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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTADO DA QUEST&#195;O</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Mulher migrante &#8211; fundamentos, preocupa&#231;&#245;es e percurso congressista de uma associa&#231;&#227;o</b></font></p>     <p><b>Maria Beatriz Rocha-Trindade*</b></p>     <p>* Centro de Estudos das Migra&#231;&#245;es e das Rela&#231;&#245;es Interculturais/ CEMRI Universidade Aberta/UAb (Portugal).</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#192; desloca&#231;&#227;o que sempre acompanhou a vida humana subjazem motiva&#231;&#245;es diferentes que v&#227;o desde satisfazer necessidades alimentares e tent ar sobreviver &#224;s tentativas de procurar melhores condi&#231;&#245;es, estejam elas ligadas a situa&#231;&#245;es clim&#225;ticas, a um ambiente de paz e de tranquilidade ou a motiva&#231;&#245;es que est&#227;o, direta ou indiretamente, relacionadas com o mundo do trabalho. A mobilidade &#233; hoje permanente e a intera&#231;&#227;o que a acompanha caracteriza a globalidade universal, sendo cada vez mais dif&#237;cil criar imagens que cubram na totalidade ou, em alternativa, que sintetizem a t&#227;o grande diversidade de situa&#231;&#245;es existentes.</p>     <p>Os lugares muito dispersos para onde se encaminham os que se deslocam, dando resposta tanto a necessidades pr&#243;prias como &#224;s dos pa&#237;ses recetores, revelam as articula&#231;&#245;es conjunturais que proporcionaram individualmente ou em grupo a transla&#231;&#227;o de vidas que, consoante o tempo ou o espa&#231;o em que se realizam, s&#227;o diferentes e podem ter um car&#225;ter temporal ou definitivo.</p>     <p>Tradicionalmente, foram consideradas como condi&#231;&#245;es prop&#237;cias: por um lado, os per&#237;odos de desenvolvimento em que as popula&#231;&#245;es locais se revelaram insuficientes para realizar as tarefas consideradas necess&#225;rias; por outro, aqueles em que o seu excesso as privava de ocupa&#231;&#227;o remunerada, despoletando movimentos reguladores. Esta vis&#227;o simplificada, que n&#227;o cobre completamente a multiplicidade de toda a realidade, tem vindo progressivamente a complexificar-se e s&#227;o agora muitas as motiva&#231;&#245;es que para tal concorrem. Os continentes, os territ&#243;rios, os pa&#237;ses e os locais procurados pela popula&#231;&#227;o portuguesa ao longo da expans&#227;o, do povoamento e da coloniza&#231;&#227;o que se situam num contexto geogr&#225;fico alargado antecedem, como espa&#231;os de destino, aqueles que v&#227;o ser considerados na atual distribui&#231;&#227;o das suas gentes. Embora seja em regra sempre tida em conta a componente populacional, nunca poder&#227;o deixar de ser objeto de considera&#231;&#227;o as causas e as consequ&#234;ncias que a ele se encontram associadas, o que permite tomar consci&#234;ncia da import&#226;ncia que assumem os movimentos migrat&#243;rios.</p>     <p>A afirma&#231;&#227;o de que Portugal tem sido um pa&#237;s marcado por uma mobilidade espacial de grande alcance, cuja perman&#234;ncia se manteve continuadamente e se mant&#233;m na atualidade, precede as reflex&#245;es que a seguir se tecem sobre a import&#226;ncia que reveste a mulher migrante nesse quadro social. A composi&#231;&#227;o dos fluxos migrat&#243;rios revela, por tradi&#231;&#227;o, uma clara despropor&#231;&#227;o na composi&#231;&#227;o de g&#233;nero. A prioridade na realiza&#231;&#227;o de desloca&#231;&#245;es, qualquer que tenha sido a raz&#227;o que as motivou, tem cabido aos homens, realidade que tem vindo progressivamente a alterar-se.