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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um diabo de calças em Lisboa: Satanela, a fotografia e o teatro modernos 1920-1930]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The actress, singer and dancer Luísa Satanela, one of Portuguese vaudeville theatre stars of the 1920's and 1930's, innovated with a flamboyant style of short, glamorous and voluptuous costumes, with sequins and feathers, influenced by Hollywood. She contributed for the renewal of the Revista à Portuguesa, a vaudevillelike theatre genre. Satanela's boldness turned her into one of the most controversial figures of her time. Many of those bold situations were captured by Silva Nogueira, a modern photographer, with a complicity that revealed their deep intuition about the empowerment of the actors' image in the age of the illustrated magazines]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Um diabo de cal&#231;as em Lisboa: Satanela, a fotografia e o teatro modernos 1920-1930</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A devil with pants in Lisbon: Satanela, modern photography and theatre 1920-1930</b></font></p>     <p><b>Paulo Ribeiro Baptista*</b></p>     <p>&#160;* Museu Nacional do Teatro e da Dan&#231;a, <a href="mailto:paulorbaptista@yahoo.com">paulorbaptista@yahoo.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A atriz, cantora e bailarina Lu&#237;sa Satanela, uma das estrelas do teatro ligeiro portugu&#234;s das d&#233;cadas de 1920 e 1930, inovou com um estilo exuberante, trajos voluptuosos, ex&#237;guos e glamorosos, lantejoulas e plumas, de evidente inspira&#231;&#227;o hollywoodesca, na renova&#231;&#227;o da revista &#224; portuguesa. Essa ousadia feminina tornou-a numa figura pol&#233;mica do seu tempo. Muitas dessas situa&#231;&#245;es foram fotografadas pelo modernista Silva Nogueira, revelando uma particular intui&#231;&#227;o relativamente &#224; import&#226;ncia da imagem nessa era dos magazines ilustrados. </p>     <p>Palavras-chave: dan&#231;a, revista &#224; portuguesa, modernismo, fotografia, animat&#243;grafo.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The actress, singer and dancer Lu&#237;sa Satanela, one of Portuguese vaudeville theatre stars of the 1920&#8217;s and 1930&#8217;s, innovated with a flamboyant style of short, glamorous and voluptuous costumes, with sequins and feathers, influenced by Hollywood. She contributed for the renewal of the Revista &#224; Portuguesa, a vaudevillelike theatre genre. Satanela&#8217;s boldness turned her into one of the most controversial figures of her time. Many of those bold situations were captured by Silva Nogueira, a modern photographer, with a complicity that revealed their deep intuition about the empowerment of the actors&#8217; image in the age of the illustrated magazines.</p>     <p><b><i>Keywords:</i> </b>dance, portuguese years&#8217; revue, modernism, photography, nickelodeon</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Provavelmente uma das mais profundas mudan&#231;as na imagem da mulher portuguesa ocorreu nas d&#233;cadas de 1920 e 1930. Essa transforma&#231;&#227;o, sentida sobretudo nas elites urbanas, teve eco nas p&#225;ginas da nova imprensa ilustrada e uma express&#227;o not&#243;ria nos palcos, sobretudo no teatro ligeiro, dom&#237;nio em que a Revista &#224; Portuguesa assumia alguma hegemonia. Mas essa mudan&#231;a teve um significado social e cultural muito mais vasto, mesmo que na sociedade portuguesa a sua dimens&#227;o real tenha sido limitada. Sobre este tema &#233; de referir o estudo realizado por Alvarez (2011); no entanto, a metodologia que seguimos, privilegiando um percurso atrav&#233;s da imagem fotogr&#225;fica, &#233; inteiramente diferente da daquela investigadora.</p>     <p>Numa vis&#227;o mais ampla, olhando para o pa&#237;s, este foi tamb&#233;m um per&#237;odo de uma profunda mudan&#231;a pol&#237;tica. Foi o tempo a que Jos&#233;-Augusto Fran&#231;a, num longo ensaio sociol&#243;gico, intitulou &#8220;Ditador, precisa-se&#8221; (Fran&#231;a, 1992), aludindo justamente ao esgotamento da Primeira Rep&#250;blica que preparava o advento de um regime ditatorial, ali&#225;s em linha com o contexto pol&#237;tico europeu que fez triunfar numerosos regimes conservadores e nacionalistas. A esse per&#237;odo de indefini&#231;&#227;o sobreveio o golpe do 28 de Maio de 1926, abrindo as portas a uma ditadura conservadora que acabaria por durar mais do que todas as outras, quarenta e oito anos seguidos. Paradoxalmente, esse per&#237;odo que acentuou o conservadorismo na pol&#237;tica foi um per&#237;odo de grande criatividade e liberalidade no teatro, particularmente na Revista &#224; Portuguesa. Ao mesmo tempo que um conservadorismo reaccion&#225;rio se instalava na governa&#231;&#227;o, uma verdadeira &#8220;ditadura das finan&#231;as&#8221;, os palcos descobriam liberdades in&#233;ditas no panorama art&#237;stico portugu&#234;s, sobretudo &#224; medida que os anos 1920 se aproximavam do fim, como veremos adiante.</p>     <p>Um dos mais evidentes sintomas da vontade de mudan&#231;a na Revista &#224; Portuguesa ter&#225; sido o da cria&#231;&#227;o de uma rubrica intitulada &#8220;Estrelas e Ases&#8221;, publicada semanalmente desde Novembro de 1922 no popular magazine <i>Ilustra&#231;&#227;o Portuguesa</i>. A inten&#231;&#227;o dessa rubrica era a de colocar em confronto as mais destacadas figuras do teatro nacional, sobretudo as jovens actrizes, com as estrelas internacionais, muito em particular com as actrizes de Hollywood. Essa publica&#231;&#227;o dava resposta aos anseios dos grupos mais cosmopolitas da sociedade portuguesa, em particular dos seus artistas de palco, que procuravam ombrear com as metr&#243;poles internacionais e com as novas estrelas que povoavam as sec&#231;&#245;es mundanas dos magazines ilustrados. Mas a cria&#231;&#227;o da rubrica &#8220;Estrelas e Ases&#8221; reflectia tamb&#233;m a especial preocupa&#231;&#227;o que alguns artistas come&#231;avam a ter com a pr&#243;pria imagem, sobretudo por influ&#234;ncia do animat&#243;grafo e do <i>star system</i>, esse sistema de estrelato que, irradiando de Hollywood, se alargava a cada vez mais amplos sectores da sociedade, seguido atrav&#233;s das rubricas mundanas dos magazines ilustrados.