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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Käthe Kollwitz german 20th century famous fine art creator is at the centre of this article; her commitment while developing her creativity in favour of a true humanity and of a german modern art can also be better understood by means of this article which underlines her condition as a creator of increasing international renown too.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Käthe Kollwitz (1867-1945)</b></font></p>     <p><b>DR. Alexandra Von Dem Knesebeck* <a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a></b></p>     <p>* Historiadora de Arte, Comissária dos Museus de Aschaffenburg, 53173 Bonn-Bad    Godesberg, Deutschland, <a href="mailto:wolter.knesebeck@t-online.de">wolter.knesebeck@t-online.de</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b><a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a></p>     <p>Käthe Kollwitz, artista plástica alemã do século XX, está no centro deste artigo;    também o seu compromisso ao desenvolver a sua criatividade em defesa da humanidade    e de uma arte moderna alemã podem ser compreendidos através deste artigo que    sublinha a sua condição de criador de crescente renome internacional.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Käthe Kollwitz, a mulher, resistente, artista, obras-primas,    história da Alemanha, século XX.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Käthe Kollwitz german 20th century famous fine art creator is at the centre    of this article; her commitment while developing her creativity in favour of    a true humanity and of a german modern art can <i>also be better understood    by means of this article which underlines her condition as a creator of increasing    international renown too.</i></p>     <p><b>Keywords: </b>Käthe Kollwitz, woman, artist, political-activist,    fine arts, masterpieces, german history, XXth century.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A gravadora e escultora Käthe Kollwitz é conjuntamente com Paula Modersohn    Becker a artista plástica alemã mais conhecida do século XX. Nasceu em Königsberg    em 1867. O seu desenvolvimento pessoal foi decisivamente marcado pela casa dos    pais, a qual se contava entre as da burguesia liberal. Julius Rupp,o seu avô    materno havia fundado a primeira «Comunidade Evangélica Livre» de Königsberg.    Assente na «fé na humanidade», característica do Iluminismo, baseava-se entre    outros na obra de Gotthold Ephraim Lessing <i>Die Erziehung des Menschengeschlechts    </i>«A Educação do Género Humano», segundo a qual se haveria de concretizar    num futuro próximo «o reino dos céus na Terra», no seio de um género humano    único e sem classes. O pai de Käthe Kollwitz, empresário de construção civil    que veio a substituir o avô no presbitério, havia tomado parte na revolução    de 1848, vindo a educar os filhos nesta tradição ao ler-lhes poemas revolucionários    de poetas do <i>Vormärz </i>como <i>Die Toten an die Lebenden</i> «Dos Mortos    para os Vivos» de Freiligrath. Certas analogias entre as expectativas da «Comunidade    Livre» e os ideais social-democratas levaram-no em 1887, ainda sob a lei contra    os socialistas, e em conjunto com seu filho Conrad Schmidt, o irmão mais velho    da artista, a ingressar no Partido Social-Democrata da Alemanha. Para Käthe    Kollwitz, o pai foi assim, no sentido mais literal, «quem a introduziu ao socialismo»    (Kollwitz,1948, p.143)<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>.</p>     <p>Käthe Kollwitz ficou a dever ao pai a sua formação como artista: «Lamentavelmente    era uma rapariga, mas mesmo assim ele quis fazer tudo o que estava ao seu alcance.    Partia do princípio que, não sendo eu uma rapariga bonita, os assuntos do coração    não se tornariam um grande entrave» (Bohnke-Kollwitz,1989, p.725).<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>    Por detrás desta formulação, esconde-se a opinião então geralmente aceite de    que, para uma mulher, emprego e família eram coisas inconciliáveis. Como escopo    da formação de sua filha, Carl Schmidt tinha em mente a « grande história, segundo    Lessing». Subentendido está o pintor de cenas históricas oriundo de Düsseldorf:    Carl Friedrich Lessing, cujo prestígio no seio de círculos liberais lhe advinha    de ser o pintor, por excelência, do Protestantismo devido às suas obras sobre    a Reforma. Carl Friedrich Lessing terá sido especialmente estimado em casa dos    pais de K.Kollwitz, pois as Comunidades Livres tinham-se na conta de defensoras    da Reforma. A predilecção por este pintor revela de resto que Carl Schmidt colocava    a arte ao serviço da finalidade religiosa e da mundividência da comunidade livre.    Como objectivo de formação para uma mulher, a pintura histórica era claramente    invulgar, por em finais do século XIX ainda continuar a ser considerada o mais    exigente género de pintura e domínio exclusivo dos homens.</p>     <p>Logo aos treze anos, Käthe Kollwitz teve aulas particulares de desenho com    um gravador da Academia de Königsberg, que dirigia as classes de desenho livre    e de desenho de modelos de gesso. Embora este gravador não se contasse de modo    algum entre as «melhores forças de Königsberg» (Bohnke-Kollwitz,1989, p.736),    como mais tarde a artista haveria de referir, a escolha de um mestre das primeiras    classes de desenho da Academia mostra bem em que medida Carl Schmidt se tinha    esforçado por possibilitar uma formação adequada à filha, para quem, por ser    mulher, quase todas as portas das Academias ainda estavam fechadas. Quando em    1886 enviou por um ano Käthe Kollwitz para a Escola de Mulheres Artistas de    Berlim, uma das únicas três grandes instituições de ensino na Alemanha para    promissoras mulheres artistas, Käthe Kollwitz apresentou ao seu professor local:    Karl Stauffer-Bern um desenho, ilustrando o poema de Freiligrath <i>Die Auswanderer</i>    «Os Emigrantes», mostrando pela primeira vez tipos de trabalhador. É de excluir    uma intenção sócio-crítica do desenho, uma vez que o poema, muito anterior aos    poemas revolucionários de Freiligrath,e por enquanto ainda completamente vinculado    ao Romantismo, refere-se a camponeses emigrantes num porto. Inicialmente Käthe    Kollwitz escolheu motivos oriundos da vida dos trabalhadores, por os achar simplesmente    belos. O pitoresco porto de Königsberg com a sua colorida agitação atraía especialmente    a jovem Käthe Kollwitz: «para mim, era particularmente belo o estivador de Königsberg,    belos eram os <i>Jimkies </i>polacos nas suas <i>Witinnen [canoas-com-vela]</i>,    bela a nobreza dos movimentos do povo» (Bohnke-Kollwitz, 1989, p. 741).</p>     <p>Em 1887, Käthe Kollwitz recebeu novamente lições particulares em Königsberg.    