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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[VitaSackville-West e Annemarie Schwarzenbach: dois olhares femininos sobre o Médio Oriente nos anos 20 e 30]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Vita Sackville-West and Annemarie Schwarzenbach: two feminine glances on the Middle East in the 20s and 30s]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this essay several travel texts by Vita Sackville-West and Annemarie Schwarzenbach to the Middle East during the 20s and the 30s will be analized, having in account the respective individual and collective contexts. Tools from geocritical theories, among others, will be used, both in the production and the reception moments. Space in texts only exists in itself as a consequence of a complex process, both in the writing and reading processesdealing with rational and emotional aspects and conditions of personal memory and fictionalizing processes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>VitaSackville-West e Annemarie Schwarzenbach: dois olhares femininos sobre o Médio Oriente nos anos 20 e 30<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Vita Sackville-West and Annemarie Schwarzenbach: two feminine glances on the Middle East in the 20s and 30s</b></font></p>     <p><b>Gonçalo Vilas-Boas**</b></p>     <p>** Universidade do Porto, Faculdade de Letras, Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, 4150-564  Porto, Portugal, <a href="mailto:gonvilasboas@gmail.com">gonvilasboas@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste estudo pretende-se analisar   textos de viagem   ao Médio Oriente   de Vita Sackville-West e de Annemarie Schwarzenbach, nos anos 20 e 30 do século   XX, focando os respetivos contextos individuais e coletivos. Serão vistos à luz de teorias geocríticas, entre outras,   tendo em conta   os momentos da produção e da   receção textuais. O espaço literário só existe nele próprio,   como consequência de um   processo complexo, englobando a viagem, a vivência quer racional quer subjetiva,   a memória e a ficcionalização.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Literatura de viagens, Médio Oriente, Vita Sackville-West, Annemarie Schwarzenbach.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p> In this essay several travel texts by Vita Sackville-West and Annemarie Schwarzenbach to the Middle East during the 20s and the 30s will be analized, having in account the respective individual and collective contexts. Tools from geocritical theories, among others, will be used, both in the production and the reception moments. Space in texts only exists in itself as a consequence of a complex process, both in the writing and reading processesdealing with rational and emotional aspects and conditions of personal memory and fictionalizing processes.</p>     <p><b>Keywords: </b>Travel literature, Middle East, Vita Sackville-West, Annemarie Schwarzenbach.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os seres humanos sempre se deslocaram ao longo dos tempos pelas mais diversas razões, e muitas dessas deslocações deram azo a relatos de diferentes tipos. Mas os relatos de viagem sob uma perspetiva feminina começaram a aparecer sobretudo a partir do século XVIII, seguindo as atividades de colonização dos respetivos países, reagindo aos seus espaços de origem, ou em missões religiosas ou mesmo levadas por um espírito de aventura e de autoafirmação do género<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>.</p>      <p>Os textos de viagem são construções que têm em conta os contextos individuais e coletivos dos respetivos autores. Cada um de nós vive no seu território e é marcado por ele. Quando dele se ausenta, não deixa, contudo, de o transportar na sua bagagem individual, na sua &#8216;enciclopédia&#8217;, na aceção de Umberto Eco. Do reportório individual fazem parte narrativas lidas sobre os espaços a visitar antes de iniciar a viagem. No novo território, a que o viajante não pertence, mas com o qual quer partilhar algo, depois de atravessar fronteiras, é-se confrontado com espaços outros, que cada viajante percecionará a seu modo. Neste sentido, a literatura de viagens está muitas vezes intimamente ligada à escrita autobiográfica e à diarística, uma vez que, normalmente, tem por base viagens realizadas pelo autor, que depois transforma as suas experiências, filtradas pela memória, pelas leituras, pelas estratégias discursivas, pela introdução de situações imaginadas ou re-construídas, em textos, que mais não são que viagens encenadas em palavras.</p>     <p>O espaço é plural, sempre   disponível para quem o experiencia, dependendo do modo como o apreende.   O espaço textual   é uma produção que cada viajante, e só ele, produzirá daquele   modo, produto de uma reação racional e emocional. Assim, os mesmos espaços   serão vistos sempre de modo diferente, dependendo do sujeito, e nunca de modo holístico. Os espaços reais tornam-se, assim, &#8220;espaços de vivência&#8221; (Gertrud   Lehnert, 2011, p. 12). Estes   podem tornar-se em &#8216;heterotopias&#8217; individuais, espaços de compensação   que, como refere Foucault,   são espaços outros que surgem como alternativas face aos dominantes. Nós, leitores, temos, por conseguinte, de fazer um processo análogo, ou seja,   fazer a nossa   encenação a partir   da vivência de um espaço textual apresentado por um autor-viajante.