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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Liderança política no feminino: As presidentes de câmara no poder local em Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article reports a comprehensive overview of data, referring to forty years of democracy, on women's political representation in leadership roles, in Portuguese Municipalities]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Lideran&#231;a pol&#237;tica no feminino: As presidentes de c&#226;mara no poder local em Portugal</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Women&#8217;s political leadership: Women mayor&#8217;s in Portugal</b></font></p>     <p><b>Ana Paula Saraiva*</b></p>     <p>* <a href="mailto:anasaraiva2@gmail.com">anasaraiva2@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo pretende-se caracterizar a representa&#231;&#227;o pol&#237;tica feminina na lideran&#231;a do &#243;rg&#227;o executivo municipal entre 1974 e 2016. A partir desta amostra abrangente de dados, &#233; assinalada a distribui&#231;&#227;o partid&#225;ria e geogr&#225;fica dos mandatos femininos na lideran&#231;a das C&#226;maras Municipais e demonstrada a presen&#231;a residual de mulheres nessa inst&#226;ncia governativa. Num cen&#225;rio em que a nota dominante &#233; a presen&#231;a simb&#243;lica de mulheres em cargos de lideran&#231;a, sublinha-se a relev&#226;ncia da representa&#231;&#227;o pol&#237;tica das presidentes de C&#226;mara.</p>     <p>Palavras-chave: lideran&#231;a e g&#233;nero; paridade; poder local.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article reports a comprehensive overview of data, referring to forty years of democracy, on women&#8217;s political representation in leadership roles, in Portuguese Municipalities.</p>     <p><b>Keywords: </b>Women&#8217;s Political Leadership; Local Government.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. Introdu&#231;&#227;o </p>     <p>Em janeiro de 2016, entrou em vigor a <i>Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&#225;vel</i><a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>, um plano de a&#231;&#227;o global das Na&#231;&#245;es Unidas (ONU) que compreende a defini&#231;&#227;o de pol&#237;ticas para o desenvolvimento sustent&#225;vel nas suas v&#225;rias dimens&#245;es (social, econ&#243;mico, ambiental) (CIG, 2017). A <i>Agenda 2030</i>, adotada na 70.&#170; Assembleia-Geral da ONU<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>, assenta em 17 objetivos, declinados em 169 metas e indicadores respetivos (ONU, 2017). O quinto <i>Objetivo de Desenvolvimento Sustent&#225;vel</i> (ODS) tem por ambi&#231;&#227;o a igualdade de g&#233;nero e inclui como meta &#8220;a participa&#231;&#227;o plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a lideran&#231;a em todos os n&#237;veis de tomada de decis&#227;o na vida pol&#237;tica, econ&#243;mica e p&#250;blica&#8221; (UNRIC, 2017, p. 10). Com efeito, a lideran&#231;a das mulheres, no sentido de terem poder, enquanto capacidade de deliberar, agir e exercer influ&#234;ncia sobre um grupo (Barracho &amp; Martins, 2010), &#233; um t&#243;pico assinalado pela comunidade internacional a partir da ado&#231;&#227;o da <i>Plataforma de A&#231;&#227;o de Pequim</i> (<i>Plataforma</i>), no &#226;mbito da IV Confer&#234;ncia Mundial da ONU sobre as Mulheres, em 1995. </i></p>      <p>A <i>Plataforma </i>enuncia doze &#225;reas consideradas decisivas nos direitos humanos das mulheres (UNWOMEN, 2017), sendo de relevar &#8220;as quest&#245;es relacionadas com o acesso ao poder e a sua partilha&#8221; (Monteiro, 2010, p. 360). Neste contexto, &#233; sublinhada a necessidade de adotar medidas especiais para incrementar a participa&#231;&#227;o das mulheres na pol&#237;tica ativa que inspirou campanhas em v&#225;rios pa&#237;ses com vista &#224; ado&#231;&#227;o de quotas de 30% (IPU, 2015), meta que veio a alterar-se, no in&#237;cio dos anos 2000, posicionando-se em 50%, com o objetivo de atingir uma situa&#231;&#227;o entendida como &#8220;paridade&#8221; (<i>Ibidem</i>). Com a <i>Plataforma</i>, &#233; inaugurada uma vis&#227;o transversal da igualdade que implica a integra&#231;&#227;o de uma perspetiva de g&#233;nero<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> na formula&#231;&#227;o, implementa&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o de todas as pol&#237;ticas e a&#231;&#245;es (<i>gender mainstreaming</i>), em articula&#231;&#227;o com a promo&#231;&#227;o do acesso das mulheres a recursos e autonomia (<i>women&#180;s empowerment</i>) (Monteiro, 2010).</p>     <p>A diretriz presente na <i>Agenda 2030</i> vem agora validar e posicionar a lideran&#231;a pol&#237;tica das mulheres em todas as assembleias pol&#237;ticas, como chefes de Estado ou de Governo, membros do Parlamento e na lideran&#231;a do Poder Local (<i>local government</i>) (Puri, 2016). A este prop&#243;sito, foi reconhecida pela ONU a lacuna de conhecimento sobre o Poder Local (UNWOMEN, 2016) e sublinhada a necessidade de estabelecer um indicador, no contexto dos ODS, de modo a efetuar o levantamento sistem&#225;tico de dados e avaliar a propor&#231;&#227;o de mulheres eleitas localmente (<i>Idem</i>). </p>     <p>O Poder Local &#233; a inst&#226;ncia governativa que, de forma mais direta e imediata, exerce influ&#234;ncia na vida das popula&#231;&#245;es e est&#225; numa posi&#231;&#227;o privilegiada para identificar necessidades e intervir na melhoria das suas condi&#231;&#245;es de vida (CEMR, 2017). Neste sentido, pode desenvolver um papel decisivo para combater &#8220;a persist&#234;ncia e a reprodu&#231;&#227;o das desigualdades e para promover uma sociedade verdadeiramente igualit&#225;ria&#8221; (ANMP, 2017, p. 3), como ratificado pela <i>Carta Europeia para a Igualdade das mulheres e dos homens na vida local</i>. Por outro lado, o Poder Local &#233; um importante patamar pol&#237;tico, nomeadamente pelo n&#250;mero de eleitos representantes da popula&#231;&#227;o que envolve e enquanto &#8220;<i>escola</i> de participa&#231;&#227;o pol&#237;tica&#8221; (OMC, 2003, p. 8).