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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Agricultura urbana, espaço de protagonismo feminino: Dinâmicas e potencialidades]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[It is argued that urban agriculture is a practice where women are protagonists. In order to verify the argument a set of gardens in Vienna and Lisbon plus 29 relevant experiences in Portugal were used. The results show that woman presence in the gardens has space to increase; women are in hegemony as process managers; women are leading social entrepreneurship projects. In conclusion, we claim that women protagonist role should be visible, and supported by public policies in order to promote the national economy in a fair and sustainable way.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Agricultura urbana, espa&#231;o de protagonismo feminino : Din&#226;micas e potencialidades</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Urban agriculture, a women protagonist space: Dynamics and potentialities</b></font></p>     <p><b>Cec&#237;lia Delgado*</b></p>     <p>&#160;* Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas, Centro Interdisciplinar de Ci&#234;ncias Sociais, <a href="mailto:cmndelgado@gmail.com">cmndelgado@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Argumenta-se que a agricultura urbana &#233; uma pr&#225;tica onde a mulher &#233; protagonista. Considerou-se um conjunto de hortas em Viena e Lisboa e 29 experi&#234;ncias relevantes em Portugal para testar o argumento. Os resultados demonstram uma evolu&#231;&#227;o favor&#225;vel &#224; maior presen&#231;a das mulheres nas hortas; uma hegemonia das mulheres no conjunto de pr&#225;ticas analisadas, seja como gestoras, seja como dinamizadoras dos processos; a emerg&#234;ncia das mulheres nos projetos de empreendedorismo social. Em conclus&#227;o, reclama-se que o protagonismo das mulheres deve ser reconhecido e canalizado para a dinamiza&#231;&#227;o da economia nacional, atrav&#233;s de pol&#237;ticas p&#250;blicas.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>agricultura urbana; g&#233;nero; mulher; Portugal; pol&#237;ticas p&#250;blicas.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>It is argued that urban agriculture is a practice where women are protagonists. In order to verify the argument a set of gardens in Vienna and Lisbon plus 29 relevant experiences in Portugal were used. The results show that woman presence in the gardens has space to increase; women are in hegemony as process managers; women are leading social entrepreneurship projects. </p>     <p>In conclusion, we claim that women protagonist role should be visible, and supported by public policies in order to promote the national economy in a fair and sustainable way.</p>     <p><b>Keywords: </b>urban agriculture; gender; women; Portugal; public policies.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Introdu&#231;&#227;o</p>     <p>A rela&#231;&#227;o entre o g&#233;nero e a agricultura urbana tem sido objeto de estudo, em especial no contexto da Am&#233;rica Latina e &#193;frica, onde se provou o impacto positivo para a autonomia financeira das mulheres (Hovorka et al., 2009). Na Europa, destaca-se o estudo realizado por Buckingham (2005), que refere a relev&#226;ncia destes espa&#231;os para a integra&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o feminina imigrante. A aus&#234;ncia de informa&#231;&#227;o que permita esclarecer a presen&#231;a e o perfil das mulheres na agricultura urbana, e mais especificamente no contexto portugu&#234;s, justifica este estudo explorat&#243;rio. Para efeitos do presente estudo, entende-se como agricultura urbana <i>&#8220;</i>um setor de atividade (&#8230;), que produz, processa e distribui uma diversidade de alimentos e produtos n&#227;o alimentares, reutilizando ou usando recursos humanos e materiais, bens e servi&#231;os, que existem nas &#225;reas urbanas ou imediatamente circundantes (periurbano), que por sua vez, fornece esses recursos humanos e materiais, bens e servi&#231;os, em larga medida para a &#225;rea urbana&#8221;<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>(Mougeot, 2000, p. 11). Uma parte relevante dos dados analisados refere-se &#224; cadeia produtiva da agricultura urbana para autoconsumo ou atividades recreativas, a que vulgo se denomina hortas urbanas. No entanto ser&#227;o igualmente apresentados outros tipos de pr&#225;ticas, nomeadamente a produ&#231;&#227;o para distribui&#231;&#227;o, e.g. o programa PROVE, e a distribui&#231;&#227;o, e.g. <i>Fruta Feia</i>. </p>     <p>O objetivo deste estudo foi analisar o protagonismo da mulher na agricultura urbana. Para sustentar o nosso argumento, apoiamo-nos em dados prim&#225;rios, resultantes da <i>Short Scientific Term Mission</i> realizada em Viena (&#193;ustria) em setembro de 2015, e financiada pelo programa Europeu COST<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>. Relativamente ao contexto portugu&#234;s, baseamo-nos na an&#225;lise da literatura existente e ainda num conjunto de 29 experi&#234;ncias identificadas como relevantes, por um conjunto de 12 informantes-chave entrevistados no &#226;mbito da pesquisa sobre o estado da arte da agricultura urbana.</p>     <p>1.&#170; Parte &#8211; As Hortas Urbanas de Viena e Lisboa: diferen&#231;as e semelhan&#231;as</p>     <p>Desde os finais da primeira d&#233;cada do s&#233;culo XXI, Lisboa e Viena t&#234;m vindo a fomentar pol&#237;ticas municipais de incentivo &#224;s hortas urbanas. A tem&#225;tica &#233; atual e mobilizadora e importa perceber na perspetiva de g&#233;nero o que une e separa estas duas experi&#234;ncias. Para fundamentar o debate, faz-se uma breve contextualiza&#231;&#227;o sociodemogr&#225;fica das duas realidades. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portugal e a &#193;ustria s&#227;o dois pa&#237;ses da Uni&#227;o Europeia semelhantes em dimens&#227;o territorial e n&#250;mero de habitantes. De acordo com dados estat&#237;sticos, a popula&#231;&#227;o portuguesa &#233; de 10,404 milh&#245;es (52,5% de mulheres e 47,5% homens) e a popula&#231;&#227;o austr&#237;aca &#233; de 8,561 milh&#245;es (51,0% mulheres e 49,0% homens). No que se refere &#224; dimens&#227;o territorial, a varia&#231;&#227;o &#233; tamb&#233;m pouco not&#243;ria, Portugal continental e ilhas perfazem 92 000 km<sup>2</sup>, a &#193;ustria 83 900 km<sup>2</sup>. Estamos, portanto, perante dois territ&#243;rios com caracter&#237;sticas semelhantes, o que agiliza o estudo comparativo que se prop&#245;e. </p>     <p>As dissemelhan&#231;as entre os dois pa&#237;ses emergem quando se compara outro tipo de indicadores. Sublinharemos aqui dois cen&#225;rios relevantes para enquadrar o nosso argumento: habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias e desemprego de longa dura&#231;&#227;o. A popula&#231;&#227;o entre os 25 e os 64 anos que completou pelo menos o ensino secund&#225;rio apresenta diferen&#231;as significativas entre os dois pa&#237;ses. Informa&#231;&#227;o de 2015<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> refere que, na &#193;ustria, 88,7% dos homens no mencionado intervalo et&#225;rio completaram pelo menos o n&#237;vel secund&#225;rio; em Portugal, o valor &#233; de 41,4%. No grupo das mulheres que completaram o ensino secund&#225;rio o valor, na &#193;ustria, &#233; de 80,7%, em contraponto aos 48,6% em Portugal. A m&#233;dia na Uni&#227;o Europeia &#233; de 76,6% para os homens e 76,4% para as mulheres, o que comprova que as posi&#231;&#245;es dos dois pa&#237;ses s&#227;o relativamente extremadas para a m&#233;dia na eu &#8211; em especial a situa&#231;&#227;o portuguesa, onde a popula&#231;&#227;o se apresenta bastante menos qualificada formalmente. Da mesma forma, a situa&#231;&#227;o perante o desemprego de longa dura&#231;&#227;o<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> demonstra duas realidades d&#237;spares. A taxa de desemprego de longa dura&#231;&#227;o em Portugal &#233; de 8,4% para os homens e 8,5% para as mulheres. Na &#193;ustria, a taxa de desemprego de longa dura&#231;&#227;o &#233; de 1,7% nos homens e de 1,4% nas mulheres (<i>P&#250;blico</i>, 2015<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>), sendo que a m&#233;dia europeia se situa nos 4,3%. Tamb&#233;m diferente &#233; o Produto Interno Bruto (PIB) <i>per capita</i>, que em Portugal se situa nos 79 pontos e na &#193;ustria nos 128 pontos para uma m&#233;dia na Uni&#227;o Europeia de 100 pontos. Enfim, conclui-se que os pa&#237;ses divergem entre si relativamente aos indicadores apresentados; no entanto, os indicadores de g&#233;nero n&#227;o apresentam varia&#231;&#245;es significativas.</p>     <p>Acrescente-se que o relat&#243;rio<b> </b><i>Global Gender Gap 2015</i>, que avalia o diferencial entre g&#233;neros tendo como refer&#234;ncia quatro pilares: (1) participa&#231;&#227;o e oportunidades econ&#243;micas; (2) educa&#231;&#227;o; (3) sa&#250;de e esperan&#231;a de vida; e (4) estatuto pol&#237;tico, demonstra que as realidades s&#227;o similares; i.e., a &#193;ustria encontra-se na 37.&#170; posi&#231;&#227;o e Portugal na 39.&#170; posi&#231;&#227;o numa lista de 145 pa&#237;ses (2015). Os resultados surpreendem face &#224; ideia generalizada de maior equidade de g&#233;nero nos pa&#237;ses do Norte e Centro da Europa. </p>     <p>Em s&#237;ntese os dois pa&#237;ses apresentam semelhan&#231;as, mas divergem relativamente ao n&#237;vel de habilita&#231;&#245;es acad&#233;micas e desemprego por g&#233;nero. Estes indicadores ser&#227;o fundamentais para perceber as motiva&#231;&#245;es dos hortel&#227;os e horteloas em Lisboa e Viena.</p>     <p>1.1. Viena &#8211; Forte presen&#231;a feminina nas Hortas Urbanas.<b> </b>O estudo explorat&#243;rio desenvolvido em Viena<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> permitiu elaborar uma metodologia quantitativa e qualitativa de recolha de indicadores desagregados por g&#233;nero no contexto europeu, para futura replica&#231;&#227;o noutras cidades.</p>     <p>Como foi realizado: a partir da base de dados <i>online</i> Gartenpolylog<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>, foram identificadas 62 hortas urbanas em Viena. Para 41 destas, foi poss&#237;vel identificar a composi&#231;&#227;o formal dos membros que compunham a associa&#231;&#227;o que dinamiza cada horta urbana, um processo obrigat&#243;rio em Viena para aceder a apoio institucional<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>. Em 70,7% das 41 associa&#231;&#245;es analisadas, a lideran&#231;a era masculina e em 29,3% a lideran&#231;a era feminina. Analisadas as segundas e terceiras posi&#231;&#245;es hier&#225;rquicas dos corpos dirigentes, a composi&#231;&#227;o altera-se, passando as mulheres a ser maioria (57,0% contra 43% de representatividade masculina). Ou seja, do ponto de vista formal, a hegemonia do g&#233;nero masculino em posi&#231;&#227;o de chefia verifica-se confirmando os resultados do relat&#243;rio <i>Global Gender Gap</i> (2015): as mulheres est&#227;o presentes, s&#227;o operativas do ponto de vista &#8220;informal&#8221;, mas, por raz&#245;es que n&#227;o nos cabem aqui discutir, n&#227;o ocupam posi&#231;&#245;es de lideran&#231;a &#8220;formal&#8221;. </p>     <p>Posteriormente foi enviado um question&#225;rio para todas as hortas urbanas identificadas, tendo sido obtidas dez respostas. Das dez hortas para as quais foi poss&#237;vel obter informa&#231;&#227;o desagregada por g&#233;nero, contabilizaram-se 351 hortel&#227;os dos quais 32,2% homens e 67,8% mulheres. Os resultados demonstram o predom&#237;nio feminino nestes espa&#231;os, onde s&#227;o elas as protagonistas &#8220;informais&#8221;. Numa segunda etapa foram efetuadas entrevistas diretas a cinco hortel&#227;os, tr&#234;s mulheres e dois homens. Ainda que o n&#250;mero de entrevistas seja limitado, os resultados mostram coer&#234;ncia com a literatura; i.e., a maioria das mulheres agricultoras n&#227;o considera a agricultura como uma atividade comercial, preferindo ver a atividade como uma op&#231;&#227;o recreativa (Hadebe &amp; Mpofu, 2013). Os resultados das entrevistas e a nossa observa&#231;&#227;o participada em Viena demonstram que o protagonismo feminino se fundamenta em pr&#225;ticas de recrea&#231;&#227;o e estabelecimento de la&#231;os de comunidade em detrimento da produ&#231;&#227;o agr&#237;cola. Como se viu anteriormente, a popula&#231;&#227;o austr&#237;aca possui um n&#237;vel de habilita&#231;&#245;es acad&#233;micas elevado e uma taxa de desemprego muito baixo; admitindo que a nossa amostra reproduz este cen&#225;rio, s&#227;o estas as mulheres protagonistas na dinamiza&#231;&#227;o destas hortas urbanas em Viena.</p>     <p>1.2. Lisboa &#8211; Maior presen&#231;a masculina no conjunto, mas maior presen&#231;a feminina nas hortas recreativas.