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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Supõe que a verdade fosse uma mulher… E porque não?: Entrando de lado, ou o ‘gendering’ e o ‘blackening’ de histórias coloniais, anti- e pós-coloniais na obra de Eurídice Kala aka Zaituna Kala]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Imagine if truth was a woman... And why not? Entering sideways, or the gendering and the blackening of colonial, anti- and post-colonial histories in the work of Eurídice Kala aka Zaituna Kala]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Drawing on Entre de lado, Measuring blackness and a guide to many other industries, and Imagine if truth was a woman... And why not?, I examine the ways in which the work of Eurídice Kala (Maputo, 1987)questions eurocentric and masculinist hegemonies. I argue that her practice is relevant for the deconstruction of ‘whitening’ versions of history - including the masculinism of many anti-colonial narratives - and the affirmation of an intersectional feminism. The analysis is underlined by the acknowledgement that the dialogue between artistic and historiographical practices can be productive, notably at the level of an epistemic decolonization.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Supõe que a verdade fosse uma mulher&#8230; E porque não?: Entrando de lado, ou o &#8216;gendering&#8217; e o &#8216;blackening&#8217; de histórias coloniais, anti- e pós-coloniais na obra de Eurídice Kala aka Zaituna Kala</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Imagine if truth was a woman... And why not? Entering sideways, or the gendering and the blackening of colonial, anti- and post-colonial histories in the work of Eur&iacute;dice Kala aka Zaituna Kala</b></font></p>     <p><b>Ana Balona de Oliveira*</b></p>     <p>* Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Instituto de Hist&oacute;ria de Arte, 1069-061, Lisboa, Portugal. Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Centro de Estudos Comparatistas, 1600-214, Lisboa, Portugal, <a href="mailto:anabalonoliveira@yahoo.com">anabalonoliveira@yahoo.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A partir de <i>Entre</i><i> </i><i>de lado</i>, <i>Measuring blackness and a guide to many other industries </i>e <i>Supõe que a verdade fosse uma mulher&#8230; E porque n</i>ão<i>?</i>, examino de que forma a obra de Eurídice Kala (Maputo, 1987) questiona hegemonias eurocêntricas e masculinistas. Argumento no sentido de se reconhecer a relevância da sua prática para a desconstrução de versões &#8216;branqueadoras&#8217; da história - incluindo o masculinismo de muitas narrativas anti-coloniais - e para a afirmação de um feminismo interseccional. A esta reflexão subjaz   o reconhecimento da importância do diálogo entre práticas artísticas e historiográficas, com impacto ao nível duma descolonização epistémica.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Eurídice Kala aka Zaituna Kala; o arquivo   colonial, antie pós-colonial na arte contemporânea; fotografia, vídeo, performance e instalação;   feminismo interseccional; descolonização epistémica.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Drawing on Entre   de lado, Measuring blackness and a guide to many other   industries, and Imagine   if truth was a woman... And why not?,   I examine the   ways in which   the work of Eurídice Kala   (Maputo, 1987)questions eurocentric and masculinist hegemonies. I argue that her practice   is relevant for the deconstruction of &#8216;whitening&#8217; versions   of history - including   the masculinism of many   anti-colonial narratives - and the   affirmation of an intersectional feminism. The analysis is underlined by the acknowledgement that the dialogue between artistic and   historiographical practices   can be productive, notably at the level of an epistemic   decolonization.</p>      <p><b>Keywords:</b> Eurídice Kala aka Zaituna Kala;   the colonial, antiand post-colonial archive in contemporary art; photography, video, performance and installation; intersectional feminism; epistemic decolonization.