</p>      <p>Podemos abordar este género literário utilizando também instrumentos da geocrítica, um outro modo de situar nos devidos contextos a literatura de viagens. A geocrítica foca as interações entre espaços humanos e a literatura, o que permite uma &#8220;perceção plural do espaço&#8221; (Westphal, 2000, pp. 17-18) e uma cartografia literária dos locais (Westphal<i>,</i><i> </i>2000), uma vez que o centro da análise é o espaço observado, não o espaço real: &#8220;C&#8217;est effectivement au-delà de la carte que naît l&#8217;espace de la littérature&#8221; (Laurel, 2015, p. 168). Para lá do mapa e do espaço real - mas com eles relacionado -, está o espaço literário, inexistente na realidade. Nesta perspetiva, os espaços literários serão vistos, seguindo Westphal, através da multifocalização, do polissensorialismo, onde o subjetivo se torna visível pelos sentidos, dados muitas vezes pela adjetivação a eles referente, e da estratografia, onde se têm em conta os diversos estratos espaciais e temporais, dentro e fora do texto (Westphal, 2007). Como refere Fátima Outeirinho, &#8220;a constituição do lugar ergue-se a partir desses imaginários geográficos a que as narrativas de viagem dão voz, mapeando ainda por palavras uma geografia mental e dos afetos, difícil de materializar geograficamente&#8221; (Outeirinho, 2016, p. 197).</p>      <p>Esta vivência é também condicionada pelo tempo despendido na deslocação: Gertrude Bell (1860-1926), por exemplo, viveu no Médio Oriente, teve tempo para apreender e vivenciar o Outro, assim como a suíça Isabelle Eberhardt (1877-1904), que viveu no Norte de África. Vita Sackville-West (1892-1962) e Annemarie Schwarzenbach (1908-1942), pelo contrário, estão em constante movimento, não tiveram tanto tempo para apreender a grandiosidade da paisagem, nem o Outro. Schwarzenbach diz em alguns textos que, ao chegar a um lugar, já sofria a dor, a angústia, da despedida.</p>      <p>Por seu lado, o leitor pode ter acesso a textos posteriores ao do viajante; nesse caso estes farão parte da construção do espaço pelo leitor, assim como da sua capacidade de comparar. Desta forma, a leitura pode dar lugar a uma construção mais vasta do que um determinado texto poderia prever à data da sua escrita.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Serão analisados alguns textos de viagens ao Médio Oriente de Vita Sackville-West e de Annemarie Schwarzenbach. Comecemos por algumas considerações que ajudam a compreender os contextos das obras das duas autoras.</p>      <p>Porquê o interesse por aquele espaço geográfico no período entre as guerras? As viagens dessa época eram essencialmente eurocêntricas. Partia-se do mundo mais civilizado para visitar países/zonas normalmente sob controlo colonialista ocidental, vistas em grande parte como social e culturalmente inferiores. Burdett/Duncan escrevem: &#8220;the pursuit of leisure and the desire to escape the repressive constraint of home&#8221; (Burdett &amp; Duncan, 2002, p. 4). O fascínio por essa zona vem de longe: pelos relatos clássicos por exemplo, o relato de Marco Polo, o livro <i>Mil e uma noites</i>, em traduções completamente ocidentalizadas, as <i>Cartas Persas </i>de Montesquieu ou <i>O divã </i><i>ocidental e oriental </i>de Goethe -, e também pela poesia persa, através de diversas traduções, incluindo as de Hafiz por Gertrude Bell. A importância geopolítica e económica da zona era também estratégica para as potências ocidentais, a que acrescia o petróleo, que começava a ser explorado. Há também o fascínio pelo passado longínquo, manifestado pelas diferentes escavações arqueológicas.</p>      <p>As viagens ao Médio Oriente serviram para confirmar ou corrigir os clichés, as heteroimagens criadas ao longo dos tempos. E quanto mais imbuídos estavam os viajantes das suas próprias imagens, menos estariam na predisposição de as corrigir<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>. Se o olhar depende essencialmente de cada indivíduo, independentemente do género, pode afirmar-se que o olhar feminino na época sobre o espaço social em questão apresenta algumas diferenças, nomeadamente o enfoque nas questões das mulheres e da família, a que elas tinham mais facilmente acesso como mulheres. Susan Bassnett refere que não se pode generalizar o que representam as viagens de mulheres,   dado que cada viajante é diferente, não uma categoria. Este ver o Outro implica   também a capacidade de as mulheres se verem   a si próprias de um outro ângulo.   Por outro lado,   comparando relatos de viajantes,   nota-se que o olhar   feminino se prende   muitas vezes em pormenores na apresentação do mundo social que encenam, numa visão que seleciona,   em muitas ocasiões, uma   visão do micro, algo   mais focado nas pessoas   e nos relacionamentos e dando ênfase   a um &#8220;documenting the everyday&#8221; (Bassnett, 2005, pp. 227-230). Comuns aos dois   géneros poderemos ver   a descrição do espaço geográfico, as dificuldades na deslocação devido às péssimas redes   rodoviárias, as posições   face ao tipo de sociedade, comparada com a europeia. A utilização da fotografia ou do desenho permitem reforçar aspetos da narrativa.  </p>     <p>Edward Said fala-nos de &#8216;Orientalismo&#8217;, defendendo a ideia de que o viajante ocidental levava consigo   um modo de ver colonial e imperial, que se manifestou em muitos textos.   Said fala de um &#8220;orientalizing the Oriental&#8221;   (Said, 1995, p. 49): o oriental   colonizado deve corresponder à imagem que o   colonizador constrói dele. Estas   imagens ocidentais provocam um encobrimento da realidade, funcionando na maioria dos casos como um campo   de projeção idealizado. Esta visão vai sendo progressivamente posta em causa e corrigida por muitos dos viajantes que a confrontam com a realidade. Pensemos no modo de viajar de muitas delas   (e deles), sobretudo a partir dos anos 20:   deslocam-se de automóvel, sinal de superioridade técnica, são recebidas pelas autoridades das aldeias por onde passam,   são cultas. Claro que também   elas são vistas pelo Outro,   só que essa voz raramente   transparece nos   textos, é quase   que um Outro com   corpo, mas não individualizado, sem voz. O Outro não tem geralmente espaço como indivíduo.</p>      <p>As viajantes querem escrever as suas experiências de viagens, com diferentes motivações, dependendo também das suas biografias. Ueckmann defende que &#8220;a função dos relatos de viagem é a tentativa de situar e diferenciar aquilo que se experimentou entre o Aqui e o Ali&#8221; (Ueckmann, 2001,p. 51)<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>. As viajantes emancipam-se, mostrando a sua não dependência completa do poder   patriarcal. Este aspeto   caracteriza o olhar   feminino das viajantes daquele tempo.