</p>     <p>O presente artigo sobre representa&#231;&#227;o pol&#237;tica feminina no Poder Local incide sobre os munic&#237;pios e, em particular, sobre a C&#226;mara Municipal (CM), &#243;rg&#227;o colegial de tipo executivo ao qual est&#225; atribu&#237;da a gest&#227;o permanente dos assuntos municipais. Esta op&#231;&#227;o permite estudar o &#250;nico tipo de autarquia que internacionalmente tem exist&#234;ncia universal (Amaral, 1988; UNWOMEN, 2016) e centrar o estudo nas presidentes de c&#226;mara, ou seja, nas figuras (femininas) que representam o verdadeiro centro do poder no Poder Local <a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> (Oliveira, 2003). O estudo, cujo resultado apresentamos parcialmente, foi iniciado em 2013, coincidindo com o &#250;ltimo ato eleitoral aut&#225;rquico<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>, no &#226;mbito da disserta&#231;&#227;o da autora. Reflete os desenvolvimentos doutrin&#225;rios entretanto oferecidos &#224; tem&#225;tica da sub-representa&#231;&#227;o pol&#237;tica<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde a revolu&#231;&#227;o democr&#225;tica em 1974, Portugal esteve em conson&#226;ncia com a agenda internacional, verificando-se um compromisso pol&#237;tico com a quest&#227;o da igualdade que se refletiu no quadro jur&#237;dico-constitucional, garantindo &#224;s mulheres, desde logo formalmente, poderem eleger e ser eleitas<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>. O Estado portugu&#234;s foi um dos primeiros a ratificarem, em 1980, a <i>Conven&#231;&#227;o para a Elimina&#231;&#227;o de Todas as Formas de Discrimina&#231;&#227;o contra as Mulheres</i>, descrita como, &#8220;<i>the</i> <i>bill of rights for women</i>&#8221; (UNWOMEN, 2000); em 1986, no seguimento da ades&#227;o &#224; CEE, vinculou-se &#224;s pol&#237;ticas p&#250;blicas que intentam materializar o conceito de <i>gender mainstreaming</i> (Martins, 2015). </p>     <p>O processo de constru&#231;&#227;o de um quadro legal e institucional igualit&#225;rio conheceu um avan&#231;o significativo, em 1998, com a apresenta&#231;&#227;o na Assembleia da Rep&#250;blica (AR) de uma Proposta de Lei conhecida como &#8220;Lei das Quotas&#8221;. Embora esta tentativa para promover a igualdade de oportunidades nas listas eleitorais falhasse, contribuiu para introduzir na agenda pol&#237;tica o tema da desigualdade <i>de facto</i> da representa&#231;&#227;o pol&#237;tica das mulheres (Martins &amp; Teixeira, 2005). </p>     <p>Finalmente, em 2006, &#233; aprovada a Lei da Paridade, que estabelece uma representa&#231;&#227;o m&#237;nima de 33,3% de cada um dos sexos nas listas para a AR, Parlamento Europeu e &#243;rg&#227;os do Poder Local<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>. O legislador portugu&#234;s adotou a &#8220;quota-dupla&#8221; ou sistema &#8220;fecho &#233;clair&#8221; (<i>Ibidem</i>), relativo &#224; ordena&#231;&#227;o dos elementos dos dois sexos nas listas, que determina que cada terceiro candidato seja do sexo oposto. Deste modo, previne-se que as candidatas sejam colocadas no final das listas, com poucas possibilidades de elei&#231;&#227;o.</p>     <p>2. Objetivos e metodologia </p>     <p>Espelhando a situa&#231;&#227;o internacional, assinala-se em Portugal a escassez de publica&#231;&#245;es, artigos ou estudos acad&#233;micos sobre quest&#245;es eleitorais no Poder Local cuja an&#225;lise integre a perspetiva de g&#233;nero<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. Neste contexto, o objetivo principal deste artigo &#233; apresentar dados sistematizados que contribuam para o conhecimento da representa&#231;&#227;o pol&#237;tica das mulheres na lideran&#231;a das CM. Concretamente, pretende-se esclarecer as seguintes quest&#245;es: como evoluiu a sua representa&#231;&#227;o e quais os obst&#225;culos &#224; atividade pol&#237;tica das mulheres no Poder Local.</p>     <p>Do ponto de vista metodol&#243;gico, as quest&#245;es de investiga&#231;&#227;o orientaram a procura de dois tipos de dados. Primeiramente, foram analisadas as seguintes fontes: resultados das elei&#231;&#245;es para os &#243;rg&#227;os das autarquias locais; Comiss&#227;o Nacional de Elei&#231;&#245;es (CNE)<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> e Dire&#231;&#227;o-Geral de Administra&#231;&#227;o Interna (DGAI)<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>; base de dados com o total de presidentes de c&#226;mara por partido (PORDATA); n&#250;mero de autarquias (ANMP); dados biogr&#225;ficos e/ou <i>curricula</i> das presidentes &#8211; <i>Dicion&#225;rio biogr&#225;fico do Poder Local em Portugal</i> (Almeida, 2014), s&#237;tios oficiais na internet das CM e AR; diplomas legais: Lei das Autarquias Locais (LAL)<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>, Lei Eleitoral para os &#211;rg&#227;os das Autarquias Locais<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>, Lei da Paridade (Lei)<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>, Lei dos Partidos Pol&#237;ticos<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> e Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Portuguesa (CRP)<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>. Estas fontes permitiram a sistematiza&#231;&#227;o de dados em folhas de c&#225;lculo com recurso a <i>software Excel</i>, cujos resultados se apresentam no ponto seguinte.</p>     <p>Seguidamente, procedeu-se &#224; realiza&#231;&#227;o de nove entrevistas em profundidade. A sele&#231;&#227;o incluiu mulheres presidentes e ex-presidentes de c&#226;mara, para permitir uma abordagem diacr&#243;nica dos t&#243;picos em revista, com diferente filia&#231;&#227;o partid&#225;ria, eleitas em quatro dos distritos mais feminizados<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a> <a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>. Optou-se por entrevistas estruturadas para aumentar a possibilidade de estabelecer compara&#231;&#245;es entre os dados recolhidos, sendo seguidas as orienta&#231;&#245;es metodol&#243;gicas sobre an&#225;lise de conte&#250;do de entrevistas de Laurence Bardin (2013). No corpo do texto, apresentam-se cita&#231;&#245;es que correspondem &#224;s unidades de contexto selecionadas. Estes dados, baseando-se numa amostra n&#227;o aleat&#243;ria, apresentam limita&#231;&#245;es quanto &#224; capacidade de produzir infer&#234;ncias e generaliza&#231;&#245;es de pendor estat&#237;stico, pelo que os resultados apresentados neste segundo estudo t&#234;m um car&#225;cter explorat&#243;rio e devem ser validados, em pesquisas futuras, de forma mais sistem&#225;tica. Apesar desta limita&#231;&#227;o, considera-se o estudo pertinente por apresentar uma perspetiva de an&#225;lise v&#225;lida para suportar uma generaliza&#231;&#227;o anal&#237;tica, &#250;til em estudos posteriores (Rodrigues, 2012).</p>     <p>3. Evolu&#231;&#227;o da representa&#231;&#227;o da lideran&#231;a pol&#237;tica feminina nas C&#226;maras Municipais</p>     <p>3.1. Poder Local. Uma das inova&#231;&#245;es da Constitui&#231;&#227;o de 1976 respeita &#224; consagra&#231;&#227;o da autonomia local em rompimento frontal com o modelo autorit&#225;rio e com as estruturas de tipo centralizado do anterior ordenamento (Nabais, 2010). O tratamento normativo das entidades territoriais locais (autarquias locais) encontra-se em t&#237;tulo pr&#243;prio (T&#237;tulo VIII)<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a> denominado &#8220;Poder Local&#8221;, express&#227;o inaugural, sem correspondente nas Constitui&#231;&#245;es anteriores, com o prop&#243;sito de vincar a diferen&#231;a entre a institui&#231;&#227;o existente no Estado Novo e uma nova no&#231;&#227;o de autarquia do Estado de Direito democr&#225;tico, em que as popula&#231;&#245;es elegem os seus representantes pol&#237;ticos locais. </p>     <p>O sistema organizacional e pol&#237;tico do Estado portugu&#234;s caracteriza-se pela descentraliza&#231;&#227;o administrativa e territorial, concretizada numa estatui&#231;&#227;o espec&#237;fica, que equipara os &#243;rg&#227;os do Poder Local aos &#243;rg&#227;os de soberania (Miranda, 1983). Neste modelo de Estado descentralizado, as autarquias locais s&#227;o investidas de atribui&#231;&#245;es, fun&#231;&#245;es e compet&#234;ncias pr&#243;prias, nos termos definidos pela LAL, com respeito pelo princ&#237;pio da subsidiariedade, o qual &#8220;postula a autonomia m&#225;xima das comunidades locais&#8221; (Nabais, 2010, p. 69).