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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fatores psicológicos de risco e protetores associados à ideação Suicida em Adolescentes]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Algarve Departamento de Psicologia e Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Adolescents are considered a risk group for suicide, according to the National Plan for Prevention of Suicide (DGS, 2013). Therefore, it is important to investigate their psychological vulnerability to suicidal acts. The main goal of the present study was to assess the relationship between psychological risk and protective factors and suicidal ideation. The sample comprised 344 adolescents (aged 14-19, M = 16,97, SD = 1,11, 200 women), which were tested on the following tests: personal data questionnaire; Reasons for living inventory for adolescents; Beck hopelessness scale; Inventory of negative life events; Rosenberg self-esteem scale; Scale of satisfaction with social support; and Suicidal ideation questionnaire. The results reveal the differential contribution of risk factors (negative life events and hopelessness) and protective factors (reasons for living, self-esteem and satisfaction with social support), which together explain around 40% of the suicidal ideation. The results also reveal that the level of suicidal ideation is directly influenced by negative life events, co-existing with an influence mediated by psychological factors. In conclusion, it is important to implement prevention strategies that reduce the effect of psychological risk factors and that promote the identified protective factors, especially in those adolescents who have experienced negative life events.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Fatores psicol&oacute;gicos de risco e protetores associados &agrave; idea&ccedil;&atilde;o Suicida em Adolescentes</b></p>     <p><b>Risk and protective psychological factors associated with suicidAl ideation in adolescents</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marta Br&aacute;s<sup>1</sup>, Saul Jesus<sup>1</sup>, &amp; Cl&aacute;udia Carmo<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Algarve, Faro, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os adolescentes s&atilde;o referenciados como um grupo de risco de suic&iacute;dio, no Plano Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio (DGS, 2013), pelo que importa estudar a sua vulnerabilidade psicol&oacute;gica para os atos suicidas. O presente estudo teve como principal objetivo estudar a rela&ccedil;&atilde;o dos fatores psicol&oacute;gicos de risco e de prote&ccedil;&atilde;o com a idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 344 adolescentes, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos (<i>M</i> = 16,97; <i>DP</i> = 1,11), dos quais 144 eram do sexo masculino e 200 do sexo feminino. Os participantes preencheram os seguintes instrumentos: Question&aacute;rio de dados pessoais; Invent&aacute;rio de raz&otilde;es para viver para adolescentes; Escala de desesperan&ccedil;a de Beck; Invent&aacute;rio de acontecimentos de vida negativos; Escala de autoestima de Rosenberg; Escala de satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social e Question&aacute;rio de idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados caracterizam o contributo diferencial de fatores de risco (acontecimentos de vida negativos e desesperan&ccedil;a) e de prote&ccedil;&atilde;o (raz&otilde;es para viver, autoestima e satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social), os quais, em conjunto, explicam cerca de 40% da idea&ccedil;&atilde;o suicida. Verificou-se ainda que os n&iacute;veis de idea&ccedil;&atilde;o suicida s&atilde;o diretamente influenciados pelos acontecimentos de vida negativos, coexistindo com uma influ&ecirc;ncia mediada por fatores psicol&oacute;gicos.</p>     <p>Como conclus&atilde;o do estudo, destaca-se a import&acirc;ncia de implementar estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o para mitigar o efeito dos fatores psicol&oacute;gicos de risco e de promover os fatores protetores identificados, sobretudo junto de adolescentes v&iacute;timas de acontecimentos negativos.</p>     <p><b>Palavras-chave</b><i>:</i> idea&ccedil;&atilde;o suicida; adolescentes; fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Adolescents are considered a risk group for suicide, according to the National Plan for Prevention of Suicide (DGS, 2013). Therefore, it is important to investigate their psychological vulnerability to suicidal acts. The main goal of the present study was to assess the relationship between psychological risk and protective factors and suicidal ideation.</p>     <p>The sample comprised 344 adolescents (aged 14-19, M = 16,97, SD = 1,11, 200 women), which were tested on the following tests: personal data questionnaire; Reasons for living inventory for adolescents; Beck hopelessness scale; Inventory of negative life events; Rosenberg self-esteem scale; Scale of satisfaction with social support; and Suicidal ideation questionnaire.</p>     <p>The results reveal the differential contribution of risk factors (negative life events and hopelessness) and protective factors (reasons for living, self-esteem and satisfaction with social support), which together explain around 40% of the suicidal ideation. The results also reveal that the level of suicidal ideation is directly influenced by negative life events, co-existing with an influence mediated by psychological factors.</p>     <p>In conclusion, it is important to implement prevention strategies that reduce the effect of psychological risk factors and that promote the identified protective factors, especially in those adolescents who have experienced negative life events.</p>     <p><b>Keywords</b><i>: </i>suicidal ideation; adolescents; risk factors; protective factors</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os atos suicidas nos jovens s&atilde;o um problema de extrema relev&acirc;ncia na atualidade. A n&iacute;vel internacional, o suic&iacute;dio &eacute; a segunda causa de morte na faixa et&aacute;ria dos 15 aos 29 anos (OMS, 2015). Em Portugal, a taxa de suic&iacute;dio nos jovens &eacute; de aproximadamente 5 suic&iacute;dios por 100 mil habitantes, no entanto, reconhece-se que muito provavelmente estar&aacute; subdimensionada. Por um lado, &ldquo;as estat&iacute;sticas oficiais do suic&iacute;dio d&atilde;o-nos apenas uma vis&atilde;o parcelar do problema&rdquo; (DGS, 2013, p. 67), devido a sistemas pouco eficazes no registo de causas de &oacute;bito ou &agrave; oculta&ccedil;&atilde;o das mesmas por motivos v&aacute;rios, e, por outro, os comportamentos autolesivos e as tentativas de suic&iacute;dio nos jovens s&atilde;o mais frequentes do que os suic&iacute;dios consumados. Estima-se que as tentativas de suic&iacute;dio nos jovens sejam cerca de 100 a 200 vezes mais frequentes do que os suic&iacute;dios consumados (Bertolote &amp; Fleischmann, 2009).</p>     <p>Os dados epidemiol&oacute;gicos reportam ainda diferen&ccedil;as na vulnerabilidade para os atos suicidas em fun&ccedil;&atilde;o do sexo. Enquanto as raparigas t&ecirc;m uma taxa de tentativas de suic&iacute;dio duas a tr&ecirc;s vezes superior aos rapazes, estes t&ecirc;m uma taxa de suic&iacute;dio cinco vezes superior &agrave; das raparigas (Berman et al., 2006; DGS, 2013).</p>     <p>Neste sentido, o Plano Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio (PNPS) (DGS, 2013), considera os jovens um grupo de risco de suic&iacute;dio e alerta para a import&acirc;ncia do estudo dos fatores associados a este problema.</p>     <p>O suic&iacute;dio &eacute; um fen&oacute;meno multideterminado, para o qual contribuem fatores de natureza distinta: biol&oacute;gica; cultural; sociol&oacute;gica e psicol&oacute;gica, entre outras. Contudo, Shneidman (1993) &ndash; um dos mais influentes suicidologistas mundiais &ndash; veio salientar a proemin&ecirc;ncia da componente psicol&oacute;gica dos atos suicidas.