<b>&#160; </b>Embora a replica&#231;&#227;o da metodologia utilizada em Viena n&#227;o tenha sido efetuada at&#233; &#224; data em Lisboa, o que &#233; uma clara limita&#231;&#227;o deste estudo, usamos informa&#231;&#227;o secund&#225;ria, em particular o estudo realizado por Gon&#231;alves (2014). A autora apresenta-nos uma an&#225;lise desagregada por g&#233;neros para tr&#234;s hortas urbanas em Lisboa que fazem parte da estrat&#233;gia aut&#225;rquica de cria&#231;&#227;o de Parques Municipais Hort&#237;colas<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. Abordaremos aqui tr&#234;s hortas municipais: Telheiras, Campolide e Granja, as duas primeiras correspondentes ao modelo de hortas recreativas<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>, ou seja, de pequena dimens&#227;o (&#177; 30 m<sup>2</sup>) para lazer e produ&#231;&#227;o hort&#237;cola em pequena escala, o que nos permite um paralelismo imediato entre os contextos das duas cidades. Apresenta-nos tamb&#233;m a horta da Granja, que corresponde ao perfil social<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>, ou seja, lotes de maiores dimens&#245;es (&#177; 100 m<sup>2</sup>) para fins de subsist&#234;ncia alimentar e minimiza&#231;&#227;o de pobreza. Com base numa amostra de entrevistas realizada a aproximadamente 60% dos utentes das referidas hortas (total de 49 inquiridos), Gon&#231;alves conclui que nas tr&#234;s hortas estudadas a presen&#231;a masculina (61%) &#233; preponderante em rela&#231;&#227;o &#224; feminina (39%). Estes resultados contrariam a realidade que encontramos em Viena, onde a presen&#231;a feminina &#233; dominante, o que nos leva &#224; hip&#243;tese de que a maior presen&#231;a masculina seja o resultado da maior taxa de desemprego e/ou tamb&#233;m de forma&#231;&#227;o acad&#233;mica baixa, com baixa taxa de emprego. Neste ponto seria interessante tamb&#233;m ponderar a faixa et&#225;ria da popula&#231;&#227;o, mas infelizmente, &#224; data, n&#227;o nos foi poss&#237;vel obter esses dados.</p>     <p>No entanto, o r&#225;cio masculino/feminino &#233; mais equilibrado nas hortas recreativas (Telheiras e Campolide), onde as mulheres representam 44,5% do total, do que na horta social da Granja, onde a presen&#231;a de homens representa 68% e de mulheres apenas 32%. Importa tamb&#233;m referir que as habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias dos hortel&#245;es s&#227;o diversas em termos de hortas recreativas (Telheiras e Campolide) e sociais (Granja). Refere Gon&#231;alves (2014) que na horta da Granja predominam os hortel&#227;os com o 1.&#186; ciclo escolar, enquanto em Campolide e Telheiras predomina o ensino secund&#225;rio e superior &#8211; nomeadamente na horta de Telheiras, 81% dos inquiridos t&#234;m forma&#231;&#227;o superior, valores que nos remetem para a realidade austr&#237;aca.</p>     <p>Assim, as conclus&#245;es indicam uma diferencia&#231;&#227;o entre os dois pa&#237;ses no que respeita &#224; predomin&#226;ncia de g&#233;neros nas hortas urbanas de perfil social, i.e., de subsist&#234;ncia alimentar e mitiga&#231;&#227;o da pobreza, presumivelmente em consequ&#234;ncia do elevado desemprego existente em Portugal e da crise (Delgado, 2015; Pourias, 2015). No entanto, regista-se uma aproxima&#231;&#227;o de g&#233;nero nas hortas de perfil recreativo, demonstrando que estes espa&#231;os p&#250;blicos est&#227;o a ser apropriados pelas mulheres em Lisboa e em Viena. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2.&#170; Parte &#8211; O protagonismo feminino nas pr&#225;ticas de Agricultura Urbana. </p>     <p>A informa&#231;&#227;o apresentada &#233; parte de um amplo projeto de investiga&#231;&#227;o e desenvolvimento sobre o estado da arte da Agricultura Urbana em Portugal que come&#231;ou no final de 2014 e &#233; financiado pela FCT. Os resultados parciais j&#225; foram publicados na <i>Revista da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Horticultura</i> (Delgado, 2016) e aguardam publica&#231;&#227;o internacional em 2017.</p>     <p>No &#226;mbito do projeto referido, foi decidido obter a perce&#231;&#227;o de doze informantes-chave, com reconhecimento nacional. Para selecionar os informantes-chave, utilizou-se uma amostragem bola de neve (Atkinson &amp; Flint, 2001), isto &#233;, cada entrevistado sugeriu tr&#234;s novos atores relevantes, resultando num grupo est&#225;vel de doze pessoas. Metade dos entrevistados eram representantes de organiza&#231;&#245;es nacionais, cinco de organiza&#231;&#245;es locais e um do governo regional. O conjunto apresentava equil&#237;brio de g&#233;nero, e idades que variavam entre os 40 e os 60 anos. Foi aplicada uma entrevista semiestruturada cobrindo v&#225;rias dimens&#245;es da Agricultura Urbana. Al&#233;m disso, solicitou-se a indica&#231;&#227;o de tr&#234;s projetos, programas e pr&#225;ticas que, de acordo com a opini&#227;o de cada um dos informantes, fossem os mais ilustrativos da Agricultura Urbana em Portugal. As entrevistas foram realizadas entre outubro e dezembro de 2015.</p>     <p>Um conjunto de 29 pr&#225;ticas foi sugerido pelos informantes-chave, com algumas delas indicadas mais do que uma vez (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>). O conjunto representa apenas uma amostra do universo da agricultura urbana em Portugal, que, de acordo com a informa&#231;&#227;o recolhida e o processamento em curso, &#233; consideravelmente maior. Sendo que o mapeamento coloca <i>per se</i> quest&#245;es metodol&#243;gicas que n&#227;o cabem no presente texto, consider&#225;mos estar perante uma cole&#231;&#227;o emp&#237;rica &#250;nica de experi&#234;ncias significativas. O levantamento da informa&#231;&#227;o que permitiu o aprofundamento das pr&#225;ticas foi desenvolvido pela autora entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016 e utilizou uma variedade de m&#233;todos e ferramentas para reunir e consolidar dados n&#227;o sistem&#225;ticos: foram feitas 1) visitas sistem&#225;ticas e repetidas aos s&#237;tios web das entidades promotoras; 2) visitas aos locais; 3) entrevistas detalhadas de informantes e profissionais de primeira linha e agricultores envolvidos; 4) interc&#226;mbio ocasional com produtores, consumidores e parceiros; 5) atividades em rede e participa&#231;&#227;o em semin&#225;rios sobre eventos relacionados