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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adaptação e estudo da escala de valor da saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of the present study is to analyse if people with diverse smoking patterns value their health differently. It is also an objective of this research to adapt the Health Value Scale (Lau, Hartman, & Ware, 1986) to the Portuguese population. A sample of 380 college students (regular and occasional smokers, and ex-smokers) has filled this instrument. The results show that people with different smoking patterns attribute a high value to their health and that there are no significant differences between the three groups (F=1,594; p=0,205). The study of the psychometric characteristics of the scale, which has been used in previous studies, evidence that, in a sample of 380 college students, this instrument is not adequate to measure the variable health value.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Adaptação e estudo da escala de valor da saúde</b></p>      <p align="center">Filipa Pimenta<sup>1</sup>, Isabel Leal<sup>1,2 </sup>&amp;    Jo&atilde;o Maroco<sup>1,2 </sup></p>     <p align="center"><sup>1</sup>Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia    e Sa&uacute;de, I&amp;D</p>     <p align="center"> <sup>2 </sup>ISPA </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO:</b> O presente estudo pretende averiguar se pessoas com diferentes    comportamentos de consumo de tabaco valorizam a sua sa&uacute;de de forma discrepante;    &eacute; igualmente objectivo desta investiga&ccedil;&atilde;o adaptar a Escala    de Valor da Sa&uacute;de (Lau, Hartman, &amp; Ware, 1986) &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    Portuguesa. Para tal aplicou-se o instrumento a uma amostra de 380 estudantes    universit&aacute;rios (fumadores regulares, ocasionais e ex-fumadores). Os resultados    demonstram que pessoas com diferentes padr&otilde;es de consumo tab&aacute;gico    atribuem um valor elevado &agrave; sua sa&uacute;de, n&atilde;o existindo diferen&ccedil;as    significativas entre os tr&ecirc;s grupos (<i>F</i>=1,594; <i>p</i>=0,205).    O estudo das caracter&iacute;sticas psicom&eacute;tricas do instrumento, j&aacute;    utilizado em estudos anteriores, salienta que, numa amostra de 380 alunos do    ensino superior, esta escala n&atilde;o &eacute; adequada para medir a vari&aacute;vel    em quest&atilde;o. </p>     <p><i>Palavras-chave</i><i>: </i>Valor, Sa&uacute;de, Fumadores, Ex-fumadores,    Escala. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p align="center"><b>Adaptation and examination of the psychometric properties    of the health value scale </b></p>      <p><b>ABSTRACT:</b> The aim of the present study is to analyse if people with    diverse smoking patterns value their health differently. It is also an objective    of this research to adapt the Health Value Scale (Lau, Hartman, &amp; Ware,    1986) to the Portuguese population. A sample of 380 college students (regular    and occasional smokers, and ex-smokers) has filled this instrument. The results    show that people with different smoking patterns attribute a high value to their    health and that there are no significant differences between the three groups    (<i>F</i>=1,594; <i>p</i>=0,205). The study of the psychometric characteristics    of the scale, which has been used in previous studies, evidence that, in a sample    of 380 college students, this instrument is not adequate to measure the variable    health value. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Keywords: </i>Value, Health, Smokers, Ex-smokers, Scale. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A tentativa de compreens&atilde;o de como e porqu&ecirc; determinadas popula&ccedil;&otilde;es    manifestam comportamentos prejudiciais para a sua sa&uacute;de tem vindo a ser    h&aacute; muito uma das quest&otilde;es centrais de investiga&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea da Psicologia da Sa&uacute;de (Rodin, &amp; Salovey, 1989). </p>            <p>A teoria da aprendizagem social de Bandura (1977, 2001) preconiza que o indiv&iacute;duo ir&aacute; desempenhar um determinado comportamento (numa determinada situa&ccedil;&atilde;o) em fun&ccedil;&atilde;o da expectativa de que aquele comportamento conduzir&aacute; a um resultado desejado e do valor que a pessoa atribui a esse mesmo resultado. Esta teoria &eacute; evidenciada como um modelo importante no &acirc;mbito da modifica&ccedil;&atilde;o do comportamento, considerando que uma din&acirc;mica psicossocial subjaz a todos os comportamentos relacionados com a sa&uacute;de e com doen&ccedil;a (Ribeiro, 1998). </p>      <p>A percep&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, presente e futura, tem sido evidenciada como um importante factor relacionado com o aumento da probabilidade de uma cessa&ccedil;&atilde;o tab&aacute;gica bem sucedida e fumadores motivados para a manuten&ccedil;&atilde;o/melhoramento da sua sa&uacute;de (motiva&ccedil;&atilde;o interna) t&ecirc;m melhores probabilidades de conseguir parar de fumar do que fumadores que manifestem uma motiva&ccedil;&atilde;o externa (por ex., influ&ecirc;ncia social) (Clarke, &amp; Aish, 2002). A literatura destaca ainda que uma valoriza&ccedil;&atilde;o significativa da sa&uacute;de, assim como um locus de controlo interno para a sa&uacute;de, constituem vari&aacute;veis importantes na predi&ccedil;&atilde;o de sucesso num programa de cessa&ccedil;&atilde;o tab&aacute;gica (Lau, Hartman, &amp; Ware, 1986). A corroborar o anterior, Chassin, Presson, Rose e Sherman (2001) e Grube, McGree e Morgan (1986), concluem que, em compara&ccedil;&atilde;o com n&atilde;o-fumadores, os fumadores valorizam menos a sua sa&uacute;de. </p>      <p>Assim, no contexto da investiga&ccedil;&atilde;o sobre a mudan&ccedil;a de comportamentos com impacto na sa&uacute;de, torna-se pertinente averiguar a vari&aacute;vel de valor da sa&uacute;de na medida em que esta poder&aacute; ser uma das vari&aacute;veis a potenciar a mudan&ccedil;a e porque, tal como &eacute; evidenciado num estudo de Hanna, Faden e Dufour (1994) na &aacute;rea do consumo de &aacute;lcool, tabaco e outras subst&acirc;ncias nocivas para a sa&uacute;de, n&atilde;o se pode assumir que diferentes pessoas valorizem a sua sa&uacute;de da mesma forma. </p>      <p>O conceito de sa&uacute;de pode abranger aspectos f&iacute;sicos, psicol&oacute;gicos e sociais. A literatura evidencia que &eacute; poss&iacute;vel ordenar estes aspectos; assim, o valor da sa&uacute;de remete, em primeira inst&acirc;ncia, para a sa&uacute;de f&iacute;sica (Lau et al. 1986). &Eacute; referido pelos mesmos autores que o estado de sa&uacute;de n&atilde;o se correlaciona com o valor que a pessoa atribui &agrave; sua sa&uacute;de. </p>      <p>Tal como decorre da teoria da aprendizagem social, a percep&ccedil;&atilde;o do resultado ao qual determinado comportamento pode conduzir, bem como o valor desse mesmo resultado, influenciam a adop&ccedil;&atilde;o de determinados comportamentos por parte das pessoas (Chassin et al., 2001; Ribeiro, 1998). Chassin et al. (2001) referem ainda que, durante os anos do ensino secund&aacute;rio, os adolescentes fumadores percepcionam, por um lado, o consumo de tabaco como perigoso para a sa&uacute;de e, por outro lado, valorizam pouco a sa&uacute;de. &Agrave; luz destas evid&ecirc;ncias compreende-se que os adolescentes continuem a adoptar o comportamento de fumar que, apesar das consequ&ecirc;ncias nocivas percepcionadas, conduzir&aacute; a resultados altamente valorizados, tais como a