</p>     <p>No entanto, essa mudan&#231;a fez-se devagar e com forte resist&#234;ncia porque os palcos portugueses se mantinham fi&#233;is, em grande medida, a um quadro art&#237;stico e est&#233;tico finissecular. Da&#237; que a itiner&#226;ncia de alguns artistas estrangeiros e a fixa&#231;&#227;o permanente de outros tenham representado um relevante factor de mudan&#231;a, habituando o p&#250;blico a novidades que eram depois exigidas aos artistas nacionais. Um dos casos mais importantes de contribui&#231;&#227;o de uma imigrante para o teatro portugu&#234;s foi precisamente o de Lu&#237;sa Satanela. </p>     <p>Lu&#237;sa Satanela era o nome art&#237;stico da italiana Luigia Paola Maria Oliva, que, depois de v&#225;rias temporadas na Am&#233;rica do Sul, acabou por se fixar em terras lusas em 1916. Actriz, cantora, bailarina e empres&#225;ria, Satanela ter&#225; sido uma das personalidades mais marcantes do teatro nacional, tendo visto o seu nome art&#237;stico indelevelmente associado a alguns dos mais modernos e populares espect&#225;culos de teatro ligeiro que passaram pelos palcos portugueses nas d&#233;cadas de 1920 e 1930. O nome art&#237;stico que escolheu, &#8220;Satanela&#8221;, sugeria a ousadia e a irrever&#234;ncia que aquele &#8220;diabo de rapariga&#8221; viria a afirmar em palco. A personagem &#8220;Satanela&#8221; &#233; a protagonista do bailado setecentista <i>Le Diable amoureux</i> e deu o nome a duas fitas do animat&#243;grafo, uma de 1919, <i>Satanella</i>, de A. G. Caldiera e Giuseppe Guarino, e outra de 1920, <i>Satanella bionda</i>, de Paolo Trinchera. A singularidade e crescente popularidade do nome art&#237;stico Satanela induziu os cr&#237;ticos a caracterizarem as suas actua&#231;&#245;es em palco com adjectivos e sin&#243;nimos nele inspirados, como fizemos no t&#237;tulo deste artigo. Algumas dessas cr&#237;ticas, duras por vezes, permitem conhecer melhor os contornos das suas apresenta&#231;&#245;es em palco:</p>     <p>Essa &#8220;primadonna&#8221; (Satanela) ainda n&#227;o se expurgou convenientemente de uns maus h&#225;bitos de music-hall, de maneira que se excede, &#224;s vezes, nas suas atitudes, provocando cr&#237;ticas acerbas da assist&#234;ncia. A preocupa&#231;&#227;o do nu que tem a inteligente artista, como &#8220;primadonna&#8221; n&#227;o se devia apresentar ao p&#250;blico em trajos de can&#231;onetista, faz com que ela perca a[s] linha[s] e se torne at&#233; um tanto caricata. (<i>Palcos e fitas</i>, 1914, p. 13)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas foi a ousadia de actua&#231;&#227;o, de trajo e de caracteriza&#231;&#227;o que tornou Satanela uma artista popular dos palcos brasileiros. Essa popularidade, a sua versatilidade em palco e a eleg&#226;ncia que muitos dos seus contempor&#226;neos reconheciam nela ter&#227;o sido factores determinantes para a oportunidade que lhe foi concedida de integrar a companhia portuguesa do empres&#225;rio Lu&#237;s Galhardo, com Palmira Bastos como cabe&#231;a de cartaz, em digress&#227;o pelo Brasil. Assim se apresentou a ocasi&#227;o a Lu&#237;sa Satanela de regressar a Lisboa, e logo directamente para o palco, estreando-se como <i>divette</i> na revista &#8220;Princesa Magalona&#8221;, acrescentando sete novos n&#250;meros ao alinhamento do espect&#225;culo e obtendo grande &#234;xito (<i>Teatros, circos, cinemas</i>, 1916). Embora Lu&#237;sa Satanela tenha merecido o elogio da cr&#237;tica, foi pontualmente criticada, como antes fora no Brasil, pelo seu estilo de representa&#231;&#227;o, dito de <i>music-hall</i> ou transformista (<i>Teatros, circos, cinemas</i>, 1916). No entanto, essas reservas relativamente ao seu talento sobretudo para a opereta, o g&#233;nero teatral ligeiro mais em voga na d&#233;cada de 1910, logo se dissiparam com o retumbante sucesso de <i>O Reizinho</i> (<i>Teatros, circos, cinemas</i>, 1916). </p>     <p>Embora as primeiras actua&#231;&#245;es de Lu&#237;sa Satanela nos palcos lisboetas tenham merecido quase un&#226;nime aplauso do p&#250;blico e da cr&#237;tica, foi s&#243; na opereta <i>A rainha do animat&#243;grafo</i> que Satanela assumiu o estatuto de cabe&#231;a de cartaz, num papel que lhe assentava na perfei&#231;&#227;o pela exig&#234;ncia de uma enorme versatilidade, uma das suas mais importantes caracter&#237;sticas, compensando o &#243;bice colocado pelo seu sotaque &#237;talo-brasileiro. N&#227;o admira, por isso, que a representa&#231;&#227;o tenha sido coroada de enorme &#234;xito, como sublinhou a cr&#237;tica:</p>     <p>O trabalho da sr.&#170; Lu&#237;sa Satanela, essa endemoninhada rapariga que em t&#227;o pouco tempo tem conquistado um p&#250;blico a ponto de nos convencermos que alguma interfer&#234;ncia teve Satan&#225;s nela, deve ser considerado como de exame, visto que na Rainha do Animat&#243;grafo do [seu] desempenho resulta, em absoluto, ou o sucesso ou o fracasso da pe&#231;a. [&#8230;]</p>     <p>A aten&#231;&#227;o [&#8230;] [do] p&#250;blico concentra-se na personagem de D&#233;lia, de uma psicologia complicada pois que, dentro de um mesmo personagem tem que ser alegre, sentimental, coquette e coccotte. A sr.&#170; Satanela, com toda a sua mocidade e com a frescura da sua alegria, foi tudo isso com sobriedade, sem exageros, distinguindo-se de uma maneira not&#225;vel na arte coreogr&#225;fica e vestindo a pe&#231;a de uma forma ravissante. (<i>Teatros, circos, cinemas</i>, 1916, p. 2238)</p>     <p>A versatilidade revelada por Lu&#237;sa Satanela tamb&#233;m teve express&#227;o nas fotografias, que a actriz geralmente realizou no est&#250;dio da Fotografia Brasil, sob responsabilidade de um jovem e promissor fot&#243;grafo, Joaquim Silva Nogueira<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>. Essa situa&#231;&#227;o de paralelismo entre palco e est&#250;dio fotogr&#225;fico marcou toda a sua carreira. A fotografia da personagem <i>Gigi</i> de uma das suas primeiras pe&#231;as, o <i>Conde Bar&#227;o</i>, mostra uma excentricidade e ousadia que viria a caracterizar a cena portuguesa nas duas d&#233;cadas seguintes. </p>     <p>A escolha de ousados trajos de cena constituiu outra das importantes marcas que Lu&#237;sa Satanela introduziu consistentemente na cena portuguesa. Essa marca veio a revelar-se determinante no advento do teatro de revista da segunda metade dos anos 1920 e da d&#233;cada seguinte. A rela&#231;&#227;o que se estabeleceu entre a moda e o teatro foi de tal forma estreita que o magazine <i>Ilustra&#231;&#227;o Portuguesa</i> dedicou um longo artigo ao tema, com o sugestivo t&#237;tulo de &#8220;O del&#237;rio do decote e a moda da saia curta&#8221; (1920). A primeira p&#225;gina desse artigo era ilustrada por duas grandes fotografias de Lu&#237;sa Satanela, envergando em cada uma um ousado trajo de cena, e o maior esc&#226;ndalo era n&#227;o usar meias. Desta forma percebemos que a grande proximidade existente entre o teatro e a moda come&#231;ava a ter s&#233;rias consequ&#234;ncias sociais.