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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escala de motivação: adaptação e validação da Motivation Scale (M.S.) de Rempel, Holmes & Zanna]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this study is to validate the Motivation Scale (Rempel, Holmes and Zanna; 1985) for the Portuguese population. A theoretical model of motivation and its dimensions, namely the intrinsic, extrinsic, and instrumental motivation, is presented, as well as its impact on the couple relationship. A sample of 436 participants, 218 couples (152 married, 66 living together) were included in the study. The results of the factor analysis by the KMO method, using oblimin rotation, produced a meaningful solution of two factors: (1) the intrinsic motivation subscale and (2) the extrinsic motivation subscale. This structure was different from the original version with three factors. The reliability of the factors was tested through the use of Cronbach Alpha which was 0.95 for the personal reasons subscale and 0.95 for the partner reasons subscale. The Cronbach alpha coefficient for the total scale was higher than the original scale in their tripartite factorial structure.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Motivação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Conjugalidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Escala de motivação: adaptação e validação da Motivation    Scale (M.S.) de Rempel, Holmes & Zanna.</b></p>           <p align="center">Jos&eacute; de Abreu Afonso &amp; Isabel P. Leal </p>          <p align="center">ISPA, Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Psicologia e    Sa&uacute;de </p>     <p align="center">&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO:</b> O objectivo deste estudo &eacute; a adapta&ccedil;&atilde;o    e a valida&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa da Motivation    Scale, de Rempel, Holmes e Zanna (1985). Enquadra-se e define-se o conceito    de motiva&ccedil;&atilde;o, considerando-se a motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca,    a motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca e a motiva&ccedil;&atilde;o instrumental,    que viso integrar a constru&ccedil;&atilde;o da escala, bem como o seu impacto    nas rela&ccedil;&otilde;es conjugais. </p>     <p>Os participantes foram 436 sujeitos, 218 casais, 152 casados, 66 em uni&atilde;o    de facto. Para a nossa amostra, a sensibilidade dos itens demonstrou ter caracter&iacute;sticas    discriminativas. Quanto &agrave; validade, a an&aacute;lise factorial pelo m&eacute;todo    KMO foi de 0,95 para a sub escala de motivos pessoais e 0,95 para a escala de    motivos do parceiro, permitindo o recurso a an&aacute;lises factoriais confirmat&oacute;rias    de componentes principais com rota&ccedil;&atilde;o obliqua, que n&atilde;o    confirmaram uma estrutura tripartida. No que respeita &agrave; fidelidade, recorreu-se    ao Alpha de Cronbach que nos 2 factores e nos totais das escalas foram superiores    aos encontrados pelos autores na sua estrutura tripartida. Obtivemos assim uma    escala final constitu&iacute;da por duas sub escalas: sub-escala de motiva&ccedil;&atilde;o    intr&iacute;nseca e sub-escala de motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca.  </p>     <p><i>Palavras-chave: </i>Motiva&ccedil;&atilde;o, Conjugalidade, Motiva&ccedil;&atilde;o    intr&iacute;nseca, Motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p align="center"><b>Motivation Scale: adptation and validation of motivation    scale by Rempel, Holmes &amp; Zanna. </b></p>      <p><b>ABSTRACT:</b> The aim of this study is to validate the Motivation Scale    (Rempel, Holmes and Zanna; 1985) for the Portuguese population. A theoretical    model of motivation and its dimensions, namely the intrinsic, extrinsic, and    instrumental motivation, is presented, as well as its impact on the couple relationship.    A sample of 436 participants, 218 couples (152 married, 66 living together)    were included in the study. The results of the factor analysis by the KMO method,    using oblimin rotation, produced a meaningful solution of two factors: (1) the    intrinsic motivation subscale and (2) the extrinsic motivation subscale. This    structure was different from the original version with three factors. The reliability    of the factors was tested through the use of Cronbach Alpha which was 0.95 for    the personal reasons subscale and 0.95 for the partner reasons subscale. The    Cronbach alpha coefficient for the total scale was higher than the original    scale in their tripartite factorial structure. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Keywords: </i>Motivation, Conjugality, Intrinsic motivation, Extrinsic motivation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O presente artigo consiste na adapta&ccedil;&atilde;o e a valida&ccedil;&atilde;o    para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa da Motivation Scale, de Rempel, Holmes    e Zanna (1985), aqui designada por Escala de Motiva&ccedil;&atilde;o (E:M).  </p>      <p>A Motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; aquilo que move as pessoas para agir, pensar    e desenvolver-se. Apesar de os processos de motiva&ccedil;&atilde;o poderem    ser estudados do ponto de vista dos mecanismos cerebrais e fisiol&oacute;gicos,    h&aacute; uma grande parte da motiva&ccedil;&atilde;o humana que &eacute; fun&ccedil;&atilde;o    de vari&aacute;veis s&oacute;cio-culturais que influenciam n&atilde;o s&oacute;    o que as pessoas fazem, mas tamb&eacute;m o modo como se sentem quando agem,    assim como com as consequ&ecirc;ncias dos seus actos (Deci e Ryan, 2008). Na    abordagem deste conceito, assinalam-se duas tend&ecirc;ncias fortes no in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX: o comportamentalismo por um lado e a psican&aacute;lise    por outro, ambas enraizadas numa perspectiva que via os impulsos biol&oacute;gicos    como origem das necessidades humanas. A abordagem &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o    expandiu-se rapidamente, ultrapassando o &acirc;mbito da biologia. Uma das tend&ecirc;ncias    viu o indiv&iacute;duo como o centro da sua pr&oacute;pria motiva&ccedil;&atilde;o    enquanto outra, sob influ&ecirc;ncia do paradigma do condicionamento operante,    se focou nas recompensas externas e seu papel na motiva&ccedil;&atilde;o (Mayer,    Faber e Xu, 2007). Temos aqui claramente uma antevis&atilde;o dos actuais conceitos    de motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca e motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca    que constituem o cerne do instrumento que apresentamos. </p>      <p>Desde os anos 30 at&eacute; &agrave; actualidade, as escalas foram-se tornando mais especializadas e sens&iacute;veis ao contexto. Mayer, Faber e Xu, (2007) estudaram 75 anos de medi&ccedil;&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o e agruparam os testes que recensearam em grupos. O nosso question&aacute;rio &eacute; uma das escalas focadas no <i>self </i>e no seu papel sobre a motiva&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>O que medem os testes de motiva&ccedil;&atilde;o? Poder&iacute;amos pensar que todas as escalas de motiva&ccedil;&atilde;o medem motivos, mas de facto n&atilde;o &eacute; assim. Podem medir a sua din&acirc;mica, o <i>self </i>como motivador, ou ainda aspectos para-motivadores como os valores. O nosso instrumento corresponde ao grupo dos que medem a din&acirc;mica da motiva&ccedil;&atilde;o, ou como os motivos est&atilde;o integrados na vida mental dos indiv&iacute;duos. Resta a quest&atilde;o de como &eacute; que os testes a medem, isto &eacute;, como acedem &agrave;s diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es da motiva&ccedil;&atilde;o. Na verdade, a forma como um instrumento mede o motivo &eacute; t&atilde;o importante como o conte&uacute;do motivador em si. As motiva&ccedil;&otilde;es manifestam-se de diversas formas na personalidade. Assim, o m&eacute;todo usado pelas escalas &eacute; uma via directa e acede ao auto conceito consciente, questionando directamente a pessoa. As escalas de auto-julgamento s&atilde;o usadas para determinar a internalidade ou autodetermina&ccedil;&atilde;o de um motivo. </p>      <p>Considera-se que a motiva&ccedil;&atilde;o pode ser intr&iacute;nseca ou extr&iacute;nseca.    A prop&oacute;sito destes conceitos centrais, Decy e Ryan (2008) dizem-nos que    a motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca implica determinado comportamento,    porque a actividade em si pr&oacute;pria &eacute; interessante e satisfaz espontaneamente.    Algu&eacute;m intrinsecamente motivado envolve-se numa ac&ccedil;&atilde;o pelos    sentimentos positivos que ela proporciona. Por outro lado a motiva&ccedil;&atilde;o    extr&iacute;nseca implica que o envolvimento numa actividade leva a consequ&ecirc;ncias    que est&atilde;o separadas dela. &Eacute; o que acontece, por exemplo, quando    se age para obter uma recompensa ou evitar a puni&ccedil;&atilde;o Story, Hart,    Stasson e Mahoney (2009) conclu&iacute;ram que os sujeitos intrinsecamente motivados    n&atilde;o s&oacute; se envolvem mais prazerosamente em pensamento trabalhoso,    como est&atilde;o mais predispostas ao auto-refor&ccedil;o e &aacute; regula&ccedil;&atilde;o    dos seus comportamentos. A motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca est&aacute;    tamb&eacute;m mais associada a maior auto-efic&aacute;cia e expectativas de    sucesso. Muitos autores consideram estes dois tipos de motiva&ccedil;&atilde;o    como extremos de um mesmo conceito enquanto outros consideram estar intrinsecamente    ou extrinsecamente motivado como duas coisas bastante distintas. No entanto,    numa s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es &eacute; bem poss&iacute;vel que    se esteja motivado de ambas as maneiras. &Eacute; ainda de salientar que a maior    parte dos comportamentos podem ser interpretados reflectindo qualquer orienta&ccedil;&atilde;o    nos motivos. O elemento cr&iacute;tico &eacute;, na atribui&ccedil;&atilde;o    de motivos, a interpreta&ccedil;&atilde;o dada ao acontecimento ou comportamento    (Rempel, Holmes e Zanna, 1985).