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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Françoise Collin: “je suis une femme, mais je n'est pas une femme”]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text intends to succinctly outline the course of the philosopher Françoise Collin from the differend concept of Lyotard and the uniqueness of their approach and contribution to the introduction of the notion of common world of H. Arendt as well as by the thought of M. Blanchot in the context of contemporary feminism.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p>     <p><font size="4"><b>Fran&#231;oise Collin: &#8220;je suis une femme, mais je n&#8217;est pas une femme&#8221;</b></font><a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></p>     <p><b>Teresa Joaquim</b>*</p>     <p>*Universidade Aberta/CEMRI,      <p><a href="mailto:tjoaquim@uab.pt">tjoaquim@uab.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo pretende fazer de forma sucinta o percurso da fil&#243;sofa Fran&#231;oise Collin, a partir do conceito de diferendo (Lyotard), da singularidade da sua abordagem e do contributo para a introdu&#231;&#227;o da no&#231;&#227;o de mundo comum de H. Arendt, bem como do pensamento de M. Blanchot no contexto do feminismo contempor&#226;neo.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Filosofia, diferendo, feminismo.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This text intends to succinctly outline the course of the philosopher Fran&#231;oise Collin from the differend concept of Lyotard and the uniqueness of their approach and contribution to the introduction of the notion of common world of H. Arendt as well as by the thought of M. Blanchot in the context of contemporary feminism.</p>     <p><b>Keywords</b>: philosophy, differend, feminism.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>( ... ) A semana passada fui a Lausanne fazer uma confer&#234;ncia. ( ... ) um ano antes ( ... ) tinham-me feito verbalmente um convite que aceitei logo sem refletir. Por causa do lago. Falar sobre qu&#234;, falar mais uma vez, vinha por acr&#233;scimo. ( ... ) Um ano passa depressa. Recebi cartas com o programa, a pedir um t&#237;tulo, um resumo, a hora de chegada, garantindo-me a reserva dum quarto de hotel. H&#225; assim na vida intelectual uma parte de log&#237;stica t&#227;o pesada como nos trabalhos dom&#233;sticos. N&#227;o se trata s&#243; de pensar: &#233; preciso tamb&#233;m organizar-se, preencher formul&#225;rios, responder &#224; correspond&#234;ncia. O que fora um devaneio transformava-se em projeto, e o projeto traduzia-se em tarefas. Pensar, isto &#233;, imaginar, seduz-me sempre. ( ... ) Para merecer o meu lago, eu tinha de ordenar o pensamento em ideias, e encade&#225;-las. ( ... ). Chove no meu lago e a bruma obscurece o horizonte ( ... ) apanho um autocarro de que sou a &#250;nica utente para subir at&#233; ao Palais Beaulieu em frente do qual fica o Museu de Arte Bruta. ( ... ) Era aqui, sem que eu soubesse, que o <i>rendez vous</i> estava marcado ( ... ) objetos elaborados por desconhecidos ignorantes do que se nomeia arte e sustendo-se da sua &#250;nica puls&#227;o. ( ... ) A sua necessidade foi exclusivamente interior. Nenhuma precipita&#231;&#227;o, nenhuma finalidade. (Collin, 1999a, pp. 54-57)</p>     <p>Come&#231;o por tra&#231;ar o percurso da fil&#243;sofa Fran&#231;oise Collin com o texto &#8220;A<i> </i>que integra o livro <i>Je partirais d&#8217;un mot</i>, escrito em 1999. Este longo excerto descreve e desenha a resposta a um convite de um grupo de professoras da Universidade de Lausanne, e d&#225; a ver uma mescla de tarefas duma intelectual na prepara&#231;&#227;o de uma confer&#234;ncia e o modo como esse convite &#233; aceite por ela &#8220;por causa do meu lago&#8221; e como &#8220;o que fora um devaneio se transformou num projeto&#8221;; aceitar o convite tamb&#233;m porque &#8220;pensar, imaginar, seduz-me sempre&#8221;. Ir &#8220;por causa do meu lago&#8221; (Lausanne) e o que esse ir implica na tarefa do pensamento e na sua apresenta&#231;&#227;o em p&#250;blico: o expor-se (em p&#250;blico) e o ser desabitada na comunica&#231;&#227;o, o ser-se despojada das palavras antes de serem proferidas e a ang&#250;stia do <i>antes</i> da exposi&#231;&#227;o ao p&#250;blico que vai (des)habitar as palavras conhecidas. Depois, ainda o lago, o cinzento do dia e, em contraponto a essa viagem de uma intelectual e a sua exposi&#231;&#227;o p&#250;blica, o desejo de querer dar nome, voz (do feminismo, etc.) aos/&#224;s que n&#227;o t&#234;m voz nem nome, ao visitar o Museu da Arte Bruta, e o choque que isso lhe provoca e que a faz dizer de si pr&#243;pria nesse contraponto de imagens que fazem/fizeram dela o que &#233;: &#8220;filha dos que s&#227;o nomeados, t&#234;m nome, mas sou tamb&#233;m filha dos sem nome?