</p>     <p>No &acirc;mbito da abordagem psicol&oacute;gica dos atos suicidas, t&ecirc;m sido conceptualizados v&aacute;rios modelos, entre os quais destacamos alguns que colocam a &ecirc;nfase nos processos cognitivos: o Modelo Cognitivo da Depress&atilde;o e do Suic&iacute;dio (Rush &amp; Beck, 1978); o Modelo Etiol&oacute;gico da Conduta Suicida (Yang &amp; Clum, 1996); o Modelo Cognitivo da Conduta Suicida (Cruz, 2000) e o Modelo Cognitivo do Suic&iacute;dio (Wenzel &amp; Beck, 2008). Estes modelos compreensivos integram um conjunto de fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o na explica&ccedil;&atilde;o do comportamento suicida.</p>     <p>Por fatores de risco, entendem-se as vari&aacute;veis que tornam mais prov&aacute;vel o desenvolvimento de idea&ccedil;&atilde;o suicida ou a ocorr&ecirc;ncia de atos suicidas (Gutierrez &amp; Osman, 2008). Os modelos do suic&iacute;dio supracitados apresentam como fatores de risco comuns, os acontecimentos de vida negativos (AVN) e a desesperan&ccedil;a.</p>     <p>A viv&ecirc;ncia de AVN parece ser um denominador comum &agrave; maioria dos indiv&iacute;duos que comete atos suicidas, como &eacute; o caso dos abusos psicol&oacute;gicos, dos abusos f&iacute;sicos, dos abusos sexuais e das perdas, entre outros (Dieserud, Fors&eacute;n, Braverman, &amp; R&oslash;ysamb, 2002; Langhinrichsen-Rohling, Monson, Meyer, Caster, &amp; Sanders, 1998; Ystgaard, Hestetun, Loeb, &amp; Mehlum, 2004). A viv&ecirc;ncia de AVN, al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias imediatas e a curto-prazo para a sa&uacute;de mental, tem efeitos negativos que persistem a longo-prazo, influenciando o desenvolvimento de idea&ccedil;&atilde;o suicida (Enns et al., 2006).</p>     <p>A desesperan&ccedil;a, entendida como as expetativas negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, segundo Beck et al. (1996), &eacute; o fator central do funcionamento psicol&oacute;gico dos indiv&iacute;duos com tend&ecirc;ncia para o suic&iacute;dio. A desesperan&ccedil;a conduz &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de que os problemas atuais s&atilde;o irresol&uacute;veis, intermin&aacute;veis e intoler&aacute;veis e, neste contexto, o suic&iacute;dio &eacute; visto como o &uacute;nico meio para lidar com esses problemas (Cruz, 2000; Rush &amp; Beck, 1978). Os estudos sobre a influ&ecirc;ncia deste fator no suic&iacute;dio s&atilde;o, sobretudo, em amostras cl&iacute;nicas de adultos, apesar de existir tamb&eacute;m alguma evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica que suporta o seu papel na idea&ccedil;&atilde;o suicida dos adolescentes (Mazza &amp; Reynolds, 1998; Thompson, Mazza, Herting, Randell, &amp; Eggert, 2005).</p>     <p>Para al&eacute;m destes fatores de risco, como foi referido, os modelos incluem alguns fatores que podem ser considerados protetores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os fatores protetores, por sua vez, s&atilde;o aqueles que diminuem a probabilidade da ocorr&ecirc;ncia de atos suicidas (Berman, Jobes, &amp; Silverman, 2006), todavia t&ecirc;m sido menos estudados do que os fatores de risco, sendo geralmente conceptualizados em termos de baixas pontua&ccedil;&otilde;es nos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o do risco (Gutierrez &amp; Osman, 2008). Normalmente s&atilde;o estudados na sua vertente de risco, como &eacute; o caso da baixa autoestima que surge explicitamente referenciada em modelos explicativos da vulnerabilidade (Cruz, 2000; Sandin, Chorot, Santed, Valiente, &amp; Joiner, 1998; Yang &amp; Clum, 1996). Contudo, estes fatores n&atilde;o representam meramente uma aus&ecirc;ncia ou oposi&ccedil;&atilde;o dos fatores de risco (Berman et al., 2006), podendo ser conceptualizados como &lsquo;recursos suportativos (&hellip;) que servem como &ldquo;amortecedores&rdquo; ou &ldquo;salvaguardas&rdquo; contra comportamentos relacionados com o suic&iacute;dio ou fatores de risco diretos e significativos&rsquo; (Gutierrez &amp; Osman, 2008, p. 22).</p>     <p>A literatura identifica alguns fatores protetores que t&ecirc;m sido empiricamente associados a atos suicidas, como &eacute; o caso da autoestima (Dori &amp; Overholser, 1999; Yoder &amp; Hoyt, 2005), das raz&otilde;es para viver (Gutierrez &amp; Osman, 2008; Gutierrez, Osman, Kopper, &amp; Barrios, 2000) e da satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social (Esposito, Spirito, Boergers, &amp; Donaldson, 2003; Gutierrez &amp; Osman, 2008; Yang &amp; Clum, 1996).</p>     <p>A autoestima &ndash; entendida como as autoavalia&ccedil;&otilde;es positivas ou negativas sobre as suas caracter&iacute;sticas pessoais &ndash; (Santos &amp; Maia, 2003) influencia a interpreta&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos de vida e, por conseguinte, a forma como os indiv&iacute;duos se comportam. As autoavalia&ccedil;&otilde;es positivas surgem menos associadas &agrave; tend&ecirc;ncia para o suic&iacute;dio, em adolescentes da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-cl&iacute;nica (Ahmadi, Amiri, Kordestani, &amp; Nadertabar, 2012; Yoder &amp; Hoyt, 2005).</p>     <p>As raz&otilde;es para viver podem ser definidas como cren&ccedil;as orientadas para a vida e expectativas de futuro capazes de mitigar o comportamento suicida. Os adolescentes da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-cl&iacute;nica tendem a apresentar pontua&ccedil;&otilde;es mais elevadas de raz&otilde;es para viver do que os adolescentes que realizaram tentativas de suic&iacute;dio (Gutierrez et al., 2000; Osman et al., 1998). Quando a exist&ecirc;ncia de raz&otilde;es para viver &eacute; elevada, mesmo na presen&ccedil;a de fatores de risco, a probabilidade de suic&iacute;dio &eacute; menor (Gutierrez et al., 2000), o que parece salientar o seu efeito protetor.</p>     <p>Outro fator que desempenha a fun&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento do comportamento suicida &eacute; o suporte social, cuja influ&ecirc;ncia tem sido bastante estudada na fase da adolesc&ecirc;ncia. A perce&ccedil;&atilde;o de suporte social est&aacute; associada de forma negativa aos n&iacute;veis de idea&ccedil;&atilde;o suicida (Esposito et al., 2003).</p>     <p>Apesar de a rela&ccedil;&atilde;o dos fatores psicol&oacute;gicos de risco e de prote&ccedil;&atilde;o com o comportamento suicida estar documentada conceptualmente nos modelos te&oacute;ricos explicativos, o suporte emp&iacute;rico para esta rela&ccedil;&atilde;o est&aacute; estudado apenas de forma parcelar; conhece-se a influ&ecirc;ncia isolada de cada fator na idea&ccedil;&atilde;o suicida, mas n&atilde;o o contributo conjunto e ponderado num &uacute;nico modelo.</p>     <p>Os estudos referem ainda que os AVN influenciam significativamente a idea&ccedil;&atilde;o suicida. No entanto, a forma como os AVN interagem com os fatores psicol&oacute;gicos, para facilitar ou dificultar o desenvolvimento de idea&ccedil;&atilde;o suicida, n&atilde;o est&aacute; completamente explicada.