<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-6885</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-6885</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-68852016000200006</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dos discursos e práticas dos/as técnicos/as de saúde aos direitos das mulheres imigrantes nos contextos de saúde]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Topa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joana Bessa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nogueira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria da Conceição Oliveira Carvalho]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Neves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Sofia Antunes das]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Universitário da Maia Centro Interdisciplinar de Estudos de Género ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Maia ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>36</numero>
<fpage>63</fpage>
<lpage>82</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-68852016000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-68852016000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-68852016000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Um dos grandes desafios das diásporas femininas coloca-se ao nível dos obstáculos no acesso e uso dos serviços de saúde. O presente estudo, de natureza qualitativa, pretendeu analisar e caracterizar, através de entrevistas semiestruturadas, os discursos, práticas e desafios de catorze profissionais na prestação de cuidados a mulheres imigrantes grávidas. Como método de análise recorremos à análise temática (Braun & Clarke, 2006), sendo esta complexificada com uma análise crítica do discurso (Willig, 2008). Os resultados mostram que os/as profissionais revelam atitudes positivas perante as imigrantes e as questões relacionadas com a saúde e doença; porém, a estereotipia e o etnocentrismo, presentes nos seus discursos, reforçam a complexidade destas relações.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[One of the great challenges of women diaspora are the barriers found to access and use the health services. This study, of qualitative nature, intended to analyze and characterize, through semi-structured interviews, speeches, practices and challenges of fourteen professionals in providing care to pregnant immigrant users. For analysis we use qualitative thematic analysis as described by Braun and Clarke (2006) witch was complexified with a critical discourse analysis (Willig, 2008). The results reveal that professionals present positive attitudes towards immigrants and issues related to health and disease. However, the ethnocentrism present in their discourses reinforces the complexity of these relationships.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[saúde materno-infantil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[profissionais de saúde]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[mulheres imigrantes]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[direitos]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[maternal health]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[health professionals]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[immigrant women]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[rights]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Dos discursos e pr&#225;ticas dos/as t&#233;cnicos/as de sa&#250;de aos direitos das mulheres imigrantes nos contextos de sa&#250;de</b></font><a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></p>     <p><b>Joana Bessa Topa*, Maria da Concei&#231;&#227;o Oliveira Carvalho Nogueira**, Ana Sofia Antunes das Neves*</b></p>     <p>*Instituto Universit&#225;rio da Maia, Centro Interdisciplinar de Estudos de G&#233;nero, Universidade de Lisboa, Instituto Superior de Ci&#234;ncias Sociais e Pol&#237;ticas, <a href="mailto:jtopa@ismai.pt">jtopa@ismai.pt</a></p>     <p>**Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, <a href="mailto:cnogueira@fpce.up.pt">cnogueira@fpce.up.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Um dos grandes desafios das di&#225;sporas femininas coloca-se ao n&#237;vel dos obst&#225;culos no acesso e uso dos servi&#231;os de sa&#250;de. O presente estudo, de natureza qualitativa, pretendeu analisar e caracterizar, atrav&#233;s de entrevistas semiestruturadas, os discursos, pr&#225;ticas e desafios de catorze profissionais na presta&#231;&#227;o de cuidados a mulheres imigrantes gr&#225;vidas. Como m&#233;todo de an&#225;lise recorremos &#224; an&#225;lise tem&#225;tica (Braun &amp; Clarke, 2006), sendo esta complexificada com uma an&#225;lise cr&#237;tica do discurso (Willig, 2008). Os resultados mostram que os/as profissionais revelam atitudes positivas perante as imigrantes e as quest&#245;es relacionadas com a sa&#250;de e doen&#231;a; por&#233;m, a estereotipia e o etnocentrismo, presentes nos seus discursos, refor&#231;am a complexidade destas rela&#231;&#245;es. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>sa&#250;de materno-infantil, profissionais de sa&#250;de, mulheres imigrantes, direitos.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>One of the great challenges of women diaspora are the barriers found to access and use the health services. This study, of qualitative nature, intended to analyze and characterize, through semi-structured interviews, speeches, practices and challenges of fourteen professionals in providing care to pregnant immigrant users. For analysis we use qualitative thematic analysis as described by Braun and Clarke (2006) witch was complexified with a critical discourse analysis (Willig, 2008). The results reveal that professionals present positive attitudes towards immigrants and issues related to health and disease. However, the ethnocentrism present in their discourses reinforces the complexity of these relationships.</p>     <p><b>Keywords:</b> maternal health; health professionals; immigrant women; rights.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p> Os movimentos imigrat&#243;rios acarretam uma multiplicidade de desafios tanto para os/as migrantes, como para os servi&#231;os/institui&#231;&#245;es/profissionais da sociedade que os/as recebe. Entre os obst&#225;culos identificados no processo de integra&#231;&#227;o das comunidades migrantes, o acesso &#224; sa&#250;de figura entre os mais relevantes (FRA &#8211; European Union Agency for Fundamental Rights, 2013). De um modo geral, as/os imigrantes t&#234;m problemas de sa&#250;de e necessitam de cuidados como todas as pessoas, mas a evid&#234;ncia mostra que, frequentemente, aqueles indiv&#237;duos lidam diariamente com desigualdades e iniquidades na &#225;rea da sa&#250;de devido a obst&#225;culos diversos com os quais se defrontam: falta de informa&#231;&#227;o, aus&#234;ncia de disponibilidade dos servi&#231;os, problemas lingu&#237;sticos e comunicacionais, atitudes das/os profissionais, problemas de confidencialidade, discrimina&#231;&#227;o, culturas, entre outros (Dias, Gama &amp; Horta, 2010; Dias, Rocha &amp; Horta, 2009; WHO (World Health Organization), 2013). </p>     <p> Esta situa&#231;&#227;o parece complexificar-se em rela&#231;&#227;o a mulheres imigrantes gr&#225;vidas. De entre a generalidade das mulheres imigrantes, estas enfrentam constrangimentos particulares, em termos de sa&#250;de e de viol&#234;ncia<sup> </sup>(Weber &amp; Parra-Medina, 2003; WHO, 2013). V&#225;rios s&#227;o os estudos que t&#234;m indicado que ser imigrante tende a estar associado/a a uma menor procura dos servi&#231;os de sa&#250;de, sendo esta feita maioritariamente em situa&#231;&#245;es de urg&#234;ncia (Ganann, Sword, Black &amp; Carpio, 2011; WHO, 2013). Para al&#233;m disso, os estudos evidenciam uma maior frequ&#234;ncia de fatores de risco de infe&#231;&#227;o perinatal, maior mortalidade materna, perinatal e infantil, prematuridade, baixo peso &#224; nascen&#231;a, maior taxa de incid&#234;ncia de IST e taxa de preval&#234;ncia de viol&#234;ncia contra as mulheres (Dias <i>et al</i>., 2009; WHO, 2013), demonstrando terem as imigrantes piores indicadores de sa&#250;de comparativamente &#224;s mulheres aut&#243;ctones (Bragg, 2008; Dias <i>et al</i>., 2009; WHO, 2013). Em Portugal, estudos na &#225;rea da sa&#250;de sexual e reprodutiva e materno-infantil das comunidades imigrantes t&#234;m vindo a confirmar estes dados. O estudo de Machado e colaboradores (citado por Dias <i>et al</i>., 2009) evidencia que n&#227;o s&#243; o in&#237;cio da vigil&#226;ncia da gravidez &#233; mais tardio nas mulheres imigrantes em compara&#231;&#227;o com as mulheres portuguesas, como os/as descendentes de imigrantes registam maior mortalidade fetal e neonatal e que as m&#227;es tendem a sofrer de um maior n&#250;mero de patologias durante a gravidez (e.g., doen&#231;as infeciosas), sendo estes dois &#250;ltimos factos poss&#237;vel consequ&#234;ncia do primeiro. </p>     <p>Analisando a lei portuguesa no que respeita aos direitos das/os imigrantes no dom&#237;nio da sa&#250;de, esta pode ser considerada bastante positiva. A Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Portuguesa estabelece para todas/os as/os cidad&#227;s/&#227;os o direito &#224; sa&#250;de e &#224; prote&#231;&#227;o da sa&#250;de (artigo 64.