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<journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Considerações sobre o arquivo em práticas artísticas pós-coloniais: Uma reflexão a partir da obra de Ângela Ferreira]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Considerations on the archive in post-colonial artistic practices: A reflection from the work of Ângela Ferreira]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Centro de Estudos Humanísticos ]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-68852019000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-68852019000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-68852019000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Neste breve ensaio proponho fazer uma reflexão em torno das diferentes aceções da ideia de arquivo e das possibilidades de interpretação que as mesmas abrem na análise de diversas práticas artísticas e de representação, podendo ser posicionada no âmbito dos novos discursos da crítica contemporânea, genderizados e descentralizados. Partindo de uma perspetiva percetiva (Gilles Deleuze), pretendo investigar a possibilidade de esboçar uma ideia de “arquivo percetivo”, conceito que pode ser utilizado na análise de práticas artísticas contemporâneas e na revisão que estas têm operado nas representações e no eixo ético-político dos discursos feministas e pós/des-coloniais.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this short paper I propose a reflection around different perspectives on the idea of the archive and the interpretative possibilities it might open in terms of analyzing different types of artistic and representation practices, thus being placed in the context of contemporary critical discourses, that are both gendered and decentralized. Departing from a ‘perceptive’ perspective (Gilles Deleuze), I intend to draw on the idea of a ‘perceptive archive’, a concept that can be used in the analysis of contemporary artistic practices and in the revision that such practices have been producing in the representations and the ethical and political axis of feminist and post/de-colonial discourses.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Considerações sobre o arquivo   em práticas artísticas pós-coloniais:   Uma reflexão a partir da obra de Ângela Ferreira </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Considerations on the archive in post-colonial artistic practices: A reflection from the work of &Acirc;ngela Ferreira</b></font></p>     <p><b>Márcia Oliveira*</b></p>     <p>* Universidade do Minho, Centro de Estudos Human&iacute;sticos, 4710-057, Braga, Portugal, <a href="mailto:marciacoliveira@ilch.uminho.pt">marciacoliveira@ilch.uminho.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste breve ensaio proponho fazer uma reflexão em torno das diferentes aceções da ideia de arquivo e das possibilidades de interpretação que as mesmas abrem na análise de diversas práticas artísticas e de representação, podendo ser posicionada no âmbito dos novos discursos da crítica contemporânea, genderizados e descentralizados. Partindo de uma perspetiva percetiva (Gilles Deleuze), pretendo investigar a possibilidade de esboçar uma ideia de &#8220;arquivo percetivo&#8221;, conceito que pode ser utilizado na análise de práticas artísticas contemporâneas e na revisão que estas têm operado nas representações e no eixo ético-político dos discursos feministas e pós/des-coloniais.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Ângela Ferreira; arquivo percetivo; feminismo; pós-colonial.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In       this short paper I propose a reflection around different perspectives on the       idea of the archive and the interpretative possibilities it might open in terms       of analyzing different types of artistic and representation practices, thus being placed in the context of contemporary critical discourses, that are both gendered and decentralized.       Departing from a &#8216;perceptive&#8217; perspective (Gilles       Deleuze), I intend       to draw on the       idea of a &#8216;perceptive       archive&#8217;, a concept       that can be used in the analysis       of contemporary artistic practices       and in the revision that such practices have been producing       in the representations and the ethical       and political axis       of feminist and post/de-colonial discourses.</p>      <p><b>Keywords</b>: Ângela Ferreira; perceptive archive; feminism; post-colonial.