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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Construção e validação de um questionário de valores e crenças sobre sexualidade, maternidade e aborto]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde, I & D ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With the intention of evaluating the values and beliefs about sexuality, maternity and abortion on women, a literature revision was done with bibliographic research on existing scales approaching these thematic. We elaborated a measuring instrument with 38 items, which was applied to 312 women, being also collected data about social-demographic characterization. The present study describes the construction, validation procedure and study of psychometric proprieties of the “Questionnaire of Values and Beliefs on Sexuality, Maternity and Abortion”. We present the results of factorial analysis and information regarding the validity and internal consistence of the scale.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Construção e validação de um questionário de valores e crenças    sobre sexualidade, maternidade e aborto</b></p>      <p align="center">Sara Sereno<sup>1</sup>, Isabel Leal<sup>2 </sup>&amp; Jo&atilde;o    Maroco<sup>2 </sup></p>     <p align="center"><sup>1</sup>Maternidade Dr. Alfredo da Costa</p>     <p align="center"> <sup>2 </sup>Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia    e Sa&uacute;de, I&amp;D, ISPA</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO:</b> Com o objectivo de avaliar os valores e cren&ccedil;as face    &agrave; sexualidade, maternidade e aborto nas mulheres, procedeu-se a uma revis&atilde;o    da literatura e a uma pesquisa bibliogr&aacute;fica sobre as escalas existentes    abordando estas tem&aacute;ticas. Elabor&aacute;mos um instrumento constitu&iacute;do    por 38 itens que foi administrado a 312 mulheres, tendo tamb&eacute;m sido recolhidos    dados de caracteriza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-demogr&aacute;fica. O presente    trabalho descreve a constru&ccedil;&atilde;o, procedimento de valida&ccedil;&atilde;o    e estudo das propriedades psicom&eacute;tricas do &#8220;Question&aacute;rio    de Valores e Cren&ccedil;as sobre Sexualidade, Maternidade e Aborto&#8221;.    Apresentam-se os resultados da an&aacute;lise factorial e os dados relativos    &agrave; validade e consist&ecirc;ncia interna da escala. </p>     <p><i>Palavras-chave: </i>Valores e cren&ccedil;as, Sexualidade, Maternidade,    Aborto, Valida&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p align="center"><b>The values and beliefs about sexuality, maternity and abortion    questionnaire</b></p>      <p><b>ABSTRACT: </b>With the intention of evaluating the values and beliefs about    sexuality, maternity and abortion on women, a literature revision was done with    bibliographic research on existing scales approaching these thematic. We elaborated    a measuring instrument with 38 items, which was applied to 312 women, being    also collected data about social-demographic characterization. The present study    describes the construction, validation procedure and study of psychometric proprieties    of the &#8220;Questionnaire of Values and Beliefs on Sexuality, Maternity and    Abortion&#8221;. We present the results of factorial analysis and information    regarding the validity and internal consistence of the scale.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <i>Keywords: </i>Values and beliefs, Sexuality, Maternity, Abortion, Scale    validation. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Os termos gravidez e maternidade s&atilde;o muitas vezes confundidos e at&eacute; usados como sin&oacute;nimos, ainda sejam duas realidades distintas, e consequentemente com viv&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas tamb&eacute;m diferentes, e que nem sempre coexistem (Leal, 1990). </p>      <p>Ap&oacute;s a descoberta de uma gravidez n&atilde;o desejada, a mulher toma    consci&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia de duas alternativas &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o    da situa&ccedil;&atilde;o de conflito em que se encontra &#8211; prosseguir    ou interromper a gravidez. Confrontada com estas op&ccedil;&otilde;es, a mulher    tende a avaliar as vantagens e as desvantagens de ambas as alternativas, em    fun&ccedil;&atilde;o dos seus valores e das suas cren&ccedil;as (em rela&ccedil;&atilde;o    ao aborto induzido e &agrave; maternidade), da desejabilidade da gravidez, dos    ganhos ou perdas utilit&aacute;rios, antecipados para si e para os outros, bem    como da antecipa&ccedil;&atilde;o de aprova&ccedil;&atilde;o ou desaprova&ccedil;&atilde;o    por parte dos outros e do self (Leal, 2001). </p>      <p>Apesar da interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez (IVG) ser uma pr&aacute;tica comum em todos os pa&iacute;ses do mundo e em quase todas as culturas desde os prim&oacute;rdios da hist&oacute;ria da humanidade (Fa&uacute;ndes &amp; Barzelatto, 2004), a sensibilidade e a delicadeza da mat&eacute;ria s&atilde;o evidentes. A IVG, por op&ccedil;&atilde;o da mulher, tem sido um tema controverso nas sociedades economicamente desenvolvidas. Abrangendo m&uacute;ltiplas perspectivas e mobilizando aspectos subjectivos (valores humanos, &eacute;ticos, sociais, psicol&oacute;gicos e pol&iacute;ticos) e objectivos (aspectos t&eacute;cnicos, econ&oacute;micos e sociais). Esta tem&aacute;tica tem sido discutida e investigada em v&aacute;rios dom&iacute;nios do saber, tais como a Medicina, a Sociologia, a Biologia ou a Psicologia (Ribeiro &amp; Ara&uacute;jo, 1998). </p>      <p>Do ponto de vista psicol&oacute;gico, a IVG pode ser entendida como uma experi&ecirc;ncia com importantes significa&ccedil;&otilde;es e implica&ccedil;&otilde;es emocionais, intimamente relacionadas com as caracter&iacute;sticas de personalidade e as experi&ecirc;ncias pr&eacute;vias de cada mulher, as suas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, as suas cren&ccedil;as religiosas, as suas conting&ecirc;ncias de vida e o ambiente social, cultural e legal circundante (Stotland, 2000). </p>      <p>Esta constela&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis pessoais, relacionais e sociais, moldam o processo de tomada de decis&atilde;o de IVG e, consoante a sua natureza, facilitam ou dificultam este processo, condicionando as respostas emocionais das mulheres, face a esta resolu&ccedil;&atilde;o reprodutiva. </p>      <p>Para al&eacute;m da imensidade de factores de natureza individual que influenciam as viv&ecirc;ncias de uma mulher que engravida e opta por terminar a gravidez, existem tamb&eacute;m os factores de ordem sociocultural. </p>      <p>Os valores e ideais dominantes, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez, como &agrave; imagem de mulher, &agrave; sexualidade feminina e aos pap&eacute;is de g&eacute;nero, s&atilde;o caracter&iacute;sticas do meio sociocultural em que a mulher se encontra e influenciam muito significativamente as viv&ecirc;ncias de gravidez e aborto. Os contextos morais e sociais s&atilde;o suficientes para culpabilizar e desencadear ang&uacute;stias importantes nas mulheres que resolvem interromper uma gravidez (Leal, 2001). </p>      <p>Num pa&iacute;s predominantemente cat&oacute;lico, com valores enraizados em torno do significado da vida humana, apesar da recente legisla&ccedil;&atilde;o que despenaliza a IVG at&eacute; &agrave;s 10 semanas, estes valores e cren&ccedil;as que prevaleceram durante d&eacute;cadas mostram-se ainda dominantes. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, o que a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea tem demonstrado &eacute; que a decis&atilde;o de interromper ou n&atilde;o uma gravidez depende da press&atilde;o, das normas sociais, leis, cren&ccedil;as e valores em rela&ccedil;&atilde;o a esse acto (Leal, 2001). </p>      <p>Sem d&uacute;vida alguma, &eacute; um fen&oacute;meno social dos mais complexos e multi-determinados, fazendo emergir opini&otilde;es divergentes, seja no campo &eacute;tico, moral, emocional, cultural, religioso, ou no campo das rela&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero. Talvez por n&atilde;o haver ainda o completo reconhecimento social das mulheres como adultos morais competentes, muitas