Desta vez dadas pelo pintor Emil Neide, enquanto mestre da academia de Königsberg    para as classes de Gesso e Nu. Para além de as aulas particulares na terra natal    não serem tão dispendiosas, aos olhos do pai Neide teria possivelmente a vantagem,    face aos mestres da escola de senhoras de Berlim, de ser um conceituado pintor    de motivos históricos da Prússia Oriental. Este aspecto caiu completamente no    esquecimento, uma vez que hoje em dia de Neide ainda e só se tem ideia a partir    das memórias de Käthe Kollwitz. Na suas memórias, ela situava-o erradamente    como mero pintor de cenas e costumes do quotidiano, o que mostra quanto as suas    concepções acerca da arte já nessa ocasião se afastavam das de seu pai. Käthe    Kollwitz sentia o tempo passado sob a orientação de Neide como sem sentido e    agradeceu aos pais quando estes em 1888 a enviaram por dois anos para a Escola    de Mulheres Artistas de Munique. À época, esta cidade detinha, na Alemanha,    justamente a liderança no campo da pintura de cenas históricas. Também o seu    professor nessa escola bávara de mulheres artistas, Ludwig Heterich, havia-se    destacado até esse momento apenas como pintor histórico. </p>     <p>Durante o período de estudos de Käthe Kollwitz em Munique, a pintura naturalista    ao ar livre prevalecia, destacando-se Fritz von Uhde e Max Liebermann por reproduzirem    a vida do dia a dia do povo simples. Uhde, o célebre pintor de crianças alemão,    apresentou em Munique,1889, o seu muito afamado quadro de crianças, o qual foi    igualmente também o seu primeiro quadro de temática religiosa : «Deixai vir    a mim as criancinhas». Käthe Kollwitz apreciava-o de tal modo que das gravuras    que fez, a primeira que guardou foi um estudo, uma água-forte, que reproduz    vários dos seus motivos<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>. O    sucesso do quadro não reside exclusivamente no facto de nele se ter transposto    o encontro de Jesus com as crianças para o meio camponês coevo, mas sobremodo    na profundidade e interioridade, com a qual Uhde retratava as crianças. O modo    intensivo como a criança é tratada na obra de Käthe Kollwitz tem aqui uma das    suas raízes<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a> .Quando, pela    primeira vez após os seus estudos em Munique, a artista decidiu em consciência    reproduzir a vida dos trabalhadores em situações características e isentas de    qualquer crítica social, Max Liebermann tornou-se para si própria como para    muitos jovens e modernos artistas um exemplo importantíssimo. Verifica-se tal    em dois pequenos esboços a óleo - sem data exacta - sobre o tema <i>Biergarten</i>    «Jardim da Cerveja» (ilustração 1) entre outros bem como o confronto entre a    obra a pastel «<i>Selbstbildnis en face mit rechter Hand</i>» <a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>    «Auto-retrato <i>en face</i> com mão direita» com obras a pastel de Liebermann    dos inícios dos anos 90. Este auto-retrato é um dos cerca de 120 da artista.    Importância igualmente grande, tinham os auto-retratos também para alguns dos    contemporâneos de Käthe Kollwitz como Lovis Corinth, Edvard Munch, Max Beckmann    ou Otto Dix (Hülsewig-Johnen, 1999).</p>     <p>Em 1891, a artista casou com o médico Dr. K.Kollwitz e foi viver para Berlim    no <i>Prenzlauer Berg</i> na actual R.Kollwitz <a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>.    Aí não podia pensar em pintar: </p>     <p>Comecei a fazer águas-fortes e para isso realizei uma quantidade de desenhos    preparatórios à pena. De todo o modo agora desenho incomparavelmente mais do    que pinto, pela razão prática, segundo a qual em Berlim durante os primeiros    anos de casamento mal terei dinheiro para alugar um atelier. E pintar a óleo    (…) em salas apertadas, é uma ideia triste (Kollwitz, 1966, p. 20). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nessa época, tematicamente falando, a artista debateu-se, intensivamente, com    a literatura do naturalismo e com a problemática da mulher, aí discutida. A    água-forte <i>Frau an der Kirchenmauer</i> «Mulher junto à parede da Igreja»    de 1893 pertence ao conjunto de trabalhos, dedicados à questão do género (Knesebeck,    2002, p.17). A partir de um esboço representando mulher ajoelhada perante uma    imagem de Maria, percebe-se a alusão a Gretchen grávida extraída do <i>Fausto</i>    de Goethe, que na cena da Muralha se dirige à Mãe de Deus (Nagel-Timm,1980,    p. 90) suplicando ajuda. Käte Kollwitz despertou para a problemática do género    também através da obra do pintor, gravador e escultor Max Klinger. Em ambos    os seus ciclos de águas-fortes criados nos anos oitenta <i>Ein Leben </i> «Uma    Vida» e <i>Eine Liebe </i>«Um Amor», que causaram profunda impressão na artista,    M.Klinger trata o destino de mulheres solteiras, vítimas da moral hipócrita.    Em 1891, foi publicado o tratado de Klinger <i>Malerei und Zeichnung </i>«Pintura    e Desenho». Neste, a artista encontrou uma fundamentação totalmente genérica    para se confrontar com o lado negativo da vida como seja o conflito entre sexos    e assim dar expressão ao seu ponto de vista completamente pessoal e subjectivo;    todavia o mesmo não acontecendo para os seus trabalhos tardios de crítica social,    uma vez que Klinger colhia a influência da perspectiva existencial pessimista    de Schopenhauer, entendendo por crítica, a que o gravador deve praticar, e não    uma crítica social (Knesebeck, 2007, pp.54-73). </p>     <p>Responsável pela orientação do seu trabalho para a crítica social, na origem    do seu primeiro ciclo <i>Ein Weberaufstand</i> «Uma Revolta dos Tecelões» foi    o contacto estreito com a miséria da grande metrópole através do consultório    de seu marido no Norte de Berlim. Apesar do nascimento de ambos os seus filhos    Hans e Peter, 1892 e 1896, a série «Os Tecelões» surgiu associada à estreia    do drama de Gerhart Hauptmann «Os Tecelões» entre 1893 e 1897 (Knesebeck, 2002)    (ilustração 2). O sucesso desta encenação foi extraordinário. Processos vários    relacionados com a autorização para levar à cena «Os Tecelões» tornaram rapidamente    este drama uma das mais conhecidas e mais discutidas peças de teatro naturalista    da Alemanha. Em Kollwitz a realização cabal do ciclo não se prendeu no entanto    com a ilustração do drama, nem com a representação do facto histórico ocorrido    em 1844: revolta dos tecelões que deu origem ao drama. Aquele apresenta antes    uma rebelião fictícia dos tecelões do presente, associando-se a representações    coevas de greves nas artes plásticas e na literatura de referir em primeiro    lugar o romance <i>Germinal</i> de Zola (Knesebeck, 1989). Em 1891/92, a fome    atroz no seio dos tecelões da Silésia levou a uma campanha gigantesca por todo    o império, tornando, no início dos anos noventa, esta temática actual. O ciclo    «Tecelões» de Käthe Kollwitz era tão subversivo para as autoridades como o drama    de Hauptmann. Por isso aquando da Grande Exposição de Arte em Berlim, 1898,    o Imperador Wilhelm II recusou conceder-lhe uma medalha, justificando-se: «Seria    o mesmo que desprestigiar cada alta condecoração; Ordens e Condecorações honoríficas    pertencem ao peito de homens de mérito» (Knesebeck, 1998, p.9).</p>     <p>Wilhelm II não conseguiu impedir o imediato sucesso artístico conseguido por    Käthe Kollwitz com o seu ciclo «Os Tecelões» este haveria de permanecer a sua    obra mais conhecida (Bohnke-Kollwitz, 1989). Nesse mesmo ano, Max Lehrs, director    do Gabinete de Gravação de Dresden, começou a coleccionar sistematicamente a    obra de Käthe Kollwitz, tornando-se um dos seus maiores promotores (Kohlmann-Hodick,    n.d.)