</p>     <p>Ciente de que o sucesso da f&#243;rmula art&#237;stica que protagonizava dependia, em grande medida, da afirma&#231;&#227;o da sua imagem, Satanela fez-se fotografar de uma forma sistem&#225;tica nos pap&#233;is representados, em variadas poses e situa&#231;&#245;es. A representa&#231;&#227;o fotogr&#225;fica passou a integrar a prepara&#231;&#227;o e a promo&#231;&#227;o dos seus espect&#225;culos e o fot&#243;grafo escolhido foi Silva Nogueira. Provavelmente, o primeiro exemplo dessa estreita simbiose entre a cria&#231;&#227;o da representa&#231;&#227;o teatral e uma elaborada equivalente fotogr&#225;fica surgiu na opereta <i>P&#233;rola Negra</i>. Para a promo&#231;&#227;o dessa opereta na imprensa ilustrada, Silva Nogueira fez um conjunto de fotografias, sobretudo de Satanela. O enredo de <i>P&#233;rola Negra</i> prestava-se de forma exemplar &#224; explora&#231;&#227;o de uma imagem ex&#243;tica, j&#225; que o tema, uma hist&#243;ria do Oeste extremo americano, replicava alguns dos quadros das populares fitas do animat&#243;grafo sobre <i>cowboys</i>, e essas imagens, realizadas no est&#250;dio de Silva Nogueira, decalcam as cenas dos primeiros <i>westerns </i>mudos. Esse conjunto de fotografias posadas da opereta <i>P&#233;rola Negra</i> traduz a ac&#231;&#227;o e o movimento de um enredo eminentemente din&#226;mico, como as fotografias nos mostram. O fundo neutro das fotografias permite que o olhar se foque apenas no essencial, na express&#227;o e nos movimentos dram&#225;ticos e facilita a &#8220;mise-en-page&#8221; nos magazines ilustrados, como na <i>Ilustra&#231;&#227;o Portuguesa</i>, em que imaginamos estar perante um &#8220;r&#233;clame&#8221; a uma fita de animat&#243;grafo. </p>     <p>Uma nova situa&#231;&#227;o de modernidade no meio teatral portugu&#234;s se desenvolve quando uma enigm&#225;tica frase envolvendo a actriz Lu&#237;sa Satanela, acompanhada de duas fotografias, surge publicada na dupla capa da revista <i>De Teatro</i> de Dezembro de 1924 levantando o seguinte mist&#233;rio:</p>     <p>Lu&#237;sa Satanela, a nossa &#8216;divette&#8217; de opereta, ou Mademoiselle Spinelly fantasista e comediante francesa?</p>     <p>E na folha seguinte:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mademoiselle Spinelly fantasista e comediante francesa ou Lu&#237;sa Satanela, a nossa &#8216;divette&#8217; de opereta? (<i>De Teatro</i>, 1924)</p>     <p>A assombrosa semelhan&#231;a entre os perfis dessas duas figuras fotografadas &#233; surpreendente (ver <a href="#f1">imagens 1a e 1b</a>). Mas afinal quem era Mademoiselle Spinelly? Andr&#233;e Spinelly, ou apenas Spinelly, foi uma actriz de teatro ligeiro, bailarina, cantora parisiense, estrela das operetas e, sobretudo, uma das primeiras figuras da moda francesa dos anos 1920 e 1930, presen&#231;a constante nas capas e nos figurinos dos principais magazines ilustrados. Novamente vemos suscitada a estreita liga&#231;&#227;o entre trajo teatral, moda e magazines ilustrados, mas agora com outra propriedade e &#226;mbito, como aprofunda a investigadora Nancy J. Troy nos seus estudos (2001).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a08f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Um dos aspectos que Satanela soube trabalhar de uma forma exemplar foi a sua pose. Abord&#225;mos j&#225; alguns exemplos que nos mostram a aten&#231;&#227;o que aquela artista dispensou &#224; pose, nomeadamente as imagens para <i>P&#233;rola Negra</i> e a pose <i>a la Spinelly.</i> Mas, provavelmente, uma das poses que melhor ilustram o definitivo abandono das conven&#231;&#245;es quer do retrato fotogr&#225;fico quer das conveni&#234;ncias sociais foi a da fotografia que corresponde ao quadro &#8220;Alegria das Hortas&#8221; da revista <i>&#193;gua-P&#233;</i>, um espect&#225;culo que a companhia Satanela-Amarante apresentou no teatro Avenida, em 1927. Essa pose, pela sua liberdade, representa um novo paradigma que caracterizar&#225; o contexto do retrato fotogr&#225;fico. A transbordante gargalhada de Satanela, enquanto segura bem alto um cigarro, mais do que um verdadeiro s&#237;mbolo daquilo que podemos definir como as liberdades dos loucos anos 1920, &#233; sobretudo uma prova de emancipa&#231;&#227;o feminina que come&#231;ava a chegar, pelo menos a alguns estratos sociais. Mas essa imagem n&#227;o resultou do acaso de um instant&#226;neo, foi sim uma pose produzida, afirmativa, c&#250;mplice com o fot&#243;grafo, mas simult&#226;nea e paradoxalmente espont&#226;nea, de uma espontaneidade que tamb&#233;m caracterizava a presen&#231;a de Satanela nos palcos. J&#225; outro sorriso, talvez menos aberto mas com equivalente simbolismo, &#233; o que ela revela ao volante de um autom&#243;vel, nas corridas do Campo Grande. Em ambas as situa&#231;&#245;es fica provado que Satanela n&#227;o se coibia de mostrar publicamente como era uma mulher moderna, dir&#237;amos hoje, emancipada.</p>     <p>Efectivamente, Satanela come&#231;ava a distinguir-se no panorama teatral ligeiro, e a cr&#237;tica mais informada era especialmente sens&#237;vel ao seu trabalho, como sucedeu relativamente &#224; opereta <i>Susi</i> de 1925 (<i>No Teatro Avenida: a opereta Susi</i>, 1925). Esse aplauso da cr&#237;tica n&#227;o surpreende porque a mais informada e cosmopolita h&#225; muito apontava o exemplo das companhias estrangeiras como referenciais para a renova&#231;&#227;o do teatro ligeiro nacional. Um dos cr&#237;ticos que mais veementemente pugnaram por essa renova&#231;&#227;o foi Ant&#243;nio Ferro, defendendo que o espect&#225;culo, o divertimento, o esplendor luxuoso, a opul&#234;ncia e a ousadia das produ&#231;&#245;es forasteiras deviam contagiar as produ&#231;&#245;es nacionais. Para a concretiza&#231;&#227;o de tal programa, Satanela era a artista e empres&#225;ria mais bem colocada, compreendendo a dimens&#227;o dessas exig&#234;ncias e que, efectivamente, soube p&#244;r de p&#233; uma produ&#231;&#227;o que se mostrasse &#224; altura dos elevados par&#226;metros de Ferro. Essa produ&#231;&#227;o foi precisamente <i>&#193;gua-P&#233;</i>, uma nova revista que a companhia de Satanela levou &#224; cena em 1927.