&#8221; (p. 63).</p>     <p>Ou ainda esta interroga&#231;&#227;o no mesmo texto. &#8220;Todas as certezas vacilando, eu interrogo-me o que &#233; que inspirou o meu feminismo ( ... )? O que &#233; que me determinou a juntar-me, eu solit&#225;ria, ao que se desenhava no espa&#231;o comum que as palavras <i>mulher</i> e <i>feminino</i> faziam ressoar? O fasc&#237;nio do an-hist&#243;rico pelo qual eu refazia a raiz com a minha origem materna? Ou antes a vontade de abrir a hist&#243;ria a quem dela tinha sido exclu&#237;da? Fundir-me no sil&#234;ncio ou antes dar a palavra ao que me atra&#237;a? De modo que na luta travada para tomar um local (place), resistiu sempre a certeza &#237;ntima, irrazo&#225;vel, de que o lugar (lieu) est&#225; fora deste local (place), excedendo-o sempre&#8221; (Collin, 1999a, pp. 58-59).</p>     <p>Fran&#231;oise Collin, escritora e fil&#243;sofa, nasceu na B&#233;lgica em 1928 e morreu em Bruxelas no dia 1 de Setembro de 2012. Viveu em Paris desde 1982, cidade que ela retrata no livro <i>On dirait une ville, </i>2008<i>. </i>As suas primeiras publica&#231;&#245;es foram romances &#8211; <i>Le Jour fabuleux</i>, 1960, e <i>Rose qui peut</i>, 1961 &#8211;, s&#243; mais tarde editando a sua tese de doutoramento <i>Maurice Blanchot ou la question de l&#8217;&#233;criture</i> (1971). Este in&#237;cio revela o seu constante questionamento entre a literatura e a filosofia sobre as possibilidades da escrita depois da cat&#225;strofe, segundo Blanchot, um pensador que ser&#225; determinante no percurso do pensamento de Collin. Nesse sentido, este percurso, que n&#227;o sei se se pode designar <i>entre</i> mas <i>com</i> filosofia e literatura (no sentido deleuziano), permitiu-lhe esta constante <i>contamina&#231;&#227;o</i> entre mundos diversos e n&#227;o estanques, entre Arte, Escrita, Literatura e Filosofia.</p>     <p>Ap&#243;s a publica&#231;&#227;o da sua tese de doutoramento, Collin &#233; obrigada a deixar a Universidade (Saint Louis, em Bruxelas) e, em 1983, depois de uma viagem a Nova Iorque e da emo&#231;&#227;o que lhe provocou o movimento feminista nos Estados Unidos, funda com Jacqueline Aubenas a primeira revista feminista em l&#237;ngua francesa, <i>Les Cahiers du Grif </i>(1973-1997). Tal como afirmou na homenagem a Marcelle Marini sobre a colabora&#231;&#227;o desta na revista, <i>Les Cahiers du Grif </i>&#8220;s&#243; se manteve pela for&#231;a e generosidade daquelas que, como Marcelle, aceitaram partilhar ativamente a aventura. Era preciso certamente (algo) comum. Mas era o comum de um p&#244;r em comum que nunca fazia Um. Uma vontade de fazer um mundo&#8221; (Collin, 2007, p. 227).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&#233;m deste trabalho incessante relacionado com os <i>Cahiers du Grif</i>, organizou colet&#226;neas de textos, devendo ser referido em particular <i>Les Femmes, de Platon &#224; Derrida. Anthologie critique</i>, com Evelyne Pisier e Eleni Varikas, (2011) e <i>Repenser le politique. </i><i>L&#8217;apport du f&#233;minisme americain</i>, com Pen&#233;lope Deutscher (2005).</p>     <p>Abertura &#224; pluralidade do pensamento. Abertura em muitos dos dossi&#234;s que integraram alguns n&#250;meros dos <i>Cahiers</i>; pela primeira vez, em contexto franc&#243;fono, foram abordados autoras/es que hoje s&#227;o amplamente citadas/os e revisitadas/os, como por exemplo Hannah Arendt e Georges Simmel, ou quest&#245;es como a do g&#233;nero na hist&#243;ria, ou das africanas, ou do corpo, etc. Houve sempre esse duplo movimento de inova&#231;&#227;o e (na) tradi&#231;&#227;o, marca tamb&#233;m da quest&#227;o da heran&#231;a, bem como do pensamento de Hannah Arendt, a saber, a de <i>uma heran&#231;a sem testamento</i>. Escolhas n&#227;o marcadas por quest&#245;es meramente ideol&#243;gicas que funcionam no inquestionamento de autores/as que n&#227;o eram escolhidos/as pelas suas credenciais feministas mas pelo seu modo de provocar <i>initium</i>.