vel dos espa&#231;os e da vegeta&#231;&#227;o. Para ilustrar as interven&#231;&#245;es t&#233;cnicas preconizadas no projeto, opt&#225;mos por n&#227;o trazer imagens e representa&#231;&#245;es visuais dos resultados, mas sim a poesia de Sophia. Assim, para cada espa&#231;o foi selecionado um poema que foi inspirador e que, em simult&#226;neo, &#233; representativo da interven&#231;&#227;o t&#233;cnica.</p>     <p>O MUNDO DE INF&#194;NCIA DE SOPHIA E O JARDIM BOT&#194;NICO DO PORTO</p>     <p><b>O mundo de inf&#226;ncia de Sophia. </b></p>     <p>Sophia de Mello Breyner Andresen (<a href="#f1">Figura 1</a>) nasceu na cidade do Porto a 6 de novembro de 1919, filha de Jo&#227;o Henrique Andresen e de Maria Am&#233;lia de Mello Breyner. Faleceu com 84 anos, no dia 2 de julho de 2004, em Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/eva/n35/n35a05f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As suas ra&#237;zes dinamarquesas remontam ao seu bisav&#244; paterno, Jan Heinrich Andresen (1826-1894), oriundo da ilha de Oevenum nas Fr&#237;sias Orientais, que, embarcado &#224; aventura (Pereira, 1985), chegou um dia ao Porto e &#8220;amou desde o primeiro momento a respira&#231;&#227;o rouca da cidade, o colorido intenso e sombrio, o arvoredo murmurante e espesso, o verde espelhado do rio&#8221; (Andresen, 2001, p. 86) e nunca mais abandonou a cidade. Aqui viveu, tornando-se um industrial e comerciante de vinho do Porto de reconhecido sucesso. A figura deste bisav&#244; era uma presen&#231;a ativa no mundo infantil de Sophia, embora ela nunca o tenha conhecido diretamente (Pereira, 1985).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sophia teve uma inf&#226;ncia passada entre o Porto e a praia da Granja. No Porto, a casa onde passou muitos momentos da sua meninice foi, sobretudo, a casa da Quinta do Campo Alegre. Esta casa, que se encontrava num territ&#243;rio fabuloso, era para Sophia um pal&#225;cio, &#8220;O da minha inf&#226;ncia para mim o primeiro / Tinha sido constru&#237;do no s&#233;culo passado (e pintado a vermelho)&#8221; (Andresen, 2004, p. 21).</p>     <p>Esta era a quinta dos av&#243;s paternos, Jo&#227;o Henrique Andresen J&#250;nior (1861- 1900) e Joana Lehmann Andresen (1861-1937), adquirida em 1895 ao capitalista brasileiro Jo&#227;o da Silva Monteiro, tendo permanecido na posse da fam&#237;lia at&#233; 1949. No conto <i>Saga</i>, onde ficciona a hist&#243;ria do bisav&#244;, Sophia descreve a quinta, cujos terrenos desciam &#160;at&#233; aos cais de sa&#237;da da barra, do seguinte modo:</p>     <p>Entrava-se pela quinta, pelo lado dos campos, por um port&#227;o de ferro que, depois de o passarmos, ao fechar-se batia pesadamente. Em frente surgia a casa, enorme, desmedida, com altas janelas, largas portas e ampla escadaria de granito, abrindo em leque. Na parte de tr&#225;s, corria uma longa varanda debru&#231;ada sobre os roseirais do poente. (...) Tudo na casa era desmedidamente grande desde os quartos de dormir onde as crian&#231;as andavam de bicicleta at&#233; ao enorme &#225;trio para o qual davam todas as salas e no qual, como Hans dizia, se poderia armar o esqueleto da baleia que h&#225; anos repousava, empacotado em numerosos volumes, nas caves da Faculdade de Ci&#234;ncias por n&#227;o haver lugar onde coubesse armado. (...) (Andresen, 2001, pp. 100, 102, 106 e 107).</p>     <p>Naquela &#233;poca, a quinta do Campo Alegre era &#8220;um para&#237;so de vistas e vegeta&#231;&#227;o, descendo em socalcos at&#233; ao rio, l&#225; muito em baixo&#8221; (Cunha,&#160; 1949, p. 58), ocupando um lugar de destaque na cidade do Porto (<a href="#f2">Figura 2</a>). A fam&#237;lia Andresen concluiu o processo de renova&#231;&#227;o da casa e dos jardins iniciado por Jo&#227;o da Silva Monteiro, introduzindo altera&#231;&#245;es significativas. Nos jardins, com o apoio do jardineiro paisagista Jacinto de Matos, consolida o seu tra&#231;ado, constr&#243;i acasa ecampo de t&#233;nis, renova o bosque efaz um grande investimento nas cole&#231;&#245;es de plantas, enriquecendo a cole&#231;&#227;o j&#225; existente (Marques, n.d.).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/eva/n35/n35a05f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os registos de Elisa Andresen Guimar&#227;es, tia de Sophia, acrescentam algumas notas do culto e carinho especial que Jo&#227;o e Joana Andresen tinham pelos seus jardins. Mandavam vir todos os anos do estrangeiro bolbos e rizomas de junquilhos, &#237;ris, l&#237;rios, tulipas e crocos para os jardins e nas estufas mantinham uma cole&#231;&#227;o &#250;nica de avencas, al&#233;m de v&#225;rias plantas ornamentais ex&#243;ticas, e ainda ananases e bananas. Foi tamb&#233;m nos terrenos do Campo Alegre onde pela primeira vez se cultivou, pelo menos em larga escala, o muguet. Para al&#233;m das plantas ornamentais, existiam in&#250;meras &#225;rvores de fruto, principalmente cerejeiras de diferentes variedades, e cultivavam-se tamb&#233;m morangos que eram afamados na cidade (Guimar&#227;es, 1950).</p>     <p>Foi nesta quinta, hoje Jardim Bot&#226;nico do Porto e Galeria da Biodiversidade, que Sophia passou muitos momentos da sua inf&#226;ncia e juventude na companhia dos irm&#227;os e primos.</p>     <p>&#192; quest&#227;o colocada por Eduardo Prado Coelho, numa entrevista realizada em 1986, sobre a import&#226;ncia das casas, tanto nos contos como na poesia, Sophia refere: &#8220;Tenho muita mem&#243;ria visual e lembro-me sempre das casas, quarto por quarto, m&#243;vel por m&#243;vel e, lembro-me de muitas casas que desapareceram da minha vida, como por exemplo, a casa dos meus av&#243;s que foi leiloada, vendida, as coisas dispersas...