&#186;) (<i>Di&#225;rio da Rep&#250;blica</i>, I S&#233;rie - A, n.&#186; 155, Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Portuguesa, de 12 de agosto de 2005). Com a Lei de Bases da Sa&#250;de, aprovada em 1990 e com a publica&#231;&#227;o do Despacho n.&#186; 25360/2001 (<i>Di&#225;rio da Rep&#250;blica</i>, II S&#233;rie, n.&#186; 286, de 12 de dezembro de 2001) foi dado um importante passo na promo&#231;&#227;o do acesso universal aos servi&#231;os de sa&#250;de das popula&#231;&#245;es imigrantes em Portugal. A partir desse momento passa a ser garantido aos/&#224;s cidad&#227;os/&#227;s estrangeiros/as o direito de acesso aos centros de sa&#250;de e hospitais do Sistema Nacional de Sa&#250;de (SNS), independentemente da sua nacionalidade, n&#237;vel econ&#243;mico ou estatuto legal, desde que obtenham um cart&#227;o de utente do SNS junto do centro de sa&#250;de que serve a sua &#225;rea de resid&#234;ncia ou na Loja do Cidad&#227;o. As/Os imigrantes irregulares t&#234;m acesso a um cart&#227;o tempor&#225;rio de utente que podem obter apresentando um comprovativo de resid&#234;ncia passado pela Junta de Freguesia, atestando a sua morada e certificando a sua resid&#234;ncia h&#225; mais de 90 dias em Portugal. </p>     <p>O Decreto-Lei n.&#186; 173/2003 introduziu o pagamento de taxas moderadoras por todas/os as/os cidad&#227;s/&#227;os que efetuam descontos para a Seguran&#231;a Social, estando isentas, entre outras situa&#231;&#245;es, as mulheres gr&#225;vidas. Para aqueles/as que n&#227;o efetuam descontos para a Seguran&#231;a Social s&#227;o cobradas as despesas realizadas, de acordo com as tabelas em vigor, com exce&#231;&#227;o das situa&#231;&#245;es para as quais os cuidados de sa&#250;de s&#227;o gratuitos, nomeadamente para a sa&#250;de materno-infantil, planeamento familiar e vacina&#231;&#227;o. </p>     <p>Sabendo que as mulheres imigrantes t&#234;m vindo a contribuir de forma sustentada para o desenvolvimento demogr&#225;fico nacional, uma vez que, segundo as &#250;ltimas estat&#237;sticas do Instituto Nacional de Estat&#237;stica (INE, 2014), s&#243; em 2011 cerca de 28% das crian&#231;as com nacionalidade estrangeira (13 983 crian&#231;as) tem naturalidade portuguesa, emerge a necessidade de se compreender o que alicer&#231;a os obst&#225;culos referidos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Objetivos</b></p>     <p>Este estudo teve como principais objetivos: contribuir para um melhor conhecimento do acesso e capacidade de resposta do SNS e suas/seus profissionais aos cuidados a mulheres imigrantes gr&#225;vidas, bem como caracterizar os discursos vigentes em profissionais de sa&#250;de sobre a imigra&#231;&#227;o feminina e sobre os cuidados espec&#237;ficos preconizados &#224;s mulheres imigrantes durante o per&#237;odo de gravidez, parto e pu&#233;rpero.</p>     <p><b>M&#233;todos </b></p>     <p>Foi realizado um estudo qualitativo, descritivo e transversal, no qual participaram catorze profissionais de sa&#250;de dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios da regi&#227;o do Grande Porto. Os crit&#233;rios de inclus&#227;o que guiaram a cria&#231;&#227;o da nossa amostra foram: ser t&#233;cnico/a de sa&#250;de do SNS que presta cuidados diretos a mulheres imigrantes, com disponibilidade e vontade em participar na pesquisa.</p>     <p>Foi utilizado como m&#233;todo de recolha de dados a entrevista semidirectiva que contemplava os seguintes assuntos de discuss&#227;o: experi&#234;ncia de cuidados a mulheres imigrantes, problem&#225;ticas e/ou facilidades na presta&#231;&#227;o de cuidados a mulheres imigrantes gr&#225;vidas e, por fim, medidas evidenciadas como potencializadoras de melhores cuidados a estas mulheres. N&#227;o existiu uma ordem pr&#233;-estabelecida e r&#237;gida de questionamento, funcionando apenas uma esp&#233;cie de roteiro de orienta&#231;&#227;o. </p>     <p>As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas segundo a proposta de an&#225;lise tem&#225;tica de Braun e Clarke(2006), auxiliada pela an&#225;lise cr&#237;tica do discurso (Willig, 2008), permitindo a identifica&#231;&#227;o de temas e categorias imbu&#237;dos nos dados qualitativos e a sua problematiza&#231;&#227;o.</p>     <p><b><i>Procedimentos</i></b></p>     <p>As entrevistas aos/&#224;s profissionais de sa&#250;de foram feitas individualmente e realizaram-se de outubro de 2011 a fevereiro de 2012. A t&#233;cnica de amostragem foi n&#227;o probabil&#237;stica e intencional, pois houve uma busca propositada de profissionais de sa&#250;de que lidassem com mulheres imigrantes. Utiliz&#225;mos a amostragem de &#8220;bola de neve&#8221;, partindo assim de informantes privilegiados/as (diretores/as de servi&#231;o) para identificar outros/as poss&#237;veis participantes. Foi ainda uma amostra gradual, uma vez que a sele&#231;&#227;o de participantes findou quando atingimos a satura&#231;&#227;o te&#243;rica, ou seja, quando os temas se come&#231;aram a tornar repetitivos.</p>     <p>O estudo respeitou todas as normas &#233;ticas e deontol&#243;gicas que necessariamente fazem parte da elabora&#231;&#227;o de um estudo de investiga&#231;&#227;o. Todas/os as/os entrevistadas/os acederam &#224;s solicita&#231;&#245;es, tendo cada entrevista a dura&#231;&#227;o m&#233;dia de 30 minutos. O consentimento informado foi sempre formalizado pela assinatura da/o entrevistada/o e da entrevistadora em dois documentos, ficando um na posse de cada participante e o outro com a investigadora.</p>     <p><b><i>Participantes</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fazendo uma breve caracteriza&#231;&#227;o dos/as participantes, treze eram do sexo feminino e um do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 25 e os 59 anos. A sua experi&#234;ncia profissional variava entre 1 e 24 anos, sendo que oito eram m&#233;dicos/as e seis enfermeiros/as. Dos/as oito m&#233;dicos/as entrevistados/as quatro eram especialistas hospitalares na &#225;rea da ginecologia e obstetr&#237;cia, e os/as restantes eram m&#233;dicos/as generalistas de medicina geral e familiar. </p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Segundo a an&#225;lise tem&#225;tica efetuada, surgiu como tema central: <i>Conhecimento, constrangimentos e pr&#225;ticas face aos cuidados de sa&#250;de na popula&#231;&#227;o imigrante gr&#225;vida,</i> que se desdobrou em diferentes subtemas: caracter&#237;sticas gerais da popula&#231;&#227;o imigrante gr&#225;vida; acesso, frequ&#234;ncia e constrangimentos de mulheres imigrantes na utiliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os de sa&#250;de; pr&#225;ticas de cuidado; conhecimento da legisla&#231;&#227;o portuguesa referente aos cuidados de sa&#250;de e medidas potencializadoras de uma melhor integra&#231;&#227;o destas mulheres nos servi&#231;os de sa&#250;de.</p>     <p>Quando solicitamos uma caracteriza&#231;&#227;o das mulheres com que trabalham, os/as participantes revelam que, segundo a sua experi&#234;ncia, as mulheres imigrantes gr&#225;vidas que recorrem aos servi&#231;os s&#227;o origin&#225;rias de variados pa&#237;ses: Brasil, Ucr&#226;nia, Cabo Verde, Angola, Paquist&#227;o, Rom&#233;nia &#8211; o que aumenta os desafios inerentes ao seu atendimento, especialmente no que concerne a diferen&#231;as culturais. Estas mulheres t&#234;m idades compreendidas entre os vinte e os trinta e poucos anos (<i>E13 <b>&#8211;</b> &#8220;mulheres entre os vinte e tal anos e os trinta anos, a que n&#243;s chamamos a idade f&#233;rtil&#8221;</i>) dados que v&#227;o ao encontro da caracteriza&#231;&#227;o et&#225;ria e de representatividade disponibilizada pelos dados do Servi&#231;o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF, 2014).