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Neste ensaio examino de que forma a obra da artista Eurídice Kala AKA Zaituna Kala (Maputo, 1987) contribui para o questionamento de hegemonias eurocêntricas e masculinistas da história e da história de arte. Olharei nomeadamente para <i>Entre-de-lado </i>(2012-2017) (<a href="#f1">fig.1</a>), uma obra que, desenvolvida em várias fases, culminou no vídeo <i>Measuring blackness</i> <i>and   a guide to many other   industries </i>(2016) (<a href="#f2">fig.2</a>) e na instalação <i>Supõe </i><i>que a verdade fosse     uma mulher&#8230; E porque     n</i>ão<i>? / Imagine if truth was a     </i><i>woman... And     why not? </i>(2016), apresentada na 12ª edição   da Dak&#8217;Art, a Bienal de Arte Contemporânea Africana   de Dakar, no Senegal, em 2016 (<a href="#f3">fig.3</a>)(<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>). Analisarei igualmente os momentos, nestas   obras, em que a sua personagem <i>That [BLCK] Dress </i>surge performativamente. A partir destes estudos de caso, argumentarei no   sentido de se reconhecer a relevância da prática de Kala para a desconstrução de versões &#8216;branqueadoras&#8217; da história -   incluindo o masculinismo de muitas narrativas anti-coloniais - e para a   afirmação da necessidade de um feminismo interseccional. Examinarei estes   aspectos da sua obra tendo   em conta o contexto   mais alargado das circulações históricas e contemporâneas (incluindo artísticas) entre África,   Ásia, Europa e América   - com particular ênfase na África Austral - através   dos espaços marcadamente políticos dos oceanos,   cujo foco tendencialmente   mais atlântico se pretende   abrir para incluir o Índico.   A esta reflexão subjaz o reconhecimento da importância do   diálogo entre práticas artísticas e historiográficas, com impacto ao nível duma descolonização epistémica e ético-política do (e no) presente.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/eva/nextra/extraa06f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/eva/nextra/extraa06f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/eva/nextra/extraa06f3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Para   além do recurso   constante a arquivos   públicos, e sem que   possuam um pendor excessivamente biográfico, as investigações de Kala partem   normalmente do arquivo privado tanto da sua própria   experiência pessoal como mulher   negra, moçambicana, africana e migrante,   como, numa perspectiva   transgeracional, da sua experiência familiar. A forma como assina a sua produção artística - Euridice   Kala aka (&#8216;also known as&#8217;) Zaituna Kala - contém   esta mesma densidade   transgeracional, familiar e pessoal,   uma vez que constitui   um gesto, não só afectivo mas também político, de homemagem   à figura da sua avó Zaituna.   A sua prática investigativa, concretizada esteticamente através do recurso a vários meios artísticos, da performance ao vídeo, da fotografia à instalação, do texto ao som, assume um carácter ético-político assumidamente   feminista, na linha de uma interseccionalidade onde questões   de género e de sexualidade surgem como inseparáveis de questões de raça e de classe.  </p>     <p><i>Entre-de-lado</i><i> </i>começou como uma reflexão histórica e crítica em torno da introdução do casamento e do vestido   de noiva ocidentais nas práticas culturais moçambicanas durante o período colonial.   Kala examina de forma poética as implicações psíquicas, sociais e políticas   desta apropriação a partir   da sua história pessoal, i.e., da sua vivência passada enquanto noiva e   mulher casada, e de uma percepção mais vasta do grau problemático, particularmente para as mulheres, de internalização, de naturalização e de implantação social   de práticas culturais   e religiosas de origem   ocidental. Esta percepção não   significa que não   haja outras formas de opressão   patriarcal nos contextos moçambicano, em particular, e africano, em geral, nomeadamente no que a práticas   tradicionais e outras   de raíz islâmica   diz respeito, mas, nesta obra em concreto, e porque a sua própria   experiência foi a do casamento de matriz europeia   e cristã, é esta a prática cultural   examinada. A partir de trabalho de arquivo   em Moçambique e Portugal,   Kala investigou o impacto   da cultura material   e visual centrada na representação do casamento ocidental e do vestido   de noiva na disseminação de certos ideais   brancos de beleza   e de respeitabilidade femininas em espaços não-ocidentais desde o século   XIX. Analisou, em particular, a circulação das imagens fotográficas do famoso casamento da Rainha Vitória   de Inglaterra com o   Príncipe Alberto a 10 de Fevereiro   de 1840. A cerimónia foi representada pictoricamente e terá circulado como gravura,   mas a sua documentação fotográfica - datada de 1854 e correspondendo, por isso, a uma reencenação do casamento por parte   do casal - disseminou-se de tal forma pela   Europa e pelos   territórios colonizados que foi progressivamente popularizando e generalizando o vestido   de noiva branco. Não esqueçamos que o reinado   da Rainha Vitória   correspondeu a um período de expansão do império colonial   britânico e que, embora sob domínio colonial   português, Moçambique foi   sempre muito permeável à influência cultural britânica através da vizinha   África do Sul.