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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A avaliação do stresse: a propósito de um estudo de adaptação da escala de percepção de stresse]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Stress assessment: a propos of the adaptation study of the perceived stress scale]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of the present study is to discuss the assessment of stress. We use as a pretext the study of the adaptation of the Perceived Stress Scale. The study of the Portuguese version keeps 13 of the 14 original items. Results show that metric properties of the Portuguese version are similar to the original version. Then we can consider that the Portuguese version assesses the same construct as the original scale. However, it continues to be an important issue the way psychologists use to assess the stress, frequently ignoring the conceptual support of the stress measure used.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aspectos teóricos da avaliação do stresse]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Theoretical issues about stress assessment]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>A avaliação do stresse: a propósito de um estudo de adaptação    da escala de percepção de stresse</b></p>           <p align="center">J. Pais Ribeiro &amp; T. Marques </p>     <p align="center">Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o-Universidade    do Porto </p>     <p align="center">&nbsp;</p>          <p><b>RESUMO: </b>O objectivo do presente estudo &eacute; discutir        a avalia&ccedil;&atilde;o do stresse. Utilizamos como pretexto o estudo        de adapta&ccedil;&atilde;o da <i>Perceived Stress Scale </i>e, na continua&ccedil;&atilde;o        da discuss&atilde;o iniciada h&aacute; mais de 20 anos, contribuir para        a discuss&atilde;o do conceito de stresse e do modo de o avaliar. A escala        estudada, &eacute; uma das mais utilizadas quer em Portugal quer no mundo,        mas, em Portugal s&atilde;o escassos os dados de valida&ccedil;&atilde;o.        Na sua vers&atilde;o portuguesa, a escala perde um dos itens ficando com        13 dos 14 itens. As propriedades m&eacute;tricas apresentam caracter&iacute;sticas        id&ecirc;nticas &agrave; original podendo considerar-se que avalia do mesmo        modo o mesmo construto. No entanto o presente estudo tem um n&uacute;mero        de participantes reduzido, o que limita os resultados sobre as propriedades        da vers&atilde;o em        estudo. De qualquer modo os resultados s&atilde;o muito        semelhantes aos de outras vers&otilde;es em Portugu&ecirc;s e de outras        vers&otilde;es publicadas noutros idiomas. Permanece a quest&atilde;o b&aacute;sica        de avalia&ccedil;&atilde;o deste construto que &eacute;: estamos a avaliar        o stresse? </p>          <p><i>Palavras-chave: </i>Stresse, Avalia&ccedil;&atilde;o do stresse, Aspectos    te&oacute;ricos da avalia&ccedil;&atilde;o do stresse. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><b>Stress assessment: a propos of the adaptation study of the    perceived stress scale </b></p>            <p><b>ABSTRACT:</b> The aim of the present study is to discuss          the assessment of stress. We use as a pretext the study of the adaptation          of the Perceived Stress Scale. The study of the Portuguese version keeps          13 of the 14 original items. Results show that metric properties of the          Portuguese version are similar to the original version. Then we can consider          that the Portuguese version assesses the same construct as the original          scale. However, it continues to be an important issue the way psychologists          use to assess the stress, frequently ignoring the conceptual support of          the stress measure used. </p>           <p><i>Keywords: </i>Stress, Stress assessment, Theoretical          issues about stress assessment. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A Escala de Percep&ccedil;&atilde;o de Stresse (EPS) &eacute;, segundo os autores, uma medida global de stresse que se prop&otilde;e avaliar o grau em que um indiv&iacute;duo aprecia as suas situa&ccedil;&otilde;es de vida como stressantes (Cohen, Kamarck, &amp; Mermelstein, 1983). Este grupo produziu tr&ecirc;s escalas, uma de 14 itens (Cohen, et. al. 1983), outra com 10 desses 14 itens resultado da an&aacute;lise em componentes principais da vers&atilde;o de 14 itens, e ainda uma vers&atilde;o de quatro de itens (Cohen, &amp; Williamson, 1988). Os itens retirados da vers&atilde;o de 14 itens para a de 10 itens foram-no por as cargas nos componentes serem baixas (Cohen, &amp; Williamson, 1988). A escala de 14 itens &eacute; referida como uma das mais utilizadas para avaliar a percep&ccedil;&atilde;o de stresse (Fliege, et al., 2005, Hewitt, Flett, &amp; Mosher,1992; Remor, 2006; Watson, Logan, &amp; Tomar, 2008). </p>      <p>A EPS assume a perspectiva te&oacute;rica que &#8220;a pessoa interage activamente com o meio ambiente, apreciando os acontecimentos como potencialmente amea&ccedil;adores ou desafiantes &agrave; luz dos recursos de coping dispon&iacute;veis&#8221; (Cohen et al, 1983, p. 386). Nesta perspectiva, explicam estes autores, s&oacute; haver&aacute; stressores em fun&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o do evento em si, mas sim da aprecia&ccedil;&atilde;o cognitiva do evento, ou seja, somente se, a) a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; apreciada como amea&ccedil;adora e, b) se