</p>     <p>Nesse sentido dir-se-ia que as/os autoras/es que ela escolheu para os <i>Cahiers</i> n&#227;o poderiam ser designadas/os/nomeadas/os como feministas, como a polit&#243;loga (na sua pr&#243;pria designa&#231;&#227;o) Hannah Arendt, mas essa escolha permitiu-lhe repensar ou reelaborar <i>categorias filos&#243;ficas</i>,<i> </i>nomeadamente a de <i>natalidade</i> (n&#227;o como categoria demogr&#225;fica) em termos de fundamento de comunidade e sobretudo como um tema marginal na hist&#243;ria do pensamento filos&#243;fico. Na verdade este pensamento debru&#231;ou-se (quase sempre) sobre a mortalidade, a finitude e o &#8220;ser para a morte&#8221; como enigma, limite, a qual, na obra de Blanchot, &#8220;esteve sempre presente sob a forma de uma exig&#234;ncia silenciosa, impedindo a palavra de sucumbir ( ... ) &#224; tenta&#231;&#227;o da ideologia&#8221; (referindo a injun&#231;&#227;o de Blanchot: &#8220;dizer o poss&#237;vel, responder pelo imposs&#237;vel&#8221;). Sobre a rela&#231;&#227;o que manteve com Blanchot e Arendt, Collin dir&#225; ainda: &#8220;( ... ) talvez seja passagem do morrer ao nascer. Blanchot descreve a escrita (&#233;criture) como rela&#231;&#227;o ao morrer, ao imposs&#237;vel (enquanto) Arendt &#233; a rela&#231;&#227;o ao nascer, rela&#231;&#227;o ao poss&#237;vel, ao come&#231;o&#8221; (Collin, 1999a, p. 142).</p>     <p>Deste modo, a quest&#227;o que Fran&#231;oise Collin elaborou no &#226;mbito filos&#243;fico e a partir do movimento feminista ou no movimento  feminista a partir da filosofia (se estes movimentos se podem dissociar) foi a reavalia&#231;&#227;o do lugar das mulheres no contexto do mundo  comum, na sua pluralidade e na sua constante deslocaliza&#231;&#227;o, porque marcado pelo sopro, esp&#237;rito de inven&#231;&#227;o, de  transgress&#227;o, de <i>initium</i> (que a no&#231;&#227;o arendtiana de natalidade tamb&#233;m sup&#245;e). Para ela, o feminismo era um sonho de  justi&#231;a e nesse sentido questionava o mundo comum na reestrutura&#231;&#227;o fundamental das rela&#231;&#245;es entre homens e mulheres. Na  sua defini&#231;&#227;o de feminismo &#8211; que n&#227;o me canso de citar, e que integra, n&#227;o por acaso, o texto &#8220;Textualidade da  libera&#231;&#227;o, liberdade do texto&#8221;:o feminismo ( ... ) &#233; um texto que se desenvolve, n&#227;o uma tese. &#201; uma linha mel&#243;dica, n&#227;o uma marcha militar. &#201; uma inspira&#231;&#227;o, a inspira&#231;&#227;o de um sopro. (Collin, 1994, p. 149)</p>     <p>O feminismo &#233; o primeiro movimento a colocar a quest&#227;o pol&#237;tica por excel&#234;ncia, a aus&#234;ncia de direitos num Estado de direito. Falar da defini&#231;&#227;o pol&#237;tica do feminismo ( ... ) &#233; reivindicar e realizar a abertura de um espa&#231;o p&#250;blico, de um mundo comum &#8211; espa&#231;o p&#250;blico e mundo comum das mulheres, mas tamb&#233;m acesso ao mundo comum em sentido lato. O feminismo &#233; o direito &#224; palavra pol&#237;tica e a coragem da palavra p&#250;blica. (Collin,1986, p. 21)</p>     <p>A sua leitura do movimento feminista como liberdade, em contraponto &#224; mobiliza&#231;&#227;o ideol&#243;gica (por exemplo), levou-a a estar aberta ao &#8216;ir&#8217; ao encontro de outros contextos culturais. O seu pensamento foi fundamental para situar o feminismo no &#8220;mundo comum&#8221;, ao mesmo tempo que punha em quest&#227;o o que, do ponto de vista do trabalho te&#243;rico sobre as mulheres e o g&#233;nero, poderia haver como perca de inova&#231;&#227;o. No seu texto sobre a hist&#243;ria das mulheres, questionava a no&#231;&#227;o de <i>deslocamento</i> ou o modo de fazer hist&#243;ria a partir dos c&#226;nones existentes, predominantemente masculinos, isto &#233;, marcados pelo dom&#237;nio do vis&#237;vel (cf. Joaquim, 2008, p. 99-111). H&#225; em mais do que um texto de Fran&#231;oise Collin a refer&#234;ncia &#224; no&#231;&#227;o de marca e tra&#231;o (cf., in Birules, 1995, o texto &#8220;Hist&#243;ria e mem&#243;ria ou a marca e o tra&#231;o&#8221;), onde debate as formas de inscri&#231;&#227;o e de reconhecimento e, em particular, a hist&#243;ria das mulheres, a conce&#231;&#227;o do ser humano que nela pode estar impl&#237;cita &#8211; a saber, o humano com a sua capacidade de agir, de fazer, de erigir, de certo modo a capacidade de deixar tra&#231;os. A hist&#243;ria das mulheres &#233; e tem sido sobretudo essa tentativa de fazer com que essas marcas se tornem tra&#231;os, escrita, documentos. Tarefa de tornar vis&#237;veis esferas de vida, de grupos, de pr&#225;ticas, de artes, que ficaram desconhecidas, sem registo, sem assinatura, sem nomes nem rostos pr&#243;prios. A sua exist&#234;ncia &#8211; porque elas eram, existiram &#8211; era marcada pela insignific&#226;ncia. O que leva a pensar n&#227;o tanto sobre a invisibilidade mas sobre as formas que tomou essa invisibilidade ou essa visibilidade marginal, menor, como que tendo ficado numa zona menos iluminada. Deste modo, o que caracteriza o trabalho das hist&#243;rias das mulheres &#233; reconstituir &#8220;genealogias do feminino&#8221; (cf. texto de Collin &#8220;Un h&#233;ritage sans testament&#8221;, 1992), que se tecem portanto na constru&#231;&#227;o de linhagens vis&#237;veis; certamente que a invisibilidade que as fez, as constituiu, &#233; ela tamb&#233;m parte integrante dessa hist&#243;ria, como um jogo entre formas diversas de visibilidade e invisibilidade.