&#8221; (Coelho &amp; Marques, 1986, p. 60). E de seguida acrescenta, &#8220;Eu tento &#8216;representar&#8217;, quer dizer &#8216;voltar a tornar presentes&#8217;, as coisas de que gostei e &#233; isso o que se passa com as casas; quero que a mem&#243;ria delas n&#227;o v&#225; &#224; deriva, n&#227;o se perca&#8221; (Coelho &amp; Marques, 1986, pp. 60-61).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num texto in&#233;dito, divulgado em 2012, na revista <i>LER</i>, escrito originalmente com a inten&#231;&#227;o de publicar as suas mem&#243;rias, Sophia diz: n&#227;o era propriamente a casa da minha av&#243; que eu ia mas &#224; quinta que a rodeava &#8211; os maravilhosos jardins, os buxos, as rosas, as cam&#233;lias, as glic&#237;nias, os muguets &#8211; os alt&#237;ssimos pl&#225;tanos do parque e os seus troncos onde estavam inscritas iniciais e datas e, &#224;s vezes, desenhados os cora&#231;&#245;es de todos os namorados da fam&#237;lia, as suas penumbras verdes na Primavera e no Ver&#227;o, a luz doirada do Outono e o ch&#227;o juncado de folhas, o desenho dos ramos nus no c&#233;u frio de Inverno, o cheiro intenso e h&#250;mido da terra, do lago e dos musgos &#8211; o pomar, o t&#233;nis, as hortas, os tanques, o pinhal, os campos &#8211; tudo isto era para mim um mundo inesgot&#225;vel de cont&#237;nua descoberta (Andresen, 2012, p. 37).</p>     <p>Noutros depoimentos e entrevistas, Sophia d&#225;-nos nota de que os momentos passados neste ambiente permanecem muito presentes na sua mem&#243;ria, com influ&#234;ncias decisivas na sua obra. Inspiraram, em particular, as florestas e jardins dos contos para crian&#231;as e tamb&#233;m a natureza e &#225;rvores da sua poesia. Mas &#233; nas hist&#243;rias para crian&#231;as que s&#227;o mais evidentes. Escritas originalmente para os filhos, mas que nos anos 1950/1960 ela haveria de nos contar a todos, s&#227;o recorrentes as refer&#234;ncias a certos espa&#231;os quase m&#225;gicos, como o mar, a praia, a casa, o jardim e a floresta (Gomes, 2007).</p>     <p>A Quinta do Campo Alegre, com uma &#8220;casa desmesurada, cheia de gente mas tamb&#233;m cheia de lugares vazios e quartos desabitados e fechados (...), aparece, assim como o jardim, o parque, o pinhal e a quinta&#8221; (Andresen, 2012, pp. 38-39), em muitos dos poemas e contos que Sophia escreveu&#160;&#160;&#160; ao longo dos anos. &#201; a casa de Hans do conto <i>Saga</i>, um dos pal&#225;cios do Minotauro referido no poema com o mesmo nome, o jardim do <i>Rapaz de Bronze </i>e o cen&#225;rio do conto <i>A Floresta</i>. A estas hist&#243;rias, acrescentamos ainda o poema <i>As Rosas</i>, que diz: &#8220;Quando &#224; noite desfolho e trinco as rosas&#8221;, sobre o qual Sophia esclarece:</p>     <p>Isto &#233; absolutamente verdade: eu ia para o jardim da minha av&#243; colher rosas, a minha av&#243; j&#225; tinha morrido e era um jardim semi-abandonado, colhia cam&#233;lias no Inverno e rosas na Primavera. Trazia imensas rosas para casa, havia sempre uma grande jarra cheia delas em frente da janela, no meu quarto. E depois eu desfolhava e comia as rosas, mastigava-as. No fundo era a tentativa de captar qualquer coisa a que s&#243; posso chamar a alegria do universo, qualquer coisa que floresce (citado em Vasconcelos, 1991, p. 10).</p>     <p><b>O Jardim Bot&#226;nico do Porto. </b>No ano de 1937, o Professor Am&#233;rico Pires de Lima (1886-1966), ent&#227;o Diretor do Instituto de Bot&#226;nica da Universidade do Porto, perante o valioso legado da arte dos jardins, ao estilo dos jardins de Oitocentos, pela vasta cole&#231;&#227;o de cam&#233;lias e restante patrim&#243;nio vegetal, entendia que a propriedade da Quinta do Campo Alegre &#8220;constitu&#237;a j&#225; um belo embri&#227;o de Jardim Bot&#226;nico&#8221; (Lima, 1949, p. 8). Com grande empenho e afinco, prop&#245;e &#224; Universidade do Porto a sua aquisi&#231;&#227;o, para a&#237; instalar o jardim bot&#226;nico, a qual, &#8220;ap&#243;s nada menos de doze anos de porfiados esfor&#231;os, foi finalmente adquirida pelo Estado&#8221; (Lima, 1949, p.&#160; 30).</p>     <p>Foi ent&#227;o, em 1952, instalado na Quinta do Campo Alegre o Instituto de Bot&#226;nica Dr. Gon&#231;alo Sampaio: Laborat&#243;rio e Jardim Bot&#226;nico. Nesse mesmo ano, para realizar o projeto de adapta&#231;&#227;o da quinta de recreio a jardim bot&#226;nico, foi contratado o arquiteto paisagista Karl Franz Koepp, de nacionalidade alem&#227; que, com Pires de Lima, desenvolveu um conjunto de a&#231;&#245;es de requalifica&#231;&#227;o que proporcionaram, para al&#233;m do grande enriquecimento em esp&#233;cies bot&#226;nicas, a cria&#231;&#227;o de espa&#231;os ajardinados modernos, ajustados &#224;s novas fun&#231;&#245;es da propriedade (Andresen, n.d.).</p>     <p>Com mais de quatro hectares, o Jardim Bot&#226;nico do Porto apresenta espa&#231;os muito diversificados e distingue-se, no contexto da cidade do Porto, pela multiplicidade de oferta. Para al&#233;m do car&#225;cter cient&#237;fico-pedag&#243;gico, singulariza-se pela sua forte carga hist&#243;rico-liter&#225;ria, bem como pela fun&#231;&#227;o recreativa, enquanto jardim de utiliza&#231;&#227;o p&#250;blica. Durante muitas d&#233;cadas, a casa da Quinta do Campo Alegre foi a sede do Departamento de Bot&#226;nica da Faculdade de Ci&#234;ncias, que continuou a promover o acr&#233;scimo das esp&#233;cies bot&#226;nicas do jardim. No ano de 2001, neste mesmo Departamento de Bot&#226;nica, iniciou-se o ensino de Arquitetura Paisagista.