(<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>) Não   esqueçamos igualmente que Vitória se tornou numa espécie de modelo de moralidade e sociabilidade femininas, que foi exportado através das forças assimiladoras da colonização e da sua suposta missão   civilizadora. Apaixonada por Alberto, após a morte   deste, ficou de luto até à sua própria morte, usando regularmente o seu véu de noiva, com o qual desejou ser sepultada.  </p>     <p>Para além da figura da   noiva vestida de branco, Kala tem   dado atenção a uma espécie de correlato subsequente, a uma &#8216;pós-noiva   branca&#8217;: a viúva vestida de negro, uma   figura que considera proeminente ainda hoje no contexto social e num certo imaginário portugueses, associada a   ideias de fragilidade e de resignação femininas, e que foi igualmente disseminada através dos processos   de colonização(<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>). A esta negritude branca e patriarcal, Kala tem contraposto a   figura, performada por si própria, de uma outra noção de <i>blackness </i>- <i>That [BLCK]     Dress -</i>, em que o negro,   o vestir negro,   se torna símbolo   de resistência e de luta anti-racista e feminista (Balona de Oliveira, 2017)(<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>).</p>      <p>As reflexões da artista em torno da cultura material associada à mulher negra e africana também têm incluído os usos e as circulações da capulana. Chamou a atenção para a história transnacional - de origem asiática e índica, pré-colonial, mas também colonial e pós-colonial - deste tecido, que se foi tornando num símbolo identitário das mulheres moçambicanas, inclusivamente em contexto diaspórico e, mais especificamente, no contexto sul-africano para onde elas viajam regularmente (contrariamente ao período colonial, quando a migração moçambicana para a África do Sul   se destinava maioritariamente às   minas e era, por isso, quase exclusivamente masculina) (Balona de Oliveira, 2017; Harries, 1994).  </p>     <p>Para   a penetração de práticas   culturais ocidentais e dos valores morais e sociais a elas associados em territórios colonizados contribuíram o desenvolvimento e a circulação da fotografia, que, maioritariamente na e pela mão   de brancos, teve   uma forte presença em contexto   colonial. A fotografia   foi um poderoso instrumento, entre outros,   ao serviço do desejo   ocidental de conhecer para dominar(<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>). Lembremo-nos do   seu papel ao substituir progressivamente o desenho, a pintura e a gravura numa mais eficiente recolha e catalogação de informação, no contexto   das missões científicas e pseudo-científicas levadas a cabo por   antropólogos, botanistas, geógrafos, etc., com o intuito de   obter um melhor conhecimento dos recursos naturais e humanos disponíveis para a exploração económica e o controlo   político e militar das   colónias e das   suas populações (Pinney, 2011;   Lowndes Vicente, 2014; Smith,   Brown, &amp; Jacobi, 2015).   A fotografia (juntamente com o   cinema e outros   meios) esteve igualmente ao serviço   de uma dominação cultural, ideológica e propagandística por   parte do colonizador (Lowndes Vicente, 2014; Pires Martins,   2014)(<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>) - e viria a ter também   um papel determinante na luta anti-colonial e anti-apartheid (Enwezor   &amp; Bester, 2013). Na clandestinidade, no exílio e nas zonas   libertadas durante as guerras de libertação, ou seja, ainda   antes das independências, e apesar da escassez de meios, as tecnologias de reprodução mecânica como a fotografia, o cinema e a   imprensa cedo foram reconhecidas   pelos movimentos de libertação (Enwezor, 2001; Diawara, 1992; Andrade-Watkins, 1995; Gray &amp;   Eshun, 2011; Piçarra &amp;   António, 2014, 2015),   e com especial diligência pela FRELIMO no contexto moçambicano (Mondlane, 1995; Machel, 1985; Gray, 2007, 2011; Covents, 2011; Forjaz, 2015;   Thomson, 2018), como instrumentos fundamentais de liberta&ccedil;&atilde;o cultural, considerada uma das   bases para a liberta&ccedil;&atilde;o   pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, na linha   do pensamento de Frantz   Fanon (2001, 1980) e Am&iacute;lcar Cabral (1976).