</p>     <p>A escassez dos olhares que se debru&#231;am sobre esta problem&#225;tica precisa e o pouco que tem sido feito a tal prop&#243;sito t&#234;m vindo a ser contrariados pelo trabalho desenvolvido pela associa&#231;&#227;o Mulher Migrante (MM), organiza&#231;&#227;o pioneira entre n&#243;s, cuja cria&#231;&#227;o se encontra amplamente justificada. Tanto o seu programa como a sequ&#234;ncia do itiner&#225;rio congressista que tem percorrido s&#227;o merecedores das considera&#231;&#245;es que se seguem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A exposi&#231;&#227;o configura-se numa perspetiva diacr&#243;nica privilegiando os destinos transoce&#226;nicos e europeus dentro deles situando-se os mercados de trabalho essencialmente respons&#225;veis pelos movimentos operados. Assim, os dois principais pa&#237;ses para onde se dirigiu a m&#227;o-de-obra portuguesa, Brasil e Fran&#231;a, ser&#227;o tomados como exemplo de um quadro de suporte que permite ilustrar o interesse do tema tratado e a forma pr&#243;pria como se articula em cada um deles.</p>     <p>A propor&#231;&#227;o da reparti&#231;&#227;o de g&#233;nero requer que seja considerada a posi&#231;&#227;o geopol&#237;tica dos territ&#243;rios estrangeiros face a Portugal, contextualizando temporalmente as condi&#231;&#245;es &#8211; atrativos e rejei&#231;&#245;es &#8211; em que ocorreram em cada um deles.</p>     <p>O Brasil col&#243;nia, no in&#237;cio com uma popula&#231;&#227;o de origem portuguesa rarefeita, que assegurava, pela sua presen&#231;a, o exerc&#237;cio do poder pol&#237;tico central, passou, com o decorrer dos tempos, a atrair m&#227;o-de-obra vinda do exterior, situa&#231;&#227;o numericamente expressiva no s&#233;culo XVIII &#8211; per&#237;odo designado como &#8220;ciclo do ouro&#8221;, que ofereceu uma miragem de riqueza a Portugal e ao mundo.</p>     <p>A sua explora&#231;&#227;o foi respons&#225;vel por uma expans&#227;o demogr&#225;fica in&#233;dita, muito diferente das anteriores, uma vez que revelava a predomin&#226;ncia de pessoas de origem europeia. Pela natureza das fun&#231;&#245;es, a popula&#231;&#227;o feminina que integrou tais fluxos era relativamente diminuta.</p>     <p>Posteriormente, o eixo do relacionamento com a metr&#243;pole, que sempre manteve continuidade, alterou-se drasticamente no per&#237;odo correspondente &#224;s Invas&#245;es Francesas, em que os reis de Portugal se exilaram, tendo procurado n&#227;o s&#243; transferir-se com a Corte e o s&#233;quito que os acompanharam como sediar o governo e a administra&#231;&#227;o. Foi ent&#227;o instalada a capital no Rio de Janeiro, passando o pa&#237;s a ser designado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815). Os portugueses que nessa altura partiram eram maioritariamente do g&#233;nero masculino: nobres, homens de cultura, profissionais liberais e, em muito menor n&#250;mero, pessoas sem posses provenientes de estratos sociais humildes.</p>     <p>A partir do segundo quartel do s&#233;culo XIX, o aparecimento, implanta&#231;&#227;o e expans&#227;o do cultivo e comercializa&#231;&#227;o do caf&#233; &#8211; per&#237;odo conhecido como &#8220;ciclo do caf&#233;&#8221; &#8211; acentua de novo a necessidade de m&#227;o-de-obra. Mais uma vez, o recrutamento de trabalhadores europeus, que passa a ser feito em grande escala, veio a permitir realizar as necess&#225;rias tarefas agr&#237;cola, sem as quais n&#227;o teria sido alcan&#231;ada a expans&#227;o econ&#243;mica que se