</p>     <p>No in&#237;cio da d&#233;cada de 2000, decorridos 50 anos ap&#243;s a instala&#231;&#227;o do jardim bot&#226;nico na Quinta do Campo Alegre, consciente do desajuste das suas fun&#231;&#245;es enquanto espa&#231;o de apoio ao trabalho cient&#237;fico, de divulga&#231;&#227;o do conhecimento, de sensibiliza&#231;&#227;o ambiental e tamb&#233;m de frui&#231;&#227;o est&#233;tica, foi iniciado o &#8220;Projecto de Conserva&#231;&#227;o e Valoriza&#231;&#227;o do Jardim Bot&#226;nico da Universidade do Porto&#8221;. Com o objetivo de requalifica&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es estruturais e funcionais adequadas para a sua utiliza&#231;&#227;o enquanto espa&#231;o de ensino e visita pelo p&#250;blico, bem como a valoriza&#231;&#227;o do patrim&#243;nio vegetal, o jardim bot&#226;nico sofreu uma profunda reestrutura&#231;&#227;o. As a&#231;&#245;es preconizadas atuaram ao n&#237;vel da composi&#231;&#227;o morfol&#243;gica, do conforto, da seguran&#231;a e da sustentabilidade. Contemplaram-se tamb&#233;m a cria&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es estruturais e funcionais para a renova&#231;&#227;o e reorganiza&#231;&#227;o das cole&#231;&#245;es bot&#226;nicas, a valoriza&#231;&#227;o do car&#225;cter hist&#243;rico e o refor&#231;o da identidade cultural e simb&#243;lica.</p>     <p>Na sequ&#234;ncia deste trabalho surgiu o projeto Jardim de Sophia, que teve como objetivo restituir a mem&#243;ria e fantasia ao espa&#231;o, atrav&#233;s da recria&#231;&#227;o das f&#225;bulas da autoria de Sophia.</p>     <p>O JARDIM DE SOPHIA</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os lugares do Jardim Bot&#226;nico com significado hist&#243;rico-liter&#225;rio, bem como a estrutura morfol&#243;gica da propriedade, tra&#231;am de imediato o Jardim de Sophia (<a href="#f3">Figura 3</a>). Este integra parte dos jardins hist&#243;ricos provenientes do tra&#231;ado original de Jo&#227;o da Silva Monteiro, continuados por Jo&#227;o e Joana Andresen, aos quais se acrescentam os da autoria de Karl Franz Koepp.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/eva/n35/n35a05f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O conjunto constitui um amplo espa&#231;o que envolve a casa principal, formando um extenso patamar que se debru&#231;a sobre o atual arboreto e sobre a vista a poente que se estende at&#233; ao mar. Correspondem a 30% de uma &#225;rea de quatro hectares e a 10% do que era a quinta original com doze hectares, at&#233; &#224; interrup&#231;&#227;o pela constru&#231;&#227;o dos acessos da Ponte da Arr&#225;bida, no in&#237;cio da d&#233;cada de 1960.</p>     <p>&#201; neste espa&#231;o que se cruzam e sobrep&#245;em interven&#231;&#245;es de diferentes tempos, resultando hoje num mosaico de jardins, cada um com caracter&#237;sticas espec&#237;ficas. Os mais not&#225;veis apresentam-se circunscritos por sebes de cam&#233;lias talhadas, diferenciando-se de acordo com o car&#225;cter morfol&#243;gico, o car&#225;cter funcional e a tipologia da vegeta&#231;&#227;o presente. S&#227;o eles o <i>Jardim dos Jotas</i>, o <i>Jardim do Roseiral </i>e o <i>Jardim do Peixe </i>ou <i>da Espargueira</i>, assim denominados, no sentido poente-nascente. Estes tr&#234;s jardins encontram-se ladeados, a nascente, pelo <i>Jardim do Xisto</i>, onde os anteriores propriet&#225;rios tinham o campo de t&#233;nis e, a poente, pelo <i>Jardim das Suculentas</i>, ambos constru&#237;dos de acordo com o projeto de Koepp.</p>     <p>O lado norte, que corresponde aos jardins da frente da casa principal, &#233; marcado por unidades arb&#243;reas, sub-arb&#243;reas e arbustivas de grande diversidade flor&#237;stica, muito evocativas do gosto do final do s&#233;culo XIX, in&#237;cio do s&#233;culo XX. S&#227;o aqui denominados <i>Jardim dos Bosquetes</i>. Ao lado da fachada nascente da casa, encontra-se um jardim com um elemento de &#225;gua central que enriquece e induz a sua poss&#237;vel fantasia; trata-se de um lago com uma est&#225;tua de metal encimada por um repuxo, a qual nos remete para a iconografia de um dos contos de Sophia mais conhecidos, e que assim nos impeliu a chamar-lhe <i>Jardim do Rapaz de Bronze</i>.</p>     <p>Junto &#224; fachada poente desenvolve-se um outro espa&#231;o arborizado no qual se destacam duas &#225;rvores not&#225;veis: um liquid&#226;mbar (<i>Liquidambar styraciflua</i>) e um carvalho roble (<i>Quercus robur</i>); estes exemplares cobrem quase toda a &#225;rea deste espa&#231;o, tamb&#233;m rematada a poente por uma sebe alta de <i>Camellia japonica</i>. O liquid&#226;mbar deve ser um dos maiores e mais bem formados exemplares que existem na cidade. A localiza&#231;&#227;o do carvalho roble em frente a uma janela da casa sugere um dos mais importantes momentos do conto de Sophia <i>O Rapaz de Bronze</i>, quando a personagem Glad&#237;olo sobe a um dos ramos para espreitar a festa que decorre na casa; por esta raz&#227;o decidiu chamar-se a este espa&#231;o <i>Jardim do Carvalho do Glad&#237;olo</i>.</p>     <p><b>Linhas orientadoras da proposta de interven&#231;&#227;o. </b>A proposta aqui apresentada pretende fazer sobressair o conte&#250;do liter&#225;rio do espa&#231;o, bem como destacar alguns cen&#225;rios vivos que aparecem referidos nos textos de Sophia, sobretudo aqueles que focam explicitamente a Quinta do Campo Alegre. O Jardim de Sophia ser&#225; legitimado atrav&#233;s de subtis interven&#231;&#245;es, que recriam espacialmente ambientes e passagens das narrativas de Sophia. S&#227;o elas <i>O Rapaz de Bronze</i>, uma quase-f&#225;bula po&#233;tica protagonizada pelas flores de um jardim e por uma est&#225;tua viva (Gomes, 2007), e <i>A Floresta</i>, onde s&#227;o vis&#237;veis o elogio da natureza e o encontro com o maravilhoso, apresentando-se como uma hist&#243;ria que, para al&#233;m de ser lida, pode tamb&#233;m ser ouvida, vista, cheirada, sentida e saboreada (Ramos, 2005); bem como poemas que nos despertam para uma contempla&#231;&#227;o atenta da natureza.