os recursos pessoais para enfrentar a situa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o insuficientes. Esta, &eacute; a perspectiva do grupo de Richard Lazarus. No entanto Lazarus, DeLongis, Folkman, e Gruen, (1985) criticam esta escala, afirmando explicitamente que a EPS confunde antecedentes e consequentes, causas e efeitos continuando a ser uma &#8220;medida de psicopatologia ou distress&#8221; (p.771). De facto esta escala n&atilde;o foca a aprecia&ccedil;&atilde;o do evento, dizem estes cr&iacute;ticos, mas sim &#8220;sentimentos negativos e reac&ccedil;&otilde;es no &uacute;ltimo m&ecirc;s&#8221; (Lazarus et al. 1988, p.771): &#8220;os itens focam as reac&ccedil;&otilde;es tais como ficar preocupado, ter ou n&atilde;o controlo sobre as coisas, sentir-se nervoso e stressado, sentir-se ou n&atilde;o eficaz, e ser ultrapassado pelas dificuldades&#8221;, continuam estes autores (p.771). Nesta estrat&eacute;gia de avalia&ccedil;&atilde;o do stresse os antecedentes e consequentes parecem sobrepor-se inteiramente, numa circularidade, onde as causas cont&ecirc;m tudo o que est&aacute; no efeito e o efeito n&atilde;o contem nada que n&atilde;o esteja nas causas, dizem Lazarus et al., (1985). Cohen (1986) responde que a EPS n&atilde;o mede o mesmo que as escalas de sintomas psicopatol&oacute;gicos ou distresse, apontando as correla&ccedil;&otilde;es da EPS com as escalas de sintomas para apoiar a sua ideia. Se olharmos o estudo de Cohen et al. (1983) apresenta, com duas amostras diferentes do seu estudo, correla&ccedil;&otilde;es com depress&atilde;o de 0,76 e 0,65; com sintomatologia f&iacute;sica avaliada com o invent&aacute;rio de sintomas f&iacute;sicos de Cohen e Hoberman (1983) de 0,52 e 0,65; com a ansiedade social, correla&ccedil;&otilde;es de 0,37 e 0,48. Valores de correla&ccedil;&atilde;o entre poss&iacute;vel patologia e EPS foram encontrados por outros autores: Hewitt et al. (1992) encontra correla&ccedil;&otilde;es de 0,52 com o Invent&aacute;rio de Depress&atilde;o de Beck; Ramirez e Hernandez (2007) de 0,55 com a mesma escala; Remor (2006) encontra valores de correla&ccedil;&atilde;o com a Escala de Ansiedade e Depress&atilde;o Hospitalar, de 0,64 para a parte da ansiedade, e de 0,71 com a totalidade da escala. Ou seja, algumas das sobreposi&ccedil;&otilde;es indicam mais de 50% da vari&acirc;ncia partilhada da EPS com medidas cl&aacute;ssicas de sintomas psicopatol&oacute;gicos. Os pr&oacute;prios autores referem que &#8220;h&aacute; provavelmente alguma sobreposi&ccedil;&atilde;o entre o que &eacute; medido pela escala de sintomatologia depressiva e o que &eacute; medido pela EPS dado que a percep&ccedil;&atilde;o de stresse pode ser sintoma de depress&atilde;o&#8221; (Cohen et al., 1983, p.391). As correla&ccedil;&otilde;es entre a EPS e os acontecimentos de vida avaliados com a <i>Life Experiences Survey </i>de Sarason, Johnson, e Siegel (1978), Cohen et al. (1983) mostram valores ente 0,23 e 0,36, respectivamente, para o n&uacute;mero de acontecimentos stressantes, e para o impacto desses acontecimentos. Ou seja a correla&ccedil;&atilde;o &eacute; maior com a aprecia&ccedil;&atilde;o dos eventos mas mesmo assim &eacute; menor do que com sintomas psicopatol&oacute;gicos. </p>      <p>Embora Cohen et al. (1983) defendam a perspectiva interaccionista de stresse proposta pelo grupo de Lazarus, explicam que a EPS pode ser considerada uma escala de resultados, que mede a experi&ecirc;ncia de stresse decorrente de acontecimentos de vida stressantes objectivos, de processos de coping, de factores de personalidade, etc. Cohen, e Williamson, (1988) explicam que &eacute; dif&iacute;cil distinguir o stresse percebido e o distresse, mas que os itens concebidos para a EPS cobrem v&aacute;rios dom&iacute;nios, alguns deles sendo, de facto, sintomas de distresse ou de psicopatologia. Os itens da EPS foram desenvolvidos para cobrir em que medida os respondentes achavam a sua vida imprevis&iacute;vel, incontrol&aacute;vel, sobrecarregada e, ainda, o seu n&iacute;vel de stresse experimentado (Cohen etal. 1983; Cohen &amp; Williamson, 1988) </p>      <p>No estudo com a vers&atilde;o portuguesa europeia de Mota-Cardoso, Ara&uacute;jo, Ramos, Gon&ccedil;alves, e Ramos (2002), estes autores assumem que a EPS &eacute; um &#8220;indicador de perturba&ccedil;&atilde;o emocional&#8221;(p.64). </p>      <p>As discuss&atilde;o que Lazarus et al. (1985) fazem acerca deste tema, reporta &agrave; forma como se concebe o stresse. Genericamente o stresse tem sido definido como um processo complexo atrav&eacute;s do qual um organismo responde aos acontecimentos que fazem parte da vida do dia-a-dia, e que s&atilde;o suscept&iacute;veis de amea&ccedil;ar ou de p&ocirc;r em causa o bem-estar desse organismo (Gatchel, Baum &amp; Krantz, 1989). </p>      <p>Podem distinguir-se tr&ecirc;s grandes abordagens utilizadas na concep&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o do stresse: a) as que focam as causas; b) as que focam as consequ&ecirc;ncias; c) as que focam o processo. </p>      <p>As primeiras designam-se por abordagem ambiental ou industrial, porque tratam o stresse como uma caracter&iacute;stica do est&iacute;mulo, como uma carga. Esta perspectiva considera que a fonte de stresse est&aacute; no acontecimento. Quanto mais intenso &eacute; o acontecimento maior o stresse. Uma escala cl&aacute;ssica nesta perspectiva &eacute; a de Holmes e Rahe (1967) onde os respondentes assinalam os eventos que ocorreram num determinado espa&ccedil;o de tempo anterior e o valor de stresse