</p>     <p>Em s&iacute;ntese, a aus&ecirc;ncia de um modelo compreensivo da idea&ccedil;&atilde;o suicida, que integre os fatores psicol&oacute;gicos de risco e de prote&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o dos AVN com os fatores psicol&oacute;gicos (Sandin et al., 1998) e que, simultaneamente, seja conceptualmente adequado e empiricamente comprovado (Berman et al., 2006; Gutierrez &amp; Osman, 2008; O'Connor, 2011), parece justificar a investiga&ccedil;&atilde;o destas inter-rela&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O presente estudo teve assim como objetivo geral compreender o papel dos fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis de idea&ccedil;&atilde;o suicida. Foram definidos os seguintes objetivos espec&iacute;ficos: (a) conhecer as caracter&iacute;sticas dos adolescentes nas vari&aacute;veis em estudo, tanto na amostra global, como em fun&ccedil;&atilde;o do sexo; (b) explorar a associa&ccedil;&atilde;o entre os fatores de risco (AVN e desesperan&ccedil;a) e a idea&ccedil;&atilde;o suicida, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o efeito moderador do sexo; (c) explorar a associa&ccedil;&atilde;o entre os fatores de prote&ccedil;&atilde;o (raz&otilde;es para viver, autoestima e satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social) e a idea&ccedil;&atilde;o suicida, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o efeito moderador do sexo; (d) analisar o efeito dos fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o na explica&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de idea&ccedil;&atilde;o suicida e (e) explorar se a rela&ccedil;&atilde;o entre os AVN e os n&iacute;veis de idea&ccedil;&atilde;o suicida &eacute; direta e/ou mediada pelos fatores psicol&oacute;gicos.</p>     <p>&nbsp;</p> <h3>M&eacute;todo</h3> <h3><i>Participantes</i></h3>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A amostra foi composta por 344 estudantes do ensino secund&aacute;rio, com uma m&eacute;dia et&aacute;ria de 16,97 anos (<i>DP</i> = 1,11), dos quais 144 eram do sexo masculino e 200 eram do sexo feminino. Grande parte dos jovens residia com ambos os pais (69,8%), 25,6% coabitava apenas com um dos progenitores, 2,9% com outros familiares e 1,7% assinalou outras situa&ccedil;&otilde;es.</p> <h4>Material</h4> <h4>Question&aacute;rio de Dados Pessoais (QDP). O QDP inclui um conjunto de quest&otilde;es sobre informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica, nomeadamente a idade, o sexo e a coabita&ccedil;&atilde;o.</h4>     <p>Invent&aacute;rio de Raz&otilde;es para Viver para Adolescentes (RFL-A, <i>Reasons for Living Inventory for Adolescents</i>; Osman et al., 1998; vers&atilde;o portuguesa por Br&aacute;s, 2014). Tem como principal objetivo avaliar as raz&otilde;es para viver consideradas adaptativas e protetoras, i.e., que funcionam como &ldquo;amortecedores&rdquo; contra o comportamento suicida. &Eacute; um instrumento de autorresposta formado por 32 itens, que devem ser classificados numa escala de tipo <i>Likert</i> com seis pontos, que varia de 1 (<i>Nada importante</i>) a 6 (<i>Extremamente importante</i>).</p>     <p>O RFL-A apresenta cinco subescalas: (1) Otimismo sobre o Futuro (OF); (2) Medo do Suic&iacute;dio (MS); (3) Alian&ccedil;a Familiar (AF); (4) Aceita&ccedil;&atilde;o e Suporte pelos Pares (ASP) e (5) Autoaceita&ccedil;&atilde;o (AA).</p>     <p>Os coeficientes alfa de Cronbach para o RFL-A total e subescalas, estimados na investiga&ccedil;&atilde;o original do RFL-A, foram superiores a 0,89. A exist&ecirc;ncia de validade de constructo, validade concorrente e preditiva tamb&eacute;m foi garantida (Osman et al., 1998).</p>     <p>Na vers&atilde;o portuguesa do RFL-A, a estrutura fatorial da vers&atilde;o original foi replicada, os coeficientes alfa de Cronbach foram superiores a 0,88. Foram tamb&eacute;m encontrados valores adequados de fiabilidade e de validade (Br&aacute;s, 2014).</p>     <p>Escala de Desesperan&ccedil;a de Beck (BHS, <i>The Beck Hopelessness Scale</i>; Beck, Weissman, Lester, &amp; Trexler, 1974; vers&atilde;o portuguesa por Cruz, 2000). O principal objetivo &eacute; avaliar os sintomas de desesperan&ccedil;a sobre eventos futuros. &Eacute; uma escala de autorresposta com 20 itens e com um formato de resposta dicot&oacute;mico. Registou boa consist&ecirc;ncia interna no estudo original, com um coeficiente alfa KR-20 de 0,93, o que indica a sua fiabilidade. Os resultados encontrados ao n&iacute;vel da validade (concorrente e de constructo) foram tamb&eacute;m bastante satisfat&oacute;rios (Beck et al., 1974).</p> <h5>A vers&atilde;o portuguesa obteve boa consist&ecirc;ncia interna (KR-20 = 0,90) e as propriedades psicom&eacute;tricas, ao n&iacute;vel da validade e da fiabilidade, foram consideradas satisfat&oacute;rias (Cruz, 2000).</h5>     <p>No presente estudo, o coeficiente alfa estimado (KR-20) foi de 0,72 (intervalo de confian&ccedil;a a 95% entre 0,49 e 0,97) e a m&eacute;dia da correla&ccedil;&atilde;o inter-item foi de 0,23.</p>     <p>Escala de Autoestima de Rosenberg (RSES, <i>Rosenberg Self-Esteem Scale; </i><i>Rosenberg</i>, 1965; vers&atilde;o portuguesa por Santos e Maia, 2003). O principal objetivo consiste em avaliar a autoestima global em adolescentes atrav&eacute;s de dez itens, avaliados numa escala de tipo <i>Likert </i>com quatro op&ccedil;&otilde;es de resposta, desde 1 (<i>Discordo fortemente</i>) a 4 (<i>Concordo fortemente</i>).</p>     <p>O estudo original apresentou uma estrutura unifatorial, uma boa consist&ecirc;ncia interna (alfa de Cronbach variou entre 0,77 e 0,88), uma boa estabilidade temporal e tamb&eacute;m validade de crit&eacute;rio e de constructo (Rosenberg, 1965).</p>     <p>Nos estudos da consist&ecirc;ncia interna da vers&atilde;o portuguesa obtiveram-se resultados bastante satisfat&oacute;rios, tendo o alfa de Cronbach variado entre 0,86 e 0,92. Os resultados tamb&eacute;m suportaram a estabilidade temporal e a validade da escala (Santos &amp; Maia, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No presente estudo, os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o item-total corrigido oscilaram entre o valor m&iacute;nimo de 0,41 e o valor m&aacute;ximo de 0,72, assegurando assim uma validade interna razo&aacute;vel dos itens. O coeficiente alfa de Cronbach foi de 0,85, o que sugere uma boa consist&ecirc;ncia interna do instrumento.</p> <h5>Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o com o Suporte Social (ESSS, Ribeiro, 1999). Pretende avaliar a satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social percecionado. &Eacute; uma escala de autorresposta, destinada a jovens e composta por quinze afirma&ccedil;&otilde;es, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quais o respondente deve assinalar o seu grau de concord&acirc;ncia numa escala de tipo Likert com cinco posi&ccedil;&otilde;es, desde A (Concordo totalmente) a E (Discordo totalmente).</h5> <h5>Esta escala subdivide-se em quatro subescalas, nomeadamente (a) Satisfa&ccedil;&atilde;o com amizades (SA), (b) Satisfa&ccedil;&atilde;o com a intimidade (SI), (c) Satisfa&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia (SF) e (d) Satisfa&ccedil;&atilde;o com as atividades sociais (SAS).</h5>     <p>No estudo original, a ESSS apresentou boa consist&ecirc;ncia interna, tanto na escala total (&alpha; = 0,85), como nas subescalas (SA, &alpha; = 0,83; SI, &alpha; = 0,74; SF, &alpha; = 0,74; SAS, &alpha; = 0,64). Os resultados apontaram tamb&eacute;m para a validade discriminante e concorrente (Ribeiro, 1999).</p>     <p>No presente estudo, os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o item-total corrigidos variaram entre 0,29 e 0,62; o alfa de Cronbach da escala total (&alpha; = 0,87) e das subescalas (SA, &alpha; = 0,85; SI, &alpha; = 0,73; SF, &alpha; = 0,87; e SAS, &alpha; = 0,65) foram considerados satisfat&oacute;rios, exceto na subescala SAS, &agrave; semelhan&ccedil;a do que se verificou no estudo original, possivelmente devido ao baixo n&uacute;mero de itens que a integram.</p> <h5>Invent&aacute;rio de Acontecimentos de Vida Negativos (IAVN, Br&aacute;s &amp; Cruz, 2008). O principal objetivo consiste em avaliar o conjunto de experi&ecirc;ncias negativas vivenciadas, em termos da sua severidade &ndash; frequ&ecirc;ncia e impacto. Integra vinte e cinco itens referentes a diferentes tipos de acontecimentos negativos. Para cada acontecimento, os respondentes devem indicar a sua frequ&ecirc;ncia, numa escala valorada de 0 (Nunca) a 4 (Muit&iacute;ssimas vezes), e o impacto, numa escala compreendida entre 1 (Nenhum impacto) e 5 (Impacto extremamente negativo), sendo a severidade dos mesmos obtida atrav&eacute;s destes dois indicadores.