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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Revista Os Nossos Filhos: resistência e oposição ao Estado Novo - Um olhar sobre as ligações sociais e profissionais da sua autora]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyzes Os Nossos Filhos (1942-1958) and supports the thesis that this feminine magazine must be seen as a political resistance programme, in opposition to the one defined by the Estado Novo (political Portuguese period 1933-1974). It describes an alternative educational curriculum for mothers and children very different from the one this political regime used to support and to impose.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Revista Os Nossos Filhos: resist&#234;ncia e oposi&#231;&#227;o ao Estado Novo &#8211; Um olhar sobre as liga&#231;&#245;es sociais e profissionais da sua autora </b></font></p>     <p><b>Ana Maria Pessoa</b>*</p>     <p>*Instituto Polit&#233;cnico de Set&#250;bal, Escola Superior de Educa&#231;&#227;o      <p><a href="mailto:ana.pessoa@ese.ips.pt">ana.pessoa@ese.ips.pt</a> </p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente texto analisa <i>Os Nossos Filhos</i><b> </b>(1942-1958) e defende que esta revista de educa&#231;&#227;o feminina deve ser vista como uma publica&#231;&#227;o produzida num contexto de <i>oposi&#231;&#227;o</i> e de <i>resist&#234;ncia </i>ao Estado Novo. Nela se defende um programa de educa&#231;&#227;o para as m&#227;es e as crian&#231;as alternativo ao que era plasmado nas revistas que o regime apoiava. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>imprensa feminina; educa&#231;&#227;o feminina; oposi&#231;&#227;o pol&#237;tica s&#233;culo XX; Maria L&#250;cia Namorado.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study analyzes <i>Os Nossos Filhos</i> (1942-1958) and supports the thesis that this feminine magazine must be seen as a political <i>resistance</i> programme, in <i>opposition</i> to the one defined by the Estado Novo (political Portuguese period 1933-1974). It describes an alternative educational curriculum for mothers and children very different from the one this political regime used to support and to impose.</p>     <p><b>Keywords</b>: women press; women education; political opposition &#8211; 20<sup>th</sup> century; Maria L&#250;cia Namorado.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A revista <i>Os Nossos Filhos</i> (205 n&#250;meros, com periodicidade mensal entre 1942 e 1958 e anual at&#233; 1964)<i> </i>foi objeto de an&#225;lise parcial, na disserta&#231;&#227;o de mestrado de Ana Maria Borges (2003). A&#237;, como em textos posteriores, foi colocada no conjunto das revistas ditas femininas e sobretudo de educa&#231;&#227;o feminina ou familiar, publicadas durante o Estado Novo. Em 2006, numa tese de doutoramento, defendi que a referida revista deveria ser vista como uma proposta sistematizadora de educa&#231;&#227;o das m&#227;es e das crian&#231;as, num contexto de <i>oposi&#231;&#227;o</i> e de <i>resist&#234;ncia </i>a esse mesmo regime. Deveria ser lida tamb&#233;m como uma das muitas formas de que se metamorfoseou aquele processo, uma vez que na revista se apresentava um programa de vida e de educa&#231;&#227;o feminina id&#234;ntico, mas por vezes tamb&#233;m alternativo, ao do regime, de fora das organiza&#231;&#245;es oficiais como a <i>Obra das M&#227;es para a Educa&#231;&#227;o Nacional</i>. Este artigo pretende contribuir para esclarecer a hip&#243;tese enunciada no t&#237;tulo. </p>     <p>Refiro que, para identificar as propostas pedag&#243;gicas contidas nesta publica&#231;&#227;o, al&#233;m de todos os artigos da revista, perlustrei diversas fontes escritas, fontes prim&#225;rias (os 205 n&#250;meros da revista) e secund&#225;rias, assim como in&#250;meros documentos (n&#227;o) oficiais, brochuras e outras publica&#231;&#245;es peri&#243;dicas como os jornais onde a diretora da revista colaborou &#8211; por exemplo, <i>Not&#237;cias de Penacova</i> (1932) ou <i>Di&#225;rio de Lisboa</i> (anos 60 do s&#233;c. XX) &#173;&#8211; e diversas monografias (da diretora e de colaboradoras da revista), iconografia (fotografias do Esp&#243;lio de Maria L&#250;cia Namorado) e fontes orais (cerca de 70 entrevistas feitas a diversos(as) colaboradoras(es) da revista, ent&#227;o ainda vivas(os)). </p>     <p>Para redefinir o contexto da revista <i>Os Nossos Filhos</i> (<i>ONF</i>), foi fundamental, como utensilagem te&#243;rica, a tese de Vanda Gorj&#227;o (2002), &#250;nica refer&#234;ncia ent&#227;o existente especificamente sobre as mulheres e a oposi&#231;&#227;o<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> ao Estado Novo. </p>     <p>Dediquei, ainda, cuidada aten&#231;&#227;o &#224; identifica&#231;&#227;o e defini&#231;&#227;o dos dois conceitos utilizados: os de  <i>oposi&#231;&#227;o </i>e de <i>resist&#234;ncia</i>, no caso particular articulando-os com o de Estado Novo. Parti da hip&#243;tese de que ( ... ) na sociedade portuguesa ( ... ) n&#227;o havia uma s&#243; ideologia &#8211; a do <i>Estado Novo </i>e da Igreja &#8211; relativamente &#224;s mulheres e, ao contr&#225;rio do mito espalhado pelo regime de que todos os portugueses pensavam da mesma forma e do outro mito espalhado pela oposi&#231;&#227;o de que a ditadura era omnipresente, <i>houve sempre </i>espa&#231;os que foram aproveitados para o exerc&#237;cio de uma liberdade relativa ( ... ). (Pimentel, 2000, p. 210)</p>     <p>Para al&#233;m de muitas outras formas de que se revestiu a sua resist&#234;ncia, Maria L&#250;cia Vassalo Namorado (MLN), prima de Maria Lamas (1893-1983), era filiada nas duas organiza&#231;&#245;es femininas vistas como hostis pelo/ao Estado Novo (Gorj&#227;o, 1994): o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP) e a Associa&#231;&#227;o Feminina Portuguesa para a Paz (AFPP). Foi tamb&#233;m subscritora das listas do Movimento de Unidade Democr&#225;tica (MUD) em 1945. Usando o espa&#231;o de liberdade relativa acima identificado, tamb&#233;m ela quis agrupar as mulheres e &#8220;( ... ) actuou entre elas de forma independente com um programa aut&#243;nomo e uma direc&#231;&#227;o feminina pr&#243;pria ( ... )&#8221; (Pimentel, 2000, p. 10).</p>     <p>No per&#237;odo de nove d&#233;cadas em que viveu, oriunda de uma fam&#237;lia republicana tradicional e sempre estimulada pela prima, cedo come&#231;ou a trabalhar, de modo discreto e moderado, na &#225;rea da educa&#231;&#227;o. Em outras atividades anteriores mas, sobretudo, na sua atividade profissional como diretora de <i>ONF</i>, preconiza um afastamento face ao regime e aproxima-se inequivocamente da oposi&#231;&#227;o e da resist&#234;ncia. Por essa raz&#227;o, a revista n&#227;o consegue sobreviver no per&#237;odo do &#8220;endurecimento do regime entre 1961 e 1968&#8221; (Rosas, 2004, p. 8), sendo suspensa em 1958 e agonizando, com n&#250;meros apenas anuais, at&#233; 1964. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito &#224; educa&#231;&#227;o, quer nas suas primeiras publica&#231;&#245;es, quer na revista, e ainda depois do fecho desse projeto, Maria L&#250;cia Namorado defende muitos dos valores de uma educa&#231;&#227;o que hoje classificamos de republicana (Carvalho, 1986). </p>     <p>N&#227;o sendo poss&#237;vel, neste artigo, enunciar todas as premissas que permitem defender a liga&#231;&#227;o da autora &#224; oposi&#231;&#227;o e &#224; resist&#234;ncia ainda antes<i> </i>do per&#237;odo entre 1942 e 1958, veja-se como podem ser identificadas as op&#231;&#245;es profissionais e pol&#237;ticas que a aproximam, e sobretudo as que a afastam<i>,</i> da corrente de pensamento que aceitava, sem reservas, os princ&#237;pios do Estado Novo. MLN est&#225; consciente dos problemas que a oposi&#231;&#227;o enfrenta, sabe que a prima Maria Lamas tem uma vida empenhada e agitada e ela pr&#243;pria segue atentamente a evolu&#231;&#227;o pol&#237;tica e repressiva do regime. Tendo conhecimento de que, no ver&#227;o de 1945, a<i> </i>oposi&#231;&#227;o<i> </i>tenta um novo golpe liderado por Norton de Matos, no qual tamb&#233;m participa Jo&#227;o Soares, pai de M&#225;rio Soares (Raimundo, 2003), tal facto n&#227;o a impede de, por mais de uma vez, referir o Col&#233;gio Moderno na revista de que &#233; diretora. Nesse mesmo ano, nasce o <i>MUD</i>, cujas listas fundadoras subscreve. </p>     <p>Como diretora da revista (iniciativa que Maria Lamas n&#227;o apoia mas na qual participa) tem a colabora&#231;&#227;o de in&#250;meras mulheres e homens com liga&#231;&#245;es ao regime, hoje, e j&#225; ent&#227;o, conotadas(os) com a resist&#234;ncia, e mesmo com a oposi&#231;&#227;o, como Maria Palmira Tito de Morais, Maria Isabel C&#233;sar Anjo, L&#237;lia da Fonseca, Maria da Luz Albuquerque, Alice Vieira, M&#225;rio Castrim (com pseud&#243;nimo de L&#250;cia Benedita) entre muitas(os) outras(os). A Editorial ONF, de que foi diretora, editora, redatora e administradora, vai publicar alguns dos livros ent&#227;o pouco aconselhados<i> </i>para crian&#231;as, como os de Maria Isabel C&#233;sar Anjo ou de Matilde Rosa Ara&#250;jo&#8230;</p>     <p>Das entrevistas feitas a diversas dessas senhoras ou familiares pr&#243;ximos, como Maria C&#226;ndida Caeiro, Isabel C&#233;sar Anjo, Leonoreta Leit&#227;o, Maria Isabel Mendon&#231;a Soares e Alice Vieira, fui recolhendo quer documentos materiais quer informa&#231;&#245;es que me permitiram confirmar a teia de rela&#231;&#245;es pessoais, afetivas e profissionais de MLN, sobretudo na &#225;rea da<i> </i>resist&#234;ncia ao Estado Novo.</p>     <p>Essa teia conota-a com a resist&#234;ncia e oposi&#231;&#227;o e interfere na sua atividade pessoal e profissional. A t&#237;tulo de exemplo, refira-se que foi secret&#225;ria da Assembleia-geral do CNMP, sob a presid&#234;ncia de Maria Lamas, pertenceu &#224; Sec&#231;&#227;o Portuguesa de Educa&#231;&#227;o pela Arte, no tempo de Alice Gomes (irm&#227; de Soeiro Pereira Gomes), e foi membro da Sec&#231;&#227;o Portuguesa de IBBY &#8211; International Board on Books for Young People (integrando o grupo de leitura e classifica&#231;&#227;o de livros para crian&#231;as publicados em Portugal) no tempo de L&#237;lia da Fonseca (pseud&#243;nimo de Maria L&#237;gia Severino); participou ainda na Campanha de Alfabetiza&#231;&#227;o de Adultos,<i> </i>promovida por Helena Cidade Moura ap&#243;s a revolu&#231;&#227;o em 1974, e foi s&#243;cia fundadora do Instituto de Apoio &#224; Crian&#231;a, no tempo de Manuela Eanes. </p>     <p>Como editora, planeou, dirigiu e editou, na cole&#231;&#227;o &#8220;Os Livros da Grande Roda&#8221;, livros de sua autoria, bem como de Irene Lisboa, de Raquel Delgado e de Maria Isabel C&#233;sar Anjo &#8211; desta &#250;ltima, <i>A Primavera</i>, <i>O Ver&#227;o</i>, <i>O Outono</i> e <i>O</i> <i>Inverno</i><i>&#8230;, </i>com ilustra&#231;&#245;es de Maria Keil. Escreveu, para crian&#231;as, <i>A hist&#243;ria do pintainho amarelo</i> (sobre a reabilita&#231;&#227;o de cegos), ilustrado por Maria Keil, e, como conferencista, fez e publicou:<i> Breves considera&#231;&#245;es sobre o valor pedag&#243;gico e social dos Jardins Escola Jo&#227;o de Deus</i>; <i>Mensagem de Helen Keller</i> e <i>Funda&#231;&#227;o Sain e a reabilita&#231;&#227;o das pessoas cegas em Portugal. </i>Traduziu ainda <i>Problemas quotidianos de Educa&#231;&#227;o</i>, de Irene L&#232;zine, assim como <i>Jean qui grogne et Jean qui rit</i> (tradu&#231;&#227;o erradamente atribu&#237;da a Maria Lamas).</p>     <p>A revista<i> </i>foi lugar de um discurso pedag&#243;gico sistematizado, por vezes id&#234;ntico mas muitas vezes tamb&#233;m divergente do que era difundido pelas organiza&#231;&#245;es vocacionadas para a educa&#231;&#227;o feminina no Estado Novo. A revista <i>ONF</i> e<i> </i>a Editorial que fundou com a mesma designa&#231;&#227;o, com sede em Lisboa, na Rua Almeida e Sousa 25, 2.&#186; Esq., foram um meio de sobreviv&#234;ncia econ&#243;mica de MLN, mas, simultaneamente, um espa&#231;o onde muitas pessoas, por motivos pol&#237;ticos, puderam expressar a sua opini&#227;o/saber.</p>     <p>A revista teve uma &#250;nica funcion&#225;ria, Maria Helena Rosa Torres Peres Seixas, que terminara, em 1941, o Curso de Bordados e Rendas<i> </i>e fora aluna de Maria Clementina Carneiro de Moura, na Escola Machado de Castro. Mais tarde filiada no PCP, esta funcion&#225;ria foi s&#243;cia do CNMP, ali entrando pela m&#227;o da diretora da revista<i>.</i></p>     <p>O apelo &#224; participa&#231;&#227;o das(os) leitoras(es) era frequente e at&#233; crian&#231;as filhas de opositoras(es) ao regime, a partir de 1953, viram textos publicados como, entre muitas(os) outras(os), Pitum Keil do Amaral (nov. 1953) e Maria Lyra Pereira.</p>     <p>Algumas mulheres colaboradoras de <i>Modas &amp; Bordados</i> tamb&#233;m publicam em <i>ONF</i> e pertencem ao CNMP: Em&#237;lia Sousa Costa, Sara Beir&#227;o, Elina Guimar&#227;es, Branca de Gonta Cola&#231;o e Maria Lamas. Esta &#250;ltima, quando, em 11 de julho de 1945, se torna presidente daquele &#243;rg&#227;o, por proposta de MLN, leva algumas dessas colaboradoras para o Conselho<i> </i>(Guimar&#227;es, 2002). Est&#227;o ainda nesse grupo outras colaboradoras da revista como<i> </i>Julieta Ferr&#227;o, Adelaide Bram&#227;o, Alice Ogando e Judith Maggiolly.