resulta da soma ou da magnitude da classifica&ccedil;&atilde;o dos eventos (cada um dos eventos tem um valor que expressa a sua magnitude enquanto agente stressor). Este &eacute; considerado um m&eacute;todo relativamente &#8220;objectivo&#8221; dado que os eventos que ocorreram s&atilde;o convertidos em valor de stresse. Esta medida n&atilde;o considera a aprecia&ccedil;&atilde;o do evento como stressante ou n&atilde;o, mas somente se o evento ocorreu ou n&atilde;o. Nalgumas escalas desenvolvidas posteriormente, os eventos eram apreciados e o respondente n&atilde;o somente refere se o evento ocorreu, mas tamb&eacute;m qual a magnitude do stresse sofrido com ele, como &eacute; o caso da <i>Life Experiences Survey </i>de Sarason, et al. (1978) que j&aacute; utiliz&aacute;mos anteriormente (Pais-Ribeiro, &amp; Felgueiras, 1995; Silva, Pais-Ribeiro, Cardoso, &amp; Ramos, 2003). Poder&iacute;amos questionar se nesta forma de avaliar o stresse da escala de Sarason et al (1978) n&atilde;o est&aacute; inclu&iacute;da a aprecia&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre o evento e o seu impacto e, se sim, se n&atilde;o se poderia incluir na perspectiva de Lazarus. </p>      <p>A segunda abordagem do stresse &eacute; a biol&oacute;gica, focada numa resposta fisiol&oacute;gica n&atilde;o espec&iacute;fica, ou seja, como uma s&iacute;ndroma que consiste em todas as altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas que ocorrem no sistema biol&oacute;gico quando este &eacute; afectado por um est&iacute;mulo, ou por uma carga excessiva ou nociva. &Eacute; o modelo cl&aacute;ssico de Hans Selye. Selye define stresse como &laquo;a resposta n&atilde;o espec&iacute;fica do corpo a qualquer exig&ecirc;ncia&raquo; (Selye, 1979, p. 34). A express&atilde;o &laquo;resposta n&atilde;o espec&iacute;fica&raquo; significa que o organismo responde de uma maneira estereotipada, ou sempre do mesmo modo, a uma grande variedade de est&iacute;mulos ou agentes diferentes tais como intoxica&ccedil;&otilde;es, tens&atilde;o nervosa, calor, frio, fadiga muscular ou exposi&ccedil;&atilde;o a raios x. Esta resposta n&atilde;o espec&iacute;fica seria comum a todos os est&iacute;mulos e a todos os organismos biol&oacute;gicos. Stresse e reac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o espec&iacute;fica estariam estreitamente ligadas na defini&ccedil;&atilde;o de Selye. Como ele explica, &laquo;o stresse &eacute; a soma de fen&oacute;menos biol&oacute;gicos n&atilde;o-espec&iacute;ficos (incluindo les&otilde;es e defesas) e, consequentemente, um agente stressor &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o espec&iacute;fico porque produz stresse&raquo; (1979, p. 34). Esta reac&ccedil;&atilde;o, que Selye define como fisiol&oacute;gica ter&aacute;, concerteza, concomitantes psicol&oacute;gicos que s&atilde;o express&atilde;o comportamental e emocional daquelas reac&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas. A escala de Cohen et al.(1983) parece questionar o que as pessoas sentem quando h&aacute; aquela reac&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica n&atilde;o espec&iacute;fica e, a ser assim, n&atilde;o parece considerar a avalia&ccedil;&atilde;o da interac&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o stressante. </p>      <p>A terceira abordagem ou modelo &eacute; a abordagem psicol&oacute;gica, focada na interac&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica entre o indiv&iacute;duo e o meio e na avalia&ccedil;&atilde;o subjectiva do stresse que &eacute; feita pelo indiv&iacute;duo. Para Lazarus e Folkman (1984), &eacute; a interac&ccedil;&atilde;o entre o meio ambiente e o indiv&iacute;duo que define o stresse; ou seja o indiv&iacute;duo sente stresse quando as exig&ecirc;ncias provenientes do meio ambiente excedem os recursos que o indiv&iacute;duo disp&otilde;e: o processo cognitivo que medeia a avalia&ccedil;&atilde;o e o <i>coping </i>s&atilde;o centrais na experi&ecirc;ncia de stresse (Cohen, Kessler &amp; Gordon, 1995; Cox, Griffiths &amp; Rial-Gonz&aacute;lez, 2000; Lazarus &amp; Folkman, 1984; Maes &amp; Elderen, 1998). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em resumo, embora Cohen et al (1983) defendam esta &uacute;ltima perspectiva, de facto, tal como criticam Lazarus et al (1985), parece-nos que a EPS avalia mais a perspectiva cl&aacute;ssica de Selye. </p>      <p>Como dizem Cohen et al., (1983) a percep&ccedil;&atilde;o de stresse pode ser sintoma de depress&atilde;o. Isto era explicado por Selye que, dizia, em situa&ccedil;&otilde;es de stresse se verificavam altera&ccedil;&otilde;es bio-qu&iacute;micas, fisiol&oacute;gicas, e org&acirc;nicas, em que o eixo hipot&aacute;lamo &#8211; hip&oacute;fise - suprarenais, tem um papel importante. As reac&ccedil;&otilde;es do organismo associadas a este eixo hipot&aacute;lamo-hip&oacute;fise-suprarenais s&atilde;o, na sua forma mais elementar, o que sentimos quando perante uma situa&ccedil;&atilde;o stressante o cora&ccedil;&atilde;o bate mais depressa, a respira&ccedil;&atilde;o acelera, h&aacute; transpira&ccedil;&atilde;o, h&aacute; reac&ccedil;&otilde;es de percep&ccedil;&atilde;o exageradas, entre outras. Este mecanismo est&aacute; tamb&eacute;m associado aos sintomas de depress&atilde;o e ansiedade. </p>      <p>Esta proximidade entre stresse, depress&atilde;o e ansiedade tem sido discutido no seio do modelo tripartido. Clark e Watson (1991), dada a evid&ecirc;ncia de que h&aacute; uma forte correla&ccedil;&atilde;o entre medidas de depress&atilde;o e