</p>     <p>A ficcioniza&#231;&#227;o da plataforma central da Quinta do Campo Alegre levou-nos &#224; identifica&#231;&#227;o de entidades e lugares com significado hist&#243;rico-liter&#225;rio, que se encontram representados por plantas, elementos constru&#237;dos e espa&#231;os. Exemplos disso s&#227;o o j&#225; mencionado Carvalho do Glad&#237;olo, existente no jardim lateral poente, ligado &#224; personagem Glad&#237;olo, e o elemento escult&#243;rico do lago existente no jardim lateral nascente, que se associa &#224; personagem Rapaz de Bronze (que na realidade n&#227;o &#233; um rapaz mas sim uma rapariga de ferro... provavelmente uma amiga do rapaz de bronze!...). Outros exemplos referem-se &#224; Clareira dos Pl&#225;tanos (<i>O Rapaz de Bronze</i>) e ao Jardim dos An&#245;es (<i>A Floresta</i>). A identifica&#231;&#227;o destas entidades e lugares suscita novas oportunidades de percursos tem&#225;ticos e experi&#234;ncias paisag&#237;sticas, onde as val&#234;ncias bot&#226;nicas e hist&#243;rico-liter&#225;rias se explicam e afirmam mutuamente. Esta articula&#231;&#227;o acrescenta valor ao Jardim Bot&#226;nico. Em termos expl&#237;citos, a proposta apresenta uma reflex&#227;o sobre a redefini&#231;&#227;o e melhoramento da rede de caminhos, nomeadamente a cria&#231;&#227;o de novas liga&#231;&#245;es da entrada principal aos espa&#231;os mais interiores do <i>Jardim dos Bosquetes</i>, novos caminhos para o rec&#233;m-criado <i>Jardim dos An&#245;es</i>, novos caminhos em torno da rocheira do <i>Jardim do Xisto </i>e novos caminhos de remate para o <i>Jardim do Peixe</i>. Estes novos percursos desejam aumentar as oportunidades de acesso, circula&#231;&#227;o e passeio, facilitando ainda determinadas a&#231;&#245;es de manuten&#231;&#227;o da estrutura verde, tornando mais pr&#243;ximos e visit&#225;veis os espa&#231;os que anteriormente ficavam no interior de grandes canteiros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&#231;&#227;o &#224; estrutura verde, pretende-se igualmente atualizar e melhorar as cole&#231;&#245;es bot&#226;nicas presentes, usando o car&#225;cter hist&#243;rico-liter&#225;rio como estrat&#233;gia orientadora para a defini&#231;&#227;o de novas cole&#231;&#245;es e para refor&#231;ar as j&#225; existentes.</p>     <p><b>Principais tipologias </b><b>de vegeta&#231;&#227;o. </b>A proposta de vegeta&#231;&#227;o para o Jardim de Sophia visa o refor&#231;o do seu car&#225;cter hist&#243;rico-liter&#225;rio. As tipologias de vegeta&#231;&#227;o indicadas integram a sele&#231;&#227;o de flores convidadas para a Festa das Flores, relatada no livro <i>O Rapaz de Bronze</i>, bem como outras cole&#231;&#245;es que recriam os ambientes dos jardins do Porto de Oitocentos. Tamb&#233;m se aproveita este projeto para refor&#231;ar e enriquecer o conte&#250;do flor&#237;stico da &#225;rea de interven&#231;&#227;o, numa perspetiva de cria&#231;&#227;o e valoriza&#231;&#227;o de pequenos habitats de qualidade natural e cultivada, os quais podem simultaneamente contribuir para estimular a diversidade biol&#243;gica e sensorial dos lugares. Descrevem-se de seguida as propostas apresentadas para o conjunto de jardins mencionados atr&#225;s, que formam o Jardim de Sophia.</p>     <p><b><i>Jardim dos Bosquetes</i></b></p>     <p><b><i>&nbsp;</i></b><b>O Pal&#225;cio</b></p>     <p><i>Era um dos pal&#225;cios do Minotauro</i></p>     <p><i>&#8212; O da minha inf&#226;ncia para mim o primeiro &#8212;</i></p>     <p><i>Tinha sido constru&#237;do no s&#233;culo passado (e pintado a vermelho)</i></p>     <p><i>Est&#225;tuas escadas veludo granito</i></p>     <p><i>T&#237;lias o cercavam de m&#250;sica e murm&#250;rio Paix&#245;es e trai&#231;&#245;es o inchavam de grito</i></p>     <p><i>Espelhos ante espelhos tudo aprofundavam Seu p&#225;tio era interior era &#225;trio</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>As suas varandas eram por dentro Viradas para o centro</i></p>     <p><i>Em grandes vazios as vozes ecoavam Era um dos pal&#225;cios do Minotauro</i></p>     <p><i>O da minha inf&#226;ncia &#8212; para mim o vermelho</i></p>     <p><i>Ali a magia como fogo ardia de Mar&#231;o a Fevereiro A prata brilhava o vidro luzia</i></p>     <p><i>Tudo tilintava tudo estremecia De noite e de dia</i></p>     <p><i>Era um dos pal&#225;cios do Minotauro</i></p>     <p><i>&#8212; O da minha inf&#226;ncia para mim o primeiro &#8212; Ali o tumulto cego confundia</i></p>     <p><i>O escuro da noite e o brilho do dia Ali era a f&#250;ria o clamor o n&#227;o-dito Ali o confuso onde tudo irrompia</i></p>     <p><i>Ali era o Kaos onde tudo nascia. </i>(Andresen, 2004, p. 21)</p>     <p>O <i>Jardim dos Bosquetes </i>ou <i>da Frente</i>, em conjunto com o <i>Jardim do Rapaz de Bronze</i>, cont&#233;m alguns dos espa&#231;os mais interessantes do conjunto, no que diz respeito a grandes &#225;rvores ex&#243;ticas, formando um grupo dram&#225;tico de copas caprichosas que se projetam no c&#233;u. Para al&#233;m de uma aten&#231;&#227;o constante que o patrim&#243;nio arb&#243;reo deve merecer, de modo a facilitar a sua manuten&#231;&#227;o durante esta fase de ciclo adiantado, a restante estrutura verde, adaptada a uma sombra forte, deve manter revestimento herb&#225;ceo de <i>Ophiopogon japonicus</i>, na maior parte da &#225;rea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em pequenas clareiras menos ensombradas devem localizar-se as manchas de <i>Agapanthus africanus, </i>reunidas em duas grandes unidades, abandonando a atual tend&#234;ncia de as fragmentar em pequenos n&#250;cleos que se espalham pelos jardins. Deve tentar-se que as manchas tenham n&#250;cleos homog&#233;neos de flores azuis e brancas, para acrescentar maior diversidade sensorial durante a &#233;poca de flora&#231;&#227;o. Noutro espa&#231;o, menos ensombrado, deve criar-se uma mancha de <i>Bergenia cordifolia</i>, aproveitando os exemplares que se encontram debaixo da sebe de cam&#233;lias do lado norte do <i>Jardim dos Jotas</i>. Como enriquecimento futuro, sugere-se ainda a cria&#231;&#227;o de manchas de <i>Hedera helix </i>(cultivares de folha variegada)e fetos persistentes (tipo <i>Polystichum setiferum</i>). Um n&#250;cleo de <i>Convalaria majalis </i>(muguet) adicionaria, certamente, algum interesse ao espa&#231;o e &#224; evoca&#231;&#227;o do gosto e h&#225;bitos de um passado gentil, ainda afrancesado, de fatos com flores na lapela.