</p>     <p>&nbsp; </p>      <p align="center">MOTIVA&Ccedil;&Atilde;O E CONJUGALIDADE </p>      <p><i>Motiva&ccedil;&atilde;o Intr&iacute;nseca, Motiva&ccedil;&atilde;o Extr&iacute;nseca e Motiva&ccedil;&atilde;o Instrumental. </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ideia que as pessoas s&atilde;o motivadas para formar e manter liga&ccedil;&otilde;es interpessoais &eacute; antiga. Na psicologia, &eacute; um pensamento veiculado de muitas maneiras, por exemplo por Freud, com os motivos derivados das puls&otilde;es e da rela&ccedil;&atilde;o precoce, Maslow, ao falar de &#8220;amor e necessidade de perten&ccedil;a&#8221; colocando-os a meio da sua pir&acirc;mide de necessidades, Bowlby, com a teoria da vincula&ccedil;&atilde;o, bem como muitos outros autores, sublinham Baumeister e Leary, (1995). Podemos dizer que os seres humanos s&atilde;o fundamentalmente motivados por uma necessidade de perten&ccedil;a, ou seja, um desejo de formar e manter rela&ccedil;&otilde;es interpessoais duradouras. Mas, tal como Seligman, Fazio e Zanna (1980) comentam, a raz&atilde;o pela qual algu&eacute;m se sente atra&iacute;do especificamente por uma pessoa e n&atilde;o por outra qualquer, &eacute; uma quest&atilde;o que se mant&eacute;m intrigante e cuja resposta tem muitas vezes sido dada em termos de quais os benef&iacute;cios que os indiv&iacute;duos se proporcionam reciprocamente. </p>      <p>&Eacute; importante distinguir as recompensas intr&iacute;nsecas das extr&iacute;nsecas. Motivos extr&iacute;nsecos para se manter ligado est&atilde;o relacionados com recompensas recebidas dos outros fora da rela&ccedil;&atilde;o, mas mediadas pelo envolvimento com o parceiro, por exemplo o estatuto social e respeito, acesso a novas actividades e oportunidades, as liga&ccedil;&otilde;es sociais e as de neg&oacute;cios. Motivos intr&iacute;nsecos s&atilde;o definidos como um conjunto de recompensas directamente mediadas pela rela&ccedil;&atilde;o com o parceiro. Quando intrinsecamente motivado o sujeito est&aacute; envolvido numa rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima pelo prazer das actividades de dia-a-dia do casal. Por outro lado, se a motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; extr&iacute;nseca, ela refere-se a actividades relacionadas com prop&oacute;sitos instrumentais como a obten&ccedil;&atilde;o de consequ&ecirc;ncias positivas ou o evitamento de resultados negativos. (Blais, Sabourin, Boucher e Vallerand 1990). </p>      <p>Uma dificuldade reside na especifica&ccedil;&atilde;o se uma recompensa ou motiva&ccedil;&atilde;o &eacute;, de facto, intr&iacute;nseca ou extr&iacute;nseca. Mas, claramente, interessam-nos aqui as percep&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos e n&atilde;o o facto de as recompensas serem realmente intr&iacute;nsecas ou extr&iacute;nsecas. Um dos aspectos centrais da teoria da atribui&ccedil;&atilde;o &eacute; explicitado por Bem (1972), referido por Seligman, Fazio e Zanna (1980): as pessoas percebem que est&atilde;o intrinsecamente motivadas para um comportamento na medida em que as conting&ecirc;ncias externas de refor&ccedil;o est&atilde;o ausentes. Muitos trabalhos sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias tarefas mostram que no comportamento sob conting&ecirc;ncias de refor&ccedil;o externas salientes, se enfraquece a atribui&ccedil;&atilde;o a raz&otilde;es intr&iacute;nsecas, mesmo quando esse comportamento est&aacute; ligado a raz&otilde;es apontadas inicialmente como intr&iacute;nsecas. </p>      <p>Atrav&eacute;s do desenvolvimento de objectivos interdependentes e da identifica&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica, a felicidade do parceiro torna-se parte do sistema de recompensas do sujeito. Formas intr&iacute;nsecas de motiva&ccedil;&atilde;o reflectem muitas vezes a evid&ecirc;ncia de que duas pessoas se v&ecirc;em com um casal Como diz Lerner (1977), citado por Rempel Holmes e Zanna (1985), t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o de identidade. </p>      <p>Assim, o indiv&iacute;duo pode estar motivado largamente pelas recompensas interpessoais recebidas do parceiro, ou, por outro lado, a rela&ccedil;&atilde;o pode ser valorizada, justamente porque &eacute; recompensadora para ambos. No primeiro caso temos motivos instrumentais que distinguimos do segundo caso, o dos motivos intr&iacute;nsecos. Na primeira hip&oacute;tese, os motivos servem