</h5>     <p>O IAVN permite obter uma pontua&ccedil;&atilde;o total e por subescalas, designadamente (a) Ambiente familiar adverso (AFA), (b) Abuso psicol&oacute;gico (AP), (c) Separa&ccedil;&otilde;es/Perdas (SP) e (d) Abuso f&iacute;sico e sexual (AFS). Apresentou uma consist&ecirc;ncia interna satisfat&oacute;ria, quer na escala total (&alpha; = 0,90), quer nas subescalas (AFA, &alpha; = 0,84; AP, &alpha; = 0,80; SP, &alpha; = 0,71; e AFS, &alpha; = 0,67), bem como boa estabilidade temporal, o que suporta a sua fiabilidade. Os estudos da validade tamb&eacute;m alcan&ccedil;aram resultados bastante satisfat&oacute;rios (Br&aacute;s &amp; Cruz, 2008).</p>     <p>No presente estudo, a consist&ecirc;ncia interna foi assegurada pelos coeficientes de alfa de Cronbach do total do IAVN (&alpha; = 0,89) e das respetivas subescalas (AFA, &alpha; = 0,74; AP, &alpha; = 0,85; SP, &alpha; = 0,63; e AFS, &alpha; = 0,80), embora a subescala SP tivesse obtido um valor considerado baixo devido, provavelmente, &agrave; maior heterogeneidade dos itens.</p>     <p>Question&aacute;rio de Idea&ccedil;&atilde;o Suicida (SIQ, <i>Suicidal Ideation Questionnaire</i>; Reynolds, 1991; vers&atilde;o portuguesa por Ferreira e Castela, 1999). O SIQ tem por objetivo avaliar a gravidade dos pensamentos e cogni&ccedil;&otilde;es suicidas em adolescentes e jovens adultos. Este question&aacute;rio de autorresposta &eacute; composto por trinta itens, que apresentam sete alternativas de resposta, desde 0 (<i>Nunca tive este pensamento</i>) a 6 (<i>Quase todos os dias</i>) (Reynolds, 1991).</p>     <p>Na vers&atilde;o original do SIQ, foram asseguradas a sua fiabilidade, com um coeficiente alfa de Cronbach de 0,97 e uma estabilidade temporal satisfat&oacute;ria, e a sua validade (Reynolds, 1991). Na vers&atilde;o portuguesa, os resultados revelaram um coeficiente alfa de Cronbach no valor de 0,96 e boa estabilidade temporal. Foram tamb&eacute;m garantidas a validade concorrente, divergente e de constructo (Ferreira &amp; Castela, 1999).</p>     <p>No presente estudo, o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o item-total corrigido oscilou entre 0,49 e 0,82 sugerindo uma boa validade interna dos itens; o coeficiente alfa de Cronbach registou o valor de 0,96, indicando uma consist&ecirc;ncia interna muito boa.</p> <h4>Procedimentos</h4>     <p>No que respeita ao procedimento de recolha de dados, ap&oacute;s as autoriza&ccedil;&otilde;es da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Inova&ccedil;&atilde;o e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e dos Conselhos Executivos de cinco estabelecimentos de ensino secund&aacute;rio portugueses, foram obtidos os consentimentos informados dos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o dos alunos menores de idade e dos pr&oacute;prios alunos.</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios decorreu em contexto de sala-de-aula, na presen&ccedil;a do investigador. Todos os question&aacute;rios preenchidos foram introduzidos numa urna, no sentido de aumentar a perce&ccedil;&atilde;o de confidencialidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao procedimento de an&aacute;lise estat&iacute;stica, grande parte das an&aacute;lises estat&iacute;sticas foi realizada com recurso ao programa <i>Statistical Package for the Social Sciences</i> (SPPS) (vers&atilde;o 21.0) para <i>Windows</i>.</p>     <p>O tratamento estat&iacute;stico incluiu an&aacute;lises de m&eacute;dias, desvio-padr&atilde;o, coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson (para estudar a associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis), teste t de Student para amostras independentes (para analisar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre os grupos), <i>d</i> de Cohen (para calcular a magnitude do efeito), regress&atilde;o (para perceber o papel das vari&aacute;veis na idea&ccedil;&atilde;o suicida) e o teste de Sobel (para avaliar a signific&acirc;ncia do efeito indireto no estudo dos modelos de media&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>&nbsp;</p> <h3>RESULTADOS</h3>     <p>No sentido de alcan&ccedil;ar os objetivos delineados, come&ccedil;ou-se pela an&aacute;lise das caracter&iacute;sticas descritivas registadas nas diferentes vari&aacute;veis e as respetivas diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o do sexo (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/psd/v17n2/17n2a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Idea&ccedil;&atilde;o suicida (SIQ), pode constatar-se que a amostra total obteve um valor m&eacute;dio relativamente baixo, embora o desvio-padr&atilde;o seja bastante elevado (<i>M</i> = 14,22; <i>DP</i> = 17,11), tendo em considera&ccedil;&atilde;o a amplitude de respostas poss&iacute;veis (0-180 pontos). A an&aacute;lise dos valores m&eacute;dios, em fun&ccedil;&atilde;o do sexo dos participantes, evidencia que o sexo feminino registou valores significativamente mais elevados do que o sexo masculino (<i>t</i><sub>(333,08)</sub> = -3,81, <i>p</i> = 0,000), sendo a magnitude do efeito considerada moderada (<i>d</i> de Cohen = -0,40).</p>     <p>Na Desesperan&ccedil;a (BHS) registou-se um valor m&eacute;dio tamb&eacute;m relativamente baixo de 4,23, sabendo-se que pode variar entre 0 e 20; apesar de serem mais elevados no sexo feminino do que no sexo masculino, a diferen&ccedil;a entre sexos n&atilde;o foi significativa.</p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados relativos &agrave; viv&ecirc;ncia de AVN (IAVN, amplitude 0-20), embora com uma pontua&ccedil;&atilde;o baixa na amostra total (<i>M</i> = 1,77; <i>DP</i> = 1,82), mostrou que o sexo feminino registou uma maior viv&ecirc;ncia de AVN do que o sexo masculino (<i>t</i><sub>(341,78)</sub> = -4,79, <i>p</i> = 0,000), salientando-se o valor mais elevado de <i>d</i> de Cohen obtido (<i>d</i> de Cohen = -0,51) neste n&iacute;vel de an&aacute;lise.</p>     <p>No que respeita &agrave; pontua&ccedil;&atilde;o da amostra total no RFL-A (amplitude de 0-6), podem observar-se valores acima do valor m&eacute;dio central da escala (<i>M</i> = 4,61; <i>DP</i> = 0,70). Nas subescalas e na pontua&ccedil;&atilde;o total do RFL-A n&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as significativas entre os sexos, exceto na subescala Autoaceita&ccedil;&atilde;o (AA), cujos valores s&atilde;o significativamente mais baixos no sexo feminino (<i>t</i><sub>(337,30)</sub> = 3,44, <i>p</i> = 0,001) e a magnitude do efeito &eacute; moderada (<i>d</i> de Cohen = 0,37).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Autoestima dos participantes (<i>M</i> = 26,06; <i>DP</i> = 6,35) encontra-se ligeiramente acima da pontua&ccedil;&atilde;o central da escala que a avaliou (RSES, amplitude de 10-40 valores), sendo de destacar que os rapazes apresentaram pontua&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias moderadas (<i>d</i> de Cohen = 0,36) e significativamente superiores (<i>t</i><sub>(301,47)</sub> = 3,29, <i>p</i> = 0,001).</p>     <p>A an&aacute;lise referente &agrave; Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o com o Suporte Social (ESSS) mostra um valor m&eacute;dio total (<i>M</i> = 54,36; <i>DP</i> = 10,30) relativamente elevado (amplitude de 15-75). Na pontua&ccedil;&atilde;o total e nas subescalas n&atilde;o se encontraram diferen&ccedil;as significativas na compara&ccedil;&atilde;o entre grupos, exceto uma diferen&ccedil;a reduzida (<i>d</i> de Cohen = 0,23) na subescala Satisfa&ccedil;&atilde;o com as atividades sociais (SAS) onde o sexo masculino pontua significativamente mais elevado (<i>t</i><sub>(342)</sub> = 2,05, <i>p </i>= 0,041).</p>     <p>Prosseguindo com a an&aacute;lise das associa&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis, procurou-se conhecer a rela&ccedil;&atilde;o entre os fatores de risco considerados e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida na presente amostra.