</p>     <p>H&#225; pois na obra de F. Collin a aten&#231;&#227;o &#224; &#8220; pura perda&#8221; do que n&#227;o &#233; do dom&#237;nio do vis&#237;vel mas que atravessa o seu pensamento filos&#243;fico. Da&#237; tamb&#233;m a forma como ela trabalhou o conceito de diferendo, do diferir, do que constantemente se elabora na diferen&#231;a, embora essa elabora&#231;&#227;o te&#243;rica e pr&#225;tica (praxis) se fecunde na articula&#231;&#227;o entre &#8220;o po&#233;tico e o pol&#237;tico&#8221;, entre o que se sabe e o que excede o lugar, que &#233; irrepresent&#225;vel. &#201; pois esse gesto entre o represent&#225;vel e a sua impossibilidade que provoca e tra&#231;a uma obra e a sua abertura ao mundo comum. No pensamento arendtiano (que atravessa o trabalho de Collin), este gesto &#233; marcado pelo<i> initium </i>que cada novo ser nele inaugura; deste modo, marca qualquer movimento, seja ele de cariz feminista ou outro, com a sua marca de inova&#231;&#227;o e tamb&#233;m questiona a partir do seu interior a necessidade institucional de cada movimento em que se apaga muitas vezes esse in&#237;cio, come&#231;o como um sopro/esp&#237;rito/ pensamento (como na sua defini&#231;&#227;o de feminismo anteriormente citada) que modifica o contexto e a sua paisagem.</p>     <p>Em 1999, Collin publicou o bel&#237;ssimo livro sobre Hannah Arendt, <i>L&#8217;Homme est-il devenu superflu?</i>, onde dir&#225; a leitura de Arendt permitiu-me pensar melhor a experi&#234;ncia pol&#237;tica &#8211; o meu itiner&#225;rio pol&#237;tico, porque para mim o feminismo &#233; um itiner&#225;rio pol&#237;tico &#8211; duma maneira que n&#227;o procede da mobiliza&#231;&#227;o mas da liberdade. (1999a: 148)</p>     <p>Tanto Blanchot como Arendt s&#227;o sobreviventes, e assim a autora formula esta interroga&#231;&#227;o:</p>     <p>J&#225; que somos sobreviventes, como viver em conjunto ou mais precisamente em que condi&#231;&#245;es &#233; ainda poss&#237;vel um mundo comum? ( ... ) A pr&#243;pria experi&#234;ncia da alteridade, pluralidade, altera&#231;&#227;o do sujeito. (Collin, 1999b, p. 143)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos seus textos h&#225; uma dissemina&#231;&#227;o de conceitos, de obras, de pensadores que foram centrais para ela no seu pensamento (para al&#233;m dos referidos, tamb&#233;m Merleau Ponty, L&#233;vinas e o di&#225;logo com a obra de Simone de Beauvoir) e que lhe permitiram uma abordagem <i>singular</i> das quest&#245;es, nomeadamente, a recusa de qualquer posi&#231;&#227;o dogm&#225;tica ou, como disse Rosa Braidotti, uma &#8220;eleg&#226;ncia legend&#225;ria na forma de pensar&#8221; (2003, p.<i> </i>35) a partir da filosofia quebrando um quadro fixo de interpreta&#231;&#227;o numa clausura do mesmo &#8230; como se houvesse sempre algo mais em que se alia o nomadismo das quest&#245;es e o quadro do pensamento e das formas que o buscam.</p>     <p>Ora, esta forma de recusa de qualquer posi&#231;&#227;o dogm&#225;tica leva a uma quest&#227;o sempre debatida, em particular no contexto  cultural franc&#234;s, sobre a <i>diferen&#231;a</i> e a <i>igualdade</i>. Debate que Collin retra&#231;a de forma sucinta num texto publicado em  portugu&#234;s, &#8220;O feminismo na filosofia p&#243;s-metaf&#237;sica&#8221; (2010), em que n&#227;o se situa em nenhuma destas correntes,  preferindo fugir a uma posi&#231;&#227;o essencialista de cada uma destas posi&#231;&#245;es ou n&#227;o as analisar na sua oposi&#231;&#227;o,  convocando o conceito de <i>diferendo</i> elaborado por Fran&#231;ois Lyotard: o diferendo &#233; o estado inst&#225;vel e o instante da linguagem em que alguma coisa deve poder ser posta em frases e ainda o n&#227;o pode ser ( ... ). &#201; preciso procurar novas regras de forma&#231;&#227;o e de encadeamento de frases capazes de exprimir o diferendo que trai o sentimento de n&#227;o querermos que este diferendo seja imediatamente abafado no lit&#237;gio. (citado in Collin, 1999, p. 10)</p>     <p>Iremos centrar-nos, de modo mais particular, nesta quest&#227;o &#8211; do diferendo &#8211;, porque &#233; ela que d&#225; a ver o pr&#243;prio movimento do pensamento de Fran&#231;oise Collin na sua estrat&#233;gia