</p>     <p>A obra de Kala reflecte uma perspectiva não só transnacional, mas também feminista e descolonizadora da história da fotografia e da cultura visual ao longo   dos séculos XIX   e XX. Tal perspectiva é considerada necessária para a compreensão rigorosa   das múltiplas valências da fotografia e das consequências da sua circulação   em contextos coloniais   e anti-coloniais. Com efeito, a pesquisa da artista em torno da construção de noções de branquitude e pureza,   nomeadamente femininas, e da forma como   concepções herdadas da presença   colonial perduraram no continente africano   após as independências (ainda que algumas   delas tenham ficado mais ou menos adormecidas durante   os períodos revolucionários) incluiu igualmente a consideração do momento, em meados do século XIX, em que a paixão do Príncipe   Alberto por esse novo meio que era a fotografia culminou no desenvolvimento de uma   importante colecção   fotográfica e na fundação, em Londres em 1852,   na sequência da Grande Exposição de 1851, daquele que se tornaria   um dos mais importantes museus   britânicos e um dos maiores do mundo - o Victoria and Albert Museum.   A formação de instituições museológicas na Europa (e posteriormente nos Estados Unidos),   dedicadas ao conhecimento das   chamadas culturas não-ocidentais, em estreita   relação com as chamadas grandes   exposições, é inextricável da empresa colonial e das suas expedições científicas, como sabemos,   e tornar-se-á decisiva   nos desenvolvimentos modernistas da história de arte ocidental, como também se sabe, mas poucas vezes   se lembra de forma suficientemente rigorosa, em termos de implicações ético-políticas, económicas, sociais e culturais   (Foster, 1985; Clifford, 1988, 1997; Pratt, 1992; Coombes,   1994; Oguibe, 2004). A pesquisa de Kala contribui para tornar visíveis as conexões íntimas, mas frequentemente escondidas, entre estes eventos. O seu olhar é transnacional e transhistórico. É político e pessoal. Por isso, em <i>A conversation I </i>(2013) (<a href="#f1">fig.1</a>), uma de várias imagens realizadas em Joanesburgo para a série <i>Entre-de-lado </i>(2012-2017), vemos a própria artista em performance para a câmara fotográfica, envergando e interagindo com o seu próprio vestido de noiva branco diante de uma parede branca. Tudo nesta imagem surge significativamente descentrado, <i>de lado</i>. A artista está sentada numa cadeira colocada em primeiro plano, mas não no centro da imagem. Ela surge de um lado, lançando um possível convite para que um outro sujeito <i>entre de lado </i>- do outro lado da imagem - na sua conversa. O vazio da cadeira ao lado pode indiciar também a experiência pessoal do fim do casamento, e o gesto de colocar-se a si mesma em primeiro plano. A sua conversa &eacute;, por isso, tamb&eacute;m consigo mesma, com a sua hist&oacute;ria pessoal e com a compreens&atilde;o pol&iacute;tica desta, a partir de um olhar hist&oacute;rico, social, colectivo. Ou seja, a sua conversa a solo surge aqui como inescapavelmente dial&oacute;gica.</p>     <p>Mas   <i>Entre-de-lado</i><i> </i>expandiu-se para incluir outras conexões históricas e materiais,   através das quais Kala aprofundou o seu trabalho   de desconstrução de ideais   de branquitude. É o que podemos   ver no vídeo performativo <i>Measuring blackness</i><i> </i><i>and</i><i> </i><i>a     guide to Many other industries   </i>(<a href="#f2">fig.2</a>), realizado em Maputo em 2016. O vestido de noiva volta a surgir, mas já não no corpo da artista, que é agora <i>That</i><i> </i><i>[BLCK]</i><i> </i><i>Dress</i>. O vestido branco, convencionalmente considerado   como um símbolo   de pureza, torna-se numa espécie de medida-padrão, a partir da   qual se pesam numa balança   materiais de côr branca,   associados à história de exploração, opressão e violência   que foi a da ocupação colonial europeia e do   tráfico de pessoas   negras escravizadas através do Índico e do Atlântico(<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>).</p>     <p>Assim, ao lado   do vestido de noiva e com a sua quantidade determinada pelo peso   deste, a artista   vai colocando sucessivamente no outro   prato da balança algumas   das principais matérias-primas africanas comercializadas pelos europeus: marfim - &#8216;too scarce to be filmed&#8217;   (demasiado raro para   ser filmado), avisa-nos a artista   através de palavras   escritas numa folha de papel   colada na parede   atrás de si, e por isso   simbolicamente representado sob a forma de papel -, sal, osso,   côco, algodão e pó branco.   