uma s&eacute;rie de recompensas mais ou menos expl&iacute;citas que os parceiros providenciam um ao outro, como sejam, servi&ccedil;os directos, bens, elogios, sexo, apoio. O comportamento na rela&ccedil;&atilde;o &eacute; sobretudo um meio para um fim e governado pelas regras da troca social. Em contraste, recompensas mais associadas a atribui&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas incluem a partilha de prazer em actividades conjuntas, demonstra&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas de afecto, um sentimento de proximidade, envolvimento social como casal, o calor e a alegria associados com satisfazer as necessidades do parceiro. A distin&ccedil;&atilde;o conceptual entre <i>motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca </i>e <i>motiva&ccedil;&atilde;o instrumental </i>n&atilde;o &eacute; nova na literatura sobre rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas. Clark e Mills (1979), por exemplo, citados por Rempel Holmes e Zanna (1985) distinguem entre troca e rela&ccedil;&otilde;es comunais, aludindo a esta diferen&ccedil;a. </p>      <p>Como sublinham Aim&eacute; e colaboradores (2000), uma vez que as rela&ccedil;&otilde;es conjugais apelam a processos de interdepend&ecirc;ncia &eacute; pertinente no plano conceptual tomar em conta os estilos de motiva&ccedil;&atilde;o de cada um dos parceiros e a sua influ&ecirc;ncia rec&iacute;proca. Os variados estados de motiva&ccedil;&atilde;o que descrevemos n&atilde;o s&atilde;o vistos como independentes uns dos outros. Se as raz&otilde;es extr&iacute;nsecas s&atilde;o particularmente salientes, a forca percebida dos motivos instrumentais e intr&iacute;nsecos diminui. Similarmente, atribui&ccedil;&otilde;es a motivos instrumentais enfraquecem o recurso a explica&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas Motivos intr&iacute;nsecos s&atilde;o, por hip&oacute;tese, os mais fortemente relacionados com o amor e a felicidade porque reflectem melhor preocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ego&iacute;stas e cuidado com outrem sem expectativas expl&iacute;citas de ganho pessoal (Rempel Holmes e Zanna, 1985). </p>      <p>Blais, Sabourin, Boucher e Vallerand (1990) esquematizam o modelo de motiva&ccedil;&atilde;o    no casal da seguinte forma : O estilo individual de motiva&ccedil;&atilde;o    do sujeito para manter a liga&ccedil;&atilde;o influencia o seu comportamento    de rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima; os comportamentos relacionais de ambos    os parceiros influenciam a percep&ccedil;&atilde;o dos comportamentos adaptativos    do casal; estas percep&ccedil;&otilde;es individuais t&ecirc;m por sua vez um    impacto na felicidade com a rela&ccedil;&atilde;o. A percep&ccedil;&atilde;o    que ambos, o sujeito e o parceiro, est&atilde;o envolvidos na rela&ccedil;&atilde;o    porque ela vale por si &eacute; necess&aacute;ria para que sentimentos de amor    ocorram, de acordo com Kelley (1979), citado por Rempel e colaboradores (1985)    que tamb&eacute;m observaram que o amor e a satisfa&ccedil;&atilde;o se correlacionam    positivamente com a motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca. Ainda verificaram    uma congru&ecirc;ncia entre a motiva&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio e a    que ele atribui ao seu parceiro. Assim, a percep&ccedil;&atilde;o das suas motiva&ccedil;&otilde;es    influencia a percep&ccedil;&atilde;o que se tem das motiva&ccedil;&otilde;es    do par. H&aacute; pois uma tend&ecirc;ncia congruente nas atribui&ccedil;&otilde;es.    Seligman e colaboradores (1980) demonstraram tamb&eacute;m que os membros de    um casal que est&atilde;o com o seu parceiro por raz&otilde;es extr&iacute;nsecas    referem menos amor quando comparados com os que o fazem por motiva&ccedil;&atilde;o    intr&iacute;nseca. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </p>      <p><i>Participantes </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Amostra &eacute; constitu&iacute;da por 436 sujeitos, 218 casais, 152 casados    e 66 a viverem em uni&atilde;o de facto. A caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra    &eacute; apresentada nos quadros 1 e 2 e 3. </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 1</b></p>                   <p> <b><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos Sujeitos da Amostra relativamente                  &agrave; Idade</i></b></p>                 <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q1.gif" width="555" height="131"></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 2</b></p>                   <p> <b><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos Sujeitos da Amostra relativamente                  &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias</i></b></p>                  <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q2.gif" width="551" height="206"></p></blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 