</p>      <p>No   século XX muitas mulheres partiram para esta   zona do globo. Lembremos as inglesas Freya   Stark (1893-1993), Rosita   Forbes (1893-1967), Agatha Christie (1890-1976), as alemãs Annemarie von Nathusius (18751926), Clärenore Stinnes (1901-1990), Margret Boveri (1900-1975), a sueca   Maud von Rosen ou a francesa Marga   d&#8217;Andurain (1893-1949). As mulheres abandonaram temporariamente os seus contextos conservadores, libertando-se   por uns tempos   das condicionantes do seu tempo.   O caso de Gertrude Bell, uma das   mais importantes viajantes britânicas, é um pouco diferente: ela é viajante, arqueóloga, escritora, tradutora, diplomata, fala árabe, farsi e outras   línguas da região, viveu   na zona durante   décadas, participou na criação   da linha divisória com o Iraque, entre muitas outras atividades políticas e administrativas.</p>      <p>Nesta época, já pouco havia para descobrir de novo. Assim o essencial destes textos não era tanto o fornecer informações aos leitores (ainda que obviamente também o fizessem), mas o de mostrar a perceção do que viviam. Trata-se assim da criação de uma encenação de uma viagem, não de uma viagem em si, ainda que a ela ligada. &#8220;Accomplished travel writing is no less imaginative or well-crafted than five novels or poems&#8221;, escreve Tim Youngs (Youngs, 2004, p. 55).</p>      <p>Vita Sackville-West (1892-1962), conhecida quer pela sua vida, quer pela sua escrita, mas também pela amizade com Virginia Woolf, esteve na Pérsia duas vezes, em 1926 e 1927, para visitar o marido, Harold Nicholson, diplomata em Teerão. Escreveu dois livros sobre o país, <i>Passenger to Teheran </i>(1926) e no ano seguinte <i>Twelve days in Persia</i>. Para ela, &#8220;[t]ravel is the most private of pleasures. There is no greater bore than the travel bore&#8221; (SackvilleWest, 2010, p. 25). Sackville-West reflete sobre o papel da linguagem nas representações dos locais visitados e sobre a sua incapacidade de exprimir o que não é racional: &#8220;It may be that language, that distorted labyrinthine universe, was never designed to replace or even complete the much simpler functions of the eye. Language follows, a tortoise competing with the velocity of light [&#8230;]. The most - but what a most! - that language can hope to advance is suggestion&#8221; (Sackville-West, 2010, p. 27).</p>      <p>Sackville-West refere um outro viajante inglês, Alexander Kinglake (1809-1891): &#8220;Like Kinglake&#8217;s traveler, I was fit only to report of objects, not as I knew them to be, but as they seemed to me - and to read into them, I might add, a great many attributes they could not really possess&#8221; (Sackville-West, 2010, p. 45). Este livro, em conjunto com outros, contribuirá para o mapa textual da região que a viajante levará na sua &#8216;enciclopédia&#8217; e influenciará a sua leitura daquele espaço.</p>      <p>No primeiro livro,   Sackville-West relata, de modo muito   vívido e dinâmico, a sua viagem   da Europa a Teerão,   passando pelo Egito,   pela Índia e pelo Iraque, onde se encontra   com Gertrude Bell (Sackville-West, 2010, pp. 59-61), passando pelo deserto,   que vê como &#8220;yellow,   hideous, and as flat as the   sea, the desert   comes right up to the railway   line, and stretches away to the   circular horizon, unbroken   save by a little   scrub, a few leprous   patches of salt,   or the skeleton of a camel&#8221; (Sackville-West, 2010,   p. 58), a que se   segue o regresso pela Rússia e a Polónia.   Depois de quatro   dias através de paisagens desoladoras e de grande   pobreza persa, que vê com alguma ironia: &#8220;But Persia had   been left as it was   before man&#8217;s advent&#8221;   (Sackville-West, 2010, p.67), Teerão   não a impressiona e a coroação   do Reza Xá parece-lhe   uma grande realização carnavalesca (&#8220;Now   what can be more absurd   than a coronation?&#8221; (Sackville-West, 2010,   p. 132)). Outros locais   impressionam esta viajante, com muita curiosidade: &#8220;Experience in Isfahan   had been set in so different a key; the   Madrasseh, the night   at Kum, had   imposed themselves by virtue   of a quality so different and so much   more elusive than this crude   entertainment&#8221; (Sackville-West, 2010, pp. 136-7). A autora revê muitas vezes   a paisagem com   os olhos de outras viajantes, como Jane Dieulafoy (1858-1916), além de Bell.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No segundo livro, <i>Twelve days in Persia</i>, viaja para o Sul, sobretudo para encontrar as tribos nómadas dos Bakhtiari, terminando com uma visita a Persépolis, apresentada no capítulo XXIII. No capítulo que representa o início da viagem de regresso refere a sua posição de escritora: &#8220;I wish I could say that my impartiality had been such that the reader is unable to tell which way my sympathies lie&#8221; (Sackville-West, 2009, p. 131). Persépolis, diz ela, está na encruzilhada entre os nómadas de Bakhtiari e os interesses britânicos, representados pela Anglo-Persian Oil Company, ligando o passado e o presente colonial. A descrição da cidade começa por referir a posição numa planície completamente isolada: &#8220;Persepolis gains in splendour from its isolation&#8221; (Sackville-West, 2010, p 132). As ruínas parecem-lhe mais pequenas do que esperava. São um espaço solitário, com as suas colunas a apontarem para o céu: &#8220;As a ship launching out on an expanse of sea, the great terrace drives forward on the plain, encircled by mountains and the open sky and the hawks that wheel and hover between the columns&#8221; (Sackville-West, 2010, p. 132). Com a aproximação ao local apercebe-se da grandiosidade do palácio (&#8220;how massive that structure really is&#8221; (Sackville-West, 2010, p. 133)) e tenta   descrever o espaço, levando   