ansiedade, prop&otilde;em um modelo tripartido em que os indicadores de ansiedade e depress&atilde;o se distribuem por tr&ecirc;s estruturas b&aacute;sicas. Uma primeira estrutura que designam por distress ou afecto negativo, inclui sintomas relativamente inespec&iacute;ficos, que s&atilde;o experimentados tanto por indiv&iacute;duos deprimidos como ansiosos, nomeadamente humor deprimido e ansioso, ins&oacute;nia, desconforto ou insatisfa&ccedil;&atilde;o, irritabilidade e dificuldade de concentra&ccedil;&atilde;o. Estes sintomas inespec&iacute;ficos seriam respons&aacute;veis pela forte associa&ccedil;&atilde;o entre as medidas de ansiedade e depress&atilde;o. Para al&eacute;m deste factor inespec&iacute;fico, a ansiedade e a depress&atilde;o constituiriam as outras duas estruturas, com a tens&atilde;o som&aacute;tica e a hiperactividade como espec&iacute;ficas da ansiedade, e a anedonia e a aus&ecirc;ncia de afecto positivo como relativamente espec&iacute;ficas da depress&atilde;o. A introdu&ccedil;&atilde;o daquela primeira estrutura -stresse -permitiria clarificar o que era depress&atilde;o e o que era ansiedade, acentuando a distin&ccedil;&atilde;o entre as duas. A operacionaliza&ccedil;&atilde;o do modelo tripartido levou &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de medidas tais como a Depressio<i>n </i>Anxiet<i>y </i>Stres<i>s </i>Scal<i>e </i>(DASS) de Lovibond e Lovibond (1995) (j&aacute; estudada em Portugu&ecirc;s europeu, Pais-Ribeiro, Honrado, &amp; Leal, 2004 a, b). Lovibond e Lovibond (1995) desenvolveram esta escala para que, teoricamente, cobrisse a totalidade dos sintomas de ansiedade e depress&atilde;o, com padr&otilde;es elevados de crit&eacute;rios psicom&eacute;tricos, e que fornecesse uma discrimina&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima entre estes dois construtos. O estudo factorial desta escala apresentou um novo factor que inclu&iacute;a os itens menos discriminativos da ansiedade e depress&atilde;o e que denominaram &#8220;Stresse&#8221;. Estes itens referem-se a, dificuldades em relaxar, tens&atilde;o nervosa, irritabilidade e agita&ccedil;&atilde;o. Mais especificamente, os 14 itens que na DASS avaliam o stresse, prop&otilde;em-se avaliar os seguintes aspectos: Dificuldade em Relaxar (tr&ecirc;s itens), Excita&ccedil;&atilde;o Nervosa (dois itens), Facilmente Agitado/Chateado (tr&ecirc;s itens), Irrit&aacute;vel/Reac&ccedil;&atilde;o Exagerada (tr&ecirc;s itens), Impaci&ecirc;ncia (tr&ecirc;s itens). A inspec&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do dos itens mostra que para grande parte deles o conte&uacute;do &eacute; id&ecirc;ntico ao da EPS. Tal aponta para a hip&oacute;tese que a EPS avalia de facto o stresse mas, tal como afirma o grupo de Lazarus, n&atilde;o o faz na perspectiva interaccionista como os autores defendem. </p>      <p>Outras escalas prop&otilde;em-se avaliar construtos semelhantes ou complementares. Horowitz, Wilner, e Alvarez, (1979), num estudo intitulado &#8220;Impact of Event Scale: A measure of subjective stress&#8221;, prop&otilde;e-se desenvolver uma medida de distresse subjectivo relacionado com acontecimentos ou eventos espec&iacute;ficos, e &eacute; considerada uma medida de perturba&ccedil;&atilde;o postraum&aacute;tica. A an&aacute;lise de conte&uacute;do dos itens apresenta um conjunto variado, alguns sendo sintomas de depress&atilde;o (p.ex. &#8220;tenho dificuldade em adormecer&#8221;, ou &#8220;tenho dificuldade em me manter a dormir&#8221;), outros sintomas de ansiedade. Muitos dos itens s&atilde;o semelhantes aos da EPS. </p>      <p>O burnout &eacute; outro destes construtos. Maslach, Jackson e Leiter, (1996) explicam que o burnout est&aacute; ligado ao stresse, principalmente &agrave; exaust&atilde;o emocional, uma das tr&ecirc;s dimens&otilde;es de <i>burnout</i>. A grande diferen&ccedil;a &eacute; que o burnout &eacute; resultado de stresse prolongado: tal com ocorre com as vari&aacute;veis anteriores, muitos dos itens s&atilde;o semelhantes aos da EPS. </p>      <p>Fliege, et al. (2005), num estudo de valida&ccedil;&atilde;o de outro instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o do stresse alternativo ao EPS, o <i>Perceived Stress Questionnaire</i>, explicam que a investiga&ccedil;&atilde;o baseada em modelos de equa&ccedil;&otilde;es estruturais mostra que a experi&ecirc;ncia de stresse &eacute; melhor representada por um construto de dois factores, um focando as condi&ccedil;&otilde;es ambientais de stresse, outro, a combina&ccedil;&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o de stresse com a resposta emocional ao stresse. </p>      <p>Ou seja, a avalia&ccedil;&atilde;o deste construto &#8220;stresse&#8221; &eacute; complexa e exige uma reflex&atilde;o cuidada, de tal modo que o investigador que pretende avaliar o construto dever&aacute; reflectir cuidadosamente sobre o instrumento a utilizar </p>      <p>O objectivo deste estudo &eacute; a) discutir a avalia&ccedil;&atilde;o do    stresse nas v&aacute;rias perspectivas a partir de b) um estudo preliminar de    valida&ccedil;&atilde;o da EPS de Cohen et al (1983), e das vers&otilde;es reduzidas    do mesmo instrumento. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Participantes </i></p>      <p>Participaram 45 indiv&iacute;duos sem doen&ccedil;a, 23 do sexo masculino (idade    <i>M</i>= 29,34 anos) e 22 do sexo feminino (idade <i>M</i>= 27,13 anos) que    constitu&iacute;ram uma amostra de conveni&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Material </i></p>      <p>A escala original inclui 14 itens que s&atilde;o quest&otilde;es acerca de como a pessoa se sentiu ou pensou no m&ecirc;s anterior ao momento em que est&aacute; a responder. Nesta perspectiva difere das medidas de acontecimentos de vida que tendem a focar os &uacute;ltimos 12 ou seis meses. H&aacute; um estudo publicado em Portugu&ecirc;s com a valida&ccedil;&atilde;o da escala de 10 itens Mota-Cardoso, et al. (2002). </p>      <p>Segundo Cohen et al (1983), os 14 itens constituem uma escala unidimensional    cuja nota global resulta da soma dos valores atribu&iacute;dos a cada item.    As respostas s&atilde;o dadas numa escala ordinal de cinco posi&ccedil;&otilde;es,    acerca da frequ&ecirc;ncia com que aqueles sentimentos ou pensamentos ocorreram,    variando entre &#8220;nunca&#8221; e &#8220;muitas vezes&#8221; (que recebem    uma classifica&ccedil;&atilde;o entre0e4). Metade dos itens s&atilde;o formulados    pela positiva, que os autores designam como itens positivos, (itens 4, 5, 6,    7, 9, 10, e 12 &#8211; ver question&aacute;rio em <a name="topAn1"></a><a href="#An1">anexo</a>)    e metade pela negativa (itens negativos), pelo que, para chegar &agrave; nota    total se dever&atilde;o somar os valores dos itens revertendo estes itens formulados    pela positiva de modo que a uma nota mais elevada corresponda maior stresse.  </p>      <p>As vers&otilde;es reduzidas consistem: em 10 itens que s&atilde;o resultado da an&aacute;lise em componentes principais e outra com os quatro itens que exprimem maior correla&ccedil;&atilde;o com a escala total. </p>      <p>O processo de adapta&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o Portuguesa decorreu da seguinte forma 1) traduziram-se os itens com base na equival&ecirc;ncia lingu&iacute;stica; 2) verificou-se a equival&ecirc;ncia lexical, e cultural; 3) verificou-se a rela&ccedil;&atilde;o entre o item e o construto que se pretendia avaliar, ou seja o distress (validade de conte&uacute;do); 4) passou-se a escala individualmente a cinco sujeitos para identificar se o modo como eles entendiam, quer os itens quer o modo de responder, correspondia ao que era pretendido (<i>cognitive </i>de<i>briefing</i>). Ap&oacute;s estes passos construiu-se a escala definitiva e passou-se aos participantes do estudo. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center">RESULTADOS </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A vers&atilde;o original de Cohen et al (1983) n&atilde;o foi submetida a an&aacute;lise    factorial dos itens. Posteriormente foi submetida a an&aacute;lise em componentes    principais (ACP) com rota&ccedil;&atilde;o varimax (Cohen, &amp; Williamson,    1988) mostrando dois componentes que explicavam 41,6% da vari&acirc;ncia total.    Desta resultou a vers&atilde;o de 10 itens que inclu&iacute;a os itens que saturavam    o primeiro componente. Esta vers&atilde;o de 10 itens, submetida ao mesmo processo    de ACP, explica uma vari&acirc;ncia total de 48,9%, tamb&eacute;m em dois factores.    A escala foi submetida a diversas an&aacute;lises e processos de adapta&ccedil;&atilde;o    para diversos idiomas e popula&ccedil;&otilde;es: Hewitt et al. (1992) com popula&ccedil;&atilde;o    canadiana encontra dois factores que conservam 11 dos 14 itens e que explicam    46,6% da vari&acirc;ncia (o item 12 &eacute; um dos itens que sai); Mimura e    Griffiths (2008) com uma amostra japonesa encontram dois factores que explicam    42,6% da vari&acirc;ncia; Ramirez e Hernandez (2007) com uma amostra mexicana    encontram dois factores que explicam 48,02% da vari&acirc;ncia; Com uma amostra    brasileira Luft, Sanches, Mazo, e Andrade (2007) encontram uma solu&ccedil;&atilde;o    de dois factores que explica 48,1% da vari&acirc;ncia: neste estudo o item 12    &eacute; retirado. Mota-Cardoso et al.(2002) com a vers&atilde;o de 10 itens    tamb&eacute;m encontra dois factores. Note-se que os itens integrantes de cada    factor n&atilde;o s&atilde;o os mesmos para todas estas vers&otilde;es. No estudo    de Cohen e Williamson, (1988) em que recorreram &agrave; ACP com rota&ccedil;&atilde;o    varimax, onde encontraram mais do que um factor, decidem que &#8220;para o prop&oacute;sito    de medir a percep&ccedil;&atilde;o de stresse a distin&ccedil;&atilde;o entre    dois factores foi considerada irrelevante&#8221;(p.45). Em todos os estudos    a escala &eacute; assumida e utizada como unidimensional. </p>      <p>Os dados do presente estudo, foram submetidos a ACP com rota&ccedil;&atilde;o    varimax: na inspec&ccedil;&atilde;o utiliz&aacute;mos a an&aacute;lise das comunalidades    e a correla&ccedil;&atilde;o item escala total corrigida para sobreposi&ccedil;&atilde;o.    Nesta inspec&ccedil;&atilde;o o item 12 exibe propriedades m&eacute;tricas muito    fracas, sugerindo que n&atilde;o funciona como esperado, pelo que foi retirado    (item 12-&#8220;No &uacute;ltimo m&ecirc;s com que frequ&ecirc;ncia deu por    si a pensar em coisas que tem que fazer?&#8221;). A escala ficou, ent&atilde;o,    reduzida a 13 itens (apresentados em <a href="#An1">anexo</a>). Realiz&aacute;mos    uma ACP destes 13 itens seguindo a regra Kaiser-Gutman e a <i>Scree plot</i>.    