<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-6885</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-6885</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-68852016000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Inês Fontinha]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Centro de História d'Aquém e d'Além]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade dos Açores  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>35</numero>
<fpage>162</fpage>
<lpage>174</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-68852016000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-68852016000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-68852016000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ENTREVISTAS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>In&#234;s Fontinha</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/eva/n35/n35a13f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Fernando Ribeiro*</b></p>     <p>*Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas,&#160;Centro de Hist&#243;ria d&#8217;Aqu&#233;m e d&#8217;Al&#233;m e Universidade dos A&#231;ores, <a href="mailto:f.ribeiro@fcsh.unl.pt">f.ribeiro@fcsh.unl.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A vida agreste no feminino</p>     <p>vista e dita por In&#234;s Fontinha</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>dedicada a &#8220;O Ninho&#8221;</p>     <p>para que mulher pelas ruas e bares</p>     <p>da amrgura</p>     <p>consiga construir o lar </p>     <p>para a vida.</p>     <p><i>Como nasceu, na Dr.&#170; In&#234;s Fontinha, o interesse por esta realidade, esta causa social?</i></p>     <p>Trabalhava em investiga&#231;&#227;o. Licenciei-me no Instituto Superior de Ci&#234;ncias Sociais e Pol&#237;ticas, dirigido, &#224; &#233;poca, pelo Professor Adriano Moreira, que me ensinou valores fundamentais, entre os quais a &#233;tica na investiga&#231;&#227;o. Como est&#225;vamos em plena ditadura, os resultados das pesquisas eram alterados. Decidi n&#227;o aceitar isto e fiquei desempregada.</p>     <p>Um amigo jurista trabalhava como volunt&#225;rio na institui&#231;&#227;o &#8220;O Ninho&#8221; e convidou-me a ir conhec&#234;-la. Foi para mim um desafio muito grande. N&#227;o conhecia a problem&#225;tica, nem a situa&#231;&#227;o das mulheres prostitu&#237;das. Escutei hist&#243;rias inabitadas de afectos, vidas percorridas por viol&#234;ncias extremas. Ganhei consci&#234;ncia para as profundas desigualdades existentes na nossa sociedade e decidi tomar partido.</p>     <p><i>Vem de uma fam&#237;lia preocupada, respons&#225;vel, da Madeira, cujo povo tem uma atitude bastante humana. S&#243; estive l&#225; em trabalho, mas deu para ver e sentir a preocupa&#231;&#227;o das pessoas umas pelas outras. Herdou tal postura da m&#227;e ou do pai?</i></p>     <p>Da m&#227;e e do pai. A Madeira era uma ilha muito ignorada pelo continente. Na altura, quando ia para a Madeira, as malas eram fiscalizadas como se f&#244;ssemos para outro pa&#237;s; levar um ma&#231;o de tabaco era considerado contrabando. Tenho seis irm&#227;os, somos quatro raparigas e tr&#234;s rapazes, e os meus pais, na altura, fizeram algo contr&#225;rio ao uso da &#233;poca. Na Madeira, os rapazes iam estudar e as raparigas ficavam em casa a aprender costura e piano; a op&#231;&#227;o partiu do meu pai: &#8220;V&#227;o as raparigas estudar e os rapazes estudam at&#233; ao que existe aqui&#8221;. Agora existe a universidade, mas na altura n&#227;o: havia o liceu e a escola industrial e comercial. &#8220;Porque as mulheres t&#234;m de ser independentes; um homem pode trabalhar em qualquer coisa; uma mulher n&#227;o; de modo que uma mulher tem que ser independente para n&#227;o depender de um homem, tem de ter a sua independ&#234;ncia, porque o amor &#233; fundamental entre um homem e uma mulher e esta n&#227;o deve depender do marido para a sustentar. N&#227;o! Os dois t&#234;m de trabalhar para constru&#237;rem a sua vida!