A disseminação de ideais civilizacionais europeus é desmontada pela relação,   tornada visual, material e performativamente explícita, entre tais supostos ideais e a violência da mercantilização e do genocídio das vidas humanas   negras e outras, no contexto   da exploração económica e das progressivas ocupações militares e políticas na Ásia, em África e na América   por parte da Europa,   assim como do epistemicídio cultural   que foi acompanhando estas   acções. Esta análise   crítica da branquitude é cromaticamente intensificada pelo facto de todo o espaço onde   decorre a performance estar pintado de branco, incluindo a parede, a mesa, a balança onde a artista   determina a quantidade das matérias-primas, a partir do peso do vestido   de noiva, e as luvas com que as manuseia (como   se tivesse decidido   não tocar directamente neste tipo de branquitude, protegendo-se), fazendo, assim, destacar a negritude do seu próprio corpo, vestido de negro. Aqui, a pela negra não internaliza, nem se deixa invisibilizar pelas máscaras brancas (Fanon, 2008; Mama, 1995). No contexto da sua apresentação na Bienal de Dakar em 2016, este vídeo performativo foi acompanhado pelos nomes dos seis materiais de côr branca a partir dos quais <i>That [BLCK] Dress </i>desvelou a natureza necropolítica da exploração capitalista e colonial e da opressão racial que a acompanhou - e, sob roupagens neo-coloniais, continua a acompanhar (Mbembe, 2001, 2003; Ferguson, 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas Kala não silencia o masculinismo dos próprios movimentos de libertação e dos governos africanos do período da pós-independência. Também a história anti-colonial e a história revolucionária da construção da nação e do chamado &#8216;homem novo&#8217; foi, muitas vezes, uma história feita, contada, escrita, desenhada, pintada, tecida, esculpida, representada, fotografada e filmada no masculino, o que contribuíu para a heroificação dos líderes anti-coloniais, salvo raras excepções femininas, como é o caso de Josina Machel em Moçambique, de Deolinda Rodrigues em Angola, de Amélia Araújo na Guiné Bissau, e de Alda Espírito Santo em São Tomé e Príncipe(<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>). Kala convida-nos a considerar a diversidade dos sujeitos da história pan-africana das lutas de libertação através de um outro trabalho videográfico e textual que, juntamente com <i>Entre-de-lado (A conversation I) </i>e <i>Measuring blackness</i>, compõe a instalação <i>Supõe que a verdade fosse uma</i> <i>mulher&#8230;</i><i>   </i><i>E porque n</i>ão? (2016) (<a href="#f3">fig.3</a>). Aqui coloca   o écran onde   surge uma lista com os nomes   dos principais líderes   dos movimentos anti-coloniais e das independências no continente <i>ao lado   </i>de um outro,   onde nos é dada a ver   uma outra série: aquela   onde figuram os nomes de mulheres envolvidas nestas lutas, muitas delas   companheiras daqueles. Através de um exercício   de memória e de abertura   do arquivo anti-colonial, elas são convidadas a entrar - <i>de lado</i>, ao lado, em pé de igualdade - na conversa.</p>      <p>Significativamente, a noção de &#8216;verdade&#8217; proposta no título da instalação   de Kala implica o gesto   decisivo de conferir visibilidade a sujeitos reais, mas esquecidos, porque   desvalorizados nas e pelas narrativas hegemónicas. A expressão   <i>Supõe que a verdade     fosse uma mulher&#8230;   E porque</i><i> </i><i>n</i>ão? / Imagine   <i>if truth was a woman...   And why not? </i>é inspirada no início de <i>Além do bem e do mal </i>(<i>Beyond good and evil</i>) de Friedrich   Nietzsche (1998 [1886]).(<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a>) Nesta obra, a figura   da verdade-mulher permite   a Nietzsche sugerir aos seus pares masculinos (e presumivelmente   heterossexuais) - os filósofos   enquanto sujeitos em busca da verdade   como objecto de apreensão epistemológica - uma concepção   não moral e não platónica   de verdade, abrindo caminho   para o seu perspectivismo. Nesta   configuração, a mulher enquanto verdade a ser alcançada pelos   filósofos, a quem Nietszche se dirige,   mantém um estatuto objectificado   e uma incapacidade de se tornar sujeito de conhecimento filosófico; ou   seja, Nietzsche revela-se aqui, afinal, bem devedor do masculinismo platónico (e de outros masculinismos filosóficos). As reflexões que a instalação de Kala partilha com os seus espectadores revelam, pelo contrário, que a verdade histórica é aquela que inclui as mulheres - com destaque para as mulheres africanas e negras - como