3</b></p>                   ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos Casais relativamente                  ao Tempo de Dura&ccedil;&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o, Exist&ecirc;ncia                  de Filhos e N&uacute;mero de Filhos</i></b></p>                 <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q3.gif" width="553" height="313"></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente &agrave; idade em termos m&eacute;dios existe uma diferen&ccedil;a    de 3 anos entre os dois sexos, as mulheres ligeiramente mais novas, com idades    entre os 20 e os 73 anos, sendo a m&eacute;dia (arredondada) de 42 anos e nos    homens a idade a variar entre os 19 e os 76 anos sendo a m&eacute;dia de 45    anos. </p>      <p>Relativamente &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias elas s&atilde;o    elevadas em ambos os sexos predominando o ensino secund&aacute;rio e a licenciatura.  </p>      <p>Os casais que est&atilde;o casados, est&atilde;o juntos h&aacute; mais tempo    do que os casais que vivem em uni&atilde;o de facto. Os casados est&atilde;o    juntos em m&eacute;dia h&aacute; 20 anos, enquanto os que vivem em uni&atilde;o    de facto est&atilde;o juntos em m&eacute;dia h&aacute; 7 anos, sendo a dispers&atilde;o    em torno da m&eacute;dia deste &uacute;ltimo grupo bastante elevada. Relativamente    &agrave; exist&ecirc;ncia de filhos tamb&eacute;m se verifica diferen&ccedil;as    entre os dois grupos. Enquanto a maioria dos casados t&ecirc;m filhos (89%),    essa percentagem nos casais que vivem em uni&atilde;o de facto &eacute; de apenas    36%. Quanto ao n&uacute;mero de filhos este &eacute; mais elevado no grupo dos    casados (m&eacute;dia de 2 filhos, sendo a dispers&atilde;o bastante elevada,    dado haver 4 casais com mais de 3 filhos), enquanto que no grupo que vive em    uni&atilde;o de facto a m&eacute;dia &eacute; de um filho (a esmagadora maioria    tem 1 filho, havendo apenas 4 casais que t&ecirc;m mais do que 1 filho). </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Material </i></p>      <p>A escala da motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da por 24 itens,    sendo a escala de resposta de 9 pontos. A escala deve ser respondida duas vezes    segundo perspectivas diferentes: por um lado a motiva&ccedil;&atilde;o pessoal,    por outro a perspectiva que se tem da motiva&ccedil;&atilde;o do parceiro. Rempel,    Holmes e Zanna (1985) encontraram para as duas escalas 3 factores : I = Intr&iacute;nseco,    R=Instrumental e E = Extr&iacute;nseco.Os Alphas de Cronbach dos factores variam    entre 0,69 e 0,82 revelando uma boa consist&ecirc;ncia interna. </p>      <p>Os autores constru&iacute;ram os itens da escala de motiva&ccedil;&atilde;o em conformidade com as orienta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. Foi a teoria que serviu de base tamb&eacute;m &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o inicial dos itens em sub-escalas. O facto da amostra usada por Rempel, Holmes e Zanna (n= 94) n&atilde;o ser suficientemente grande para garantir a estabilidade dos resultados para efectuar determinados procedimentos estat&iacute;sticos nomeadamente a an&aacute;lise factorial levou-os a utilizar crit&eacute;rios conservadores para decidir quando um item era reclassificado . </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>CARACTER&Iacute;STICAS PSIC&Oacute;METRICAS DO INSTRUMENTO PARA A POPULA&Ccedil;&Atilde;O    PORTUGUESA </p>      <p>No sentido de se validar a escala da motiva&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa, depois da fase da tradu&ccedil;&atilde;o, passou-se a escala a 436    sujeitos, 219 casais, tentando assim ultrapassar algumas das limita&ccedil;&otilde;es    em termos de procedimentos estat&iacute;sticos que os autores referiram pelo    facto da sua amostra ser pequena (n = 94). </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Sensibilidade </i></p>      <p>Um primeiro estudo efectuado &agrave; sensibilidade dos itens, revela que estes    s&atilde;o discriminativos, dado n&atilde;o se ter verificado uma concentra&ccedil;&atilde;o    de respostas acima de 35% em qualquer das categorias de resposta. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><i>Validade de constructo </i></p>      <p>A validade de constructo foi estudada recorrendo-se a An&aacute;lises factoriais.    