<i> </i>S&#227;o mulheres que apresentam diferentes situa&#231;&#245;es administrativas no pa&#237;s, o que, segundo os/as profissionais, condiciona o seu acesso e uso dos servi&#231;os de sa&#250;de. No que concerne ao n&#250;mero de anos de resid&#234;ncia no pa&#237;s, as/os participantes referem que, embora predominem mulheres j&#225; com alguns anos de perman&#234;ncia, continuam a ter mulheres rec&#233;m-chegadas ao pa&#237;s, principalmente de nacionalidade romena. </p>     <p>Referem ainda que, no geral, as mulheres, mesmo tendo n&#237;veis de qualifica&#231;&#227;o acad&#233;mica diferenciados (<i>E8 &#8211; &#8220;&#201; muito vari&#225;vel. As brasileiras s&#227;o trabalhadoras mais indiferenciadas. Apanhamos tamb&#233;m mulheres de Leste com licenciatura, com uma forma&#231;&#227;o superior&#8221;</i>),<i> </i>a maioria apresenta baixos rendimentos socioecon&#243;micos, muitas delas com grandes vulnerabilidades a n&#237;vel profissional, habitacional e familiar.</p>     <p>As/os participantes, apesar de n&#227;o revelarem nenhuma incid&#234;ncia de determinado tipo de patologia/doen&#231;a na comunidade imigrante gr&#225;vida comparativamente &#224; portuguesa, denotam que determinantes como os problemas sociais, tempo de perman&#234;ncia no pa&#237;s, condi&#231;&#245;es de habitabilidade, desemprego, trabalho com condi&#231;&#245;es prec&#225;rias e/ou desumanas, falta de apoio familiar, contactos com os servi&#231;os, entre outros, condicionam o seu estado de sa&#250;de e posteriores cuidados. </p>     <p>A n&#237;vel da utiliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os e do seu estado de sa&#250;de, as/os profissionais consideram que os motivos mais frequentes de procura dos servi&#231;os se prendem com causas relacionadas com doen&#231;a aguda e vigil&#226;ncia de gravidez. Contudo, apesar de as mulheres imigrantes gr&#225;vidas serem das que mais recorrem precocemente aos servi&#231;os, para muitas o in&#237;cio desta vigil&#226;ncia &#233; tardio.</p>     <p>A maioria das pacientes n&#227;o faz qualquer tipo de planeamento familiar, o que levanta riscos acrescidos para as m&#227;es e beb&#233;s, mas tamb&#233;m para os/as cl&#237;nicos/as no sentido de diagnosticarem a tempo algum tipo de problema. </p>     <p>As/Os profissionais entrevistadas/os enunciaram como principais motivos que condicionam o acesso e a utiliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os por estas mulheres gr&#225;vidas: a nacionalidade, a falta de recursos econ&#243;micos, as cren&#231;as e tradi&#231;&#245;es religiosas, culturais e de pr&#225;ticas de sa&#250;de, o medo de den&#250;ncia quando se encontram em situa&#231;&#227;o irregular, o desconhecimento da lei do acesso aos servi&#231;os de sa&#250;de, no seu modo de funcionamento, diferen&#231;as lingu&#237;sticas e comunicacionais e stresse laboral. </p>     <p>Relativamente &#224; organiza&#231;&#227;o do atendimento no acesso da mulher imigrante &#224;s consultas de vigil&#226;ncia pr&#233;-natal nos Centros de Sa&#250;de/Unidades de Sa&#250;de Familiar, os/as entrevistados/as referem que todas as mulheres imigrantes t&#234;m acesso &#224; vigil&#226;ncia de sa&#250;de. Todavia, o acesso a um/a m&#233;dico/a de fam&#237;lia n&#227;o &#233; condi&#231;&#227;o geral (<i>E7 &#8211; &#8220;Em muitos centros de sa&#250;de, quando se solicita um m&#233;dico para acompanhamento duma gravidez, ainda n&#227;o &#233; assim t&#227;o imediato e &#224;s vezes (as pacientes) andam duas ou tr&#234;s consultas a saltar dum m&#233;dico para outro&#8221;. </i>Esta situa&#231;&#227;o leva a que o historial cl&#237;nico fique muitas vezes incompleto e fracionado e que os cuidados sofram alguns riscos, n&#227;o se conseguindo muitas vezes saber se estas mulheres cumprem as consultas recomendadas pela Dire&#231;&#227;o-Geral dos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios para a vigil&#226;ncia de sa&#250;de pr&#233;-natal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Algumas/uns intervenientes referem ainda que, a n&#237;vel da organiza&#231;&#227;o do atendimento, o modo como este &#233; feito n&#227;o promove uma vigil&#226;ncia da sa&#250;de em perfeitas condi&#231;&#245;es, uma vez que a periodicidade das consultas de vigil&#226;ncia pr&#233;-natal a gr&#225;vidas pertencentes &#224; &#8220;lista de espera&#8221; n&#227;o &#233;, muitas vezes, realizada de acordo com o esquema recomendado, pondo-se em causa a qualidade da vigil&#226;ncia da gravidez. Paralelamente a estas situa&#231;&#245;es, o tempo que as/os profissionais disp&#245;em para cada consulta &#233; tamb&#233;m enunciado como um constrangimento, pois n&#227;o &#233; suficiente para efectuar hist&#243;rias cl&#237;nicas em profundidade que permitam adquirir informa&#231;&#227;o e avaliar devidamente a estrutura familiar, social e cultural das pacientes.</p>     <p>Para tentarem suprimir o desconhecimento inerente &#224; utiliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os (e.g., onde se devem dirigir, documentos necess&#225;rios, hor&#225;rios) e os problemas comunicacionais, os/as entrevistados/as referiram que estas mulheres recorrem geralmente aos servi&#231;os acompanhadas por algu&#233;m (e.g., familiares, vizinhos/as, amigos/as, filhos/as). Estes/as acompanhantes, para al&#233;m de servirem como orientadores/as na vigil&#226;ncia da sa&#250;de da mulher, ajudam na quebra de problemas comunicacionais conferindo-lhes maior seguran&#231;a (<i>E8 &#8211; &#8220;V&#234;m com o marido, vizinhas e amigas porque h&#225; uma certa tend&#234;ncia de virem com conhecidos que falam melhor portugu&#234;s&#8221;</i>).<i> </i>Este tipo de situa&#231;&#227;o<i> </i>coloca quest&#245;es &#233;ticas e deontol&#243;gicas dif&#237;ceis de gerir, nomeadamente porque pode existir um enviesamento da tradu&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o prestada (<i>E5 &#8211; &#8220;N&#243;s n&#227;o sabemos at&#233; que ponto eles est&#227;o a transmitir a ideia certa&#8221;</i>).<i> </i>Para al&#233;m disso, para muitas destas mulheres, a discuss&#227;o de aspetos sobre a gravidez e o parto com elementos familiares masculinos n&#227;o &#233; habitual, e por vezes pode tornar-se inconveniente (e.g., em frente a crian&#231;as) e/ou mascarar situa&#231;&#245;es de desigualdade/viol&#234;ncia de g&#233;nero. Estas situa&#231;&#245;es podem levar a uma inibi&#231;&#227;o comportamental de expor os seus problemas e d&#250;vidas ao/&#224; profissional de sa&#250;de. </p>     <p>Numa tentativa de solucionar este problema comunicacional e/ou lingu&#237;stico, que continua a ser elencado como o principal constrangimento no atendimento e acompanhamento destas gr&#225;vidas, muitas/os profissionais fazem esfor&#231;os acrescidos no sentido de se fazerem entender, utilizando para isso as mais variadas ferramentas (e.g., comunica&#231;&#227;o gestual, internet, tradutor do Google, colegas de trabalho que dominam a l&#237;ngua-m&#227;e da paciente) (<i>E</i><i>9 &#8211; &#8220;Fa&#231;o gestos, eu at&#233; j&#225; aprendi a falar com elas. &#201; assim, n&#227;o posso construir frases muito longas&#8221;</i>).</p>     <p>Outro problema se destaca aquando do acompanhamento de mulheres gr&#225;vidas que j&#225; tinham iniciado um acompanhamento m&#233;dico no seu pa&#237;s de origem. Em alguns pa&#237;ses n&#227;o existe o boletim de gr&#225;vida e mesmo os que o t&#234;m, por dificuldades de descodifica&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o n&#227;o permitem saber que tipo de an&#225;lises/exames/vacinas aquela pessoa j&#225; efetuou, o que pode levar a uma replica&#231;&#227;o de an&#225;lises e exames (<i>E2 &#8211; &#8220;Vi o boletim dela em russo a meio da gravidez, uns relat&#243;rios dela em russo, que eu n&#227;o fazia a m&#237;nima ideia&#8221;</i>).