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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>HOMENAGEM</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Sobre Song Qingling (1893-1981)</b></font></p>     <p><b>Tânia Ganito</b>*</p>     <p>*Universidade de Lisboa, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, <a href="mailto:tganito@iscsp.ulisboa.pt">tganito@iscsp.ulisboa.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Song Qingling, também conhecida como Soong Ching-ling, figura entre as mulheres mais importantes da China Moderna. Nasceu a 27 de Janeiro de 1893, em Xangai, numa influente família metodista de origem <i>hakka</i> que viria a desempenhar um papel determinante no delinear da vida política chinesa das primeiras décadas do século XX, em particular no que respeita à queda da última expressão do regime imperial &#8211; a dinastia Qing (1644-1911) &#8211; e à implantação da República, em 1911.</p>     <p>Tal como acontecera com o seu pai, Song Qingling e os seus irmãos receberam uma educação de pendor simultaneamente chinês e ocidental, o que, no seu caso, contribuiu para o desenvolvimento de um pensamento de cariz marcadamente nacionalista e progressista. O seu carácter apaixonado por grandes causas cedo se revela quando, ainda estudante em Wesleyan (Geórgia, EUA) &#8211; uma das primeiras instituições de ensino a conceder graus a mulheres &#8211;, escreve e publica vários artigos dedicados ao tema da Revolução Chinesa. O sentido de devoção para com o seu país e para com a República adquire ainda maior vigor quando, após regressar à China, se torna secretária de Sun Zhongshan (Sun Yat-sen), figura central do movimento revolucionário. </p>     <p>A irreverência e a determinação que a caracterizam manifestar-se-iam igualmente numa dimensão mais pessoal da sua vida. Em 1915, ao decidir casar-se com Sun Zhongshan &#8211; um homem cerca de três décadas mais velho que tinha sido casado anteriormente &#8211;, Song Qingling quebra a prática cultural dominante do casamento arranjado, ao mesmo tempo que desafia os valores cristãos que imperam no seio da sua própria família. Todavia, o estatuto de &#8216;segunda mulher' em nada subalternizou a sua condição, como o comprova o facto de ter desempenhado de modo singular o papel de primeira-dama durante os dez anos de vida em comum com o líder revolucionário chinês. Após a morte de Sun Zhongshan, em 1925, Song Qingling não se afasta da vida pública, podendo mesmo afirmar-se que a partir deste momento passa a desempenhar um papel verdadeiramente activo e de forte visibilidade nos domínios social e político. </p>     <p>Um dos seus principais contributos envolveu a defesa dos direitos das mulheres. Ainda que o caminho da &#8216;libertação' da mulher da rígida tradição confucionista tenha começado a desenhar-se no final do século XIX pela mão de figuras masculinas reformistas como Kang Youwei e Liang Qichao e, no início do século XX, por mulheres que encontraram na educação um instrumento poderoso de mudança da condição feminina na China &#8211; de entre as quais se destacam Lü Bicheng e Qiu Jin &#8211;, Song Qingling irá materializar a ideia de igualdade no plano político, ao ser eleita, em 1926, para integrar o Comité Executivo Central do Partido Nacionalista. Por acreditar que a transformação profunda da sociedade só acontece mediante o empoderamento feminino, Song Qingling participa, igualmente, em inúmeras campanhas pela defesa e consagração dos direitos sociais, económicos e políticos das mulheres.</p>     <p>É também de assinalar o seu envolvimento em acções de cariz humanitário e de protecção e promoção dos direitos humanos. Por um lado, durante a Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), Song Qingling fundou em Hong Kong a Liga para a Defesa da China (1938), uma instituição dedicada à angariação, junto da comunidade internacional, de medicamentos e de outros recursos utilizados no tratamento das vítimas chinesas do conflito. A partir do final da II Guerra Mundial e até 1949, ano da fundação da República Popular da China, esta instituição, renomeada Instituto do Bem-Estar da China, procurou reunir fundos e dar resposta a questões que envolviam, acima de tudo, a protecção de crianças. Por outro lado, foi igualmente durante a década de 1930 que Song Qingling assumiu publicamente a defesa dos direitos humanos, que considerava serem pertença inalienável do indivíduo e algo que transcende as fronteiras da filiação