Foi utilizado o m&eacute;todo &#8220;medida da adequa&ccedil;&atilde;o da amostragem    de Kaiser-Meyer-Olkin&#8221; proposta por Kaiser (1970) e Kaiser &amp; Rice    (1974) no sentido de averiguar se os nossos dados eram vi&aacute;veis em termos    de utiliza&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise factorial. O KMO obtido para    os dados referentes aos itens dos motivos pessoais foi de 0,954 e para os itens    referentes aos motivos do parceiro de 0,952. </p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Validade factorial </i></p>      <p>Os excelentes resultados encontrados permitiram o recurso a an&aacute;lises    factoriais confirmat&oacute;rias de componentes principais com rota&ccedil;&atilde;o    obliqua. As an&aacute;lises factoriais n&atilde;o confirmaram uma estrutura    factorial tripartida, dado em ambas as escalas, apenas dois factores registarem    &#8220;eigenvalues&#8221; superiores a 1. Assumiu-se assim uma estrutura com    dois factores tornando-se a submeter a matriz dos dados a an&aacute;lises factoriais.  </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 4</b></p>                   <p> <b><i>Eigenvalues e Vari&acirc;ncias Explicadas dos tr&ecirc;s                  factores extra&iacute;dos nas An&aacute;lises Factoriais Confirmat&oacute;rias</i></b></p>                 <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q4.gif" width="553" height="127"></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na escolha dos itens para cada factor seguiu-se os crit&eacute;rios de Rempel,    Holmes e Zanna (1985): 1&ordm; - Coeficiente de satura&ccedil;&atilde;o (&#8220;Factor    Loading&#8221;) superior a 0,40 num factor 2&ordm; - A diferen&ccedil;a entre    os coeficientes de satura&ccedil;&atilde;o dos dois factores ter um valor igual    ou superior a 0,10. </p>      <p>Na An&aacute;lise factorial relativa aos motivos pessoais constatou-se que    embora o item 1 tenha um coeficiente de satura&ccedil;&atilde;o no factor 1    ligeiramente abaixo de 0,40 (0,379 &#8211; ver <a name="q7"></a><a href="#topq7">quadro    7</a>), o factor loading &eacute; bastante mais baixo no factor 2 (0,144), al&eacute;m    disso observando o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o deste item com o    total do factor 1 constatamos que &eacute; superior a 0,30 (0,347 &#8211; ver    quadro 5). Como tal optou-se por n&atilde;o se eliminar este item, e inclui-lo    no factor 1. A estrutura factorial para escala motivos pessoais est&aacute;    representada no <a name="topq8"></a><a href="#q8">quadro 8</a>, devendo o item    1 ser inclu&iacute;do no factor 1. </p>     <p>&nbsp;</p>                     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 5</b></p>                   <p> <b><i>Análise Factorial de Componentes Principais com Rotação                  Obliqua</i></b></p>                  <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q5.gif" width="551" height="1021"></p></blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a escala Motivos do parceiro a estrutura factorial encontrada foi bastante    semelhante &agrave; da escala motivos Pessoais, apenas se prop&otilde;e a exclus&atilde;o    do item 3 que revelou factores loadings muito semelhantes nos dois factores    (0,56 e 0,57 &#8211; ver quadro 6), sendo portanto considerado um item amb&iacute;guo.    A estrutura factorial da escala Motivos do Parceiro pode ser observada no quadro    6. </p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 6 </b></p>                   <p><b><i>An&aacute;lise Factorial de Componentes Principais com                  Rota&ccedil;&atilde;o Obliqua </i></b></p>                 <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q6.gif" width="551" height="1161"></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p>Al&eacute;m das An&aacute;lises factoriais efectuaram-se tamb&eacute;m correla&ccedil;&otilde;es    dos itens com o total do factor a que pertencem, averiguando se as correla&ccedil;&otilde;es    eram superiores a 0,30, facto esse comprovado para as duas escalas como se pode    observar nos quadros 7 e 8. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                    <p><b><a name="topq7" id="topq7"></a><a href="#q7">Quadro 7</a></b></p>                   <p> <b><i>Correlação entre os Itens que compõem cada Factor com                  o Total desse Factor – Escala Motivos Pessoais</i></b></p>                 <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q7.gif" width="553" height="428"></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                    <p><b><a name="q8"></a><a href="#topq8">Quadro 8</a> </b></p>                   <p><b><i>Correla&ccedil;&atilde;o entre os Itens que comp&otilde;em                  cada Factor com o Total desse Factor &#8211; Escala Motivos do                  Parceiro</i></b></p>                <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q8.gif" width="554" height="430"></p>  </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p><i>Fidelidade </i></p>      <p>O estudo da Fidelidade da escala foi feita atrav&eacute;s da avalia&ccedil;&atilde;o    da consist&ecirc;ncia interna dos itens, recorrendo-se ao Alpha de Cronbach.    Os Alphas dos 2 factores e dos totais das escalas variam entre 0,87 e 0,96 (ver    quadro 9), sendo bastante superiores aos encontrados pelos autores da escala    na sua estrutura factorial tripartida.