</p>     <p>Os resultados da <a href="#t2">tabela 2</a> mostram que a Desesperan&ccedil;a (<i>r</i> = 0,41, <i>p</i> = 0,000) e os AVN, quer o valor total (<i>r</i> = 0,50, <i>p</i> = 0,000), quer as subescalas, se associam de forma positiva com a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. As correla&ccedil;&otilde;es observadas entre as subescalas do IAVN e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida permitem destacar uma correla&ccedil;&atilde;o moderada com a subescala de Abuso psicol&oacute;gico na amostra total (<i>r</i> = 0,50, <i>p</i> = 0,000). Na an&aacute;lise em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, os resultados evidenciam uma tend&ecirc;ncia semelhante &agrave; amostra total, sendo que apenas a subescala AFS deixa de ter signific&acirc;ncia estat&iacute;stica na rela&ccedil;&atilde;o com a Idea&ccedil;&atilde;o suicida, quando analisamos o sexo feminino.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/psd/v17n2/17n2a03t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>De seguida, foram exploradas as associa&ccedil;&otilde;es entre os fatores de prote&ccedil;&atilde;o e os n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida da amostra total, em fun&ccedil;&atilde;o do sexo (<a href="#t3">tabela 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/psd/v17n2/17n2a03t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de Pearson s&atilde;o negativos entre todas as vari&aacute;veis consideradas protetoras e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. A correla&ccedil;&atilde;o mais elevada regista-se entre a Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social (ESSS-total) e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida (<i>r</i> = -0,53, <i>p</i> = 0,000).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Constatou-se a mesma tend&ecirc;ncia em ambos os sexos, uma vez que todas as correla&ccedil;&otilde;es entre os fatores protetores (totais e subescalas) e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida foram negativas e na sua maioria muito significativas.</p>     <p>O facto de se ter confirmado que a Idea&ccedil;&atilde;o suicida se relacionada de forma positiva com os fatores considerados de risco e de forma negativa com os designados fatores protetores, vem refor&ccedil;ar o potencial estatuto dos mesmos. Contudo, a an&aacute;lise das correla&ccedil;&otilde;es apenas nos permite concluir sobre o sentido positivo ou negativo da rela&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis. Com base nos modelos te&oacute;ricos, pode assumir-se que a Idea&ccedil;&atilde;o suicida assume o papel de vari&aacute;vel dependente e, dessa forma, interessa explorar qual o contributo das outras vari&aacute;veis para a mesma.</p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados da <a href="#t4">tabela 4</a> mostra que os fatores de risco explicam 29% da varia&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida, sendo o contributo da Desesperan&ccedil;a e dos AVN bastante significativos (<i>p</i> = 0,000). Os fatores protetores explicam uma percentagem superior, correspondente a 34%, dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida, no entanto o contributo das Raz&otilde;es para viver n&atilde;o &eacute; significativo. Em conjunto, os fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o, conseguem explicar 39% da varia&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida, por&eacute;m a Desesperan&ccedil;a e as Raz&otilde;es para viver n&atilde;o apresentam um contributo positivo para essa explica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/psd/v17n2/17n2a03t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quando ao modelo anterior se extraiu o RFL-A-total e se acrescentaram as subescalas do RFL-A, no sentido de perceber o contributo diferencial de cada uma, constatou-se que a subescala Alian&ccedil;a familiar foi a &uacute;nica que n&atilde;o apresentou um contributo significativo para a explica&ccedil;&atilde;o da vari&acirc;ncia da Idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>Tal como podemos verificar nos resultados da <a href="#t4">tabela 4</a>, a viv&ecirc;ncia de AVN parece ser um dos melhores preditores da Idea&ccedil;&atilde;o suicida. Assim, imp&ocirc;s-se perceber se a rela&ccedil;&atilde;o entre os AVN e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida era direta e/ou mediada pelos fatores psicol&oacute;gicos.</p>     <p>Para avaliar o efeito de media&ccedil;&atilde;o seguiram-se os procedimentos definidos por Baron e Kenny (1986): (a) demonstrar que a vari&aacute;vel independente (AVN) est&aacute; correlacionada com a vari&aacute;vel dependente (Idea&ccedil;&atilde;o suicida); (b) demonstrar que a vari&aacute;vel independente est&aacute; correlacionada com cada uma das vari&aacute;veis mediadoras; (c) demonstrar que as vari&aacute;veis mediadoras afetam os resultados da vari&aacute;vel dependente, recorrendo, para isso, &agrave; vari&aacute;vel independente e &agrave; vari&aacute;vel mediadora enquanto preditoras da Idea&ccedil;&atilde;o suicida; (d) verificar se a media&ccedil;&atilde;o &eacute; completa, ou seja, se o efeito da vari&aacute;vel independente sobre a vari&aacute;vel dependente, quando controlado por cada uma das vari&aacute;veis mediadoras, &eacute; zero.</p>     <p>O resultado dos testes de media&ccedil;&atilde;o, apresentados na <a href="#t5">tabela 5</a>, permitem concluir que todas as vari&aacute;veis de risco e de prote&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m um efeito mediador parcial e significativo na rela&ccedil;&atilde;o entre os AVN e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. No entanto, a media&ccedil;&atilde;o nunca &eacute; total, ou seja, em todos os modelos mediadores testados mantem-se uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os AVN e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/psd/v17n2/17n2a03t5.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise dos modelos mediadores permitiu p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia que a Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social assume o maior valor de media&ccedil;&atilde;o (38,0%). Esta media&ccedil;&atilde;o resulta do facto de os AVN terem um efeito negativo moderado (b = -0,52, <i>p</i> = 0,000) sobre a Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social, contribuindo, assim, indiretamente, para o aumento da Idea&ccedil;&atilde;o suicida, uma vez que a menor perce&ccedil;&atilde;o de suporte social parece associar-se a n&iacute;veis mais elevados da mesma.</p>     <p>Um tipo de rela&ccedil;&atilde;o similar estabelece-se na media&ccedil;&atilde;o parcial da Autoestima e das Raz&otilde;es para viver. Isto &eacute;, os AVN t&ecirc;m um efeito negativo independente sobre a Autoestima (b = -0,33, <i>p</i> = 0,000) e sobre as Raz&otilde;es para viver (b = -0,37, <i>p</i> = 0,000), o que contribui, de forma indireta, para o aumento da Idea&ccedil;&atilde;o suicida, dado que baixa Autoestima e baixa perce&ccedil;&atilde;o de Raz&otilde;es para viver se associam a Idea&ccedil;&atilde;o suicida mais elevada.</p>     <p>A media&ccedil;&atilde;o parcial no valor de 20,5% da Desesperan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o entre os AVN e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida explica-se, pelo contr&aacute;rio, pelo efeito positivo que os AVN t&ecirc;m sobre a primeira (b = 0,47, <i>p</i> = 0,000), contribuindo, indiretamente, para n&iacute;veis mais elevados da &uacute;ltima.</p>     <p>Em suma, apesar do contributo dos AVN para a Idea&ccedil;&atilde;o suicida diminuir em todos os modelos mediadores analisados, continua a ser estatisticamente diferente de zero, o que significa que, al&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es mediadas, existe sempre uma rela&ccedil;&atilde;o direta com a mesma.