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As autarquias locais s&#227;o as freguesias e os munic&#237;pios. Os 308 munic&#237;pios hoje existentes<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> est&#227;o distribu&#237;dos do seguinte modo: 278 no Continente, 19 na Regi&#227;o Aut&#243;noma dos A&#231;ores (RAA) e 11 na Regi&#227;o Aut&#243;noma da Madeira (RAM).</p>     <p>&#160;Quanto ao regime eleitoral, os titulares dos &#243;rg&#227;os das autarquias locais, a saber, a Assembleia de Freguesia, a Assembleia Municipal e a CM, s&#227;o eleitos direta e simultaneamente pelas popula&#231;&#245;es, em fun&#231;&#227;o das respetivas circunscri&#231;&#245;es, sendo que a/o primeira/o candidata/o da lista mais votada para a CM &#233; nomeada/o presidente por um mandato de quatro anos<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>.</p>     <p>Al&#233;m dos mandatos que resultam de sufr&#225;gio, verifica-se a ocorr&#234;ncia de mandatos por nomea&#231;&#227;o, situa&#231;&#227;o em que as/os presidentes eleitas/os n&#227;o concluem (morte, ren&#250;ncia, perda de mandato) ou interrompem (suspens&#227;o tempor&#225;ria) os seus mandatos e s&#227;o substitu&#237;das/os por quem se seguia na lista que lideravam, visando tal substitui&#231;&#227;o o cumprimento do tempo restante (ou parte) desse mandato.</p>     <p>3.2. Transi&#231;&#227;o: 1974-1976 / Distribui&#231;&#227;o de mandatos eleitorais: 1976-2013. Com a Revolu&#231;&#227;o em abril de 1974, os presidentes de c&#226;mara s&#227;o destitu&#237;dos, situa&#231;&#227;o em que o funcionamento das CM &#233; assegurado por comiss&#245;es administrativas integradas &#8220;por personalidades independentes ou pertencentes a grupos e correntes pol&#237;ticas que se identifiquem com o Programa do MFA&#8221; (Almeida, 2013, p. 30), e que funcionariam at&#233; &#224; realiza&#231;&#227;o das primeiras elei&#231;&#245;es democr&#225;ticas. Neste per&#237;odo, de cerca de dois anos e meio, foram nomeados 464 presidentes, entre os quais nove mulheres<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.</p>     <p>As primeiras elei&#231;&#245;es aut&#225;rquicas em que se elegeram mulheres em Portugal, por sufr&#225;gio universal, direto e secreto, realizaram-se em dezembro de 1976<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>.</p>     <p>O <a href="#q1">Quadro 1</a>, que representa o n&#250;mero de mulheres eleitas para a presid&#234;ncia das CM em valores percentuais para o total nacional, nos onze atos eleitorais, permite concluir que a evolu&#231;&#227;o verificada n&#227;o tem sido significativa ou linear. S&#243; a partir de 1997, ano em que a percentagem se situou em 3,9%, o movimento come&#231;ou a ser crescente em cerca de um ponto percentual a cada ato eleitoral. Contudo, nas &#250;ltimas elei&#231;&#245;es, verifica-se que aquele crescimento cessou, pois a percentagem de 7,5% perante uma representa&#231;&#227;o masculina de 92,5%, atingida em 2009, n&#227;o foi ultrapassada. Este valor fica aqu&#233;m da m&#233;dia europeia (UE-28), situada em 15%<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a> (CE, 2017). Por &#250;ltimo, pelo facto de a presidente de C&#226;mara de Odivelas/Lisboa, Susana Amador (PS), ter renunciado ao cargo em outubro de 2015, a taxa de feminiza&#231;&#227;o efetiva atual, reportada a 31 de dezembro de 2016<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>, reduziu-se para 7,1%.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a05q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na tabela seguinte s&#227;o apresentados, em valores absolutos, os dados considerados nos mesmos anos e por distrito (divis&#227;o administrativa supramunicipal), representados geograficamente de norte para sul.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3.3. Distribui&#231;&#227;o de mandatos eleitorais por distrito: 1976-2013</p>     <p>O <a href="#q2">Quadro 2</a> revela que o n&#250;mero de mandatos femininos na lideran&#231;a das CM &#233; ex&#237;guo. Na totalidade dos atos eleitorais, houve 123 mandatos femininos, o que significa que no mesmo per&#237;odo houve 3243 mandatos masculinos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a05q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto &#224; an&#225;lise da distribui&#231;&#227;o territorial dos mandatos, pode observar-se que distritos como Braga, Vila Real, Beja e a RAM, que representam 53 munic&#237;pios, nunca tiveram uma presidente de c&#226;mara. Sete distritos n&#227;o elegeram mulheres antes de 1997, a saber: Viana do Castelo, Bragan&#231;a, Viseu, Guarda, Leiria, Portalegre e Faro. </p>     <p>Assim, os distritos com maiores dificuldades neste campo localizam-se no Norte do pa&#237;s, em particular no Interior Norte, onde se incluem os distritos de Vila Real, Bragan&#231;a, Viseu e Guarda, bem como alguns distritos do Litoral Norte, por exemplo, Viana do Castelo e Braga. </p>     <p>Por outro lado, os distritos do Litoral Sul apresentam os melhores resultados, com destaque para Lisboa, Set&#250;bal e Faro. No Centro, h&#225; a assinalar o distrito de Santar&#233;m, com mandatos femininos em todos os atos eleitorais, exceto em 1993. </p>     <p>Na compara&#231;&#227;o entre as regi&#245;es aut&#243;nomas resulta um saldo positivo para a RAA, pelo facto de a RAM nunca ter elegido mulheres. </p>     <p>Por fim, h&#225; que relativizar a taxa de feminiza&#231;&#227;o geogr&#225;fica por for&#231;a do ex&#237;guo universo abrangido. A t&#237;tulo de exemplo, refira-se o caso do distrito de Castelo Branco com um desempenho &#8220;positivo&#8221; no panorama nacional. Num universo de onze munic&#237;pios, os nove mandatos femininos, obtidos entre 1989 e 2009, resultam da elei&#231;&#227;o de apenas duas mulheres.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3.4. Distribui&#231;&#227;o de mandatos eleitorais por partido/coliga&#231;&#227;o e taxa de feminiza&#231;&#227;o partid&#225;ria: 1976-2013. De seguida, analisa-se o n&#250;mero de mandatos femininos para o cargo de presidente de c&#226;mara, por partido/coliga&#231;&#227;o, e a taxa de feminiza&#231;&#227;o de cada partido tendo em conta o n&#250;mero total de mandatos (femininos (M) / masculinos (H) (PORDATA).