<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a>. Em breve muitos museus    começaram a adquirir obras de Kollwitz; a par do Gabinete de Gravadores de Berlim    entre outros, também o Albertina de Viena e o Museu Britânico de Londres <a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a>.    Max Lieberman, a quem Käthe Kollwitz ficou a dever a proposta para uma medalha    junto do júri, fundou ainda no mesmo ano, uma organização alternativa à «Grande    Exposição de Arte de Berlim»: a «Secessão de Berlim», constituindo assim uma    instituição em prol dos Modernos, a qual preparou o caminho ao Impressionismo    alemão, mas também a artistas como Hans Baluschek, Hans Skarbina, Käthe Kollwitz    e Heinrich Zille. Desde a primeira exposição em 1899, Käthe Kollwitz esteve    sempre presente e desde 1901 como membro de direito, uma vez que a «Secessão    de Berlim» foi a primeira associação de artistas de Berlim a acolher mulheres.    Ser membro desta associação abriu-lhe inúmeras possibilidades de expor quer    nacional quer internacionalmente como em Paris, Bruxelas, Londres, Viena e Veneza,    agilizando-lhe contactos com membros equivalentes como Theophile Alexandre Steinlen    e Auguste Rodin, com quem se encontrou em Paris. A maior parte dos trabalhos    a cores da artista, em particular as litografias de 1904 auto-representando-se,    aconteceram entre os anos de 1901 e 1904 os da sua estadia em Paris (ilustração    3).Como seu modelo surgia o norueguês Edvard Munch, que à época experimentava,    como nenhum outro, a litografia, mas também artistas franceses como Eugène Carrière    (Knesebeck, 2003). Decisiva para a continuação da evolução da artista, foi sobretudo    a sua estadia de dois meses em Paris, 1904, motivo de mais obras em pastel retratando    praças e locais de diversão nocturna em Montmartre: «Paris encantou-me. A parte    da manhã, passava-a na velha Escola Julian: classe de escultura, para me familiarizar    com os fundamentos da escultura. À tarde e à noite ficava nos museus da cidade,    que me encantavam, nas caves, pelas praças ou por locais de diversão nocturna    em Montmartre (…) Estive duas vezes no atelier de Rodin (…) No centro das suas    estátuas de grande dimensão destacava-se o imponente» Balzac (Bohnke-Kollwitz    1941, p.742). As emoções , paixões, conflitos de que são expressão as esculturas    de Rodin, impressionaram profundamente Käthe Kollwitz, como faz prova este obituário:    «Para mim, nessa época, em toda a escultura contemporânea, só existia unicamente    Rodin. (…) Onde residia o poder das suas criações, que se nos impunham, nos    convenciam, arrebatavam apaixonadamente)? (…) Na sua capacidade de encontrar    para cada conteúdo espiritual a forma plástica convincente, especificamente    apropriada a esse conteúdo. (…) quer fosse então do seu par amoroso de grandes    dimensões com as mãos maravilhosamente plenas de alma (…) quer dos burgueses    de Calais ou da sua mulher acocorada, da sua obra passava sempre em torrente    uma forte emoção directamente para mim» <a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a>.    O par amoroso de Rodin, 1898, o «Beijo», inspirou Käthe Kollwitz possivelmente    depois de ela própria ousar em 1909/10 a sua primeira experiência de maiores    dimensões ainda existente: <i>Liebespaar «</i>Par Amoroso» (Seeler, 2016)<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a>    (ilustração 4). Se as figuras de Rodin são dominadas por um movimento fluído,    de que o espectador só se consegue aperceber se as rodear completamente, o trabalho    de K.Kollwitz concluído em 1915 assenta pelo contrário como bloco, como estatuária,    para de modo algum ser apreciado de todos os ângulos. Também as suas esculturas    mais tardias apresentam esta particularidade, o que denuncia o confronto com    Barlach (Fischer, 2010)<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a>.</p>     <p>Em 1907, Käthe Kollwitz foi o primeiro gravador a receber o Prémio Villa Romana    instituído por Max Klinger, que vem, até aos dias de hoje, oferecendo a artistas    estadia anual em Florença. Käthe Kollwitz permanece apenas alguns meses em Florença,    viajando posteriormente a pé com uma amiga até Roma. Em Florença, de onde lhe    custa menos regressar do que de Paris, foram na sua maioria as Igrejas e as    esculturas dos princípios da Renascença que mais a impressionaram: «Coisas maravilhosas    nos frescos (…) Depois o Bargello , onde estão todos os Donatellos, deslumbrantes    os efebos e os homens jovens, David é lindo. Até agora o mais marcante para    mim foi Masaccio, num Fresco de Stª Maria del Carmine, no qual um efebo nu ajoelha    no seio de um grupo de homens austeros e depois numa Maria, que tem o Menino    ao colo por sua vez sentada ao colo de Stª Ana»(Kollwitz, 1948) <a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a>.    Este tema haveria mais tarde de ser o ponto de partida para a última escultura    de artista, do ano de 1943.</p>     <p> Depois de Käthe Kollwitz logo em 1899 se virar para a temática do seu segundo    ciclo patente na folha isolada <i>Aufruhr</i> «Tumulto», começou os trabalhos    da sua segunda série <i>Bauernkrieg</i> «Guerra dos Camponeses». Sofreu forte    estímulo com a leitura da obra de W.Zimmermann <i>Allgemeine Geschichte des    Grossen Bauernkrieges</i> «História Geral da Grande Guerra dos Camponeses» cuja    primeira edição aconteceu em 1841/3. Zimmermann pertencia, como o pai de K.Kollwitz,    aos círculos liberais do <i>Vormärz </i>e na sua obra tomava partido pelas reivindicações    dos camponeses de 1524/25, que em parte em nada tinham perdido a sua actualidade.    «Nessa época lia a Guerra dos Camponeses de Zimmermann, obra na qual se relatava    sobre uma camponesa: &ldquo;Ana, a Negra” que acirrava os camponeses. Criei então    a enorme folha com a multidão dos inflamados <i> Losbruch</i> «Arremesso» (ilustração    5). A partir desta, recebi a encomenda para o ciclo.» Käthe Kollwitz refere-se    a «Hofmännin, a negra», uma das poucas figuras femininas historicamente documentadas    da guerra dos camponeses, que abençoou e acirrou os camponeses a assaltarem    Weinsberg. Parece afinal que inicialmente quis dedicar todo o seu ciclo a esta    figura feminina da guerra dos camponeses presente todavia nos romances de 1900,    cuja existência não era de resto historicamente comprovada (Knesebeck, 1999).    