o leitor consigo: &#8220;Now you   are in the midst   of the ruins; [&#8230;] A little further,   and you are in the Hall of the   Hundred Columns&#8221; (Sackville-West, 2010, p. 133). E releva a importância   dos fragmentos que deixam   antever o que   a cidade terá   sido há milhares de anos: &#8220;wars and dynasties   rol their forgotten drums, as the fragment is balanced for a moment   in the palm   of the hand&#8221;   (Sackville-West, 2010,   p. 133). Chama-lhe igualmente a atenção o silêncio que contrasta com a azáfama do espaço   outrora habitado, tal como ela o terá imaginado. O tempo passou, a mão   humana mal tocou   a cidade desde   que Alexandre, o Grande a destruiu. Sackville-West termina   o capítulo referindo outras cidades arruinadas, como Palmira e Heliópolis, que compara com a &#8220;superb   isolation of Persepolis&#8221; (Sackville-West, 2010,   p. 137). Victoria Glendinning escreve, na sua biografia da autora:   &#8220;But in 1927 she   saw the country as a &#8216;potential paradise&#8217;, and the   approach to the oilfields on the other   side of the   mountain as a transition from Paradise into   a &#8216;hell of civilization&#8217;&#8221; (Glendinning 1983, p.   174). Sackville-West enquadra-se no discurso orientalista e colonialista, de poder, embora   manifeste uma abertura face ao Outro, sobretudo o marginal que vive nas montanhas do Sul do país. A descrição da autora,   ainda que tentando ser objetiva, não o é pela seleção   pessoal dos aspetos   que mais a afetaram e que encontram eco no discurso escolhido.</p>      <p>Annemarie Schwarzenbach esteve quatro   vezes no Médio Oriente:   a primeira em 1933<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>. É esta viagem que está na base do diário   viagístico <i>Winter   </i><i>in Vorderasien </i>[<i>Inverno no Próximo     Oriente</i>]. A segunda   viagem teve lugar em 1934, tendo a autora   trabalhado como assistente num campo arqueológico. A terceira visita   foi em 1935,   ano em que   se casou com   o diplomata francês Claude Clarac   e em que passou parte   do verão num acampamento da Embaixada britânica perto de Teerão, no vale de Laar (baseou-se nesta estada para o seu romance   <i>Das Glückliche Tal </i>[<i>O Vale Feliz</i>])<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>; e finalmente em 1939-1940 com a aventureira e viajante   genebrina Ella Maillart (1903-1997). A autora conhecia   o relato da inglesa   Gertrude Bell <i>Persian pictures</i>, publicado em 1894, relatando uma viagem feita em 1892, mas também o livro de Robert Byron (1905-1941), <i>The road to Oxiana </i>(1937).</p>      <p>Em Annemarie Schwarzenbach é possível   ver como motivo das viagens o   desejo de emancipação, de fuga da mãe, da família, da Suíça conservadora e, simultaneamente, a procura de si mesma.   A escrita é o único   meio que encontra para se relacionar com a realidade, para a tentar   controlar. As viagens só são importantes na medida em que lhe   possibilitam conquistar o mundo   através da escrita. Mas   a linguagem também   tem de ser   conquistada. Schwarzenbach tem de lutar com   o mundo e com a linguagem para   tentar ganhar o seu próprio espaço e a sua linguagem.</p>      <p>Aqui serão referidos apenas dois livros<i>: Inverno no Próximo Oriente</i>, publicado em 1935, e <i>Todos os caminhos estão abertos: com Ella Maillart no Afeganistão (1939-1940)</i>, editado em 2000 com base em textos publicados em jornais ou em manuscritos inéditos<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>.</p>      <p><i>Inverno no Próximo Oriente </i>é um diário de viagem. Os diversos textos são datados, desde 15 de outubro de 1933 até 25 de março de 1934, exceto o último (&#8220;Persépolis&#8221;), onde é relatada a viagem de regresso à Europa. Trata-se de uma viagem marcada pela curiosidade em conhecer o Outro. As pessoas que encontra são essencialmente ocidentais (muitas delas arqueólogos) ou gente pertencente aos grupos sociais superiores das zonas visitadas que falam francês ou inglês, o que, tal como as leituras que fez anteriormente, influenciará a sua própria visão daquelas regiões. Schwarzenbach viaja para se encontrar a si própria, quer conhecer outras realidades, longe da Europa, que está a cair num caos. Quer procurar uma outra ordem, mas não a consegue encontrar, pois ela própria não a tem e, por isso, também não a pode dar à relatadora. Como diz Georgiadou na sua biografia desta autora: &#8220;as montanhas persas tornam-se o palco bombástico para a sua dor do mundo, a sua falta de pátria e o seu desenraizamento&#8221; (Georgiadou, 1996, p. 125).</p>     <p>A viajante vê essas paisagens geográficas e humanas   com &#8220;uma grande sensibilidade para os tons intermédios suaves e para os delicados matizes&#8221; (Willems, 2002, p. 20). Os vinte e cinco textos   de <i>Inverno no Próximo     Oriente</i><i> </i>são o testemunho de uma observadora perspicaz, ainda que as suas críticas sociais sejam &#8216;suaves&#8217;, bastando-lhe mostrar discretamente uma situação, sem comentários, para que   a carga crítica possa   ser desenvolvida pelo   leitor. Annemarie Schwarzenbach está a entrar   num território que na realidade desconhece. Capta esse novo espaço pela linguagem e pela fotografia, as duas formas complementares que usa para mostrar a sua visão. O leitor terá dificuldades em conhecer a viajante textual: ela esconde-se atrás da descrição aparentemente objetiva (dissimulando a escolha subjetiva da perspetiva), ou do pronome pessoal &#8220;nós&#8221;. Contudo, o seu olhar trai-a: a melancolia, o entusiasmo por uma paisagem ou a tristeza pela pobreza que encontra transparecem naquele discurso que vai perdendo a impessoalidade. Ela vê, cheira, ouve a paisagem. A miséria incomoda os seus olhos europeus e receia que o progresso em curso, nomeadamente a construção de estradas e do caminho de ferro, possa destruir a genuinidade daquelas civilizações.