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<publisher-name><![CDATA[Equipa de Investigação Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Socias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal.]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dina Pedro: Pioneira nas artes marciais em Portugal]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>PIONEIRAS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Dina Pedro</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Pioneira nas artes marciais em Portugal</b></font></p>     <p><b>Indira Leão*</b></p>     <p>* Investigadora. Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais   e Humanas, Centro   Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais, Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher 1069-061 Lisboa, Portugal <a href="mailto:indiravicenteleao@gmail.com">indiravicenteleao@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/eva/n43/43a15f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Dina Pedro,   conhecida como <i>Dinamite</i>, nasceu   a 9 de dezembro de 1976 e é uma atleta profissional nas artes marciais,   nomeadamente em <i>muay thai </i>e   <i>kickboxing</i>. Com uma carreira marcante no desporto, consagrou-se campeã mundial de <i>kickboxing </i>em 1999 e 2001. Foi bicampeã mundial de <i>thai boxing </i>de 2004 a 2005 e campeã mundial de <i>muay thai </i>em 2007.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dos 33 combates a título profissional, contam-se duas derrotas e 31 vitórias, duas delas por nocaute (quando o oponente fica incapaz de lutar). Com uma carreira invejável para qualquer atleta, Dina Pedro tem a particularidade de ser uma mulher inserida num tipo de desporto ainda muito conotado com o masculino. Fundou a Dinamite Team, uma escola de <i>muay</i></p>     <p><i>thai </i>com uma secção localizada em Lisboa e outra em Mafra, nas quais treina vários atletas para campeonatos europeus e internacionais. Nos estranhos tempos que correm de distanciamento social, Dina Pedro teve a amabilidade de responder às nossas questões sobre a sua experiência profissional e pioneirismo nas artes marciais em Portugal, via <i>e-mail</i>.</p>     <p><i>De onde vem a sua paixão pelas artes marciais?</i></p>     <p>A minha paixão pelas artes marciais surgiu em criança, penso que por influência dos filmes.</p>     <p><i>E quando era criança, tinha alguma(s) figura(s) de referência ligada(s) às artes marciais?</i></p>     <p>Em criança tinha como referência o Bruce Lee, mas na altura praticava atletismo e era fã da Rosa Mota.</p>     <p><i>Teve a influência de algum familiar para a prática das artes marciais?</i></p>     <p>Não, nem nas artes marciais, nem no desporto em geral.</p>     <p><i>Sempre se imaginou a fazer das artes marciais a sua vida?</i></p>     <p>Não, a partir de certo momento comecei a sonhar com isso, mas confesso que não achava possível.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Quando é que se apercebeu de que queria seguir profissionalmente nas artes marciais?</i></p>     <p>Penso que foi mais ou menos três ou quatro anos depois de iniciar. Pensei: &#8220;Vou ser boa nisto&#8221;; acordava a pensar em treinar e adormecia a pensar nos treinos.</p>     <p><i>Como foi a reação da sua família à paixão e decisão de seguir uma carreira profissional nas artes marciais?</i></p>     <p>Eles achavam que devia seguir outros caminhos profissionais, por preocupação financeira, o que entendo perfeitamente. Viam o mesmo esforço diário, e parecia que os frutos nunca iriam chegar. Conseguir viver exclusivamente do <i>muay thai </i>foi uma luta dura. Tive outros trabalhos em paralelo até conseguir.</p>     <p>Pedi à família que me deixasse tentar, e eles deixaram; esse apoio foi fundamental.</p>     <p><i>Pode elucidar-nos, a nós, pessoas leigas no que respeita às artes marciais, sobre o que são o muay thai, o kickboxing e o thai boxing?</i></p>     <p>O <i>muay thai </i>é originário da Tailândia e permite o uso de pernas, joelhos, punhos e cotovelos, o corpo a corpo. O <i>thai-boxing </i>é aquilo que os europeus, há uns anos, chamavam quando se combatia <i>muay thai </i>sem o uso do cotovelo.</p>     <p>O <i>kickboxing </i>surge na década de 70, nos Estados Unidos, e em grande parte deriva do karaté. Aqui só é válido o uso de pernas e punhos. Nos últimos anos surgiu uma variante chamada K1, em que se pode usar também o joelho.</p>     <p><i>Em que arte marcial começou o seu percurso, e quando?</i></p>     <p>Em 1996, em <i>kickboxing</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Como se deu a sua passagem por três artes marciais (muay thay, kickboxing e thai boxing)?</i></p>     <p>O <i>thai boxing </i>é <i>muay thai</i>; na Europa chamam <i>thai boxing </i>quando se tira o uso dos cotovelos. A passagem do <i>kickboxing </i>para o <i>muay thai </i>ocorreu de uma forma natural: eu treinava numa escola onde inicialmente se ensinava <i>kickboxing </i>e que gradualmente passou para <i>muay thai</i>.</p>     <p>Em 2001 veio um treinador tailandês para Portugal, e tive a oportunidade de treinar com ele durante um ano. E a partir daí passei a ter uma paixão maior pelo <i>muay thai</i>.</p>     <p><i>Descreva-nos o seu impressionante percurso profissional no muay thay, kickboxing e thai boxing com as suas vitórias internacionais.