Esta figura fascinava especialmente Käthe Kollwitz por também ela própria, tal    como «Hofmännin, a Negra», provocar sensações exactamente semelhantes. </p>     <p>Em 1920, o seu filho Hans Kollwitz relatou a propósito no seu diário: </p>     <p>Agora já não lhe [ à sua mãe - anotação da autora] seria possível sentir o    ódio revolucionário, o querer vingar-se, olho por olho, dente por dente; já    não tomava como essencial o ódio dos deserdados contra os possidentes mesmo    que ainda o sentisse. O sentimento tornara-se cósmico. Quando criou <i>Losbruch    </i>na Guerra dos Camponeses, estaria consciente do facto de já não poder proporcionar    algo de revolucionariamente mais vigoroso e do facto de agora tal estar para    si concluído (Kollwitz, 1966, p. 135). </p>     <p>Em 1904, Käthe Kollwitz recebeu a encomenda da conservadora «Sociedade para    a Arte Histórica», para realizar o seu ciclo de Guerra dos Camponeses para ser    oferecido aos seus membros. Entre 1905-08, e associada a <i>Losbruch</i>, uma    série acabou por dar origem à «Guerra dos Camponeses» cuja estrutura se assemelhava    fortemente ao ciclo dos tecelões, concedendo embora uma clara e maior importância    às mulheres e às crianças, o que denota quão pouco Käthe Kollwitz estava interessada    na representação de factos históricos. Relativamente à inclusão de crianças    nas ocorrências da guerra, coloca-se a questão: em que medida Käthe Kollwitz    tanto nesta série como já na do seu ciclo de os tecelões, não estaria a pensar    em representar as greves ocorridas na sua época. Pelo menos, na época da Viragem-do-Século,    o SPD tomava a época da Guerra dos Camponeses como comparável à sua época. No    seu conjunto, as folhas do segundo ciclo têm um efeito mais monumental que as    da primeira série. A aglomeração e concentração com a respectiva carga simbólica    dos grupos de figuras em formas estruturantes simples deve remeter-se para o    facto de a artista se ter intensamente confrontado ao longo do seu ciclo «Guerra    dos Camponeses» com caricaturas da época. A primeira folha mostra logo uma imagem    de opressão e injustiça bastante comum nas caricaturas: dois camponeses, seguramente    pai e filho, que à falta de animais de tiro tiveram de se engatar ao arado.    Também o invulgar motivo, em particular na arte, da folha seguinte <i>Gewaltigt</i>    «Violada»<i> </i>surge nas caricaturas contemporâneas francesas. Com o ciclo    da Guerra dos Camponeses, que, devido à sua divulgação enquanto oferta da «Sociedade    para a Arte Histórica» aos seus membros, fez aumentar enormemente o grau de    notoriedade de Käthe Kollwitz, o ciclo temático revolucionário da artista atingiu    o seu auge e epílogo (Fischer, 2017). </p>     <p>Se se pensar, o quanto Käthe Kollwitz deve o seu ciclo Guerra dos Camponeses    às caricaturas, já não nos surpreenderemos tanto com o facto de ter começado    a trabalhar directamente em consociação com o «Simplicissimus». O «<i>Simplicissimus</i>»    foi publicado entre 1896 e 1944 em Munique sendo em inícios do século XX o hebdomadário    satírico mais conhecido da Alemanha. O seu grande modelo eram o «<i>Charivari</i>»    das excelentes caricaturas de Honoré Daumier e o britânico «<i>Punch</i>». O    «<i>Simplicissimus</i>», liberal de esquerda, devia o seu grande sucesso quer    ao seu estilo brilhantemente polémico de tratar a actualidade política, quer    igualmente à qualidade artística das contribuições literárias e das ilustrações.    Ao lado de caricaturistas de valor como Thomas Theodor Heine e Olaf Gulbransson    também artistas como Théophile Alexandre Steinlen, Max Slevogt, Ernst Barlach    e Heinrich Zille contribuíam esporadicamente para a revista. Para um artista,    tal colaboração era tida como altamente prestigiante e vista como um marco na    carreira do autor de cada gravura. Entre 1908 e 1911, a revista publicou catorze    desenhos de K.Kollwitz. Através deles a artista, dirige-se directamente aos    problemas actuais do proletariado, fazendo da gravura cada vez mais um instrumento    de empenhamento social e político. Nos seus trabalhos para o <i>Simplicissimus</i>,    era nomeadamente de particular interesse a questão das mães proletárias (Knesebeck,    2007, pp.17ss.). A atenção de Käthe Kollwitz foi possivelmente dirigida para    este grupo de mulheres devido, entre outros, à exposição <i>Deutsche Heimarbeit</i>    «Trabalho-em-Casa na Alemanha», 1906, para a qual realizou o seu célebre cartaz    (ilustração 6) (Knesebeck, 2002, p. 95). Das 100 000 mulheres trabalhadoras    de Berlim entre 60 000 a 65 000 trabalhavam a partir de casa. Muitas delas eram    casadas e mães de várias filhos. Por motivos financeiros e após o nascimento    do segundo filho, a maioria delas tinha de trocar o trabalho na fábrica por    trabalho a partir de casa; este começava após os filhos estarem na cama e frequentemente    durava até altas horas da noite. Representar uma mulher adormecendo vergada    sobre o trabalho ao lado de seu filho mais novo, tal como mostra no seu desenho    <i>Heimarbeit</i> enviado para o <i>Simplicissimus (</i>Nage &amp; Timm, 1980,    p. 498), é assim algo particularmente característico desta actividade. Em 1906,    à parte a exposição de <i>Heimarbeit</i>, Käthe Kollwitz deu naquela época especial    atenção à sorte das mães proletárias devido ao movimento-de-mulheres. </p>     <p>Logo a seguir ao estalar da I Grande Guerra, o filho mais novo de Käthe Kollwitz    caiu em combate a 22 de Outubro de 1914 em Dixmuiden na Bélgica. A sua morte    significou para a vida e a arte da artista um corte profundo: &ldquo;Para mim, a partir    desse momento o Ser-Velho ficou datado. O aproximar-à-sepultura. Foi a ruptura.    O curvar até a um nível, no qual é impossível o reerguer” (Bohnke-Kollwitz,    1989, p. 334). Devido a uma má avaliação das causas da guerra Käthe Kollwitz,    apesar de sensações contraditórias, havia apoiado o filho na obtenção da autorização    paterna, a fim de poder alistar-se como voluntário. Em 1948, Hans, o filho mais    velho da artista, descreveu a atitude interior que motivara sua mãe a tal: «Quando    a I Guerra Mundial estalou, uma terrível tristeza tomou conta de si. Mas a princípio    esta tristeza foi por si superada através da atitude dos à época jovens, em    particular de meu irmão Peter e de seus amigos. Na ocasião, ainda não tínhamos    passado por nenhuma guerra, não fazíamos ideia alguma do que estava por detrás    da guerra e vivíamos segundo o entendimento de Hölderlin «Morrer pela Pátria»    e segundo a ideia do sacrifício. Ao filho que oferecesse a sua vida voluntariamente    como vítima, a mãe haveria de querer manter-se fiel através por sua vez da disponibilização    para se sacrificar até experimentar com a dor o facto de que ao longo dos anos    haveria de ver a guerra com outros olhos.” (Kollwitz, 1948, p. 12ss.). Depois    da morte de Peter, as entradas do diário de K.Kollwitz são testemunho eloquente    da sua gradual mudança interior a favor do pacifismo, que culminou em 1918 com    a sua posição pública contra à guerra. A 31 de Outubro de 1918, um pouco antes    do fim da guerra, opôs-se ao apelo publicado no <i>Vorwärts </i>«Avante» de    autoria do escritor Richard Dehmel, defendendo o envio de um derradeiro contingente    militar. A sua resposta concluiu-se com as palavras: «Nestes últimos anos, reaprendemos    profundamente (…) Já se morreu bastante ! Chega de mortes ! Insurjo-me contra    Richard Dehmel baseada em alguém muito mais importante que afirma: &ldquo;Grãos de    semente não são para moer”». Muito mais tarde, 1941, Käthe Kollwitz utilizou    esta citação de Goethe extraída da Epístola (Lehrbrief) do Livro VII do «Wilhelm    Meister Lehrjahren» para título da sua penúltima litografia (Knesebeck, 2002,    p. 274) (ilustração 7): «Pela terceira vez decido retomar o mesmo tema e relatei-o    a Hans há alguns dias atrás: aqui a síntese do meu testamento: «Grãos de semente    não são para moer» (…) esta exigência é igual a «Guerra, nunca mais» - não é    desejo de ansiedade, mas mandamento. Exigência» (Bohnke-Kollwitz, 1989, p. 704).    