vezes a IVG como solu&ccedil;&atilde;o reprodutiva &eacute; apresentada como uma decis&atilde;o ego&iacute;sta e fria. Segundo este ponto de vista, uma mulher que o realiza &eacute; vista como uma criminosa, como algu&eacute;m que cometeu um delito (Zugaib, 1990). </p>      <p>No entanto, por mobilizar o auto-conceito e colocar &agrave; prova o julgamento moral acerca da quest&atilde;o que contrap&otilde;e toda uma traject&oacute;ria de vida em sociedade, que lhes aponta ser a maternidade o seu destino, acreditamos que dizer n&atilde;o &agrave; maternidade atrav&eacute;s da pr&aacute;tica do aborto pode afigurar-se como uma op&ccedil;&atilde;o extremamente dif&iacute;cil e conflituosa para as mulheres. </p>      <p>Acreditamos tamb&eacute;m que, na origem dessa dificuldade est&aacute; a perman&ecirc;ncia de um processo de socializa&ccedil;&atilde;o de papel de g&eacute;nero estereotipado durante o qual se internaliza o sistema de cren&ccedil;as e valores predominantes na sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fun&ccedil;&atilde;o procriativa da mulher (Pedrosa &amp; Garcia, 2000). </p>      <p>Segundo Ardaillon (1997) tendo em conta os valores sociais predominantes, a decis&atilde;o de abortar &eacute; sempre a resultante de negocia&ccedil;&otilde;es entre ideologia, realidade social e desejo. Esta autora acrescenta que para conciliar as suas convic&ccedil;&otilde;es e valores com a decis&atilde;o tomada, numa tentativa de minimizar o julgamento de si pr&oacute;prias pela transgress&atilde;o do c&oacute;digo moral, estas mulheres manipulam e transformam o significado do comportamento de modo a que assumisse o car&aacute;cter de solu&ccedil;&atilde;o &uacute;nica. Num estudo realizado por Vilar (2001), sobre as representa&ccedil;&otilde;es do aborto em Portugal, para todas as mulheres entrevistadas, o recurso ao aborto &eacute; uma coisa negativa, que no entanto &eacute; aceit&aacute;vel pela maioria em circunst&acirc;ncias precisas. </p>      <p>Mesmo assim, avaliando o seu pr&oacute;prio comportamento, estas mulheres consideram-no uma coisa errada, pecado, crime, algo que n&atilde;o &eacute; certo e que n&atilde;o se pode fazer, de acordo com a educa&ccedil;&atilde;o e valores que lhes foram transmitidos desde sempre (Pedrosa &amp; Garcia, 2000). </p>      <p>Isto levanta quest&otilde;es mais profundas em torno dos pap&eacute;is e fun&ccedil;&otilde;es de cada g&eacute;nero. Segundo Tachibana, Santos &amp; Duarte, (2006), se na d&eacute;cada de 50, as mulheres tinham uma fun&ccedil;&atilde;o materna bem definida, a qual se sobrepunha a todos os pap&eacute;is tidos como femininos, a partir da d&eacute;cada de 90, tais referenciais e valores s&atilde;o reestruturados. A maternidade passa a ser encarada como uma op&ccedil;&atilde;o que pode ser adiada e at&eacute; mesmo descartada, as mulheres passam a ser autorizadas a viver autenticamente a produ&ccedil;&atilde;o dos seus desejos. </p>      <p>No entanto, as mudan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o aos pap&eacute;is de homens e mulheres na sociedade s&atilde;o recentes. Desta forma, &eacute; compreens&iacute;vel que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es de g&eacute;nero, pr&aacute;ticas e valores tradicionais convivam com pr&aacute;ticas e valores novos. A forma como as sociedades associam pap&eacute;is e caracter&iacute;sticas ao que &eacute; ser homem ou mulher tem implica&ccedil;&otilde;es para a socializa&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, nomeadamente face a decis&otilde;es ainda t&atilde;o controversas e pol&eacute;micas como a de interromper uma gravidez. </p>      <p>Segundo Alvarez (1995), assistimos a um significativo regresso a valores e regras ditas tradicionais, salientando-se a Maternidade como um projecto central do Ser Mulher. Uma das representa&ccedil;&otilde;es sociais mais fortemente difundida no nosso pa&iacute;s &eacute; a da maternidade como papel social por excel&ecirc;ncia a ser desempenhado por mulheres, &#8220;&#8230;a maternidade &eacute;, para um amplo conjunto da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, condi&ccedil;&atilde;o de feminilidade&#8221; (Almeida &amp; Guerreiro, 