de abordagem tanto das quest&#245;es filos&#243;ficas do passado como dos debates contempor&#226;neos em que ela participou, por exemplo, sobre a paridade. A quest&#227;o do diferendo, elaborada a partir da defini&#231;&#227;o do fil&#243;sofo Fran&#231;ois Lyotard, foi tratada por ela em v&#225;rios textos, conforme refere na nota do texto em portugu&#234;s &#8220;O feminino na filosofia p&#243;s-metaf&#237;sica&#8221; (in Joaquim, 2010). &#201; o caso da obra <i>Le Diff&#233;rend des sexes &#8211; de Platon &#224; la parit&#233; </i>(1999c). Num texto anterior a este e publicado em portugu&#234;s, &#8220;Diferen&#231;a e diferendo. A quest&#227;o das mulheres em filosofia&#8221; (1995) (que integra o volume V dedicado ao s&#233;culo XX da <i>Hist&#243;ria das Mulheres no Ocidente</i>), ela afirma: &#8220;o fil&#243;sofo n&#227;o se interroga sobre o masculino, sobre os homens, mas sobre o feminino, sobre as mulheres: &#233; indiretamente, nesse espelho, que ele trai a posi&#231;&#227;o sexuada do sujeito pensante, sem todavia a problematizar como tal&#8221; (2010, p. 17). Talvez porque esteja inscrito esse longo invariante masculino como representante do universal, n&#227;o deixando de ser problem&#225;tico este n&#227;o questionamento que se inscreve nesta &#8220;metaf&#237;sica dos sexos&#8221;.</p>     <p>Esta longa abordagem da &#8220;quest&#227;o das mulheres&#8221; pelos fil&#243;sofos constitui a antologia que Collin organizou com Eleni Verikas, em 2000, <i>Les Femmes de Platon &#224; Derrida. Anthologie critique</i>. No texto &#8220;Diferen&#231;a e diferendo&#8221;, a autora retrata a modernidade, o movimento que designa como <i>metaf&#237;sica dos sexos</i> e na qual est&#225; consignada a inferioridade das mulheres: &#8220;&#201; t&#227;o dif&#237;cil admitir que a diferen&#231;a dos sexos &#233; um puro produto da opress&#227;o que n&#227;o deixaria vest&#237;gios se desaparecesse como considerar que existe um territ&#243;rio feminino de algum modo aut&#234;ntico, puro de qualquer interfer&#234;ncia f&#225;lica&#8221; (Collin, 1995a, p. 34).</p>     <p>Poder-se-&#225; dizer que as correntes em contraponto nos anos 60 e 70 do s&#233;culo XX, a diferencialista e a igualitarista, s&#227;o herdeiras de debates intelectuais marcados nomeadamente por fil&#243;sofos como Poullain de la Barre, Rousseau e Condorcet, debates marcados pela quest&#227;o de saber se a raz&#227;o &#233; ou n&#227;o marcada pela diferen&#231;a sexual : ou a raz&#227;o &#233; una mas n&#227;o cindida pela diferen&#231;a sexual, e ent&#227;o todos/as t&#234;m as mesmas capacidades de pensamento e de a&#231;&#227;o e as mesmas possibilidades tanto na esfera p&#250;blica como na esfera privada; ou a raz&#227;o &#233; una mas cindida pela diferen&#231;a sexual e, nesse sentido, foi historicamente atribu&#237;da &#224;s mulheres uma raz&#227;o diversa, isto &#233;, uma <i>raz&#227;o pr&#225;tica </i>que n&#227;o cria princ&#237;pios e que foi definida como tendo uma menor capacidade de abstra&#231;&#227;o. No seu texto <i>Le philosophe travesti ou le f&#233;minin sans les femmes</i> (1993, 1.&#170; ed., p. 2), Collin caracteriza estas posi&#231;&#245;es: as essencialistas, que na atualidade defendem que &#8220;a ultrapassagem da domina&#231;&#227;o deve deixar subsistir a diferen&#231;a dos sexos, refor&#231;ando o contributo do feminino pr&#243;prio das mulheres ( ... ) e as racionalistas ( ... ) (que defendem que) a ultrapassagem da domina&#231;&#227;o ser&#225; ao mesmo tempo a extin&#231;&#227;o da diferen&#231;a&#8221;. Antes ela dir&#225; neste mesmo texto, que na &#8220;metaf&#237;sica dos sexos, em que os homens s&#227;o os representantes do universal e as mulheres do particular ( ... ), a diferen&#231;a &#233; sempre pensada na desigualdade.&#8221; (ibidem, pp. 1, 2).</p>     <p>Na cr&#237;tica a esta &#8220;metaf&#237;sica dos sexos&#8221;, a autora far&#225; refer&#234;ncia &#224; obra de fil&#243;sofos como Derrida e Deleuze (como p&#243;s-metaf&#237;sicos?), num movimento de apologia do feminino que abrange ambos os sexos. O movimento designado como <i>devir mulher</i> do pensamento, utilizando a designa&#231;&#227;o de Deleuze, rompe com a oposi&#231;&#227;o entre masculino e feminino a partir da no&#231;&#227;o de desconstru&#231;&#227;o de Derrida. &#8220;Entre os sexos h&#225; rutura que n&#227;o produz separa&#231;&#227;o ou que produz separa&#231;&#227;o produzindo ao mesmo tempo repara&#231;&#227;o&#8221; (Collin, 1995a, p. 335).