Seguindo a regra Gutman emergem tr&ecirc;s factores que explicam 66,77% da vari&acirc;ncia    total. Recorremos Ainda &agrave; an&aacute;lise factorial com recurso aos modelos,    extrac&ccedil;&atilde;o em factores principais (<i>principal &aacute;xis factoring</i>)    e factoriza&ccedil;&atilde;o de probabilidade m&aacute;xima (<i>maximum likelihood    factoring</i>) com o objectivo de verificar se produzia resultados diferentes    do m&eacute;todo de componentes principais que permitissem identificar uma estrutura    de construtos latentes mais compreensiva (Conway, &amp; Huffcutt, 2003). Os    resultados foram id&ecirc;nticos &agrave; ACP. </p>      <p>No entanto analisando a <i>scree plot </i>&eacute; claro que um factor explica satisfatoriamente o agrupamento dos itens. Por esta raz&atilde;o e porque conceptualmente a EPS &eacute; unidimensional realiz&aacute;mos uma an&aacute;lise for&ccedil;ada a um componente, para os 13 itens conservados. Esta ACP dos 13 itens for&ccedil;ada a um componente mostra que a solu&ccedil;&atilde;o explica 43,96% da vari&acirc;ncia total, com cargas no componente entre 0,51 e 0,86, a maioria acima dos 0,60. </p>      <p>A consist&ecirc;ncia interna (alfa de Cronbach) da escala com 13 itens &eacute; de 0,88 (a escala original mostra valores, para tr&ecirc;s amostras, de 0,84, 0,85 e 0,86), e as correla&ccedil;&otilde;es item escala total corrigidas para sobreposi&ccedil;&atilde;o variam entre 0,44 e 0,80, com a maioria das correla&ccedil;&otilde;es acima de 0,60. Nenhum dos itens se retirado contribu&iacute;a para aumentar a consist&ecirc;ncia interna da escala. </p>      <p>No presente estudo a ACP for&ccedil;ada a um componente para a vers&atilde;o de 10 itens mostra uma vari&acirc;ncia explicada de 47,95%, com cargas factoriais entre 0,46 e 0,89, e com a maioria destas acima dos 0,70. A consist&ecirc;ncia interna encontrada para os 10 itens &eacute; de 0,87, com as correla&ccedil;&otilde;es item total corrigidas para sobreposi&ccedil;&atilde;o entre 0,38 e 0,82 com a maioria acima dos 0,60. O estudo de Mota-Cardoso et al., (2002) com a vers&atilde;o de 10 itens encontra valores de consist&ecirc;ncia interna de 0,86, com correla&ccedil;&otilde;es item total corrigidas para sobreposi&ccedil;&atilde;o acima de 0,35 </p>      <p>A ACP para a vers&atilde;o de quatro itens mostra um factor, que explica 59,07% da vari&acirc;ncia (45,6% na vers&atilde;o original), com cargas dos itens no componente acima de 0,70. A consist&ecirc;ncia interna para a vers&atilde;o de quatro itens &eacute; de 0,76 (0,60 na vers&atilde;o original), com correla&ccedil;&atilde;o item escala total corrigida para sobreposi&ccedil;&atilde;o ente 0,49 e 0,61. Na vers&atilde;o original os autores defendem que a vers&atilde;o de quatro itens &eacute; apropriada para ser utilizada em situa&ccedil;&otilde;es em que &eacute; necess&aacute;rio utilizar question&aacute;rios muito breves. </p>      <p>Ou seja, as diversas vers&otilde;es do presente estudo mostram propriedades m&eacute;tricas id&ecirc;nticas, tanto &agrave; original, como a vers&otilde;es de outros idiomas, numa conclus&atilde;o que tamb&eacute;m &eacute; defendida pelos autores originais (Cohen, &amp; Williamson, 1988). </p>      <p>A estat&iacute;stica descritiva da presente escala mostra os seguintes valores    de m&eacute;dia e de desvio padr&atilde;o, para os 13 itens: <i>M</i>=19,96    (<i>DP</i>=7,57). A vers&atilde;o de 10 itens encontra <i>M</i>=15,48, (<i>DP</i>=    6,11), para 13,02 e 6,35 respectivamente na vers&atilde;o original. A compara&ccedil;&atilde;o    entre m&eacute;dias mostra diferen&ccedil;as estatisticamente significativas    entre as duas m&eacute;dias (<i>t</i>(44)=2,71, <i>p</i>&#60;0,02). A vers&atilde;o    de quatro itens encontra M</i>=5,66 (<i>DP</i>=2,84) para, 4,49 e 2,96 respectivamente    na vers&atilde;o original, tamb&eacute;m estatisticamente diferentes (<i>t</i>(44)=2,77,    <i>p</i>&#60;0,01). </p>      <p>Os valores s&atilde;o mais elevados no presente estudo do que na vers&atilde;o original, tanto para a vers&atilde;o de 10 como para a de quatro itens. A correla&ccedil;&atilde;o entre as vers&otilde;es de 13, 10 e quatro itens s&atilde;o: entre 13 e 10 itens <i>r</i>(45)=0,98; entre 13 e quatro itens, <i>r</i>(45)=0,90; entre 10 e quatro itens <i>r</i>(45)=0,90. Ou seja, a vers&atilde;o de 10 e 13 itens apresentam praticamente os mesmos resultados e a correla&ccedil;&atilde;o destas com a de quatro itens exibe uma magnitude suficientemente elevada para poder substituir a vers&atilde;o mais longa sem preju&iacute;zo para a conclus&atilde;o final. </p>      <p>A correla&ccedil;&atilde;o com a idade n&atilde;o &eacute; estatisticamente significativa, pelo que podemos assumir que a idade n&atilde;o est&aacute; associada &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de stresse e, com base no sexo, os dois grupos n&atilde;o evidenciam diferen&ccedil;as estatisticamente significativas. Estes resultados tamb&eacute;m se verificaram no estudo original. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </p>      <p>O stresse &eacute; um construto complexo e amb&iacute;guo. Neste texto utilizamos deliberadamente essa ambiguidade, por exemplo, quando utilizamos os termos stresse e distresse. A literatura utiliza este &uacute;ltimo termo &#8211; distresse -para englobar uma mistura de ansiedade e depress&atilde;o. Selye (1974) explicava que no in&iacute;cio da sua investiga&ccedil;&atilde;o que popularizou o conceito de stresse, o termo utilizado era distresse e que na continuidade da sua utiliza&ccedil;&atilde;o acabou por perder a s&iacute;laba inicial para se tornar stresse. Aquele, continua, constitui o stresse lesivo ou desagrad&aacute;vel. A divulga&ccedil;&atilde;o do stresse tem origem na biologia deslocando-se depois para a psicologia em diversas variantes e em diversos modelos. A ambiguidade acentua-se porque o stresse se encontra na franja de outros