seguiu. A subsequente etapa de prosperidade da economia brasileira que se instalou fez nascer novas expectativas sobre um destino onde se poderia vir a conseguir riqueza, dadas as hist&#243;rias que sobre ele se contavam e as vis&#237;veis manifesta&#231;&#245;es do sucesso a&#237; obtido. Entre elas, merecem particular destaque a compra de propriedades rurais, a constru&#231;&#227;o de resid&#234;ncias pr&#243;prias, cuja qualidade arquitet&#243;nica &#233; hoje largamente reconhecida, e todo um conjunto de benef&#237;cios sociais introduzidos pelos emigrantes, que foram muitos, na pr&#243;pria regi&#227;o de origem (Rocha-Trindade, 2000).</p>     <p>Poder-se-&#225; dizer que a independ&#234;ncia do Brasil (1822) transforma o estatuto jur&#237;dico dos portugueses que posteriormente a ele se dirigiram. De povoadores e colonizadores passam a ser de facto imigrantes estrangeiros, juntando-se aos n&#250;cleos j&#225; existentes ou constituindo novos espa&#231;os de fixa&#231;&#227;o, em resposta &#224;s necessidades decorrentes da aboli&#231;&#227;o da escravatura <a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>.</p>     <p>Julgar que os fluxos emigrat&#243;rios conduziam maioritariamente homens para aquele pa&#237;s n&#227;o constitui de forma alguma uma afirma&#231;&#227;o exata, uma vez que as mulheres acompanharam o movimento. O que na realidade se verificou foi que a sua partida nem sempre se fez em igual n&#250;mero nem em igual percentagem, n&#227;o coincidindo as formas que foi assumindo nem a data em que se realizavam as partidas.</p>     <p>Por se considerar que deveriam ser previamente avaliadas as condi&#231;&#245;es de vida e tentar encontrar uma instala&#231;&#227;o capaz de acolher a popula&#231;&#227;o feminina e jovem que integrava o n&#250;cleo familiar, deveria ser o chefe de fam&#237;lia o primeiro a partir. Poder-se-&#225; dizer, por isso, que, em muitos casos, existiu um desfasamento de datas entre os que deixavam o pa&#237;s.</p>     <p>A instala&#231;&#227;o familiar no estrangeiro muito preocupava os governos, por receio de que se traduzisse na redu&#231;&#227;o do envio de remessas, raz&#227;o que se revelou injustificada, pois a emigra&#231;&#227;o continuou a n&#227;o ter, na sua grande maioria, um car&#225;ter familiar e a ser muito superior o volume de homens casados que partia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este e outros factos constituem de alguma forma, ainda que indireta, indicadores que configuram a rela&#231;&#227;o entre espa&#231;os de origem e a correspondente fixa&#231;&#227;o no exterior, dando visibilidade ao fen&#243;meno, uma vez que as mulheres que ficavam constitu&#237;am popula&#231;&#227;o recetora de remessas. Na &#225;rea do Porto e, muito em especial, em Braga, cerca de 80% das ordens de pagamentos foram endere&#231;adas a destinat&#225;rias (Pereira, 2002).</p>     <p>A visibilidade permitida pelo costume de se vestir de preto, tradi&#231;&#227;o nortenha de quem ficava vi&#250;va, passou a ser adotada pelas que, tendo permanecido no pa&#237;s, estavam longe dos seus maridos emigrados. O simbolismo que encerra tal h&#225;bito, de dimens&#227;o social assinal&#225;vel, revela publicamente a assun&#231;&#227;o de um estatuto social que traduz o afastamento f&#237;sico. A refer&#234;ncia liter&#225;ria &#224;s &#8220;vi&#250;vas de vivos&#8221; d&#225; conta disso. O romance de Joaquim Lagoeiro, com o mesmo nome, escrito em 1946, consagra a designa&#231;&#227;o e constitui disso exemplo.