identifica&ccedil;&atilde;o com os pares ou a aceita&ccedil;&atilde;o social. Os autores enfatizam igualmente que &eacute; apenas a partir dos vinte anos que se verifica um aumento da valoriza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. </p>      <p>A literatura tamb&eacute;m explana que cren&ccedil;as de controlo sobre a sa&uacute;de, aliadas a uma valoriza&ccedil;&atilde;o desta, encontram-se fortemente correlacionadas com a manifesta&ccedil;&atilde;o de comportamentos de sa&uacute;de preventivos (Lau et al., 1986). No mesmo sentido, Kristiansen (1985) defende que o valor da sa&uacute;de por si s&oacute; prediz a manifesta&ccedil;&atilde;o de comportamentos de cariz protector para a sa&uacute;de. Assim, se uma pessoa acredita que controla a sua sa&uacute;de e tem ac&ccedil;&otilde;es para manter uma boa sa&uacute;de, ent&atilde;o &eacute; esperado que valorize a sua sa&uacute;de (Lau et al., 1986). </p>      <p>Lau et al. (1986) s&atilde;o da opini&atilde;o de que a sa&uacute;de como valor    deveria ser integrada de forma sistem&aacute;tica na investiga&ccedil;&atilde;o    desenvolvida no &acirc;mbito dos comportamentos relacionados com a sa&uacute;de.    Desta forma, os autores conceberam a <i>Escala de Valor da Sa&uacute;de </i>para    averiguar o valor que a pessoa atribui &agrave; sua sa&uacute;de. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </p>      <p><i>Material </i></p>      <p>Lau et al. (1986) desenvolveram uma escala com quatro itens que avalia o valor conferido pela pessoa &agrave; sua sa&uacute;de. A escala encontrava-se j&aacute; traduzida, tendo sido aplicada num estudo anterior; todavia, por se discordar da tradu&ccedil;&atilde;o de alguns itens e por se desconhecer a condu&ccedil;&atilde;o de tradu&ccedil;&atilde;o e retro-tradu&ccedil;&atilde;o independentes, procedeu-se a uma nova tradu&ccedil;&atilde;o (e subsequente retro-tradu&ccedil;&atilde;o independente) do instrumento original em l&iacute;ngua Inglesa. </p>      <p>Os quatro itens da escala s&atilde;o avaliados numa escala de Likert de 7 pontos    (correspondendo 1 a &#8220;discordo completamente&#8221; e 7 a &#8220;concordo    completamente&#8221;). Os itens 2 e 3, por estarem formulados na negativa, s&atilde;o    cotados de forma invertida. </p>      <p>Quanto mais elevado for o total obtido &#8211; dado pela soma das pontua&ccedil;&otilde;es dos quatro itens -maior ser&aacute; o valor atribu&iacute;do pelo indiv&iacute;duo &agrave; sua sa&uacute;de. </p>      <p>Exp&otilde;e-se de seguida a tradu&ccedil;&atilde;o portuguesa do instrumento    (quadro 1). </p>     <p>&nbsp;</p>               <blockquote>                <blockquote>                  ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                   <p><b>Quadro 1 </b></p>                   <p><b><i>Escala de valor da sa&uacute;de </i></b></p>      <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a05q1.gif" width="555" height="258"></p></blockquote>           </blockquote>         </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>            <p><i>Participantes </i></p>            <p>A amostra deste estudo transversal &eacute; de conveni&ecirc;ncia e constitu&iacute;da por estudantes universit&aacute;rios fumadores (regulares e ocasionais) e ex-fumadores. No total, preencheram os question&aacute;rios de forma v&aacute;lida 380 participantes, isto &eacute;, 278 fumadores regulares, 63 ex-fumadores e 39 fumadores ocasionais. </p>      <p>No que concerne &agrave; idade dos participantes, verifica-se que a m&eacute;dia da amostra &eacute; igual a 23 anos (<i>DP</i>=4,375; <i>Min.</i>=17; <i>Max</i>.