<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-6885</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-6885</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-68852020000100001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.34619/3mhs-y049</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang=""><![CDATA[]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jesus]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel Henriques de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade NOVA de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<numero>43</numero>
<fpage>7</fpage>
<lpage>10</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-68852020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-68852020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-68852020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>NOTA DE ABERTURA</b></font></p>     <p><b>Isabel Henriques de Jesus*</b></p>     <p>* Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais   e Humanas, Centro   Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais, Faces de Eva - Estudos sobre a Mulher, 1069-061 Lisboa, Portugal <a href="mailto:misabeljesus@fcsh.unl.pt">misabeljesus@fcsh.unl.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este número da revista <i>Faces de Eva </i>ficará inevitavelmente ligado a um momento inesquecível da nossa vida colectiva. Quase toda a sua preparação ocorreu em pleno confinamento social, por via de um perigo que insidiosamente se intrometeu na nossa habitual forma de nos relacionarmos, trabalharmos e nos amarmos. O que isso significou de aprendizagem colectiva é já manifesto em alguns aspectos, mas muito há ainda para descobrir, conforme o tempo for passando e nos permitir o distanciamento suficiente para compararmos o antes, o durante e o depois. Será que o isolamento a que nos votámos permitiu o aprofundamento da nossa consciência social? Será que queremos alterar modelos que, de tão interiorizados, foram vividos como &#8220;normais&#8221;, e por isso a sua ausência nos abalou tanto? E o que ganhámos? E o que conseguimos manter? E do que temos saudades? E o que não queremos voltar a ser ou a ter? Estas e outras questões evidenciam as perplexidades destes tempos. As respostas reflectirão o que quisermos aprender.</p>      <p>Certa, foi a pertinácia que nos manteve unidas em torno da construção do presente número de <i>Faces de Eva </i>e que nos acalentou nos momentos de maiores dificuldades. Das muitas apreensões que íamos transmitindo, primeiro, incrédulas com uma realidade insólita, e depois, gradualmente resignadas com o inevitável, as dificuldades de concentração passaram a ser queixa recorrente e partilhada. Dos receios sentidos e revelados também por autoras/es, emanou   uma força e uma compreensão mútuas   que permitiram os avanços   lentos mas seguros   com que fomos prosseguindo a edição. Não raras vezes, as trocas de <i>emails </i>permitiram desabafos   e um verdadeiro sentido de união e de preocupação com o bem-estar do/a outro/a, combinando, para um futuro próximo, encontros afectuosos que, por ora, se mantêm adiados.</p>      <p>Há algum tempo que estava definido   o âmbito deste n.º 43 de <i>Faces de     Eva </i>para o qual nos preparámos com antecedência. Tratava-se de assinalar, neste   ano de 2020, os 25 anos da Conferência de Pequim. A importância dessa   efeméride, exigindo um olhar focado nas assimetrias de género e na necessidade   de corrigir os múltiplos aspectos em que se verificavam e, ainda hoje,   decorridos 25 anos e salvaguardados os avanços, se verificam, impôs à revista   <i>Faces de Eva </i>dedicar os seus dois   números anuais à Declaração de Pequim e à Plataforma de Acção de Pequim (PAP), adoptada nessa IV Conferência Mundial sobre as Mulheres.</p>      <p>Ao identificar um conjunto de áreas de acção, a PAP configura-se como um instrumento de compromisso político e referência de políticas públicas a nível mundial, conforme é assinalado em muitos dos textos que constituem esta edição. O seu conhecimento e a apropriação pelas sociedades podem constituir elementos de sinalização e de consciência colectiva sobre o muito que ainda é necessário fazer para que as mulheres atinjam uma verdadeira igualdade de oportunidades. O leque de áreas definidas pela PAP é múltiplo e foi nossa intenção evidenciar caminhos percorridos, mas também equacionar falhas ou situações de maior lentidão na prossecução dos objectivos. Para isso, convidámos peritas em áreas diversas, oriundas quer da academia quer das organizações nacionais e internacionais, e