</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 9 </b></p>                   <p><b><i>Alphas de Cronbach para as Duas Escalas </i></b></p>                <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q9.gif" width="552" height="87"></p>  </blockquote> </blockquote> </blockquote>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </p>     <p>N&atilde;o se confirma para a realidade portuguesa a exist&ecirc;ncia dos tr&ecirc;s factores da escala original. </p>      <p>Um deles aparece claramente diferenciado, considerando-se pois a exist&ecirc;ncia da <i>sub-escala de motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca</i>, &agrave; qual mantemos a designa&ccedil;&atilde;o e que inclui recompensas mais ou menos expl&iacute;citas que os parceiros providenciam um ao outro, recompensas recebidas dos outros fora da rela&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, surge no nosso estudo um factor que soma itens da sub-escala intr&iacute;nseca com itens da sub-escala instrumental. </p>      <p>&Eacute; verdade que nos resultados da an&aacute;lise dos autores originais um padr&atilde;o hier&aacute;rquico relativamente ordenado de resultados emergiu, dando suporte &aacute; exist&ecirc;ncia de um modelo com tr&ecirc;s componentes. Os seus resultados apoiam a ideia que motivos intr&iacute;nsecos e instrumentais correspondem a diferentes categorias, com diferentes implica&ccedil;&otilde;es. Mas houve uma excep&ccedil;&atilde;o a este padr&atilde;o: sentimentos de amor nas mulheres estavam t&atilde;o ligados com motiva&ccedil;&otilde;es instrumentais como com as motiva&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas. Por v&aacute;rias raz&otilde;es, as mulheres parecem ter uma vis&atilde;o mais global das rela&ccedil;&otilde;es dependendo menos exclusivamente que os homens das implica&ccedil;&otilde;es rom&acirc;nticas da atribui&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca. Tamb&eacute;m parece tamb&eacute;m haver uma menor distin&ccedil;&atilde;o entre intr&iacute;nseco e instrumental quando o indiv&iacute;duo faz atribui&ccedil;&otilde;es a si pr&oacute;prio. O que a um observador pode parecer uma motiva&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca, surge muitas vezes para o pr&oacute;prio como um motivo intr&iacute;nseco. Os autores da escala consideram que esta orienta&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca pode estar a servis interesses pr&oacute;prios. A auto-estima pode ser refor&ccedil;ada pela ideia que as ac&ccedil;&otilde;es do sujeito s&atilde;o motivadas por motivos centrados no outro No entanto, Rempel e colaboradores (1985) tamb&eacute;m t&ecirc;m em conta que algu&eacute;m interagindo com um parceiro, ter&aacute; frequentemente sentimentos positivos essencialmente privados mais acess&iacute;veis ao self que aos outros. Assim, o que &eacute; interpretado pelos outros de uma maneira, pode ser percebido pelo pr&oacute;prio &agrave; luz destes sentimentos privados e interpretado como intr&iacute;nseco. </p>      <p>Como nos recordam os pr&oacute;prios Rempel, Holmes e Zanna (1985) a percep&ccedil;&atilde;o dos motivos instrumentais &eacute; complexa porque pressup&otilde;e uma s&eacute;rie de mensagens. Atribui&ccedil;&otilde;es instrumentais s&atilde;o aquelas em que as recompensas s&atilde;o vistas como constituindo fins de servi&ccedil;o ao pr&oacute;prio, obtidos via relacionamento. Neste sentido, uma l&oacute;gica de desvaloriza&ccedil;&atilde;o levaria &agrave; quest&atilde;o de qu&atilde;o valioso o relacionamento continuaria se as recompensas deixassem de existir. Tamb&eacute;m enfatizaria as trocas sociais e diminuiria as atribui&ccedil;&otilde;es de amor. (Clark &amp; Mills, 1979; Holmes, 1981; Kelley, 1979). Mas, ao mesmo tempo, a atribui&ccedil;&atilde;o de motivos instrumentais tamb&eacute;m cont&ecirc;m informa&ccedil;&atilde;o positiva sobre a rela&ccedil;&atilde;o. Sugerindo que algu&eacute;m &eacute; motivado pelas recompensas providenciadas pelo parceiro, h&aacute; o reconhecimento impl&iacute;cito que este parceiro &eacute; valioso e se gosta dele. Assim, se o parceiro &eacute; olhado positivamente pela sua apar&ecirc;ncia, esp&iacute;rito ou sensibilidade, estas atitudes validam o valor da pessoa como algu&eacute;m que se pode amar. Nesse sentido, &eacute; auto-afirmativa. </p>      <p>Acreditar que o parceiro est&aacute; motivado pelas recompensas instrumentais que o sujeito provid&ecirc;ncia, quer por outro lado dizer que esse parceiro est&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o porque o sujeito tem caracter&iacute;sticas com valor. As consequ&ecirc;ncias de ver um comportamento com o instrumental na origem, s&atilde;o largamente uma quest&atilde;o de que mensagem &eacute; mais saliente. A atribui&ccedil;&atilde;o de uma motiva&ccedil;&atilde;o instrumental pode refor&ccedil;ar sentimentos de amor e liga&ccedil;&atilde;o ao parceiro apesar de a liga&ccedil;&atilde;o geral com o amor ser moderada devido &agrave; influ&ecirc;ncia oposta da l&oacute;gica de desvaloriza&ccedil;&atilde;o (Holmes e Zanna, 1985). </p>      <p>Optamos ent&atilde;o por designar este 2&ordm; factor por <i>sub-escala de    motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca</i>, uma vez que ela inclui recompensas    directamente mediadas pela rela&ccedil;&atilde;o como parceiro. O instrumento    toma assim a seguinte forma final (quadro 10).