=47). </p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao sexo, 82% da amostra &eacute; feminina: participaram    neste estudo 68 homens e 312 mulheres. </p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">RESULTADOS </p>      <p><i>Valor da sa&uacute;de: fumadores regulares vs. ex-fumadores vs. fumadores ocasionais </i></p>      <p>No que concerne ao valor atribu&iacute;do &agrave; sa&uacute;de, e com uma    probabilidade de erro de 5%, conclui-se que n&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as    estatisticamente significativas entre fumadores regulares, ex-fumadores e fumadores    ocasionais, no que concerne &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o desta vari&aacute;vel.  </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>                                <p><b>Quadro 2</b></p>                   <p><b><i>ANOVA one-way relativamente &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o                  da vari&aacute;vel valor da sa&uacute;de </i></b></p>         <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a05q2.gif" width="551" height="84"></p>            </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O valor elevado da m&eacute;dia total (M=5,5500; D.P.=0,94128) da vari&aacute;vel    apoia a conclus&atilde;o de que os participantes (fumadores e ex-fumadores)    valorizam a sua sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp; </p>      <p><i>Sensibilidade dos itens e fiabilidade da escala </i></p>      <p>No que concerne &agrave; sensibilidade dos itens da escala, verifica-se que    todas as alternativas de resposta que os quatro itens oferecem foram usadas.    No que respeita aos valores de curtose (|k|< 7) e de enviezamento (|sk|< 3), conclui-se    que ambos s&atilde;o adequados.</p>      <p>Salienta-se que a escala obteve no seu estudo original um coeficiente de &#945; de 0,67 e um coeficiente de teste &#8211; re-teste com o valor de 0,78, para um per&iacute;odo de seis semanas. </p>      <p>Na presente investiga&ccedil;&atilde;o a escala obteve um alpha de Cronbach    igual a 0,62 (isto &eacute;, &#945;< 0,70, valor a partir do qual o alpha de    Cronbach &eacute; considerado aceit&aacute;vel) o que &eacute; considerado um    valor baixo de consist&ecirc;ncia interna. Dado que o estudo foi transversal    n&atilde;o se efectuou o re-teste.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Validade factorial do instrumento </i></p>      <p>No que respeita &agrave; an&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria da escala, observa-se que o ajustamento do modelo n&atilde;o &eacute; perfeito [&#967;<sup>2</sup>(2)=11,599; &#967;<sup>2</sup>/gl=5,8; CFI=0,957; RMSEA=0,113; P(rmsea&#8804;0,05)=0,003]. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tabela seguinte explana os valores do peso factorial e da vari&acirc;ncia    explicada dos quatro itens. </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>        <blockquote>          <blockquote>                           <p><b>Quadro 3 </b></p>                   <p><b><i>An&aacute;lise Factorial Confirmat&oacute;ria </i></b></p>                   <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a05q3.gif" width="552" height="108"></p>    </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p>Apesar da literatura revista evidenciar que as pessoas que alteram o seu comportamento    no sentido de obter uma boa sa&uacute;de valorizam de forma significativa a    sa&uacute;de, na presente investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se verificam    diferen&ccedil;as no que concerne ao valor atribu&iacute;do &agrave; sa&uacute;de    entre fumadores e ex-fumadores, ou seja, fumadores regulares, fumadores ocasionais    e ex-fumadores n&atilde;o valorizam a sa&uacute;de de forma diferente. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pode-se encontrar v&aacute;rias hip&oacute;teses explicativas. Em primeiro lugar os ex-fumadores podem ter deixado de fumar n&atilde;o (ou n&atilde;o apenas) por valorizarem a sua sa&uacute;de, mas motivados por outros factores. </p>      <p>Refere-se que os fumadores, apesar de manifestarem um comportamento (mais ou menos consistente, no caso dos fumadores regulares) nocivo para a sa&uacute;de, n&atilde;o t&ecirc;m necessariamente de valorizar de forma diminu&iacute;da a sua sa&uacute;de para manterem este comportamento. A manuten&ccedil;&atilde;o do consumo pode persistir pelo facto de atribu&iacute;rem ao comportamento de fumar um valor tamb&eacute;m elevado (ou at&eacute; mesmo mais elevado do que o valor atribu&iacute;do &agrave; sa&uacute;de) e que permita manter um comportamento prejudicial (mas mais valorizado) para a sa&uacute;de. </p>      <p>Um campo que tem vindo a receber aten&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito s&atilde;o as percep&ccedil;&otilde;es de risco. </p>      <p>A maior parte das pessoas concorda que o consumo de tabaco &eacute; perigoso para a sa&uacute;de (Chapman, Wong, &amp; Smith, 1993; Hermand, Mullet, &amp; Coutelle, 2001). Contudo, existe uma diferen&ccedil;a significativa entre a percep&ccedil;&atilde;o do risco geral e do risco pessoal; assim, a investiga&ccedil;&atilde;o documenta que, no que concerne &agrave; percep&ccedil;&atilde;o do consumo de tabaco como um factor de risco para a sa&uacute;de do pr&oacute;prio, fumadores, em compara&ccedil;&atilde;o com ex-fumadores e n&atilde;o-fumadores, subestimam as consequ&ecirc;ncias nefastas que fumar tem na sua sa&uacute;de (Chapman et al., 1993; Chassin et al., 2001; Moran, Glazier, &amp; Armstrong, 2003; Oakes, Chapman, Borland, Balmford, &amp; Trotter, 2004; Willaing, J&#511;rgensen, &amp; Iversen, 2003). </p>      <p>O presente estudo documenta que (apesar de n&atilde;o existirem diferen&ccedil;as significativas entre fumadores regulares, ex-fumadores e fumadores ocasionais) os participantes valorizam a sua sa&uacute;de (numa escala de 1 a 7, as m&eacute;dias obtidas s&atilde;o elevadas: M&eacute;dia<sub>F.Reg.</sub>= 5,5; M&eacute;dia<sub>Ex-f.</sub>= 5,6; M&eacute;dia<sub>F.Oc</sub>= 5,8). </p>      <p>O facto de as pessoas valorizarem a sa&uacute;de e fumarem de forma significativa pode ficar a dever-se, como j&aacute; foi referido anteriormente, ao facto de n&atilde;o considerarem este comportamento como comportando um risco significativo para a sua sa&uacute;de. </p>      <p>Este fen&oacute;meno &eacute; explicado pela teoria da disson&acirc;ncia cognitiva de Festinger (1957) que preconiza a necessidade de existir uma conson&acirc;ncia entre comportamento e atitudes e que, na presen&ccedil;a de inconsist&ecirc;ncia (que &eacute; psicologicamente desconfort&aacute;vel), o indiv&iacute;duo tentar&aacute; reduzir o estado de disson&acirc;ncia (Oakes et al., 2004). </p>      <p>No que concerne ao consumo tab&aacute;gico, o fumador poder&aacute; 1) alterar o comportamento (ou seja, deixar de fumar) ou ent&atilde;o 2) modificar as suas cren&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o aos malef&iacute;cios do consumo de tabaco (tal pode ser efectuado, por exemplo, atrav&eacute;s da distor&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o veiculada pelos media ou institui&ccedil;&otilde;es relacionadas com a sa&uacute;de). </p>      <p>A literatura evidencia que o &uacute;ltimo parece ser mais f&aacute;cil de obter do que a modifica&ccedil;&atilde;o do comportamento de risco. Willaing et al. (2003) salientam que j&aacute; em 1966 existiam evid&ecirc;ncias de que os fumadores da popula&ccedil;&atilde;o geral tendiam a distorcer a informa&ccedil;&atilde;o, no que concerne &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre consumo de tabaco e cancro do pulm&atilde;o. A investir no sentido de diminuir esta disson&acirc;ncia cognitiva encontra-se, por exemplo, o segmento de mercado dos cigarros com filtro que, indo ao encontro do desejo do consumidor de acreditar que reduz de forma efectiva o risco de doen&ccedil;a, contribui para o desenvolvimento de comportamento de lealdade para com o produto (Cummings, Giovino, Hastrup, Bauer, &amp; Bansal, 2003). </p>      <p>A investiga&ccedil;&atilde;o mais recente continua a apontar na mesma direc&ccedil;&atilde;o: de acordo com Oakes et al. (2004), o acto de fumar n&atilde;o &eacute; &#8220;sentido&#8221; como perigoso pelos fumadores e por isso conseguem percepcionar este comportamento como algo que n&atilde;o comporta um risco real para a sua sa&uacute;de. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, pode ainda colocar-se a hip&oacute;tese de o facto de os fumadores n&atilde;o percepcionarem o acto de fumar como perigoso para a sa&uacute;de se dever n&atilde;o &agrave; j&aacute; referida distor&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o (adquirida) -com vista a redu&ccedil;&atilde;o de disson&acirc;ncia cognitiva &#8211; mas antes a um desconhecimento real (falta de informa&ccedil;&atilde;o) das consequ&ecirc;ncias danosas do tabaco. Isto porque, de acordo com v&aacute;rios estudos citados por Sejr e Osler (2002), os estudantes universit&aacute;rios (nomeadamente do primeiro ano do curso de enfermagem) t&ecirc;m um conhecimento pobre sobre as consequ&ecirc;ncias de fumar (manifestando igualmente atitudes negativas para com a preven&ccedil;&atilde;o deste comportamento de risco). </p>      <p>Outros estudos sublinham que fumadores com uma idade mais avan&ccedil;ada manifestam menos conhecimento em rela&ccedil;&atilde;o aos riscos objectivos que fumar comporta para a sa&uacute;de, quando comparados com pessoas mais novas (Oakes et al., 2004). </p>      <p>Na medida em que n&atilde;o existe um consenso quanto &agrave; acuidade da informa&ccedil;&atilde;o que as pessoas t&ecirc;m (no que concerne aos riscos reais de fumar) seria pertinente a averigua&ccedil;&atilde;o desta quest&atilde;o num estudo futuro. </p>      <p>Pode ainda explicar-se o acto continuado de consumir tabaco atrav&eacute;s da teoria do comprometimento da tomada de decis&atilde;o. Dado que o acto de fumar reflecte necessidades imediatas, tais como a redu&ccedil;&atilde;o de tens&atilde;o e o aumento da concentra&ccedil;&atilde;o, a manuten&ccedil;&atilde;o deste comportamento implicaria &#8220;a incapacidade de integrar experi&ecirc;ncias antecedentes e dispon&iacute;veis e conhecimento sobre situa&ccedil;&otilde;es semelhantes e diferentes opini&otilde;es/resultados de pares&#8221; (Bechara, Dam&aacute;sio, &amp; Dam&aacute;sio, 2000, cit. por Harmsen, Bischof, Brooks, Hohagen, &amp; Rumpf, 2006, pp. 2). </p>      <p>Assim, as pessoas com a capacidade de tomada de decis&atilde;o comprometida, mesmo tendo consci&ecirc;ncia das perdas que determinada op&ccedil;&atilde;o poder&aacute; acarretar, optam geralmente pela alternativa que conduz a benef&iacute;cios imediatos, mesmo que ela conduza tamb&eacute;m a perdas significativas a longo prazo. </p>      <p>N&atilde;o obstante o anteriormente salientado &#8211; e na linha da percep&ccedil;&atilde;o distorcida que os fumadores poder&atilde;o ter em rela&ccedil;&atilde;o ao risco associado ao consumo de tabaco &#8211; Cummings et al. (2003) referem que os fumadores tendem a ser exageradamente optimistas na avalia&ccedil;&atilde;o que fazem do risco ao qual est&atilde;o sujeitos (nomeadamente, no que concerne ao desenvolvimento de doen&ccedil;as) por fumarem. </p>      <p>Neste &acirc;mbito, sublinha-se que indiv&iacute;duos que s&atilde;o na realidade    mais suscept&iacute;veis que as demais pessoas de desenvolver determinada(s)    patologia(s), tendem a manifestar um enviusamento optimista que se traduz na    percep&ccedil;&atilde;o de que o pr&oacute;prio &eacute; menos vulner&aacute;vel    (ou t&atilde;o vulner&aacute;vel como) do que os outros indiv&iacute;duos que    n&atilde;o incorrem nesse risco espec&iacute;fico de contrac&ccedil;&atilde;o    de determinada(s) doen&ccedil;a(s) (Cummings et al., 2003). Prokhorov et al.    (2003) chegam a esta mesma conclus&atilde;o no seu estudo, comparando estudantes    universit&aacute;rios fumadores e n&atilde;o fumadores. </p>      <p>No caso de indiv&iacute;duos fumadores isto tem sido evidenciado e esta percep&ccedil;&atilde;o irrealista pode dever-se &agrave; cren&ccedil;a de que o indiv&iacute;duo ser&aacute; capaz de deixar de fumar antes de come&ccedil;ar a ter problemas de sa&uacute;de (Cummings et al., 2003). </p>      <p>Destaca-se ainda que o consumo de tabaco est&aacute; associado &agrave; obten&ccedil;&atilde;o imediata de algo positivo (refor&ccedil;o positivo), seja a sensa&ccedil;&atilde;o de prazer ou o apaziguamento de ansiedade; as consequ&ecirc;ncias nocivas mais significativas manifestam-se apenas a m&eacute;dio/longo prazo, o que tamb&eacute;m permite manter o comportamento prejudicial para a sa&uacute;de ao mesmo tempo que se atribui um valor elevado &agrave; mesma. </p>      <p>Isto est&aacute; patente nas abordagens cognitivas no campo dos comportamentos de risco para a sa&uacute;de: a pessoa que manifesta um comportamento de risco deve 1) subestimar o risco que essa ac&ccedil;&atilde;o comporta ou 2) percepcionar benef&iacute;cios compensadores aliados ao comportamento (Goldberg &amp; Fischhoff, 2000). Assim, se uma percentagem significativa de fumadores menospreza o risco, &eacute; pouco prov&aacute;vel que percepcionem este comportamento como sendo prejudicial para a manuten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de que, tal como a presente investiga&ccedil;&atilde;o evidencia, &eacute; valorizada (M&eacute;dia<sub>F.Reg.</sub>= 5,5; M&eacute;dia<sub>Ex-f.</sub>= 5,6; M&eacute;dia<sub>F.Oc</sub>= 5,8). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A literatura evidencia que os fumadores que percepcionam a sua sa&uacute;de como estando em risco ter&atilde;o maior probabilidade em deixar de fumar (Clarke &amp; Aish, 2002). Daqui decorre a pertin&ecirc;ncia de, em estudos futuros, controlar esta vari&aacute;vel (percep&ccedil;&atilde;o de risco) para uma compreens&atilde;o mais completa do fen&oacute;meno e atribuir-lhe destaque na estrutura&ccedil;&atilde;o de programas de cessa&ccedil;&atilde;o tab&aacute;gica. </p>      <p>No que concerne ao instrumento estudado, sobressai que a escala de valor da    sa&uacute;de apresenta uma sensibilidade adequada; todavia, a consist&ecirc;ncia    interna &eacute; baixa e o modelo unifactorial apresenta um ajustamento inadequado    dado que apenas os itens1 e 4 apresentam uma rela&ccedil;&atilde;o forte com    a escala. </p>      <p>No que concerne &agrave; escala de valor da sa&uacute;de, e apesar da vari&aacute;vel    de valor da sa&uacute;de ser largamente pesquisada, a an&aacute;lise das caracter&iacute;sticas    psicom&eacute;tricas deste instrumento comprova que, numa amostra de 380 alunos    do ensino superior, esta escala n&atilde;o &eacute; adequada para medir a vari&aacute;vel    em quest&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </p>      <!-- ref --><p>Bandura, A. (2001). Social cognitive theory: an agentic perspective. <i>Annual Review of Psychology, </i>52, 1-26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-0086200900020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Chapman, S., Wong, W. L., &amp; Smith, W. (1993). Self-exempting beliefs about smoking and health: differences between smokers and ex-smokers. <i>American Journal of Public Health, </i>83(2), 215-219. </p>      <p>Chassin, L., Presson, C. C., Rose, J. S., &amp; Sherman, S. J. (2001). From adolescence to adulthood: age-related changes in beliefs about cigarette smoking in a midwest community sample. <i>Health Psychology, </i>20(5), 377-386. </p>      <p>Clarke, K. E. &amp; Aish, A. (2002). An exploration of health beliefs and attitudes of smokers with vascular disease who participate in or decline a smoking cessation program. <i>Journal of Vascular Nursing, </i>20(3), 96-105. </p>      <p>Cummings, K. M., Hyland, A., Giovino, G. A., Hastrup, J. L., Bauer, J. E., &amp; Bansal, M. A. (2003). Are smokers adequately informed about the health risks of smoking and medicinal nicotine? <i>Nicotine &amp; Tobacco Research, </i>6(3), 333-340. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Goldberg, J., &amp; Fischhoff, B. (2000). The long-term risks in the short-term benefits: perceptions of the potentially addictive activities. <i>Health Psychology, </i>19(3), 299-303. </p>      <p>Grube, J. W., McGree, S. T., &amp; Morgan, M. (1986). Beliefs related to cigarette smoking among Irish college students. <i>International Journal of the Addictions, </i>21(6), 701-706. </p>      <p>Hanna, E. Z., Faden, V. B., &amp; Dufour, M. C. (1994). The motivational correlates of drinking, smoking and illicit drug use during pregnancy. <i>Journal of substance Abuse, </i>6, 155-167. </p>      <p>Harmsen, H., Bischof, G., Brooks, A., Hohagen, F., &amp; Rumpf, H.-J. (2006). The relationship between impaired decision-making, sensation seeking and readiness to change in cigarette smokers. <i>Addictive Behaviors, </i>31(4), 581-592. </p>      <p>Hermand, D., Mullet, E., &amp; Coutelle, B. (2001). Perception of the combined effect of smoking and alcohol on health. <i>The Journal of Social Psychology, </i>135(2), 167-174. </p>      <p>Kristiansen, C. M. (1985). Value correlates of preventive health behavior. <i>Journal of Personality and Social Psychology, </i>49, 748-758. </p>      <p>Lau, R. R., Hartman, K. A., &amp; Ware, J. E. (1986). Health as a value: methodological and theoretical considerations. <i>Health Psychology, </i>5(1), 25-43. </p>      <p>Moran, S., Glazier, G., &amp; Armstrong, K. (2003). Women smokers&#8217; perceptions of smoking-related health risks. <i>Journal of Women&#8217;s Health, </i>12(4), 363-371. </p>      <p>Oakes, W., Chapman, S., Borland, R., Balmford, J., &amp; Trotter, L. (2004). &#8220;Bulletproof skeptics in life&#8217;s jungle&#8221;: which self-exempting beliefs about smoking most predict lack of progression towards quitting? <i>Preventive Medicine, </i>39, 776-782. </p>      <p>Prokhorov, A. V., Warneke, C., Moor, C., Emmons, K. M., Jones, M. M., Rosenblum, C., Hudmon, K. S., &amp; Gritz, E. R. (2003). Self-reported health status, health vulnerability, and smoking behavior in college students: implications for intervention. <i>Nicotine and Tobacco Research, </i>5(4), 545-552. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ribeiro, J. L. P. (1998). <i>Psicologia e sa&uacute;de. </i>Lisboa: ISPA. </p>      <p>Rodin, J., &amp; Salovey, P. (1989). Health psychology. In M. R. Rosenzweig &amp; L. W. Porter (Eds.). <i>Annual Review of Psychology, </i>vol. 40, 533-579. </p>      <p>Sejr, H. S., &amp; Osler, M. (2002). Do smoking and health education influence student nurses&#8217; knowledge, attitudes and professional behavior? <i>Preventive Medicine, </i>34, 260-265. </p>      <p>Willaing, I., J rgensen, T., &amp; Iversen, L. (2003). How does individual    smoking behaviour among hospital staff influence their knowledge of the health    consequences of smoking? <i>Scandinavian Journal of Public Health, </i>31, 149-155.  </p>     <p>&nbsp;</p>       <p align="right"><i>Recebido em 3 de Fevereiro de 2009 / Aceite em 24 Julho de    2009 </i> </p>      <p>Contactar para E-mail: <a href="mailto:filipa_pimenta@ispa.pt">Filipa_pimenta@ispa.pt</a>  </p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Bandura]]></surname>
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