</p>     <p><b><i>Bordadura mista em redor da casa</i></b></p>     <p><b><i>&nbsp;</i></b><b>O Jardim e a Casa</b></p>     <p><i>N&#227;o se perdeu nenhuma coisa em mim. Continuam as noites e os poentes</i></p>     <p><i>Que escorreram na casa e no jardim, Continuam as vozes diferentes</i></p>     <p><i>Que intactas no meu ser est&#227;o suspensas. Trago o terror e trago a claridade,</i></p>     <p><i>E atrav&#233;s de todas as presen&#231;as</i></p>     <p><i>Caminho para a &#250;nica unidade. </i>(Andresen, 2003b, p. 40)</p>     <p>Uma das interven&#231;&#245;es previstas, que se antecipa mais transformadora da situa&#231;&#227;o existente, consiste na cria&#231;&#227;o de uma bordadura mista em crescimento semilivre, nos canteiros cont&#237;guos &#224; casa. Esta tipologia de interven&#231;&#227;o pretende recriar uma forma&#231;&#227;o herb&#225;ceo-arbustiva inspirada nos &#8220;mixed borders&#8221; de Gertrude Jekyll, aproximadamente contempor&#226;neos do n&#250;cleo hist&#243;rico do Jardim Bot&#226;nico. A sua composi&#231;&#227;o flor&#237;stica ser&#225; instru&#237;da com esp&#233;cies aut&#243;ctones e cultivadas, mencionadas na obra liter&#225;ria de Sophia, com particular destaque para aquelas mencionadas no conto <i>O Rapaz de Bronze</i>.</p>     <p>Desde j&#225; se antev&#234; uma composi&#231;&#227;o de apar&#234;ncia informal, ao n&#237;vel dos estratos flor&#237;sticos mais baixos, na qual os maci&#231;os se articulam num jogo de contrastes texturais e crom&#225;ticos, com interesse ao n&#237;vel da flora&#231;&#227;o e da folha; este revestimento &#8220;almofadante&#8221; ser&#225; pontuado por elementos sub-arb&#243;reos de folha persistente e copa estreita ou m&#233;dia estreita, que ocupar&#227;o no canteiro posi&#231;&#245;es correspondentes aos espa&#231;os entre as janelas da casa. Para al&#233;m do muito amado cipreste (<i>Cupressus sempervirens sempervirens</i>), talvez seja interessante recorrer ao azevinho (<i>Ilex aquifolium</i>), ao teixo de copa estreita ou irland&#234;s (<i>Taxus baccata &#8220;fastigiata&#8221;</i>) e eventualmente ao azereiro (<i>Prunus lusitanica</i>). Como preciosidade nativa a introduzir no Jardim Bot&#226;nico, escolhe-se este espa&#231;o de destaque para acolher um ou dois maci&#231;os <i>Acer monspessulanum </i>(zelha).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Jardim dos An&#245;es</i></b></p>     <p><b><i>&nbsp;</i></b><b>Floresta</b></p>     <p><i>Entre o terror e a noite caminhei</i></p>     <p><i>N&#227;o em redor das coisas mas subindo Atrav&#233;s do calor das suas veias</i></p>     <p><i>N&#227;o em redor das coisas mas morrendo Transfigurada em tudo quanto amei.</i></p>     <p><i>Entre o luar e a sombra caminhei: Era ali a minha alma, cada flor</i></p>     <p><i>&#8212; Cega, secreta e doce como estrelas &#8212; Quando a tocava nela me tornei.</i></p>     <p><i>E as &#225;rvores abriram os seus ramos Os seus ramos enormes e convexos</i></p>     <p><i>E no estranho brilhar dos seus reflexos Oscilavam sinais, quebrados ecos</i></p>     <p><i>Que no sil&#234;ncio fant&#225;stico beijei. </i>(Andresen, 2003a, p. 64)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>Jardim dos An&#245;es </i>&#233; um espa&#231;o rec&#233;m-inventado baseado em ambientes descritos em algumas passagens do conto de Sophia <i>A Floresta</i>, no qual tamb&#233;m se desenharam novos caminhos curvil&#237;neos. Para acentuar esta iconografia, ser&#225; criado um pequeno bosque, onde se poder&#225; desenvolver uma cole&#231;&#227;o de b&#233;tulas ou vidoeiros, plantadas em n&#250;cleos homog&#233;neos de <i>Betula celtiberica </i>(vidoeiro), <i>Betula utilis var. jacquemontii </i>(b&#233;tula dos Himalaias), <i>Betula papyrifera </i>(b&#233;tula da Am&#233;rica). Estes maci&#231;os ser&#227;o plantados em alta densidade, formando microbosquetes que estimulam a sensa&#231;&#227;o de um espa&#231;o de fantasia infantil. Ocasionais pontua&#231;&#245;es de azevinho (<i>Ilex aquifolium</i>, <i>Ilex aquifolium &#8220;Argentea Marginata&#8221; </i>e <i>Ilex aquifolium &#8220;Aurea Marginata&#8221;</i>), <i>Erica arborea</i>, <i>Juniperus communis </i>e <i>Pinus sylvestris </i>rematar&#227;o a ambi&#234;ncia do Norte. O revestimento do solo ser&#225; feito a partir de uma cole&#231;&#227;o de heras de folha grande (tipo <i>Hedera canariensis</i>) e folha pequena (<i>Hedera</i><i> helix</i>, <i>H. helix &#8220;Adam&#8221;</i>, <i>H. helix &#8220;Eva&#8221;</i>, <i>H. helix &#8220;Gold Heart&#8221;</i>, entre outras).