</p>     <p>A equipa de colaboradores art&#237;sticos, teatrais, coreogr&#225;ficos e musicais que Satanela reuniu para a montagem da revista <i>&#193;gua-P&#233;</i> trabalhou no sentido de a tornar numa produ&#231;&#227;o moderna. Para al&#233;m da escolha de um cen&#243;grafo e figurinista como Jos&#233; Barbosa, respons&#225;vel por muitos dos aspectos decorativos da revista, Satanela contratou o jovem bailarino Francisco Gra&#231;a, de seu nome art&#237;stico Francis, para com ela dan&#231;ar os principais bailados e, mais ainda, um m&#250;sico da nova gera&#231;&#227;o, Frederico de Freitas, que comp&#244;s os temas musicais. Por fim, era necess&#225;rio dar uma imagem do esp&#237;rito do espect&#225;culo e, com toda a naturalidade, tamb&#233;m o fot&#243;grafo Silva Nogueira marcou presen&#231;a registando-o em exclusivo. Apesar dos poucos vest&#237;gios de que hoje dispomos para reconstituir a representa&#231;&#227;o da revista <i>&#193;gua-P&#233;</i>, conseguimos perceber que foi inovadora, concretizando genericamente o programa de modernidade sugerido nos apelos dos cr&#237;ticos. </p>     <p>Podemos entender melhor a mudan&#231;a que <i>&#193;gua-P&#233;</i> trouxe ao panorama da Revista &#224; Portuguesa atrav&#233;s da compara&#231;&#227;o com outras representa&#231;&#245;es contempor&#226;neas; para isso escolhemos uma revista imediatamente anterior, de 1926, intitulada <i>Cabaz de Morangos</i>, em que a protagonista, a actriz Deolinda de Macedo, se apresentou como &#8220;latada&#8221; (<i>A Revista</i>, 1926). Entre Deolinda de Macedo na &#8220;latada&#8221; da revista <i>Cabaz de Morangos</i> e Satanela no &#8220;Charleston&#8221; da revista <i>&#193;gua</i>-P&#233; (<i>Lu&#237;sa Satanela, Uma actriz que merece</i>, 1931), quase tudo as separa, actrizes, revista, est&#233;tica. De uma para a outra parece-nos quase ter ocorrido um salto do s&#233;culo XIX para o XX. Pelo contraste entre as duas situa&#231;&#245;es conseguimos intuir at&#233; que ponto com Lu&#237;sa Satanela h&#225; uma sugest&#227;o do advento da modernidade no teatro ligeiro nacional, e esse foi o seu grande feito!</p>     <p>A an&#225;lise comparativa das <a href="#f2">imagens 2a e 2b</a>, de Deolinda de Macedo e de Satanela, &#233; eloquente. Na de Satanela h&#225; movimento, ousadia, espect&#225;culo, tra&#231;os que o seu <i>Charleston</i> nos revela e que correspondem justamente aos valores a que Ant&#243;nio Ferro fizera apelo na sua interven&#231;&#227;o cr&#237;tica, procurando suscit&#225;-los para a moderniza&#231;&#227;o da Revista &#224; Portuguesa. Na pose r&#237;gida de Deolinda de Macedo esses valores est&#227;o totalmente ausentes. O <i>Charleston</i> &#8216;satanelizado&#8217; mais parece uma dan&#231;a guerreira &#237;ndia do que um ritmo da moda, o que sugere uma refer&#234;ncia &#224;s <i>performances</i> que o bailarino americano Ted Shawn ent&#227;o apresentava na cena da dan&#231;a americana. As imagens dos bailados de Satanela e Francis sugerem coreografias complexas, de movimentos ousados, servidas por trajos modernos e corpos esbeltos, personificando moda e eleg&#226;ncia. Sobressai a eleg&#226;ncia cl&#225;ssica das posi&#231;&#245;es de Francis potenciadas pela ousadia do corpo de Satanela, de busto discreto, como ent&#227;o impunha o gosto mais cosmopolita. Juntos irradiavam modernidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a08f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Outro dos marcantes quadros de dan&#231;a da revista <i>&#193;gua-P&#233;</i> intitulou-se <i>Bonecos Russos</i> e invoca a mem&#243;ria da passagem por Lisboa da companhia de Sergei Diaghilev, no final de 1917, e o impacto que as r&#233;citas dos <i>Ballets Russes</i> tiveram nas elites lisboetas. A coreografia apresentada por Francis e Satanela n&#227;o parece procurar recriar o virtuosismo dos bailarinos da companhia de Diaghilev, mas suscitar uma &#243;bvia refer&#234;ncia est&#233;tica e, sobretudo, convocar um gosto pelo folclore que come&#231;ava a ganhar preponder&#226;ncia no chamado &#8220;molho revisteiro&#8221;, na acep&#231;&#227;o sugerida pelo cr&#237;tico Eduardo Scarlatti aos aspectos formais assumidos por aquela forma de teatro ligeiro (Santos, 1978). Essa inspira&#231;&#227;o regionalista, que marcava tamb&#233;m algumas obras de certos artistas pl&#225;sticos modernistas, como Eduardo Viana, foi convocada para os trajos da revista<i> </i><i>&#193;gua-P&#233;</i>, estilizados pela pena de Jos&#233; Barbosa.</p>     <p>Mas o ponto mais alto do conjunto de desenhos de Jos&#233; Barbosa para a revista<i> </i><i>&#193;gua-P&#233;</i> que, sublinhemos, ocorreu na sua estreia como figurinista, ficou reservado para os trajos de grande aparato, sobretudo para o trajo que Satanela apresentou na apoteose, um trajo excepcional, composto por um vestido curto, coberto de lantejoulas, um chap&#233;u emplumado e um longo manto, tamb&#233;m coberto de lantejoulas. Os acess&#243;rios foram encomendados em Paris e o fato foi confeccionado pelo ateli&#234; de Madame Josette Martin, a modista das principais artistas dos palcos portugueses. O tremendo esfor&#231;o da Companhia Satanela-Amarante na produ&#231;&#227;o da revista <i>&#193;gua-P&#233;</i> permitiu montar um espect&#225;culo que, de acordo com os testemunhos da cr&#237;tica e os vest&#237;gios que nos chegaram, n&#227;o desmerecia das companhias internacionais que escalavam Lisboa e que, como referimos, serviam de refer&#234;ncia &#224; cr&#237;tica nacional.</p>     <p>Provavelmente, uma das dimens&#245;es mais marcantes da pr&#225;tica art&#237;stica de Satanela foi a sua capacidade de estabelecer uma rela&#231;&#227;o muito particular com o pr&#243;prio corpo, assumindo-o como recurso est&#233;tico em palco e no est&#250;dio. A forma profunda e sistem&#225;tica como a artista passou a incorporar essa dimens&#227;o na sua pr&#225;tica art&#237;stica, sobretudo desde meados dos anos vinte, revela uma autoconsci&#234;ncia do que, actualmente, nos atrever&#237;amos a chamar de performatividade. Satanela utilizou o corpo e nalguns casos a insinua&#231;&#227;o da nudez de uma forma praticamente in&#233;dita nos palcos portugueses. Mas essa situa&#231;&#227;o implicou uma ruptura profunda com as conven&#231;&#245;es sociais e culturais, coincidindo justamente com o in&#237;cio de uma altera&#231;&#227;o de mentalidades na sociedade portuguesa. Com efeito, logo em 1925 Ant&#243;nio Ferro tinha defendido a apresenta&#231;&#227;o em palco do nu como recurso art&#237;stico (Ferro, 1925). Ferro dava express&#227;o a uma oposi&#231;&#227;o &#224; tend&#234;ncia conservadora e puritana dominante na sociedade portuguesa, que tinha procurado escamotear a quest&#227;o da nudez nas artes pl&#225;sticas e nas artes de palco, remetendo-a quase exclusivamente para a esfera do privado. Na d&#233;cada de 1920, para al&#233;m de Ferro, cada vez mais vozes se foram erguendo no sentido de introduzir no teatro ligeiro portugu&#234;s certos aspectos de ousadia e espectacularidade, em linha com o que sucedia noutros centros europeus mais cosmopolitas. Esses apelos repetidos permitiram que a atitude dominante moralmente r&#237;gida se fosse progressivamente atenuando, sobretudo entre os sectores intelectuais e art&#237;sticos mais activos da sociedade portuguesa que, da mesma forma que Ferro, tamb&#233;m come&#231;aram a admitir e defender a exposi&#231;&#227;o do corpo e a nudez como express&#245;es da beleza e da arte.