política. Assim, em virtude das medidas fortemente repressivas levadas a cabo pelo Partido Nacionalista, e que resultaram na perseguição, prisão, tortura e execução de críticos e opositores do regime, Song Qingling reúne diversos elementos da elite intelectual que defendem posições políticas divergentes mas revelam preocupações semelhantes &#8211; entre os quais encontramos nomes como Cai Yuanpei, Yan Quan, Lin Yutang, Lu Xun, Mao Dun e Hu Shi &#8211;, e com o seu apoio cria a Liga Chinesa para a Protecção dos Direitos Civis com o propósito de assegurar a existência de apoio jurídico a prisioneiros políticos, lutar pela sua libertação, investigar as condições de encarceramento a que estavam sujeitos, divulgar casos de supressão de direitos civis e defender o direito à liberdade de reunião, associação e expressão.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O apelo nacionalista, o seu forte sentido de responsabilidade social, bem como o seu carisma e capacidade de comunicação e diálogo permitiram que, após a fundação da República Popular da China, em 1949, mantivesse o estatuto singular de &#8220;Mãe fundadora&#8221; ou &#8220;Fundadora da nação&#8221;. É convidada nesse mesmo ano pelo Partido Comunista Chinês a ocupar o cargo de Vice-Presidente do Congresso Nacional do Povo e, embora não sendo um membro efectivo do partido, inicia um período de intensa actividade diplomática, que concilia com o trabalho atento de cariz social junto de mulheres e crianças. A apologia que faz do novo regime fora das fronteiras nacionais é inclusivamente acentuada por meio da criação, em 1952, da <i>China Reconstructs</i> (mais tarde renomeada <i>China Today</i>), uma publicação mensal originalmente bilingue dedicada a promover uma imagem positiva da China no exterior através da selecção cuidada de certos aspectos da cultura chinesa, bem como da sua geografia, economia e realidade social. </p>     <p>É precisamente este sentido de lealdade &#8211; que seria questionado em territórios como Hong Kong e Taiwan &#8211; que a protegerá nas décadas seguintes, nomeadamente durante o período sombrio e violento da Revolução Cultural (1966-1976), quando é vítima de perseguição política devido ao seu enquadramento familiar e à sua ligação prévia ao Partido Nacionalista. O feroz criticismo dos Guardas Vermelhos é, no entanto, contido pelo então Primeiro-Ministro Zhou Enlai, que inclui o seu nome numa lista de líderes do partido a defender, usando como argumento central o seu precioso contributo para a revolução chinesa. </p>     <p>Contudo, o reconhecimento político oficial por décadas de dedicação à causa nacional surgiria apenas em 1981, o último ano da sua vida. A escassas semanas da sua morte, Song Qingling, uma das mulheres a inscrever traços indeléveis na história do século XX chinês, veria, assim, ser-lhe atribuído o título de Presidente Honorária da República Popular da China. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Chang, J. &amp; Halliday, J. (1986). <i>Madame Sun Yat-Sen: Soong Ching-Ling</i>. New York: Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1839858&pid=S0874-6885201700020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chen, X. (2017). <i>Staging chinese revolution: Theater, film, and the afterlives of propaganda</i>. New York: Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1839860&pid=S0874-6885201700020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Epstein, I. (1994), <i>Woman in world history: Soong Ching Ling (Mme. Sun Yatsen)</i>. Beijing: New World Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1839862&pid=S0874-6885201700020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lee, L. X. H. &amp; Stefanowska, A. D. (Eds.). (2003). <i>Biographical dictionary of chinese women: The twentieth century (1912-2000)</i>. New York &amp; London: M.E. Sharpe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1839864&pid=S0874-6885201700020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Peterson, B. B. (Ed.). (2000). <i>Notable women of China: Shang dynasty to the early twentieth century</i>. Abingdon &amp; New York: Routledge. </p>     <!-- ref --><p>Svensson, M. (2002). <i>Debating human rights in China: A conceptual and political history</i>. Oxford &amp; New York: Rowman &amp; Littlefield Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1839867&pid=S0874-6885201700020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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