</p>     <p>Outra das quest&#245;es basilares &#233; a cultura das pacientes. O choque cultural subjacente &#224; presta&#231;&#227;o de cuidados entre pessoas provenientes de culturas d&#237;spares leva a que apare&#231;am problemas em diversos n&#237;veis, como &#233; exemplo o acompanhamento das mulheres gr&#225;vidas por m&#233;dicos e/ou enfermeiros do sexo masculino e cren&#231;as relativas aos cuidados a ter durante a gravidez e no cuidados das crian&#231;as.</p>     <p>Quando indagados/as sobre a sua perce&#231;&#227;o a n&#237;vel das pr&#225;ticas de cuidado destas mulheres, os/as entrevistados/as come&#231;aram por real&#231;ar as quest&#245;es associadas &#224; gravidez n&#227;o planeada, que &#233; uma realidade muito presente nestas mulheres. Esta situa&#231;&#227;o, segundo aqueles, tem que ver com o baixo n&#237;vel de informa&#231;&#227;o bem como motivos religiosos e culturais em rela&#231;&#227;o &#224; utiliza&#231;&#227;o dos m&#233;todos contracetivos (<i>E1 &#8211; &#8220;A maior parte n&#227;o faz, s&#243; uma ou outra depois &#233; que faz planeamento familiar&#8221;</i>).</p>     <p>Relativamente &#224;s pr&#225;ticas de cuidado durante a fase pr&#233;-natal ou de pu&#233;rpero, a maioria refere que existe uma ades&#227;o parcial por via n&#227;o intencional, apontando para impedimentos econ&#243;micos, ou impedimentos culturais para a n&#227;o ades&#227;o total (e.g., vacina&#231;&#227;o, alimenta&#231;&#227;o, amamenta&#231;&#227;o)&#160; (<i>E3 &#8211;<b> </b>&#8220;Nota-se bastante nos imigrantes chineses porque t&#234;m condutas diferentes, normalmente s&#227;o m&#227;es que n&#227;o querem amamentar&#8221;</i>).<i> </i>Por ades&#227;o entendem por exemplo: a toma da medica&#231;&#227;o, cumprimento de uma dieta, exames e/ou mudan&#231;as no estilo de vida coincidentes com as recomenda&#231;&#245;es dadas por um/a prestador/a de cuidados de sa&#250;de. </p>     <p>Quando indagados/as sobre as diferen&#231;as que conseguiam elencar no acompanhamento de mulheres pertencentes &#224;s tr&#234;s nacionalidades de imigrantes mais representativas em Portugal &#8211; comunidade brasileira, cabo-verdiana e ucraniana &#8211;, verifica-se que as mulheres brasileiras s&#227;o conceptualizadas por alguns/mas profissionais como mulheres que engravidam propositadamente, havendo um cariz de oportunismo. De facto, alguns/mas intervenientes alegam que muitas destas mulheres utilizam a gravidez como uma tentativa de regulariza&#231;&#227;o da sua situa&#231;&#227;o administrativa no pa&#237;s, ou como um fator facilitador para a possibilidade de resid&#234;ncia no pa&#237;s recetor (<i>E5 <b>-</b>&#8220;Depende, n&#227;o planeadas acredito que algumas n&#227;o sejam, mas algumas s&#227;o. Principalmente da parte brasileira nota-se isso&#8221;</i>).<i> </i>Quanto &#224;s mulheres do Leste, as/os t&#233;cnicos/as denotam representa&#231;&#245;es de mulheres cumpridoras n&#227;o s&#243; em termos de assiduidade aos atendimentos mas tamb&#233;m de execu&#231;&#227;o das diretrizes de cuidado. Contudo, para algumas/uns o contacto inicial com esta popula&#231;&#227;o foi dif&#237;cil porque as viam com uma postura austera (<i>E11 &#8211; &#8220;Os ucranianos, foi assim um choque, s&#227;o pessoas que t&#234;m uma postura austera e agressiva&#8221;</i>).<i> </i>Noutros casos, e principalmente nas mulheres que designam por africanas e/ou de ra&#231;a negra, segundo os/as participantes, estas n&#227;o cumprem as pr&#225;ticas sugeridas principalmente por quest&#245;es culturais e econ&#243;micas. Mesmo com conota&#231;&#245;es classificat&#243;rias diferenciadas, as/os participantes consideram que o n&#237;vel de ades&#227;o &#224;s pr&#225;ticas de cuidado bem como a altera&#231;&#227;o dos h&#225;bitos de vida que executam n&#227;o &#233; muito diferenciado da popula&#231;&#227;o portuguesa gr&#225;vida.</p>     <p>Muitos/as evidenciam discursos em que as cren&#231;as e estere&#243;tipos reproduzidos tendem a ir ao encontro dos macrodiscursos sociais face &#224;s mulheres imigrantes.</p>     <p>&#201; ainda salientado que, ap&#243;s o parto, normalmente as mulheres continuam a ir &#224;s consultas (<i>E13 &#8211; &#8220;Costumam fazer depois as consultas de vigil&#226;ncia de puerp&#233;rios, as vacinas dos beb&#233;s e as respetivas consultas&#8221;</i>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pelas entrevistas realizadas verificou-se que muitos/as profissionais de sa&#250;de desconhecem a legisla&#231;&#227;o portuguesa face aos direitos de mulheres imigrantes gr&#225;vidas bem como a sua abrang&#234;ncia. Exemplo disso s&#227;o as quest&#245;es inerentes ao pagamento das taxas moderadoras e &#224;s quest&#245;es relativas a mulheres em situa&#231;&#227;o irregular (<i>E10 &#8211;&#8220;Portugal &#233; um pa&#237;s f&#225;cil e, portanto, n&#243;s estamos mais atentas para ver se elas est&#227;o legalizadas ou n&#227;o porque, se est&#227;o ilegais, t&#234;m de se ir legalizar&#8221;</i>),<i> </i>em que os/as profissionais assumem um papel de fiscalizadores/as da situa&#231;&#227;o administrativa das pacientes que atendem. Segundo os/as entrevistados/as, n&#227;o &#233; poss&#237;vel atender mulheres gr&#225;vidas em estado irregular no pa&#237;s, o que demonstra um claro alienamento da legisla&#231;&#227;o em vigor. Alguns/mas consideram que existe algum facilitismo e que, por boa vontade dos/as profissionais, elas continuam a ser atendidas, mas que por regra n&#227;o o podem fazer, at&#233; porque poder&#227;o ser sancionados/as pelas chefias<b><i> </i></b>(<i>E7 &#8211; &#8220;Depende da vontade das pessoas. Habitualmente para n&#243;s &#233; tamb&#233;m um bocado complicado para assumir em termos inform&#225;ticos&#8221;</i>)<i>.</i></p>     <p>Depois de apontarem os fatores que dificultavam ou facilitavam o atendimento e presta&#231;&#227;o de cuidados a estas mulheres, solicitamos &#224;s/aos profissionais que idealizassem medidas potencializadoras de um atendimento tido como ideal. As suas sugest&#245;es podiam englobar aspetos relacionados com o per&#237;odo de gravidez ou parto ou simplesmente com quest&#245;es burocr&#225;ticas e processuais. Inicialmente todas/os as/os intervenientes ressalvaram que, relativamente &#224;s pol&#237;ticas de integra&#231;&#227;o de imigrantes na &#225;rea da sa&#250;de, Portugal &#233; um pa&#237;s exemplar: <i>E1 &#8211; &#8220;Portugal est&#225; muito bem a n&#237;vel de pol&#237;ticas de imigra&#231;&#227;o. Num relat&#243;rio que saiu sobre sa&#250;de e pol&#237;ticas de integra&#231;&#227;o para imigrantes, Portugal ficou em primeiro ou segundo lugar.&#8221; </i>Todavia, declaram que a implementa&#231;&#227;o de algumas medidas poderia melhorar o atendimento desta popula&#231;&#227;o, principalmente no que concerne &#224; informa&#231;&#227;o, comunica&#231;&#227;o e literacia para a sa&#250;de tanto de imigrantes como de profissionais. Esta &#250;ltima, segundo os/as entrevistados/as, poderia ser alcan&#231;ada com a forma&#231;&#227;o cultural dos/as t&#233;cnicos/as de sa&#250;de (<i>E3 &#8211; &#8220;Forma&#231;&#227;o dos t&#233;cnicos, isso &#233; sempre importante, mais que n&#227;o seja para n&#227;o fazerem ju&#237;zos de valor&#8221;</i>)<i> </i>e a disponibiliza&#231;&#227;o de mais tempo para o atendimento a estas mulheres, de modo a possibilitar uma real comunica&#231;&#227;o entre t&#233;cnico/a-utente mas tamb&#233;m a deixar a pessoa mais &#224; vontade para colocar todas as quest&#245;es inerentes &#224; sua gravidez e a todos os procedimentos envolvidos. Outros/as enunciaram a import&#226;ncia de colocar mediadores/as culturais: <i>E10 &#8211; &#8220;Eu acho que mediadores culturais &#233; uma ideia interessante.