com a agricultura urbana, a fim de aprofundar o conhecimento das pr&#225;ticas. Essas diferentes atividades de pesquisa permitiram gerar um clima de confian&#231;a com v&#225;rios dos programas e iniciativas que abriram a possibilidade de complementar a informa&#231;&#227;o e verificar a exatid&#227;o dos dados quando necess&#225;rio. Os limites entre a investiga&#231;&#227;o e o envolvimento ativo, num pa&#237;s pequeno como Portugal, s&#227;o dif&#237;ceis de estabelecer. A autora reconhece a contribui&#231;&#227;o &#250;nica de todos os informantes e expressa a sua gratid&#227;o a cada indiv&#237;duo que tornou este trabalho poss&#237;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a06q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Considerada a defini&#231;&#227;o de Agricultura Urbana proposta por Mougeot (2000), optou-se por definir uma tipologia subdividida nas seguintes categorias: hortas urbanas e comunit&#225;rias; programas e projetos; circuitos agroalimentares curtos; quintas urbanas; outros (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>     <p><b>A &#8211; Hortas Urbanas e Comunit&#225;rias</b> [15/29] &#8211; Trata-se de um conceito amplo (Bell et al., 2016), que inclui pr&#225;ticas de produ&#231;&#227;o de alimentos, essencialmente para consumo pr&#243;prio. Apresenta-se no territ&#243;rio como iniciativa individual, como a Horta do Ingote em Coimbra, ou em iniciativas dispersas em v&#225;rios locais da cidade, como os Parques Hort&#237;colas de Lisboa, ou v&#225;rios munic&#237;pios, como o Programa de Hortas &#224; Porta da Lipor<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> na &#193;rea Metropolitana do Porto. Constituem o maior n&#250;mero de casos (15/29). As parcelas onde se implantam as hortas urbanas ou comunit&#225;rias apresentam dimens&#245;es diferenciadas: por exemplo, a Horta do Ingote, em Coimbra, abrange 25 talh&#245;es, enquanto a Horta do Centro Hospitalar Conde de Ferreira aloca 230 talh&#245;es. Igualmente as dimens&#245;es dos talh&#245;es podem variar entre os 30m<sup>2</sup> e os 150m<sup>2</sup>. A maioria das pr&#225;ticas abrangidas nesta categoria &#233; gerida pelas autoridades locais, um n&#250;mero reduzido por institui&#231;&#245;es, e.g. LIPOR, e apenas uma foi identificada como pr&#225;tica liderada pela comunidade (Cova da Moura) e em terras n&#227;o regularizadas.</p>     <p><b>B &#8211; Programa e Projetos de Agricultura Urbana </b>(6/29) &#8211; Incluem-se neste grupo programas de perfil bastante diversificado, que se diferenciam pela entidade promotora e miss&#227;o proposta. Por exemplo, a Funda&#231;&#227;o de Serralves, no Porto, desenvolve cursos de Agricultura Biol&#243;gica abertos ao p&#250;blico. O munic&#237;pio de Loures promove o empreendedorismo econ&#243;mico e a forma&#231;&#227;o agr&#237;cola atrav&#233;s do projeto Hortas Empresariais. O programa Da Quinta para o Prato, dinamizado pela Associa&#231;&#227;o para o Desenvolvimento Rural da Pen&#237;nsula de Set&#250;bal (ADREPES), tenta fomentar a liga&#231;&#227;o entre os produtores locais e as cantinas sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>C &#8211;</b> <b>Circuitos Curtos Agroalimentares</b> (4/29) &#8211; Quatro pr&#225;ticas enquadram-se nesta categoria. O PROVE &#8211; Promover e Vender<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a> e a Fruta Feia<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a> distribuem cabazes de vegetais e frutas, embora o segundo com enfoque na redu&#231;&#227;o do desperd&#237;cio alimentar. O Cabaz do Peixe<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> distribui peixe e a Biovivos produz e vende tr&#234;s diferentes esp&#233;cies de germinados. Correspondem a projetos inovadores de perfil empresarial numa vertente de economia social e solid&#225;ria, que conecta produtores periurbanos com clientes urbanos. Pelo seu perfil empresarial que potencia o protagonismo feminino, ser&#227;o analisados seguidamente em pormenor.</p>     <p><b>D &#8211;</b> <b>Quintas Urbanas </b>(3/29) &#8211; Correspondem a dimens&#245;es de parcelas significativas e t&#234;m como voca&#231;&#227;o principal o trabalho com grupos vulner&#225;veis e exclu&#237;dos, tais como reclusos (e.g., Estabelecimento Prisional de Set&#250;bal) ou deficientes (e.g., Projeto Semear da associa&#231;&#227;o BIPP &#8211; Inclus&#227;o para a Defici&#234;ncia<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>, instalado no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa e Cercica Cascais &#8211; Cooperativa para a Educa&#231;&#227;o e Reabilita&#231;&#227;o de Cidad&#227;os Inadaptados de Cascais). O trabalho desenvolvido engloba finalidades terap&#234;uticas, mas simultaneamente o processamento e venda dos produtos cultivados. A Cercica Cascais produz, processa e vende arom&#225;ticas para ch&#225;s. No Estabelecimento Prisional de Set&#250;bal s&#227;o produzidos vegetais para venda local (Almeida, 2012).</p>     <p><b>E &#8211;</b> <b>Outros</b> (1/29) &#8211; <i>Loja dos Produtos Rurais</i> foi um espa&#231;o de venda de produtos rurais referido por um dos informantes entrevistados. O espa&#231;o encontra-se presentemente desativado.</p>     <p>2.1. Perfil do gestor das pr&#225;ticas. Embora n&#227;o tenha sido poss&#237;vel, na fase inicial da pesquisa, determinar se a origem das iniciativas foi masculina ou feminina, em especial na tipologia Hortas Urbanas e Comunit&#225;rias de iniciativa maioritariamente municipal, podemos facilmente determinar o g&#233;nero da pessoa que operacionaliza a pr&#225;tica (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>, coluna 2). Na coluna 2 identifica-se o gestor, ou seja, a pessoa respons&#225;vel pela operacionaliza&#231;&#227;o da pr&#225;tica. Entende-se por gestor de projeto ou pr&#225;tica a &#8220;pessoa ou entidade respons&#225;vel pelo espa&#231;o onde se encontra a horta, promovendo, nomeadamente, a sele&#231;&#227;o dos utilizadores e gest&#227;o do espa&#231;o&#8221; (Lipor, 2014). Trata-se de uma figura associada a iniciativas reguladas e essencialmente tuteladas pelos munic&#237;pios ou institui&#231;&#245;es. Uma &#8220;fun&#231;&#227;o&#8221; ausente de espa&#231;os de cariz informal como s&#227;o exemplo as Hortas da Cova da Moura. </p>     <p><b>A &#8211; Hortas Urbanas e Comunit&#225;rias </b>&#8211; Das quinze experi&#234;ncias referenciadas na tipologia &#8220;Hortas Urbanas ou Comunit&#225;rias&#8221;, onze s&#227;o geridas por mulheres, duas por homens, e em duas pr&#225;ticas n&#227;o foi poss&#237;vel obter informa&#231;&#227;o ou n&#227;o se aplica (ver <a href="#q1">Quadro 1</a>, coluna 2). Refiram-se como exemplos de gest&#227;o feminina os Parques Hort&#237;colas de Lisboa, geridos por Rita Folgosa e Gra&#231;a Cabral (embora sob tutela da Verea&#231;&#227;o do Ambiente cuja responsabilidade &#233; do Vereador S&#225; Fernandes) ou as Hortas Urbanas da Moita, cuja gest&#227;o &#233; da responsabilidade de Paula Silva.