</p>     <p>Cientes da efemeridade da representa&#231;&#227;o teatral, somos for&#231;ados a encontrar na fotografia, em particular na de Silva Nogueira, provavelmente o melhor cronista visual dos palcos dos anos 1920 e 1930, as marcas que as ousadias do corpo em cena nos deixaram e muito particularmente de Lu&#237;sa Satanela, j&#225; que foi com esta artista que Silva Nogueira mais trabalhou a imagem do corpo feminino na d&#233;cada de 1920. As poses ousadas de Satanela v&#227;o-se sucedendo, sobretudo a partir do in&#237;cio desta d&#233;cada. Logo em 1921, por ocasi&#227;o da representa&#231;&#227;o da opereta <i>Amor de Apaches</i>, Satanela surge fotografada de ombros nus, tendo o resto do corpo oculto por uma m&#225;scara fotogr&#225;fica que, equivocamente, insinua uma situa&#231;&#227;o de nudez. No ano seguinte, faz-se fotografar em sugestiva posi&#231;&#227;o reclinada. Mas ser&#225; sobretudo entre 1923 e 1926, quando junta a dan&#231;a ao canto e &#224; representa&#231;&#227;o, que Satanela passa a explorar o corpo, a postura e a pose como recursos est&#233;ticos integrados. Afinal, conseguia trazer tamb&#233;m &#224; cena portuguesa os primeiros ind&#237;cios de uma mudan&#231;a que, como vimos, surgiria plenamente assumida em 1927 no come&#231;o dessa idade de ouro da revista, sendo a pioneira de uma nova gera&#231;&#227;o de artistas multifacetadas que representavam, cantavam e dan&#231;avam.</p>     <p>Como sugere Norberto Barroca, o panorama teatral portugu&#234;s ter&#225; sido estimulado pela nova situa&#231;&#227;o pol&#237;tica, social e cultural decorrente do golpe de 28 de Maio de 1926 (Barroca, 2008). O teatro musicado tinha bastante sucesso e a Revista &#224; Portuguesa foi a principal sucessora da opereta &#8220;cl&#225;ssica&#8221;, dentro de um gosto que fora cultivado ao longo de sucessivas d&#233;cadas, sobretudo desde o in&#237;cio do s&#233;culo XX (Barroca, 2008). A companhia Satanela/Amarante foi justamente uma das que melhor conseguiram fazer a transi&#231;&#227;o da opereta para a Revista &#224; Portuguesa, numa surpreendente situa&#231;&#227;o de ruptura na continuidade reveladora de grande flexibilidade art&#237;stica, como sugere Norberto Barroca (2008). A Revista &#224; Portuguesa era um desafio particularmente estimulante para algumas companhias de teatro ligeiro e musicado como a companhia Satanela/Amarante ou a companhia Eva Stachino. Afinal, as coplas das revistas permitiam liberdades art&#237;sticas e ousadias em palco que os libretos da opereta cl&#225;ssica n&#227;o consentiam. Essas liberdades chegaram a passar at&#233; pela presen&#231;a da nudez em situa&#231;&#245;es transgressivas que come&#231;avam a agradar a um p&#250;blico cada vez mais cosmopolita e a que o policiamento dos costumes ia fechando os olhos. </p>     <p>Para Satanela transgredir as conven&#231;&#245;es do corpo era uma atitude est&#233;tica, filiada quer nos bailados de vanguarda, nomeadamente nos &#8220;bailados russos&#8221;, quer no <i>music-hall</i> ligeiro. N&#227;o sabemos se teve forma&#231;&#227;o em dan&#231;a cl&#225;ssica, mas seguia seguramente os modelos e as refer&#234;ncias dos artistas internacionais que passaram pelo nosso pa&#237;s e daqueles que povoavam as p&#225;ginas dos magazines teatrais, sobretudo franceses, como <i>Comoedia Ilustr&#233;</i> e <i>Petit Ilustration</i>. As imagens que dela conhecemos sugerem justamente o recurso a essas refer&#234;ncias, como podemos constatar num conjunto de fotografias em que se apresenta em trajo oriental e de &#8216;ciganita&#8217;, provas evidentes da aten&#231;&#227;o com que a artista seguia a passagem de artistas internacionais, particularmente da inspira&#231;&#227;o na personagem Carmen da &#243;pera hom&#243;nima de Bizet.</p>     <p>Na primeira metade da d&#233;cada de 1920, as sequ&#234;ncias mais surpreendentes e ousadas de Satanela s&#227;o aquelas em que ela representa pap&#233;is de bailarina oriental, assumindo toda uma s&#233;rie de poses ex&#243;ticas em trajos voluptuosos de marcada transpar&#234;ncia. &#201; nessas poses atl&#233;ticas de dan&#231;arina, que podemos encontrar os primeiros passos de uma aproxima&#231;&#227;o est&#233;tica &#224;s situa&#231;&#245;es de vanguarda na dan&#231;a, que lhe serviram de inspira&#231;&#227;o, na coreografia e no trajo, embora tudo indique que estivesse ciente dos constrangimentos que a falta de erudi&#231;&#227;o coreogr&#225;fica e de t&#233;cnica cl&#225;ssica lhe levantavam. Havia, no entanto, na jovem artista, como vimos ali&#225;s tamb&#233;m enunciada por Ant&#243;nio Ferro, uma consci&#234;ncia clara de uma certa inevitabilidade na introdu&#231;&#227;o dos novos valores pl&#225;sticos e est&#233;ticos no teatro ligeiro, em particular no bailado. Esses valores foram defendidos por Fillipo Tomaso Marinetti no seu manifesto<i> O Music-Hall</i> e, por essa via, contaminaram o pensamento de muitos intelectuais europeus, como ali&#225;s sucedeu com Ant&#243;nio Ferro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paradoxalmente, essa reforma do espect&#225;culo ligeiro que quase conseguimos acompanhar atrav&#233;s das fotografias de Silva Nogueira representa, simultaneamente, a defini&#231;&#227;o de um novo programa est&#233;tico de representa&#231;&#227;o do corpo, sobretudo do corpo feminino, em palco e no est&#250;dio, in&#233;dito no contexto portugu&#234;s. Mas ser&#225; na parceria com o bailarino Francis Gra&#231;a, poucos anos mais tarde, que Satanela ter&#225; a oportunidade de dar plena express&#227;o &#224;s coreografias de bailado em palco. </p>     <p>Uma outra dimens&#227;o da personalidade art&#237;stica de Lu&#237;sa Satanela, que foi assumindo cada vez maior import&#226;ncia na sua carreira, foi a da arte da provoca&#231;&#227;o. A provoca&#231;&#227;o foi o fermento que, juntamente com a sua versatilidade em palco, consegue justificar todo o protagonismo que veio a assumir nos palcos ligeiros portugueses na d&#233;cada de 1920. &#201; verdade que vimos j&#225;, no seu riso desbragado de 1927, a express&#227;o evidente dessa capacidade de provoca&#231;&#227;o, mas esse tra&#231;o de Satanela, &#224; medida que a d&#233;cada de 1920 ia avan&#231;ando, foi-se progressivamente acentuando, tanto nos palcos como nos registos fotogr&#225;ficos correspondentes. </p>     <p>Ser&#225; porventura excessivo sugerir a exist&#234;ncia de paralelos entre a atitude provocat&#243;ria de Lu&#237;sa Satanela nos palcos com as atitudes pol&#233;micas dos modernistas nas suas interven&#231;&#245;es p&#250;blicas, liter&#225;rias e art&#237;sticas? Julgamos que n&#227;o; talvez Satanela n&#227;o o tenha feito com a consci&#234;ncia plena da ruptura cultural impl&#237;cita da sua atitude perante as conven&#231;&#245;es morais vigentes, mas, na verdade, a sua atitude art&#237;stica &#233; sobretudo marcada por uma interpreta&#231;&#227;o pessoal e pr&#243;pria, express&#227;o de uma &#226;nsia de modernidade que se pressentia nos c&#237;rculos mais din&#226;micos do teatro portugu&#234;s, sobretudo desde o in&#237;cio da d&#233;cada de 1920.