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Perante o desafio   de pensar as relações entre   género na arte de países   lusófonos, proponho-me fazer   uma reflexão em torno   de uma diferente aceção   da ideia de arquivo e das possibilidades de interpretação que   a mesma abre na   análise de diversas práticas de representação no contexto   de revisões de discursos unos   e hegemónicos como   a pós-colonialidade e o feminismo que nos permita a possibilidade de abrir o campo conceptual a partir do qual   estas relações se encetam. Não se tratando de uma análise   à obra de Ângela Ferreira <i>tout court</i>, a mesma   servir-me-á de mote   para proceder a esta pequena reflexão   exploratória acerca de formas através das quais   o arquivo pode passar de constritivo e prescritivo a disruptivo, reorganizando simbologias, sentimentos e relações de poder. Parto, assim, de uma perspetiva percetiva, isto é, pensando o arquivo em termos de perceptos,   ou o   &#8220;conjunto de perceções e sensações que se tornaram   independentes de quem o sente&#8221;   (Bouatang, 1996, s/p). Pretendo investigar a possibilidade de esboçar uma ideia de &#8220;arquivo percetivo&#8221;, que servirá de base para introduzir as potencialidades do uso deste   conceito em práticas   artísticas contemporâneas e na revisão que   estas têm operado   nas representações e no eixo   ético-político dos discursos pós-coloniais mas também   dos discursos feministas. Este contributo far-se-á convocando as séries <i>For</i><i> </i><i>Mozambique</i> (2008-2011) e <i>Study for monuments to Jean Rouch&#8217;s   Super 8 film   workshop in </i><i>Mozambique </i>(nº   1, 2 e 3; 2011),   da autoria de Ângela Ferreira (Maputo, 1958).   A primeira série compõe-se de três instalações que integram elementos esculturais, vídeo e texto:   <i>Model </i>nº 1 for <i>screen-tribune-kiosk</i>, <i>Model </i>Nº 2 <i>for </i><i>screen-orator-kiosk </i>e <i>Model   </i>Nº 3 for <i>propaganda     stand, Screen and loudspeaker platform</i>. Em <i>Model     </i>nº 1 <i>of     screen-tribune-kiosk celebrating </i><i>a post-independence utopia </i>(2008), diversos elementos são utilizados nas instalações,   como fotografias e fragmentos de filmes que   foram associados a outras referências da história da arte, mais concretamente as estruturas   construtivistas <i>agitprop </i>de Gustav   Klutsis (Eslovénia, 1895-1938) e o <i>Model </i><i>for</i><i> </i><i>monument to the third international </i>(1920), da autoria do russo Vladimir Talin. Segundo Ana   Balona de Oliveira, todas as três   variações do tema &#8220;celebram a utopia pós-independência&#8221; (2016, p. 132), porém,   para lá de celebratória, a investigação artística de Ângela   Ferreira usa diferentes tipos de memórias, pessoais e afetivas,   imagéticas, textuais, fílmicas, escultóricas e   arquiteturais para construir um espaço   percetivo marcado pela   &#8220;interseção   de linguagens, estilos e histórias (culturais e pessoais)&#8221; (Oliveira, 2006, p.13) mas também por uma &#8220;memória da história do medium e a sua relação com as condições de representação&#8221; (Lapa, 2003, p. 31).</p>      <p>Em 2010, Ângela Ferreira levou a cabo uma investigação em Maputo em torno   dos workshops de filme super 8 conduzidos por Jean Rouch nos anos pós independência. A pesquisa   resultou também na série escultórica <i>Study</i><i> </i><i>for </i><i>monuments</i><i> </i><i>to Jean Rouch&#8217;s Super 8 film workshop     in Mozambique</i>, inspirada,   como nota ainda Balona de Oliveira,   na ideia de &#8220;câmara política&#8221; e do projeto   cinema direto descritos por Jacques   d&#8217;Artuys num artigo publicado no jornal Le   monde diplomatique em 1980. Este é, pois, um processo   que não é apenas   criativo, mas de investigação, pois,   como diz a própria Ângela Ferreira, &#8220;eu não conheço   outra maneira de trabalhar.   