</p>     <p><b>B &#8211; Programas e Projetos</b> &#8211; Nesta categoria a totalidade das pr&#225;ticas est&#227;o a ser geridas ou dinamizadas por mulheres. Como exemplo mencionem-se Margarida Bom, dinamizadora do projeto da Caixa Geral de Dep&#243;sitos; In&#234;s Clematis, respons&#225;vel pelo projeto da Horta Integrada; ou Raquel Antunes, uma das dinamizadoras da Horta do Baldio; e ainda Marlene Marques, gestora da Horta Empresarial de Loures, sob tutela do vereador das Atividades Econ&#243;micas Jos&#233; Pombinho.</p>     <p><b>C &#8211; Circuitos Curtos Agroalimentares</b> &#8211; Nesta categoria adot&#225;mos a designa&#231;&#227;o Administrador da Pr&#225;tica. No PROVE quem produz &#233; tamb&#233;m quem distribui as hort&#237;colas e vegetais diretamente ao consumidor. Na Fruta Feia quem administra o ponto de distribui&#231;&#227;o &#233; respons&#225;vel pela recolha dos vegetais e distribui&#231;&#227;o. Por fim, no Cabaz do Peixe a fun&#231;&#227;o exercida &#233; de administra&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o entre quem pesca e a respetiva distribui&#231;&#227;o dos cabazes de peixe aos consumidores.</p>     <p>Os circuitos curtos agroalimentares diferenciam-se claramente das restantes categorias pela vertente econ&#243;mica e empresarial. No conjunto das quatro experiencias listadas duas s&#227;o administradas por mulheres, Fruta Feia e Cabaz do Peixe. O PROVE &#233; maioritariamente administrado por mulheres. Apenas numa iniciativa estamos perante administra&#231;&#227;o masculina, i.e, Biovivos. </p>     <p><b>D &#8211; Quintas Urbanas </b>&#8211; Duas das tr&#234;s quintas urbanas foram e s&#227;o geridas por mulheres. Refira-se como exemplo o Estabelecimento Prisional de Set&#250;bal, cuja gest&#227;o coube at&#233; muito recentemente a Teresa Almeida.</p>     <p>Globalmente, os resultados demonstram que, num conjunto de 27 pr&#225;ticas, o protagonismo feminino atrav&#233;s da gest&#227;o, dinamiza&#231;&#227;o ou administra&#231;&#227;o est&#225; presente em 22 pr&#225;ticas, sendo que apenas cinco s&#227;o geridas ou dinamizadas por homens. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2.2. Hegemonia feminina nas pr&#225;ticas com perfil empresarial. Os Circuitos Curtos Agroalimentares, identificados como uma categoria emergente da Agricultura Urbana em Portugal, foram aprofundados pela autora no artigo <i>Mapping out Urban Agriculture in Portugal: Lessons from practices and its relevance for food systems in Europe</i>, que ser&#225; publicado em 2017. Duas das pr&#225;ticas surgiram em Portugal atrav&#233;s de din&#226;micas lideradas por jovens empreendedores sociais: Isabel Soares, mentora e administradora da Cooperativa de Consumidores Fruta Feia; e Catarina Grilo, mentora do Cabaz do Peixe, que &#233; atualmente administrado por outra jovem mulher, Carina Reis. A terceira pr&#225;tica, o PROVE, &#233; promovida pela ADREPES, uma associa&#231;&#227;o nacional dirigida por uma jovem equipa de profissionais coordenada por uma mulher e apoiada igualmente numa equipa maioritariamente feminina. A ADREPES &#233; presidida por uma mulher, a Presidente da C&#226;mara Municipal de Palmela, Isabel Concei&#231;&#227;o. </p>     <p>Para melhor compreens&#227;o de cada pr&#225;tica apresenta-se resumidamente o seu historial:</p>     <p><b>A &#8211; Fruta Feia </b>&#8211; A iniciativa abre a sua primeira delega&#231;&#227;o em 2013. Tem como principal objetivo reduzir o desperd&#237;cio alimentar, nomeadamente o aproveitamento de vegetais e frutas rejeitados pelos fornecedores das principais cadeias alimentares e supermercados por n&#227;o corresponderem aos padr&#245;es est&#233;ticos e calibre padronizado. A Fruta Feia recolhe esses produtos diretamente junto dos produtores e com o apoio de volunt&#225;rios coloca esses produtos em cabazes. Atualmente os cabazes est&#227;o dispon&#237;veis em sete delega&#231;&#245;es que abrangem as &#225;reas Metropolitanas de Lisboa e Porto, envolvendo 2919 consumidores.</p>     <p><b>B &#8211; Cabaz do Peixe </b>&#8211; Em 2014, o Cabaz do Peixe recebeu apoio financeiro do PROMAR, o que permitiu a sua implementa&#231;&#227;o em 2015. O projeto promove a distribui&#231;&#227;o de cabazes de peixe atrav&#233;s da redu&#231;&#227;o de intermedi&#225;rios entre o pescador e o consumidor. E ainda promove a sustentabilidade ambiental com redu&#231;&#227;o do desperd&#237;cio de peixe, uma vez que 1/3 do cabaz inclui esp&#233;cies n&#227;o nobres. Em aproximadamente um ano, o projeto atraiu mais de trezentos consumidores. Cada semana s&#227;o entregues mais de cem caixas em sete pontos diferentes: tr&#234;s em Lisboa, localizados a 45 km do porto de pesca, e os restantes quatro mais perto, em Sesimbra.</p>     <p><b>C &#8211; PROVE</b> &#8211; O PROVE promove desde 2006 circuitos curtos agroalimentares entre pequenos produtores de &#225;reas periurbanas e consumidores urbanos. O projeto &#233; suportado por grupos de a&#231;&#227;o local, sob lideran&#231;a nacional da ADREPES. Envolve atualmente 132 produtores, dos quais metade s&#227;o mulheres, e sete mil consumidores. &#201; uma situa&#231;&#227;o <i>win-win</i><a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a> para os produtores, que obt&#234;m um pre&#231;o justo pelo seu trabalho, e para os consumidores, que convenientemente recebem produtos frescos em locais de distribui&#231;&#227;o definidos: espa&#231;os institucionais, locais de trabalho, em casa, etc. Existem atualmente 122 pontos de distribui&#231;&#227;o, fundamentalmente nas duas &#193;reas Metropolitanas de Lisboa e Porto.