</p>      <p>Schwarzenbach partilha com outras viajantes os campos semânticos de &#8220;silêncio&#8221;, &#8220;solidão&#8221;, &#8220;tempo&#8221;, &#8220;deserto&#8221;, &#8220;montanhas&#8221;, &#8220;infinidade&#8221;, &#8220;tristeza&#8221;, &#8220;vazio&#8221;,   sempre vistos de uma perspetiva europeia. Nela torna-se   claro que exprime a vivência   interior destas paisagens, tão diferentes dos Alpes suíços das suas origens.   Projeta na paisagem   a solidão que vive. Esta imensa solidão é o resultado da imensa liberdade que recebeu, acabando por lhe ser um obstáculo (a autora refere esta questão   no romance &#8220;persa&#8221; <i>O vale feliz</i>).</p>      <p>Face àquela realidade distante, apesar de momentaneamente tão perto, Schwarzenbach diz: &#8220;Mas não se podem fotografar dimensões, e a experiência da beleza e da perfeição só incompletamente se transmite&#8221; (Schwarzenbach, 2017, p. 59). À dificuldade de se expressar verdadeiramente acrescenta-se o sentimento de ser levada pelo destino e não pela sua vontade, o que fragiliza o seu já precário sentido de segurança: &#8220;Mas cada época é como tem de ser e nada escapa mais ao nosso controlo do que os acontecimentos da nossa vida&#8221; (Schwarzenbach, 2017, p. 91). Podem planear-se os percursos, mas não as vivências.</p>      <p>Não falando nem árabe nem farsi, Schwarzenbach tem de recorrer a tradutores para perceber alguma coisa e fazer-se percebida. Só que as informações que ela recebe são já filtradas, &#8220;traduzidas&#8221; dentro de contextos de subordinação &#8220;colonial&#8221;, no caso da população local, ou claramente &#8220;colonial&#8221;, quando prestada pelos ocidentais com que se cruza.</p>      <p>Alguns nomes   topográficos da região   exercem nela uma   espécie de fascínio pela sua musicalidade e pela sua magia inexplicável. O lado geográfico junta-se ao histórico e ganha para a autora um simbolismo novo:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>Mas quem sabe deveras aonde levam as estradas e quem conhece os nomes das cidades antigas, soterradas e ressuscitadas? O caminho alargar-se-á, a estrada ondulará sem fim sobre as colinas e, no horizonte, haverá sempre o brilho avermelhado da cidade sem nome. (Schwarzenbach, 2017, p. 24)</p></blockquote>     <p>Os nomes são conhecidos, estão nos mapas ou em estudos arqueológicos. Mas conhece-se verdadeiramente o que se esconde por detrás dos nomes? É aí que reside a sua magia, algo que se pode pressentir, sentir, mas não descrever objetivamente. A narradora escreve, por exemplo, sobre Baalbek: &#8220;mas Baalbek faz parte desses nomes heroicos que não se pronunciam com ligeireza [...]&#8221; (Schwarzenbach, 2017, p. 59). Ou sobre Persépolis: &#8220;Tudo o que o nome real de Persépolis continha adquiria contornos e consistência, condensava-se, como que através de um ato criador único, numa forma eloquente e definitiva&#8221; (Schwarzenbach, 2017, p. 170).</p>      <p>Os nomes pertencem à linguagem, mas também à escrita, ao ato criador; isto é, através da linguagem ganham uma realidade única, que a viajante textual apresenta aos seus leitores, viajantes na palavra. Assim estes terão não só de re-construir o espaço que leram, mas sobretudo construir um outro a partir dos seus próprios contextos.</p>      <p>Não se pode apreender tudo o que está por detrás dos nomes, especialmente a magia que podem exercer. A linguagem por vezes falha a sua função comunicativa:</p>     <blockquote>    <p>[&#8230;] frente à realidade, que nunca experimentou a dúvida que nos toma, nós que estamos tão apegados à palavra, quando deve, pois, tomar forma um ser ou um lugar que o nosso amor dota de há muito de uma aura imaginária e apenas evoca através do seu nome? (Schwarzenbach, 2017, p. 84)</p></blockquote>     <p>Schwarzenbach sente um grande vazio, cujo preenchimento não consegue concretizar. O medo, não só a dúvida, apodera-se dela, quando entregue às dimensões infindáveis desta região, sem qualquer proteção.</p>      <p>A atitude revelada nos textos de Schwarzenbach de 1939-40, quando viajou pela última vez pela região, é diferente. Os artigos que nos chegam em forma de livro em <i>Todos os caminhos estão abertos </i>foram inicialmente escritos para jornais. Este livro só apareceu em 2000, numa edição de Roger Perret. São vinte textos, dos quais catorze publicados em jornais helvéticos em 1939 e 1940. As condições da viagem foram diferentes das descritas em <i>Inverno no Próximo Oriente</i>: Schwarzenbach já conhece parte da região (o efeito de re-conhecimento é um aspeto a que dá grande importância); viaja com Ella Maillart, uma viajante forte e experiente, que gosta de se relacionar com as populações autóctones e que tem interesses etnológicos, como nota Georgiadou (1996, p. 192). Schwarzenbach está fragilizada, acaba de sair de uma cura de desintoxicação. Por outro lado, as condições da viagem são melhores: desta vez ela tem um carro novo, um Ford com 17 cavalos, na altura um carro de sonho (infelizmente demasiado baixo para os caminhos do deserto e das regiões montanhosas, o que lhes trará alguns dissabores, ainda que sempre resolvidos, com a ajuda das populações). A viagem serve também para corrigir algumas heteroimagens europeias sobre os muçulmanos e as mulheres, como nos narra em &#8220;Duas mulheres sós no Afeganistão&#8221; (Schwarzenbach, 2016, pp. 111-119). Para Schwarzenbach, esta viagem representava &#8220;uma fuga&#8221; da Europa, da Alemanha hitleriana<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>. É curioso verificar que grande parte dos textos de <i>Todos os caminhos</i><i> est</i>ão abertos é escrita na primeira pessoa; Ella só é referida poucas vezes, aparecendo então a primeira pessoa do plural, contrariamente ao livro de Ella sobre a mesma viagem, <i>A via cruel</i>, onde Annemarie surge por detrás da figura de Cristina. Percebemos isso se virmos os artigos como reflexões pessoais, ainda que enquadradas numa viagem. É o movimento da paisagem para o interior da viajante, mais do que o movimento desta em direção à paisagem.