</p>     <p>A <a href="#q3">Quadro 3</a> inicia-se com a enumera&#231;&#227;o dos partidos/coliga&#231;&#245;es de direita e centro-direita, seguindo-se o PS (ideologicamente no centro-esquerda) e, finalmente, os partidos/coliga&#231;&#245;es de esquerda.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a05q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A distribui&#231;&#227;o dos 123 mandatos aut&#225;rquicos femininos pelos partidos/coliga&#231;&#245;es resulta em: partidos/coliga&#231;&#245;es de direita e centro-direita, 45; PS, 45; partidos/coliga&#231;&#245;es de esquerda, 30; mandatos independentes, 3. </p>     <p>Por sua vez, a taxa de feminiza&#231;&#227;o por partido, por ordem decrescente, &#233; a seguinte: CDS/PP, 1,9% (M/H, 161); PPD/PSD, 2,8% (M/H, 1292); PS, 3,7% (M/H, 1209); PCP/PEV+APU, 6,5% (M/H, 414); BE (participa nas aut&#225;rquicas apenas desde 2001, com 100% de feminiza&#231;&#227;o e 3 mandatos).</p>     <p>Uma das causas que pode justificar a distribui&#231;&#227;o de resultados verificada por partido &#233; o facto de os partidos situados ideologicamente &#224; esquerda favorecerem a representa&#231;&#227;o feminina nos &#243;rg&#227;os diretivos relativamente aos partidos situados ideologicamente &#224; direita (Martins &amp; Teixeira, 2005). Acrescenta-se que o PS e o BE estabeleceram formalmente, de forma volunt&#225;ria, objetivos quantitativos m&#237;nimos para a representa&#231;&#227;o de cada sexo nos &#243;rg&#227;os partid&#225;rios e nas listas de candidaturas <a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>, realidade que pode estar associada aos resultados obtidos por estes partidos.</p>     <p>3.5. Mandatos femininos por nomea&#231;&#227;o: 1976-2013. Al&#233;m dos mandatos por sufr&#225;gio eleitoral, registaram-se onze mandatos femininos por nomea&#231;&#227;o. Neste grupo, est&#227;o seis mulheres que foram candidatas no per&#237;odo eleitoral seguinte &#224; sua nomea&#231;&#227;o e eleitas. Entre as cinco restantes, uma foi candidata, mas n&#227;o eleita (Teresa Zambujo substituiu, em 2003, o presidente de C&#226;mara de Oeiras/Lisboa, Isaltino Morais, e foi candidata em 2005, mas perdeu). Relativamente &#224;s outras quatro presidentes nomeadas, n&#227;o foi poss&#237;vel apurar o seu percurso. </p>     <p>No c&#244;mputo geral, houve 134 mandatos femininos (123 por elei&#231;&#227;o e 11 por nomea&#231;&#227;o) distribu&#237;dos, pelos diversos per&#237;odos eleitorais, como &#233; apresentado no <a href="#q4">Quadro 4</a>. O total de mandatos foi exercido por 62 mulheres, o que revela uma taxa de reelei&#231;&#227;o alta, a analisar de seguida. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a05q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>3.6. Reelei&#231;&#227;o das presidentes de c&#226;mara: 1976-2013. De entre as mulheres que conclu&#237;ram o exerc&#237;cio de mandato no &#243;rg&#227;o executivo municipal, apenas nove exerceram mandato &#250;nico. As demais foram reeleitas por: dois mandatos (14), tr&#234;s mandatos (11), quatro mandatos (4), cinco mandatos (2) e seis mandatos (2) sucessivos. </p>     <p>As presid&#234;ncias mais longas foram as de Maria Em&#237;lia de Sousa (PCP/PEV), em Almada/Set&#250;bal, e Maria Irene Joaquim (PPD/PSD), em Vila de Rei/Castelo Branco. A primeira assumiu o cargo em novembro de 1987, nomeada em substitui&#231;&#227;o do presidente eleito; sendo candidata, em 1989, garantiu seis mandatos sucessivos, perfazendo 26 anos de exerc&#237;cio. A autarca de Vila de Rei, eleita pela primeira vez em 1989, cumpriu seis mandatos consecutivos, tendo terminado fun&#231;&#245;es, tamb&#233;m em setembro de 2013, ap&#243;s quase 24 anos de presid&#234;ncia. </p>     <p>Salienta-se que a &#8220;longevidade&#8221; de algumas presid&#234;ncias foi afetada pela lei de limita&#231;&#227;o de mandatos que impede a recandidatura dos presidentes dos &#243;rg&#227;os executivos das autarquias a um quarto mandato sucessivo<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>. Trata-se de uma lei aprovada em 2005<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a> mas com efeitos pr&#225;ticos, pela primeira vez, no ato eleitoral de 2013, com a qual o legislador pretendeu evitar a perman&#234;ncia excessiva num mesmo cargo<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>. </p>     <p>Al&#233;m da taxa de reelei&#231;&#227;o, assinala-se, como indicador positivo do desempenho pol&#237;tico das mulheres na lideran&#231;a das autarquias, a incid&#234;ncia de diferentes mandatos femininos em tr&#234;s munic&#237;pios. &#201; o caso do munic&#237;pio do Montijo/Set&#250;bal, liderado por Jacinta Ricardo (PCP/PEV) entre 1989 e 1997, sucedendo-lhe neste ano Maria Am&#233;lia Antunes (PS), eleita por quatro mandatos sucessivos. Tamb&#233;m em Silves/Faro, Maria Soares (PPD/PSD), presidente desde 1997 at&#233; 2013, foi sucedida por Rosa Palma (PCP/PEV). Por &#250;ltimo, em Nisa/Portalegre, Maria Tsukamoto (PCP/PEV), eleita em 2001, deu lugar a Maria Trindade (PS), no ato eleitoral de 2013.</p>     <p>Para concluir, refira-se que, perante um universo t&#227;o reduzido, a caracteriza&#231;&#227;o da representa&#231;&#227;o pol&#237;tica das mulheres na lideran&#231;a das CM torna-se limitada e obriga a pondera&#231;&#227;o redobrada no momento de interpretar resultados. Outra dificuldade sentida prende-se com a falta de dados, mormente desagregados por sexo, o que anula a possibilidade de avaliar cabalmente o peso relativo das resist&#234;ncias colocadas &#224;s mulheres nos tr&#234;s processos de elimina&#231;&#227;o que enfrentam, j&#225; que s&#227;o selecionadas: por si pr&#243;prias, como candidatas pelos partidos pol&#237;ticos e pelos eleitores (Ballington &amp; Karam, 2005).</p>     <p>4. Entrevistas: as presidentes de C&#226;mara na primeira pessoa</p>     <p>Os valores de representa&#231;&#227;o acima destacados revelam algum progresso, principalmente a partir do in&#237;cio do novo s&#233;culo; contudo, est&#227;o longe de uma situa&#231;&#227;o de equil&#237;brio na distribui&#231;&#227;o de pap&#233;is de lideran&#231;a pol&#237;tica entre mulheres e homens nos munic&#237;pios portugueses. As barreiras que dificultam a participa&#231;&#227;o pol&#237;tica das mulheres ficam, obviamente, exponenciadas nos cargos de lideran&#231;a. Identificar os canais atrav&#233;s dos quais as entrevistadas acederam &#224; lideran&#231;a das CM, as suas motiva&#231;&#245;es para entrar na vida pol&#237;tica, como percecionam os obst&#225;culos e os ultrapassam, pareceu-nos um pano de fundo &#250;til.