&#8221;</i></p>     <p>Todavia, mesmo apontando algumas medidas pass&#237;veis de serem implementadas, as dificuldades de implementa&#231;&#227;o s&#227;o sempre justificadas ora pelos custos econ&#243;micos inerentes, ora por se menosprezarem os constrangimentos das comunidades imigrantes comparativamente a outros na &#225;rea da sa&#250;de (<i>E5 &#8211; &#8220;Apesar de ser uma popula&#231;&#227;o grande, dependendo dos centros de sa&#250;de, acaba por haver tantas outras coisas que s&#227;o priorit&#225;rias&#8221;</i>), ora por se considerar que o que se faz j&#225; &#233; muito (<i>E9 &#8211; &#8220;Estamos a dar tudo o que elas querem, coisas que est&#227;o acima do que elas podiam imaginar, por isso n&#227;o vejo assim nada que pudesse mudar&#8221;</i>)</p>     <p>Discuss&#227;o de resultados</p>     <p>Os/As profissionais de sa&#250;de elencam diferentes barreiras que v&#227;o condicionando o acesso e acompanhamento destas mulheres nos servi&#231;os de sa&#250;de, indo ao encontro das descritas na literatura cient&#237;fica portuguesa sobre a sa&#250;de materno-infantil e reprodutiva focada nas popula&#231;&#245;es imigrantes (Dias <i>et al</i>., 2009, 2010; Fonseca &amp; Silva, 2010). Barreiras pessoais (situa&#231;&#227;o administrativa no pa&#237;s, condi&#231;&#245;es econ&#243;micas, barreiras lingu&#237;sticas, barreiras culturais, falta de informa&#231;&#227;o, influ&#234;ncia de membros familiares), dos pr&#243;prios servi&#231;os (infraestruturas, organiza&#231;&#227;o e funcionamento) e relativos &#224; rela&#231;&#227;o estabelecida entre profissionais e utentes (dificuldades comunicacionais e lingu&#237;sticas, diferen&#231;as culturais, atitudes dos/as profissionais face &#224;s comunidades imigrantes, estigmatiza&#231;&#227;o, diferenciais de poder) parecem ser aquelas mais presentes (Bowleg, 2012; FRA, 2013). Estas barreiras, m&#250;ltiplas e diferenciadas, potencializam que este grupo seja mais vulner&#225;vel, tornando-o num grupo de risco acrescido (FRA, 2013; Viruell-Fuentes, Miranda &amp; Abdulrahim, 2012).</p>     <p>Parece existir um agravamento dessa vulnerabilidade quando existe um conjunto de condi&#231;&#245;es presentes, nomeadamente a quest&#227;o de g&#233;nero que, aliada &#224; classe social e etnicidade, aparentam potencializar iniquidades na sa&#250;de (Fonseca &amp; Silva, 2010). </p>     <p>A quest&#227;o comunicacional continua a ser a mais destacada pelos/as profissionais. Tal como referem v&#225;rios/as autores/as, a garantia de uma boa comunica&#231;&#227;o &#233; a seguran&#231;a para o come&#231;o da inclus&#227;o desta popula&#231;&#227;o nos contextos de sa&#250;de (Fonseca &amp; Silva, 2010; FRA, 2013). Contudo, para o risco de se constru&#237;rem hist&#243;rias cl&#237;nicas e diagn&#243;sticos incorretos sobre as pacientes n&#227;o incorrem s&#243; as quest&#245;es comunicacionais, mas tamb&#233;m o excesso de trabalho e a falta de tempo para um atendimento mais eficaz. </p>     <p>Outra das dificuldades traduz-se nas diferen&#231;as culturais. Em alguns casos, o sistema cultural desencoraja a depend&#234;ncia de tratamento m&#233;dico ocidental por estas mulheres, o que tamb&#233;m se torna dif&#237;cil desconstruir por parte dos/as profissionais. As barreiras culturais, conjuntamente com as dificuldades comunicacionais existentes, podem n&#227;o s&#243; contribuir para que os cuidados e pr&#225;ticas n&#227;o sejam bem compreendidos e executados como levar a um negligenciar de situa&#231;&#245;es d&#250;bias que deveriam ser devidamente encaminhadas (e.g., gravidezes precoces, viol&#234;ncia de g&#233;nero) por se crer que as utentes podem ter percebido mal as situa&#231;&#245;es devido aos constrangimentos lingu&#237;sticos e culturais existentes. Sendo a gravidez um per&#237;odo de alto risco nas situa&#231;&#245;es de viol&#234;ncia na intimidade (Bragg, 2008; Weber &amp; Parra-Medina, 2003), surge aqui esta quest&#227;o como um pilar claro de interven&#231;&#227;o. </p>     <p>O recurso a familiares e amigas/os bilingues se, por um lado, &#233; tido como eticamente question&#225;vel &#233;, por outro lado, a &#250;nica via que muitos/as profissionais t&#234;m para que haja entendimento Perante esta problem&#225;tica, algumas/ns entrevistadas/os resignam-se a prestar o cuidado, sem saber realmente se a mensagem foi captada com sucesso pela paciente, sentindo claramente que ficam numa posi&#231;&#227;o &#233;tica e deontologicamente complexa. </p>     <p>Os/As profissionais afirmam que a forma&#231;&#227;o para a interculturalidade &#233; fundamental. Apesar de existir um esfor&#231;o no sentido de capacitar e ampliar o acesso das/os profissionais de sa&#250;de a programas de forma&#231;&#227;o no campo das migra&#231;&#245;es e sa&#250;de (e.g., Mestrado em Psiquiatria Cultural na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Mestrado em Sociologia da Sa&#250;de e da Doen&#231;a do Instituto Superior das Ci&#234;ncias do Trabalho e da Empresa &#8211; Instituto Universit&#225;rio de Lisboa), nem todos/as as/os t&#233;cnicas/os apresentam compet&#234;ncias transculturais, impondo a medicina ocidental e desconsiderando as pr&#225;ticas e d&#250;vidas das suas pacientes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existe uma legitima&#231;&#227;o do conhecimento da medicina ocidental, estando presente uma orienta&#231;&#227;o te&#243;rica para propiciar a ades&#227;o terap&#234;utica das pacientes segundo o modelo biom&#233;dico (Pais-Ribeiro, 2007). Como tal, tenta-se impor estes saberes, que surgem como saberes hegem&#243;nicos no &#226;mbito dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, levando a que as pr&#225;ticas tradicionais e culturais de cuidado destas mulheres sejam renegadas (Dias <i>et al</i>., 2009, 2010; FRA, 2013; Fonseca &amp; Silva, 2010). Este fator leva os/as profissionais a fazerem distin&#231;&#227;o entre aquilo que consideram uma utente que adere &#224;s recomenda&#231;&#245;es e aquela que n&#227;o adere, refletindo-se em atitudes de coopera&#231;&#227;o diferenciadas. Todavia, ressalvam que o n&#227;o cumprimento das indica&#231;&#245;es se pode dever a in&#250;meros fatores, nomeadamente dificuldades econ&#243;micas, pr&#225;ticas tradicionais de cuidado e/ou impedimentos culturais, que impedem as utentes de perceber a import&#226;ncia de certos procedimentos (e.g., vacina&#231;&#227;o, amamenta&#231;&#227;o). </p>     <p>Parece que o modelo da <i>abordagem comunicacional</i>, que surge nos anos 70 com Leventhal e Cameron<sup> </sup>(Pais-Ribeiro, 2007), e que incentiva as/os profissionais de sa&#250;de a melhorarem as suas compet&#234;ncias de comunica&#231;&#227;o com as/os pacientes,<sup> </sup>favorecendo a educa&#231;&#227;o destas/es e o desenvolvimento de rela&#231;&#245;es de igualdade entre estas/es e as/os profissionais de sa&#250;de, n&#227;o &#233; utilizada na maioria das situa&#231;&#245;es<sup> </sup>(Fonseca &amp; Silva, 2010; WHO, 2013). Verificamos, pelos seus discursos, que existe pouco investimento no registo de hist&#243;rias cl&#237;nicas das pacientes em profundidade, permitindo adquirir informa&#231;&#227;o e avaliar a estrutura social da pessoa. Isto ocorre, muitas vezes porque o tempo para as consultas &#233; ex&#237;mio face &#224;s necessidades evidenciadas, outras vezes por o volume de trabalho n&#227;o permitir a abordagem que seria a ideal ou adequada. </p>     <p>Outra das problem&#225;ticas prende-se com as cren&#231;as e estere&#243;tipos relativamente &#224;s mulheres imigrantes que as/os t&#233;cnicas/os evidenciam. De facto, estas/es profissionais v&#227;o regulando o seu comportamento de ajuda e/ou compromisso de um modo mais formal e/ou informal, tendo por base uma submiss&#227;o aos macrodiscursos estereotipados sobre as diferentes comunidades imigrantes (Fonseca &amp; Silva, 2010). Verifica-se que estas opini&#245;es e estere&#243;tipos s&#227;o diferenciados tendo em conta a nacionalidade das mulheres que atendem (e.g., discrimina&#231;&#227;o interseccional). As brasileiras s&#227;o conceptualizadas por algumas/ns profissionais como mulheres oportunistas, que utilizam a gravidez numa tentativa de regularizar a sua situa&#231;&#227;o administrativa (muito assente na situa&#231;&#227;o mediatizada dos &#8220;casamentos brancos&#8221;), utilizando a gravidez como um fator facilitador de resid&#234;ncia no pa&#237;s recetor (Padilla, 2007). Por outro lado, s&#227;o vistas como reivindicativas e exigentes, n&#227;o lhes sendo reconhecidos direitos de reivindica&#231;&#227;o, quase como se as imigrantes devessem estar gratas pelos cuidados de sa&#250;de que recebem. Quanto &#224;s mulheres do Leste, as/os t&#233;cnicas/os classificam-nas como cumpridoras n&#227;o s&#243; em termos de assiduidade, mas tamb&#233;m das diretrizes de cuidado. As mulheres que designam por africanas s&#227;o tidas como as mais incumpridoras. </p>     <p>A integra&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o entre os diferentes subtemas encontrados pela an&#225;lise tem&#225;tica e a an&#225;lise de discurso em profundidade efetuada de modo a problematizar esses resultados levou-nos a verificar que existe uma