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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Flor de Água, Helena Roque Gameiro (1895-1986) - Aguarela e Artes Aplicadas.: Leandro, S.; Valle, A.; Junior, C. L.; Mantero, A. & Barros, J. L. (2016). Amadora: Casa Roque Gameiro, 50 pp.]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>LEITURAS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Flor de &#193;gua, Helena Roque Gameiro (1895-1986) &#8211; Aguarela e Artes Aplicadas. Leandro, S.; Valle, A.; Junior, C. L.; Mantero, A. &amp; Barros, J. L. (2016). Amadora: Casa Roque Gameiro, 50 pp.</b></font></p>     <p>Maria do C&#233;u Borr&#234;cho*</p>     <p>&#160;* Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas, Centro Interdisciplinar de Ci&#234;ncias Sociais, Faces de Eva &#8211; Estudos sobre a Mulher, <a href="mailto:mcborrecho@gmail.com">mcborrecho@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A presente obra, um cat&#225;logo de uma exposi&#231;&#227;o dedicada &#224; pintora Helena Roque Gameiro patente, entre 26 de Setembro de 2016 e 26 de Fevereiro de 2017, na Casa Roque Gameiro, na cidade da Amadora, apresenta o trabalho desta artista, filha do tamb&#233;m pintor Alfredo Roque Gameiro.</p>     <p>Sandra Leandro, comiss&#225;ria da referida exposi&#231;&#227;o, desenvolve detalhadamente o percurso de um dos elementos do cl&#227; Gameiro, repartido de forma simb&#243;lica desde a &#8220;raiz&#8221; &#224; &#8220;flor que se fecha&#8221;, passando pelo &#8220;caule&#8221;, &#8220;flor&#8221; e &#8220;p&#233;talas que caem&#8221;, e recordando, deste modo, a import&#226;ncia da Natureza no trabalho da pintora. Como numa flor, que Helena tanto gosta de pintar, na &#8220;raiz&#8221; se descobre esse &#8220;meio art&#237;stico&#8221; que ela absorve na Casa da Venteira, na ent&#227;o Porcalhota, a Amadora de hoje, proporcionado pela presen&#231;a forte do pai, que a ensina a representar o &#8220;que a luz modela, o que se v&#234;, conhece e sente, ao ar livre, ao modo Naturalista&#8221; (p. 8). </p>     <p>&#201; com essa &#8220;raiz&#8221; que inicia um percurso de mestra e artista profissional, muito invulgar na &#233;poca, mas certamente impulsionado pelas convic&#231;&#245;es republicanas do progenitor, que valorizam a instru&#231;&#227;o e a emancipa&#231;&#227;o femininas. </p>     <p>Assim, desde os 14 anos, desloca-se a Lisboa de comboio, para dar aulas de pintura e desenho no <i>atelier</i>-escola do pai, na Rua D. Pedro V.</p>     <p>&#160;Conciliando as aulas com a pr&#225;tica art&#237;stica, desde os primeiros anos do s&#233;culo XX participa em in&#250;meras exposi&#231;&#245;es colectivas e, deste modo, cresce um &#8220;caule&#8221; sustent&#225;culo de uma &#8220;flor&#8221; que simboliza o per&#237;odo iniciado com uma exposi&#231;&#227;o individual e uma viagem ao Brasil, onde pai e filha s&#227;o convidados a expor. Dessa experi&#234;ncia brasileira, nos d&#227;o conta os outros colaboradores neste cat&#225;logo: Arthur Valle e Carlos Lima J&#250;nior referem o acolhimento que tiveram, quer na sociedade quer na imprensa, as mostras das obras de Helena Roque Gameiro e do pai (Alfredo Roque Gameiro) no Real Gabinete Portugu&#234;s de Leitura do Rio de Janeiro, no primeiro caso, e na paulistana C&#226;mara Portuguesa de Com&#233;rcio, no segundo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este per&#237;odo prof&#237;cuo mant&#233;m-se at&#233; meados da d&#233;cada de 30, quando algumas &#8220;p&#233;talas caem&#8221;. A morte sucessiva do pai, do irm&#227;o Rui e da cunhada Maria Helena contribui para um longo per&#237;odo em que Helena n&#227;o exp&#245;e. Mas, em compensa&#231;&#227;o, vemo-la a colaborar no cinema, acompanhando o marido, o realizador Leit&#227;o de Barros. E a viajar. Ap&#243;s o regresso, exp&#245;e individualmente no ent&#227;o Secretariado Nacional de Informa&#231;&#227;o, em 1946, e com o &#8220;pec&#250;lio gerado por esta exposi&#231;&#227;o&#8221; (p. 20) compra um terreno. Nele, constr&#243;i uma casa &#8211; a <i>Toca</i> &#8211;, onde o marido, sempre rodeado de flores, recebe os amigos dilectos e onde morre em 1967.</p>     <p>No in&#237;cio dos anos 70, retorna ao <i>atelier</i>-escola na Rua D. Pedro V. Este retorno &#233; tamb&#233;m recolhimento; &#233; a &#8220;flor fechando&#8221;, o &#250;ltimo cap&#237;tulo deste simb&#243;lico percurso dado a conhecer por Sandra Leandro, onde captamos na obra de Helena Roque Gameiro desta fase &#8220;uma tristeza e uma melancolia funda&#8221; (p. 23), como se a Natureza acompanhasse o finar de uma vida. </p>     <p>Rematam o cat&#225;logo, os testemunhos de Ana Mantero e de Joana Leit&#227;o de Barros, simbolicamente com um grande ramo de flores para a av&#243;. Ambas procuram retratar o lado familiar deste percurso, o ambiente de convivialidade art&#237;stica na <i>Fam&#237;lia Oficina</i> da Venteira, como se referia na imprensa da &#233;poca, onde se sonhava com a constru&#231;&#227;o de uma Cidade-Jardim: a Amadora. Recordam ainda Colares e a <i>Toca</i>, aquele ref&#250;gio junto da Natureza, com uma c&#250;pula amarela como a do Pal&#225;cio da Pena, ou umas altas chamin&#233;s como as do Pal&#225;cio da Vila de Sintra, e as flores, sempre as flores, vindas das hortas da ribeira das Ma&#231;&#227;s. Fascinada pelos av&#243;s, Joana Leit&#227;o de Barros conta como o av&#244; reclamava o direito ao trabalho da mulher portuguesa, ent&#227;o ainda atrasada nos comportamentos, em compara&#231;&#227;o com outras mulheres europeias.</p>     <p>A influ&#234;ncia do pai e a interven&#231;&#227;o nos trabalhos do marido podem conduzir-nos a uma quest&#227;o interessante: &#8220;saber o quanto est&#225; de Alfredo na obra de Helena e o que de Helena est&#225; nas op&#231;&#245;es e produ&#231;&#245;es de Jos&#233; (Leit&#227;o de Barros)&#8221; (p. 37).</p>     <p>Mas n&#227;o s&#227;o somente as flores o tema preferido do trabalho de Helena Roque Gameiro. H&#225; o retrato tamb&#233;m. Nele, a representa&#231;&#227;o figurativa &#233; sempre a feminina; contudo, n&#227;o devemos daqui inferir mais nada a n&#227;o ser que unicamente as mulheres, por raz&#245;es diversas, s&#227;o os modelos mais f&#225;ceis para as pintoras daqueles tempos (p. 40). </p>      ]]></body>
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