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num estudo da <i>Inter-Parliamentary Union</i> (IPU), publicado em 2008, foram inquiridos 272 mulheres e homens deputados parlamentares de 110 pa&#237;ses, sobre a motiva&#231;&#227;o para a candidatura parlamentar e os obst&#225;culos que identificavam no acesso &#224; pol&#237;tica (IPU, 2008). Este estudo, pela sua representatividade<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a> e atualidade<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>, oferece um esquema de an&#225;lise v&#225;lido para os testemunhos obtidos que versaram, na mesma linha, o percurso pol&#237;tico (motiva&#231;&#245;es/obst&#225;culos) das autarcas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a05q5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>4.1. Percurso pol&#237;tico: motiva&#231;&#245;es. O interesse pela pol&#237;tica manifestou-se muito cedo na vida da maioria das entrevistadas e, em muitos casos, por influ&#234;ncia familiar: &#8220;lembro-me de ter ido a um dos primeiros com&#237;cios que houve na altura, &#224;s cavalitas do meu pai&#8221; (9). Na juventude, algumas tinham j&#225; uma participa&#231;&#227;o ativa em associa&#231;&#245;es de car&#225;cter c&#237;vico/social e/ou pol&#237;ticas (sindicais/partid&#225;rias):</p>     <p>&#8220;Em 74 (com 18 anos) fundei uma das primeiras comiss&#245;es de moradores que existiram em Portugal&#8221; (8); </p>     <p>&#8220;No liceu e na faculdade, cheguei a ter uma milit&#226;ncia muito ativa, na JCP&#8221; (2); </p>     <p>&#8220;Estava no projeto da UGT (...) e muito novinha ainda (...) este percurso levou-me at&#233; ao PS, em 1983&#8221; (6);</p>     <p>&#8220;Comecei na vida pol&#237;tica aos 18&#8221; (3).</p>     <p>A passagem da milit&#226;ncia partid&#225;ria para o desempenho de um cargo p&#250;blico eletivo aconteceu, quase sempre, &#8220;um bocadinho por acaso&#8221; (3), em resultado de circunst&#226;ncias aleat&#243;rias: &#8220;Nesse ano, o PS elegeu nove (deputados); dois sa&#237;ram para ministros e isso deu lugar a que de nove passasse para onze, e eu fui para a Assembleia da Rep&#250;blica&#8221; (6). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa evolu&#231;&#227;o significou a pr&#233;via aquisi&#231;&#227;o de experi&#234;ncia profissional e/ou forma&#231;&#227;o acad&#233;mica para temas relacionados com a &#8220;capacidade argumentativa e seguran&#231;a na orat&#243;ria&#8221; (9) e a presta&#231;&#227;o de provas: &#8220;n&#227;o estava nos meus horizontes e na altura em que me foi feito, o convite (aconteceu) por reconhecimento de trabalho em termos associativos na comunidade&#8221; (4).</p>     <p>Oito entrevistadas referiram que o primeiro cargo pol&#237;tico desempenhado foi no Poder Local, maioritariamente em Juntas de Freguesia (como vogal/presidente), patamar pol&#237;tico que &#8220;foi o come&#231;o&#8221; (3) e revelou ser &#8220;uma escola muito boa&#8221; (5), &#8220;onde se sentem todas as preocupa&#231;&#245;es das pessoas&#8221; (9). Na maioria dos casos, o percurso at&#233; &#224; presid&#234;ncia do munic&#237;pio n&#227;o foi planeado: &#8220;ainda h&#225; dois anos, se me perguntassem se eu tinha a certeza de que iria ser candidata, n&#227;o tinha (...); as coisas foram acontecendo&#8221; (1). </p>     <p>4.2. Percurso pol&#237;tico: obst&#225;culos. Entre as dificuldades assinaladas pelas entrevistadas, a principal prende-se com a concilia&#231;&#227;o da agenda pol&#237;tica com as responsabilidades da gest&#227;o da vida privada, que implica, quase sempre, estarem reunidas algumas condi&#231;&#245;es, entre as quais o apoio de familiares (c&#244;njuge, pais) e de pessoal dom&#233;stico. A pesada e cont&#237;nua carga hor&#225;ria associada ao cargo de presidente de c&#226;mara traduz-se na priva&#231;&#227;o de per&#237;odos de descanso, f&#233;rias ou licen&#231;a parental, como descrito:</p>     <p>&#8220;&#201; entrar aqui nove, nove e meia, e sair, muitos, mas muitos dias (e h&#225; alturas em que h&#225; picos (de trabalho)), entre a meia-noite e as duas da manh&#227;&#8221; (8);</p>     <p>&#8220;Avancei, mas lembro-me perfeitamente de estar numa reuni&#227;o e ter de interromper para ir amamentar&#8221; (9);</p>     <p>&#8220;No meu caso, eu era m&#227;e sozinha, tamb&#233;m acrescia esse fator, e temos todas as tarefas inerentes &#224; fam&#237;lia&#8221; (2);</p>     <p>&#8220;Vou sempre jantar a casa, nem que tenha depois de voltar para a C&#226;mara&#8221; (5); </p>     <p>&#8220;N&#227;o gozei a licen&#231;a de maternidade, o meu filho tinha tr&#234;s semanas e deixei-o com os meus pais e comecei logo a trabalhar&#8221; (1).</p>     <p>O peso da exposi&#231;&#227;o p&#250;blica &#233; um fator referido pela maioria, que sublinha tratar-se de um fen&#243;meno &#8220;comum &#224; experi&#234;ncia pol&#237;tica em geral&#8221; (2), embora, &#8220;exponenciado na pol&#237;tica de proximidade&#8221; (6), como fica claro nos excertos seguintes:</p>     <p>&#8220;As pessoas interiorizam-nos como algu&#233;m que est&#225; sempre dispon&#237;vel e, portanto, pode ser abordado em qualquer circunst&#226;ncia e tudo o mais. Tiram-&#173;&#8209;nos completamente o espa&#231;o, mas tamb&#233;m demonstram confian&#231;a nisso mesmo&#8221; (7);</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;As pessoas t&#234;m-nos como coisa sua, n&#227;o entendem que n&#243;s tamb&#233;m precisamos de privacidade e que h&#225; momentos em que n&#227;o devemos ser abordados como se funcion&#225;ssemos vinte e quatro horas por dia&#8221; (8).</p>     <p>A preval&#234;ncia de regras e h&#225;bitos masculinos no funcionamento dos partidos pol&#237;ticos &#233; um obst&#225;culo &#224; participa&#231;&#227;o pol&#237;tica das mulheres reconhecido pela maioria das entrevistadas.</p>     <p>&#8220;Os partidos nasceram sob a &#233;gide do masculino. Repare, (...) o <i>modus operandi</i> (dos partidos) &#233; mais atrativo para o g&#233;nero masculino&#8221; (9);</p>     <p>&#8220;Fiz parte da distrital, na hora de agendar reuni&#245;es havia quem aparecesse com um calend&#225;rio (...) dos jogos de futebol at&#233; final da &#233;poca. Eu gosto de ver futebol, mas da&#237; a agendar reuni&#245;es em fun&#231;&#227;o dos jogos nunca me passaria pela cabe&#231;a. Isto a prop&#243;sito de h&#225;bitos masculinos&#8221; (4).</p>     <p>Em oposi&#231;&#227;o ao &#8220;estilo masculino&#8221; de fazer pol&#237;tica com &#8220;longu&#237;ssimas e pouco produtivas reuni&#245;es&#8221; (2), descrevem um &#8220;estilo feminino&#8221;, caracterizado por diferentes metodologias de trabalho, em que os pontos em agenda s&#227;o observados porque as mulheres &#8220;s&#227;o mais perseverantes no sentido &#8216;n&#227;o saio daqui enquanto isto n&#227;o acontecer&#8217;&#8221; (8); pelo pragmatismo das solu&#231;&#245;es apresentadas, porque &#8220;as mulheres n&#227;o se det&#234;m na pequenina coisa da trica, querem &#233; resolver problemas&#8221; (7); pela op&#231;&#227;o por tomar a palavra apenas &#8220;se vai acrescentar alguma coisa, se vai dizer algo diferente&#8221; (9).</p>     <p>H&#225; ainda casos em que esta dicotomia &#233; refutada:</p>     <p>&#8220;Na pr&#243;xima semana a minha fam&#237;lia est&#225; de f&#233;rias e era suposto eu l&#225; estar, mas j&#225; marquei uma s&#233;rie de reuni&#245;es. Isto &#233; tipicamente masculino? Tipicamente feminino? N&#227;o sei. Para mim este tipo de funcionamento &#233; normal (...), n&#227;o me inquieta&#8221; (1).