A transformação, pela qual K.Kollwitz passou durante a I Guerra Mundial a aderir    ao pacifismo, está patente na sua primeira série de xilogravuras realizada entre    1921/22 intitulada <i>Krieg </i> «Guerra» (Knesebeck, 2002), concluindo se com    o apelo inequívoco a todas as mães para não voltarem a entregar os seus filhos    a uma guerra (Hülsewig-Johnen, 1999) (ilustração 8). Também o cartaz <i>Die    Überlebenden. Krieg dem Krieg! «</i>Os Sobreviventes. Guerra à Guerra», 1923,(Knesebeck,2002)    - é claro na sua mensagem. Possivelmente foi este trabalho que tornou K.Kollwitz    conhecida como pacifista além fronteiras da Alemanha. O cartaz foi difundido    por quase toda a Europa e nasceu da encomenda da <i>Internationaler Gewerkschaftsbund    </i> «Liga Internacional dos Sindicatos» de Amsterdão. Originalmente a artista    pretendia tanto no cartaz como na penúltima folha do ciclo <i>Krieg</i> mostrar    uma configuração de mulheres aglomeradas num bloco negro, defendendo os seus    filhos como os animais as suas crias. Como legenda deveria figurar: «Não demos    as nossas crianças à luz para a guerra». A Liga Internacional de Sindicatos    pediu no entanto à artista que representasse no placard as consequências da    guerra a partir dos sobreviventes e assim Kollwitz desenhou <i>Eltern Witwe    und Blinde «</i>Pais Viúvas e Cegos» e &ldquo;em seu redor as crianças com os seus    olhos cheios de medo, interrogação, perplexidade e de rosto lívido” (Bonus-Jeep,    1948, p. 134) (ilustração 9). O reconhecimento de Romain Rolland aquando do    seu 60º aniversário em 1927 deixa claro em que medida Käthe Kollwitz era nos    anos 20 conhecida muito para além da Alemanha devido a obras como estas: «Ela    é a voz do silêncio dos povos imolados»<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O quão importante todos estes trabalhos dos anos 20 de propósito pacifista    eram, está revelado na conhecida e várias vezes citada entrada do seu diário    de 4 de Dezembro 1922: «Sempre que colaboro com um organismo internacional contra    a guerra, experimento um sentimento de acolhimento, de integração, de serenidade.    Na verdade, arte pura no mesmo sentido que a de Schmidt-Rottluff tal não é a    minha. Todavia arte (…) concordo com o facto de que a minha arte tem objectivos.    Quero influenciar esta época, na qual as pessoas se sentem tão perplexas e carentes    de ajuda.»(Bohnke-Kollwitz, 1989, p. 542).Para além do seu empenhamento pacifista    a partir de 1918, K.Kollwitz precisou de vários anos para chegar aqui. Com a    proclamação da República por Philipp Scheidemann a 9 de Novembro de 1918 bem    como a indigitação do presidente do SPD para chanceler provisório, a atitude    da artista foi-se modificando de um dia para o outro: durante a fase do Império,    deu de caras com a rejeição oficial não só devido ao seu ciclo de «Os Tecelões».    Em 1906, o governo ficou possivelmente chocado com o cartaz para a <i>Deutsche    Heimarbeit Ausstellung</i> -Exposição &ldquo;Deutsche Heimarbeit”.Em 1912 o intendente    da Polícia de Berlim proibiu, por motivos de incitamento ao ódio de classe,    o cartaz Für Gross-Berlin (Knesebeck, 2002, p. 122) - «Para a Grande Berlim»    atendendo a queixa oriunda da <i>Haus- und Grundbesitzervereins «</i>Associação    de Pequenos e Grandes Proprietários» que chamava a atenção para a crassa miséria    dos alojamentos e a escassez de parques de lazer. Em 1913, as autoridades universitárias    de Berlim eliminaram um cartão postal com um motivo-Kollwitz de painel-de-anúncios.    Em 1918, chega ao governo o partido, no qual o seu marido Karl Kollwitz e o    seu irmão Conrad Schmidt tinham parte activa e do qual ela própria estava próxima.    Karl Kollwitz havia fundado em 1913 a <i>Sozialdemokratische Ärtzeverein</i>    «Associação de Médicos Social-Democratas», havendo-se tornado autarca de Berlim    em 1919. Conrad Schmidt havia sido durante o império um dos maiores teóricos    do SPD. Depois da revolução, foi lhe atribuído pelo ministro da cultura da Prússia,    Konrad Haenisch, uma cátedra na Escola Técnica Superior de Berlim. Em 1919,    Käthe Kollwitz torna-se ainda o primeiro membro feminino da Academia das Artes    da Prússia sendo lhe atribuído o título de Professor, dando subitamente consigo,    devido à mudança da situação política, no papel semelhante ao de «artista de    regímen». Recebe não só mais encomendas oficiais logo no início da República    de Weimar como fica assim simplesmente sobrecarregada com imensas encomendas    com objectivos humanitários e sócio-políticos. O facto de este novo papel não    ter inicialmente sido de desempenho fácil para a artista, mostram-no reflexões    deixadas no seu diário ocorridas em 1920 e associadas ao esboço de um placard    para uma acção de ajuda para com as crianças famintas de Viena (Knesebeck,2002):    «enquanto desenhava e a angústia das crianças me fazia chorar com elas, sentia    verdadeiramente o fardo que carregava. Todavia sentia que não podia eximir-me    da tarefa: ser sua defensora. Tenho de dar voz ao tormento das pessoas, que    nunca terá fim e que agora é gigantesco. Tenho esta missão, não obstante nada    fácil de cumprir.» (Knesebeck, 2002, p. 449).Avocar-se tal direito trouxe-lhe    confrontos crescentes também em artigos de jornal. Assim em 1919, esclarecia-se    de modo patético no <i>Illustrierte Zeitung</i> «Jornal Ilustrado» de Leipzig    que K. Kollwitz havia descido para o patamar dos «deserdados, dos sem remissão,    do povo, de quem se teria tornado grande defensora» (Delpy,1919, p. 662). </p>     <p>Aquando do seu 60º aniversário em 1927, K.Kollwitz está no zénite da sua fama.    500 cartas e telegramas comprovam, que nesta altura a artista desfruta de enorme    consideração em todos os círculos da arte. No seio dos congratulantes, encontram-se    o ministro do interior do império, o ministro da cultura da Prússia, Provedor    das Artes do Império, o Presidente da Câmara Municipal de Berlim e o embaixador    da Rússia. As instâncias imperiais germânicas e o estado da Prússia ofereceram-lhe    considerável soma pelo seu trabalho para o cenotáfio «Pais em Nojo» (Seeler,    2016) ilustração 10); a partir de 1914 ficou imbuída da missão de criar um monumento    que corporizado na figura do seu filho prestasse homenagem ao martírio dos jovens    voluntários apresentando o pai à cabeça e a mãe aos pés. A mudança na concepção    do monumento corresponde à transformação interior dolorosamente consumada com    vista à rejeição daquela guerra. No monumento, somente conseguido em 1931, recusou    finalmente a heróicização dos caídos em combate e mesmo a imagem do filho; deu    forma àquilo que a realidade ainda oferecia: o luto dos pais<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a>.    