</i></p>     <p>O meu percurso profissional começou em 1996, e nesse mesmo ano sagrei-me campeã da Europa; em 1997 consegui o mesmo feito, e em 1999 fui campeã do mundo. Em 2001 voltei a ser campeã do mundo.</p>     <p>No ano de 2001 tive a oportunidade de praticar   com um treinador tailandês, que estava a viver em Portugal. Nesse ano fui à Tailândia pela primeira vez e combati lá, vencendo dois combates.</p>     <p>Em 2004 e 2005 sagrei-me campeã mundial de <i>thai boxing </i>e em 2007, de <i>muay thai</i>.</p>     <p><i>Qual foi a sensação de competir pela primeira vez fora de Portugal?</i></p>     <p>Não é uma sensação, mas o que mais queria era mostrar o valor dos portugueses.</p>     <p><i>Pode contar-nos mais sobre a sua experiência em competição internacional?</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A nível profissional só fiz um combate com uma atleta portuguesa, os restantes foram todos com atletas estrangeiras. Mas a nível internacional já tenho mais experiência como treinadora do que como atleta.</p>     <p>O que mais fica nas experiências internacionais é o respeito que ganhamos e as amizades espalhadas pelo mundo.</p>     <p><i>Quando começou a sua carreira, era talvez a única mulher inserida no meio. Fale-nos sobre essa experiência.</i></p>     <p>Já existiam algumas mulheres praticantes e até competidoras, mas muito poucas. Sempre fui bem-recebida pelos colegas homens, que sempre me trataram como colega de treino de igual forma.</p>     <p><i>Em algum momento se sentiu descredibilizada ou sentiu que tinha de ultrapassar mais obstáculos por ser mulher?</i></p>     <p>Descredibilizada nunca me senti, penso que consegui o respeito de todos pelo meu esforço. No entanto ainda hoje as mulheres recebem menos do que os homens por combate do mesmo nível, e há mais dificuldade na rodagem competitiva.</p>     <p><i>Quando iniciou a sua carreira, não existiriam talvez muitas mulheres a competir. Fazendo uma retrospetiva, crê que existem mais mulheres atualmente a interessarem-se pelas artes marciais e a competir? Se sim, na sua opinião quais as razões que levam a este interesse feminino por um desporto culturalmente tão conotado com o masculino?</i></p>     <p>Atualmente existem muitas mulheres a treinar e a competir, o que me deixa muito feliz, e a tendência é que esse número continue a aumentar. Penso que cada vez mais vai desaparecendo o rótulo de desportos para homens. Acho que há mais conhecimento da modalidade e as mulheres percebem que não se vão magoar por a praticar.</p>     <p>As razões que levam cada vez mais mulheres a praticar artes marciais, é o facto de ser um desporto supercompleto, para manter o corpo e a mente sãos; é uma superação constante e possível para todos. Dá-nos autoconfiança, que é tão importante para tudo na vida.</p>     <p><i>Pode dizer-nos como é ser atleta de artes marciais em Portugal? Quais as dificuldades e quais os pontos positivos e negativos da modalidade no país.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na realidade é muito difícil. Não há apoios, e a maioria dos atletas trabalha para conseguir ser atleta. Não temos muitos eventos profissionais, e faltam-nos mais seguidores. Tenho alguns atletas que são mais reconhecidos no estrangeiro do que em Portugal.</p>     <p><i>Quando é que decidiu deixar a competição? E por que motivos?</i></p>     <p>Decidi deixar a competição para me dedicar cem por cento à atividade de treinadora. Na altura já começava a ter alunos com um bom nível competitivo, e era impossível conseguir ser boa atleta e boa treinadora num nível de exigência alto. Foi em 2007, e nesse ano ganhei pela primeira vez o prémio de treinador do ano.</p>     <p><i>Fale-nos sobre o seu projeto Dinamite Team.</i></p>     <p>A Dinamite Team surgiu em 2001, quando comecei a levar os primeiros atletas a competição, ainda muito como uma brincadeira.</p>     <p>Hoje em dia, é a equipa em Portugal com mais atletas profissionais e com mais títulos internacionais. Quarenta por cento dos nossos praticantes são mulheres.</p>     <p>Ensinamos e cuidamos de todos, sejam atletas de manutenção ou competição. Queremos que todos possam aprender e apaixonar-se pelo <i>muay thai</i>.</p>     <p>Setenta e cinco por cento dos nossos praticantes são de manutenção, vinte e cinco por cento de competição. Todos eles treinam juntos num espírito de interajuda; dessa forma conseguimos que cresçam como atletas e como pessoas.</p>     <p><i>Considera-se uma referência desportiva para todas as meninas que sonham ser atletas?</i></p>     <p>Como atleta, fui uma referência para muitas atletas, que agora são essa referência para estas meninas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste momento sinto que sou uma referência para novos treinadores/ as. Mostrei que, com trabalho e mesmo sem apoios, é possível elevar a fasquia, e estarmos em grandes eventos pelo mundo fora.</p>     <p><i>Infelizmente, existem alguns estereótipos com os quais crescemos como é o caso de &#8220;o desporto não é para meninas&#8221;. Tem alguma mensagem de encorajamento para as meninas que querem tornar-se atletas profissionais nas artes marciais?</i></p>     <p>Não existem desportos para homens nem para mulheres; existe o desporto com o qual a pessoa se identifica, e esse é o seu desporto. Fazer a diferença depende de nós.</p>     <p>Quando se tem a capacidade de sonhar, tem-se a capacidade de realizar.</p>      ]]></body>
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