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O</b></p>     <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o pretendeu, numa primeira fase, conhecer os resultados das vari&aacute;veis em estudo e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a Idea&ccedil;&atilde;o suicida; numa segunda fase, pretendeu-se avaliar o efeito dos fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida e perceber se a rela&ccedil;&atilde;o entre os Acontecimentos de vida negativos e esta seria mediada pelos fatores psicol&oacute;gicos estudados.</p>     <p>A an&aacute;lise dos valores m&eacute;dios na amostra total evidenciou que os adolescentes pontuaram tendencialmente baixo nas vari&aacute;veis consideradas de risco e alto nas vari&aacute;veis consideradas protetoras para os atos suicidas. Estes resultados sugerem que o risco de suic&iacute;dio da amostra n&atilde;o &eacute; muito elevado, o que seria de esperar por se tratar de adolescentes da popula&ccedil;&atilde;o &ldquo;normal&rdquo;. No mesmo sentido, estudos que t&ecirc;m comparado o risco de suic&iacute;dio entre adolescentes da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-cl&iacute;nica e adolescentes da popula&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica com hist&oacute;ria de atos suicidas tendem a registar, no primeiro grupo, valores de risco mais baixos e de prote&ccedil;&atilde;o mais elevados (Gutierrez et al., 2000).</p>     <p>Quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as nos resultados em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, interessa referir que o sexo feminino regista valores significativamente mais elevados na Idea&ccedil;&atilde;o suicida e nos Acontecimentos de vida negativos, o que &eacute; consistente com os resultados do estudo longitudinal de Mazza e Reynolds (1998), em que se notaram diferen&ccedil;as similares entre os sexos, exatamente nestas duas vari&aacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O registo de valores m&eacute;dios significativamente superiores de Acontecimentos de vida negativos no sexo feminino leva-nos a questionar se as raparigas ter&atilde;o sido, efetivamente, v&iacute;timas de mais experi&ecirc;ncias negativas ou se interpretam as experi&ecirc;ncias de uma forma mais negativista do que os rapazes. Provavelmente, ambas as explica&ccedil;&otilde;es correspondem a esta realidade, assinalada em estudos anteriores (Br&aacute;s &amp; Cruz, 2008). Importa, ainda, referir que as consequ&ecirc;ncias dos acontecimentos negativos na inf&acirc;ncia/adolesc&ecirc;ncia tendem a persistir na idade adulta, registando-se inclusive uma rela&ccedil;&atilde;o significativa com a Idea&ccedil;&atilde;o suicida (Enns et al., 2006).</p>     <p>O sexo feminino obt&eacute;m, ainda, valores significativamente mais baixos nas medidas de Satisfa&ccedil;&atilde;o com as atividades sociais da ESSS, de Autoaceita&ccedil;&atilde;o do RFL-A e de Autoestima, ou seja, nos fatores considerados protetores dos atos suicidas.</p>     <p>No que diz respeito aos resultados da Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social, nos valores totais da ESSS n&atilde;o existem diferen&ccedil;as significativas entre os sexos &ndash; corroborando outros estudos (e.g., Mazza &amp; Reynolds, 1998) &ndash; no entanto, o sexo masculino est&aacute; significativamente mais satisfeito com as Atividades sociais do ESSS. Este resultado poder&aacute; estar relacionado com o facto de as raparigas, por normas ou valores culturais, estarem mais condicionadas pelos cuidadores, no que respeita ao tipo e &agrave; frequ&ecirc;ncia de atividades sociais em que se envolvem, do que os rapazes.</p>     <p>Relativamente &agrave; Autoaceita&ccedil;&atilde;o do RFL-A, Osman et al. (1998) tamb&eacute;m encontraram o mesmo tipo de diferen&ccedil;as entre os sexos, contudo noutros estudos essas diferen&ccedil;as n&atilde;o foram significativas em amostras n&atilde;o-cl&iacute;nicas de adolescentes (Gutierrez et al., 2000).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Autoestima, t&ecirc;m sido encontrados resultados similares, em que as raparigas apresentam avalia&ccedil;&otilde;es mais baixas em termos de autovaloriza&ccedil;&atilde;o (Kling, Hyde, Showers, &amp; Buswell, 1999; Santos &amp; Maia, 2003). Na adolesc&ecirc;ncia, as raparigas manifestam tendencialmente mais dificuldades em lidar com as m&uacute;ltiplas modifica&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas dessa fase de crescimento e sofrem, por conseguinte, n&iacute;veis superiores de instabilidade emocional. Ao longo desse processo de constru&ccedil;&atilde;o da identidade torna-se mais dif&iacute;cil a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem de si competente, valorizada e aceite, o que poder&aacute; justificar os resultados obtidos ao n&iacute;vel da Autoestima e da Autoaceita&ccedil;&atilde;o (Berman et al., 2006; Gutierrez &amp; Osman, 2008; Kling et al., 1999).</p>     <p>Importa aqui ressalvar que estes resultados, em conjunto, poder&atilde;o significar uma maior vulnerabilidade do sexo feminino para a idea&ccedil;&atilde;o suicida. Outros estudos com adolescentes (Sharaf, Thompson, &amp; Walsh, 2009), inclusive com adolescentes portugueses (Azevedo &amp; Matos, 2014), demonstram que, efetivamente, as raparigas tendem a apresentar taxas de idea&ccedil;&atilde;o suicida superiores aos rapazes. A realiza&ccedil;&atilde;o de mais tentativas de suic&iacute;dio pelas raparigas do que pelos rapazes (Berman et al., 2006; DGS, 2013) poder&aacute; provavelmente ser explicada por esta maior vulnerabilidade psicol&oacute;gica.</p>     <p>&nbsp;No prosseguimento da an&aacute;lise dos resultados constatou-se que a Desesperan&ccedil;a e os Acontecimentos de vida negativos se associam de forma positiva com a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. Estes resultados corroboram estudos anteriores (e.g., Hirsch, Wolford, LaLonde, Brunk, &amp; Parker Morris, 2007), sugerindo que tanto a Desesperan&ccedil;a, como os Acontecimentos negativos poder&atilde;o aumentar a vulnerabilidade para a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. Por outro lado, foram encontradas associa&ccedil;&otilde;es negativas entre as Raz&otilde;es para viver, a Autoestima, a Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida, o que remete para o papel protetor que desempenham sobre a Idea&ccedil;&atilde;o suicida, tal como &eacute; sugerido na literatura (Ahmadi et al., 2012; Esposito et al., 2003; Gutierrez &amp; Osman, 2008; Sharaf et al., 2009).</p>     <p>Perante a natureza destas associa&ccedil;&otilde;es e com base nos modelos te&oacute;ricos dos atos suicidas explicitados anteriormente (Cruz, 2000; Wenzel &amp; Beck, 2008; Yang &amp; Clum, 1996), procurou-se compreender o efeito destas vari&aacute;veis como potenciais fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida enquanto vari&aacute;vel dependente. Quando se analisou o contributo diferencial da Desesperan&ccedil;a e dos Acontecimentos negativos constatou-se que, em conjunto, explicam quase um ter&ccedil;o (R<sup>2</sup> = 29%) dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida, sendo o contributo positivo e significativo.</p>     <p>O modelo que integrou somente os tr&ecirc;s fatores considerados protetores (Raz&otilde;es para viver, Autoestima e Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social) explicou uma maior varia&ccedil;&atilde;o (R<sup>2</sup> = 34%) dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida. De notar que o contributo de todos os fatores protetores foi negativo, mas o contributo das Raz&otilde;es para viver n&atilde;o foi significativo. Apesar de se perspetivar teoricamente que as Raz&otilde;es para viver tivessem um contributo negativo e significativo para a Idea&ccedil;&atilde;o suicida, compreende-se que, quando em conjunto com outros fatores protetores (Autoestima e Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social) numa amostra de adolescentes perca &ldquo;peso&rdquo; relativo. Parece-nos compreens&iacute;vel que, na adolesc&ecirc;ncia, as vari&aacute;veis mais centradas em torno da valoriza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio e do suporte que os outros possam prestar, sobretudo os pares, sejam mais relevantes do que as Raz&otilde;es para viver, que podem ser interpretadas como algo mais subjetivo pelos adolescentes.