</p>     <p><b><i>Jardim dos Jotas</i></b></p>     <p><i>Jardim verde </i><i>e em flor, jardim de buxo Onde o poente intermin&#225;vel arde Enquanto bailam lentas as horas da tarde. Os narcisos ondulam e o repuxo,</i></p>     <p><i>Voz onde o sil&#234;ncio se embala, Canta, murmura e fala</i></p>     <p><i>Dos para&#237;sos desejados,</i></p>     <p><i>Cuja lembran&#231;a enche de bailados</i></p>     <p><i>A clara solid&#227;o das tuas ruas. </i>(Andresen, 2003a <i>, </i>p. 20)</p>     <p>As sebes de buxo-an&#227;o, em conjunto com as sebes altas de <i>Camellia japonica</i>, definem a estrutura verde principal deste espa&#231;o;&#160; manifestam-se num desenho forte que remete para as iniciais dos nomes dos &#250;ltimos propriet&#225;rios privados da quinta; encontram-se em razo&#225;vel estado e conserva&#231;&#227;o. Neste jardim, a planta&#231;&#227;o do interior dos canteiros pode ser significativamente melhorada, atrav&#233;s do recurso a herb&#225;ceas vivazes flor&#237;feras, cuja flora&#231;&#227;o ocorra acima da altura das sebes de buxo; este aspeto atualmente n&#227;o &#233; cumprido porque as esp&#233;cies utilizadas s&#227;o, na sua maioria, bolbosas cujos elementos florais ficam abaixo da sebe de buxo, n&#227;o sendo, portanto, vistas &#224; dist&#226;ncia, como &#233; desej&#225;vel.</p>     <p>Assim, o interior dos canteiros deveria acolher uma cole&#231;&#227;o de bolbosas e herb&#225;ceas vivazes de p&#233; alto, com interesse flor&#237;fero desde o fim do inverno at&#233; ao in&#237;cio do outono. Ao n&#237;vel das bolbosas, deve ser dada aten&#231;&#227;o priorit&#225;ria a cole&#231;&#245;es de <i>Narcissus sp. </i>(narcisos e junquilhos, sobretudo junto ao canteiro das entradas do topo norte), <i>Iris sp. </i>(l&#237;rios holandeses e <i>Iris xiphium</i>) <i>Lilium sp. </i>(a&#231;ucenas), <i>Gladiolus sp.&#160; </i>(glad&#237;olos e espadanas), <i>Gypsophila sp. </i>(gispofila) com eventual pontua&#231;&#227;o das nativas <i>Paradisea lusitanica </i>e <i>Asphodelus lusitanicus</i>. No que diz respeito &#224;s herb&#225;ceas vivazes, a utilizar em complemento com as bolbosas, para garantir a continuidade flor&#237;fera do jardim ao longo do intervalo de tempo indicado, salientam-se as esp&#233;cies de <i>Leucanthemum sp. </i>(malmequeres vivazes, salazares), <i>Papaver orientale </i>(papoilas vivazes), <i>Rudbeckia sp.</i>, <i>Echinacea sp. </i>e <i>Aster sp.</i></p>     <p><i>&nbsp;</i><b><i>Jardim do Roseiral</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>&nbsp;</i></b><b>As Rosas</b></p>     <p><i>Quando &#224; noite desfolho e trinco as rosas &#201; como se prendesse entre os meus dentes Todo o luar das noites transparentes, Todo o fulgor das tarde luminosas,</i></p>     <p><i>O vento bailador das Primaveras, A do&#231;ura amarga dos poentes,</i></p>     <p><i>E a exalta&#231;&#227;o de todas as esperas. </i>(Andresen, 2003a, p. 17)</p>     <p>O roseiral &#233; o espa&#231;o mais imediatamente visto da casa e constitui o jardim central de entre o conjunto dos jardins que integram este grande patamar. &#201;, por isso, um espa&#231;o muito exposto que requer aten&#231;&#227;o imediata, sobretudo ao n&#237;vel da qualifica&#231;&#227;o da estrutura verde. O jardim &#233; atualmente formado por canteiros debruados a magras e descont&#237;nuas sebes de buxo-an&#227;o, sendo o interior preenchido por rosas de cultivares, maioritariamente modernas, as quais n&#227;o se encontram identificadas nem evidenciam qualquer crit&#233;rio de espacializa&#231;&#227;o expl&#237;cito, para al&#233;m da mistura das cores, aparentemente ao acaso. Estas, no entanto, cumprem um elevado efeito crom&#225;tico, a partir de flora&#231;&#245;es que se estendem do meio da primavera at&#233; ao outono, aspeto muito notado e registado. O solo dos canteiros &#233; revestido por um inerte de aspeto estranho, devendo por isso ser revista esta op&#231;&#227;o.</p>     <p>O car&#225;cter exposto ao p&#250;blico, a imediata liga&#231;&#227;o &#224; casa e os pr&#243;prios sucessos das tipologias de roseiras preexistentes conduziram &#224; decis&#227;o de centrar a interven&#231;&#227;o neste espa&#231;o na cria&#231;&#227;o de uma criteriosa e bem identificada cole&#231;&#227;o de roseiras de cultivares modernas, com flora&#231;&#227;o cont&#237;nua e preferencialmente perfumada, do tipo h&#237;bridas perp&#233;tuas, h&#237;bridas de ch&#225; e floribundas; o solo dever&#225; ser revestido com alinhamentos de alfazemas de escapo flor&#237;fero baixo, tipo <i>Lavandula &#8220;Hidcote&#8221;; </i>pontua&#231;&#245;es ocasionais de girassol podem ocorrer como interven&#231;&#245;es anuais ef&#233;meras. As sebes de buxo-an&#227;o devem ser refeitas de modo a constitu&#237;rem uma delimita&#231;&#227;o cont&#237;nua, expl&#237;cita e consistente.</p>     <p><b><i>Jardim do Peixe</i></b></p>     <p><i>Aquelas que exaltadas e secretas &#192; janela espreitaram inquietas O rumor do poente nas estradas, Julgaram vir de ti essa passagem Contida na beleza da paisagem. Solit&#225;rias mordendo a sua fome Percorrem o sil&#234;ncio dos jardins</i></p>     <p><i>E v&#227;o gritando &#224;s sombras o teu nome. </i>(Andresen, 2003b, p. 37)</p>     <p>O <i>Jardim do Peixe, </i>ou <i>da Espargueira</i>, sofre altera&#231;&#245;es no seu tra&#231;ado de modo a tornar-se mais interessante ao percurso e menos exigente em manuten&#231;&#227;o. Assim, surgem caminhos contidos ao longo das sebes de cam&#233;lia, os quais diminuem os canteiros existentes, e o canteiro central perde as sebes, convertendo-se num prado cortado &#224; base de <i>Bellis perenis </i>(margaridas, boninas) e <i>Chamaemelum nobile </i>(camomila), podendo tamb&#233;m evoluir para um prado de tomilhos rastejantes (tipo <i>Thymus caespititius</i>); uma cole&#231;&#227;o de bolbos baixos, de primavera e outono, acrescer&#225; o seu interesse: <i>Crocus sp</i>., <i>Colchium sp. </i>e <i>Merendera pyrenaica. </i>Os buxos que debruam o canteiro central poder&#227;o ser reutilizados na colmata&#231;&#227;o de falhas existentes neste jardim ou noutros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os canteiros laterais e os que rematam os topos norte e sul do jardim manter&#227;o as sebes de buxo-an&#227;o e o interior deve acolher uma cole&#231;&#227;o de esp&#233;cies arbustivas e subarbustivas resistentes ao talho e por isso interessantes para formar elementos de topi&#225;ria: <i>Rosmarinus officinalis </i>(alecrim), <i>Myrtus communis </i>(murta), <i>Teucrium fruticans </i>(mato-branco), <i>Diosma ericoides </i>(alecrim do Norte), <i>Viburnum tinus </i>(folhado ou laurestim), <i>Rhamnus alaternus </i>(sanguinho das sebes) e <i>Pistacia lentiscus </i>(aroeira). Por entre os arbustos podados em meia-laranja surgir&#225;, em jeito de colmata&#231;&#227;o, uma cole&#231;&#227;o de rosas de esp&#233;cies nativas (tipo <i>Rosa canina </i>ou <i>Rosa sempervirens</i>), rosas antigas (tipo <i>Rosa gallica</i>, rosa damascena, <i>Rosa alba </i>ou <i>Rosa centifolia</i>) e eventualmente rosas decumbentes (tipo <i>Rosa &#8220;Dorothy Perkins&#8221; </i>ou <i>Rosa &#8220;Alb&#233;ric Barbier&#8221;</i>).