constru&#231;&#227;o discursiva que reflete as maneiras de falar acerca das rela&#231;&#245;es estabelecidas com mulheres imigrantes gr&#225;vidas e das suas pr&#225;ticas: o <i>&#8220;compromisso regulador&#8221;</i>. Esta constru&#231;&#227;o discursiva parece ser suportada pelas teorias das rela&#231;&#245;es intergrupais, identidade social, discrimina&#231;&#227;o e das representa&#231;&#245;es sociais (Moscovici, 1976; Am&#226;ncio, 1994). A teoria da identidade social, considerada a teoria mais importante no quadro atual dos modelos sobre as rela&#231;&#245;es intergrupais em psicologia social (Am&#226;ncio, 1994), parte da liga&#231;&#227;o entre tr&#234;s conceitos fundamentais: categoriza&#231;&#227;o social, identidade social e compara&#231;&#227;o social (Cabecinhas, 2002a). A categoriza&#231;&#227;o segmenta, classifica e ordena o ambiente social, levando o indiv&#237;duo a definir o seu lugar em sociedade. Esta teoria estipula que o significado emocional e avaliativo que resulta dessa perten&#231;a exprimir-se-ia no favoritismo pelo endogrupo em detrimento do exogrupo, a fim de manter e refor&#231;ar a sua identidade social positiva (Cabecinhas, 2002a). Deste modo, a diferencia&#231;&#227;o intergrupal surge da necessidade de dar significado &#224; situa&#231;&#227;o intergrupal, de forma a construir e a fortalecer a identidade social (Cabecinhas, 2002b), aumentando as diferen&#231;as entre os grupos, ou criando diferen&#231;as que, de facto, n&#227;o existem. As representa&#231;&#245;es sociais, segundo Jodelet (1981 as cited in Cabecinhas, 2002a), resultam de uma atividade de apropria&#231;&#227;o e de um processo de elabora&#231;&#227;o psicol&#243;gica e social da realidade exterior, de modo a tornar familiar algo n&#227;o familiar (Moscovici, 1976). A categoriza&#231;&#227;o segmenta, classifica e ordena o ambiente social, levando o indiv&#237;duo a definir o seu lugar em sociedade. Esta teoria estipula que o significado emocional e avaliativo que resulta dessa perten&#231;a se exprimiria no favoritismo pelo endogrupo em detrimento do exogrupo, a fim de manter e refor&#231;ar a sua identidade social positiva (Cabecinhas, 2002b). Deste modo, a diferencia&#231;&#227;o intergrupal surge da necessidade de dar significado &#224; situa&#231;&#227;o intergrupal, de forma a construir e a fortalecer a identidade social (Cabecinhas, 2002a), aumentando as diferen&#231;as entre os grupos, ou criando diferen&#231;as que, de facto, n&#227;o existem. As representa&#231;&#245;es sociais, segundo Jodelet (1981, citado por Cabecinhas, 2002b), resultam de uma atividade de apropria&#231;&#227;o e de um processo de elabora&#231;&#227;o psicol&#243;gica e social da realidade exterior que visa tornar familiar algo n&#227;o familiar (Moscovici, 1976). </p>     <p>Pela leitura dos resultados deste estudo, constatamos que a maioria das/os entrevistadas/os faz uma categoriza&#231;&#227;o clara entre o grupo das imigrantes e o grupo das portuguesas. O grupo das mulheres imigrantes &#233; visto como um grupo com menor estatuto na hierarquia social, n&#227;o s&#243; porque s&#227;o em menor n&#250;mero, mas tamb&#233;m porque apresentam caracter&#237;sticas distintas do grupo mais numeroso que det&#233;m o poder simb&#243;lico de &#8220;organizar&#8221; a hierarquia social. Assente no discurso m&#233;dico, no discurso do/a profissional como detentor/a do conhecimento, como especialista, propagador/a das pr&#225;ticas de cuidado ocidentais, os/as profissionais de sa&#250;de tentam transformar algo que n&#227;o &#233; familiar em algo que j&#225; &#233; conhecido, induzido por um processo de compara&#231;&#227;o, de valora&#231;&#227;o e de conformidade ou diverg&#234;ncia em rela&#231;&#227;o &#224; norma. Isto acarreta obviamente consequ&#234;ncias na orienta&#231;&#227;o de a&#231;&#227;o, pr&#225;ticas e subjetividades destes/as profissionais de sa&#250;de. </p>     <p>Deste modo, a presen&#231;a de discursos hegem&#243;nicos que d&#227;o sentido ao ser e estar em sociedade leva a que os/as profissionais categorizem as pacientes n&#227;o s&#243; com base na sua nacionalidade mas de acordo com as suas diferentes perten&#231;as identit&#225;rias. &#201; atrav&#233;s destas categorias que as/os profissionais regulam a sua rela&#231;&#227;o com as mulheres imigrantes e orientam o seu comportamento na presta&#231;&#227;o de cuidados. Verificamos que, apesar das transforma&#231;&#245;es societais que ocorrem no pa&#237;s a n&#237;vel do fen&#243;meno da globaliza&#231;&#227;o, e da sustenta&#231;&#227;o existente pela legisla&#231;&#227;o em vigor, os estere&#243;tipos e o etnocentrismo que permanecem no discurso dos/as profissionais de sa&#250;de e no imagin&#225;rio social funcionam como uma barreira para a identifica&#231;&#227;o e interven&#231;&#227;o face &#224;s necessidades de sa&#250;de, no dom&#237;nio sociocultural das mulheres imigrantes, levando a uma clara regula&#231;&#227;o comportamental a n&#237;vel dos cuidados que s&#227;o prestados a estas mulheres. Os/As profissionais cumprem com as suas obriga&#231;&#245;es t&#233;cnicas de presta&#231;&#227;o de cuidado, o seu compromisso, mas esta presta&#231;&#227;o de cuidado surge indissoci&#225;vel de um conhecimento localizado e situado destes/as profissionais que est&#225; dependente da sua forma&#231;&#227;o de base e da sua sensibilidade para lidar com a diversidade cultural e n&#227;o apenas assente na legisla&#231;&#227;o vigente. </p>     <p>O <i>compromisso regulador</i> propicia desigualdades nos contextos de sa&#250;de para a popula&#231;&#227;o imigrante, uma vez que, ao partir de estere&#243;tipos, leva a um claro enviesamento. Esta constru&#231;&#227;o discursiva pode surgir como uma barreira clara no acesso aos cuidados, pois informa e refor&#231;a a ideia errada de que as pacientes imigrantes s&#227;o cidad&#227;s desprovidas de direitos, desvalorizando-se os seus conhecimentos e as suas dificuldades. </p>     <p><b>Conclus&#245;es</b><b> </b></p>     <p>Este estudo salienta que, mesmo existindo legisla&#231;&#227;o em Portugal que protege a mulher imigrante gr&#225;vida garantindo-lhe o acesso e usufruto de cuidados de sa&#250;de gratuitos, bem como algumas a&#231;&#245;es da comunidade no sentido de melhorar a condi&#231;&#227;o do cidad&#227;o e cidad&#227; imigrante a n&#237;vel da sa&#250;de em Portugal &#8211; de que s&#227;o exemplo a linha de tradu&#231;&#227;o do Alto Comissariado para as Migra&#231;&#245;es, o gabinete de sa&#250;de do Centro Nacional de Apoio ao Imigrante, em Lisboa, e projetos criados por diferentes organiza&#231;&#245;es a n&#237;vel nacional (e.g., projeto Saudar, M&#233;dicos do Mundo, Santa Casa da Miseric&#243;rdia de Lisboa), que t&#234;m como principal objetivo otimizar os cuidados e pr&#225;ticas de sa&#250;de ,&#8211; tal n&#227;o significa que diferentes mulheres imigrantes gr&#225;vidas continuem a confrontar-se com m&#250;ltiplas barreiras de acesso, de que se evidencia a rela&#231;&#227;o que estabelecem com os/as profissionais de sa&#250;de. Verificamos, com este estudo, que a rela&#231;&#227;o profissional de sa&#250;de-utente continua a ser pautada por um etnocentrismo dual, na medida em que a/o profissional de sa&#250;de avalia a paciente ancorando-se nas suas conce&#231;&#245;es de verdade sobre sa&#250;de e doen&#231;a bem como nas suas expectativas e estere&#243;tipos relativamente &#224;s utentes.</p>     <p>As quest&#245;es de poder existentes nas rela&#231;&#245;es de cuidado n&#227;o se cingem apenas ao poder do Estado, mas ao poder de todos/as os/as intervenientes na presta&#231;&#227;o de cuidados, que surge como uma forma de controlo e de regula&#231;&#227;o de uns indiv&#237;duos sobre outros (Fonseca &amp; Silva, 2010; Foucault, 2002; Viruell-Fuentes <i>et al</i>., 2012). Este poder, que aqui se problematiza e reflete, se, por um lado, protege e beneficia as mulheres gr&#225;vidas em termos dos cuidados preconizados, garantindo-lhes um melhor bem-estar e a preven&#231;&#227;o de problemas futuros, por outro lado, limita, constrange, homogene&#237;za e reprime. Continua a n&#227;o existir um empenho na constru&#231;&#227;o de um modelo social de sa&#250;de positiva, intercultural, interseccional que recuse a essencializa&#231;&#227;o; centrado nas necessidades dos indiv&#237;duos e da popula&#231;&#227;o e adaptado &#224;s suas especificidades (Weber &amp; Parra-Medina, 2003), este modelo ser&#225; crucial para a humaniza&#231;&#227;o do atendimento. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Percebe-se tamb&#233;m que se torna necess&#225;rio ter em aten&#231;&#227;o o impacto das diferentes categorias identit&#225;rias das mulheres &#8211; g&#233;nero, anacionalidade, etnia, orienta&#231;&#227;o sexual, religi&#227;o, entre outras &#8211; nos contextos de sa&#250;de, uma vez que estas evidenciam n&#227;o s&#243; necessidades diferenciadas como viv&#234;ncias d&#237;spares (Bowleg, 2012; Viruell-Fuentes <i>et al</i>., 2012). </p>     <p>&#201; fulcral que a/o profissional de sa&#250;de abandone o &#8220;compromisso&#8221; de regularizar procedimentos e condutas, distanciando-se das suas pr&#243;prias cren&#231;as e valores, e perspetive a utente como o elemento-chave que lhe vai dar informa&#231;&#245;es sobre a cultura que rege a sua conduta de vida (FRA, 2013). A/O profissional deve permitir o envolvimento da utente no que respeita ao processo de sa&#250;de-doen&#231;a, tendo-a como colaboradora fundamental durante todo o procedimento de planeamento, desenvolvimento e implementa&#231;&#227;o de interven&#231;&#245;es no &#226;mbito da sa&#250;de (WHO, 2013).</p>     <p>Parece importante n&#227;o olvidar as pr&#243;prias institui&#231;&#245;es e os seus procedimentos internos. A constitui&#231;&#227;o de manuais de boas pr&#225;ticas, a monitoriza&#231;&#227;o de cuidados e a continuidade de cuidados s&#227;o essenciais, no sentido de cada mulher imigrante poder ter, pelo menos, o n&#250;mero m&#237;nimo aconselhado de consultas de vigil&#226;ncia pr&#233;-natal e de revis&#227;o de puerp&#233;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS</b><b> BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Am&#226;ncio, L. (1994). <i>Masculino &amp; feminino: A constru&#231;&#227;o social da diferen&#231;a</i>. Porto: Edi&#231;&#245;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836495&pid=S0874-6885201600020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bowleg, L. (2012). The problem with the phrase&nbsp;women and minorities:&nbsp;Intersectionality &#8211; an important theoretical framework for public health. <i>American Journal of Public Health</i>, <i>102</i>(7), 1267-1273.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836497&pid=S0874-6885201600020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Bragg, R. (2008). Maternal deaths and vulnerable migrants. <i>Lancet</i>, <i>371</i>, 879-881.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836499&pid=S0874-6885201600020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Braun, V. &amp; Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. <i>Qualitative Research in Psychology</i>, <i>3</i>, 77-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836501&pid=S0874-6885201600020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. &amp; L&#225;zaro, A. (1997). Identidade social e estere&#243;tipos sociais de grupos em conflito: um estudo numa organiza&#231;&#227;o universit&#225;ria. <i>Cadernos do Noroeste</i>, 10 (1), 411-426.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836503&pid=S0874-6885201600020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. (2002a). Categoriza&#231;&#227;o e diferencia&#231;&#227;o: A percep&#231;&#227;o do estatuto social de diferentes grupos &#233;tnicos em Portugal. <i>Sociedade e Cultura</i>, <i>5</i>, 69-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836505&pid=S0874-6885201600020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. (2002b). <i>Racismo e etnicidade em Portugal: Uma an&#225;lise psico-sociol&#243;gica da homogeneiza&#231;&#227;o das minorias</i> (Disserta&#231;&#227;o de Doutoramento). Instituto de Ci&#234;ncias Sociais da Universidade do Minho. Portugal. Dispon&#237;vel em <a href="http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/25/1/TESE_RC_FINAL.pdf" target="_blank">http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/25/1/TESE_RC_FINAL.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836507&pid=S0874-6885201600020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Decreto-Lei n.&#186; 173/2003, <i>Di&#225;rio da R&#233;publica</i> n.&#186; 176, I S&#233;rie-A, de 1 de agosto de 2003. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Despacho n.&#186; 25 360/2001, <i>Di&#225;rio da R&#233;publica</i> n.&#186; 286, II S&#233;rie, de 12 de dezembro de 2001.</p>     <!-- ref --><p>Dias, S.; Gama, A. &amp; Horta, R. (2010). Avalia&#231;&#227;o dos cuidados de sa&#250;de: perce&#231;&#245;es de mulheres imigrantes em Portugal. <i>Revista Brasileira de Sa&#250;de Materno Infantil</i>, <i>10</i>, S39-S47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836511&pid=S0874-6885201600020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Dias, S.; Rocha, C. &amp; Horta, R. (2009). <i>Sa&#250;de sexual e reprodutiva de mulheres imigrantes africanas e brasileiras: Um estudo qualitativo.</i> Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836513&pid=S0874-6885201600020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fonseca, L. &amp; Silva, S. (2010). <i>Sa&#250;de e imigra&#231;&#227;o: Utentes e servi&#231;os na &#225;rea de influ&#234;ncia do Centro de Sa&#250;de da Gra&#231;a</i>. Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836515&pid=S0874-6885201600020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (2002). <i>The Archaeology of Knowledge</i>. (A. M. Sheridan Smith, Trad.). London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836517&pid=S0874-6885201600020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>FRA &#8211; European Union Agency for Fundamental Rights. (2013). <i>Inequalities and Multiple Discrimination in Access to and Quality of Healthcare</i>. &#193;ustria: FRA. Acedido em agosto 18, 2016 em <a href="http://fra.europa.eu/sites/default/files/inequalities-discrimination-healthcare_en.pdf" target="_blank">http://fra.europa.eu/sites/default/files/inequalities-discrimination-healthcare_en.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ganann, R., Sword, W., Black, M. &amp; Carpio, B. (2011). Influence of maternal birthplace on postpartum health and health services use. <i>Journal of Immigrant and Minority Health,</i> <i>14</i>(2), 223-229.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836520&pid=S0874-6885201600020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INE &#8211; Instituto Nacional de Estat&#237;stica. (2014). <i>Estat&#237;sticas demogr&#225;ficas 2014</i>. Lisboa: INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836522&pid=S0874-6885201600020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lei Constitucional n.&#186; 1/2005, <i>Di&#225;rio da Rep&#250;blica</i> n.&#186; 155, S&#201;RIE I-A, de 12 de agosto de 2005.</p>     <!-- ref --><p>Moscovici, S. (1976). <i>Social Influence and Social Change</i>. Londres: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836525&pid=S0874-6885201600020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Padilla, B. (2007). A imigrante brasileira em Portugal: Considerando o g&#233;nero na an&#225;lise. In J. Malheiros (Ed.), <i>Imigra&#231;&#227;o brasileira em Portugal</i> (pp. 113-134). Lisboa: ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836527&pid=S0874-6885201600020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pais-Ribeiro, J. (2007). <i>Introdu&#231;&#227;o &#224; psicologia da sa&#250;de</i>. (2.&#170; ed.). Coimbra: Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836529&pid=S0874-6885201600020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SEF &#8211; Servi&#231;o de Estrangeiros e Fronteiras. (2014). <i>Relat&#243;rio de imigra&#231;&#227;o: Fronteiras e asilo</i>. Dispon&#237;vel em: <a href="http://sefstat.sef.pt/Docs/Rifa_2014.pdf" target="_blank">http://sefstat.sef.pt/Docs/Rifa_2014.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836531&pid=S0874-6885201600020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Viruell-Fuentes, E.; Miranda, P. &amp; Abdulrahim, S. (2012). More than culture: Structural racism, intersectionality theory, and immigrant health. <i>Social Science &amp; Medicine</i>, 75(12), 2099-2106.