</p>     <p>O tipo de composi&#231;&#227;o dos fluxos migrat&#243;rios e a despropor&#231;&#227;o quantitativa de g&#233;nero que estes fluxos apresentavam entre si num per&#237;odo significativo da &#8220;etapa transoce&#226;nica&#8221;, prolongaram-se no in&#237;cio da fase que se lhe seguiu &#8211; a &#8220;etapa intraeuropeia&#8221;. Tamb&#233;m nela as grandes levas de emigrantes clandestinos que atravessaram os Piren&#233;us, em caminhadas longas e exaustivas, repetindo as dificuldades das viagens anteriormente feitas por via mar&#237;tima para os que atravessaram o Atl&#226;ntico, passaram a ser substitu&#237;das pelos caminhos percorridos principalmente por homens (Rocha-Trindade, 2014).</p>     <p>A sua posterior instala&#231;&#227;o em rulotes e prefabricados, que se situavam bem perto dos locais de trabalho, em regra ligados &#224; constru&#231;&#227;o civil, n&#227;o ofereciam condi&#231;&#245;es de habitabilidade familiar dada a escassez da &#225;rea dispon&#237;vel e a falta de condi&#231;&#245;es de privacidade no quotidiano. S&#243; depois, e atrav&#233;s dos conhecimentos que se iam estabelecendo, era poss&#237;vel encontrar espa&#231;os de instala&#231;&#227;o adequada.</p>     <p>No conjunto dos pa&#237;ses situados no Ocidente da Europa, Fran&#231;a tomou um papel de grande relevo. A popula&#231;&#227;o feminina que se dirigiu numa fase subsequente para o mesmo destino proporcionou o equil&#237;brio de g&#233;nero e a forma&#231;&#227;o de fam&#237;lias de origem portuguesa que a&#237; reorganizaram a vida inserindo-se no seio de comunidades da mesma origem. As ra&#237;zes rurais da maioria conduziu para os mesmos lugares parentes, vizinhos e amigos, e o exerc&#237;cio de id&#234;nticas profiss&#245;es proporcionou um intenso relacionamento entre elementos da mesma nacionalidade.</p>     <p>Por outro lado, o trabalho das mulheres, em regra desenvolvido na &#225;rea dos servi&#231;os dom&#233;sticos, proporcionou-lhes um permanente conv&#237;vio com a sociedade francesa, atrav&#233;s da intera&#231;&#227;o di&#225;ria estabelecida.</p>     <p>A organiza&#231;&#227;o do movimento associativo que se implantou e desenvolveu permitiu reunir gera&#231;&#245;es e espa&#231;os interativos nos pr&#243;prios locais de destino, e o conv&#237;vio circunscrito que existiu nessa &#233;poca n&#227;o s&#243; permitiu uma continuada liga&#231;&#227;o a Portugal como se estendeu &#224; sociedade recetora.</p>     <p>Foi nestes espa&#231;os alargados de viv&#234;ncia que as mulheres adquiriram consci&#234;ncia das suas reais possibilidades e foram capazes de se afirmar gra&#231;as ao trabalho que passaram a realizar de forma remunerada e que lhes proporcionou um relativo grau de independ&#234;ncia <a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.</p>     <p>Qualquer que seja o lugar de destino, com o decorrer dos anos, altera por completo os tempos iniciais de fixa&#231;&#227;o. Hoje, vive-se uma nova realidade marcada pela globalidade &#8211; uma diferente flexibilidade de fronteiras facilita a comunica&#231;&#227;o. As motiva&#231;&#245;es s&#227;o outras, a componente dos fluxos apresenta diversas propor&#231;&#245;es de g&#233;nero, o contacto assume novos ritmos e faz-se por outros meios.</p>     <p>As mulheres tomam, em muitos casos, a dianteira na partida e, embora continue a ter lugar a reunifica&#231;&#227;o familiar, ela n&#227;o &#233; determinante no quadro migrat&#243;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O olhar panor&#226;mico lan&#231;ado de forma introdut&#243;ria constitui um breve percurso sobre a mobilidade feminina portuguesa, sendo brevemente evocados os grandes espa&#231;os de destino e, dentro deles, equacionada a variabilidade da posi&#231;&#227;o social da mulher migrante.