</p>     <p>A autora concorda com este movimento de desconstru&#231;&#227;o, no entanto permanece para ela a interroga&#231;&#227;o de saber se este &#233; &#8220;um feminino sem mulheres&#8221;, algo que ela designa como antifeminismo na filosofia contempor&#226;nea: &#8220;Um antifeminismo mais subtil que evita interrogar-se sobre a sua dualiza&#231;&#227;o hier&#225;rquica efetiva e sobre as estrat&#233;gias da sua ultrapassagem&#8221; (Collin, 1993, p. 6). Sobre esta posi&#231;&#227;o de Derrida, refere ainda, no mesmo texto, a &#8220;dificuldade de tomar em conta a dimens&#227;o do pol&#237;tico no pensamento da diferen&#231;a&#8221; (<i>ibidem</i>, p. 7, nota 11). Isto &#233;, se aparentemente deixa de haver um discurso antifeminista na abordagem da &#8220;quest&#227;o das mulheres&#8221;, como existiu de formas diversas ao longo da hist&#243;ria da filosofia, e se aparece no contexto filos&#243;fico contempor&#226;neo a positividade do feminino na filosofia, essa leitura faz-se a partir de um descentramento que n&#227;o tem em conta, ou antes, apaga, tamb&#233;m a exist&#234;ncia ou a &#8220;( ... ) situa&#231;&#227;o concreta do que &#233; nascer homem e mulher, mesmo no mundo ocidental, (que) n&#227;o d&#225; as mesmas hip&#243;teses de determina&#231;&#227;o do mundo comum; (a leitura) ilude pois a dissimetria dos grupos sexuados que se encontram e afrontam no real&#8221; (Collin, 2010, pp. 24-25). Podemos ainda interrogarmo-nos se esta elabora&#231;&#227;o do devir feminino na filosofia &#233; apenas um gesto de desconstru&#231;&#227;o da metafisica e se poderia ser visto como sendo parte integrante do percurso do pensamento filos&#243;fico ocidental e de um <i>logos</i> que recalcou o feminino, o sens&#237;vel; seria, pois, um feminino descorporizado do corpo politico e do pensamento.</p>     <p>Collin contrap&#245;e assim a uma &#8220;metaf&#237;sica dos sexos&#8221; uma <i>praxis dos sexos</i>: &#8220;A verdade dos sexos deixou de ser identific&#225;vel. N&#227;o decorre nem de um facto secular, nem de uma representa&#231;&#227;o que seria dada <i>a priori</i>, em nome de uma teoria ou da utopia: a verdade dos sexos n&#227;o &#233; represent&#225;vel. Mas est&#225; daqui em diante em movimento. Ela &#233; a&#231;&#227;o.<i> A diferen&#231;a dos sexos tornou-se uma praxis.</i> <i>Uma praxis do irrepresent&#225;vel</i>. Nada est&#225; j&#225; dito do que ser&#225;&#8221; (Collin, 1999c, p. 59).</p>     <p>Apesar das leis, o diferendo dos sexos permanece em jogo e deve ser falado em comum. Ousar-se-ia mesmo dizer que, talvez, pela primeira vez na hist&#243;ria, &#233; aos homens que cabe responder a um debate que as mulheres iniciaram. Porque elas n&#227;o reivindicam apenas tal ou tal direito pontual, mas anunciam uma transforma&#231;&#227;o profunda das rela&#231;&#245;es seculares entre os sexos. Neste assunto s&#227;o elas que tomam a palavra (<i>ibidem</i>).</p>     <p>Nestas dimens&#245;es reencontramos as poss&#237;veis e incertas &#8220;determina&#231;&#245;es no mundo comum&#8221; que se desenham no pensamento de Collin a partir da no&#231;&#227;o de diferendo de Lyotard &#8211; &#8220;dizer o que &#233; um homem, o que &#233; uma mulher, &#233; tamb&#233;m sempre <i>deslocar os termos</i> e o sentido numa pr&#225;tica privada ou p&#250;blica como numa pr&#225;tica te&#243;rica&#8221; (Collin, 2010, p. 25), no sentido em que a determina&#231;&#227;o de cada sexo est&#225; sempre aberta a cada momento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No fio desta no&#231;&#227;o de diferendo, o modo como este se inscreve na estrat&#233;gia filos&#243;fica de Collin conduz a uma quest&#227;o pregnante para as quest&#245;es sobre o conceito anal&#237;tico de g&#233;nero. Este conceito tem permitido leituras que seriam mais pr&#243;ximas de um devir feminino na filosofia, eliminando a quest&#227;o da diferen&#231;a sexual, das mulheres e dos homens. Parece-me que a no&#231;&#227;o de diferendo na obra de Collin admite fazer uma leitura das m&#250;ltiplas varia&#231;&#245;es do masculino e do feminino sem perder a sua contextualiza&#231;&#227;o no e com o mundo comum, a partir de uma perspetiva te&#243;rica inscrita numa <i>praxis dos sexos</i> que, em cada momento, requer uma leitura pol&#237;tica dos mesmos. Permite tamb&#233;m a positividade de uma leitura sobre a multiplicidade dos sexos, n&#227;o os restringindo em dicotomia, mas tornando-os plurais, sem os descontextualizar. Esta leitura &#233; diferente da que do ponto de vista te&#243;rico e pol&#237;tico considera que &#233; ultrapassado falar de &#8220;quest&#245;es das mulheres&#8221; (como por exemplo na obra de Fran&#231;oise Collin) e do esquecimento ou apagamento do acesso (dif&#237;cil