&#8221; O meu pai foi muito criticado, porque n&#227;o era comum as raparigas virem sozinhas para aqui [continente]. Ensinou-me outra coisa: a tomar partido por aquilo em que se acredita. Quando eu vim trabalhar para &#8220;O Ninho&#8221;, tomar partido era tomar o partido das mulheres e n&#227;o ficar calada; e isto tudo ajuda-nos tamb&#233;m a dizer aquilo que se pensa: lutar por aquilo em que se acredita.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Essa luta tem sido a sua luta pel&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;, pela consci&#234;ncia&#8230; Apenas em Lisboa? Nas grandes cidades, Lisboa e Porto?</i></p>     <p>&#8220;O Ninho&#8221; &#233; uma Institui&#231;&#227;o Particular de Solidariedade Social, que tem por objectivo a promo&#231;&#227;o humana e social de mulheres v&#237;timas de prostitui&#231;&#227;o e mulheres traficadas para fins de explora&#231;&#227;o sexual. Foi fundado, em Portugal, em 1967, &#160;seguindo o modelo d&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; franc&#234;s, criado em Paris pelo padre Andr&#233; Marie Talvas, em 1936. A hist&#243;ria d&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; insere-se assim na hist&#243;ria do trabalho de colabora&#231;&#227;o entre os movimentos da Fran&#231;a, da B&#233;lgica (1980) e do Brasil, bem como de outras organiza&#231;&#245;es e movimentos que trabalham directamente com pessoas prostitu&#237;das. &#8220;O Ninho&#8221; nasce a partir das necessidades sentidas pelas mulheres prostitu&#237;das e estrutura uma metodologia de interven&#231;&#227;o que se vai adequando &#224;s realidades. Conhecer o meio prostitucional e os seus agentes foi o in&#237;cio de uma interven&#231;&#227;o inovadora que, na d&#233;cada de 60, poucas pessoas compreendiam. Os servi&#231;os v&#227;o sendo estruturados de acordo com as solicita&#231;&#245;es feitas pelas mulheres e com a aprendizagem que os t&#233;cnicos foram fazendo ao longo do seu percurso de trabalho directo com elas. Conhecemos a origem social das mulheres e dos clientes. Conhecemos os proxenetas (os companheiros, como elas dizem). Conhecemos mulheres que foram traficadas. O tr&#225;fico de mulheres &#233; organizado por associa&#231;&#245;es criminosas.</p>     <p>Quando me confrontei com raparigas que tinham a minha idade, na altura, ou mais novas e mais velhas, quando consegui criar uma rela&#231;&#227;o, ganhar a confian&#231;a para me contarem as suas vidas, chegava a casa com&#160;&#160; o corpo a doer, porque nunca imaginei que houvesse vidas t&#227;o violentas, que as pessoas tivessem percorrido um caminho t&#227;o violento, t&#227;o cheio de traumas. Eu, n&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;, adquiri consci&#234;ncia pol&#237;tica. Sentia-me como se estivesse numa linha onde, de um lado, estavam meninos e meninas, crian&#231;as, filhos de raparigas e mulheres que nada tinham e, do outro lado, estavam os outros, que tinham tudo. E pensei: &#8220;Mas que sociedade &#233; esta? Que assimetrias sociais estamos n&#243;s a criar? Como &#233; que podemos contribuir para que isto mude? Porque tem de mudar. A utopia &#233; realiz&#225;vel.&#8221; Fui estudante do Instituto Superior de Ci&#234;ncias Sociais e Pol&#237;ticas, hoje ISCSP, e, na altura, Instituto Superior de Ci&#234;ncias Sociais e Pol&#237;tica Ultramarina, para onde vinham os jovens das prov&#237;ncias ultramarinas de ent&#227;o fazerem o curso de pol&#237;tica ultramarina, para serem administradores de prov&#237;ncia. Jovens muito politizados. Na d&#233;cada de 60, &#233;poca do <i>apartheid </i>na &#193;frica do Sul, um jovem negro falou-me desse grande pa&#237;s: a &#193;frica do Sul; disse-me existirem a&#237; autocarros para brancos e autocarros para negros. Para mim, uma coisa inconceb&#237;vel. E ainda uma outra coisa: &#8220;Existe um negro, preso recente, de nome Nelson Mandela, que acredita plenamente vir a ser presidente da &#193;frica do Sul.