Radicalizo-me nesta posição de artista, pensadora, investigadora, com uma prática artística investigativa. E isso para mim é uma   posição política&#8221; (Vahia, n.d.). A este processo   de pesquisa,   verdadeiro ato arqueológico(<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>), associa-se um processo de montagem de fragmentos ou resqu&iacute;cios do passado   assim reconfigurados enquanto   &#8220;suscita[m] o aparecimento (&#8230;) de certas   &laquo;rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas e secretas&raquo; de certas &laquo;correspond&ecirc;ncias&raquo; capazes de propiciar   um conhecimento <i>transversal</i><i> </i>dessa inesgot&aacute;vel complexidade hist&oacute;rica&#8221;, para usar a feliz f&oacute;rmula   de Georges DidHuberman (2013, p. 19) quando reflete sobre o Atlas de Aby   Warburg. Neste   tipo de reconfigura&ccedil;&otilde;es dos discursos   presentes atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o   de resqu&iacute;cios do passado,   h&aacute; uma movimenta&ccedil;&atilde;o temporal e geogr&aacute;fica   permanente que n&atilde;o cessa com a produ&ccedil;&atilde;o   da obra, mas antes se reproduz   de m&uacute;ltiplas formas a cada leitura   - as refer&ecirc;ncias migram e transfiguram-se porque a estas se   agrupam outras refer&ecirc;ncias e outras mem&oacute;rias   afetivas que assim formam novo percepto, isto &eacute;, uma nova s&iacute;ntese entre perce&ccedil;&otilde;es e sensa&ccedil;&otilde;es,   sendo que as perce&ccedil;&otilde;es, podemos diz&ecirc;-lo, s&atilde;o hist&oacute;ricas, temporais; as sensa&ccedil;&otilde;es, materiais, localizadas. E &eacute; desta interse&ccedil;&atilde;o que emerge a ideia de um arquivo   percetivo, que torna as perce&ccedil;&otilde;es   independentes do sujeito   que perceciona(<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>), e cuja exist&ecirc;ncia   p&otilde;e em causa a no&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica de arquivo, consequentemente, pondo em marcha as suas potencialidades cr&iacute;ticas e disruptivas.</p>     <p>A construção de um arquivo implica certos atributos: trata-se de uma recolha de itens que são arrumados   num espaço específico, comum, pondo em relação   passado e presente   e apresentando questões   de memória, repetição, reprodução e poder nos interstícios entre representação e realidade. Segundo a definição avançada por Jacques Derrida em <i>Archive</i><i> </i><i>fever</i>, &#8220;não há poder político sem controlo do arquivo,   senão mesmo da própria   memória. A democratização efetiva pode sempre ser medida segundo esse critério essencial que éoacesso ao arquivo e a participação nele, na sua constituição e na sua interpretação&#8221; (1998,p. 4). O arquivo percetivo, diferentemente, e fazendo uso de memórias afetivas, descontrola, baralha as cartas do poder e dá de novo, de formas absolutamente imprevisíveis; põe em movimento um conjunto de relações tempo/espaço que podem ser, simultaneamente, construtivas e destrutivas. O arquivo pode assim passar de constritivo e prescritivo a disruptivo, reorganizando simbologias, sentimentos erela&ccedil;&otilde;es de poder. &Eacute; pois esteo sentido com que diversos artefactos visuais est&atilde;o sendo convocados em pr&aacute;ticas art&iacute;sticas contempor&acirc;neas como a de &Acirc;ngela Ferreira. Poss&iacute;veis espa&ccedil;os de controlo (atrav&eacute;s da sele&ccedil;&atilde;o ou do esquecimento no ato de compor o arquivo) s&atilde;o assim transformados em espa&ccedil;os de engajamento cr&iacute;tico, potenciando a forma&ccedil;&atilde;o de novos discursos em torno da configura&ccedil;&atilde;o das identidades em territ&oacute;rios marcados pelo colonialismo. Como refere Hal Foster quando reflete sobre diversas estrat&eacute;gias de arquivo na arte contempor&acirc;nea, &#8220;menos preocupados com origens absolutas e mais interessados em tra&ccedil;os obscuros (talvez impulso arquiv&iacute;stico seja uma frase mais apropriada aqui), estes artistas s&atilde;o frequentemente atra&iacute;dos por come&ccedil;os n&atilde;o cumpridos ou por projetos incompletos - na arte e na hist&oacute;ria da arte - que novamente possam oferecer pontos de partida&#8221; (2006, p. 144). Estes funcionam n&atilde;o s&oacute; como testemunho de afetos e de perce&ccedil;&otilde;es que ficaram por abordar na narrativa linear da hist&oacute;ria, mas tamb&eacute;m como mat&eacute;ria da arte em si para formar esculturas, filmes e instala&ccedil;&otilde;es que agrupam peda&ccedil;os, resqu&iacute;cios enterrados de um passado que &eacute; formativo do nosso presente (normativo) e do nosso futuro (disruptivo).