ainda) ao mundo comum. &#201; um discurso que reduz as pr&#225;ticas a jogos performativos e de sexualidades em formas incorporais, sem aten&#231;&#227;o ao pol&#237;tico que as marca e enforma. Por isso, estas quest&#245;es das mulheres continuam a ter pertin&#234;ncia, em particular, na reformula&#231;&#227;o do mundo comum, que se traduz e baseia por vezes numa leitura simplista, por exemplo, da obra de Judith Butler. Collin desconstruiu de forma brilhante as&#160; no&#231;&#245;es de g&#233;nero como performatividade na confer&#234;ncia que proferiu em Lisboa (2015), inscrevendo as quest&#245;es do g&#233;nero em corpos palp&#225;veis na busca do que ela interroga, por exemplo, no texto &#8220;O que &#233; uma vida boa?&#8221; ou nesta conversa:</p>     <p>Quando fal&#225;mos sobre o campo da inteligibilidade de g&#233;nero, est&#225;vamos falando sobre institui&#231;&#245;es, categorias e linguagens existentes que podem fazer com que o g&#233;nero tenha sentido. O reconhecimento &#233; uma rela&#231;&#227;o intersubjectiva e, para um indiv&#237;duo reconhecer outro, ele tem que recorrer a campos existentes de inteligibilidade ( ... ). Invocamos campos de inteligibilidade quando reconhecemos outros, mas tamb&#233;m podemos retrabalh&#225;-los ou resistir a eles no curso de novas pr&#225;ticas de reconhecimento. (Knudsen, 2010, p. 167)</p>     <p>Significa pois que temos de seguir um trabalho duplo de desconstru&#231;&#227;o da chamada metaf&#237;sica dos sexos e de elabora&#231;&#227;o de <i>praxis </i>inovadoras em que &#8220;je suis une femme et je n&#8217;est pas une femme&#8221;. Isso significa tamb&#233;m que, nas suas palavras, enquanto intelectuais teremos de &#8220;deslocar pacientemente os fios do saber e do pensamento&#8221;. Desfazer os fios do pensamento evoca a imagem que H. Arendt tinha do pensamento como algo que se vai tecendo; do mesmo modo, este texto, quase no final, retoma a cita&#231;&#227;o inicial do desejo do lago de Lausanne por Collin, da desloca&#231;&#227;o do espa&#231;o, de criar um mundo comum entre a partilha do pensamento e o choque dos sem nome do Museu de Arte Bruta. E &#233; nesse confronto com o inomin&#225;vel que ela formula o seu pensamento de uma forma singular, que nos convida a ir tamb&#233;m &#8220;em dire&#231;&#227;o do desconhecido&#8221;.</p>     <p>A articula&#231;&#227;o complexa entre po&#233;tico e pol&#237;tico &#233; mesmo talvez o suporte permanente da minha reflex&#227;o. Se h&#225; tens&#227;o entre estas duas dimens&#245;es da experi&#234;ncia humana, h&#225; tamb&#233;m rela&#231;&#227;o na medida em que n&#227;o pode haver modifica&#231;&#227;o pol&#237;tica (nas rela&#231;&#245;es de sexo) sem modifica&#231;&#227;o simb&#243;lica, a qual n&#227;o &#233; redut&#237;vel &#224; pontualidade de leis ou de medidas sociais. A mudan&#231;a busca-se mas n&#227;o obedece ao comando. Foi na minha reflex&#227;o sobre a escrita que aprendi o que continuo a chamar &#8216;ir em dire&#231;&#227;o do desconhecido&#8217;. (Entrevista com Fl. Rochefort e D. Haase-Dubosc, 2001)</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Texto que parte da apresenta&#231;&#227;o que fiz da obra de Fr. Collin na sess&#227;o da Universidade Feminista de 20 de mar&#231;o de 2014 sobre o <i>Pensamento de feministas que marcam os tempos. Fran&#231;oi</i>s<i>e Collin, Judith Butler e Susan Faludi</i>,<i> </i>com L&#237;gia Am&#226;ncio e Jo&#227;o Manuel Oliveira. Aqui ficam de novo os meus agradecimentos a esta iniciativa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Birules, F. (1995). <i>El genero de la memoria.</i> Barcelona: Editorial Pamiela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836044&pid=S0874-6885201600020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Braidotti, R. (2003). Les sujets nomades f&#233;ministes comme figures des multitudes. In: Multitudes 12. Majeure 12: f&#233;minismes, queer, multitudes, 2003, pp. 27-38. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.multitudes.net/Les-sujets-nomades-feministes/" target="_blank">http://www.multitudes.net/Les-sujets-nomades-feministes/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Collin, F. (1971). <i>Maurice Blanchot et la question de l&#8217;&#233;criture</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836047&pid=S0874-6885201600020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Collin, F. (1986). Du priv&#233; et du public.<i> Les Cahiers du Grif, </i><i>33</i>, 47-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836049&pid=S0874-6885201600020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Collin, F. (1986). Un h&#233;ritage sans testament: Les enfants des femmes. <i>Cahiers du Grif,</i> <i>33</i>, 145-151.