</p>     <p>2.3. Impacto sobre o emprego e melhoria da condi&#231;&#227;o econ&#243;mica. Cada um destes projetos est&#225; a gerar novas oportunidades de emprego: a Fruta Feia cria um posto de trabalho por cada ponto de distribui&#231;&#227;o, totalizando &#224; data sete. O Cabaz do Peixe gerou dois postos de trabalho. O PROVE gerou 132 postos de trabalho, a tempo completo ou parcial, dos quais mais de metade s&#227;o mulheres. S&#227;o projetos alicer&#231;ados no empreendedorismo social e com uma forte componente ambiental. Em per&#237;odo de recupera&#231;&#227;o de crise, foram capazes de criar din&#226;micas de crescimento e cria&#231;&#227;o de emprego (Mougeot, 2015). Trata-se de um tema de extrema relev&#226;ncia e atualidade para Portugal. </p>     <p>Refere Jarosz (2011) que as motiva&#231;&#245;es das mulheres envolvidas nas cadeias curtas agroalimentares nos Estados Unidos (<i>Community Supported Agriculture &#8211; CSA</i>, nos pa&#237;ses angl&#243;fonos) centram-se numa &#233;tica de cuidado, que se expressa num trabalho que procura nutrir-se a si pr&#243;pria, e aos outros, numa linha p&#243;s-capitalista&#160; (Gibson-Graham, 2006). Tamb&#233;m conclui que as mulheres que se envolvem nos Circuitos Curtos Agroalimentares, i.e., produtoras e distribuidoras, s&#227;o maioritariamente brancas e de classe m&#233;dia (Jarosz, 2011).</p>     <p>2.4. Qual &#233; o perfil das mulheres protagonistas dos Circuitos Curtos Agroalimentares? Isabel Soares &#233; presidente da dire&#231;&#227;o, fundadora e respons&#225;vel a tempo integral pela Cooperativa de Consumidores Fruta Feia. &#201; formada em Engenharia do Ambiente e mestre em Energias Renov&#225;veis. Viveu sete anos em Barcelona, antes de regressar a Portugal para implementar a Cooperativa Fruta Feia. Foi premiada<b> </b>em 2014 no concurso <i>Terre de Femmes</i>, promovido pela Funda&#231;&#227;o <i>Yves Rocher</i>, que pretende dar visibilidade &#224;s mulheres que lutam por causas ambientais.</p>     <p>Catarina Grilo foi a mentora do Cabaz do Peixe; na altura era tamb&#233;m volunt&#225;ria da Liga para a Prote&#231;&#227;o da Natureza, uma associa&#231;&#227;o nacional relativamente pequena que com ela dinamizou a institucionaliza&#231;&#227;o do projeto. Inspirada em processos semelhantes existentes no Canad&#225;, onde residiu no &#226;mbito do seu doutoramento em Biologia Marinha, convenceu uma associa&#231;&#227;o de armadores locais tamb&#233;m sob administra&#231;&#227;o de uma mulher, Carina Reis, de que a venda de peixe atrav&#233;s de circuitos curtos seria economicamente rent&#225;vel para os pescadores. Em 2016 recebeu uma Men&#231;&#227;o Honrosa no concurso <i>Terre de Femmes</i>.</p>     <p>O elevado n&#250;mero de mulheres simultaneamente produtoras e distribuidoras dos cabazes PROVE impossibilita, sem a realiza&#231;&#227;o de um estudo aprofundado, a caracteriza&#231;&#227;o destas. Seria &#250;til no futuro envidar esfor&#231;os nesse sentido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isabel Soares e Catarina Grilo personificam o perfil das mulheres que nos Estados Unidos (Jarosz, 2011) dinamizam os circuitos curtos agroalimentares: s&#227;o brancas, da classe m&#233;dia e procuram alternativas empresariais p&#243;s-capitalistas numa vis&#227;o eticamente sustent&#225;vel. Estas conclus&#245;es provis&#243;rias, embora estimulantes, necessitam de estudos futuros aprofundados. N&#227;o obstante, apontam para uma importante mudan&#231;a na perspetiva de g&#233;nero.</p>     <p>3. Conclus&#245;es &#8211; Diferentes protagonismos das mulheres na Agricultura Urbana</p>     <p>Os estudos de caso apresentados comprovam o argumento de que as mulheres s&#227;o as protagonistas no fen&#243;meno emergente da Agricultura Urbana em Portugal. No entanto, apontam para diferentes tipologias de protagonismo que passaremos a descrever:</p>     <p>A &#8211; Maior presen&#231;a de mulheres nas hortas urbanas &#8211; Agricultoras Recreativas.&#160; A tend&#234;ncia para uma maior presen&#231;a de mulheres nas hortas recreativas de Lisboa, com um perfil social e acad&#233;mico pr&#243;ximo das caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas da popula&#231;&#227;o feminina austr&#237;aca, face &#224; tend&#234;ncia de maior capacita&#231;&#227;o acad&#233;mica da popula&#231;&#227;o feminina portuguesa, poder&#225; indicar que num futuro p&#243;s-crise este cen&#225;rio seja igualmente predominante em Portugal. No entanto, estrat&#233;gias territoriais diferenciadas podem alterar o referido cen&#225;rio caso a op&#231;&#227;o seja pela implanta&#231;&#227;o pr&#243;xima de bairros de classe m&#233;dia ou em zonas de exclus&#227;o social. Uma pol&#237;tica de implementa&#231;&#227;o de pequenos talh&#245;es em &#225;reas nobres das cidades pode estimular o seu uso por mulheres, porque s&#227;o zonas mais seguras e a dimens&#227;o do talh&#227;o control&#225;vel por utilizadoras individuais, para consumo pr&#243;prio ou pr&#225;ticas recreativas. A op&#231;&#227;o por talh&#245;es de grande dimens&#227;o em bairros perif&#233;ricos, que implica grande disponibilidade de tempo e/ou mobilidade aut&#243;noma, afasta naturalmente as mulheres que tradicionalmente t&#234;m menos tempo dispon&#237;vel e menor acesso a transporte individual. </p>     <p>B &#8211; Gest&#227;o feminina das hortas urbanas comunit&#225;rias, programas e projetos e quintas urbanas produtivas &#8211; Gestoras Sociais. A quase hegemonia feminina na gest&#227;o das pr&#225;ticas poder&#225; resultar de pol&#237;ticas municipais de Agricultura Urbana baseadas numa &#243;tica imediatista de resolu&#231;&#227;o de iniquidades sociais associadas &#224; crise onde a produ&#231;&#227;o para consumo pr&#243;prio &#233; priorit&#225;ria. Por outro lado, a forte dinamiza&#231;&#227;o dos programas e projetos de &#237;ndole pedag&#243;gica, tamb&#233;m por mulheres, confirma o perfil educador destas. Importa refletir se este perfil feminizado das gestoras est&#225; a ser um impedimento para o desenvolvimento de pol&#237;ticas de Agricultura Urbana onde a vertente econ&#243;mica esteja mais presente, ou se &#233; exatamente a aus&#234;ncia de pol&#237;ticas de Agricultura Urbana com vertente econ&#243;mica que leva ao protagonismo feminino. </p>     <p>C &#8211; Cria&#231;&#227;o de emprego numa perspetiva de economia social e mitiga&#231;&#227;o da depend&#234;ncia econ&#243;mica atrav&#233;s dos Circuitos Curtos Agroalimentares &#8211; Empres&#225;rias Sociais.