</p>     <p>O potencial ético-político do arquivo   percetivo materializa-se de forma muito especial em suportes múltiplos como filme, mas também no livro - que pode ser   pensado em termos   similares aos do filme, uma   vez que põem em jogo uma experiência que se pode dizer cinemática, em movimento e, de   certa forma, colaborativa -, outrora inovações técnicas que anteviam o futuro e agora   funcionam como arquivos, arquivos que não são fechados, que mantêm aberta uma   porta de entrada. Isto se pode   certamente dizer de peças   como as de Ângela Ferreira, que integram   imagem, texto e objeto escultórico, recuperando a ruína   do arquivo para convocar precisamente um conjunto de perceções e sensações que atravessam   o tempo e se   reconfiguram de forma   crítica e com potencial transformador de dogmas, abrindo assim   o campo da obra de arte. Mas   o que caracteriza esse arquivo percetivo e como é que as suas potencialidades são postas   em jogo, ou em   movimento? Partindo então do exemplo citado   da obra de Ângela Ferreira,   podemos identificar três dimensões desse   arquivo percetivo, que   configuram o método   através do qual a artista extrai   com a obra um &#8220;bloco de sensações&#8221;(<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>): a dimensão material e estética (relacionada com as particularidades do meio e com o diálogo encetado   entre escrita e imagética, imagem estática e imagem em movimento); a dimensão temporal   e espacial, que implica um deslocamento no espaço e no tempo   dos materiais e processos resgatados a um &#8216;arquivo   esquecido&#8217; que é posteriormente reconfigurado; a dimensão pessoal/individual que   se estende ao coletivo, não apenas por simples estratégia de identificação, mas por via   da ativação de circuitos que se podem dizer   críticos. Partimos aqui   do princípio de que, como   acreditava Deleuze no seu estudo   sobre cinema, &#8220;o próprio   modo cinemático alterou as possibilidades de pensar   e de imaginar&#8221; (Colebrook, 2002,   p. 30), e assim chegamos à importância que   a materialidade da obra adquire   na expressão de algo   que não está   &#8220;localizado num sujeito&#8221; (Colebrook, 2002, p. 29), isto é, um percepto. O percepto transforma o arquivo, e esta reinvenção do arquivo, e consequentemente da própria comunicação da obra com o   seu espectador, tornado   ativo, tem vindo a revelar-se como   seminal nas interseções   dos estudos e das práticas pós-coloniais com as artes.   O arquivo percetivo, verdadeira força   política, entrelaçando as dimensões anteriormente referidas, permite uma reinvenção do hoje a partir de um passado que não é estático,   de uma história que se revela multimodal a cada olhar. Novos olhares   e novas formas que preenchem os espaços deixados   vazios pela história, os seus interstícios. Assim   se pode dizer   um arquivo percetivo, o qual pode ser visto   como algo de subjacente a um vasto conjunto   de práticas artísticas da contemporaneidade que operam uma revisão,   ou uma reconceptualização, das representações que marcam o eixo ético-político dos estudos pós-coloniais e, também, dos discursos   feministas(<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>). Isto porque olhar   o arquivo implica   procurar, insistir, estar atento,   inclusivamente até ao   ponto da fadiga, como nota Renée   Green (2006). A artista salienta   ainda que esta característica que define e condiciona profundamente o contacto com o arquivo   pode levar a um ponto   de negações e a um efeito de anulação: &#8220;Aquilo que designo   como efeito de anulação pode ser pensado   em termos de ausências, lacunas, buracos   que ocorrem quer no meio de uma grande   densidade de informação, quer no meio da sua ausência&#8221; (Green, 2006,p. 49). Esta perspetiva leva-nos   a considerar a dicotomia entre presença e ausência que marca e define qualquer   material que se diga &#8216;histórico&#8217;, isto é, arquivo e memória de uma realidade que é sempre   consequência de um conjunto de circunstâncias ideológicas que determinam a medida da sua   visibilidade e aquilo   que &#8216;sobrevive&#8217;(<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>), seja através daquilo   que é guardado (protegido, mas também posto   de parte ou ocultado), seja através   daquilo que   é recuperado. E é precisamente neste   ato de recuperar, de trazer à luz   através de práticas marcadas por uma subjetividade outra, que nos indica que o arquivo encerra   esse potencial (ou dimensão) ético   e político de preencher   as lacunas das narrativas prevalecentes, servindo para reorganizar estruturas de valor, de poder, etc.</p>      <p>O movimento   histórico das imagens   e processos assim recuperados   não é pois um movimento linear, evolutivo ou normativo; é um movimento produtivo, crítico, que junta materiais do passado com perceções e afeções do presente; também com projeções de futuro.   