</p>     <p>Efectivamente, o teatro portugu&#234;s desta d&#233;cada encontrava-se numa encruzilhada, porque a toda a tradi&#231;&#227;o dram&#225;tica portuguesa que tinha tido o seu apogeu na Companhia Rosas &amp; Braz&#227;o, sobreviera uma pr&#225;tica de continuidade que se submetera ao carregar do fardo desse teatro naturalista. A esse estado de coisas opunha-se agora uma vontade de renova&#231;&#227;o e ruptura que ia pontuando esporadicamente os palcos nacionais, como sucedeu com as representa&#231;&#245;es das pe&#231;as <i>Zilda</i> e <i>Salom&#233;</i> pela companhia Rey Cola&#231;o-Robles Monteiro ou as pe&#231;as <i>L&#244;do</i> de Alfredo Cortez e <i>Mar Alto</i> de Ant&#243;nio Ferro, em 1923, e de <i>Gar&#231;onne</i> de V. Marguerite, em 1927 (Rebelo, 1979). Sem chegarem a assumir o car&#225;cter experimental do teatro europeu de vanguarda, essas representa&#231;&#245;es, e muitas vezes as pol&#233;micas que as rodearam, traduziam o inconformismo de alguns &#8220;novos&#8221; contra um <i>statu quo</i> conservador. A provoca&#231;&#227;o assumia-se como valor est&#233;tico dessa nova gera&#231;&#227;o, inspirada tamb&#233;m pelo animat&#243;grafo, por essas fitas de Charlot em que aparecia, afinal, esse &#8220;grande provocador&#8221;, sob a capa de uma aparente e bem constru&#237;da ingenuidade. Em 1925, Ferro e Jos&#233; Pacheko, com as colabora&#231;&#245;es de M&#225;rio Eloy e de Leit&#227;o de Barros, ensaiam a funda&#231;&#227;o de uma nova companhia teatral, o <i>Teatro Novo</i>, que pretendia trazer &#224; cena lisboeta pe&#231;as de dramaturgos modernos, embora tenha tido exist&#234;ncia e consequ&#234;ncias limitadas. Apesar de tudo, foi na revista que a mudan&#231;a foi poss&#237;vel e vimos anteriormente como o ponto de viragem foi precisamente <i>&#193;gua-P&#233;</i> de Satanela.</p>     <p>Na d&#233;cada seguinte, Ferro tentou fazer o balan&#231;o dessa mudan&#231;a na revista, dando-a como exemplo excepcional numa ac&#233;rrima cr&#237;tica &#224; passividade cultural portuguesa: </p>     <p>O meio n&#227;o d&#225;? &#201; poss&#237;vel&#8230; Mas talvez d&#234; o fim, talvez d&#234; o que n&#243;s desejamos&#8230; Um exemplo pode ilustrar este arrazoado&#8230; As revistas portuguesas, as revistas de teatro pareciam condenadas a um eterno mau gosto, &#224;s eternas grinaldas e aos eternos cen&#225;rios &#8220;trambalazanas&#8221;, porque o &#8220;meio&#8221;, o caluniado &#8220;meio&#8221; n&#227;o dava para mais&#8230; A cr&#237;tica, &#8220;por&#233;m n&#227;o se resignou ao dogma&#8221;. Tantas observa&#231;&#245;es fez, tanto gritou, que as empresas para agradar a este e &#224;quele, principiaram a encomendar, timidamente, cortinas, cen&#225;rios a Ant&#243;nio Soares, a Barradas, a Leit&#227;o de Barros, etc., etc. (Ferro, 1931, p. 32).</p>     <p>Mas voltemos &#224; an&#225;lise das imagens de Satanela na revista &#193;gua<i>-P&#233;</i>. Vimos como aquele espect&#225;culo representou um marco fundamental no teatro ligeiro musicado em Portugal e em que Satanela representou um papel determinante. A revista &#193;gua<i>-P&#233;</i> simbolizou, para o teatro nacional, a substitui&#231;&#227;o de um modelo de espect&#225;culo teatral musical ligeiro comprometido com uma est&#233;tica datada por uma nova forma de entretenimento em que a dimens&#227;o visual e o pr&#243;prio corpo passaram a assumir fun&#231;&#245;es imprescind&#237;veis; e a consci&#234;ncia dessa circunst&#226;ncia &#233;-nos revelada atrav&#233;s dos registos fotogr&#225;ficos em que descobrimos ousadias, irrever&#234;ncias e provoca&#231;&#245;es de Satanela. </p>     <p>Ser&#225; sobretudo a partir da s&#233;rie <i>&#193;gua-P&#233;</i> que as fotografias de Satanela por Silva Nogueira passam definitivamente a assumir a imagem da mulher cosmopolita, seguindo cada vez mais os modelos veiculados pelas revistas ilustradas internacionais de meados da d&#233;cada de 1920. O corpo da artista &#237;talo-portuguesa desvenda-se nas coreografias em que se vai expondo &#224; c&#226;mara de Silva Nogueira, sugerindo poses que assumiu em diversos espect&#225;culos como, por exemplo, na revista<i> </i><i>&#193;gua-P&#233;</i>, no quadro de revista <i>Harold Trepa Trepa</i> ou na revista <i>Pim Pam Pum</i>, ilustradas na <a href="#f3">imagem 3</a>. As fotografias provam-nos, ali&#225;s, que Satanela tinha plena consci&#234;ncia de possuir um corpo que se enquadrava nos padr&#245;es est&#233;ticos do seu tempo, elegante, atl&#233;tico, de busto contido, que correspondia genericamente aos modelos que, por exemplo, os modernistas procuravam veicular nas suas pinturas e desenhos, como sucede com as pinturas e desenhos de Almada Negreiros e de Ant&#243;nio Soares para o Bristol Club (Avenida, 1926).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/eva/n37/n37a08f3.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Com o decorrer da d&#233;cada de 1930, o tempo de Lu&#237;sa Satanela aproximava-se do final, porque o seu estilo de &#8216;Theda Bara&#8217;, a primeira <i>vamp</i> do cinema, de que Satanela adoptara poses e maquilhagem, estava a ceder lugar ao de outras estrelas no firmamento de Santa Cruz da Calif&#243;rnia. Clara Bow, a caixeirinha que tanto tinha de comum com as raparigas independentes americanas, passou a representar o modelo de conduta e o estere&#243;tipo de imagem a adoptar. Mas esse tempo de decl&#237;nio foi tamb&#233;m, para Satanela, um per&#237;odo de grande ousadia e criatividade na Revista &#224; Portuguesa.</p>     <p>Contudo, a an&#225;lise &#224; situa&#231;&#227;o est&#233;tica de Satanela e a sua inscri&#231;&#227;o no contexto da cena teatral ligeira portuguesa das d&#233;cadas de 1920 e 1930 merecem uma leitura mais profunda de natureza sociol&#243;gica e cultural porque dela se podem tirar consequ&#234;ncias para diversos planos da sociedade portuguesa da &#233;poca.