</p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>                   <p><b>Quadro 10 </b></p>                   ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Itens finais e respectivas sub-escalas</i></b></p>                     <p><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08q10.gif" width="553" height="134"></p></blockquote> </blockquote> </blockquote>      
<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </p>      <p>Aim&eacute;, A.; Sabourim, S. ; Valois, P. (2000). L&#8217;appariement des styles de motivation et 1&#8217;evo-lution de la satisfaction conjugale. <i>Revue canadienne des sciences du comportement, </i>32 (3),178-186. </p>      <p>Baumeister, R. F.; Leary, M. R. (1995). The Need to Belong: Desire for Interpersonal Attachments as a Fundamental Human Motivation. <i>Psychological Bulletin,</i>117 (3), 497-529. </p>      <p>Blais, Sabourin, Boucher, &amp; Vallerand (1990). Toward a Motivational Model of Couple Happiness. <i>Journal of Personality and Social Psychology, </i>59 (5) 1021-1031. </p>      <p>Deci, E. L.; Ryan, R.M. (2008). Facilitating Optimal Motivation and Psychological Well-Being Across Life&#8217;s Domains. <i>Canadian Psychology, </i>49, (1) 14 &#8211; 23. </p>      <!-- ref --><p>Kaiser, H.F. (1970). A second generations litttle Jiffy. <i>Psychometrika</i>, 35: 401-415. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1645-0086200900020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kaiser, H. F.&amp; Rice, J. (1974). A little Jiffy Mark IV. <i>Educational    and Psychological Measurement, </i>34: 111-117.</p>      <p>Mayer, J. D.; Faber, M. A.; Xu, X. (2007). Seventy-five years of motivation    measures (1930&#8211; 2005): A descriptive analysis. <i>Motiv. Emot.., </i>31:83&#8211;103.</p>      <p>Pestana, M.H. &amp; Gageiro, J.N. (2000). <i>An&aacute;lise de dados para Ci&ecirc;ncias Sociais. A complementaridade do SPSS</i>. 2&ordm; ed.. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo. </p>      <p>Rempel, J.K.; Holmes J.G.; Zanna, M.P. (1985). Trust in Close Relathionships. <i>Journal of Personality and Social Psychology, </i>49 (1) 95&#8211;112. </p>      <p>Seligman, C.; Fazio, R.H.; Zanna, M.P. (1980). Effects of Salience of Extrinsic Rewards on Liking and Loving. <i>Journal of Personality and Social Psychology, </i>38, (3) 453-460. </p>      <p>Story, P.A.; Hart, J.W.; Stasson, M.F.; Mahoney, J.M. (2009). Using a two-factor    theory of achievement motivation to examine performance-based outcomes and self-regulatory    processes. <i>Personality and Individual Differences </i>46, 391&#8211;395.</p>            <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b>ESCALA DE MOTIVA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p align="center"><b>(Rempel.; Holmes &amp; Zanna, 1985; Afonso &amp; Leal, 2008)    </b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>Diga em que medida as seguintes raz&otilde;es t&ecirc;m um    papel importante na vossa rela&ccedil;&atilde;o. </b></p>     <p align="center">TENHO UMA RELA&Ccedil;&Atilde;O COM O /A MEU PARCEIRO/A    PORQUE </p>        <p align="center"><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08EM1.gif" width="550" height="1135"></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>        <p align="center"><b>Ponha-se no lugar do/a seu parceiro/a e diga em que medida    ele/a acredita que as seguintes raz&otilde;es t&ecirc;m um papel importante    na vossa rela&ccedil;&atilde;o. Por outras palavras, responda ao question&aacute;rio    como achar que o/a seu parceiro/a responderia </b></p>     <p align="center">COMO IMAGINO QUE O/A MEU PARCEIRO/A RESPONDERIA </p>      <p align="center"><img src="/img/revistas/psd/v10n2/10n2a08EM2.gif" width="550" height="1087">  </p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Recebido a 5 de Abril de 2009 / Aceite a 13 de Julho de 2009</i>  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contactar para E-mail: <a href="mailto:jaa@ispa.pt">jaa@ispa.pt</a> </p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Kaiser]]></surname>
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<source><![CDATA[Psychometrika]]></source>
<year>1970</year>
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<page-range>401-415</page-range></nlm-citation>
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