sujeitos plenos de pensamento e de acção emancipatórios, tanto teóricos quanto práticos, tanto filosóficos quanto político-militares, entre outros. Kala faz, assim, uma leitura feminista da expressão Nietzschiana, desconstruindo-a. Aquilo que mais proveitosamente retém dessa expressão, para além da sugestão de uma noção alargada de verdade, é a concepção de verdade enquanto interpelação dirigida ao interlocutor de uma conversa - uma posição que a artista atribui ao espectador/a - e que, poder-se-ía dizer, o próprio Nietzsche (1999 [1872]) roubara já, mas transformando, à tradição dialógica de Platão e, acima de tudo, ao teatro grego e, no âmbito deste, à tragédia de pendor dionisíaco. A verdade proposta   assim por Kala torna-se   um convite à possibilidade de, individual e colectivamente, de forma aberta e dialógica, imaginarmos e contarmos histórias passadas, presentes e futuras mais rigorosas e justas.</p>      <p>Kala lança-nos estas questões   sobre a política   da história e a ética   (ao invés da moral) da memória - no sentido de pensar o presente e o futuro - através da prática artística. Isto significa que as narrativas contra-hegemónicas a que confere vários tipos de visibilidade na sua instalação - fotográfica, videográfica e performativa -, e que condensa, não sem ironia, na indagação hipotética do seu título, não se esgotam na procura de conclusões e, ao mesmo tempo, não abdicam destas, pois frequentam o terreno poético e político das perguntas certeiras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b> </p>     <p>Andrade-Watkins, C. (1995). Portuguese African cinema: Historical and contemporary perspectives 1969-1993. 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Disponível em: <a href="https://www.artecapital.net/perspetiva-205-ana-balona-de-oliveira-elas-aqui-os-cinquenta-anos-o-renascimento-os-senhores-do-vento-e-o-james-brown-ou-cinco-impressoes-de-luanda-uma-das-quais-em-lisboa" target="_blank">https://www.artecapital.net/perspetiva-205-ana-balona-de-oliveira-elas-aqui-os-cinquenta-anos-o-renascimento-os-senhores-do-vento-e-o-james-brown-ou-cinco-impressoes-de-luanda-uma-das-quais-em-lisboa</a> . Acesso em 20 de Fevereiro de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844652&pid=S0874-6885201900020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cabral, A. (1976). <i>A arma da teoria: Unidade e luta I</i>. Lisboa: Seara Nova.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844654&pid=S0874-6885201900020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cli&#64256;ord, J. (1988). <i>The predicament of culture: Twentieth-century ethnography, literature, </i><i>and art</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844656&pid=S0874-6885201900020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cli&#64256;ord, J. (1997). <i>Routes: Travel and translation in the late twentieth century</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844658&pid=S0874-6885201900020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Coombes, A. (1994). <i>Reinventing Africa: Museums, material culture and popular imagination in late Victorian and Edwardian England</i>. New Haven: Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844660&pid=S0874-6885201900020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>                 <!-- ref --><p>Covents, G. (2011). <i>Os moçambicanos perante o cinema e o audiovisual: Uma história político-cultural do Moçambique colonial até à República de Moçambique (1896</i><i>2010)</i>. Maputo: Edições Dockanema/Afrika Film Festival.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844662&pid=S0874-6885201900020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Diawara, M. (1992). <i>African cinema: Politics and culture</i>. Bloomington &amp; Indianapolis: Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844664&pid=S0874-6885201900020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Enwezor, O. (Ed.) (2001). <i>The short century: Independence and liberation movements in Africa 1945-1994</i>. Munich: Prestel.</p>      <p>Enwezor, O., &amp; Bester, R. (Eds.) (2013)<i>. Rise and fall of apartheid: Photography and the </i><i>bureaucracy of everyday life</i>. Munich: Prestel.</p>      <!