1993, cit. por Marques, 2008). Os filhos t&ecirc;m, assim, um lugar central na fam&iacute;lia contempor&acirc;nea, representando para os pais uma fonte de gratifica&ccedil;&atilde;o pessoal (Cunha, 2007). A m&aacute;xima satisfa&ccedil;&atilde;o para a mulher n&atilde;o poderia ser ganha de outra maneira. </p>      <p>Tal como refor&ccedil;a Kamers (2006), as modifica&ccedil;&otilde;es da sexualidade e do olhar dirigido &agrave; mulher precederam uma grande transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de alian&ccedil;a, em que a mulher, em vez de ser reduzida ao papel de esposa ou m&atilde;e, foi-se individualizando, a partir da contracep&ccedil;&atilde;o, prazer e procria&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hoje sabe-se que o desejo de maternidade n&atilde;o &eacute; instintivo, n&atilde;o &eacute; inato, &eacute; um desejo constru&iacute;do, um projecto que apesar de para muitas mulheres a maternidade ser fundamental para a sua realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, o amor materno n&atilde;o existe em todas as mulheres, nem em todos os momentos da sua vida. </p>      <p>&#8220;O amor maternal &eacute; infinitamente complexo e imperfeito. Longe de ser um instinto, &eacute; condicionado por tantos factores independentes da &#8216;boa natureza&#8217; ou da &#8216;boa vontade&#8217; da m&atilde;e (...). Depende n&atilde;o s&oacute; da hist&oacute;ria pessoal de cada mulher, da oportunidade da gravidez, do seu desejo da crian&ccedil;a, da rela&ccedil;&atilde;o com o pai, mas tamb&eacute;m de muitos outros factores sociais, culturais, profissionais, etc.&#8221;, diz-nos Badinter (1996). A associa&ccedil;&atilde;o destas duas palavras, &#8220;amor&#8221; e &#8220;materno&#8221;, significava n&atilde;o s&oacute; a promo&ccedil;&atilde;o do sentimento, como tamb&eacute;m a eleva&ccedil;&atilde;o do estatuto da mulher enquanto m&atilde;e (Badinter, 1986). Ter um filho nunca foi considerado f&aacute;cil, mas sempre foi referenciado como importante (Colman &amp; Colman, 1994). </p>      <p>Apesar desta tend&ecirc;ncia para os pap&eacute;is sexuais tradicionais se esbaterem, eles continuam ainda muito presentes na sociedade contempor&acirc;nea. </p>      <p>Quando se fala de gravidez, muitas vezes esquece-se que est&aacute; intimamente ligada &agrave; sexualidade, &aacute;rea onde houve mais mudan&ccedil;as para as mulheres durante as &uacute;ltimas d&eacute;cadas. No entanto, devemos destacar duas fun&ccedil;&otilde;es evidentes da sexualidade como &aacute;rea de prazer, comunica&ccedil;&atilde;o e afectos e a sexualidade como fun&ccedil;&atilde;o procriativa. A maioria das gravidezes ocorrem muitas vezes por haver confus&atilde;o entre estes dois planos. Na realidade trata-se de dar significado ao comportamento sexual e de estar consciente da motiva&ccedil;&atilde;o que leva a uma experi&ecirc;ncia sexual (Zapiain, 1996). O autor refor&ccedil;a ainda que a maioria das pessoas situa-se bem nesta dupla dimens&atilde;o e o comportamento sexual dirigido &agrave; procura do outro, &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e ao prazer, est&aacute; ligado ao uso coerente dos m&eacute;todos contraceptivos que permitem distinguir ambas as fun&ccedil;&otilde;es. </p>      <p>De facto, as t&eacute;cnicas contraceptivas permitem que os filhos possam ser &#8220;desejados&#8221;. &Eacute; uma conquista ainda recente, pelo que para algumas mulheres, o poder separar as necessidades afectivas e sexuais de uma gravidez n&atilde;o desejada n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Utilizar um m&eacute;todo contraceptivo sup&otilde;e fechar voluntariamente a porta da fecundidade e abrir a porta do prazer (Zapiain, 1996). &Eacute; compreens&iacute;vel que um determinado sector de mulheres sexualmente activas tenham dificuldade em integrar a sua pr&oacute;pria capacidade er&oacute;tica. </p>      <p>As mulheres com um elevado n&iacute;vel de conflito, relativamente &agrave; integra&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o er&oacute;tica na sua pr&oacute;pria identidade de mulher, tendem a resistir &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de contraceptivos e a escolher