&#8221; Lembro-me de lhe dizer: &#8220;Est&#225;s doido. Com essa separa&#231;&#227;o toda, com o dom&#237;nio dos brancos sobre os negros, como ser&#225; tal poss&#237;vel?&#8221; Replicou: &#8220;Se ganhares consci&#234;ncia de que algo &#233; profundamente injusto e se passares a um amigo teu e esse amigo passar a outro amigo, vai criar-se uma consci&#234;ncia internacional desta profunda injusti&#231;a e o <i>apartheid </i>terminar&#225; por press&#227;o internacional.&#8221; E isso aconteceu! &#201; uma quest&#227;o de tempo e de acreditarmos na concretiza&#231;&#227;o da utopia.</p>     <p><i>&#8220;O Ninho&#8221; aposta na liberta&#231;&#227;o da mulher, para que n&#227;o fique isolada na sua consci&#234;ncia de culpa? Quer fortalecer na mulher essoutra consci&#234;ncia: cabe &#224; sociedade tratar a sexualidade?</i></p>     <p>O modelo de sociedade existente gira &#224; volta do dinheiro, do lucro. O Estado incentiva a sociedade civil a organizar-se para criar institui&#231;&#245;es que ajudem as pessoas, mas n&#227;o lhes d&#225; o apoio necess&#225;rio para cumprirem os objectivos a que se prop&#245;em. O papel que devia ser do Estado passa para as institui&#231;&#245;es, porque fica mais barato. Em nome da crise, o governo optou por uma pol&#237;tica de empobrecimento das pessoas. Em nome da d&#237;vida, destruiu&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; a vida de muitas fam&#237;lias e criou cantinas sociais para dar refei&#231;&#245;es aos pobres. Retirou a milhares de pessoas o Rendimento Social de Inser&#231;&#227;o de uma forma desumana. H&#225; muitas fam&#237;lias que est&#227;o desempregadas e n&#227;o t&#234;m nenhum apoio do Estado. Como vivem estas pessoas? Que sociedade estamos a construir?</p>     <p>H&#225; tempos, num debate, algu&#233;m afirmava que as mulheres ainda tinham, pelo menos, a possibilidade de se prostitu&#237;rem para dar comida aos filhos. Mas que valores t&#234;m as pessoas que ousam fazer tal afirma&#231;&#227;o? &#201; chocante! Tento dar o meu contributo para a constru&#231;&#227;o de uma sociedade justa. &#201; uma obriga&#231;&#227;o de todos n&#243;s. E o meu trabalho n&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; foi decisivo para compreender o sofrimento que atravessa a vida de muitas mulheres. A culpa que se instala e que &#233; necess&#225;rio tratar, a culpa que destr&#243;i e que as leva a dizer &#8220;eu mere&#231;o isto&#8221;. A mulher sente-se um instrumento, um objecto para dar prazer ao homem. Isto &#233; admiss&#237;vel? &#201; admiss&#237;vel que a prostitui&#231;&#227;o entre para o Produto Interno Bruto?</p>     <p><i>Mas entra como?</i></p>     <p>N&#227;o sei como se fazem as contas. Sei que a prostitui&#231;&#227;o &#233; um neg&#243;cio muito lucrativo. Rende milh&#245;es de euros. Um estudo feito pela Funda&#231;&#227;o Scelles afirma que este neg&#243;cio representa cinco por cento do PIB da Holanda.</p>     <p><i>Mas ao mesmo tempo h&#225; um aumento da criminalidade, n&#227;o &#233;?</i></p>     <p>O tr&#225;fico &#233; proibido e h&#225; um plano nacional contra ele, mas n&#227;o se pode combat&#234;-lo, sem combater as causas e as consequ&#234;ncias da prostitui&#231;&#227;o. Como &#233; que se pode combater uma situa&#231;&#227;o de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual se se acha que a prostitui&#231;&#227;o &#233; uma escolha? A Holanda est&#225; a arrepiar caminho, porque, ao considerar a prostitui&#231;&#227;o um trabalho, transformou organiza&#231;&#245;es criminosas em &#8220;honestos&#8221; empres&#225;rios do sexo. E o tr&#225;fico aumentou.