</p>     <p>A exist&#234;ncia de uma problem&#225;tica social t&#227;o importante e a situa&#231;&#227;o de lideran&#231;a que agora assumem muitas das mulheres de origem portuguesa residentes no estrangeiro possibilitaram a manifesta&#231;&#227;o p&#250;blica da vontade de criar uma associa&#231;&#227;o que as contemplasse. Duas reuni&#245;es internacionais, organizadas em 1984 e 1985, proporcionaram a oportunidade de a problematizar. O pedido de organiza&#231;&#227;o de uma associa&#231;&#227;o que se debru&#231;asse sobre o universo feminino em contexto migrat&#243;rio surgiu no &#226;mbito do 3.&#186; Conselho das Comunidades Portuguesas <a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>, reunido na cidade de Danbury, Connecticut (Costa Leste, EUA) em outubro de 1984.</p>     <p>A cria&#231;&#227;o da associa&#231;&#227;o MM, cujos princ&#237;pios orientadores assentam no estudo, na coopera&#231;&#227;o e na solidariedade, resultou de propostas apresentadas no espa&#231;o dos trabalhos do <i>1.&#186; Encontro Mundial de Mulheres Migrantes no Associativismo e no Jornalismo</i>, organizado pelo ent&#227;o Centro de Estudos da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que teve posteriormente lugar em Viana do Castelo, entre 16 e 20 de junho de 1985. A Associa&#231;&#227;o, fundada por escritura p&#250;blica notarial em 8 de outubro de 1993, com a presen&#231;a de 17 proponentes fundadoras, passou a atuar a partir de janeiro do ano seguinte <a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</p>     <p>O <i>Encontro Mundial de Mulheres Migrantes &#8211; Gera&#231;&#245;es em Di&#225;logo, </i>o primeiro a ser organizado pela MM, teve lugar em Espinho de 18 a 21 de mar&#231;o de 1995, prolongando-se em Lisboa no dia seguinte, e conferiu consist&#234;ncia ao grupo.</p>     <p>No fim do ano seguinte, a 7 de dezembro, o col&#243;quio <i>A Mulher Migrante Igualdade e Solidariedade. Que Direitos? Que Estrat&#233;gias? </i>repetiu, na capital, a preocupa&#231;&#227;o que persistia em rela&#231;&#227;o &#224; posi&#231;&#227;o e partilha dos direitos sociais que &#224;s mulheres s&#227;o devidos.</p>     <p>Dois novos encontros v&#234;m a ter lugar em Lisboa subsequentemente (1998): <i>A Mulher Imigrante e a sua Fam&#237;lia. O Caso Portugu&#234;s </i>(mesa-redonda) e <i>As Mulheres Portuguesas perante os Projectos de Emigra&#231;&#227;o e de (Re) Inser&#231;&#227;o Social</i>. A preocupa&#231;&#227;o com a popula&#231;&#227;o estrangeira imigrada e residente em Portugal &#233; expressa no t&#237;tulo do primeiro encontro e a cobertura tem&#225;tica alarga-se, tendo em conta a equival&#234;ncia de situa&#231;&#245;es que, embora configurando-se de modo diverso, revelam identidades ao longo das etapas do itiner&#225;rio migrat&#243;rio. Umas e outras passam a integrar a preocupa&#231;&#227;o da associa&#231;&#227;o da MM.</p>     <p>O conceito de migrante, correntemente utilizado, substituiu a vis&#227;o parcelar e redutora que anteriormente distinguia as emigrantes das imigrantes. Os movimentos c&#237;vicos de enquadramento juntam-se &#224; perspetiva aut&#225;rquica no sentido de chamar a aten&#231;&#227;o para os que, vindos de diferentes origens, passam a residir entre n&#243;s e a fazer parte das sociedades locais. O t&#237;tulo atribu&#237;do ao semin&#225;rio <i>Mulheres Migrantes em Portugal &#8211; Expectativas e Experi&#234;ncias de Vida. A Perspectiva das Entidades Locais</i>, que teve lugar em Oeiras no ano de 2001, revela a atualidade e adequa&#231;&#227;o das preocupa&#231;&#245;es da associa&#231;&#227;o da MM. Nessa altura em que foram contabilizados pelos Servi&#231;os de Estrangeiros e Fronteiras/SEF, 350 898 residentes estrangeiros em Portugal, um aumento de 69,04% face ao ano anterior.