os menos seguros (Zapiain, 1996). </p>      <p>Para Soifer (1980) quando uma mulher engravida &eacute; porque os seus sentimentos ambivalentes de querer e n&atilde;o querer ter um filho n&atilde;o se encontravam na mesma propor&ccedil;&atilde;o no momento da fecunda&ccedil;&atilde;o. Esta quest&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o inconsciente em engravidar pode ser percebida, de acordo com a autora, nas mulheres que afirmam n&atilde;o desejar engravidar mas que se esquecem de tomar a p&iacute;lula ou usar preservativo (Tachibana et al., 2006) analisam como sendo actos falhados representantes do discurso inconsciente. </p>      <p>Numa linha de an&aacute;lise din&acirc;mica, existem dois conceitos diferentes: o desejo de gravidez e o desejo de um filho. O primeiro reporta-se ao sentido simb&oacute;lico, geralmente inconsciente, que tem a ver com a pr&oacute;pria identidade da mulher. O segundo, refere-se ao desejo consciente de querer ter um filho inserido num projecto de vida (Passini, 1987). </p>      <p>Partindo destes pressupostos, a constru&ccedil;&atilde;o do presente question&aacute;rio    tem como principal objectivo conhecer as representa&ccedil;&otilde;es das mulheres    sobre sexualidade, maternidade e aborto.</p>     <p>&nbsp; </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">M&Eacute;TODO </p>      <p><i>Material </i></p>      <p>Tendo em conta o objectivo principal acima descrito, procedeu-se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio, com base em instrumentos utilizados na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa que incidiram sobre as representa&ccedil;&otilde;es da sexualidade e maternidade, bem como na revis&atilde;o de literatura. </p>      <p>O referido instrumento, que designamos Question&aacute;rio de Valores e Cren&ccedil;as sobre Sexualidade, Maternidade e Aborto (QVC) tem 38 itens e deve ser respondido numa escala de Likert de cinco pontos: discordo totalmente; discordo; nem concordo nem discordo; concordo; concordo totalmente. </p>      <p>Os itens s&atilde;o as que constam no Quadro 1. </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 1 </b></p>                   ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Itens do Question&aacute;rio de Valores e Cren&ccedil;as                  </i></b></p>                  <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a03q1.gif" width="552" height="836"></p></blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>      <p><i>Participantes </i></p>      <p>A amostra, recolhida por conveni&ecirc;ncia, &eacute; composta por 312 mulheres    com idades compreendidas entre os 13 e os 62 anos, sendo a m&eacute;dia de idades    de 28.96 (<i>DP</i>=9.548). No Quadro 2 encontra-se a an&aacute;lise detalhada    da composi&ccedil;&atilde;o da amostra.</p>     <p>&nbsp; </p>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>                     <p><b>Quadro 2 </b></p>                 ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas das                participantes para aferi&ccedil;&atilde;o QVC </i></b></p>                   <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a03q2.gif" width="553" height="370"></p></blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>      <p>ESTUDO DAS PROPRIEDADES PSICOM&Eacute;TRICAS DO QUESTION&Aacute;RIO </p>      <p><i>Validade factorial </i></p>      <p>A estrutura relacional dos itens do question&aacute;rio foi avaliada pela An&aacute;lise Factorial Explorat&oacute;ria (AFE) sobre a matriz das correla&ccedil;&otilde;es, com extrac&ccedil;&atilde;o dos factores pelo m&eacute;todo das componentes principais seguida de uma rota&ccedil;&atilde;o Varimax. Os factores comuns retidos foram aqueles que apresentavam um <i>eigenvalue </i>superior a 1, em conson&acirc;ncia com o <i>Scree Plot </i>e a percentagem de vari&acirc;ncia retida, uma vez que de acordo com Maroco (2007) a utiliza&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico crit&eacute;rio pode levar &agrave; reten&ccedil;&atilde;o de mais/menos factores do que aqueles relevantes para descrever a estrutura latente. </p>      <p>Para avaliar a validade da AFE utilizou-se o crit&eacute;rio KMO com