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>N&#243;s temos isso l&#225; em baixo no Martim Moniz, n&#227;o temos? Aquelas jovens que est&#227;o &#224; esquina? &#8220;O Ninho&#8221; consegue actuar a&#237;?</i></p>     <p>Nunca tivemos, at&#233; hoje, problemas com os proxenetas. Mas existe uma diferen&#231;a substancial entre o proxenetismo organizado e o proxeneta/companheiro. Com este &#233; f&#225;cil conversar e, em algumas situa&#231;&#245;es, eles tamb&#233;m podem ser ajudados. Para a mulher, este chulo &#233; a sua componente afectiva. Ela vive com ele aquilo que eu chamo a ilus&#227;o do amor. Ela quer acreditar que ele gosta dela e que n&#227;o a quer explorar. Com o cliente ela tem uma rela&#231;&#227;o mercantil, e com o seu &#8220;companheiro&#8221; ela vive o afecto e pensa que, quanto mais dinheiro lhe der, mais ele gosta dela. Quando toma consci&#234;ncia desta explora&#231;&#227;o, existe muito sofrimento.</p>     <p><i>E &#233; a&#237; que &#8220;O Ninho&#8221; trabalha, na desculpabiliza&#231;&#227;o?</i></p>     <p>O apoio psicol&#243;gico e a psicoterapia s&#227;o fundamentais para a mulher reorganizar a auto-estima e, consequentemente, compreender e interiorizar que a culpa n&#227;o &#233; dela, que nunca merece nem nunca mereceu estar naquela situa&#231;&#227;o. &#201; claro que o apoio social tamb&#233;m &#233; fundamental para reorganizar um projecto de vida. &#201; um caminho, por vezes, longo.</p>     <p><i>E &#8220;O Ninho&#8221; contacta directamente com o chamado &#8220;chulo&#8221;?</i></p>     <p>&#8220;O Ninho&#8221; faz o acompanhamento psicossocial da mulher e do seu agregado familiar. E tamb&#233;m pode ajudar o chulo/companheiro, se ele quiser. E por vezes, ele tamb&#233;m faz a sua caminhada, mas isto s&#243; acontece se ele gosta da mulher e n&#227;o est&#225; com ela apenas para lhe retirar o dinheiro. S&#227;o situa&#231;&#245;es pontuais, mas existem. Este chulo/companheiro funciona como a componente afectiva, como protector e como elemento de socializa&#231;&#227;o.</p>     <p>O nosso objectivo na interven&#231;&#227;o no meio prostitucional n&#227;o &#233; retirar as mulheres de l&#225;. &#201; sim ajudar &#224; tomada de consci&#234;ncia, e s&#227;o elas pr&#243;prias que pedem ajuda para deixarem de se prostituir, porque o seu plano n&#227;o &#233; a perman&#234;ncia no meio mas sim encontrarem alternativas. E &#8220;O Ninho&#8221; pode ser a alternativa.</p>     <p><i>E o que &#233; que &#8220;ONinho&#8221; oferece para os primeiros anos: uma sopa, uma casa&#8230;? </i>&#8220;O Ninho&#8221; n&#227;o faz caridade. &#8220;O Ninho&#8221; faz interven&#231;&#227;o psicossocial. Tem um centro de atendimento, um lar de acolhimento, cantina e servi&#231;os de apoio, oficinas de treino e aprendizagem para o trabalho, um protocolo com a C&#226;mara Municipal de Lisboa para a reinser&#231;&#227;o social em contexto laboral, servi&#231;o de seguida (<i>follow up</i>), acompanhamento psicol&#243;gico e psicoterapia, apoio social e apoio jur&#237;dico.</p>     <p><i>Ao longo destes anos, o &#8220;Ninho&#8221; tem lutado pela Mulher &#224; luz de uma vis&#227;o de Mulher e para defender esta mesma Mulher no terreno; e tamb&#233;m junto das institui&#231;&#245;es estatais?</i></p>     <p>&#8220;O Ninho&#8221; existe h&#225; 49 anos Foi a primeira institui&#231;&#227;o a intervir junto de mulheres prostitu&#237;das. &#8220;O Ninho&#8221; colaborou, em 1979, num estudo a pedido do Conselho de Ministros para dar um parecer sobre a moldura jur&#237;dica mais adequada para o enquadramento da prostitui&#231;&#227;o, porque vigorava o sistema proibicionista que criminalizava as mulheres. A partir de 1 de Janeiro de 1983, com a entrada em vigor do C&#243;digo Penal, passou a vigorar o sistema abolicionista, consoante uma das conclus&#245;es do estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>At&#233; 2003/2004, as institui&#231;&#245;es sediadas na cidade de Lisboa eram subsidiadas pela Miseric&#243;rdia de Lisboa. A partir de 2004, passou tudo para a Seguran&#231;a Social.