</p>     <p>Para dar verticalidade e algum dramatismo, ser&#225; introduzida uma ou outra pontua&#231;&#227;o de ciprestes ou teixos de copa estreita, talhado em coluna.</p>     <p><b><i>Jardim do Xisto</i></b></p>     <p><b><i>&nbsp;</i></b><b>O Jardim</b></p>     <p><i>O jardim est&#225; brilhante e florido Sobre as ervas, entre as folhagens, O vento passa, sonhador e distra&#237;do, Peregrino de mil romagens.</i></p>     <p><i>&#201; Maio &#225;cido e multicolor, Devorado pelo pr&#243;prio ardor, Que nesta clara tarde de cristal Avan&#231;a pelos caminhos</i></p>     <p><i>At&#233; os fant&#225;sticos desalinhos Do meu bem e do meu mal.</i></p>     <p><i>E no seu bailado levada Pelo jardim deliro e divago, Ora espreitando debru&#231;ada Os jardins do fundo do lago, Ora perdendo o meu olhar Na indiz&#237;vel verdura</i></p>     <p><i>Das folhas novas e tenras Onde eu queria saciar</i></p>     <p><i>A minha longa sede de frescura. </i>(Andresen, 2003a, p. 13)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este jardim &#233; provavelmente o mais bem desenhado do conjunto e aquele que ret&#233;m alguma qualidade contempor&#226;nea, sobretudo no que se refere ao espa&#231;o e &#224;s oportunidades de percurso, estadia e reuni&#227;o de grupos mais alargados de visitantes. Neste espa&#231;o, para al&#233;m do enriquecimento da cole&#231;&#227;o de plantas aqu&#225;ticas e da margem, presentes nos lagos centrais, prop&#245;e-se ainda uma revis&#227;o da planta&#231;&#227;o dos canteiros da orla com roseiras arbustivas modernas (tipo <i>Rosa rugosa</i>) e roseiras tapizantes (tipo <i>Rosa &#8220;Grouse&#8221;</i>)<i>.</i></p>     <p>O espa&#231;o ocupado pelo jardim de pedras, agora desafogado e com novas oportunidades de percurso tamb&#233;m desenhadas no &#226;mbito deste projeto, poder&#225; acolher uma pequena cole&#231;&#227;o de urzes (<i>Erica sp</i>., <i>Calluna sp</i>., <i>Daboecia cantabrica</i>), alguma mistura de <i>Cistus salvifolius </i>e <i>Cistus psilosepalus </i>(estevas pequenas de flor branca) de <i>Halimium sp. </i>(sarga&#231;as) e de <i>Lavandula luisieri </i>(rosmaninho pequeno). Estas forma&#231;&#245;es subarbustivas podem ser conduzidas em conjuntos de maci&#231;os arredondados nos espa&#231;os mais quentes, com exposi&#231;&#227;o sul e poente.</p>     <p><b><i>Jardim do Rapaz de Bronze</i></b></p>     <p><i>Devagar no jardim a noite poisa E o bailado dos seus passos</i></p>     <p><i>Liberta a minha alma dos seus la&#231;os</i></p>     <p><i>Como se de novo fosse criada cada coisa. </i>(Andresen, 2003a, p.72)</p>     <p>Este espa&#231;o, cujo tra&#231;ado oitocentista parece ter sido alterado pelo risco modernizador de Koepp, sobretudo ao n&#237;vel dos caminhos, mant&#233;m uma fonte central com a j&#225; referida est&#225;tua feminina que evoca o Rapaz de Bronze. &#201; novamente um espa&#231;o muito sujeito &#224; fic&#231;&#227;o, que se encontra relativamente estabilizado em termos de estrutura verde. Assim, deve aqui manter-se a maior parte da vegeta&#231;&#227;o arb&#243;rea e arbustiva existente, bem como o revestimento herb&#225;ceo de <i>Ophiopogon japonicus </i>como seu n&#250;cleo de sombra de <i>Aspidistra elatior.</i></p>     <p>Um n&#250;cleo de quatro <i>Rhodondendron sp.</i>, arbustos de grande porte, deve ser transplantado para outro local do jardim, pois onde se encontra n&#227;o contribui para a leitura e frui&#231;&#227;o do espa&#231;o, podendo vir a enriquecer outro ponto. Uma mancha de <i>Clorophytum comosum </i>deve ser redesenhada e a esp&#233;cie substitu&#237;da por <i>Juniperus sabina tamariscifolia.</i></p>     <p><i>&nbsp;</i><b><i>Jardim do Carvalho do Glad&#237;olo</i></b></p>     <p><i>H&#225; jardins invadidos de luar</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Que vibram no sil&#234;ncio como liras. Segura o teu amor entre os teus dedos Neste jardins de Abril em que respiras.</i></p>     <p><i>A vida n&#227;o vir&#225; &#8212; as tuas m&#227;os N&#227;o podem colher noutras a do&#231;ura Das flores baloi&#231;ando ao vento leve.</i></p>     <p><i>Fosse o teu corpo feito de luar, Fosses tu o jardim cheio de lagos, As &#225;rvores em flor, a profus&#227;o</i></p>     <p><i>Da sua sombra negra nos caminhos. </i>(Andresen, 2003a, p. 66)</p>     <p>Novo espa&#231;o de fic&#231;&#227;o suportado pelo conto <i>O Rapaz de Bronze</i>, o qual dever&#225; manter tanto quanto poss&#237;vel o revestimento vegetal com ajustamentos pontuais. Estes ajustamentos devem incidir especialmente sobre o revestimento herb&#225;ceo, o qual deve ser revisto, mantendo a mesma qualidade flor&#237;stica mas com uma nova disposi&#231;&#227;o espacial. Todas as manchas devem ser redesenhadas, mantendo-se monoespec&#237;ficas. Assim, as manchas de <i>Agapanthus africanus </i>devem ser unificadas e reduzidas a uma s&#243; mancha com cerca de metade da atualmente existente, a mancha de <i>Clivia miniata, </i>refor&#231;ada na parte mais sombria do jardim (lado norte), a mancha de <i>Acanthus mollis, </i>unificada e aumentada, a mancha de <i>Vinca difformis, </i>refor&#231;ada e tornada mais expl&#237;cita, havendo o mesmo procedimento para a mancha de <i>Primula vulgaris</i>. A mancha de <i>Hemerocallis citrina </i>deve tamb&#233;m ser refor&#231;ada e mantida aproximadamente na posi&#231;&#227;o onde est&#225;.