ouvimos mulheres cujos saberes e histórias de vida as colocam no centro da construção da imagem das mulheres como parceiras de pleno direito no seio de sociedades mais justas, ou, se quisermos, das únicas sociedades justas, aquelas em que mulheres e homens, independentemente da sua cor, estrato social, religião ou orientação sexual, partilham e garantem os valores e os direitos humanos. </p>     <p>Como orientadora deste   percurso que gradualmente fomos trilhando, contámos com a presença   sempre disponível e sábia de Regina Tavares   de Silva, que nos ajudou a colmatar as dificuldades com que partimos   para este desafio. Tínhamos   vontade e motivação, o trabalho nunca nos assustou, mas precisávamos de um rumo, de um caminho por onde começar   a desbravar. Gostaríamos que os/as leitores/as fruíssem a leitura deste   volume e o entendessem como uma oferta de <i>Faces de Eva </i>para a construção de um mundo que queremos   mais humano, agora que a pandemia visibilizou ainda mais a vulnerabilidade   de alguns sectores da sociedade, incluindo muitas mulheres. Pensemos no que deve ter sido o terror   do confinamento partilhado   com o agressor, a perda de rendimentos, as assimetrias nos cuidados e no   trabalho doméstico, que, não sendo problemas exclusivos das mulheres,   sabemos como nelas atingem proporções devastadoras. E a variável género terá seguramente   mensurações diferentes quando forem avaliadas as consequências psicológicas, económicas e sociais deste período,   prevendo-se que as desigualdades assinaladas na PAP, e que ao longo   dos últimos 25 anos têm sido motivo de diferentes   planos de intervenção, se acentuem. A capacidade de recuperação dependerá do tempo, dos sectores em que incidem e dos suportes   políticos em que assentem. E será tanto mais   difícil quanto mais afastado   se estiver de uma concepção de igualdade como fundamento de direitos humanos.</p>      <p>Portanto, a história   desta edição, associando a evocação   de uma efeméride, com um significado tão poderoso na vida das mulheres, a uma situação   inesperada que abalou ainda mais as frágeis   estruturas socioeconómicas e de trabalho de muitas, ficará   inexoravelmente na memória de quem, apesar dos constrangimentos, nunca desistiu de concretizar mais este número de <i>Faces de Eva</i>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Desistência </i>era palavra desconhecida no léxico de Manuela Silva - figura que escolhemos para capa -, diz-nos uma breve aproximação à sua vida e obra. Precursora dos estudos sobre a pobreza e a exclusão social, neles inscreveu desde cedo a componente de intervenção, acreditando no envolvimento e no protagonismo dos actores sociais nas estratégias de desenvolvimento. Consciente de que, entre os vulneráveis, as mulheres constituíam um risco com raízes profundas nos padrões da desigualdade, foi uma das vozes que iniciaram em Portugal os estudos sobre as mulheres, nomeadamente focando as questões das desigualdades no emprego. Denunciou a &#8220;mão invisível&#8221; que coarcta as oportunidades, mostrando que a economia e o mercado de trabalho não são neutros no que ao género diz respeito. Se a pobreza foi uma das suas áreas de estudo e de intervenção, a dimensão específica da pobreza no feminino e o seu significado social constituíram motivos de preocupação e, como sempre,   de pesquisa, mobilizando equipas e espalhando sementes que, reconhecidamente, prosseguem o seu trabalho. </p>     <p>O percurso   atento e interventivo de Manuela Silva face às assimetrias económicas e sociais, particularmente das mulheres, não   apenas simboliza a temática a que esta edição nos conduz mas constitui também   um apelo a uma maior humanização das sociedades, como resposta global   às questões formuladas no início desta Nota de Abertura.</p>     <p>Lamentamos a perda, em fins de Dezembro de   2019, de um elemento da equipa   <i>Faces de Eva. </i>Maria Emília Stone integrou   a nossa equipa de investigação, desde os seus primeiros tempos, tendo-se empenhado   em vários projectos, de onde destacamos a coordenação do <i>Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX)</i>, editado em 2005 por Livros Horizonte, e <i>Feminae - Dicionário Contemporâneo</i>, editado em 2013 pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.</p>     <p>Pela sua dedicação, entusiasmo, responsabilidade e sentido de humor, prestamos-lhe a nossa sincera homenagem. Muito obrigada, Maria Emília!</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/eva/n43/43a01f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
</article>