</p>     <p>A sensibilidade de Annemarie Schwarzenbach à linguagem é aqui   maior: os textos são mais poéticos, mais &#8216;musicais&#8217;, o seu eurocentrismo está mais difuso, precisamente pela maior subjetividade expressa nestes artigos, que misturam   a reflexão e a narrativa. A autora   confessa que não   consegue distinguir claramente a realidade das   lembranças de sonhos   (cf. Schwarzenbach, 2016, p. 37)   e ela própria (se) reflete na linguagem:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>&#8220;A nossa vida parece-se com uma viagem...&#8221;, e mais do que uma aventura e uma excursão em regiões inabituais, a viagem parece-me ser um símbolo da nossa existência. (Schwarzenbach, 2016, p. 37)</p></blockquote>     <p>Viajar é também uma luta contra o esquecer-se de que a vida é uma viagem, um percurso:</p>     <blockquote>    <p>Esquecemo-lo, para não cedermos ao medo [...]. Em viagem a realidade muda de rosto com as montanhas, os rios, a arquitetura das casas, a disposição dos jardins, com a linguagem, a cor da pele. E a realidade de ontem arde ainda na dor da partida, a de anteontem é um episódio transato, que não regressará nunca mais, aquilo que se passou há um mês pertence ao sonho e à vida anterior. (Schwarzenbach, 2067, pp. 38-39)</p></blockquote>     <p>A melancolia do olhar junta-se à experiência de um tempo que parece não avançar. Schwarzenbach olha com apreensão o avanço tecnológico ocidental com o seu potencial destruidor, preocupação que vamos encontrar em muitas outras e outros viajantes da época. Qual dos tempos, o oriental ou o ocidental, ganhará? E qual deverá ganhar? Schwarzenbach não tem respostas claras, não se consegue decidir, depois de ver na sua Europa querida o cataclismo da civilização ocidental e da sua tecnologia. Karolina Fell diz a esse respeito:</p>     <blockquote>    <p>O processo de transformação das sociedades do Médio Oriente entre a tradição e a modernidade torna-se visível nas apresentações de pontos de atrito e contradições, criados pelo encontro de elementos da tradição e da modernidade. (Fell, 1998, p. 73)</p></blockquote>     <p>Schwarzenbach aprecia a extrema cordialidade dos afegãos, apesar das enormes adversidades no deserto: aqui não há só tempestades de areia, há também oásis. É uma visão pessimista, melancólica da vida, mas que não se esgota na negatividade. Ela sente-se só e é através desse prisma que vê os outros, como já ficou dito, através do olhar intertextual. É também assim que vê o <i>tchador </i>da mulher oriental, de modo semelhante a muitas viajantes ocidentais, mas tentando perceber a perspetiva delas.</p>      <p>Voltemos à &#8216;magia&#8217;, àquela dimensão a que a autora tantas vezes recorre:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>Ora, a viagem levanta um pouco a ponta do véu sobre o mistério do espaço, e uma cidade de nome mágico e irreal - Samarcanda a Dourada, Astracã ou Isfahã, a cidade da essência de rosa - torna-se real no momento em que nela pomos os pés e a tocamos com a nossa respiração viva. (Schwarzenbach, 2016, p. 38)</p></blockquote>     <p>A magia aparece marcada pelas cores, normalmente modificadas por compostos (como &#8220;amarelo-enxofre&#8221;, &#8220;castanho-ferrugem&#8221;), mas também pela musicalidade da linguagem, sobretudo pelo ritmo e por aspetos formais, como repetições fónicas, construções sindéticas e assindéticas. Aqui, tal como em <i>Inverno no Próximo Oriente</i>, os nomes também têm um papel importante, como constitutivos desse aspeto mágico: &#8220;Ó magia dos nomes&#8221;, escreve a viajante em &#8220;A terra de Ninguém. Entre a Pérsia e o Afeganistão&#8221;. No artigo &#8220;Três vezes o Hindu Kush&#8221; diz que, a primeira vez que viu aquelas montanhas, queria escrever um hino:</p>     <blockquote>    <p>Um hino ao seu nome, porque os nomes são mais do que designações geográficas, são música e cor, sonho e recordação, são o mistério, a magia - e longe de ser uma experiência dececionante, é antes uma coisa maravilhosa redescobri-los um dia, carregados de esplendor, de sombra e de fogo, e da cinza fria da realidade. (Schwarzenbach, 2016, p. 61)</p></blockquote>     <p>A autora não está apenas a viajar: &#8220;Parti, de facto, não para conhecer o medo, mas para verificar o conteúdo dos nomes e experimentar a sua magia na minha carne&#8221; (Schwarzenbach, 2016, p. 62). Não admira, por isso, a frequência com que ela recorre à palavra &#8220;nome&#8221; - quase como um programa de viagem. Nomes que se esquecem, porque só são nomes num mapa, e nomes que não se podem esquecer, porque estão cheios de magia: &#8220;Resta-me a magia, o nome, a extraordinária emoção do coração&#8221; (Schwarzenbach, 2016, p. 67).</p>      <p>Vistos os textos deste   modo, torna-se compreensível que alguns destes   relatos pairem numa fronteira: &#8220;Não me cabe a mim decidir   do encontro e da separação ou traçar   a fronteira entre a realidade e a visão&#8221; (Schwarzenbach, 2016, p. 67).</p>      <p>A viajante sente-se solitária, sente que não tem forças perante a grandiosidade do deserto e das montanhas, quer regressar a casa. Perseguida por complexos de culpa, como muitas vezes na sua vida, acha que neste período de tantas dificuldades para a humanidade &#8220;não tem direito a uma felicidade pessoal&#8221; (Perret, 2000, p. 150). Vacila entre a resignação e o entusiasmo, nesta viagem com um forte tom de despedida:</p>     <blockquote>    <p>Dizia para comigo que nunca mais voltaria à Ásia, que o Afeganistão bem podia continuar a não ser mais do que um nome, o Hindu Kush e o Turquestão visões efémeras, os vales felizes e nunca percorridos dos paraísos. (Schwarzenbach, 2016, p. 123)</p></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta afirmação, escrita num tom de resignação, esconde-se a sua dificuldade de escrita: &#8220;nunca mais pegarei numa caneta, nunca mais escreverei uma folha de papel&#8221; (Schwarzenbach, 2016, p. 113). O texto em que estas duas citações se inserem, &#8220;Cihil