</p>     <p>Novas manchas de <i>Bergenia cordifolia</i>, de <i>Fragaria vesca </i>e de <i>Ajuga reptans </i>devem ser adicionadas. A primeira tem de se situar em zonas de luz, no lado sul do jardim e as duas &#250;ltimas podem ocupar zonas de sombra; a <i>Ajuga reptans </i>liga particularmente bem com a <i>Primula vulgaris</i>; pela sua pequena dimens&#227;o, estas esp&#233;cies ocupar&#227;o as zonas mais pr&#243;ximas dos caminhos.</p>     <p>Claro que tamb&#233;m se prop&#245;e um n&#250;cleo de glad&#237;olos de jardim de flor escarlate, em frente &#224; janela da fachada poente da casa, voltada para o carvalho roble.</p>     <p><b>Conclus&#227;o</b></p>     <p>Na obra de Sophia, as casas e os jardins que habitou s&#227;o frequentemente rememorados e enaltecidos, pois esses espa&#231;os fazem parte da sua biografia, como a pr&#243;pria afirma. Aqui, os acontecimentos ganham relevo &#8211; os encontros e desencontros, o arrebatamento do amor e a sua ansiedade, o &#234;xtase e a felicidade, s&#227;o expressos, f&#237;sica e poeticamente (Bonafim, 2010), numa descri&#231;&#227;o muito l&#237;mpida.</p>     <p>Foi esta narrativa po&#233;tica, tamb&#233;m muito literal, concreta e objetiva, sobre os espa&#231;os e os elementos que os ocupam, que sugeriu a concep&#231;&#227;o t&#233;cnica do projeto de arquitetura paisagista no Jardim de Sophia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Inspirado na presen&#231;a e na narrativa po&#233;tica desta mulher singular, o Jardim de Sophia &#233;, por excel&#234;ncia, o espa&#231;o de refor&#231;o da componente liter&#225;ria do Jardim Bot&#226;nico do Porto, a par da componente hist&#243;rica e bot&#226;nica, contribuindo para o expl&#237;cito enriquecimento iconogr&#225;fico, espacial e flor&#237;stico do patamar central do jardim bot&#226;nico, facilitando o acesso &#224; dimens&#227;o mais po&#233;tica desta paisagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. M. B. (2012, dezembro). A casa desmedida. <i>Ler,119</i>, pp. 37-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834565&pid=S0874-6885201600010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. M. B. (2001). A saga. In Andresen, S. M. B. <i>Hist&#243;rias da terra e do mar</i>, (20.&#170; ed.), pp. 73-111. Lisboa: Texto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834567&pid=S0874-6885201600010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. M. B. (2003a). <i>Dia do mar </i>(col. Obra Po&#233;tica). Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834569&pid=S0874-6885201600010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. M. B. (2003b). <i>Poesia</i>. (col. Obra Po&#233;tica). Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834571&pid=S0874-6885201600010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andresen, S. M. B. (2004). <i>O nome das coisas </i>(&#8230;). (col. Obra Po&#233;tica). Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834573&pid=S0874-6885201600010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andresen, T. &amp; Antunes, A. C. (n.d.). O jardim bot&#226;nico da Universidade do Porto. In Andresen, T. &amp; Antunes, A. C. (orgs.). <i>150 anos do jardim bot&#226;nico do Porto </i>(no prelo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834575&pid=S0874-6885201600010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Coelho, E. P. &amp; Marques, L. G. (1986, agosto/dezembro). Uma personalidade, um tempo, uma obra: Sophia de Mello Breyner Andresen fala a Eduardo Prado Coelho. <i>ICALP, 6</i>, pp. 60-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834577&pid=S0874-6885201600010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cunha, A. (1949, julho). Os Andresen e a quinta do Campo Alegre. <i>O Tripeiro</i>, <i>3 </i>(V), pp.57-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834579&pid=S0874-6885201600010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marques, P. F. &amp; Antunes, A. C. (2006). <i>Projeto de arquitetura paisagista para &#8220;o Jardim de Sophia&#8221;</i>. Porto: Faculdade de Ci&#234;ncias da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834581&pid=S0874-6885201600010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes, J. A. (2007). <i>Sophia de Mello Breyner Andresen e a sua obra para crian&#231;as e jovens</i>. Casa da Leitura, Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian. Acedido em: <a href="http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_sophia_jagomes_a.pdf" target="_blank">http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/ot_sophia_jagomes_a.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834583&pid=S0874-6885201600010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Guimar&#227;es, E. A. (1950). <i>Hist&#243;ria da fam&#237;lia Andresen</i>. Acedido em: <a href="http://purl.pt/19841/1/1920/galeria/f3/pag1.html" target="_blank">http://purl.pt/19841/1/1920/galeria/f3/pag1.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1834584&pid=S0874-6885201600010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Guimar&#227;es, F. (2005). Interven&#231;&#245;es na mesa-redonda. In Conselho Diretivo e Conselho Cient&#237;fico da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (orgs.), <i>Estudos em homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen</i>. 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