Quando em 1931, a artista expôs pela primeira vez na Academia de Berlim os modelos    em gesso definitivos escreveu aliviada: «Um capítulo importante, um aspecto    com um significado extraordinário. Trabalho neles, desde há anos em completo    silêncio; ninguém, Karl e Hans mal tinham autorização para vê-los, agora franqueio    as portas de modo a serem vistos pelo maior número de pessoas possível. Um grande    passo que me causou emoção e inquietação que todavia me deu também felicidade    devido ao reconhecimento unânime dos colegas.»(Bohnke-Kollwitz, 1989, p.654).    Em 1932, ambas as figuras foram vertidas em granito belga por dois escultores    e expostas mais tarde no átrio da Nationalgalerie «Galeria Nacional» de Berlim    antes de Käthe Kollwitz superintender a sua instalação no cemitério militar    belga de Roggevelde em Dixmuiden. Depois do fecho do cemitério em 1955, sepultados    e cenotáfio foram transferidos para o cemitério militar de Vladsloo- Praedbosch.    Em 1957, Joseph Beuys e Erwin Heerich, dois discípulos maiores de Ewald Mataré,    realizaram em calcário-fóssil (<i>Muschelkalk</i>) uma réplica algo maior para    o memorial da RFA Alt St. Alban em Colónia.</p>     <p>Em 1933,a situação da artista alterou-se profundamente com a tomada do poder    pelos nacional-socialistas. Käthe Kollwitz foi conjuntamente com Heinrich Mann    obrigada a sair da Academia da Prússia. Ambos tinham, como logo em 1932, apoiado    com a sua assinatura uma campanha de cartazes após a tomada do poder pelos nacional-socialistas    em Fevereiro, exigindo a união do KPD com o SPD tendo em vista as derradeiras    eleições livres seguintes: 5 Março 1933. A artista recusou a tentativa de um    amigo seu para a sua reabilitação através de uma petição dirigida a Göhring    e Goebbels: «se o autor afirma que almas de inúmeros trabalhadores ansiavam    por mim - seguramente que tal deixará de acontecer se voltar a obter reconhecimento    honroso. Quero e tenho de permanecer junto dos castigados. O prejuízo económico    (…) é uma consequência natural disso. Acontece isso a milhares. Não há razão    para queixas» (Kollwitz, 1948, p. 150). A Karl Kollwitz, enquanto fundador da    Associação de Médicos Social-democratas, foi-lhe, por vários meses, retirada    a licença para exercer na caixa de previdência, o filho Hans, igualmente social-democrata    e médico escolar, foi temporariamente dispensado. Uma busca à casa de Hans levou    mesmo ao confisco de livros sobre a sua mãe. Depois da saída compulsiva da Academia    e da entrega do atelier que aí tinha, K.Kollwitz regressou a sua casa e dedicou-se    à sua última série de gravuras <i>Tod </i>«Morte» (Knesebeck, 2002), um tema    quase natural para um artista da gravura, o qual não se encontra de modo algum    apenas em Max Klinger. Tentou esclarecer-se o recorrente confronto com a morte    presente na obra da artista, remetendo-o frequentemente para a não resolvida    e altamente estilizada vivência infantil relacionada com a perda do irmão mais    novo ou para uma atitude básica putativamente depressiva e melancólica da artista.    Na verdade, K. Kollwitz tinha sem dúvida conhecimento de tais estados anímicos,    todavia durante as festas também era conhecida pelo seu riso e jovialidade,    exuberância mesmo. Numa festa de carnaval em 1914, beijou e deixou se beijar    à vontade como confessa para o seu diário (Bohnke-Kollwitz, 1989). Possivelmente    a abordagem da morte na literatura e arte coevas - este tema entre outros desempenhou    um papel central no simbolismo - deveria ter contribuído muito mais para a compreensão    da representação da morte em K. Kollwitz. Em 1934, a artista conseguiu ainda    expor as primeiras cinco litografias da série «Morte» que deixou prontas para    a mostra de Outono da Academia de Berlim. Em 1935, foi oficiosamente proibida    de expor. A dolorosa via da emigração interior, começou para si o mais tardar    em 1936 depois de as suas obras terem sido afastadas da exposição do jubileu    da Academia de Berlim, embora tenha encontrado ligação aos colegas artistas    mais jovens no lendário e, em sua forma, único<i> Ateliergemeinschaft klosterstrasse    «</i>Complexo de Ateliers da Klosterstrasse». Aí toda uma série de artistas,    mais ou menos <i>persona non grata</i> para as autoridades, podia alugar um    dos 40 ateliers com o assentimento do ministério da Ciência, Educação e Cultura    Popular. Käthe Kollwitz era de longe a mais velha artista do Complexo. Estava    a uma distância de duas gerações de pintores como Werner Gilles e Werner Heldt    ou de escultores como Ludwig Kasper, Hermann Blumenthal, Gerhard Marcks e Richard    Scheibe. Até 1938, Käthe Kollwitz esteve sempre regularmente representada nas    exposições anuais do Complexo. Uma vez que em 1937 foram anulados todos os planos    para a realização na Alemanha de uma exposição-jubileu comemorativa dos seus    setenta anos, só nas próprias salas do seu atelier da Klosterstrasse lhe foi    possível apresentar a um pequeno círculo de pessoas uma visão panorâmica, ainda    que com lacunas, dos quarenta anos de trabalho <a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="top17"></a>.</p>     <p>Käthe Kollwitz teve de deixar a Academia, na qual orientava também uma <i>Masterclass</i>    desde 1928, no ano de 1933 a meio do trabalho na sua escultura de grandes dimensões    <i>Mutter mit zwei Kindern </i>Mãe com dois Filhos. Não foi apenas esta escultura    que foi terminada no atelier do «Complexo da<i> Klosterstrasse»</i> mas também    verdadeiramente a maior parte das esculturas da artista, entre elas a «<i>Pietà</i>»    (Seeler, 2016) (ilustração 11), da qual se realizou uma versão em tamanho quatro    vezes superior ao original por encomenda do Chanceler Helmut Kohl para o Memorial    Central da RFA no remodelado edifício <i>Neue Wache</i> de Schinkel. Käthe Kollwitz,    que após 1933 mal podia vender as suas gravuras, explica a viragem em força,    a partir de 1937 para a escultura de pequenas dimensões, pelo facto de tais    trabalhos não terem impacto negativo sobre os seus herdeiros, não serem dispendiosas,    poderem ser realizadas em qualquer espaço e não exigirem muito das suas forças.    Em 1938, Käthe Kollwitz tomou parte nas cerimónias fúnebres de Ernst Barlach.    De memória concebeu um desenho do falecido no féretro aberto. Iniciou os trabalhos    no seu conhecido baixo relevo em bronze terminado em 1940: <i>Die Klage «</i>O    Queixume» (Seeler, 2016), para o qual verteu a expressão do seu pesar pela morte    dele (Fritsch, 2006). Uma estima recíproca ligava desde há muito ambos os artistas.    Em 1920, xilogravuras que Barlach levou à exposição da segunda Secessão Livre    de Berlim não só a estimularam a realizar as suas primeiras xilogravuras como    a levaram à utilização desta técnica no seu ciclo<i> Krieg</i>. Em Fevereiro    de 1933, foi a Barlach, entre outros e por mediação de Käthe Kollwitz, atribuída<b>    </b>a Ordem «<i>Pour le Mérite</i>», a mesma com a qual a própria artista tinha    sido enquanto primeira mulher condecorada em 1929. A estima de Barlach para    com K.Kollwitz encontrou a sua mais expressiva forma no memorial de Güstrow;    o artista trabalhou em 1926/7 no anjo-monumento da catedral de Güstrow à memória    dos seus conterrâneos caídos em combate, acabando inconscientemente, o rosto    de Käthe Kollwitz por, tal como ele próprio constatou, se afirmar nesta obra.    