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como em <i>Modas &amp; Bordados</i>, tamb&#233;m em <i>Os Nossos Filhos</i> se detetam sensibilidades diferentes, do ponto de vista ideol&#243;gico: h&#225; colaboradoras empenhadas com o regime, como Judite Furtado Coelho (que fora professora de MLN no Liceu Almeida Garrett e orientava as leitoras sobre Educa&#231;&#227;o F&#237;sica), mas tamb&#233;m ali escrevem Maria Carolina Ramos, Branca Rumina, Sara Benoliel, Maria de Carvalho, Ilse Losa, Manuela Porto, Maria Palmira Tito de Morais e muitas outras. MLN ter&#225; contactado Rui Gr&#225;cio para este escrever, na revista, sobre o problema da literatura infantil, apresentando-se este como &#8220;colaborador amigo sempre ao seu dispor&#8221; (Caixa 42. Ma&#231;o 2).</p>     <p>Como exemplo de colaboradora convidada est&#225;, em carta de 22 de mar&#231;o de 1943, Elina Guimar&#227;es que agradece o convite que a  diretora da revista lhe endere&#231;a para ali escrever<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>, aceitando e afirmando:</p>     <p>( ... ) muito agrade&#231;o desvanecedora carta ( ... ) a quem admiro atrav&#233;s da sua nobil&#237;ssima obra. Tenho seguido com o maior interesse a revista ( ... ) e considero como uma honra e um prazer colaborar nela fazendo partilhar as outras mais do meu pequeno cabedal de experi&#234;ncia pr&#225;tica e estudos te&#243;ricos ( ... ). (Caixa 41. Ma&#231;o 3)</p>     <p>Convidadas(os) a colaborar foram ainda Eduardo Antunes Gajeiro, fot&#243;grafo (Caixa 41. Ma&#231;o 3), e Claro do Prado (pseud&#243;nimo de Eduarda Mattos), a quem, por interm&#233;dio de Fernando Pessa, a diretora de <i>ONF </i>convidou para correspondente em Londres (Caixa 47. Ma&#231;o 3). </p>     <p>Irene Lisboa havia recusado inicialmente a colabora&#231;&#227;o por falta de tempo, como se confirma em carta que a pedagoga envia a MLN: &#8220;( ... ) muito me penhora o seu convite mas lamento n&#227;o ter tempo dispon&#237;vel para lhe corresponder como deseja. Suponho, no entanto, que V. Ex.&#170; poder&#225; encontrar, al&#233;m das muitas colaboradoras ilustres e interessantes que j&#225; tem, outras, entre os literatos, pedagogos e artistas portugueses que h&#225;. Que seja bem sucedida como ali&#225;s, a sua obra merece e carece ( ... )&#8221; (Caixa 41. Ma&#231;o 1). Mais tarde muda de opini&#227;o e imp&#245;e condi&#231;&#245;es para a publica&#231;&#227;o dos seus artigos: &#8220;( ... ) n&#227;o os poderei ilustrar e ( ... ) devem ser publicados em n&#250;meros seguidos, sem fraccionamentos nem dist&#226;ncias e que o pre&#231;o a pagar de cada artigo seja de 100$00 escudos, pre&#231;o que considero ainda baixo ( ... )&#8221; (Caixa 47. Ma&#231;o 3). Outra das condi&#231;&#245;es era n&#227;o assinar, ao que a diretora da revista respondeu: &#8220;<i>a senhora assina como puder</i> e (Irene Lisboa) come&#231;ou a mandar colabora&#231;&#227;o com anagrama ( ... ) e com um nome diferente <i>Carlos Taveira</i>, um nome que n&#227;o era conhecido de ningu&#233;m ( ... )&#8221; (Borges, 2003, p. 212). </p>     <p>Destas(es) colaboradoras(es), pagas &#224; pe&#231;a, t&#234;m remunera&#231;&#227;o sistem&#225;tica Maria Palmira Tito de Morais, Adriana Rodrigues (m&#227;e de Jos&#233; Barata Moura), Isaura Correia Santos, e m&#233;dicos como Ferreira de Mira e Jo&#227;o Farmhouse, assim como Maria Alda Nogueira, conhecida ativista e oposicionista do/ao regime vigente, e ainda Maria Lamas.</p>     <p>A publica&#231;&#227;o segue uma linha republicana liberal, embora, sobretudo ap&#243;s finais da d&#233;cada de 40 e toda a d&#233;cada de 50, se perceba uma orienta&#231;&#227;o indiscutivelmente de oposi&#231;&#227;o e resist&#234;ncia,<i> </i>como prova a refer&#234;ncia a alguns dados biogr&#225;ficos de muitas(os) colaboradoras(es). Neste grupo de colaboradoras(es) remuneradas(os) e frequentes, vejam-se, por exemplo, Maria Borges (ou Maria Am&#225;lia Borges de Medeiros), que chegou a assinar o &#8220;Correio dos pais&#8221; (dez. 1956), Maria Palmira Tito de Morais (que fundou em 1939, com Maria Monjardino, o Centro de Sa&#250;de de Lisboa, sempre apresentado como um Centro modelo na revista, e onde trabalhou at&#233; 1949), ou ainda Alda Nogueira (Borges, 2003).</p>     <p>Das rela&#231;&#245;es familiares e pessoais de MLN faziam parte outras(os) colaboradoras(es) da revista como M&#225;rio Castrim, Ant&#243;nio Em&#237;lio de Magalh&#227;es (cr&#237;tico da situa&#231;&#227;o dentro do regime), Maria Lu&#237;sa Manso (professora de piano do filho mais novo da diretora da revista), Matilde Rosa Ara&#250;jo (aluna da escola prim&#225;ria de Joana Vassalo, irm&#227; de Maria Lamas, e que conhecera MLN muito nova). A m&#227;e desta escritora, C&#225;rmen Ribeiro Lopes de Ara&#250;jo, foi tamb&#233;m assinante da revista. Nestas rela&#231;&#245;es de amizade, encontram-se ainda Lucinda Atalaia, ent&#227;o diretora do Jardim-Escola Jo&#227;o de Deus, e L&#237;lia da Fonseca<i>,</i> feminista assumida; estas duas mulheres, bem como as j&#225; referidas Alice Gomes, Madalena Gomes e Maria Jos&#233; Estanco, ficar&#227;o amigas at&#233; ao fim da vida.</p>     <p>Ao longo dos dezasseis anos de vig&#234;ncia da revista v&#225;rias foram as personagens, geralmente colaboradores(as), cuja nota necrol&#243;gica foi feita nas suas p&#225;ginas. Destas, h&#225; duas sobre a mesma colaboradora: Manuela Porto, do CNMP<i> </i>e amiga pessoal de MLN. A primeira foi publicada no m&#234;s seguinte ao da sua morte (ago. 1950); um ano depois, a revista refere a homenagem p&#243;stuma que a AFPP promovera a 24 de abril, data do anivers&#225;rio da homenageada. Houve o descerrar de uma placa no cemit&#233;rio do Lumiar e, &#224; noite, no Museu Jo&#227;o de Deus, m&#250;sica com a pianista Maria da Gra&#231;a Amado da Cunha e um grupo coral. Usaram da palavra a jornalista L&#237;lia da Fonseca e o compositor Fernando Lopes Gra&#231;a, e Maria Barroso disse duas poesias (maio 1951).</p>     <p>Em meados dos anos 40, sempre numa perspetiva muito cr&#237;tica, a revista publicou in&#250;meros artigos sobre a guerra e as suas consequ&#234;ncias. S&#227;o publicados mais de duzentos pequenos artigos, cita&#231;&#245;es na forma de pequenas frases para meditar e textos sobre diversas iniciativas, da autoria de colaboradores(as) estrangeiros(as). Muitas vezes &#233; neles que se encontra o que no pa&#237;s n&#227;o se podia dizer, devido &#224; censura. Os textos da diretora sobre o que se passava no estrangeiro s&#227;o pequenas notas retiradas de publica&#231;&#245;es de refer&#234;ncia, muitas das quais identificadas como fontes. Tal como nos temas da &#225;rea pol&#237;tica, tamb&#233;m nos de educa&#231;&#227;o a revista n&#227;o s&#243; tentava mostrar, dando o exemplo do exterior, o que propunha na sua revista como aproveitava para evidenciar aspetos que, no quotidiano nacional, estavam arredados das conversas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre a vida em Inglaterra, a colaboradora An&#225;lia Torres, fingindo ter recebido cartas de uma portuguesa, pretende provar que naquele pa&#237;s, mesmo com a guerra, era menos dif&#237;cil a vida das mulheres trabalhadoras (ago. 1951). Sobre a Su&#233;cia encontram-se artigos de J. Beltr&#227;o Coelho e Ilse Losa (fev. 1951), e, sobre o quotidiano das mulheres belgas, escreveu Em&#237;lia Gomes Ba&#231;&#227;o Leal (mar. 1948). Maria Lu&#237;sa Manso escreveu sobre educa&#231;&#227;o musical quando, em Londres, fez uma s&#233;rie de confer&#234;ncias na BBC, sobre analfabetismo musical (abr.