Sutun&#8221;, é um texto de despedida: da Ásia, do seu amor por Ria Hackin, a mulher do arqueólogo francês que a acolheu para a tratar da doença, após a partida de Maillart para a Índia; mas também uma despedida das esperanças que acalentou antes da partida de Genebra de conseguir ultrapassar a dependência da droga:</p>     <blockquote>    <p>Não aprendi muita coisa de novo, mas vi tudo, vivi tudo na minha carne e, até mesmo no coração das regiões desérticas do passo de Lataband, nada senti para lá da dor inteiriçada dos adeuses. (Schwarzenbach, 2016, p. 124)</p></blockquote>     <p>Os textos reunidos em <i>Todos os caminhos estão abertos </i>são de muito interesse, sobretudo porque, como nota Perret, &#8220;a linguagem torna-se viagem&#8221; (Perret, 2000, p. 159). O interesse reside na partilha feita pelo leitor das experiências de uma figura controversa, muito sensível e com uma linguagem muitas vezes poética, particularmente no segundo livro. O leitor não se confronta com um espaço, mas com uma visão subjetiva desse espaço, num diálogo da viajante com o mundo exterior, frequentemente hostil, porque ela assim o vê. Schwarzenbach viaja pelas paisagens, não tanto pelas pessoas.</p>      <p>A viagem   foi uma derrota. A viagem seguinte, aos EUA, também representou uma derrota   na viagem a ela própria, tendo mesmo Schwarzenbach   sido expulsa do país, após   tratamento pouco condigno. A sua partida   para África marcou   uma viragem acentuada: aí aprendeu a estar só consigo   mesma, a aceitar-se, a não querer   estar sempre em fuga. O regresso   à Europa fá-la passar por   Lisboa, onde quer   ficar como correspondente de jornais   helvéticos. A morte   precoce na Suíça   impede a concretização desse seu desejo. Nota-se, assim, como Schwarzenbach é uma pessoa sem raízes, sem espaço, o que contribui muito para a sua insegurança.</p>      <p>Desse modo, os seus textos, sobretudo os de 1939-1940, são menos &#8220;orientalistas&#8221; do que muitos outros textos de viajantes. A viajante-jornalista escreve numa carta a Ella Maillart, em 18 de março de 1942:</p>     <blockquote>    <p>I want to understand the deep roots of our European crisis, and want to search for the source of real force we will need, during and after this terrific war, to build up in each soul the resistance not only against Faschism [<i>sic</i>], but against all evel [<i>sic</i>] and :wrong life9 which has brought it upon. [&#8230;] - and I want to do all I can, within my capacities, to build up this dignified and beautiful aspect of the human soul. (Carta do espólio na Biblioteca Nacional Suíça, em Berna)</p> </blockquote>     <p>As autoras aqui abordadas representam dois olhares bem diferentes sobre realidades geográficas próximas. Sackville-West viu a Pérsia duma perspetiva colonial britânica, ainda que crítica em vários aspetos. Sendo mulher dum diplomata, está aberta a novas culturas, com curiosidade, revelando-se boa observadora e boa narradora, conhecedora do que representa fazer parte do império. O espaço sociogeográfico é visto de modo eurocêntrico, mas não colonial. Annemarie Schwarzenbach está à procura essencialmente de si própria nessa realidade outra, que lhe serve de ponto de partida para as suas reflexões. Os textos da autora suíça são mais pessoais, em viagem pela palavra no espaço histórico-geográfico, simultaneamente no exterior e no interior da viajante. Os textos de ambas podem ajudar o leitor a perceber melhor o mundo de hoje através das viagens literárias ao/ do passado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Bassnett, S. (2005). Travel writing and gender. In P. Hulme &amp; T. Youngs (Eds.), <i>The Cambridge companion to travel writing </i>(pp. 225-241). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847472&pid=S0874-6885201900030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Burdet, C. &amp; Duncan, D. (Eds.) (2002). <i>Cultural encounters: European travel writing in the 1930s</i>. New York/Oxford: Berghahn Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847474&pid=S0874-6885201900030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fell, K. (1998). <i>Kalkuliertes Abenteuer: Reiseberichte deutschsprachiger Frauen (1920</i><i>1945)</i>. Stuttgart/Weimar: Metzler.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847476&pid=S0874-6885201900030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Georgiadou, A. (1996). <i>Annemarie Schwarzenbach. Das Leben zerfetzt sich in mir in </i><i>tausend Stücke: Biographie</i>. Frankfurt a. Main/New York: Campus Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847478&pid=S0874-6885201900030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Glendinning, V. (1983). <i>A biography of Vita Sackville-West</i>. New York: Quill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847480&pid=S0874-6885201900030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Laurel, M. H. (2015). Espace vécu/perçu, le tournant spatial: vue d&#8217;ensemble (provisoire). <i>Cadernos de Literatura Comparada, 33</i>, 161-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847482&pid=S0874-6885201900030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Laurel, M. H. (Trad.).   (2018). <i>A geocrítica: Real, ficção, espaço</i>. Porto: Afrontamento.</p>     <p>Lehnert, G. (Hg.) (2011). <i>Raum und Gefühl:     Der Spatial Turn     und die neue Emotionsfors</i><i>chung. </i>Bielefeld: transcript.</p>      <!-- ref --><p>Maillart, E. (2000). <i>A via cruel</i>. Trad. Munique Rutlet. Porto: Civilização.