</p>     <p><i>E at&#233; 2003?</i></p>     <p>&#8220;O Ninho&#8221; era subsidiado pela Santa Casa da Miseric&#243;rdia de Lisboa, que nomeou um grupo de trabalho para estudar a rentabilidade social de &#8220;O Ninho&#8221;. Foi-nos dado parecer positivo. Pela m&#227;o da Dr.&#170; Maria Jos&#233; Nogueira Pinto, fez-se o primeiro acordo escrito, um &#8220;acordo at&#237;pico&#8221;. E at&#237;pico porque a interven&#231;&#227;o estava fora dos par&#226;metros dos apoios dados a creches, a jardins-de-inf&#226;ncia, a lares da terceira idade, etc. A Dr.&#170; Maria Jos&#233; Nogueira Pinto tinha uma sensibilidade muito forte para o social. O nosso caminho tem sido feito de acordo com a sensibilidade das pessoas que fomos encontrando no nosso percurso.</p>     <p>Em Janeiro de 2004, &#8220;O Ninho&#8221; passou a ser subsidiado pela Seguran&#231;a Social; assin&#225;mos o acordo com esta institui&#231;&#227;o s&#243; em 2013. Porqu&#234;? Porque a Seguran&#231;a Social teve e tem muita dificuldade em compreender a especificidade de uma interven&#231;&#227;o desta natureza, muita dificuldade em compreender que a prostitui&#231;&#227;o &#233; uma quest&#227;o complexa, e que complexa &#233; tamb&#233;m a procura de solu&#231;&#245;es para os problemas que lhe est&#227;o inerentes, pelo que &#233; essencial um verdadeiro trabalho em rede que possibilite uma interven&#231;&#227;o mais eficaz, centrada nas pessoas prostitu&#237;das.</p>     <p>&#8220;O Ninho&#8221;, como institui&#231;&#227;o, constitui por si s&#243; um sistema de trabalho em rede: interven&#231;&#227;o no meio prostitucional, centro de atendimento, lar, oficinas de treino e aprendizagem para o trabalho, servi&#231;o de seguida, informa&#231;&#227;o/sensibiliza&#231;&#227;o, que constituem subsistemas integrantes do sistema &#8220;O Ninho&#8221;, que por sua vez faz parte integrante do sistema societal em constante interac&#231;&#227;o e comunica&#231;&#227;o.</p>     <p>A institui&#231;&#227;o &#8220;O Ninho&#8221; tem uma interven&#231;&#227;o espec&#237;fica, isto &#233;, at&#237;pica, e por isso era necess&#225;rio que o acordo contemplasse a especificidade, ainda hoje inovadora, da institui&#231;&#227;o, que constitui uma resposta integrada com sucesso. N&#227;o h&#225; nenhuma institui&#231;&#227;o no pa&#237;s que constitua por si pr&#243;pria um trabalho em rede e que tamb&#233;m trabalhe em rede com outras organiza&#231;&#245;es, nomeadamente, Seguran&#231;a Social, Santa Casa da Miseric&#243;rdia de Lisboa, C&#226;mara Municipal de Lisboa, juntas de freguesia, organiza&#231;&#245;es n&#227;o governamentais, etc.</p>     <p>Trabalhar com seres humanos, com percursos de vida profundamente violentos e que permanecem numa situa&#231;&#227;o de viol&#234;ncia, exige o respeito pelo tempo do Outro. O tempo da interven&#231;&#227;o psicossocial n&#227;o se compadece com as estat&#237;sticas, com os n&#250;meros que, ilusoriamente, muitos pensam serem demonstrativos da efic&#225;cia do trabalho social. N&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; faz-se um trabalho qualitativo. Qualidade no trabalho com pessoas significa que n&#227;o temos pressa, que respeitamos o tempo dela, da mulher, que necessita de ajuda, e que fazemos o melhor que sabemos e com o capital de experi&#234;ncia adquirido ao longo dos anos, respeitando sempre os princ&#237;pios norteadores da interven&#231;&#227;o social e a &#233;tica do trabalho social. A abordagem qualitativa permite descrever, interpretar e compreender o sentido da l&#243;gica que os actores sociais imprimem &#224;s suas ac&#231;&#245;es, onde a interpreta&#231;&#227;o e compreens&#227;o desenvolvida por eles e a busca do sentido dado &#224; realidade social figuram como principais objectivos.