Após 1933 quer K.Kollwitz quer Barlach acabaram alvo de insultuosas injúrias    e hostilidades. Enquanto um de entre apenas três membros da Academia, Barlach    ousou questionar por escrito o presidente desta acerca da saída compulsiva de    K.Kollwitz. No Outono de 1940, a 19 de Julho deste mesmo ano o marido de K.Kolwitz    morre de doença prolongada, e esta, já sem forças, sente ter de entregar o seu    atelier na Klosterstrasse. Terminou as suas últimas esculturas e gravuras em    sua casa, que lhe serviu quer como <i>atelier</i> quer como morada, a qual em    1943 e após 50 anos teve de abandonar devido aos crescentes bombardeamentos    sobre Berlim. Um pouco antes da sua casa de Berlim ter sido completamente destruída    por um bombardeamento, muda-se para junto de uma jovem escultora Margret Böning    em Nordhausen. Quando também aqui se tornou demasiado perigoso, acolhe o convite    do Príncipe Heinrich von Sachsen e muda-se para Moritzburg. Käthe Kollwitz morre    aqui, poucos dias antes do fim da guerra a 22 Abril 1945.</p>     <p>Nos últimos dez anos da sua vida (ilustração 12), a artista pôde ainda testemunhar    o quanto nos EUA se apreciava cada vez mais a sua obra, ficando tal sobremodo    a dever-se a emigrantes da Alemanha e da Áustria. Através de uma carta de 1938,    é possível fazer uma ideia da importância que isto mesmo teve para K.Kollwitz    durante os anos do regímen nacional-socialista: «Sinto me morta para a Alemanha,    todavia começo a estar viva para a América. O que é bom.» ( Kollwitz,1967, p.13).    Não obstante, estava viva também na Alemanha, apesar dos nacional-socialistas    terem tentado silenciá-la, o que é facto a inferir por, logo após o fim do III    Reich em 1945 e 1946, ter Käthe Kollwitz, enquanto figura simbólica da boa consciência    alemã, sido reconhecida através de inúmeras exposições em vários lugares da    Alemanha. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b> </p>     <!-- ref --><p>Bohnke-Kollwitz, J. (Ed.).(1989). <i>Käthe Kollwitz, Die Tagebücher</i>. Berlin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841476&pid=S0874-6885201800020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bonus-Jeep, B. (1948). <i>Sechzig Jahre Freundschaft mit Käthe Kollwitz</i>,    Boppard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841478&pid=S0874-6885201800020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Diel L. (1927). Käthe Kollwitz. Ein Ruf ertönt, Berlin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841480&pid=S0874-6885201800020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Delpy, E.(1919). Käthe Kollwitz. in: <i>Illustrierte Zeitung</i> <i>3987</i>,    662.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841482&pid=S0874-6885201800020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fischer, H. (2017). Kat. Ausst.: Annette Seeler, <i>Aufstand! Renaissance,    Reformation, Revolte im Werk von Käthe Kollwitz</i>, Köln: Käthe Kollwitz Museum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841484&pid=S0874-6885201800020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fischer, H. (Ed.).(1999). Kat. Ausst. Käthe Kollwitz. <i>Die trauernden Eltern.    Ein Mahnmal für den Frieden</i>. Köln: Käthe Kollwitz Museum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841486&pid=S0874-6885201800020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Fischer, H.,A.v.d. Knesebeck.(Eds.). (2010). Kat. Ausst. &hellip;Paris bezauberte    mich&ldquo;. <i>Käthe Kollwitz und die französische Moderne</i>.München-Köln: Käthe    Kollwitz Museum.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fritsch, M. (Ed.) (2006). Kat. Ausst. <i>Ernst Barlach und Käthe Kollwitz im    Zwiegespräch</i>. Berlin-Leipzig-Köln: Käthe Kollwitz Museum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841489&pid=S0874-6885201800020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hülsewig-Johnen.J. (1999). Reflexionen zu den Selbstbildnissen von Käthe Kollwitz.    In J. Hülsewig-Johnen. Kat. Ausst. <i>Käthe Kollwitz:</i> <i>Das Bild der Frau    </i>(pp.9-17<i>)</i>.Bielefeld: Kunsthalle Bielefeld.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841491&pid=S0874-6885201800020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ikon Gallery (in collaboration with the British Museum).(2017). <i>Portrait    of the Artist - Käthe Kollwitz</i>.(s/l).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841493&pid=S0874-6885201800020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ikon Gallery (1994). Kat. Ausst. <i>Ateliergemeinschaft Klosterstraße Berlin    1933-1945. Künstler in der Zeit des Nationalsozialismus</i>. Berlin:Akademie    der Künste&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841495&pid=S0874-6885201800020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Knesebeck, A. von dem. (2007) &hellip;... mit liebevollen Blicken ...&ldquo;. Kinder im    Werk von Käthe Kollwitz, Einblicke 8. Köln:Käthe Kollwitz Museum.</p>     <p>Knesebeck, A. von dem. (2007) &hellip;… Das gewaltige herrliche und traurige Leben    fasste er und deutete es uns.&ldquo; Käthe Kollwitz und Klinger, in Kat. Ausst. <i>Max    Klinger. &hellip;Alle Register des Lebens</i>&ldquo; Graphische Zyklen und Zeichnungen,Köln,    Berlin: Käthe Kollwitz Museum.</p>     <!-- ref --><p>Knesebeck, A. von dem. (2003).<i> </i>Käthe Kollwitz blickt auf Munch. In C.Stauffer.    (Ed.) <i>Festschrift für Eberhard W. Kornfeld zum 80. Geburtstag.</i> Bern.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841498&pid=S0874-6885201800020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Knesebeck, A. von dem. (2002). <i>Käthe Kollwitz. Werkverzeichnis der Graphik</i>.    Bern.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841500&pid=S0874-6885201800020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Knesebeck. A. von dem (1999) &hellip;Der Volkskrieg dieser Zeit hatte auch seine Heldinnen&ldquo;.    Zum Frauenbild der frühen Graphikfolgen.In:J.Hülsewig-Johnen.(Ed.).<i> Kat.    Ausst. Käthe Kollwitz:</i> <i>Das Bild der Frau </i>(pp.691 ss.<i>)</i>.Bielefeld:    Kunsthalle Bielefeld.</p>     <p>Knesebeck, A. von dem (1989). Die Bedeutung von Zolas Roman &hellip;Germinal&ldquo; für    den Zyklus &hellip;Ein Weberaufstand&ldquo; von Käthe Kollwitz. <i>Zeitschrift für Kunstgeschichte    52</i>,3, 402-422 </p>     <!-- ref --><p>Knesebeck, A. von dem (1998). Käthe Kollwitz. Die prägenden Jahre. <i>Studien    zur internationalen Architektur- und Kunstgeschichte</i>.<i>6</i>,9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841504&pid=S0874-6885201800020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kohlmann-Hodick,P., Matthias,A. (Eds.) (s/d). Kat. Ausst. <i>Käthe Kollwitz    in Dresden</i>.Dresden,London: Staatliche Kunstsammlungen. Kupferstich-Kabinett,    pp. 22-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841506&pid=S0874-6885201800020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kollwitz, K. (1967). <i>Käthe Kollwitz an Dr. Heinrich Becker. Briefe</i>.    Bielefeld.