</p>     <p>No mesmo ano, o encontro realizado em Pombal, que comemora o Dia Internacional da Mulher, teve a participa&#231;&#227;o da MM.</p>     <p>As duas mesas-redondas que integram o programa <i>Problemas Sociais da Nova Imigra&#231;&#227;o</i>, 2002 &#8211; <i>O Direito &#224; Reunifica&#231;&#227;o Familiar e &#224; Livre Circula&#231;&#227;o </i>e a <i>Igualdade na Sociedade Portuguesa para a Mulher Migrante </i>conjugam interesses pr&#243;prios dos atores migrantes, tendo em considera&#231;&#227;o o aparelho jur&#237;dico que regula a mobilidade. Foi assim tida em conta a posi&#231;&#227;o pol&#237;tica nacional e internacional relativamente a situa&#231;&#245;es individuais e prestada particular aten&#231;&#227;o a situa&#231;&#245;es de car&#225;ter familiar.</p>     <p>As atividades que decorreram no ano de 2004 tiveram lugar em Oliveira de Azem&#233;is e em Lisboa, e incidiram sobre as mulheres portuguesas no estrangeiro, destacando-se em particular a homenagem que a delega&#231;&#227;o argentina presta em Buenos Aires ao n&#250;cleo portugu&#234;s, por ocasi&#227;o do d&#233;cimo anivers&#225;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma nova etapa tem in&#237;cio a partir de 2005 com o estabelecimento de uma parceria que associa &#224; MM a Funda&#231;&#227;o <i>Pro Dignitate</i>, a Universidade Aberta (CEMRI) e a Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade, com o patroc&#237;nio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.</p>     <p>As associa&#231;&#245;es relacionadas com a MM Portuguesa em Buenos Aires <a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>&#160;e em Estocolmo <a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>, a associa&#231;&#227;o <i>Working Women</i>, e ainda as de Berkeley (EUA) e a de Joanesburgo, na &#193;frica do Sul, concretizam reuni&#245;es que, de uma maneira ou de outra, aprofundam abordagens problem&#225;ticas espec&#237;ficas que se inserem em espa&#231;o local.</p>     <p>O alargamento do campo de a&#231;&#227;o ao universo da di&#225;spora, desenvolvido numa estreita colabora&#231;&#227;o com a SECP, contempla a execu&#231;&#227;o de pol&#237;ticas de emigra&#231;&#227;o em que est&#225; presente a componente de g&#233;nero. Ao tempo (2005), o Secret&#225;rio de Estado, Dr. Ant&#243;nio Braga, prop&#244;s um desenvolvimento por etapas que levassem ao longo da sua legislatura &#224; organiza&#231;&#227;o de reuni&#245;es preparat&#243;rias para um encontro mundial a ter lugar em 2009. Esta parceria, renovada em 2011 pelo Secret&#225;rio de Estado que se seguiu, Dr. Jos&#233; Ces&#225;rio, continua a incluir as quest&#245;es de g&#233;nero nos grandes eventos (Dia Nacional, encontros lus&#243;fonos, culturais, de juventude...). O associativismo feminino &#233; considerado ponte de transi&#231;&#227;o para a igualdade plena.</p>     <p>A lista que d&#225; conta da sequ&#234;ncia dos eventos que tiveram lugar por iniciativa da pr&#243;pria Associa&#231;&#227;o e de outros em que participou ativamente encontra-se dispon&#237;vel em &#160;<a href="http://mbrochatrindade.blogspot.pt/p/blog-page.html" target="_blank">http://mbrochatrindade.blogspot.pt/p/blog-page.html</a> . O conjunto de iniciativas culturais promovido pela MM, cuja regularidade e continuidade merecem ser assinaladas, n&#227;o &#233; descrito no texto em detalhe por limita&#231;&#227;o de espa&#231;o.