-- ref --><p>Fanon, F. (1980). <i>Toward</i><i> </i><i>the African revolution</i>. London: Writers and Readers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844668&pid=S0874-6885201900020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fanon, F. (2001). <i>The wretched of the earth</i>. London: Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844670&pid=S0874-6885201900020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fanon, F. (2008). <i>Black skin, white masks</i>. London: Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844672&pid=S0874-6885201900020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ferguson, J. (2006). <i>Global shadows: Africa in the neoliberal world order</i>. Durham: Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844674&pid=S0874-6885201900020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Forjaz, M. (2015). <i>Mozambique 1975-1985</i>. Johannesburg: Jacana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844676&pid=S0874-6885201900020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Foster, H. (1985). The &#8220;primitive&#8221; unconscious of modern art. <i>October, 34</i>, pp. 45-70.</p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. 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<body><![CDATA[<p>Naro, N. P., Sansi-Roca, R., Treece, D. H. (Eds.) (2007). <i>Cultures of the lusophone black Atlantic</i>. New York: Palgrave Macmillan.</p>      <!-- ref --><p>Nietzsche, F. (1999 [1872]). <i>A origem da tragédia</i>. Lisboa: Lisboa Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844705&pid=S0874-6885201900020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nietzsche, F. (1998 [1886]). <i>Beyond good and evil: Prelude to a philosophy of the future</i>. Oxford &amp; New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844707&pid=S0874-6885201900020000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Oguibe, O. (2004). <i>The culture game</i>. Minneapolis &amp; London: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844709&pid=S0874-6885201900020000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Paredes, M. (2015). <i>Combater duas vezes: Mulheres na luta armada em Angola</i>. 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Lisboa: Edições 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844715&pid=S0874-6885201900020000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Piçarra, M. C., &amp; António, J. (Org.) (2013). <i>Angola, o nascimento de uma nação: Vol. 1: O cinema do império</i>. Lisboa: Guerra e Paz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844717&pid=S0874-6885201900020000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Piçarra, M. C., &amp; António, J. (Org.) (2014). <i>Angola, o nascimento de uma nação: Vol. 2: O cinema da libertação</i>. Lisboa: Guerra e Paz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844719&pid=S0874-6885201900020000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Piçarra, M. C., &amp; António, J. (Org.) (2015). <i>Angola, o nascimento de uma nação: Vol. 3: O </i><i>cinema da independência</i>. Lisboa: Guerra e Paz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844721&pid=S0874-6885201900020000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pinney, C. (2011). <i>Photography and anthropology</i>. London: Reaktion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844723&pid=S0874-6885201900020000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pratt, M. L. (1992). <i>Imperial eyes: Travel writing and transculturation</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844725&pid=S0874-6885201900020000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Smith, A., Brown, D. B., &amp; Jacobi, C. (Eds.) (2015). <i>Artist and empire: Facing Britain&#8217;s imperial past</i>. London: Tate.</p>      <p>Thompson, D. (2018). Untitled futures from history&#8217;s edge by José Cabral. <i>Visual studies, </i><i>33</i>(1), pp.70-83.</p>      <!-- ref --><p>Vale de Almeida, M. (2004). <i>An earth-colored sea: &#8216;Race&#8217;, culture, and the politics of identity in the post-colonial Portuguese-speaking world</i>. New York &amp; Oxford: Berghahn Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1844729&pid=S0874-6885201900020000600047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Young, R. J. C. (1995). Foucault on race and colonialism. <i>New formations, 25</i>, pp. 57-65.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>  Entre 23 de Novembro de 2017 e 31 de Janeiro de 2018, Kala apresentou <i>Entre-de-lado/As Queen Victoria </i>(2012-2017) na exposi&ccedil;&atilde;o colectiva <i>Being Her(e)</i>, comissariada por Paula Nascimento (Angola) e Violet Nantume (Uganda) na Galeria do Banco Econ&oacute;mico em Luanda. Este foi um projecto itinerante da plataforma !KAURU - Contemporary Art from Africa (&Aacute;frica do Sul), em parceria com a galeria angolana This Is Not a White Cube (TINAWC) e Beyond Entropy Africa (Angola), entre outros parceiros. Nesta exposi&ccedil;&atilde;o, Kala expandiu a s&eacute;rie fotogr&aacute;fica <i>Entre-de-lado </i>sob a forma da instala&ccedil;&atilde;o mixed-media, recorrendo &agrave; performance para fotografia, &agrave; fotografia, ao vidro e &agrave; madeira. Sobre esta e outras exposi&ccedil;&otilde;es em Luanda e Lisboa neste per&iacute;odo, conferir Balona de Oliveira (2018).