-jun. 1950). Cec&#237;lia Rey Cola&#231;o Menano (dez.-fev. 1951) deixou o seu testemunho sobre educa&#231;&#227;o no estrangeiro, a partir de um conjunto de notas de viagem tomadas aquando da sua ida &#224; Su&#237;&#231;a. Nesta abordagem &#224; colabora&#231;&#227;o estrangeira, referem-se outras(os) articulistas: entre junho e outubro de 1948 publicaram-se artigos a prop&#243;sito de uma palestra sobre a educa&#231;&#227;o no M&#233;xico, destacando a forma como fora conduzida a Campanha Nacional do Analfabetismo<i>,</i> como se haviam organizado as &#8220;equipas para dar apoio nos acidentes de trabalho&#8221;, como se viam os jardins infantis e como se organizara o ensino t&#233;cnico (out. 1948). Posteriormente, a partir de um artigo no seman&#225;rio <i>Expresso </i>(Cruz, 2005), foi-me poss&#237;vel identificar a palestrante:Maria Luiza Bosques, do <i>Unitarian Service Committee</i>. Tratava-se da mulher do embaixador do M&#233;xico em Portugal, Gilberto Bosques, que chegara &#8220;a Lisboa em Fevereiro de 1946 e trazia a miss&#227;o de salvar republicanos espanh&#243;is em fuga. Conseguiu-o gra&#231;as a um ins&#243;lito pacto estabelecido com Salazar, que assim tra&#237;a o acordo assinado com Franco ( ... ) em 17 de Mar&#231;o de 1939&#8221; (Cruz, 2005). O embaixador, acompanhado da fam&#237;lia, depois de &#8220;terem sido presos pelos nazis em Fran&#231;a e a seguir deportados para a Alemanha durante um ano, &#8221;, chegou a Lisboa com aquela miss&#227;o e conseguiu realizar os seus prop&#243;sitos. Os refugiados chegados &#224; capital eram encaminhados para &#8220;Maria Oppenheimer ligada ao Unitarian Service Committee.<i> </i>O embaixador s&#243; terminou a sua miss&#227;o em Lisboa ( ... ) em 23 de Janeiro de 1950&#8221; (Cruz, 2005). Maria Oppenheimer, com ficha na PIDE, foi autora de algumas cita&#231;&#245;es, avulso, colocadas nestes n&#250;meros da revista. </p>     <p>Como todas as publica&#231;&#245;es, <i>ONF</i> era visada pela <i>Comiss&#227;o de Censura</i>, &#224; qual MLN tinha um enorme pavor, pois n&#227;o podia imaginar o que seria a sua vida pessoal se lhe suspendessem ou a impedissem de publicar a revista. Apesar disso, n&#227;o se coibia de publicar muitos artigos de autoras(es) com rela&#231;&#245;es menos cordiais com tal entidade&#8230;</p>     <p>A identifica&#231;&#227;o de autores(as) atrav&#233;s de iniciais, acr&#243;nimos, nomes de solteira(s), pseud&#243;nimos femininos (por colaboradores) ou masculinos (por senhoras), ou mesmo a utiliza&#231;&#227;o de mais do que um pseud&#243;nimo para a mesma pessoa foram estrat&#233;gias que dificultaram uma mais r&#225;pida identifica&#231;&#227;o de algumas(uns) colaboradores(as) por parte da censura. O uso de pseud&#243;nimos &#233; um recurso frequente e &#233; o que faz Maria Palmira Tito de Morais num livro de culin&#225;ria<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> frequentemente anunciado em <i>ONF</i>,<i> </i>quando assina Blandimar. Quando, por motivos pol&#237;ticos, esta colaboradora, cujos textos s&#227;o an&#243;nimos e foram republicados, deixou de poder assinar o que escrevia, usou outras identifica&#231;&#245;es como Maria da Gra&#231;a<i> </i>(jan. 1947) e Uma Puericultora<i> </i>(mar. 1947). </p>     <p>Algumas colaboradoras, conotadas com a oposi&#231;&#227;o, tamb&#233;m usaram pseud&#243;nimos para poderem escrever com mais de uma interven&#231;&#227;o no mesmo n&#250;mero ou em n&#250;meros diversos, destacando-se a Professorinha de aldeia (Isabel C&#233;sar Anjo), Airina<i> </i>(Irene Lisboa), Carlos Taveira (Irene Lisboa), Rosa Silvestre (Maria Lamas), Suzana Pobre e S<i>.</i> (Maria do Carmo Rodrigues, escritora e diretora de <i>A Canoa,</i> em 1952), Aprendiz de educadora (Madalena Pires, da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Surdos), Uma m&#227;e agradecida (Maria da Natividade Pinheiro Correia, do CNMP de Coimbra), Ana Marcus (Ilse Losa), Maria Valverde Porto<i> </i>(Em&#237;lia de Sousa Costa), Ana Maria (Guida Ottolini), Maria Paula de Azevedo (Iracema Folque do Souto) e Mitza (Maria Teresa G. de Andrade Santos, de <i>O Beiral</i>). </p>     <p>Usando v&#225;rios pseud&#243;nimos e explicando ou n&#227;o a raz&#227;o de ser de cada um deles, existe um caso paradigm&#225;tico: o de L&#250;cia Benedita (para poemas para crian&#231;as), um dos muitos pseud&#243;nimos com que M&#225;rio Castrim<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> ali escreve. Para este colaborador, amigo de Matilde Rosa Ara&#250;jo, foi poss&#237;vel identificar ainda outros pseud&#243;nimos: Manuel da Fonseca, Manuel Nunes da Fonseca, Manuel Agra, Maria Manuela Nunes e ainda Realejo.</p>     <p>Algumas colaboradoras usam pseud&#243;nimos masculinos, como Lu&#237;s,<i> </i>que &#233; Maria da Luz Albuquerque, do CNMP. Esta colaboradora, que usa ainda o pseud&#243;nimo Clara, com artigos cortados pela censura, teve um processo disciplinar e, em carta de 14 de mar&#231;o de 1946, pede: &#8220;( ... ) Se por acaso procurarem V. Exa. para que diga se colaboro em <i>Os Nossos Filhos</i>, n&#227;o poder&#225; V. Exa. negar? &#201; este favor que lhe pe&#231;o &#8211; podendo ser &#8211; e o qual desde j&#225; agrade&#231;o ( ... )&#8221; (Caixa 46. Ma&#231;o 4). </p>     <p>Com iniciais ou acr&#243;nimos escrevem, entre muitas(os) outras(os) M.C.C. e M.C. (Maria Cesarina de Castro, dez. 1947 e fev. 1948) e F.B. (Francine Beno&#238;t, jun. 1955). Se os pseud&#243;nimos d&#227;o importantes informa&#231;&#245;es sobre as pessoas que colaboraram na revista, as imagens e as fotografias publicadas revelam muitas das amizades, favores e redes de rela&#231;&#245;es, muitas e muitos da oposi&#231;&#227;o ao<i> </i>Estado Novo.</p>     <p>As fotografias t&#234;m local privilegiado na capa, &#224; qual se seguem, por ordem de import&#226;ncia, as que s&#227;o usadas para ilustrar os artigos e a contracapa. Apesar de nunca ter tido esse estatuto, o fot&#243;grafo oficial da revista foi Casimiro Vinagre (av&#244; do fot&#243;grafo Walter Vinagre), uma vez que, em 205 n&#250;meros, 122 fotografias de capa s&#227;o da sua autoria. Menciono ainda outras colabora&#231;&#245;es como as de J&#250;lio Pomar, com um desenho (1953) e uma ilustra&#231;&#227;o (1958) num texto sobre Natal<i>,</i> e Eduardo Gajeiro, com a reprodu&#231;&#227;o de quatro fotografias da sua autoria.