</p>     <p>A organiza&#231;&#227;o cronol&#243;gica da sua apresenta&#231;&#227;o constitui uma linha orientadora da atividade da associa&#231;&#227;o MM, que reflete a preocupa&#231;&#227;o institucional e espelha n&#227;o s&#243; o interesse do n&#250;cleo que as organizou como o das participantes que intervieram.</p>     <p>A forma impressa dos trabalhos desenvolvidos no &#226;mbito da AEMM e o conte&#250;do difundido em formato digital, atrav&#233;s do <i>blog </i>(<a href="http://mulhermigranteemcongresso.blogspot.pt/p/blog-page.html" target="_blank">http://mulhermigranteemcongresso.blogspot.pt/p/blog-page.html</a>) d&#225; conta das tem&#225;ticas tratadas.</p>     <p>Segue-se a lista de obras editadas:</p>     <p>&#8226; S/n. (S/d). <i>Encontro Mundial de Mulheres Migrantes. Gera&#231;&#245;es em Di&#225;logo</i>, Espinho, 18/21 de mar&#231;o de 1995, Lisboa, 22 de mar&#231;o de 1995. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; S/n. (S/d). <i>Encontro Mundial de Mulheres Migrantes. As Ideias e os Factos Assinalados</i>, Espinho/Lisboa, 1995. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; Gomes, R., coord. (1996). <i>Col&#243;quio A Mulher Migrante. Igualdade e Solidariedade. Que Direitos? Que Estrat&#233;gias?</i>, Lisboa, 7 de dezembro de 1996. (S.l.): MM.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; Leandro, M. E. (1998). <i>As Mulheres Portuguesas perante os Projectos de Emigra&#231;&#227;o e Projectos de (Re)Inser&#231;&#227;o Social</i>, 11 de dezembro. Lisboa: MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M., coord. (2009). <i>Problemas Sociais da Nova Imigra&#231;&#227;o: Col&#243;quio 2002</i>. Lisboa: MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M., ed. lit. (2007). <i>Migra&#231;&#245;es: Iniciativas para a Igualdade de G&#233;nero</i>. (Lisboa): MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M.; Aguiar, M. T., coord. (2009). <i>Cidad&#227;s da Di&#225;spora: Encontro em Espinho = Mulher Migrante: O Congresso &#8220;Online&#8221;</i>, 6 a 8 de mar&#231;o de 2009. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M.; Guedes, G., org. (2011). <i>Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Di&#225;spora</i>, 24 a 26 de novembro. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M., coord. (2012)<i>. Homenagem a Maria Lamas. Entre Portuguesas num Mundo sem Fronteiras</i>. Lisboa: MM.</p>     <p>&#8226; Moreira, O. A.; Gomes, R., org. (2012). <i>Vida e Obra de Maria Archer &#8211; Uma Portuguesa da Di&#225;spora</i>. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M.; Guedes, G.; Santiago, A., coord. (2014). <i>Entre Portuguesas &#8211; Associa&#231;&#227;o Mulher Migrante. 20 Anos </i>(Encontro 31 de maio de 2013). (S.l.): MM, 104 p.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M.; Guedes, G.; Santiago, A., coord. (2014). <i>Express&#245;es Femininas da Cidadania. III Encontro Mundial Mulheres na Di&#225;spora</i>, 24/25 outubro 2013, Pal&#225;cio das Necessidades. (S.l.): MM.</p>     <p>&#8226; Aguiar, M.; Guedes, G.; Santiago, A., coord. (2015). <i>1974-2014 &#8211; 40 Anos de Migra&#231;&#245;es em Liberdade</i>. (S.l.): MM.