</p>     <p>Com efeito, se encararmos a condi&#231;&#227;o perif&#233;rica e fragmentada dos modernismos que escaparam aos centros internacionais mais cosmopolitas, como sucedeu com o contexto portugu&#234;s, a abordagem ao conjunto de manifesta&#231;&#245;es que podem ser enquadradas nesse movimento cultural n&#227;o pode dispensar a contribui&#231;&#227;o do teatro ligeiro. Porque foi o escaparate de todas as artes, como afirmou Almada Negreiros, mas abrangendo as m&#250;ltiplas contribui&#231;&#245;es que permitiram construir esses espect&#225;culos, das quais, sem d&#250;vida, a de Satanela foi determinante.</p>     <p>Poderemos de alguma forma antever nessa situa&#231;&#227;o a cria&#231;&#227;o de novos e perturbadores espa&#231;os da modernidade? Segundo Ramsay Burt, foi justamente nesse per&#237;odo que alguns core&#243;grafos europeus seguiram os exemplos dos artistas pl&#225;sticos e recorreram &#224; dan&#231;a popular e aos espect&#225;culos de massas como temas atrav&#233;s dos quais exploraram a experi&#234;ncia social da vida moderna na grande metr&#243;pole. Para al&#233;m das situa&#231;&#245;es vanguardistas dos &#8220;ballets russes&#8221; de Dhiaghilev e dos &#8220;ballets su&#233;dois&#8221; de De Mar&#233;, esse autor encontra em certos casos de artistas de <i>music-hall</i> evidentes tra&#231;os da cria&#231;&#227;o desses espa&#231;os de modernidade (Burt, 1998). O caso que elege para essa an&#225;lise &#233; o dos espect&#225;culos de Josephine Baker. Evidentemente que h&#225; uma dist&#226;ncia enorme entre a situa&#231;&#227;o parisiense de Baker e o contexto portugu&#234;s de Satanela, mas, salvas as devidas dist&#226;ncias, h&#225; diversos aspectos que podemos transpor para o caso nacional. </p>     <p>No final da d&#233;cada de 1920 toda a Paris ia ver Josephine Baker, uma dan&#231;arina selvagem (Burt, 1998). As dan&#231;as e as can&#231;&#245;es de Josephine Baker e a revela&#231;&#227;o do seu corpo nu epitomizam a ideia de uma sexualidade natural e vital, de tal forma que cativaram os p&#250;blicos europeus das d&#233;cadas de 1920 e 1930. Sobre a relevante quest&#227;o da negritude de Baker, o exotismo e a estranheza da sua condi&#231;&#227;o racial contrastando com o elenco de ocidentais seduziam naturalmente o p&#250;blico. Salvas as devidas dist&#226;ncias, podemos encontrar na tripla naturalidade, italiana-brasileira-portuguesa, de Satanela e no seu peculiar sotaque, que ainda hoje se pode ouvir em disco, o factor de sedutora estranheza a que o p&#250;blico dos teatros lisboetas aderiu. Outro dos pontos de contacto de Satanela com a situa&#231;&#227;o est&#233;tica de Josephine Baker &#233; o seu corpo elegante de seios pequenos que agradava ao p&#250;blico moderno e cosmopolita, como ali&#225;s sugeria a op&#231;&#227;o pl&#225;stica dos artistas modernistas na maior parte das representa&#231;&#245;es gr&#225;ficas da mulher (Burt, 1998).</p>     <p>&#201; justamente atrav&#233;s da quest&#227;o do corpo feminino como territ&#243;rio de modernidade que julgamos se deve olhar para a situa&#231;&#227;o est&#233;tica e cultural de Satanela e para o papel que ela assumiu no contexto do modernismo em Portugal. Embora esta quest&#227;o n&#227;o tenha sido colocada at&#233; hoje, n&#227;o h&#225; d&#250;vida de que a sua import&#226;ncia deve ser equacionada nos termos que Griselda Pollock prop&#244;s relativamente ao estatuto da mulher no per&#237;odo do impressionismo (Pollock, 2011). De facto, encontramos na Revista &#224; Portuguesa do final dos anos 1920 e in&#237;cio de 1930 a abertura para o florescimento de um modernismo, subsidi&#225;rio da conquistada liberdade do corpo. Como refere aquela pensadora, &#233; um conceito p&#250;blico do moderno em que o corpo da mulher assume um papel de protagonismo, embora de uma forma assim&#233;trica. O palco representa, no fundo, o espa&#231;o de ambiguidade de que Griselda Pollock nos fala, onde os corpos sexualizados e mercantilizados acabam por tra&#231;ar essa linha que, no caso de Satanela, toca a modernidade. Uma modernidade que tamb&#233;m se afirma por actos, a que podemos chamar de performativos, de afirma&#231;&#227;o da dan&#231;a e da imagem e que transformou inteiramente o panorama do espect&#225;culo teatral ligeiro em Portugal.</p>     <p>Mas h&#225; consequ&#234;ncias mais amplas a retirar da transforma&#231;&#227;o ocorrida na Revista &#224; Portuguesa. Efectivamente, os espect&#225;culos teatrais mais populares, como sucedeu com a revista <i>&#193;gua-P&#233;</i>, permaneciam em cena muitas centenas de dias, neste caso acima de quatrocentos, e isso teve obrigatoriamente um impacto profundo num amplo p&#250;blico. Verdadeiramente, mais do que atrav&#233;s de outras formas de express&#227;o e de divulga&#231;&#227;o, a Revista &#224; Portuguesa foi provavelmente o mais importante ve&#237;culo de dissemina&#231;&#227;o dos valores modernistas e a aceita&#231;&#227;o que paulatinamente a sociedade portuguesa foi assumindo relativamente a esses valores muito deveu a esse g&#233;nero teatral ligeiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>A investiga&#231;&#227;o realizada encontrou cerca de 370 fotografias individuais de Lu&#237;sa Satanela, existentes no Museu Nacional do Teatro e da Dan&#231;a e no Arquivo de Documenta&#231;&#227;o e Fotografia da Dire&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural. Esse elevado n&#250;mero permite tra&#231;ar, de uma forma rigorosa, um duplo percurso est&#233;tico de representa&#231;&#245;es, teatrais e fotogr&#225;ficas, que assumem um especial significado no contexto portugu&#234;s do seu tempo. Por condicionalismos editoriais, s&#243; foi poss&#237;vel incluir uma pequena parte das imagens que constitu&#237;am a narrativa visual complementar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <p>Alvarez, E. M. S. (2011). <i>A dan&#231;a teatral portuguesa da 1.</i><i>&#170; Rep&#250;blica ao Estado Novo:</i> <i>Modas, rupturas e nacionalismos </i>(Tese de Doutoramento). Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana da Universidade T&#233;cnica de Lisboa. Dispon&#237;vel em <a href="http://hdl.handle.net/10400.5/12212"target="_blank">http://hdl.handle.net/10400.5/12212</a></p>     <!-- ref --><p>Avenida. (1926, Novembro 14). <i>Domingo Ilustrado</i>, p. 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838181&pid=S0874-6885201700010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </p>     <p>Barroca, N. J. G. (2008), <i>A opereta em Portugal da Ditadura Militar ao Estado Novo</i> (Disserta&#231;&#227;o de Mestrado). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Referenciada em <a href="https://sigarra.up.pt/flup/pt/teses.tese?p_aluno_id=102494&amp;p_processo=17414" target="_blank">https://sigarra.up.pt/flup/pt/teses.tese?p_aluno_id=102494&amp;p_processo=17414</a> </p>     <!-- ref --><p>Burt, R. (1998). <i>Alien bodies: Representations of modernity, &#8220;race&#8221; and nation in early modern dance</i>. Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838184&pid=S0874-6885201700010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Desportos: As corridas de autom&#243;veis do Campo Grande. (1931, Julho 15). <i>Ilustra&#231;&#227;o</i>, p. 16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838186&pid=S0874-6885201700010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ferro, A. (1931, Agosto 15). O &#171;meio&#187; n&#227;o d&#225;. <i>Ilustra&#231;&#227;o</i>, p. 32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838188&pid=S0874-6885201700010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>(Fotografia de J. S. Nogueira). (1924). Satanela <i>em Spinelly</i>. Acervo de Joaquim da Silva Nogueira, Arquivo de Documenta&#231;&#227;o Fotogr&#225;fica da Direc&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural, Lisboa.</p>     <p>(Fotografia de J. S. Nogueira). (1927). Satanela na revista &#193;gua P&#233;. Acervo de Joaquim da Silva Nogueira, Arquivo de Documenta&#231;&#227;o Fotogr&#225;fica da Direc&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural, Lisboa.</p>     <p>(Fotografia de J. S. Nogueira). (c. 1930). Satanela em espect&#225;culo desconhecido. Acervo de Joaquim da Silva Nogueira, Arquivo de Documenta&#231;&#227;o Fotogr&#225;fica da Direc&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural, Lisboa.</p>     <p>(Fotografia de J. S. Nogueira). (c. 1930). Satanela em Harold Trepa Trepa. Acervo de Joaquim da Silva Nogueira, Arquivo de Documenta&#231;&#227;o Fotogr&#225;fica da Direc&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural, Lisboa.</p>     <p>(Fotografia de J. S. Nogueira). (1932). Satanela na Revista Pim Pam Pum. Acervo de Joaquim da Silva Nogueira, Arquivo de Documenta&#231;&#227;o Fotogr&#225;fica da Direc&#231;&#227;o-Geral do Patrim&#243;nio Cultural, Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Fran&#231;a, J.- A. (1992). <i>Os anos vinte em Portugal</i>. Lisboa: Editorial Presen&#231;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838195&pid=S0874-6885201700010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lu&#237;sa Satanela: Uma actriz que merece. (1931, Mar&#231;o 15). <i>Not&#237;cias Ilustrado</i>, p. 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838197&pid=S0874-6885201700010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>No Teatro Avenida: A opereta Susi. (1925, Fevereiro 14). <i>Di&#225;rio de Lisboa</i>, p. 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838199&pid=S0874-6885201700010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nogueira, J. S. (1926, Outubro 10). Deolinda de Macedo, <i>Jornal dos Teatros</i>, p. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838201&pid=S0874-6885201700010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nogueira, J. S. (1931, Mar&#231;o 15). Charleston de Satanela (fotografia). <i>Not&#237;cias Ilustrado</i>, p. 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838203&pid=S0874-6885201700010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O del&#237;rio do decote e a moda da saia curta. (1920, Mar&#231;o 22). <i>Ilustra&#231;&#227;o Portuguesa</i>, p. 213.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838205&pid=S0874-6885201700010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Palcos e fitas. (1914, Outubro 17). <i>O Pirralho</i>, p. 13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838207&pid=S0874-6885201700010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pollock, G. (2011). A modernidade e os espa&#231;os de feminilidade. In A. G. Macedo e F. C. Rayner (Eds.), <i>Cultura visual e performance: Antologia cr&#237;tica</i>, Vila Nova de Famalic&#227;o: H&#250;mus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838209&pid=S0874-6885201700010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rebelo, L. F. (1979). <i>O teatro simbolista e modernista (1890-1939)</i>. Lisboa: INCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838211&pid=S0874-6885201700010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, V. P. (1978). <i>A revista &#224; portuguesa</i>. Lisboa: O Jornal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838213&pid=S0874-6885201700010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Sem t&#237;tulo. (1924, Dezembro).<i> De Teatro</i>, extratexto.</p>     <p>Sem t&#237;tulo. (1926, Agosto-Setembro). <i>A Revista</i>, capa.</p>     <p>Spinely. (1914, Dezembro). <i>De Teatro</i>, capa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Teatros, circos, cinemas. (1916, Setembro 16). <i>A Capital</i>, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838218&pid=S0874-6885201700010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Teatros, circos, cinemas: No Avenida hoje, Luiza Satanella. (1916, Setembro 28). <i>A Capital</i>, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838220&pid=S0874-6885201700010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Teatros, circos, cinemas: Avenida &#8211; A princeza Magalona, estreia da actriz Luiza Satanella. (1916, Setembro 29). <i>A Capital</i>, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838222&pid=S0874-6885201700010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Teatros, circos, cinemas: O reizinho. (1916, Novembro 6). <i>A Capital</i>, p. 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838224&pid=S0874-6885201700010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Teatros, circos, cinemas: Teatro Avenida. (1916, Dezembro 22). <i>A Capital</i>, p. 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1838226&pid=S0874-6885201700010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Troy, N. J. (2001, Mar&#231;o). The theatre of fashion: Staging haute couture in early 20<sup>th</sup> century France. <i>Theatre Journal</i>, pp. 1-32.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 08/11/2016</p>     <p>Aceite para publica&#231;&#227;o: 02/05/2017</p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[A opereta em Portugal da Ditadura Militar ao Estado Novo]]></source>
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<source><![CDATA[Alien bodies: Representations of modernity, &#8220;race&#8221; and nation in early modern dance]]></source>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Luísa Satanela: Uma actriz que merece]]></article-title>
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