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841508&pid=S0874-6885201800020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kollwitz, K. (1917). Rodin. <i>Sozialistische Monatshefte</i>, 23, III, 49,    1226 ss.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841510&pid=S0874-6885201800020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kollwitz, H. (Ed.). (1966). <i>Briefe der Freundschaft und Begegnungen</i>.    München.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841512&pid=S0874-6885201800020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kollwitz, H. (Ed.). (1948).<i> Käthe Kollwitz, Tagebuchblätter und Briefe.</i>    Berlin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841514&pid=S0874-6885201800020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Kollwitz, K. (1941). <i>Tagebücher, autobiographischer Text &hellip;Rückblick auf    frühere Zeit</i>. (s/l).</p>     <p>Kollwitz, K. (s/d).<i> Ich für mein Teil muß Ihnen auch noch einmal sagen,    wie Ihre Würdigung meiner Arbeit, Ihre Anteilnahme an ihr, mich gestützt und    gefördert hat&ldquo; </i>- <i>Zur Korrespondenz zwischen Käthe Kollwitz und Max Lehrs,</i>    in: P. Kohlmann-Hodick u. Agnes Matthias(Eds.). Kat. Ausst. Käthe Kollwitz in    Dresden. Dresden: Staatliche Kunstsammlungen.London: Kupferstich-Kabinett.</p>     <!-- ref --><p>Krenzlin, K.(Ed.). (2017). <i>Käthe Kollwitz und Berlin. Eine Spurensuche zum    150. Geburtstag</i>. Berlin: Galerie Parterre&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841518&pid=S0874-6885201800020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nagel, O. &amp; Tim,W. (Eds.). (1980). <i>Käthe Kollwitz. Die Handzeichnungen</i>.    Stuttgart.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841519&pid=S0874-6885201800020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Seeler, A. (2016). <i>Käthe Kollwitz. Die Plastik</i>. München: Käthe Kollwitz    Museum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841521&pid=S0874-6885201800020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schirmer,G.(1999). Geschichte in der Verantwortung der Mütter: Von der Opferideologie    zum Pazifismus. In Jutta Hülsewig-Johnen.(Ed.). Kat. Ausst. Käthe Kollwitz:    Das Bild der Frau<i> </i>(pp.111-121) Bielefeld:Kunsthalle Bielefeld.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1841523&pid=S0874-6885201800020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recepção: 19/09/2018</b></p>     <p><b>Aceite para publicação: 20/10/2018 *</b></p>     <p>* Texto publicado sem revisão editorial por opção do tradutor (nota de edição).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> O original, em língua alemã,    da presente tradução, consta da separata que acompanha este n.º 40 de <i>Faces    de Eva</i>. Nele se apresentam, integralmente, as 12 imagens numericamente referenciadas    ao longo da presente tradução. (Nota de Edição) </p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>. Tradução de Fernando Ribeiro    (Universidade NOVA de Lisboa, FCSH - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,    CHAM - Centro de Humanidades e Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas    Modernas) em 16 de Setembro de 2018. Agradece-se à artista plástica Maria Gabriel    o apoio na tradução técnica relativa à arte da gravura.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>. Hans Kollwitz. (Ed.). (1948),    <i>Käthe Kollwitz, Tagebuchblätter und Briefe</i> .Berlin. (The diary and letters    of Kaethe Kollwitz, edited by Hans Kollwitz, Evanston, Illinois 1988).Tradução    Fernando Ribeiro. Agradece-se às artistas plásticas Maria Gabriel e Teresa Balté    o apoio na tradução técnica relativa à arte da gravura.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>. Jutta Bohnke-Kollwitz.    (Ed.). (1989). <i>Käthe Kollwitz, Die Tagebücher</i>. Berlin p. 725 ss. (edição    completa dos Diários acabada de traduzir para francês: <i>Käthe Kollwitz - Journal,    1908-1943.</i> Sylvie Doizelet (ed.), Straßburg 2018).</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>. Cf.Alexandra von dem Knesebeck    (2002). <i>Käthe Kollwitz. </i><i>Werkverzeichnis der Graphik</i>. Bern. Nr.    1 (sempre citado Knesebeck).</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a>. Cf. Alexandra von dem Knesebeck,    (2007) &hellip;... mit liebevollen Blicken ...&ldquo;. <i>Kinder im Werk von Käthe Kollwitz</i>,    Einblicke 8, Köln:Käthe Kollwitz Museum.</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>. Cf.Otto Nagel.(Ed.).(1980).    <i>Käthe Kollwitz.Die Handzeichnungen</i>. (org. Otto Nagel com colaboração    de S.Schallenber-Nagel e consultoria de H.Kollwitz), processamento científico    W. Timm, Stuttgart. N. 168 (sempre citado Nagel-Timm).</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a>. Sobre Kollwitz em Berlim    cf.: Kathleen Krenzlin.(Ed.) (2017).<i>Käthe Kollwitz und Berlin. Eine Spurensuche    zum 150. Geburtstag.</i>Berlim: Galerie Parterre.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a>. <i>&hellip;Ich für mein Teil muß    Ihnen auch noch einmal sagen, wie Ihre Würdigung meiner Arbeit, Ihre Anteilnahme    an ihr, mich gestützt und gefördert hat&ldquo; </i>- Zur Korrespondenz zwischen Käthe    Kollwitz und Max Lehrs. (Pela minha parte tenho uma vez mais de dizer-vos quanto    o vosso reconhecimento do meu trabalho ,a vossa participação nele, me apoiou    e incentivou).In: Petra Kohlmann-Hodick u. Agnes Matthias (Eds) (s/d) Kat. Ausst.    Käthe Kollwitz in Dresden. Dresden.London: Staatliche Kunstsammlungen Dresden,    Kupferstich-Kabinett.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a>. Cf. Ikon Gallery in    collaboration with the British Museum,(Eds.). 2017. <i>Portrait of the Artist    - Käthe Kollwitz.</i> (s/l) (fornece entre outras panorama sobre a colecção    do Museu Britânico). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a>. <i>Sozialistische Monatshefte,</i>    23, III. vol. 49, p. 1226 ss.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a>. Cf. Annette Seeler.    (Ed.). (2016). <i>Käthe Kollwitz. Die Plastik</i>, Köln.München:Käthe Kollwitz    Museum. N. 13. (sempre citado Seeler).</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a>. Cf. para as viagens    de Käthe Kollwitz a Paris Hannelore Fischer,Alexandra von dem Knesebeck.(Eds.).    (2010). Kat. Ausst. &hellip;Paris bezauberte mich&ldquo;. <i>Käthe Kollwitz und die französische    Moderne</i>. Köln, München: Käthe Kollwitz Museum. </p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a>. Hans Kollwitz.(Ed.).    (1948). <i>Käthe Kollwitz, Tagebücher und Briefe</i>.München.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a>. Cf Apud Louise Diel,(1927).    <i>Käthe Kollwitz. Ein Ruf ertönt</i>, Berlin.(Zum Geleit).</p>     <p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a>. Cf. Hannelore Fischer.    (Ed.). (1999).Kat. Ausst. <i>Käthe Kollwitz. Die trauernden Eltern. Ein Mahnmal    für den Frieden</i>.Köln: Käthe Kollwitz Museum. </p>     <p><a href="#top17"><sup>[17]</sup></a><a name="17"></a>. Cf. (1994) Kat. Ausst.    Ateliergemeinschaft Klosterstraße Berlin 1933-1945. Künstler in der Zeit des    Nationalsozialismus, Berlin: Akademie der Künste.</p>      ]]></body><back>
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