</p>     <p><i>Podemos considerar cinco, seis anos de recupera&#231;&#227;o?</i></p>     <p>Raparigas com uma desorganiza&#231;&#227;o t&#227;o grande podem precisar, e precisam, de um ano, dois anos, tr&#234;s anos; costumo dizer, &#233; o tempo delas. N&#243;s temos de respeitar o tempo delas e n&#227;o o nosso tempo ou o tempo dos pol&#237;ticos. &#201; muito vari&#225;vel; h&#225; raparigas que em seis meses podem estar preparadas para o mundo do trabalho, h&#225; outras carecendo de um ano; outras de dois, outras de tr&#234;s. Respeitamos o tempo que elas, as mulheres, precisam. N&#227;o trabalhamos para as estat&#237;sticas, mas para as pessoas, e por isso o tempo &#233; diferente consoante a evolu&#231;&#227;o que cada uma for fazendo.</p>     <p><i>H&#225; que deixar investimento gerar rendimento&#8230;</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#201; um investimento nas pessoas que precisam de ajuda, h&#225; menos retrocessos. Aprendi muito com o Dr. Jo&#227;o dos Santos (pedopsiquiatra), que, quando lhe perguntavam como &#233; que ele avaliava o tempo para terminar a psicoterapia com uma crian&#231;a, ele respondia que a crian&#231;a dizia: &#8220;Eu agora vou-me embora.&#8221; N&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; acontece o mesmo. Elas dizem: &#8220;J&#225; sou capaz de procurar um trabalho.&#8221; Trabalhamos com as mulheres a sua autonomia. Sentem-se valorizadas e desejam a sua independ&#234;ncia, tendo consci&#234;ncia de que &#8220;O Ninho&#8221; tem sempre a porta aberta.</p>     <p><i>Como se faz esse interface entre esse momento de est&#225;gio da mulher que aceita o apoio d&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; e o mercado de trabalho?</i></p>     <p>Apoiamo-las na procura de trabalho, atrav&#233;s dos jornais, da internet, vamos com elas aos Centros de Emprego, ajudamos a fazer o curr&#237;culo, a saber estar numa entrevista, etc.</p>     <p>O medo do passado est&#225; sempre presente. T&#234;m receio de serem reconhecidas por algum cliente. Posso dar um exemplo: se uma rapariga trabalha num restaurante e entra um cliente que a reconhece, de um modo geral, ele conta que ela foi &#171;prostituta&#187;; e aquela mesma mulher, que era considerada uma excelente trabalhadora, deixa de o ser. L&#225; est&#225; a sombra do passado&#160; a estigmatiz&#225;-la e a n&#227;o a deixar construir o futuro. Temos de ajud&#225;-las a saber conviver com esta situa&#231;&#227;o.</p>     <p><i>Ao longo destes 40 anos ajudaram muitas mulheres. Haver&#225; casos de reincid&#234;ncia?</i></p>     <p>H&#225; algumas que voltam a prostituir-se.</p>     <p><i>Tem uma percentagem?</i></p>     <p>N&#227;o, n&#227;o tenho uma percentagem. Voltam a prostituir-se mas passado algum tempo, acho isso importante, voltam e dizem: &#8220;J&#225; n&#227;o consigo fazer aquela vida.&#8221; Isto significa que &#8220;O Ninho&#8221; as ajudou a criar auto-estima, porque uma pessoa com auto-estima n&#227;o se prostitui; quando gosta de si, n&#227;o faz mal a si pr&#243;pria. E isso aconteceu: reincidiram e voltaram, sempre, porque &#8220;O Ninho&#8221; nunca fecha a porta a ningu&#233;m. Temos mulheres que passaram pel&#8217;&#8220;O Ninho&#8221; h&#225; 30 anos e que reorganizaram as suas vidas e que ainda hoje nos visitam. Costumo dizer que elas est&#227;o sempre no fio da navalha, porque a gente sabe que, a n&#237;vel geral, quando h&#225; uma empresa a fechar ou com dificuldades, as mulheres s&#227;o as primeiras a serem despedidas; &#233; verdade isso. E n&#243;s lutamos para que consigam ter um contrato de trabalho. &#8220;O Ninho&#8221; &#233; sempre uma porta aberta para ajudar as mulheres. Para muitas delas, &#8220;O Ninho&#8221; &#233; a fam&#237;lia a quem recorrem num momento de afli&#231;&#227;o, ou com o filho, ou com o marido, ou com o trabalho, ou com a sa&#250;de; &#233; uma porta que fica sempre aberta.