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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>HOMENAGEM</b></font></p>     <p><b>Maria Teresa Féria De Almeida*</b></p>     <p>* Juíza Desembargadora. Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de    Mulheres Juristas</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Conheci a Natália Correia e tive ocasião de conviver com ela, muito brevemente,    já nos últimos anos da sua vida.</p>     <p>Para além do renome que tinha como poetisa e como cidadã politicamente comprometida,    a Natália Correia fascinou-me no primeiro encontro que tive com ela pela força    avassaladora do seu olhar.</p>     <p>Fui objeto desse olhar num jantar, creio que em Madrid nos finais dos anos    1980, quando, numa mesa comprida onde estavam várias mulheres ilustres, e eu    era a jovem que ali estava para aprender com todas elas, sentada lá no fim da    mesa, lhe disse um rotundo <i>não </i>quando ela propôs que se fizesse uma homenagem    a uma deputada que tinha recentemente abandonado a política.</p>     <p>Foi um <i>não </i>que caiu naquela mesa como se tivessem caído ao chão os talheres,    os pratos e os copos, tudo ao mesmo tempo - a verdade é que eu não gostava,    nem nunca tinha gostado das ideias políticas dessa deputada e sentia-me muito    contente por ela abandonar o Parlamento.</p>     <p>Todas aquelas mulheres ilustres que tinham anuído convictamente à ideia da    homenagem se viraram para mim, e na cara delas eu via claramente escrito: &ldquo;Mas    quem é esta, que acha que pode dizer <i>não</i>?&rdquo;</p>     <p>Só a Natália olhou mesmo para mim, para os meus olhos, e perguntou &ldquo;Porquê?&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Expliquei, claro, as minhas razões, mas mais do que sentir que ela as ouviu    com atenção, o que se passou nesse breve momento foi a transformação do muito    respeito que lhe tinha numa profunda amizade, porque os seus olhos compreenderam    o que eu dizia e neles brilhava uma luz intensa, uma luz que dizia: &ldquo;Força,    fala, diz o que pensas!&rdquo;</p>     <p>Foi assim que eu passei a reconhecer nela, mais do que a poetisa e a cidadã,    uma mulher que me mereceu confiança e afeição.</p>     <p>S. Pedro do Estoril, 23.04.19</p>      ]]></body>
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