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836051&pid=S0874-6885201600020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Collin, F. (1993). <i>Le Philosophe travesti ou le f&#233;minin sans les femmes</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www2.univ-paris8.fr/RING/IMG/pdf/Francoise_Collin_Le_philosophe_travesti_ou_le_feminin_sans_les_femmes.pdf" target="_blank">http://www2.univ-paris8.fr/RING/IMG/pdf/Francoise_Collin_Le_philosophe_travesti_ou_le_feminin_sans_les_femmes.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836053&pid=S0874-6885201600020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (1994). Textualidade da libera&#231;&#227;o: Liberdade do texto. <i>Estudos</i> <i>F</i><i>eministas, </i>2.&#186; <i>semestre</i>,142-150. Dispon&#237;vel em <a href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/viewFile/16100/14644"target="_blank">https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/viewFile/16100/14644</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836055&pid=S0874-6885201600020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Collin, F. (1995a). Diferen&#231;a e diferendo. A quest&#227;o das mulheres na filosofia. In G. Duby &amp; M. Perrot (Eds.), <i>Hist&#243;ria das mulheres</i>, <i>V</i>, (pp. 315-349). Porto: Afrontamento. </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (1995b). Historia y memoria o la marca y la huella. In F. Birules (Org.). <i>El genero de la memoria</i>, (pp. 155-171). Barcelona: Editorial Pamiela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836058&pid=S0874-6885201600020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (1999a). <i>Je partirais d&#8217;un mot. Le champ symbolique</i>. Paris: Fus-Art.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836060&pid=S0874-6885201600020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (1999b). <i>L&#8217;Homme est-il devenu superflu? Hannah Arendt</i>. Paris: Odile Jacob.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836062&pid=S0874-6885201600020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (1999c). <i>Le Diff&#233;rend des sexes, de Platon &#224; la parit&#233;</i>. Paris: Pleins feux.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836064&pid=S0874-6885201600020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F.; Pisier, &#201;. &amp; Varikas, E. (2000). <i>Les Femmes de Platon &#224; Derrida</i>. Paris: Plon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836066&pid=S0874-6885201600020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. &amp; Kaufer, I. (2005). <i>Parcours f&#233;ministe (entretiens avec Ir&#232;ne Kaufer)</i>. Bruxelas: Labor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836068&pid=S0874-6885201600020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (2007). Hommage &#224; Marcelle Marini. Clio. Femmes, Genre, Histoire, <i>26,</i> 227-229. Dispon&#237;vel em <a href="http://http://clio.revues.org/6863" target="_blank">http://clio.revues.org/6863</a>&nbsp;; DOI&nbsp;: 10.4000/clio.6863.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836070&pid=S0874-6885201600020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (2008a). Estes estudos que n&#227;o s&#227;o tudo. Fecundidade e limites dos estudos feministas. In Joaquim, T.; Couto, G.; Crespo, A. I.; Cruz, I. &amp; Ferreira, A. M. (Orgs.) <i>Varia&#231;&#245;es sobre sexo e g&#233;nero</i>, (pp. 35-48). Lisboa&nbsp;: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836072&pid=S0874-6885201600020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (2008b). <i>On dirait une ville</i>. Paris: &#201;ditions des Femmes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836074&pid=S0874-6885201600020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Collin, F. (2010). 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P. da S. (2010). Conversando sobre psican&#225;lise: entrevista com Judith Butler. <i>Revista de Estudos Feministas, 18,</i> (1), 161-170.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836084&pid=S0874-6885201600020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Lamoureux, D. (2010). <i>Pens&#233;es rebelles: Autour de Rosa Luxembourg, Hannah Arendt et Fran&#231;oise Collin</i>. Montreal: Ed. du Remue-m&#233;nage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836086&pid=S0874-6885201600020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Rochefort, F. &amp; Haase-Dubosc, D. (2001). 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