conceitos mais patol&oacute;gicos como a ansiedade e a depress&atilde;o, a perturba&ccedil;&atilde;o de stresse p&oacute;s-traum&aacute;tico, ou o <i>burnout</i>, entre outros. </p>      <p>A avalia&ccedil;&atilde;o do stresse espelha esta complexidade e ambiguidade, com itens id&ecirc;nticos a surgir em instrumentos que avaliam construtos diferentes. Isto n&atilde;o &eacute; incomum na psicologia at&eacute; porque o que define os construtos, as vari&aacute;veis latentes, &eacute; o conjunto dos itens e n&atilde;o cada item por si. O investigador, o cl&iacute;nico, deve ter especial cuidado quando se prop&otilde;e avaliar o stresse porque, em &uacute;ltima an&aacute;lise esse stresse ser&aacute; aquilo que o instrumento medir. Portanto, os objectivos da avalia&ccedil;&atilde;o, a popula&ccedil;&atilde;o a avaliar, o contexto, dever&atilde;o determinar uma escolha criteriosa do modo de avaliar o stresse. </p>      <p>Embora Cohen et al. (1983) considerem a escala aqui estudada, uma escala de percep&ccedil;&atilde;o de stresse que avalia o stresse segundo o modelo de, Lazarus, o grupo deste autor (Lazarus et al.,1985) declara que tal n&atilde;o &eacute; verdade e que os autores confundem estas medidas. Olhando para os dados que Cohen et al. (1983) disponibilizam parece acentuarem-se as d&uacute;vidas acerca do que a EPS mede. De facto, e de acordo com os dados do estudo original, a correla&ccedil;&atilde;o da EPS com o n&uacute;mero de acontecimentos de vida e com o impacto dos acontecimentos de vida &eacute; modesto (respectivamente 0,20 e 0,35 para a amostra principal). Pelo contr&aacute;rio a correla&ccedil;&atilde;o da mesma amostra com a avalia&ccedil;&atilde;o de sintomas psicopatol&oacute;gicos (avaliados com a <i>Centers for Epidemiologic Studie Depression Scale</i>) &eacute; de 0,76. Ou seja, tal como afirmam Lazarus et al. (1985) a EPS parece ser antes uma medida de distresse. </p>      <p>Em conclus&atilde;o, A EPS &eacute; uma escala breve com adequada consist&ecirc;ncia interna para os presentes dados de acordo com a teoria cl&aacute;ssica dos testes (<i>classic test theory</i>). Ela poder&aacute; ser utilizada como uma medida de resultados como prop&otilde;em os autores, mas &eacute; question&aacute;vel se dever&aacute; ser considerada uma medida de stresse tal como &eacute; exposto na cr&iacute;tica de Lazarus referida acima. Se o for &eacute;, antes, uma medida que foca as consequ&ecirc;ncias percebidas do stresse e, na leitura das diversas quest&otilde;es, identifica-se com facilidade o enfoque predominante em aspectos emocionais mais pr&oacute;prios de perturba&ccedil;&atilde;o emocional ou distresse. Assim, quando for utilizada, dever&aacute; ser clarificado que tipo de stresse se pretende medir. </p>      <p>Este estudo tem v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es sendo um deles o reduzido n&uacute;mero de participantes que n&atilde;o cumprem o crit&eacute;rio b&aacute;sico de cinco participantes por item. Por outro lado foram utilizados os mesmos sujeitos para o estudo das vers&otilde;es de 10 e quatro itens o que &eacute; tecnicamente inadequado. </p>      <p>Sendo um estudo explorat&oacute;rio os seus resultados devem ser lidos com    precau&ccedil;&atilde;o e de uma forma cr&iacute;tica. Sugere-se que estudos    que utilizem esta escala verifiquem as propriedades psicom&eacute;tricas.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Clark, L., &amp; Watson, D. (1991). Tripartide model of anxiety and depression: Psychometric evidence and taxonomic implications. <i>Journal of Abnormal Psychology, 100 </i>(3), 316-336. </p>      <p>Cohen, S. (1986).Contrasting the Hassles Scale and the Perceived Stress Scale:    Who&#8217;s Really Measuring Appraised Stress? <i>American Psychologist,41</i>,716-718.</p>      <p>Cohen, S., &amp; Hoberman, H. (1983). Positive events and social supports as buffers of life stress. <i>Journal of applied Social Psychology,13, </i>99-125. </p>      <p>Cohen, S., &amp; Williamson, G. (1988). Perceived stress in a probability sample of the United   States. In S. Spacapam &amp; S. Oskamp (Eds.), <i>The social psychology of health: Claremont Symposium on applied social psychology </i>(p. 31-67. Newbury Park,  CA: Sage. </p>      <p>Cohen, S., Kamarck, T., &amp; Mermelstein, R. (1983). A global measure of perceived stress. <i>Journal of Health and Social Behavior, 24, </i>385-396. </p>      <p>Cohen, S., Kessler, R. C., &amp; Gordon, L. U. (1995). <i>Measuring stress.    </i>Oxford: Oxford University Press.</p>      <p>Cohen, S., Kessler, R., &amp; Gordon, L. (1997). Strategies for measuring stress in studies of psychiatric and physical disorders. In: S Cohen, R. Kessler &amp; L. Gordon (Edts.). <i>Measuring stress: A guide for health and social scientists </i>(pp.3-26). New York: Oxford University Press. </p>      <p>Conway, J., &amp; Huffcutt, A. (2003). A Review and Evaluation of Exploratory    Factor Analysis Practices in Organizational Research. <i>Organizational Research    Methods, 6</i>(2), 147-168.</p>      <p>Cox, T., Griffiths, A., &amp; Rial Gonz&aacute;lez, E. (2000) <i>Research on work-related stress. </i>Luxembourg, Office for Official Publications of the European Communities, European Agency for Safety and Health at Work. </p>      <p>Fliege, H., Rose, M., Arck, P., Walter, O., Kocalevent, R., Weber, C., e Klapp,    B. (2005). The Perceived Stress Questionnaire (PSQ) Reconsidered: Validation    and Reference Values From Different Clinical and Healthy Adult Samples. <i>Psychosomatic    Medicine, 67</i>, 78&#8211;88.