</p>     <p>Ao longo dos 205 n&#250;meros da revista apenas quatro<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>, todos posteriores a 1955, t&#234;m na capa<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> reprodu&#231;&#245;es de figuras da iconografia cat&#243;lica. Outra &#225;rea em que se percebe a op&#231;&#227;o de resist&#234;ncia de <i>ONF </i>refere-se &#224;s imagens que nela s&#227;o inclu&#237;das e que tamb&#233;m fazem parte do arquivo de MLN. Cruzada a informa&#231;&#227;o que nelas nos &#233; dada com as cartas enviadas &#224; diretora da revista, podem identificar-se muitas outras redes de amizades, pedidos, ofertas, dados da biografia da pr&#243;pria pedagogista, assim como temas de resist&#234;ncia ao Estado Novo, an&#225;lise que seria assunto para outro artigo. </p>     <p>A <i>Flama</i>, revista que inicia a sua publica&#231;&#227;o em 1944, &#233; a &#250;nica que tem, &#224; &#233;poca, um aspeto gr&#225;fico semelhante ao da <i>ONF</i>, com a chamada de crian&#231;as &#224; capa, mas tamb&#233;m de adultos, sobretudo do sexo feminino. A revista <i>ONF</i>, por ter uma capa com tr&#234;s campos a vermelho, ou seja, uma parte ocupada com o t&#237;tulo da publica&#231;&#227;o, outra com uma imagem e outra com informa&#231;&#245;es como complemento de t&#237;tulo, em rodap&#233;, foi conotada com certos grupos religiosos e pol&#237;ticos, chegando a correr o boato de &#8220;que a revista era de protestantes mas ela (MLN) n&#227;o queria que a revista fosse vista como <i>pol&#237;tica e/ou religiosa</i>&#8221; (Seixas, entrevista, 11 jan. 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&#233;m de fotografias, a revista publicou tamb&#233;m desenhos. Como colaboradoras(es) que desenharam expressamente para ali publicar, s&#227;o exemplo: Fernando Carlos (genro de Maria Lamas, que tamb&#233;m ilustrou <i>Modas &amp; Bordados</i>), Maria Keil (que se ocupa da resposta a leitoras que pretendem remodelar a casa) e Vera Bordallo Pinheiro Vaz Gomes. Desenhos que as crian&#231;as realizaram para uma das iniciativas da revista &#8211; a Exposi&#231;&#227;o Portugal visto pelas suas crian&#231;as &#8211; foram tamb&#233;m usados para ilustrar alguns artigos, como &#233; o caso do primeiro texto de Rui Gr&#225;cio (ago. 1957). </p>     <p>Uma forma de chegar a mais leitoras(es), foi pedir &#224;s(aos) assinantes que angariassem outras(os). A assinante que obteve o pr&#233;mio anual de 1956 (um conjunto de discos) foi Dulce Barroso Morais e Castro (m&#227;e do futuro ator Morais e Castro), que os ofereceu &#224; &#8220;Liga Portuguesa dos Deficientes Motores para serem leiloados a favor das crian&#231;as paral&#237;ticas&#8221; (fev. 1957). </p>     <p>Distribuidores de <i>Os Nossos Filhos</i>, e assim designados, identificam-se, desde o in&#237;cio, a Livraria Bertrand e a empresa Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica, fundada em 1945, por Francisco Lyon de Castro, um outro cr&#237;tico do regime vigente que det&#233;m a distribui&#231;&#227;o exclusiva da revista para o Brasil. Um outro aspeto das rela&#231;&#245;es com opositores(as) e com a resist&#234;ncia ao Estado Novo &#233; o da publica&#231;&#227;o e distribui&#231;&#227;o da revista fora de Portugal. Depois do final da II Guerra Mundial, MLN teve a ideia de publicar <i>ONF</i> tamb&#233;m no Brasil. Em 1946, Maria Lu&#237;sa Silva Neves<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>, que conhecia Saudade Cortes&#227;o assim como Judite Cortes&#227;o e Agostinho da Silva, ocupou-se do lan&#231;amento da revista no Rio de Janeiro. Em carta posterior, indicou Saudade Cortes&#227;o como &#8220;futura representante de Os Nossos Filhos&#8221; naquela cidade (Caixa 31. Ma&#231;o 2). Devido a problemas v&#225;rios, essa situa&#231;&#227;o n&#227;o se concretizou e, entre setembro de 1948 e agosto de1949, a referida distribui&#231;&#227;o regressou &#224;s Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica.</p>     <p>Muitos foram os concursos promovidos pela revista <i>Os Nossos Filhos</i>. Alguns, como <i>Erros Educativos</i>, repetiram-se, mais tarde, no <i>Di&#225;rio de Lisboa</i>.<i> </i>Uns destinavam-se &#224;s crian&#231;as e outros, &#224;s m&#227;es ou &#224;s(aos) educadoras(es) e neles participaram, como concorrentes, muitas senhoras da oposi&#231;&#227;o e da resist&#234;ncia ao Estado Novo. Naquele grupo inclui-se o concurso<i> Um acontecimento da minha vida </i>(jul. 1951), imaginado por Ilse Losa para colmatar a m&#225; aceita&#231;&#227;o, pelo regime, da cole&#231;&#227;o de livros <i>7 L&#233;guas</i>, que a escritora dirigia (Caixa 41. Ma&#231;o 1). </p>     <p>Al&#233;m dos concursos promovidos para as crian&#231;as, houve outros especificamente para as m&#227;es assinantes de <i>ONF</i>. Est&#227;o neste conjunto e foram ali publicados o <i>Grande Concurso das M&#227;es</i> (maio 1944), <i>Concurso dos erros educativos</i> (set. 1946-nov. 1947), <i>Concurso Liter&#225;rio</i> (dez. 1948 e 1949), <i>Conto infantil</i> (com j&#250;ri composto por Manuela Porto, L&#237;lia da Fonseca<i> </i>e diretora da revista), <i>Saber um poucochinho mais</i>: Sec&#231;&#227;o cultural dirigida por Matilde Rosa Ara&#250;jo (maio 1952), <i>Se eu tivesse uma varinha de cond&#227;o&#8230;</i> (jul. 1955), <i>Conhe&#231;a os seus alunos</i> (mar. 1958) e <i>Vamos dar um bocadinho de alegria &#224;s Crian&#231;as deficientes!</i> (ago. 1958).</p>     <p>&#160;Da leitura destes dados verifica-se que, dos vinte e cinco concursos realizados entre maio de 1944 e agosto de 1958, muitos se podem considerar relevantes para este tema da resist&#234;ncia ou oposi&#231;&#227;o ao Estado Novo. O conte&#250;do do concurso <i>Erros educativos, </i>sobre o que se considera &#8216;errado&#8217; em educa&#231;&#227;o, ser&#225; plasmado por C&#233;sar Anjo, em 1953, quando publica no Porto, nas Edi&#231;&#245;es Saber, o livro de quase duzentas p&#225;ginas a que dar&#225; o t&#237;tulo: <i>Erros de Educa&#231;&#227;o</i> (Anjo, 1953. 