&#160; Projetos inovadores como a Fruta Feia e o Cabaz do Peixe, que nascem atrav&#233;s de duas jovens mulheres, ou o PROVE, onde uma maioria feminina produz e distribui vegetais e frutas frescas em cabazes, comprovam que o empreendedorismo feminino baseado na economia social e atrav&#233;s do uso dos Circuitos Curtos Agroalimentares &#233; gerador de emprego num pa&#237;s que carece de solu&#231;&#245;es para o desemprego e para a mitiga&#231;&#227;o da depend&#234;ncia econ&#243;mica Numa perspetiva de cria&#231;&#227;o de emprego, pr&#225;ticas como o PROVE demonstram que h&#225; espa&#231;os que est&#227;o a ser conquistados massivamente pelas mulheres, num nicho de mercado de sucesso que emerge num pa&#237;s em crise e onde elas s&#227;o protagonistas, conquistando um lugar no espa&#231;o do trabalho e autonomia econ&#243;mica. Um nicho de cria&#231;&#227;o de emprego, em especial o feminino, que dever&#225; ser mais acarinhado atrav&#233;s de pol&#237;ticas p&#250;blicas. </p>     <p>3.1. Proposta &#8211; o g&#233;nero como dimens&#227;o de uma pol&#237;tica p&#250;blica de Agricultura Urbana . Estudos futuros, nomeadamente a replica&#231;&#227;o da metodologia desenvolvida no &#226;mbito da <i>Cost Action</i> em Viena, permitir&#227;o perceber se este protagonismo feminino ocorre apenas nos casos portugu&#234;s e austr&#237;aco ou igualmente noutros pa&#237;ses. Os resultados deste estudo explorat&#243;rio poder&#227;o ser comprovados com novas experi&#234;ncias de Agricultura Urbana em Portugal. Ao longo do tempo ser&#225; poss&#237;vel concluir se a tend&#234;ncia para o protagonismo feminino se mant&#233;m ou diminui. Certamente que os cen&#225;rios futuros dependem substancialmente do perfil das pol&#237;ticas p&#250;blicas que venha a ser adotado, seja por um conjunto de a&#231;&#245;es favor&#225;veis seja por livre-arb&#237;trio.</p>     <p>Assim sendo, consideramos que os dados j&#225; obtidos s&#227;o suficientemente s&#243;lidos para defender a inclus&#227;o da dimens&#227;o do g&#233;nero como parte de uma futura pol&#237;tica p&#250;blica de Agricultura Urbana que considere simultaneamente as dimens&#245;es sociais e econ&#243;micas numa perspetiva de equidade de g&#233;nero. Sublinhe-se que, entre outros temas, uma pol&#237;tica p&#250;blica de Agricultura Urbana deve priorizar o f&#225;cil acesso das mulheres &#224; terra, aos meios de produ&#231;&#227;o, equipamentos e forma&#231;&#227;o em pr&#225;ticas agr&#237;colas e de marketing, entre outras &#225;reas fundamentais para a dinamiza&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o alimentar. Deve igualmente fomentar e apoiar o acesso ao cr&#233;dito financeiro, imprescind&#237;vel na fase de arranque de um projeto empresarial. Em conclus&#227;o, reclama-se que o protagonismo das mulheres seja tornado vis&#237;vel, reconhecido e canalizado para a dinamiza&#231;&#227;o da economia nacional de forma justa e sustent&#225;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Nossa tradu&#231;&#227;o do original em ingl&#234;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>O <i>Cost Short Term Scientific Mission</i> &#233; um programa europeu que visa potenciar o interc&#226;mbio no &#226;mbito de projetos de curta dura&#231;&#227;o entre institui&#231;&#245;es e cientistas europeus com o objetivo de fortalecer rela&#231;&#245;es de <i>networking</i>. Site <a href="http://www.bestprac.eu/exchange-training/short-term-scientific-mission-stsm/" target="_blank">http://www.bestprac.eu/exchange-training/short-term-scientific-mission-stsm/</a> </p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Em http://www.pordata.pt, site acedido em junho de 2016.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>H&#225; mais de doze meses em situa&#231;&#227;o de desemprego.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Em <a href="https://www.publico.pt/economia/noticia/austria-quando-o-desemprego-jovem-e-baixo-e-mesmo-assim-nem-tudo-esta-bem-1703087"target="_blank">https://www.publico.pt/economia/noticia/austria-quando-o-desemprego-jovem-e-baixo-e-mesmo-assim-nem-tudo-esta-bem-1703087</a> Acedido em junho de 2016.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>O projeto foi desenvolvido em acolhimento no Institute of Landscape Planning &#8211; Department of Landscape, Spatial and Infrastructure Sciences at the University of Natural Resources and Life Sciences, Viena, e financiado pela a&#231;&#227;o COST 1201 (2015).</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>.&#160;<a href="https://gartenpolylog.org/en/home"target="_blank">https://gartenpolylog.org/en/home</a> Acedido em agosto de 2015. &#192; data, a base de dados do site contabilizava 134 experi&#234;ncias, 62 em Viena.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>Em 2012 Viena institucionalizou uma pol&#237;tica de cria&#231;&#227;o de espa&#231;os produtivos na cidade. As iniciativas foram lideradas por organiza&#231;&#245;es locais.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Os Parques Hort&#237;colas de Lisboa, onde se incluem as tr&#234;s hortas referidas, fazem parte da pol&#237;tica ambiental estabelecida pela C&#226;mara Municipal de Lisboa. Nesta cidade o munic&#237;pio definiu dois tipos de hortas: recreativas (&#177; 30 m<sup>2</sup>) e sociais (&#177; 100 m<sup>2</sup>), que se diferenciam pela dimens&#227;o dos talh&#245;es e m&#233;todo produtivo, bem como pelo tipo de utilizadores e condi&#231;&#245;es de uso.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>Telheiras e Campolide s&#227;o hortas recreativas, de acordo com o regulamento de Parques Hort&#237;colas de Lisboa. </p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>Granja &#233; uma horta social, de acordo com o regulamento de Parques Hort&#237;colas de Lisboa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a><a href="http://www.lipor.pt/pt/educacao-ambiental/horta-da-formiga/agricultura-biologica/horta-a-porta/" target="_blank">http://www.lipor.pt/pt/educacao-ambiental/horta-da-formiga/agricultura-biologica/horta-a-porta/</a></p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> <a href="http://www.prove.com.pt/www/" target="_blank">http://www.prove.com.pt/www/</a></p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> <a href="http://www.frutafeia.pt" target="_blank">http://www.frutafeia.pt</a></p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> <a href="http://www.cabazdopeixe.pt" target="_blank">http://www.cabazdopeixe.pt</a></p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> <a href="http://www.bipp.pt/" target="_blank">http://www.bipp.pt/</a></p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> Ou seja, em que ambas as partes saem a ganhar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Almeida, T. (2012). Horticultura social no Estabelecimento Regional de Set&#250;bal. <i>Revista da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Horticultura</i>, <i>110</i>, 39-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837881&pid=S0874-6885201700010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Atkinson, R. &amp; Flint, J. (2001). <i>Accessing hidden and hard-to-reach populations: Snowball research strategies</i>. Social Research Update, Department of Sociology University of Surrey.