É, pois, trans-temporal e, de certa   forma, também trans-geográfico porque permite que   escritas e leituras de diferentes localizações - localizações geográficas, mas também   localizações conceptuais e ideológicas - confluam num   único espaço,   que é o da obra e da sua   apreensão. É um sistema   de apreensão do lugar   e do olhar do outro que irrompe em cada um de nós. O que Deleuze nos mostra é que   &#8220;a imagem nunca está   só. O que conta   é a relação entre   imagens&#8221; (2003, p. 78), pelo   que há necessariamente também uma relação entre imagens   reais, óticas, e imagens   mentais - imagens   criadas, construídas. Uma relação   entre real e imaginário que   se constrói como   uma dimensão outra   - cria-se imagem virtual. A experiência composta pelas novas sequências de espaço e de   tempo torna-se assim   mais do que   uma mera lembrança ou memória de um   momento coletivo da história;   ela, a experiência da obra, torna-se   um ato crítico sem nunca deixar de ser ato expressivo, quer na intenção   do autor, quer na relação com o espectador. Neste sentido, a ligação   entre a história da arte ocidental e a história política e social   de África que   Ângela Ferreira opera nestes   trabalhos é efetuada   não apenas através de mera citação   mas através de criação de movimentos espaciais e temporais que conjugam o presente com a recuperação do passado, mas também um sentir coletivo com um sentir individual. Recuperando não só imagens, mas processos criativos, c&iacute;vicos, revolucion&aacute;rios dos escombros da hist&oacute;ria, Ferreira produz um arquivo outro, livre dos constrangimentos do ba&uacute; dos livros de hist&oacute;ria, mostra-nos &#8220;coisas a entrever ou prever. (&#8230;) [isso &eacute;], ver sob o ponto de vista das &#8220;rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas e secretas entre as coisas, as correspond&ecirc;ncias e as analogias&#8221; (Didi-Huberman, 2013, p. 43).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b> </p>     <!-- ref --><p>Agamben, G. (1999). <i>Remnants of Auschwitz. Witness and the archive </i>(D. Heller-Roazen, Trans.). Brooklyn: Zone Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845117&pid=S0874-6885201900020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Bouatang, P.-A. (1996). L&#8217;abécédaire de Gilles Deleuze. Paris: Éditions Montparnasse.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845119&pid=S0874-6885201900020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> DVD. Colebrook, C. (2002). <i>Gilles Deleuze</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845120&pid=S0874-6885201900020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Deleuze, G. (2003). <i>Conversações</i>. Lisboa: Fim de Século Edições.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845122&pid=S0874-6885201900020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Deleuze, G., &amp; Guattari, F. (1992). <i>O que é a &#64257;loso&#64257;a?</i>. Lisboa: Editorial Presença.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845124&pid=S0874-6885201900020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Derrida, J. (1998). <i>Archive fever: A Freudian   impression</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845126&pid=S0874-6885201900020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Didi-Huberman, G. (2013). <i>Gaia ciência inquieta</i>. Lisboa: KKYM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845128&pid=S0874-6885201900020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (2014). <i>A arqueologia do saber. </i>Lisboa: Edições   70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845130&pid=S0874-6885201900020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Foster, H. (2006). An archival impulse. In C. Merewether (Ed.), <i>The archive </i>(pp. 143-148). London: Whitechapel Gallery.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845132&pid=S0874-6885201900020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Green, R. (2006). Survival: Ruminations on archival lacunae. In C. Merewether (Ed.),   <i>The archive </i>(pp. 49-55). London: Whitechapel Gallery.