9-11), onde defende princ&#237;pios educativos como a coeduca&#231;&#227;o ou a educa&#231;&#227;o sexual, temas &#224; data arredados das preocupa&#231;&#245;es do sistema. </p>     <p>O<i> Concurso dos casos</i>, lan&#231;ado em agosto de 1950, tivera como j&#250;ri tr&#234;s elementos, mas devido, ao falecimento de Manuela Porto, passa a ter apenas dois <i>&#8211; </i>L&#237;lia da Fonseca e a diretora da revista. </p>     <p>O concurso Se eu tivesse uma varinha de cond&#227;o<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>,iniciado em julho de 1955, destinava-se a professoras que quisessem enviar os trabalhos dos(as) seus(suas) alunos(as) e foi uma iniciativa que se estendeu por muitos n&#250;meros da revista. A ideia desta atividade surgiu depois de a professora prim&#225;ria Maria Oleg&#225;rio Mendes, professora em Peniche, irm&#227; de outra colaboradora, Maria de Jesus Mateus de Oliveira Mendes, ter lido na aula o poema <i>As Fadas</i> de Antero de Quental e de ter pedido &#224;s(aos) alunas(os) um texto intitulado <i>Se eu tivesse uma varinha de cond&#227;o&#8230;</i> (jun., ago. e set. 1955). Muitas professoras enviaram reda&#231;&#245;es para esta iniciativa, estando, entre elas, Irene Carolina Fernandes, de Valpa&#231;o (Tr&#225;s-os-Montes), Maria Jo&#227;o Allen de Vasconcelos, da Escola Ave Maria, de Lisboa, Ema Quintas Alves (ativista pol&#237;tica, impedida de lecionar no ensino oficial), do Liceu Franc&#234;s, de Lisboa, assim como Zezinha de &#201;vora, neta de Maria Lamas, que enviou o seu depoimento diretamente para a revista (jan. 1956). </p>     <p>Deste trabalho de Maria Oleg&#225;rio Mendes, em sala de aula, MLN retirou a ideia de fazer um concurso maior: para isso, republicou a poesia de Antero de Quental e pediu &#224;s professoras para lhe fazerem chegar os resultados de tal inqu&#233;rito. Dir&#225;: &#8220;Em Lisboa ( ... ) a nossa colaboradora Lucinda Atalaia ( ... ) chamou a si o encargo de recolher os depoimentos das crian&#231;as de Lisboa. J&#225; ouviu 500 ( ... ) e o inqu&#233;rito continua&#8221; (ago. 1955). Publicou tamb&#233;m todas as ades&#245;es que a iniciativa foi tendo. Em outubro do mesmo ano pediu &#224;s professoras para voltarem a promover aquele inqu&#233;rito, desta vez tamb&#233;m no Ultramar, e referiu: &#8220;interessam-nos depoimentos de crian&#231;as brancas, negras ou mesti&#231;as. Neste caso pedimos que por baixo do nome da crian&#231;a indiquem a cor ( ... ). Que nos mandem sem corre&#231;&#245;es as reda&#231;&#245;es das crian&#231;as ( ... ) todas t&#234;m o maior interesse&#8221; (out. 1955). Essas reda&#231;&#245;es foram entregues a um especialista em psicologia infantil (mar. 1956). </p>     <p>Os depoimentos foram publicados desde junho de 1955. A diretora da revista escreveu um dos primeiros textos de reflex&#227;o sobre esta iniciativa (fev. 1956). Com o t&#237;tulo &#8220;Se eu tivesse uma varinha de cond&#227;o &#8211; Algumas considera&#231;&#245;es gerais sobre o trabalho realizado&#8221;<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a> e &#8220;Se eu tivesse uma varinha de cond&#227;o &#8211; Estudo comparativo das respostas dos meios rurais e mar&#237;timos&#8221;<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>, foram publicados dois artigos com a aprecia&#231;&#227;o de &#8220;308 respostas de meios rurais sendo 93 de rapazes e 215 de raparigas e 119 respostas de meios mar&#237;timos, sendo 59 de rapazes e 60 de raparigas&#8221; (dez. 1956). O estudo foi feito por Maria Borges, psic&#243;loga, ou seja Maria Am&#225;lia Harberts Borges de Medeiros, investigadora assumida na oposi&#231;&#227;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma iniciativa que ocupou muitas das p&#225;ginas da revista foi o <i>Concurso de fotografias de crian&#231;as</i> (mar.-nov. 1948), continuado, mais tarde, pelo <i>Concurso da grande e linda roda de</i> <i>Os Nossos Filhos </i>(jun. 1954), uma esp&#233;cie de concurso de beleza e de iniciativa para recolha de fundos para assist&#234;ncia. O j&#250;ri foi composto por Maria Keil, Vera Bordallo Pinheiro e a diretora de <i>ONF</i> (mar. 1952). </p>     <p>Outra &#225;rea em que se identifica a resist&#234;ncia ao c&#226;none defendido no Estado Novo &#233; a dos coment&#225;rios que s&#227;o feitos, na revista, &#224;s obras recomendadas para leituras de crian&#231;as, sobretudo as de Maria Lamas, Ilse Losa ou Maria Clementina Carneiro de Moura, e de muit(as)os outr(as)os de uma cultura pol&#237;tica de oposi&#231;&#227;o ao regime. H&#225; cr&#237;ticas elogiosas a duas obras de Ilse Losa:<i> O Mundo em que vivi</i> e <i>Fa&#237;sca conta a sua hist&#243;ria</i>, ambas mal aceites pela cr&#237;tica do regime (jul. 1949). No c&#226;none, refira-se o <i>Boletim para Dirigentes da Mocidade Portuguesa Feminina</i> (com in&#237;cio em janeiro de 1946, posterior a <i>ONF</i>), dirigido por Maria Guardiola, cujos objetivos se afastam dos da revista e onde muitos dos temas desenvolvidos s&#227;o-no sob perspetivas bem diversas, como &#233; o caso da educa&#231;&#227;o sexual, da coeduca&#231;&#227;o, das condi&#231;&#245;es de vida da mulher trabalhadora, entre outros.</p>     <p>Analisando o n&#250;mero de colaboradoras de <i>ONF</i> que participam com uma quantidade de artigos superior a um d&#237;gito, &#233; poss&#237;vel fornecer mais informa&#231;&#245;es sobre aquelas que mantiveram liga&#231;&#245;es &#224; oposi&#231;&#227;o e/ou resist&#234;ncia ao Estado Novo. S&#227;o os casos de: </p>     <p>Maria Palmira Tito de Morais, com 67 textos (1942-1952); Elina Guimar&#227;es, com 44 (1943-1958); Matilde Rosa Ara&#250;jo, com 32 (1951-1958); Irene Lisboa, com 35 (1950-1956); L&#237;lia da Fonseca, com 23 (1943-1950); Ilse Losa, com 18 (1948-1958); Maria da Luz de Deus, do CNMP, com 16 (1942-1956); Fernanda Tasso de Figueiredo, com 16 (1944-1953); e Alice Gomes, com 13 (1950-1956).</p> <pCxSpLast> Finalmente, dos cinquenta editoriais da revista n&#227;o assinados pela diretora mas por elementos da oposi&#231;&#227;o (sobre temas mais inc&#243;modos), selecionam-se os seguintes: Beatriz Bandeira, brasileira, contra a guerra e pelo pacifismo (jan. 1949); An&#225;lia Torres assina quatro textos: uma reflex&#227;o sobre ego&#237;smo e belicismo humano (mar. 1948), um texto sobre educa&#231;&#227;o para o pacifismo (out. 1949), outro, um elogio do trabalho ap&#243;s f&#233;rias (out. 1950) e o &#250;ltimo sobre exames escolares e fracassos (set. 1951); Alice Gomes enumera os crit&#233;rios de escolha de uma escola (out. 1952); Francine Beno&#238;t reflete sobre m&#250;sica na forma&#231;&#227;o da crian&#231;a (mar. 1953); Jo&#227;o dos Santos escreve sobre higiene mental infantil, f&#233;rias na praia e erros educativos (ago. 1955); Maria Rosa Cola&#231;o publica um poema sobre o Natal e uma menina que morreu quando teve os desejados sapatos novos (jan. 1958); por fim, Maria Manuela Nunes (M&#225;rio Castrim) assina um texto sobre brinquedos b&#233;licos (maio 1958).       <p></p>       <p>Sob o ponto de vista pol&#237;tico, &#233; interessante ler o texto em que, ao fazer a apologia de uma alimenta&#231;&#227;o racional para as crian&#231;as das escolas, MLN critica sem rodeios a campanha &#8220;Beber vinho &#233; dar o p&#227;o a um milh&#227;o de portugueses&#8221; (jul. 1948), pois nas p&#225;ginas da revista s&#227;o in&#250;meras as refer&#234;ncias a essa chaga &#8211; o alcoolismo &#8211; que atinge todos os grupos sociais.