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>  Mo&ccedil;ambique pertence tanto &agrave; Comunidade de Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (CPLP), como &agrave; Commonwealth. Para al&eacute;m da &Aacute;frica do Sul, partilha as suas fronteiras com a Suazil&acirc;ndia, o Zimbabwe, a Z&acirc;mbia, o Malawi e a T&acirc;nzania, pa&iacute;ses que tamb&eacute;m foram col&oacute;nias brit&acirc;nicas. </p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>   A figura da vi&uacute;va vestida   de negro surge,   por exemplo, em algumas fases   da obra <i>Sea (E)scapes </i>(2015-2018),   nomeadamente na que foi desenvolvida em Lisboa. Esta &eacute; uma obra em processo que   examina conex&otilde;es entre Lisboa, Maputo, Ilha de Mo&ccedil;ambique, Cidade do Cabo e S&atilde;o   Lu&iacute;s do Maranh&atilde;o, a partir da   hist&oacute;ria do S&atilde;o Jos&eacute; - Paquete de &Aacute;frica, um navio negreiro portugu&ecirc;s que viajava entre Mo&ccedil;ambique e o Brasil quando naufragou   ao largo da Cidade do Cabo em 1794. A artista mo&ccedil;ambicana An&eacute;sia Manjate   tamb&eacute;m aborda a tem&aacute;tica da vi&uacute;va vestida de negro, enquanto resultado   da influ&ecirc;ncia colonial.   Em <i>Mulher changana calada </i>e <i>Mulher changana     calada II</i>, examina criticamente algumas tradi&ccedil;&otilde;es da etnia changana (no   sul de Mo&ccedil;ambique), nomeadamente no que concerne os rituais de viuvez feminina   e de casamento da mulher vi&uacute;va. Em <i>Mulher changana calada </i>(2006), conjuga v&aacute;rios   objectos associados &agrave; condi&ccedil;&atilde;o da mulher   changana, como a esteira onde normalmente se senta, as capulanas coloridas que   normalmente veste, assim como b&uacute;zios, um ter&ccedil;o crist&atilde;o   e o v&eacute;u preto da viuvez.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>    Para al&eacute;m da sua apari&ccedil;&atilde;o   no v&iacute;deo <i>Measuring blackness and     a guide to many other     industries </i>(2016) - que   faz parte da instala&ccedil;&atilde;o <i>Sup&otilde;e que a verdade fosse     uma mulher&#8230; E porque n</i>&atilde;o? (2016) e que examino adiante   -, <i>That [BLCK] Dress </i>surge tamb&eacute;m em obras como <i>Telling time: From compound to city </i>(2014) e <i>Will see you     in December&#8230;Tomorrow </i>(2015). Sobre   esta &uacute;ltima, ver Balona   de   Oliveira (2017).</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>    A no&ccedil;&atilde;o de conhecer para dominar tem sido elaborada por v&aacute;rios   autores que, recorrendo &agrave; ideia Foucaultiana   de &#8216;power/knowledge&#8217;, a aplicaram a situa&ccedil;&otilde;es coloniais (algo que o pr&oacute;prio Foucault,   supreendentemente, nunca chegou   a fazer) (Foucault, 1980; Mudimbe,   1988; Young, 1995). ).</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a>    Em rela&ccedil;&atilde;o   ao cinema de propaganda colonial   no contexto angolano,   conferir Pi&ccedil;arra (2015).</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>    Esta e outras   obras de Kala - como a j&aacute; referida <i>Sea (E)scapes </i>(2015-2018) - contribuem para a   abertura de teorias em torno   do Atl&acirc;ntico Negro (Gilroy, 1993, 2010)   e do Atl&acirc;ntico Negro lus&oacute;fono   (Naro, Sansi-Roca, &amp; Treece,   2007; Vale de Almeida,   2004), no sentido   de uma maior inclus&atilde;o do &Iacute;ndico   na hist&oacute;ria do tr&aacute;fico transatl&acirc;ntico de pessoas negras   escravizadas e das culturas atl&acirc;nticas negras da&iacute; resultantes. Conferir   Harries (2016) e Balona de Oliveira (2017).        <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a>    No que concerne   o papel das mulheres na luta de liberta&ccedil;&atilde;o e na guerra   civil em Angola,   conferir Paredes (2015).</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a>    Conferir o website da artista em <a href="http://euridicekala.blogspot.pt/p/works.html" target="_blank">http://euridicekala.blogspot.pt/p/works.html</a> .</p>      ]]></body><back>
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