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gatchel, R. J., Baum, A., &amp; Krantz, D.S. (1989). <i>An introduction to health psychology. </i>New York: McGraw-Hill International Editions. </p>      <p>Hewitt,P., Flett,G., &amp; Mosher,S. (1992). The Perceived Stress Scale: Factor    Structure and Relation to Depression Symptoms in a Psychiatric Sample. <i>Journal    of Psychopathology and Behavioral Assessment, 14</i>(3), 247-257.</p>      <p>Holmes, T. H., &amp; Rahe, R. H. (1967). The social readjustment rating scale. <i>Journal of Psychosomatic Research, 11, </i>213-218. </p>      <p>Horowitz, M., Wilner, M., and Alvarez, W. (1979). Impact of Event Scale: A measure of subjective stress. <i>Psychosomatic Medicine, 41, </i>209-218. </p>      <p>Lazarus, R., &amp; Folkman, S. (1984). Stress appraisal and coping. New York: Springer. </p>      <p>Lazarus, R., DeLongis, A., Folkman, S., &amp; Gruen, R. (1985). Stress adaptational outcomes: the problem of confounded measures. <i>American Psychologist, 40</i>(7), 770-779. </p>      <p>Lovibond, P., &amp; Lovibond, S. (1995). The structure of negative emotional states: Comparison of the depression anxiety stress scales (DASS) with the Beck Depression and Anxiety Inventories. <i>Behaviour Research and Therapy, 33</i>(3), 335-343. </p>      <!-- ref --><p>Luft, C., Sanches, S., Mazo, G., &amp; Andrade, A. (2007). Vers&atilde;o brasileira    da Escala de Estresse Percebido: tradu&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o    para idosos. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, 41</i>(4), 606-615.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-0086200900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Maes, S. &amp; Van Elderen, T. (1998). Health Psychology and Stress. In: Eysenck,    M. (Ed.) <i>Psychology: an integrated approach </i>(pp.590-623). New York: Addison    Wesley Langmam. </p>      <p>Maslach C, Jackson SE, Leiter, MP. (1996). <i>Maslach Burnout Inventory manual. </i>3th ed. Palo Alto, California: Consulting Psychologists Press. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mota-Cardoso, R., Ara&uacute;jo, A., Ramos, R. C., Gon&ccedil;alves, G., &amp; Ramos, M. (2002). <i>O Stress nos Professores Portugueses: Estudo IPSSO 2000. </i>Porto: Porto Editora. </p>      <p>Pais Ribeiro, J., &amp; Felgueiras, S. (1995). Os acontecimentos de vida (<i>life    events</i>) em idosos institucionalizados. In: L.Almeida, M. Ara&uacute;jo,    M. Vila-Ch&atilde; &amp; M. Oliveira (Orgs.). <i>&Aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o    e compromissos sociais dos psic&oacute;logos. </i>(pp.54-59). Lisboa: Actas    da Conven&ccedil;&atilde;o Anual da APPORT/95. </p>      <!-- ref --><p>Pais-Ribeiro, J., Honrado, A., &amp; Leal, I. (2004a). Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo da adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa das escalas de Depress&atilde;o Ansiedade Stress de Lovibond e Lovibond. <i>Psychologica, 36</i>, 235-246. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1645-0086200900020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pais-Ribeiro, J., Honrado,A., &amp; Leal, I. (2004b). Contribui&ccedil;&atilde;o    para o estudo da adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa das escalas de ansiedade,    depress&atilde;o e stress (EADS) de 21 itens de lovibond e lovibond. <i>Psicologia,    Sa&uacute;de &amp; Doen&ccedil;as, 5 </i>(2), 229-239. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1645-0086200900020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Remor, E. (2006). Psychometric Properties of a European Spanish Version of    the Perceived Stress Scale (PSS). <i>The Spanish Journal of Psychology, 9</i>(1),    86-93. </p>      <p>Sarason, I. G., Johnson, J. H., &amp; Siegel, J. M. (1978). assessing the impact of life changes: develpment of the life experiences survey. <i>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 46 </i>(5), 932-946. </p>      <p>Selye, H. (1974). <i>Stress sans d&eacute;tresse. </i>Ottawa, Les &Eacute;ditions    La Press. </p>      <p>Selye, H. (1979). Psychosocial implications of the stress concept. In: T.Manschreck (Ed.) <i>Psychiatric medicine update: Massachusetts General Hospital reviews for physicians </i>(pp. 33-52). New York: Elsevier. </p>      <!-- ref --><p>Silva, I., Pais-Ribeiro, J., Cardoso, H., &amp; Ramos, H. (2003). Contributo    para a adapta&ccedil;&atilde;o da Life Experiences Survey (LES) &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    diab&eacute;tica portuguesa. <i>Revista Portuguesa de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    21 </i>(2), 49-60. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1645-0086200900020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Watson, J., Logan, H., and Tomar, S. (2008). The influence of active coping    and perceived stress on health disparities in a multi-ethnic low income sample.    <i>Biomedcentral: Public Health, 8</i>(1),41.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a name="An1"></a><a href="#topAn1">ANEXO</a> </p>     <p align="center"><b>ESCALA DE PERCEP&Ccedil;&Atilde;O DE STRESS </b></p>           <p align="center"><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a07An1.gif" width="554" height="813"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Recebido a 2 de Abril / Aceite a 20 de Julho</i> </p>          <p>Contactar para E-mail: <a href="mailto:jlpr@fpce.up.pt">jlpr@fpce.up.pt</a></p>          ]]></body><back>
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