</p>     <p>A &uacute;ltima testagem, que integrou o contributo conjunto de todas as vari&aacute;veis consideradas de risco e de prote&ccedil;&atilde;o, conseguiu alcan&ccedil;ar uma maior explica&ccedil;&atilde;o (R<sup>2</sup> = 39%) da varia&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida do que os anteriores, mas a Desesperan&ccedil;a e as Raz&otilde;es para viver n&atilde;o apresentaram contributos significativos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aus&ecirc;ncia de contributo significativo das Raz&otilde;es para viver &eacute; entend&iacute;vel &agrave; luz das explica&ccedil;&otilde;es apresentadas no ponto anterior, sendo de acrescentar que a an&aacute;lise por subescalas permitiu observar que apenas a subescala Alian&ccedil;a familiar n&atilde;o teve um contributo significativo. Este resultado vem refor&ccedil;ar a ideia de que, na adolesc&ecirc;ncia, a fam&iacute;lia pode n&atilde;o assumir o papel principal na &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o&rdquo; contra a Idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>A inexist&ecirc;ncia de signific&acirc;ncia estat&iacute;stica no contributo da Desesperan&ccedil;a, quando em conjunto com os outros fatores, pode justificar-se tamb&eacute;m, parcialmente, por duas raz&otilde;es: (a) as expectativas negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro podem n&atilde;o ser o mais determinante da Idea&ccedil;&atilde;o suicida nesta faixa et&aacute;ria, mas sim outros fatores socio-relacionais e (b) trata-se de uma amostra n&atilde;o-cl&iacute;nica, em que os n&iacute;veis de Desesperan&ccedil;a s&atilde;o tendencialmente mais baixos.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, a an&aacute;lise dos modelos mediadores da rela&ccedil;&atilde;o entre os Acontecimentos negativos e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida expressa a relev&acirc;ncia da Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social que alcan&ccedil;a a maior media&ccedil;&atilde;o (38,0%), seguida da Desesperan&ccedil;a (20,5%), da Autoestima (18,3%) e, por &uacute;ltimo, das Raz&otilde;es para viver (15,1%). N&atilde;o obstante estes valores de media&ccedil;&atilde;o, &eacute; de salientar que nenhum deles explica a totalidade da vari&acirc;ncia da Idea&ccedil;&atilde;o suicida, o que significa que coexiste sempre uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os Acontecimentos negativos e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>Estes resultados conduzem a duas reflex&otilde;es. Por um lado, o facto de a rela&ccedil;&atilde;o entre os Acontecimentos negativos e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida ser mediada parcialmente pelos fatores psicol&oacute;gicos, sugere a import&acirc;ncia de intervir sobre os mesmos consoante o estatuto que assumiram. Isto &eacute;, para diminuir o risco de comportamento suicida, &eacute; essencial desenvolver a&ccedil;&otilde;es para diminuir os n&iacute;veis de Desesperan&ccedil;a e, em concomit&acirc;ncia, promover a Autoestima, as Raz&otilde;es para viver e a Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social. Desta forma, mesmo na presen&ccedil;a de Acontecimentos negativos &ndash; que podem ser imprevis&iacute;veis e inevit&aacute;veis &ndash; se o contributo de outros fatores de risco for diminuto e os fatores protetores estiverem presentes, a rela&ccedil;&atilde;o direta entre os Acontecimentos negativos e a Idea&ccedil;&atilde;o suicida tornar-se-&aacute; mais fraca. Numa perspetiva mais ampla, pode adotar-se a ideia de que na impossibilidade de eliminar os fatores de risco, promove-se os fatores protetores para reduzir o risco de suic&iacute;dio (Gutierrez &amp; Osman, 2008).</p>     <p>Por outro lado, o efeito direto dos Acontecimentos negativos alerta para a import&acirc;ncia de uma interven&ccedil;&atilde;o adequada sobre os indiv&iacute;duos que os vivenciam, devido ao risco cont&iacute;nuo e a longo-prazo que apresentam para o desenvolvimento dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida. Os estudos t&ecirc;m mostrado que os Acontecimentos negativos &ndash; particularmente as situa&ccedil;&otilde;es de abuso psicol&oacute;gico na inf&acirc;ncia &ndash; predizem o surgimento de sintomatologia psicopatol&oacute;gica a longo-prazo (McLewin &amp; Muller, 2006) e de Idea&ccedil;&atilde;o suicida (e.g., Enns et al., 2006).</p>     <p>Interessa, pois, integrar os fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o em abordagens preventivas e terap&ecirc;uticas face ao comportamento suicida, considerando as respetivas diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o do sexo dos destinat&aacute;rios.</p>     <p>Todavia, &eacute; de ressalvar que os n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida n&atilde;o s&atilde;o totalmente explicados nem pelo modelo direto, nem pelos modelos mediadores, nem pelo conjunto de todos os fatores, o que indicia a exist&ecirc;ncia de outras vari&aacute;veis mediadoras ou moderadoras que contribuem para a Idea&ccedil;&atilde;o suicida. Pode pressupor-se que se trata de outros fatores como a baixa capacidade de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, o perfeccionismo, a impulsividade ou o neuroticismo, entre outros (Cruz, 2000; Wenzel &amp; Beck, 2008; Yang &amp; Clum, 1996).</p>     <p>A constata&ccedil;&atilde;o de que as vari&aacute;veis analisadas n&atilde;o explicam totalmente a vari&acirc;ncia dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida pode ser uma limita&ccedil;&atilde;o apontada a este estudo, embora se reconhe&ccedil;a a natureza multidimensional do comportamento suicida e a dificuldade em abranger todos os eventuais fatores preditores. Pode referir-se tamb&eacute;m como limita&ccedil;&atilde;o o facto de ser tratar de uma amostra de adolescentes n&atilde;o-cl&iacute;nica, com n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida relativamente baixos, o que pode condicionar o conhecimento aprofundado do seu contributo diferencial para os atos suicidas.</p>     <p>O presente estudo permitiu, apesar destas limita&ccedil;&otilde;es, caracterizar os n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida na amostra de adolescentes, bem como o grau de preval&ecirc;ncia das outras vari&aacute;veis; validar o estatuto de fatores de risco dos Acontecimentos de vida negativos e da Desesperan&ccedil;a e de fatores de prote&ccedil;&atilde;o das Raz&otilde;es para viver, da Autoestima e da Satisfa&ccedil;&atilde;o com o suporte social para a Idea&ccedil;&atilde;o suicida; perceber que este conjunto de fatores explica uma parte importante da vari&acirc;ncia dos n&iacute;veis de Idea&ccedil;&atilde;o suicida e, por &uacute;ltimo, destacar o papel que os Acontecimentos de vida negativos assumem enquanto vari&aacute;vel independente e direta na Idea&ccedil;&atilde;o suicida.</p>     <p>Assim sendo, a investiga&ccedil;&atilde;o proporcionou um melhor esclarecimento dos pap&eacute;is dos diferentes fatores que explicam a Idea&ccedil;&atilde;o suicida, sugerindo a sua inser&ccedil;&atilde;o em programas de preven&ccedil;&atilde;o dos atos suicidas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>AGRADECIMENTOS</b></p>     <p>Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BD/44729/2008)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Ahmadi, E., Amiri, M., Kordestani, D., &amp; Nadertabar, M. (2012). Relationships between mental health, depression, resiliency, self-esteem and suicidal ideation among high school adolescents. <i>Psychology &amp; Health, 27</i>, 269-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536270&pid=S1645-0086201600020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Azevedo, A., &amp; Matos, A. (2014). Idea&ccedil;&atilde;o suicida e sintomatologia depressiva em adolescentes. <i>Psicologia, Sa&uacute;de &amp; Doen&ccedil;as, 15</i>, 179-190.