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845134&pid=S0874-6885201900020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lapa, P. (2003). Viagem como metáfora. In P. Lapa &amp; A. Renton (Eds.), <i>Em s</i>ítio <i>algum</i> (pp. 11-60). Lisboa: Museu de Arte Contemporânea do Chiado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845136&pid=S0874-6885201900020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Oliveira, A. B. (2016). Archival past futures of revolution and   decolonisation in contemporary artistic practice from, and about, &#8216;lusophone&#8217; Africa. In M. Nash (Ed.), <i>Red </i><i>Africa: A&#64256;ective communities and the Cold War </i>(pp. 131-143). Londres: black dog publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845138&pid=S0874-6885201900020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Oliveira, F. (2006). O (re)volver do espaço e das coisas. In F. Oliveira e A. Renton (ed.), <i>(re)volver </i>(pp. 10-21). Lisboa: Plataforma Revólver.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845140&pid=S0874-6885201900020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vahia,   L. (n.d.). Entrevista a Ângela Ferreira. <i>Arte     capital</i>. Disponível em <a href="http://www.artecapital.net/entrevista-167-angela-ferreira" target="_blank">http://www.artecapital.net/entrevista-167-angela-ferreira</a>. Consultado a 24/07/2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1845142&pid=S0874-6885201900020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>  No texto &#8216;A viagem como met&aacute;fora&#8217;, Pedro Lapa insere a obra de &Acirc;ngela Ferreira numa perspetiva etnogr&aacute;fica, na senda de te&oacute;ricos como James Clifford. Diz Lapa que, &#8220;este apelo que os preceitos etnogr&aacute;ficos constitu&iacute;ram para muitos artistas, como David Hammons, Jimmie Durham, Alan Sekula, Susan Hiller, Mark Dion, Ren&eacute;e Green, Gabriel Orozco ou &Acirc;ngela Ferreira, situados em posi&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas ou semi-perif&eacute;ricas, teriam contiguidade e influ&ecirc;ncia decisiva nos procedimentos das suas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, que partilhavam uma descren&ccedil;a relativamente &agrave; no&ccedil;&atilde;o de cultura cumulativa produzida pelos centros das vanguardas e das neo-vanguardas&#8221; (2003,   p. 33). Opto por associar o processo criativo de Ferreira   a &#8216;ato arqueol&oacute;gico&#8217; devido ao facto de esta disciplina implicar precisamente a an&aacute;lise de vest&iacute;gios materiais do passado,   o que se coaduna com a reflex&atilde;o   que aqui proponho.   Obviamente, esta perspetiva   &eacute;   devedora desse texto foucaldiano fundamental, <i>A     arqueologia do saber </i>e, mais concretamente, o cap&iacute;tulo 3.5, &#8216;O a priori   hist&oacute;rico e o arquivo&#8217;. A&iacute; atribui   Foucault o &#8220;t&iacute;tulo   de <i>arqueologia</i>&#8221; &agrave;s investiga&ccedil;&otilde;es baseadas no arquivo, sejam elas &#8220;forma&ccedil;&otilde;es discursivas, a an&aacute;lise   das positividades, a determina&ccedil;&atilde;o do campo enunciativo&#8221;. Assim,   conclui, &#8220;a arqueologia descreve   os discursos como pr&aacute;ticas especificadas no elemento do arquivo&#8221; (2014, pp. 180-181).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>    &#8220;O percepto &eacute;a paisagem anterior ao homem, na aus&ecirc;ncia do homem&#8221; (Deleuze   &amp; Guattari, 1992, p. 149).</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>    &#8220;O objetivo da arte, com os meios   do material, &eacute; o de arrancar o percepto &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es de objecto   e aos estados de um sujeito de perce&ccedil;&atilde;o,   o de arrancar o afeto   &agrave;s afe&ccedil;&otilde;es como   passagem de um estado ao outro.   Extrair um bloco   de sensa&ccedil;&otilde;es&#8221; (Deleuze   &amp; Guattari, 1992, p. 147).</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>    Se Ferreira   opera uma reorganiza&ccedil;&atilde;o do arquivo p&oacute;s-colonial e das pr&aacute;ticas   modernistas a partir de uma perspetiva p&oacute;s-colonial, no feminismo o arquivo &eacute; reorganizado a partir do corpo e da   subjetividade das mulheres, sendo que frequentemente v&aacute;rias periferias - geogr&aacute;fica, cultural, &eacute;tnica, de g&eacute;nero - confluem numa mesma obra.   Podemos citar, a t&iacute;tulo de exemplo, a obra de Anna   Bella Geiger, artista   brasileira que p&otilde;e em movimento o percepto a partir de um arquivo imag&eacute;tico ind&iacute;gena   e da explora&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;todo cartogr&aacute;fico.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>    Ver Agamben, 1999.</p>      ]]></body><back>
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