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; (No prelo) <i>Entre Portuguesas &#8211; &#8220;2015&#8221;</i></p>     <p>Injusto seria n&atilde;o referir a din&acirc;mica e o empenho revelados pelas presidentes da Dire&ccedil;&atilde;o e da Assembleia-Geral Maria Rita Andrade Gomes e Maria Manuela Aguiar. S&oacute; a convic&ccedil;&atilde;o que move a a&ccedil;&atilde;o desempenhada por qualquer delas, tornou poss&iacute;vel tudo o que tem sido realizado desde a funda&ccedil;&atilde;o e posteriormente se encontra publicado.</p>     <p>O reconhecimento un&acirc;nime por parte do poder pol&iacute;tico que tutela as migra&ccedil;&otilde;es e o de todos os que se movem no seu quadro atestam a obra realizada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <p>Pereira, M. H. (2002). <i>A pol&#237;tica portuguesa de emigra&#231;&#227;o (1850-1930</i>. Bauru, S&#227;o Paulo: EDUSC; Portugal: Instituto Cam&#245;es.</p>     <!-- ref --><p>Rocha-Trindade, M. B. &amp; Caeiro, D. (2000). <i>Portugal-Brasil: migra&#231;&#245;es e migrantes: 1850-1930</i>. Lisboa: Inapa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1835350&pid=S0874-6885201600010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rocha-Trindade, M. B. (2014). Le Conselho das Comunidades comme pi&#232;ce centrale de la politique migratoire de rapprochement dans l&#8217;apr&#232;s-25 Avril. In <i>Migrance</i>, 43, 71-82.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> A conjuntura pol&#237;tica internacional e as condi&#231;&#245;es internas do pr&#243;prio pa&#237;s, tanto as de natureza pol&#237;tica como social e, sobretudo, o fim da escravatura &#8211; atrav&#233;s de variada legisla&#231;&#227;o que progressivamente vai tornando livres os que nascem (Lei do Ventre Livre &#8211; 1871), presta aten&#231;&#227;o &#224; idade (Lei dos Sexagen&#225;rios &#8211; 1885) e finalmente culmina com a Lei &#193;urea (ou Redentora &#8211; 1888), em que &#233; decretada a aboli&#231;&#227;o &#8211; criam problemas de natureza social e econ&#243;mica que levam a que o Governo encare e intencionalmente promova uma imigra&#231;&#227;o de trabalho.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Os estudos desenvolvidos por Maria Engr&#225;cia Leandro nesta &#225;rea tem&#225;tica ilustram bem o percurso seguido e a aquisi&#231;&#227;o de estatuto adquirido no contexto migrat&#243;rio pelas portuguesas que procuraram Fran&#231;a como espa&#231;o de reunifica&#231;&#227;o e conseguiram afirmar-se individualmente.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> O CCP, criado em 1980 (D. L. n.&#186; 373/80 de 30 de agosto), debru&#231;ava-se sobre os mecanismos espec&#237;ficos de representatividade, considerando a dimens&#227;o que assumem os migrantes dentro e fora das suas fronteiras e a atribui&#231;&#227;o da igualdade de g&#233;nero a todos os cidad&#227;os.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Por escritura notarial, &#233; constitu&#237;da a &#8220;Mulher Migrante &#8211; Associa&#231;&#227;o de Estudo, Coopera&#231;&#227;o e Solidariedade&#8221;, mais conhecida por &#8220;Associa&#231;&#227;o Mulher Migrante&#8221; (8/10/1993 &#8211; L&#186; 290 &#8211; E &#8211; fls. 74), que inicia atividades em 2 de janeiro de 1994.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> A associa&#231;&#227;o MM Portuguesa na Argentina, constitu&#237;da em Buenos Aires em 1998, serviu de motor de mobiliza&#231;&#227;o do associativismo feminino nesse pa&#237;s.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> PIKO (<i>Portugisisktalande Kvinnors Riksforbund</i>) &#233; uma organiza&#231;&#227;o de mulheres de l&#237;ngua portuguesa, constitu&#237;da em 1985, na Su&#233;cia.</p>      ]]></body><back>
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