os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o definidos em Maroco (2007). Tendo-se observado um KMO=0.79, pro-cedeu-se &agrave; AFE. Os scores de cada sujeito em cada um dos cinco factores retidos foram obtidos pelo m&eacute;todo de Bartlett implementado no SPSS. Estes scores foram depois utilizados nas an&aacute;lises inferenciais seguintes. Todas as an&aacute;lises foram efectuadas com o softwar<i>e </i>SPSS 17. </p>      <p>Inicialmente, procedeu-se &agrave; an&aacute;lise da primeira vers&atilde;o    do question&aacute;rio com 38 itens, sendo depois retirados alguns itens devido    ao reduzido peso factorial apresentado (&#60;0.5) nos factores extra&iacute;dos    na An&aacute;lise Factorial. O question&aacute;rio obtido no final &eacute;    composto por 17 itens. De acordo com a regra do <i>eigenvalue </i>superior a    1 e com o ScreePlot, a estrutura relacional dos itens em estudo &eacute; explicada    por cinco factores latentes. No quadro 3 resumem-se os pesos factoriais de cada    item em cada um dos cinco factores, os seus <i>eigenvalues</i>, a comunalidade    de cada item e a percentagem de vari&acirc;ncia explicada por cada factor. A    negrito apresentam-se os itens com pesos factoriais superiores a 0.45 em valor    absoluto. </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 3 </b></p>                   <p><b><i>Pesos factoriais de cada item nos cinco factores retidos,                  </i>eigenvalues <i>e percentagem de vari&acirc;ncia explicada,                  ap&oacute;s uma AFE com extrac&ccedil;&atilde;o de factores pelo                  m&eacute;todo das componentes principais seguida de uma rota&ccedil;&atilde;o                  Varimax.</i></b><i> </i></p>                  <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a03q3.gif" width="553" height="525"></p></blockquote></blockquote></blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro factor apresenta pesos factoriais elevados dos itens 30, 31, 32, 33 e 34 e explica 23.9% da vari&acirc;ncia total. O segundo factor, com pesos factoriais elevados dos itens 6, 18 e 26 explica 12.5% da vari&acirc;ncia total. O terceiro factor, com pesos factoriais elevados dos itens 20, 21 e 23 explica 9.3% da vari&acirc;ncia total. O quarto factor apresenta pesos factoriais elevados dos itens 22, 28 e 29 explica 7.9% da vari&acirc;ncia total. Por &uacute;ltimo, o quinto factor, com pesos factoriais elevados dos itens 12, 14 e 15 explica 7.4% da vari&acirc;ncia total (no global, os cinco factores explicam 60.8% de vari&acirc;ncia total). </p>      <p>Adicionalmente, todas as comunalidades s&atilde;o relativamente elevadas, demonstrando    que os cinco factores retidos s&atilde;o apropriados para descrever a estrutura    correlacional latente entre os itens. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Fiabilidade </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fiabilidade foi analisada sob o ponto de vista da consist&ecirc;ncia interna da escala, atrav&eacute;s do c&aacute;lculo do <i>Alpha de Cronbach. </i>Os valores de <i>Alpha </i>encontrados para estas escalas s&atilde;o considerados indicadores da consist&ecirc;ncia interna razo&aacute;vel do instrumento. </p>      <p>Os cinco factores encontrados permitiram-nos a cria&ccedil;&atilde;o de cinco Sub-escalas. Os itens do primeiro factor (30, 31, 32, 33 e 34), <i>Sub-escala Maternidade</i>, pretendem avaliar a percep&ccedil;&atilde;o da maternidade como projecto central do ser mulher. </p>      <p>A <i>Sub-escala Reprodu&ccedil;&atilde;o</i>, segundo factor (Itens 6, 18 e 26), avalia em que medida a sexualidade feminina &eacute; tida essencialmente como fun&ccedil;&atilde;o procriativa. </p>      <p>Os itens referentes &agrave; <i>Sub-escala Afectividade</i>, terceiro factor (20, 21 e 23), avaliam em que medida a sexualidade feminina &eacute; sentida como uma &aacute;rea de partilha de afectos. </p>      <p>A <i>Sub-escala Aborto </i>(quarto factor) avalia as representa&ccedil;&otilde;es negativas acerca do aborto (itens 22, 28 e 29). </p>      <p>Por fim, o quinto factor, <i>Sub-escala Prazer</i>, avalia a percep&ccedil;&atilde;o    da sexualidade feminina como &aacute;rea de prazer (quest&otilde;es 12, 14 e    15)</p>     <p>&nbsp; </p>      <p><i>Cota&ccedil;&atilde;o </i></p>      <p>O referido question&aacute;rio deve ser respondido numa escala de Likert de cinco pontos: discordo totalmente; discordo; nem concordo nem discordo; concordo; concordo totalmente. A chave da cota&ccedil;&atilde;o variava entre1e5,respectivamente. Os scores de cada sub-escala obt&ecirc;m-se a partir do somat&oacute;rio das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas em cada item. </p>      <p>Considerou-se que quanto mais alta fosse a pontua&ccedil;&atilde;o nas dimens&otilde;es    consideradas, maiores seriam as cren&ccedil;as em torno da maternidade como    projecto principal da condi&ccedil;&atilde;o feminina; da reprodu&ccedil;&atilde;o    como fun&ccedil;&atilde;o primordial da sexualidade feminina; da sexualidade    como partilha de afectos; piores as representa&ccedil;&otilde;es sobre o aborto;    e maiores as cren&ccedil;as em considerar o prazer como fun&ccedil;&atilde;o    primordial na sexualidade feminina.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </p>      <p>A an&aacute;lise factorial deste instrumento identificou cinco dimens&otilde;es capazes de explicar 61% da vari&acirc;ncia total. Para representar os factores, foram mantidos 17 itens dos 38 propostos no instrumento piloto. Os itens que permaneceram mostraram-se bastante representativos dos factores aos quais pertencem (cargas factoriais elevadas). Os resultados obtidos permitiram-nos construir uma escala cujas caracter&iacute;sticas de validade e fiabilidade s&atilde;o rao&aacute;veis e indicadora da pertin&ecirc;ncia do instrumento. Pretendemos futuramente criar uma vers&atilde;o melhorada com o objectivo de aumentar a consist&ecirc;ncia interna da escala. </p>      <p>De qualquer forma, este question&aacute;rio parece-nos bastante &uacute;til para medir valores e cren&ccedil;as sobre as diferentes fun&ccedil;&otilde;es da sexualidade feminina, a gravidez, o desejo de maternidade e o aborto. Visando uma melhor compreens&atilde;o das viv&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas em torno da sexualidade feminina, do fen&oacute;meno da gravidez e das motiva&ccedil;&otilde;es para prosseguir ou interromper a mesma. </p>      <p>Este estudo refor&ccedil;a tamb&eacute;m a import&acirc;ncia de trabalhar junto    de t&eacute;cnicos, jovens e popula&ccedil;&atilde;o geral, valores e cren&ccedil;as    ligados &agrave;s quest&otilde;es da sexualidade, maternidade, gravidez, aborto    e pap&eacute;is de g&eacute;nero, onde se encontram valores enraizados, j&aacute;    descontextualizados da realidade actual. Trabalhar ainda no sentido da sexualidade    ser aceite como parte integrante de todo o ciclo vital do sujeito sob diversas    formas, e as rela&ccedil;&otilde;es sexuais, como uma parte da sexualidade,    para que sejam vividas como naturais e prazerosas. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </p>      <!-- ref --><p>Alvarez, M. G. (1995). Esbo&ccedil;os do feminino: Procura do materno? <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, </i>12 (XIII), 33-37. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-0086200900020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ardaillon, D. (1997). <i>O sal&aacute;rio da liberdade. Profiss&atilde;o e maternidade, negocia&ccedil;&otilde;es para uma igualdade na diferen&ccedil;a. </i>Minas Gerais: Kell Arte Livros. </p>      <p>Badinter, E. (1996). <i>XY: A identidade masculina </i>(2&ordf; ed). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Asa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Colman, L. L., &amp; Colman, A. D. (1994). <i>Gravidez: a Experi&ecirc;ncia Psicol&oacute;gica. </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri. </p>      <p>Cunha, V. (2007). <i>O lugar dos filhos. Ideais, pr&aacute;ticas e significados. </i>ICS: Lisboa. </p>      <p>Fa&uacute;ndes, A. &amp; Barzelatto, J. (2004). <i>O drama do aborto &#8211; em busca de um consenso. </i>Campinas: Editora Komedi. </p>      <!-- ref --><p>Kamers, M. (2006). As novas configura&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia e o estatuto simb&oacute;lico das fun&ccedil;&otilde;es parentais. <i>Estilos da Cl&iacute;nica, </i>Vol. XI, n&ordm; 21, 108-125. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1645-0086200900020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Leal, I. (1990). Nota de Abertura. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica,</i>VIII (4), 365-366. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1645-0086200900020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Leal, I. (2001). Interrup&ccedil;&atilde;o Volunt&aacute;ria da Gravidez. O que a Psicologia pode e sabe dizer. <i>Sexualidade &amp; Planeamento Familiar, </i>32, 7-12. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-0086200900020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Marques, C. (2008). Comunica&ccedil;&atilde;o &#8220;Conjugalidade e parentalidade: contrastes e continuidades em Portugal&#8221; no &#8220;Semin&aacute;rio Amar e trabalhar na Europa&#8221;, CIES, ISCTE. </p>      <p>Nascimento, C. R.R. (2006). Masculino e feminino no contexto da fam&iacute;lia: representa&ccedil;&otilde;es sociais e pr&aacute;ticas educativas. Tese de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o apresentada ao Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas e Naturais, da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo. </p>      <p>Pedrosa, I. L. &amp; Garcia, T. R. (2000). &#8220;N&atilde;o vou esquecer nunca!&#8221;: A experi&ecirc;ncia feminina com o abortamento induzido. <i>Revista Latino-Americana de Enfermagem, </i>Vol.8, n&ordm;6, 50-58. </p>      <!-- ref --><p>Ribeiro, J. L. P., &amp; Ara&uacute;jo, T. (1998). Atitudes de t&eacute;cnicos de sa&uacute;de e interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 3 </i>(XVI), 469-479. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1645-0086200900020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Soifer, R. (1980). <i>Psicologia da gravidez, do parto e do puerp&eacute;rio. </i>Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </p>      <p>Stotland, N. L. (2000). Induced abortion in the United States. In N. L. Scotland &amp; D. E. Stewart (Eds.), <i>Psychological aspects of women and health care: The interface between psychiatry and obstetrics and gynecology </i>(2nd Ed.) (pp. 219-239). Washington, DC: American Psychiatric Press. </p>      <!-- ref --><p>Tachibana, M., Santos, L. P. &amp; Duarte, C. A. M.(2006). O conflito entre o consciente e o inconsciente na gravidez n&atilde;o planeada. <i>Psych&ecirc;</i>, X (19), 149-167. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-0086200900020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vilar, D. (2001). Aborto: representa&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas. <i>Sexualidade &amp; Planeamento Familiar, </i>32, 13-18. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1645-0086200900020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Zapiain, J.G. (1996). Gravidezes inesperadas. Porqu&ecirc;? Consultado atrav&eacute;s    de <a href="http://www.apf.pt/temas/tema_5F205.htm" target="_blank">http://www.apf.pt/temas/tema_5F205.htm</a>.  </p>      <!-- ref --><p>Zugaib, M. (1990). Paradoxos do aborto. <i>Revista Ginecol. Obstet.</i>, Vol.1,    n&ordm;4, 251-252. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-0086200900020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p align="center">ANEXO </p>      <p align="center">Question&aacute;rio de Valores e Cren&ccedil;as sobre Sexualidade  </p>     <p align="center">(Sereno, Leal &amp; Maroco, 2009)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De seguida, demonstre quanto est&aacute; de acordo ou em desacordo com as seguintes    afirma&ccedil;&otilde;es, fazendo uma cruz na respectiva coluna, que vai desde    <i>Concordo Totalmente </i>at&eacute; <i>Discordo Totalmente</i>. </p>      <p align="center"><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a03An1.gif" width="551" height="739"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Recebido em 12 Abril de 2009/ Aceite em 16    de Setembro de 2009</i> </p>  Contactar para E-mail: <a href="mailto:sarasereno@hotmail.com">sarasereno@hotmail.com</a>       ]]></body><back>
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