&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </p>     <p>Atrav&#233;s da an&#225;lise das analogias e diferendos entre os resultados do estudo da IPU e o registo dos testemunhos obtidos (aqui transcritos parcialmente), foi poss&#237;vel caracterizar o percurso pol&#237;tico das entrevistadas, quanto &#224;s duas categorias selecionadas (motiva&#231;&#245;es/obst&#225;culos).</p>     <p>Quanto &#224;s motiva&#231;&#245;es para a atividade pol&#237;tica, a IPU identificou sete motivos principais para as mulheres se candidatarem ao Parlamento, de que se destacam, em comum com os resultados do nosso estudo: i) o encorajamento familiar; ii)/iii) a vontade de melhorar a sua comunidade/servir o pa&#237;s; iv) corresponder aos interesses do partido.</p>     <p>Quanto aos obst&#225;culos no inqu&#233;rito da IPU, as &#8220;tarefas dom&#233;sticas&#8221;, que geram problemas no equil&#237;brio do tempo, encimam a lista dos 14 fatores nomeados como dissuasores da atividade pol&#237;tica das mulheres, que equivale, na nossa pesquisa, &#224; dificuldade de concilia&#231;&#227;o da agenda pol&#237;tica com a gest&#227;o da vida privada. Quanto aos restantes fatores presentes naquela lista, cinco n&#227;o s&#227;o mencionados pelas entrevistadas: i)/ii) falta de apoio dos homens/de outras mulheres; iii) ver a pol&#237;tica como corrupta; iv) preocupa&#231;&#245;es com seguran&#231;a; v) impedimentos religiosos. Os obst&#225;culos remanescentes na lista s&#227;o referidos pelas autarcas, mas nunca as afetaram ou foram ultrapassados: i) atitudes culturais sobre os pap&#233;is das mulheres na sociedade; ii) falta de apoio familiar; iii) falta de confian&#231;a; iv) dificuldades financeiras; v) falta de apoio dos partidos; vi) falta de experi&#234;ncia em fun&#231;&#245;es de representa&#231;&#227;o (falar em p&#250;blico, relacionar-se com eleitorado); vii) falta de apoio do eleitorado. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclus&#227;o, na an&#225;lise feita &#224; descri&#231;&#227;o do percurso pol&#237;tico das autarcas n&#227;o foram identificadas diferen&#231;as partid&#225;rias ou geracionais relevantes. O estudo contribui para esclarecer, atrav&#233;s do olhar das entrevistadas, os obst&#225;culos &#224; lideran&#231;a pol&#237;tica no feminino, nomeadamente, as especificidades circunscritas ao Poder Local, embora com a limita&#231;&#227;o de generaliza&#231;&#227;o de resultados salientada de in&#237;cio.</p>     <p>Conclus&#245;es</p>     <p>No per&#237;odo democr&#225;tico, Portugal tem renovado o compromisso de promover a igualdade entre mulheres e homens quanto &#224; participa&#231;&#227;o nos &#243;rg&#227;os de poder pol&#237;tico, com tradu&#231;&#227;o num corpo de leis que segue o paradigma internacional. Neste &#226;mbito sublinha-se a implementa&#231;&#227;o de quotas no sistema eleitoral, em 2006, para fomentar uma representa&#231;&#227;o pol&#237;tica parit&#225;ria nos Parlamentos nacional e europeu e nos &#243;rg&#227;os do Poder Local. Contudo, a multiplicidade de fatores pol&#237;ticos e n&#227;o pol&#237;ticos que influencia a participa&#231;&#227;o das mulheres na vida pol&#237;tica institucional persiste e concorre para que a imparidade na representa&#231;&#227;o pol&#237;tica subsista, acentuando-se &#224; medida que se sobe na hierarquia, tornando-se, em muitos casos, residual.</p>     <p>No plano do Poder Local, com efeito, a presen&#231;a feminina na lideran&#231;a do &#243;rg&#227;o executivo municipal tem sido ex&#237;gua. O melhor resultado foi obtido em 2009, com a elei&#231;&#227;o de 23 mulheres para um universo de 308 munic&#237;pios, valor que se repetiu no per&#237;odo eleitoral seguinte, em 2013, revelando o fim da evolu&#231;&#227;o constante, embora pouco expressiva, verificada a partir de 1997. No c&#244;mputo geral, em quatro d&#233;cadas de democracia, os eleitores portugueses elegeram 57 mulheres como suas representantes pol&#237;ticas locais. Este resultado, que segue a tend&#234;ncia de muitos pa&#237;ses europeus, explica-se, em parte, pelo facto de apenas algumas mulheres reunirem as condi&#231;&#245;es pessoais e materiais que as colocam na situa&#231;&#227;o de &#8220;eleg&#237;veis&#8221; para o exerc&#237;cio da lideran&#231;a pol&#237;tica. Contudo, o <i>deficit</i> de conhecimento sobre o patamar pol&#237;tico local n&#227;o permite caracterizar o problema na sua totalidade.</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>. Resolu&#231;&#227;o A/RES/70/1 de 2015. Documento adotado por 193 pa&#237;ses, incluindo Portugal.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Cimeira de chefes de Estado e de Governo, realizada em setembro de 2015.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Sobre o conceito de g&#233;nero, cf. L&#237;gia Am&#226;ncio, 2003.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>&#201; aceite pela maioria da doutrina (<i>e.g</i>., Carla Gomes, C&#226;ndido de Oliveira, M. Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral) que os presidentes de C&#226;mara s&#227;o &#243;rg&#227;os executivos de natureza singular, pelo estatuto e autonomia, compet&#234;ncias e poderes pr&#243;prios, envolv&#234;ncia na org&#226;nica vigente, legitimidade refor&#231;ada pela elei&#231;&#227;o direta, embora essa refer&#234;ncia seja omissa na CRP e legisla&#231;&#227;o ordin&#225;ria.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>As pr&#243;ximas aut&#225;rquicas realizam-se a 1 de outubro de 2017.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Disserta&#231;&#227;o com orienta&#231;&#227;o cient&#237;fica do Prof. Dr. Hermenegildo F. Borges, submetida &#224; Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas e &#224; Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa (mestrado conjunto), em setembro de 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>CRP: art. 9.&#186; h); art. 13.&#186; (Princ&#237;pio da Igualdade); art. 49.&#186; (Direito de Sufr&#225;gio); art. 50.&#186; (Direito de acesso a cargos p&#250;blicos); art. 109.&#186; (Participa&#231;&#227;o Pol&#237;tica).</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>A Lei previa uma exce&#231;&#227;o (n.&#186; 4, art. 2.&#186;), n&#227;o se aplicando a representa&#231;&#227;o m&#237;nima de 33,3% nas freguesias com 750 ou menos eleitores e munic&#237;pios com 7500 ou menos eleitores, anulada por altera&#231;&#227;o &#224; Lei, em 10 de mar&#231;o de 2017, a vigorar em 2018.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Quanto a dados oficiais, a DGAI publica, desde 1982, o &#8220;Perfil do Autarca&#8221; que inclui dados desagregados por sexo. Trata-se de estudos com a caracteriza&#231;&#227;o sociol&#243;gica dos eleitos locais, existentes no &#226;mbito do anterior Secretariado T&#233;cnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>Organismo independente, criado em 1975, institu&#237;do pela AR, para assegurar a igualdade de tratamento dos intervenientes nos processos eleitorais.