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847486&pid=S0874-6885201900030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sackville-West, Vita (2009). <i>Twelve days in Persia</i>. London/New York: TPP-Tauris Parke Paperbacks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847488&pid=S0874-6885201900030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Outeirinho, F. (2016). Do lugar do(s) mapas(s) na viagem e seu relato ou muito para além de um atlas oficial. <i>Cadernos de Literatura Comparada, 34</i>, 191-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847490&pid=S0874-6885201900030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Perret, R. (2000). Meine ins Ferne und Abenteuerliche verbannte Existenz. In A. Schwarzenbach, <i>Alle Wege sind offen: Die Reise nach Afghanistan 1939/1940 </i>(139-160). Basel: Lenos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847492&pid=S0874-6885201900030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sackville-West, V. (2010). <i>Passenger to Teheran</i>. London/New York: TPP-Tauris Parke Paperbacks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847494&pid=S0874-6885201900030000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Said, E. (1995). <i>Orientalism: Western conceptions of the Orient </i>(1978). London: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847496&pid=S0874-6885201900030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Schwarzenbach, A. (2016). <i>Todos os caminhos estão abertos</i>. Trad. Miguel Serras Pereira. Lisboa: Relógio d&#8217;Água.</p>      <p>Schwarzenbach, A. (2017). <i>Inverno no Próximo Oriente</i>. Trad. Miguel Serras Pereira. Lisboa: Relógio d&#8217;Água.</p>      <!-- ref --><p>Serrano, S. (2014). <i>Mulheres viajantes</i>. 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Stuttgart - Weimar: Metzler.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847504&pid=S0874-6885201900030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vilas-Boas, G. (2015). <i>Revisitar Annemarie Schwarzenbach</i>. Porto: Deriva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847506&pid=S0874-6885201900030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Youngs, T. (2004). The importance of travel writing. <i>The European English Messenger, </i><i>13</i>(2), 55-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847508&pid=S0874-6885201900030000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Westphal, B. (2000). <i>La géocritique: Mode d&#8217;emploi</i>. Limoges: Pulim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847510&pid=S0874-6885201900030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Westphal, B. (2007). <i>La géocritique: Réel, fiction, espace. </i>Paris: Les Éditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847512&pid=S0874-6885201900030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Willems, E. (2002). <i>Neugierig,   wissensdurstig, ungeduldig, unterwegs - allein: Annemarie </i><i>Schwarzenbachs Reisen     nach Vorderasien</i>. Hagen: Universitätsbibliothek.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1847514&pid=S0874-6885201900030000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Rece&ccedil;&atilde;o: 14/09/2019</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o: 27/10/2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> Este artigo foi desenvolvido e financiado por Fundos Nacionais atrav&eacute;s da FCT - Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, no &acirc;mbito do Programa Estrat&eacute;gico &#8220;UID/ELT/00500/2019&#8221;. A tradu&ccedil;&atilde;o dos textos cr&iacute;ticos alem&atilde;es &eacute; de minha autoria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>   Existe uma vasta   bibliografia sobre viajantes mulheres. Veja-se,   por exemplo, o livro de S&oacute;nia   Serrano ou de Peter   Hulme/Tim Toungs   (eds.) (2005), <i>The     Cambridge companion to travel     writing</i>. A cole&ccedil;&atilde;o &#8220;Travel writing   across the disciplines&#8221;, editada   por Kristi E. Siegel, na editora Peter   Lang, apresenta livros de grande interesse na mat&eacute;ria. Refiro somente   o de Be&aacute;trice Bijon &amp;   G&eacute;rard G&acirc;con (eds.) (2009), In: <i>Between two worlds. Narrative by female explorers and travellers</i>.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>    A sueca Maud   von Rosen escreve   que h&aacute; estrangeiros que ela despreza, como uma senhora   inglesa que manifestava uma &#8220;sovereign ignorance&#8221;, ou outra   inglesa que se limitava a &#8220;doing the Orient&#8221;   (Maud von Rosen (1937), <i>Persian Pilgrimage: Being the story of a journey     through Persia with its     experiences and adventures. </i>London: Robert Hale,   p. 222), desapontada por n&atilde;o ver correspondida   a sua vis&atilde;o &#8216;orientalista&#8217; com   que partiu da sua Inglaterra natal: &#8220;I have found   no Oriental splendour anywhere in the East&#8221;   (Maud von Rosen,   1937, p. 223).</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>    O livro de Charles   Burdet e Derek Duncan (eds.) (2002) &eacute; muito informativo quanto a estas mat&eacute;rias.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>    Para mais informa&ccedil;&otilde;es sobre Annemarie Schwarzenbach em portugu&ecirc;s, pode-se   ver, por exemplo,   Gon&ccedil;alo Vilas-Boas (2015)   ou Em&iacute;lia Tavares/S&oacute;nia Serrano   (2010).</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> <i>A morte na P&eacute;rsia</i>, publicado entre n&oacute;s pela Tinta-da-China, baseia-se nas mesmas viv&ecirc;ncias. Trata-se, contudo, dum texto que   a autora nunca   quis publicar.</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> <i>Inverno no Pr&oacute;ximo   Oriente </i>foi publicado em 1934 com o t&iacute;tulo <i>Winter im Vorderasien</i>. <i>Todos os </i><i>caminhos est&atilde;o abertos </i>foi publicado por Roger   Perret em 2000 com o t&iacute;tulo <i>Alle     Wege sind offen</i>.</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>    Em 9 de abril de 1939, Schwarzenbach escreve   a Ella Maillart: &#8220;Estou decidida   a continuar esta atividade de viajar,   investigar, de fazer jornalismo e de escrever. Neste momento   preciso de alimento vindo do exterior, tenho   de me libertar de mim pr&oacute;pria, deixar-me ser acolhida pelo nosso mundo, ver, aprender, compreender.&#8221;</p>      ]]></body><back>
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