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837883&pid=S0874-6885201700010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bell, S., Fox-Kamper, R., Keshavarz, N., Benson, M., Noori, S. &amp; Voigt, A. (2016). <i>Urban allotment gardens in Europe</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.cost.eu/media/publications/Urban-Allotment-Gardens-in-Europe" target="_blank">http://www.cost.eu/media/publications/Urban-Allotment-Gardens-in-Europe</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837885&pid=S0874-6885201700010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Buckingham, S. (2005). Women (re)construct the plot: The regen(d)eration of urban food growing<i>.</i> <i>Royal Geographical Society</i>. <i>37</i>(2), 171-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837886&pid=S0874-6885201700010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Delgado, C. (2015). Answer to the portuguese crisis: Turning vacant land into urban agriculture<i>.</i> <i>Cities and the environment (CATE)</i>, <i>8</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://digitalcommons.lmu.edu/cate/vol8/iss2/5/" target="_blank">http://digitalcommons.lmu.edu/cate/vol8/iss2/5/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837888&pid=S0874-6885201700010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Delgado, C. (2016) Agricultura urbana em Portugal: um setor de futuro em expans&#227;o. <i>Revista da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Horticultura</i>, <i>121</i>, 14-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837889&pid=S0874-6885201700010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gibson-Graham, J. K. (2006). <i>A post-capitalist politics</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837891&pid=S0874-6885201700010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Global Gender Gap. (2015). Disponivel em <a href="http://www3.weforum.org/docs/GGGR2015/cover.pdf Acedido em junho de 2016" target="_blank">http://www3.weforum.org/docs/GGGR2015/cover.pdf Acedido em junho de 2016</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837893&pid=S0874-6885201700010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&#231;alves, R. (2014). <i>Hortas urbanas: Estudo de caso de Lisboa</i> (Disserta&#231;&#227;o de Mestrado, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa). Dispon&#237;vel em <a href="http://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/6809" target="_blank">http://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/6809</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837894&pid=S0874-6885201700010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hadebe, L. B. &amp; Mpofu, J. (2013). <i>Empowering women through improved food security in urban centers: A gender survey in Bulawayo urban agriculture</i>.&#160; Zimbabwe Open University, Zimbabwe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837895&pid=S0874-6885201700010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hovorka, A.; Zeeuw, H. &amp; Njenga, M. (Eds.) (2009). <i>Women feeding the cities: Mainstreaming gender in urban agriculture and food security</i>. Rugby, UK: RUAF Foundation. Practical Action Publishing, Schumacher Centre for Technology and Development.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837897&pid=S0874-6885201700010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jarosz, L. (2011).<b> </b>Nourishing women: toward a feminist political ecology of community supported agriculture in the United States. <i>Gender, Place and Culture</i>, <i>18</i> (3), 307-326.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837899&pid=S0874-6885201700010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lipor. (2014). <i>Regulamento geral</i>. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.lipor.pt/fotos/editor2/HortaFormiga/reformulacao/2015/regulamento_geral_2015_novo.pdf" target="_blank">http://www.lipor.pt/fotos/editor2/HortaFormiga/reformulacao/2015/regulamento_geral_2015_novo.pdf</a> Acedido em janeiro de 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837901&pid=S0874-6885201700010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mougeot, L. (2000). Urban agriculture: Definition, presence, potential and risks<i>. </i>InN.&nbsp;Bakker, M.&nbsp;Dubbeling, S.&nbsp;Guendel, U.&nbsp;Sabel&nbsp;Koschella &amp; H. de&nbsp;Zeeuw&nbsp;(Eds.), <i>Growing cities, growing food: Urban agriculture on the policy agenda. A reader on urban agriculture</i>. DSE. Germany. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.ruaf.org/sites/default/files/Theme1_1_1.PDF" target="_blank">http://www.ruaf.org/sites/default/files/Theme1_1_1.PDF</a></p>     <!-- ref --><p>Mougeot, L. (2015<i>). </i>Urban agriculture in cities of the Global South:&#160; four logics of integration. In D. Imbert (Ed.), <i>Food and the city: Histories of culture and cultivation.</i> Harvard, USA: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837904&pid=S0874-6885201700010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pourias, J. (2015). <i>Scientific report COST action urban allotment gardens &#8211; Urban allotment gardens in the city in crisis. </i><i>Insights from Sevilla (Spain)</i>. Sevilla, Spain: Universidad Pablo de Olavide.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1837906&pid=S0874-6885201700010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Financiamento:</p>     <p>Projeto de investiga&#231;&#227;o financiado pela FCT: SFRH/BPD/94286/2013 e COST </p>     <p>Action 1201.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido: 24/01/2017</p>     <p>Aceite para publica&#231;&#227;o: 24/03/2017</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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