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>Servi&#231;o central de suporte da administra&#231;&#227;o direta do Estado, com compet&#234;ncias na administra&#231;&#227;o eleitoral. Atualmente extinta, a DGAI passou a integrar a Secretaria-Geral do Minist&#233;rio da Administra&#231;&#227;o Interna.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a>Lei n.&#186; 169/99 de 18 de setembro (atualiza&#231;&#227;o: Lei n.&#186; 7-A/2016, de 30 de mar&#231;o).</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a>Lei Org&#226;nica n.&#186; 1/2001, de 14 de agosto (atualiza&#231;&#227;o: Lei n.&#186; 72-A/2015 de 23 de julho).</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a>Lei Org&#226;nica n.&#186; 3/2006, de 21 de agosto.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a>Lei Org&#226;nica n.&#186; 2/2003, de 22 agosto (atualiza&#231;&#227;o: Lei Org&#226;nica n.&#186; 2/2008, de 14 de maio).</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a>CRP de 2 de abril de 1976 (atualiza&#231;&#227;o: Lei Const. 1/2005, de 12 de agosto).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a>Trabalho de campo realizado entre julho e setembro de 2014, em Santar&#233;m, Portalegre, Lisboa e Set&#250;bal.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a>O grupo pesquisado situa-se nas faixas et&#225;rias: 36-45 (duas); 46-55 (quatro); + de 56 anos (tr&#234;s).</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a>Arts. 235.&#186; a 265.&#186;.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a>N&#250;mero de munic&#237;pios nos per&#237;odos eleitorais: 1976: 304; entre 1979 e 1997: 305; a partir de 2001: 308 (PORDATA).</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a>Antes de 1985, os mandatos eram de tr&#234;s anos.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a>Assinala-se o caso de Maria Judite de Abreu, na Figueira da Foz/Coimbra, &#250;nica presidente de uma comiss&#227;o administrativa a candidatar-se e vencer nas primeiras elei&#231;&#245;es aut&#225;rquicas, eleita presidente de C&#226;mara de Coimbra.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a>As elei&#231;&#245;es locais realizaram-se nas seguintes datas: 12.dez.1976;16.dez.1979;12.dez.1982;15.dez.1985;17.dez.1989;12.dez.1993;14.dez.1997;16.dez.2001;09.out.2005,11.out.2009 e 29.set.2013.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a>Situa&#231;&#227;o em 24 de janeiro de 2017, referente a presidentes ou l&#237;deres municipais em cargo equivalente.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a>Nesta data registou-se a suspens&#227;o de mandato de S&#237;lvia Pinto (PCP/PEV) na CM de Arraiolos/&#201;vora, valor n&#227;o computado pela transitoriedade da situa&#231;&#227;o.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a>O PS foi o primeiro partido a estabelecer, em 1988, uma percentagem m&#237;nima por sexo, fixada em 25% (atualmente, n&#227;o inferior a 1/3). O BE definiu crit&#233;rios de representa&#231;&#227;o de 50/50 ou 1/3, consoante o &#243;rg&#227;o a que se referem as listas a formar. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a>Esta situa&#231;&#227;o afetou 11 mulheres, algumas das quais pretendiam recandidatar-se.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a>Lei n.&#186; 46/2005, de 29 de agosto.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a>Esta lei afastou os denominados &#8220;dinossauros&#8221;, l&#237;deres no Poder Local por quatro d&#233;cadas.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a>Entre os argumentos que concorrem para justificar a incid&#234;ncia de estudos nos Parlamentos nacionais, sublinha-se: trata-se de &#8220;um espa&#231;o privilegiado para avaliar tanto a participa&#231;&#227;o pol&#237;tica no feminino, como as iniciativas ligadas &#224; tem&#225;tica de igualdade (...)&#8221; (Cabrera et al., 2016, p. 5); apurar a propor&#231;&#227;o de mulheres e homens nessa inst&#226;ncia tornou-se uma medida padr&#227;o para aferir o &#237;ndice democr&#225;tico dos pa&#237;ses (UNWOMEN, 2016).</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a>Os resultados do estudo da IPU-2008 servem de refer&#234;ncia ao estudo da IPU-2015, sobre a avalia&#231;&#227;o da feminiza&#231;&#227;o parlamentar mundial entre 1995 e 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Almeida, M. A. P. (2013). <i>O poder local do Estado Novo &#224; Democracia: Presidentes de c&#226;mara e governadores civis, 1936-2012</i>. Lisboa: <i>ebook.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837711&pid=S0874-6885201700010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>     <!-- ref --><p>Almeida, M. A. P. (2014). <i>Dicion&#225;rio biogr&#225;fico do poder local em Portugal, 1936-2013</i>. Lisboa: <i>ebook.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837713&pid=S0874-6885201700010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>     <!-- ref --><p>Am&#226;ncio, L. (2003). O g&#233;nero no discurso das ci&#234;ncias sociais. <i>An&#225;lise Social, XXXVIII</i> (168), 687-714.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837715&pid=S0874-6885201700010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Amaral, D. F. (1988). <i>Curso de direito administrativo, I.</i> Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837717&pid=S0874-6885201700010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANMP (2017). <i>Carta europeia para a igualdade das mulheres e dos homens na vida local</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.anmp.pt/files/temas/RInternacionais/CartaIgualdadeMH.pdf" target="_blank">http://www.anmp.pt/files/temas/RInternacionais/CartaIgualdadeMH.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837719&pid=S0874-6885201700010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ballington, J. &amp; Karam, A. (Eds.). (2005). <i>Women in Parliament: Beyond numbers. </i><i>A revisited edition.</i> Dispon&#237;vel em <a href="http://www.idea.int" target="_blank">http://www.idea.int</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837720&pid=S0874-6885201700010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bardin, L. (2013). <i>An&#225;lise de conte&#250;do</i>. Lisboa: Edi&#231;&#245;es 70. (Original publicado em 1977).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837721&pid=S0874-6885201700010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barracho, C. &amp; Martins, M. M. (2010). <i>Lideran&#231;a e g&#233;nero</i>. Lisboa: S&#237;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837723&pid=S0874-6885201700010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cabrera, A. et al. (2016). <i>Pol&#237;tica no feminino</i>. Lisboa: Al&#234;theia Editores.</p>     <!