</p>       <p>Um outro tema abordado &#233; a defesa e a cria&#231;&#227;o de bibliotecas escolares junto de cada escola como forma de combate ao analfabetismo e iliteracia. Mesmo que este &#250;ltimo conceito ainda n&#227;o tivesse sido definido, &#233; o que a diretora ataca quando considera que a escolha das obras deve ser cuidada e d&#225; como exemplo de uma biblioteca itinerante de sucesso a <i>Biblioteca da Crian&#231;a Portuguesa</i>, criada na Madeira, por Maria Regina da Silveira e Sousa (que vir&#225; a ser a s&#243;cia n.&#186; 2 do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa), e que estava a ser continuada em Vila Vi&#231;osa por Maria Am&#233;lia de Almeida Ribeiro Vieira da Luz Carvalho<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>, opositora pol&#237;tica assumida ao Estado Novo.</p>       <p>Outro aspeto a ter em conta ao analisar a revista <i>ONF</i> &#233; a avalia&#231;&#227;o e (n&#227;o) aceita&#231;&#227;o que, &#224; &#233;poca, dela foi feita. A diretora fez, em dezasseis dos editoriais publicados no m&#234;s do anivers&#225;rio, uma avalia&#231;&#227;o do trabalho realizado. Tal aprecia&#231;&#227;o &#233; interna e externa, negativa ou positiva. Neste &#250;ltimo grupo, a diretora referiu <i>Alma Feminina</i>, o &#243;rg&#227;o do CNMP,<i> </i>e tamb&#233;m Jo&#227;o de Deus Ramos que, depois de ter sido entrevistado sobre outro Jardim Infantil de Benguela para a revista, escreve: &#8220;Apraz-nos fazer este registo na revista &#8216;Os Nossos Filhos&#8217;, que considero actualmente o melhor baluarte em defesa da Inf&#226;ncia no nosso Pa&#237;s&#8221; (out. 1951). </p>       <p>A aprecia&#231;&#227;o da revista feita por Ferreira de Castro foi das primeiras a referir o problema da censura. Quando convidado para ali escrever, respondeu:</p>       <p>&#160;( ... ) fico pesaroso por n&#227;o poder atender seu desejo. Mas enquanto existir censura estou decidido a n&#227;o escrever coisa alguma expressamente para a imprensa portuguesa. Isto mesmo eu j&#225; tornei p&#250;blico numa entrevista que dei ao &#8220;Di&#225;rio de Lisboa&#8221; em Novembro do ano passado. Eu tinha a esperan&#231;a de poder enviar-lhe um trecho do meu novo livro ( ... ) mas vejo que ele nada tem que possa servir para o car&#225;cter da sua revista. Espero que um dia venha em que possa enviar-lhe algum trabalho. Entretanto quero felicit&#225;-la pela revista, que &#233;, no seu g&#233;nero, muito boa, o que deve dar um grande trabalho e preocupa&#231;&#245;es num meio como o nosso ( ... ). (Caixa 29. Ma&#231;o 3)</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da an&#225;lise do grupo de cr&#237;ticas feitas por elementos externos &#224; revista conclui-se que <i>ONF</i> era apenas tolerada pelo regime. Em dois documentos produzidos pela Comiss&#227;o de Leituras da Ac&#231;&#227;o Cat&#243;lica Portuguesa<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> (em 1954 e<i> </i>1955-56), com fichas de aprecia&#231;&#227;o individual, os livros e revistas s&#227;o ali classificados como: Conden&#225;vel, Toler&#225;vel e N&#227;o aconselh&#225;vel. Em 1954, &#233; feita a aprecia&#231;&#227;o de <i>ONF</i> e de muitas obras de colaboradoras(es) da publica&#231;&#227;o<i>.</i> No conjunto de livros aos quais &#233; atribu&#237;da aquela &#250;ltima avalia&#231;&#227;o &#8211;<i> </i>N&#227;o aconselh&#225;vel &#8211; figuram obras de Em&#237;lia de Sousa Costa. </p>       <p>No segundo grupo de fichas, as que foram publicadas em 1955-56, est&#227;o com a classifica&#231;&#227;o de Conden&#225;vel, o livro <i>O alfaiatinho valente</i> de Em&#237;lia de Sousa Costa; como Toler&#225;vel, os livros de Maria de Castro Henriques Osswald e Maria da Natividade Pinheiro Correia; como N&#227;o aconselh&#225;vel<i> </i>enumeram-se obras de Isaura Correia Santos, Ant&#243;nio Botto, Em&#237;lia de Sousa Costa, L&#237;dia Correia Serras Pereira e Ilse Losa, todas(os) colaboradoras(es) de <i>ONF</i>,<i> </i>e cujos livros existem, com dedicat&#243;rias, no Esp&#243;lio de MLN<i>.</i> Neste grupo de fichas h&#225; um texto cr&#237;tico e negativo sobre o livro <i>N&#243;s e a Crian&#231;a</i>, da Porto Editora, uma obra de Ilse Losa muito frequentemente elogiada em <i>ONF </i>mas criticada na ficha de avalia&#231;&#227;o por nele n&#227;o se encontrar &#8220;a menor ades&#227;o &#224;s realidades sobrenaturais, nem, logicamente, &#224; educa&#231;&#227;o religiosa da crian&#231;a&#8221; (assina I. L.) (ACP &#8211; 1955-56. Ficha C1. Esp&#243;lio). &#201; tamb&#233;m neste segundo grupo de fichas que sai uma aprecia&#231;&#227;o de N&#227;o aconselh&#225;vel<i>, </i>atribu&#237;da a todos os n&#250;meros da revista <i>ONF</i> e que refere apenas:</p>       <p> ( ... ) Revista que demonstra boa vontade e amor &#224; crian&#231;a e tem o m&#233;rito de ser a &#250;nica no g&#233;nero em Portugal. Apresenta bons princ&#237;pios de educa&#231;&#227;o, mas apenas no natural, como se para al&#233;m deste nada mais existisse. A leitura desta revista deve portanto ser feita com reservas. Traz geralmente uma ou duas p&#225;ginas (de cr&#237;tica liter&#225;ria e de receitas) que s&#243; muito longinquamente se podem relacionar com a finalidade da publica&#231;&#227;o: educa&#231;&#227;o de crian&#231;as. (assina) M.N.L.&#160; (ACP &#8211; 1955-56. Ficha D 1. Esp&#243;lio) </p>       <p>Do que atr&#225;s se exp&#245;e, percebe-se que a revista <i>ONF</i> n&#227;o pode ser analisada de forma uniforme e linear no que respeita uma clara transgress&#227;o dos c&#226;nones definidos pelo Estado Novo, j&#225; que a sua longevidade e condi&#231;&#227;o de exist&#234;ncia exigiram alguns estratagemas que permitiram a sua sobreviv&#234;ncia. No entanto, o texto apresentado esclarece uma teia de rela&#231;&#245;es pessoais e profissionais entre MLN e muitas figuras &#8211; principalmente mulheres &#8211; declaradamente de oposi&#231;&#227;o e de resist&#234;ncia ao sistema vigente, assim como demonstra a op&#231;&#227;o da diretora de <i>ONF</i> de lhes dar voz, ainda que muitas vezes sob pseud&#243;nimos, atrav&#233;s de conte&#250;dos mais ou menos expl&#237;citos de contesta&#231;&#227;o &#224; linha pol&#237;tica e educativa preconizada pelo Estado Novo. Nesse sentido, esta revista cumpriu uma fun&#231;&#227;o educativa, aceite e valorizada por m&#250;ltiplos sectores, o que a prestigiava e lhe permitia a exist&#234;ncia, ao mesmo tempo que deliberadamente minava algumas das estruturas em que o regime se alicer&#231;ava, contribuindo para a consci&#234;ncia crescente da educa&#231;&#227;o como espa&#231;o de liberdade e de autonomia individual.       