</p>     <p><i>Qual o n&#237;vel de escolaridade?</i></p>     <p>Muito baixo, a maior parte n&#227;o tem o secund&#225;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&#8220;O Ninho&#8221; apoia-as nas escolas, na faculdade?</i></p>     <p>Ah!, sim, sim, apoiamos. Algumas, inclusive, incentivamos a tirarem cursos superiores.</p>     <p><i>E h&#225; empresas que apoiam &#8220;O Ninho&#8221; oferecendo postos de trabalho, donativos, mecenato? Quando fal&#225;mos h&#225; 30 anos, disse-me que um cavalheiro deixava um donativo n&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;, discretamente.</i></p>     <p>Acontece. H&#225; pessoas que apoiam &#8220;O Ninho&#8221; fazendo donativos. Houve uma &#250;nica empresa ligada &#224; sa&#250;de, durante tr&#234;s ou quatro anos, que escolheu conceder um donativo a &#8220;O Ninho&#8221;.</p>     <p><i>A n&#237;vel de bens, g&#233;neros?</i></p>     <p>A esse n&#237;vel, recebemos ajuda do Banco Alimentar contra a Fome. Sucedeu tamb&#233;m dar-se o fecho de uma loja cujo dono era do conhecimento de um t&#233;cnico d&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;. Ofereceram-nos roupa nova. Casos como este: dois ou tr&#234;s. Mas mecenato, n&#227;o. Organiz&#225;mos um concerto em 2003 e pedimos apoio aos bancos: apenas um respondeu. Como institui&#231;&#227;o, trabalhando na reintegra&#231;&#227;o da mulher prostitu&#237;da, vamos enfrentando o estigma t&#237;pico. Tamb&#233;m n&#227;o somos uma institui&#231;&#227;o que diz &#8220;sim&#8221; s&#243; para obter o dinheiro. A &#233;tica tem estado presente na nossa interven&#231;&#227;o profissional por ter de estar nas nossas pr&#243;prias vidas.</p>     <p><i>Mas a C</i>&#226;mara <i>Municipal de Lisboa continua a reconhecer &#8220;O Ninho&#8221; disponibilizando-lhe algum apoio institucional?</i></p>     <p>Pessoa muito sens&#237;vel a &#8220;O Ninho&#8221; foi o Dr. Jorge Sampaio, &#224; &#233;poca presidente da C&#226;mara.</p>     <p>O Dr. Jo&#227;o Soares fez um protocolo connosco atrav&#233;s da vereadora do Urbanismo, que se mant&#233;m desde 2001, protocolo este que visa &#8220;em conjuga&#231;&#227;o de esfor&#231;os proporcionar a mulheres acompanhadas a n&#237;vel psicossocial pelo Ninho, um programa de reinser&#231;&#227;o social/forma&#231;&#227;o profissional em contexto laboral, para a concretiza&#231;&#227;o de tarefas espec&#237;ficas com especial relev&#226;ncia na &#225;rea da manuten&#231;&#227;o e conserva&#231;&#227;o de &#225;reas ajardinadas e espa&#231;os verdes da Cidade de Lisboa&#8221;.</p>     <p>As mulheres trabalham integradas nas equipas dos trabalhadores da C&#226;mara, com a farda da C&#226;mara, o que as faz sentirem-se iguais a eles. Estamos j&#225; em 2015 e tem-se mantido o apoio a 12 mulheres, porque o poder local tem tamb&#233;m responsabilidade social para a inclus&#227;o. Tamb&#233;m o Dr. Ant&#243;nio Costa tem tido uma sensibilidade para esta problem&#225;tica. Deu-nos uma casa lind&#237;ssima com todos os requisitos que a Seguran&#231;a Social exige.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>E quantas mulheres conseguem apoiar?</i></p>     <p>A casa tem 17 quartos.</p>     <p><i>Tem quartos para crian&#231;as?</i></p>     <p>Tem quartos para crian&#231;as consoante a sua idade&#8230; consoante as situa&#231;&#245;es que v&#227;o surgindo.</p>     <p><i>&#201; dentro de Lisboa?</i></p>     <p>&#201; em Lisboa, com bons acessos, &#233; tudo muito bom. &#201; propriedade da C&#226;mara, cedida, atrav&#233;s de protocolo, a &#8220;O Ninho&#8221;. Por exemplo, este espa&#231;o da Luciano Cordeiro &#233; da Miseric&#243;rdia; foi cedido a &#8220;O Ninho&#8221; por protocolo.