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836533&pid=S0874-6885201600020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Weber, L. &amp; Parra-Medina, D. (2003). Intersectionality and women&#8217;s health. <i>Gender Perspectives on Health and Medicine: Key themes (advances in gender research)</i>, <i>7</i>, 181-230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836535&pid=S0874-6885201600020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>WHO &#8211; World Health Organization (2013). International Migration, Health and Human Rights. Geneva: WHO. Acedido em Agosto 20, 2016, em: <a href="http://www.ohchr.org/Documents/Issues/Migration/WHO_IOM_UNOHCHRPublication.pdf" target="_blank">http://www.ohchr.org/Documents/Issues/Migration/WHO_IOM_UNOHCHRPublication.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836537&pid=S0874-6885201600020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Willig, C. (2008). Foucauldian discourse analysis. In C. Willig (Ed.), <i>Introducing Qualitative Research in Psychology</i> (pp. 112-131). London: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836539&pid=S0874-6885201600020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Artigo baseado na Tese de Doutoramento em Psicologia Social intitulada &#8220;Cuidados de sa&#250;de materno-infantis &#224; popula&#231;&#227;o imigrante residente em Portugal&#8221;, da primeira autora, apresentada &#224; Universidade do Minho em 2013, Braga, Portugal.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amâncio]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Masculino & feminino: A construção social da diferença]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Afrontamento]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bowleg]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The problem with the phrase women and minorities: Intersectionality - an important theoretical framework for public health]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Public Health]]></source>
<year>2012</year>
<volume>102</volume>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
<page-range>1267-1273</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bragg]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Maternal deaths and vulnerable migrants]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2008</year>
<volume>371</volume>
<page-range>879-881</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Braun]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Clarke]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Using thematic analysis in psychology]]></article-title>
<source><![CDATA[Qualitative Research in Psychology]]></source>
<year>2006</year>
<volume>3</volume>
<page-range>77-101</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cabecinhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lázaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Identidade social e estereótipos sociais de grupos em conflito: um estudo numa organização universitária]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos do Noroeste]]></source>
<year>1997</year>
<volume>10</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>411-426</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cabecinhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Categorização e diferenciação: A percepção do estatuto social de diferentes grupos étnicos em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociedade e Cultura]]></source>
<year>2002</year>
<volume>5</volume>
<page-range>69-91</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cabecinhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Racismo e etnicidade em Portugal: Uma análise psico-sociológica da homogeneização das minorias]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gama]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Horta]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação dos cuidados de saúde: perceções de mulheres imigrantes em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil]]></source>
<year>2010</year>
<volume>10</volume>
<page-range>S39-S47</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rocha]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Horta]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Saúde sexual e reprodutiva de mulheres imigrantes africanas e brasileiras: Um estudo qualitativo]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ACIDI]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Saúde e imigração: Utentes e serviços na área de influência do Centro de Saúde da Graça]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ACIDI]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foucault]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Smith]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. Sheridan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Archaeology of Knowledge]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>European Union Agency for Fundamental Rights</collab>
<source><![CDATA[Inequalities and Multiple Discrimination in Access to and Quality of Healthcare]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ganann]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sword]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Black]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carpio]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Influence of maternal birthplace on postpartum health and health services use]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Immigrant and Minority Health]]></source>
<year>2011</year>
<volume>14</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>223-229</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Instituto Nacional de Estatística</collab>
<source><![CDATA[Estatísticas demográficas 2014]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[INE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moscovici]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social Influence and Social Change]]></source>
<year>1976</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Academic Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Padilla]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A imigrante brasileira em Portugal: Considerando o género na análise]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Malheiros]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Imigração brasileira em Portugal]]></source>
<year>2007</year>
<page-range>113-134</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ACIDI]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pais-Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à psicologia da saúde]]></source>
<year>2007</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Quarteto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Serviço de Estrangeiros e Fronteiras</collab>
<source><![CDATA[Relatório de imigração: Fronteiras e asilo]]></source>
<year>2014</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Viruell-Fuentes]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Miranda]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Abdulrahim]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[More than culture: Structural racism, intersectionality theory, and immigrant health]]></article-title>
<source><![CDATA[Social Science & Medicine]]></source>
<year>2012</year>
<volume>75</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>2099-2106</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weber]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Parra-Medina]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Intersectionality and women's health]]></article-title>
<source><![CDATA[Gender Perspectives on Health and Medicine: Key themes (advances in gender research)]]></source>
<year>2003</year>
<volume>7</volume>
<page-range>181-230</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[International Migration, Health and Human Rights]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[WHO]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Willig]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Foucauldian discourse analysis]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Willig]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introducing Qualitative Research in Psychology]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>112-131</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Open University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