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>Borges, A. M. R. (2003). <i>Os Nossos Filhos: Uma revista dos anos 40</i>. (Disserta&#231;&#227;o de Mestrado). Lisboa: Universidade Aberta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836727&pid=S0874-6885201600020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, M. M. (2005) <i>Poder e ensino: Os manuais de Hist&#243;ria na pol&#237;tica do Estado Novo: 1926-1940</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836728&pid=S0874-6885201600020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Cruz, V. (2005, dezembro 22). O pacto do embaixador Bosques. <i>Expresso</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836730&pid=S0874-6885201600020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Gorj&#227;o, V. (1994). <i>A reivindica&#231;&#227;o do voto no programa do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: 1914-1947</i>. Lisboa: CIDM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836732&pid=S0874-6885201600020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Gorj&#227;o, V. (2002). <i>Mulheres em tempos sombrios: Oposi&#231;&#227;o feminina ao Estado Novo</i>. Lisboa: Instituto de Ci&#234;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836734&pid=S0874-6885201600020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Guimar&#227;es, M. A. R. P. (2002). Saberes, modas &amp; p&#243; de arroz: <i>Modas &amp; Bordados: vida feminina. 1933-1955.</i> Coimbra: Faculdade de Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836736&pid=S0874-6885201600020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p> Namorado, M. L. (2001) <i>Esp&#243;lio de Maria L&#250;cia Vassalo Namorado Silva Rosa</i>. Caixas 1- 85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836738&pid=S0874-6885201600020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p> Pimentel, I. F. (2000). <i>Hist&#243;ria das organiza&#231;&#245;es femininas no Estado Novo</i>. Mem Martins: C&#237;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836740&pid=S0874-6885201600020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p> Raimundo, O. (2003). <i>A &#250;ltima dama do Estado Novo e outras hist&#243;rias do marcelismo</i>. Lisboa: Temas &amp; Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836742&pid=S0874-6885201600020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p> Rosas, F. &amp; Oliveira, P. A. (2004). <i>A transi&#231;&#227;o falhada: O marcelismo e o fim do Estado Novo: 1968-1974</i>. Lisboa: Editorial Not&#237;cias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1836744&pid=S0874-6885201600020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Desde ent&#227;o foram publicados muitos e diversos estudos, de que se mencionam apenas alguns: Barradas, A. (2006). <i>Dicion&#225;rio de mulheres rebeldes</i>. Lisboa: Ela por Ela; Serralheiro, L. (2011). <i>Mulheres em grupo contra a corrente.</i> Rio Tinto: Evolua Edi&#231;&#245;es; Cruzeiro, M. (2003). <i>Maria Eug&#233;nia Varela Gomes: contra ventos e mar&#233;s</i>. Porto: Campo das Letras; Lindim, I. (2012). <i>Mulheres de armas: hist&#243;rias das Brigadas Revolucion&#225;rias</i>. Carnaxide: Objetiva; Pimentel, I. F. (2013). <i>Hist&#243;ria da Oposi&#231;&#227;o &#224; ditadura: 1926-1934</i>. Porto: Figueirinhas; Hon&#243;rio, C. (2014). <i>Mulheres contra a ditadura</i>. Lisboa: Bertrand; Sales, T. (coord.) (2015). <i>As Mulheres nas crises acad&#233;micas durante a ditadura</i>. Lisboa: UMAR.</p>       <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Elabora, envia e (&#233; publicada) uma s&#233;rie de artigos sobre temas que v&#227;o das rela&#231;&#245;es m&#227;e/crian&#231;a at&#233; a crian&#231;a e os brinquedos, as hist&#243;rias, o ambiente, os livros.</p>       <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> Morais, M. P. T. (1944). <i>Arte culin&#225;ria</i>: introdu&#231;&#227;o de Pacheco de Amorim. Coimbra: Coimbra Editora.</p>       <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Vir&#225; a casar com Alice Vieira, uma outra prima de Maria L&#250;cia Vassalo Namorado.</p>       <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> N.&#186; 163. Dez. 1955, n.&#186; 200. Dez. 1959, n.&#186; 201. Dez. 1960 e n.&#186; 205. Dez. 1964.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> Outras ilustra&#231;&#245;es de cariz religioso s&#227;o muito raras ao longo de toda a revista. Para al&#233;m das capas h&#225; apenas uma ou outra reprodu&#231;&#227;o, como &#233; o caso de &#8220;A Virgem e o Menino&#8221;, de G. Bellini, em Brera, Mil&#227;o, que ilustra o poema <i>Natal</i>, de Manuel Bandeira, em <i>Os Nossos Filhos</i>. n.&#186; 199, dezembro 1958. p. 3.</p>       <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> Da leitura da correspond&#234;ncia do <i>Esp&#243;lio</i> depreende-se que ela foi enfermeira diplomada pela Escola T&#233;cnica de Enfermeiras do Instituto Portugu&#234;s de Oncologia<i>, </i>tinha o Curso de Com&#233;rcio, foi s&#243;cia das <i>Publicaciones Silva Neves</i>, com escrit&#243;rio de representa&#231;&#245;es da Argentina e do Chile na principal avenida de Montevideo, e ainda controladora t&#233;cnica de diet&#233;tica numa f&#225;brica (Caixa 77. Ma&#231;o 7; Caixa 31. Ma&#231;o 2; Caixa 35. Ma&#231;o 2; e Caixa 60. Ma&#231;o 2).</p>       <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Remetendo para o t&#237;tulo do livro de contos infantis <i>Varinha de cond&#227;o</i>, escrito por Fernanda de Castro e Teresa Leit&#227;o de Barros, publicado nos anos 30.</p>       <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> N.&#186; 171. Ago. 1956. p. 12-13.</p>       <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> N.&#186; 175. Dez. 1956. p. 14-15 e 20; este segundo texto indica que, posteriormente, ser&#227;o analisadas as respostas das crian&#231;as dos meios urbanos.</p>       <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Filha da professora que preparara Maria Lamas para o exame do 5.&#186; ano, no Liceu onde tamb&#233;m Maria L&#250;cia Vassalo Namorado fora aluna, quer desta senhora quer da m&#227;e, Maria Adelaide Teixeira de Almeida Ribeiro Vieira da Luz.</p>       <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Conjunto de 31 e de 28 fichas de aprecia&#231;&#227;o de literatura infantil: cr&#237;tica de livros e jornais.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Borges]]></surname>
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<source><![CDATA[Os Nossos Filhos: Uma revista dos anos 40]]></source>
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<source><![CDATA[Poder e ensino: Os manuais de História na política do Estado Novo: 1926-1940]]></source>
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<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O pacto do embaixador Bosques]]></article-title>
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