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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>LEITURAS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O Arquétipo da Princesa na Construção Social da Feminilidade.    Mira, R. (2016). Edições Colibri, Lisboa, 2016, 177 pp.</b></font></p>     <p><b>Cristina L. Duarte*</b></p>     <p>* Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Centro    Interdisciplinar de Ciências Sociais, Faces de Eva - Estudos sobre a Mulher,    1069- 061 Lisboa, Portugal, <a href="mailto:lduarte.cduarte@gmail.com">lduarte.cduarte@gmail.com </a>.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A beleza é um assunto subjectivo, como nos diz uma manequim sudanesa, Alek    Wek<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>. Ao encontrar-se com seis    &lsquo;especialistas&rsquo; entre os 7 e os 10 anos de idade<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>,    Rita Mira não só criou a sua amostra para uma tese de mestrado em <i>Estudos    sobre as Mulheres</i>, defendida na NOVA FCSH, como recolheu importantes testemunhos    por parte de quem, desde tenra idade, pensa atentamente sobre esse assunto,    aliado ao tema principal do estudo: a princesa. Todas as meninas, as suas mães    e/ou avós, têm algo a dizer sobre essa figura tão particular: a filha do rei.    Sem nos alongarmos muito, passamos portanto ao reino do faz-de-conta&hellip; Era    uma vez.</p>     <p>O livro é a publicação de uma &ldquo;excelente tese&rdquo;, como abre o prefácio o seu    então orientador, Manuel Lisboa. Mas, ainda antes, Rita reúne os seus agradecimentos    e convoca-nos para um trabalho, &ldquo;fruto de vários olhares que transportam as    suas histórias&rdquo;. O livro é dedicado à avó Dina, &ldquo;que, à sua maneira, contribuiu    desde cedo para a emergência, em mim, de pensamentos e preocupações feministas&rdquo;.</p>     <p>O segundo prefácio pertence à autora, que deixa esta pergunta, antes do ponto    de partida: &ldquo;De princesa a gata borralheira, será que a história começa pelo    fim?&rdquo;</p>     <p>No primeiro capítulo, Rita vai colocar o ideário da princesa sob a lupa sociológica    - &ldquo;amplamente difundido por diversos meios culturais, pela indústria de consumo    e pelas práticas sociais, cristalizando um certo modelo de identidade feminina,    pautado por uma concepção estética hegemónica do corpo e por uma forma petrificada    de ser e de viver a feminilidade e o amor&rdquo;.</p>     <p>No segundo capítulo, a autora problematiza as assimetrias associadas ao género,    quotidianamente legitimadas pelas dinâmicas sociais e institucionais, operacionalizando    este conceito de modo a questionar aquilo que é construído por todos/as como    feminilidade e, como afirma, &ldquo;compreender a sua construção como um processo    que influencia expectativas, representações e identidades&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No terceiro capítulo, ela leva-nos pela mão, para ouvirmos as vozes das crianças    entrevistadas. Muito sinceramente, é tão bom como (nos) ler(em) uma história    à noite, antes de ir para a cama. São histórias de crianças; umas vezes é a    investigadora em estudos sobre as mulheres quem faz as perguntas, outras vezes    são as crianças que, no meio de uma resposta, lançam uma pergunta. São discursos    com risos pelo meio, os delas, e os nossos.</p>     <p>Depois de uma viagem pelo mundo infantil povoado pelas princesas, pelas meninas    e pelas mulheres, vemos e sentimos que o arquétipo estudado está presente em    muitas das nossas vidas, mesmo que mais numas que noutras, e que o facto de    existir é o que nos traz aqui a estas páginas. As concepções sobre feminilidade    e sobre o amor são o <i>melting pot </i>onde o social e nele o(s) género(s)    se cristalizam.</p>     <p>Assim sendo, eis-nos no ponto de chegada; como a autora conclui, é também um    novo ponto de partida. Estamos por aqui, à espera da continuação. Entretanto,    ler e reler esta obra é preciso. Ela bem poderia fazer parte do(s) programa(s)    do Plano Nacional de Leitura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Alek Wek, <i>Alek, De Refugiada    Sudanesa a Top Model Internacional</i>, &ldquo;Mulheres de Coragem&rdquo;, Quidnovi, Lisboa,    2008.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Ver anexo, p. 103.</p>      ]]></body>
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