</p>     <p><i>Quantas pessoas, na sua totalidade, trabalham para &#8220;O Ninho&#8221;?</i></p>     <p>Somos 13 t&#233;cnicos, &#233; uma equipa pluridisciplinar, para todos os servi&#231;os d&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;.</p>     <p><i>Ao todo, s&#227;o 13 t&#233;cnicos para Set&#250;bal, Sesimbra e Lisboa?</i></p>     <p>Sim.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>E t&#234;m a ajuda de volunt&#225;rios?</i></p>     <p>Os membros dos corpos gerentes, Mesa da Assembleia-Geral, Direc&#231;&#227;o e Conselho Fiscal s&#227;o todos volunt&#225;rios. &#201; muito dif&#237;cil ter volunt&#225;rios. A maioria destes pretende falar com as mulheres. Mas primeiro h&#225; que ter forma&#231;&#227;o. Ver tamb&#233;m as necessidades da institui&#231;&#227;o. H&#225; que saber se est&#227;o dispon&#237;veis ou n&#227;o para as necessidades da institui&#231;&#227;o.</p>     <p><i>N&#227;o ser&#225; a mesma coisa que ser volunt&#225;rio num hospital&#8230;</i></p>     <p>N&#227;o, n&#227;o &#233;. &#201; um trabalho violento, &#233; violento pelas hist&#243;rias de vida; &#233; violento, mas aprende-se tanta coisa! Tivemos um t&#233;cnico durante ano e meio num projecto: um projecto do Programa Operacional Potencial Humano (POPH). Segundo ele, a sua vida mudou. Ouviu coisas que nunca tinha imaginado; um rapaz com 30 anos. Nunca tinha imaginado que tal viol&#234;ncia acontecesse. At&#233; costumava dizer: &#8220;Ouvi, vi e cheirei.&#8221; Aprende-se muito,&#160; &#233; uma escola.</p>     <p><i>Uma escola dura.</i></p>     <p>&#201; uma escola dura, mas e as pessoas que est&#227;o a sofrer a situa&#231;&#227;o? Como &#233; que elas se sentir&#227;o, se n&#243;s nos sentimos assim?</p>     <p><i>E de entre as mulheres assistidas pel&#8217;&#8220;O Ninho&#8221;, algumas ter&#227;o refeito a sua vida: casamento, fam&#237;lia, filhos, algumas como assistentes sociais?</i></p>     <p>Sim, a maior parte delas reorganiza a sua vida. Casam ou vivem em uni&#227;o de facto, com os seus filhos.</p>     <p><i>E a n&#237;vel profissional&#8230;</i></p>     <p>Passam as mesmas dificuldades, como qualquer trabalhador com um trabalho prec&#225;rio e n&#227;o qualificado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Aqueles, com quem vivem, sabem do passado atribulado?</i></p>     <p>Elas contam a sua hist&#243;ria.</p>     <p><i>Tal homem tem grandeza. Pertence a meio oper&#225;rio ou de servi&#231;os?</i></p>     <p>Pertence, de um modo geral, &#224; mesma classe social das mulheres.</p>     <p><i>Quarenta anos: qual o saldo?</i></p>     <p>Positivo e gratificante.</p>     <p><i>Sai de cora&#231;&#227;o cheio.</i></p>     <p>Longo percurso, com erros cometidos sem d&#250;vida, mas com a aprendizagem proporcionada por esses mesmos erros; com a consci&#234;ncia, muito sinceramente, de que defendi uma causa, com muita sinceridade e com muita coer&#234;ncia, e continuo a defender.</p>     <p><i>E gosta de andar de avi&#227;o?</i></p>     <p>Nem por isso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Valeu a pena a viagem do Atl&#226;ntico?</i></p>     <p>Valeu a pena. Quero acabar com uma frase que as mulheres me pediram para dizer: &#8220;O nosso corpo n&#227;o nos pertence. Pertence &#224; vontade do chulo e ao desejo do cliente.&#8221;</p>     <p><i>Aceite, em nome de &#8220;Faces de Eva&#8221; e em nosso, um muito obrigado!</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ficha t&#233;cnica:</p>     <p>Transcri&#231;&#227;o, realiza&#231;&#227;o e co-edi&#231;&#227;o: Adriana Passarinho e Ana Covita. Foto &#169; por Ana Covita a In&#234;s Fontinha na sede de &#8220;O Ninho&#8221;.</p>      ]]></body>
</article>