-- ref --><p>CE (2017). <i>Comiss&#227;o Europeia</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://ec.europa.eu/gender-equality/politics/local-level" target="_blank">http://ec.europa.eu/gender-equality/politics/local-level</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837726&pid=S0874-6885201700010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CEMR (2017). <i>Council of European Municipalities and Regions</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.ccre.org" target="_blank">http://www.ccre.org</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837727&pid=S0874-6885201700010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CIG (2017). <i>Comiss&#227;o para a Cidadania e a Igualdade de G&#233;nero</i>. Dispon&#237;vel em <a href="https://www.cig.gov.pt" target="_blank">https://www.cig.gov.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837728&pid=S0874-6885201700010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CNE (2017). <i>Comiss&#227;o Nacional de Elei&#231;&#245;es</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.cne.pt" target="_blank">http://www.cne.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837729&pid=S0874-6885201700010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>DGAI (2017). <i>Dire&#231;&#227;o-Geral de Administra&#231;&#227;o Interna</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.sg.mai.gov.pt" target="_blank">http://www.sg.mai.gov.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837730&pid=S0874-6885201700010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IPU (2008). <i>Equality in Politics: A survey of women and men in Parliaments</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.ipu.org/PDF/publications/equality08-e.pdf" target="_blank">http://www.ipu.org/PDF/publications/equality08-e.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837731&pid=S0874-6885201700010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IPU (2015). <i>Women in Parliament: 20 years in review</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.ipu.org/pdf/publications/WIP20Y-en.pdf" target="_blank">http://www.ipu.org/pdf/publications/WIP20Y-en.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837732&pid=S0874-6885201700010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Martins, C. (2015). <i>Mulheres, lideran&#231;a pol&#237;tica e media</i>. Lisboa: Al&#234;theia Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837733&pid=S0874-6885201700010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, M. M. &amp; Teixeira<i>, </i>C. P<i>. </i>(2005).<i> O funcionamento dos partidos e a participa&#231;&#227;o das mulheres na vida pol&#237;tica e partid&#225;ria em Portugal</i>. Lisboa:<i> </i>Comiss&#227;o para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837735&pid=S0874-6885201700010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Miranda, J. (1983). <i>Manual de direito constitucional, III.</i> Coimbra: Coimbra Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837737&pid=S0874-6885201700010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Monteiro, E. F. (2010). Feminismos e p&#243;s-colonialismo no limiar do s&#233;c. XXI.<i> </i>In Magalh&#227;es, M. J. et al. (Coord.). <i>Quem tem medo dos feminismos? Congresso feminista 2008: Actas, I</i>, 355-363. Funchal: Nova Delphi.</p>     <!-- ref --><p>Nabais, J. C. (2010). <i>Estudos sobre autonomias territoriais institucionais e c&#237;vicas</i>. Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837740&pid=S0874-6885201700010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, A. C. (2003). A dif&#237;cil democracia local e o contributo do Direito. In A. C. Oliveira (Coord.), <i>Estudos em comemora&#231;&#227;o do d&#233;cimo anivers&#225;rio da licenciatura em Direito da</i> <i>Universidade do Minho, </i>95-113. Braga: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837742&pid=S0874-6885201700010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>OMC. (2003). <i>As mulheres e o poder local: Contribui&#231;&#245;es para a reflex&#227;o e ac&#231;&#227;o</i>. Lisboa: Editorial Avante!.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837744&pid=S0874-6885201700010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ONU. (2017). <i>The Sustainable Development Agenda</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.un.org" target="_blank">http://www.un.org</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837746&pid=S0874-6885201700010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>PORDATA. (2017). <i>Presidentes de c&#226;mara por partido</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.pordata.pt" target="_blank"></a><a href="http://www.pordata.pt" target="_blank">http://www.pordata.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837747&pid=S0874-6885201700010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Puri, L. (2016). <i>Drive Home the Urgency of Planet 50-50 by 2030</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.unwomen.org" target="_blank">http://www.unwomen.org</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837748&pid=S0874-6885201700010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rodrigues, M. A. V. (2012). O tratamento e an&#225;lise de dados. In H. C. Silvestre <i>et al</i>. (Coord.). <i>Metodologia para a investiga&#231;&#227;o social</i>, 171-210. Lisboa: Escolar Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837749&pid=S0874-6885201700010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>UNRIC. (2017). <i>Agenda 2030 para o desenvolvimento sustent&#225;vel</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.unric.org/pt" target="_blank">http://www.unric.org/pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837751&pid=S0874-6885201700010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>UNWOMEN. (2000). <i>Gender, Equality, Development and Peace for the Twenty-First Century</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.un.org" target="_blank">http://www.un.org</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837752&pid=S0874-6885201700010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>UNWOMEN. (2016). <i>Facts and Figures: Leadership and political participation</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.unwomen.org" target="_blank">http://www.unwomen.org</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837753&pid=S0874-6885201700010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>UNWOMEN. (2017). <i>World Conferences on Women</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.unwomen.org" target="_blank">http://www.unwomen.org</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837754&pid=S0874-6885201700010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 18/10/2016</p>     <p>Aceite para publica&#231;&#227;o: 05/04/2017</p> </i>     ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O género no discurso das ciências sociais]]></article-title>
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