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536272&pid=S1645-0086201600020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> doi: 10.15309/14psd150115.</p>     <!-- ref --><p>Baron, R., &amp; Kenny, D. (1986). The moderator-mediator variable distinction in social psychological research: Conceptual, strategic, and statistical considerations. Journal of Personality and Social Psychology, 51(6), 1173-1182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536274&pid=S1645-0086201600020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Beck, A. T., Kovacs, M., &amp; Weissman, A. (1996). Hopelessness and suicidal behavior Essential papers on suicide (pp. 331-341). New York: New York University Press.</p>     <!-- ref --><p>Beck, A. T., Weissman, A., Lester, D., &amp; Trexler, L. (1974). Measurement of pessimism: Hopelessness Scale. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 42, 861-865. doi: 10.1037/h0037562.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536277&pid=S1645-0086201600020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Berman, A., Jobes, D., &amp; Silverman, M. (2006). Adolescent suicide: Assessment and intervention. Washington: American Psychological Association.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536279&pid=S1645-0086201600020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bertolote, J., &amp; Fleischmann, A. (2009). A global perpective on the magnitude of suicide mortality. In D. Wasserman &amp; C. Wasserman (Eds.), Suicidology and suicide prevention: A global perspective (pp. 91-98). New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536281&pid=S1645-0086201600020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Br&aacute;s, M. (2014). Condutas suicidas: Vulnerabilidade e preven&ccedil;&atilde;o em adolescentes. (Tese de Doutoramento), Universidade do Algarve, Faro.</p>     <!-- ref --><p>Br&aacute;s, M., &amp; Cruz, J. (2008). Invent&aacute;rio de Acontecimentos de Vida Negativos (IAV_N): Constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o numa popula&ccedil;&atilde;o adulta. In A. Noronha, C. Machado, L. Almeida, M. Gon&ccedil;alves, S. Martins, &amp; V. Ramalho (Eds.), Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica: Formas e Contextos. Braga: Psiquil&iacute;brios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536284&pid=S1645-0086201600020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cruz, J. (2000). Terapia cognitiva de los intentos de suic&iacute;dio: Cambiando hist&oacute;rias de muerte por historias de vida. (Tese de Doutoramento), Universidad de Sevilla, Sevilla.&nbsp;</p>     <p>DGS (Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de) (2013). Plano Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio (2013/2017). Retirado de <a href="http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/BCA196AB-74F4-472B-B21E-6386D4C7A9CB/0/i018789.pdf.2013" target="_blank">http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/BCA196AB-74F4-472B-B21E-6386D4C7A9CB/0/i018789.pdf.2013</a>.</p>     <!-- ref --><p>Dieserud, G., Fors&eacute;n, L., Braverman, M., &amp; R&oslash;ysamb, E. (2002). Negative life events in childhood, psychological problems and suicide attempts in adulthood:&nbsp;A matched case-control study. Archives of Suicide Research, 6, 291-308. doi: 10.1080/13811110214525.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536288&pid=S1645-0086201600020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dori, G., &amp; Overholser, J. (1999). Depression, hopelessness, and self-esteem: Accounting for suicidality in adolescent psychiatric inpatients. <i>Suicide and Life-Threatening Behavior, 29</i>(4), 309-318.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536290&pid=S1645-0086201600020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Enns, M., Cox, B. J., Afifi, T., De Graaf, R., ten Have, M., &amp; Sareen, J. (2006). Childhood adversities and risk for suicidal ideation and attempts:&nbsp;A longitudinal population-based study. Psychological Medicine, 36, 1769-1778. doi: 10.1017/S0033291706008646.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536292&pid=S1645-0086201600020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Esposito, C., Spirito, A., Boergers, J., &amp; Donaldson, D. (2003). Affective, behavioral, and cognitive functioning in adolescents with multiple suicide attempts. <i>Suicide and Life-Threatening Behavior, 33</i>, 389-399. doi: 10.1521/suli.33.4.389.25231.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536294&pid=S1645-0086201600020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ferreira, J., &amp; Castela, M. (1999). Question&aacute;rio de Idea&ccedil;&atilde;o Suicida (QIS). In M. Sim&otilde;es, M. Gon&ccedil;alves, &amp; L. Almeida (Eds.), Testes e provas psicol&oacute;gicas em Portugal (pp. 123-130). Braga: Sistemas Humanos e Organizacionais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536296&pid=S1645-0086201600020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gutierrez, P., &amp; Osman, A. (2008). Adolescent suicide: An integrated approach to the assessment of risk and protective factors. Illinois: Northern Illinois University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536298&pid=S1645-0086201600020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gutierrez, P., Osman, A., Kopper, B., &amp; Barrios, F. (2000). Why young people do not kill themselves: The Reasons for Living Inventory for Adolescents. Journal of Clinical Child Psychology, 29, 177-187. doi: 10.1207/S15374424jccp2902_4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536300&pid=S1645-0086201600020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hirsch, J., Wolford, K., LaLonde, S., Brunk, L., &amp; Morris, A. (2007). Dispositional optimism as a moderator of the relationship between negative life events and suicide ideation and attempts. Cognitive Therapy and Research, 31, 533-546. doi: 10.1007/s10608-007-9151-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536302&pid=S1645-0086201600020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kling, K., Hyde, J., Showers, C., &amp; Buswell, B. (1999). Gender differences in self-esteem: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 125, 470-500. doi: 10.1037//0033-2909.125.4.470.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536304&pid=S1645-0086201600020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Langhinrichsen-Rohling, J., Monson, C., Meyer, K., Caster, J., &amp; Sanders, A. (1998). The associations among family-of-origin violence and young adults' current depressed, hopeless, suicidal, and life-threatening behavior. Journal of Family Violence, 13, 243-261. doi: 10.1023/A:1022888905686.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536306&pid=S1645-0086201600020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mazza, J., &amp; Reynolds, W. (1998). A longitudinal investigation of depression, hopelessness, social support, and major and minor life events and their relation to suicidal ideation in adolescents. Suicide and Life-Threatening Behavior, 28(4), 358-374.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536308&pid=S1645-0086201600020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McLewin, L., &amp; Muller, R. (2006). Attachment and social support in the prediction of psychopathology among young adults with and without a history of physical maltreatment. Child Abuse &amp; Neglect, 30, 171-191. doi: 10.1016/j.chiabu.2005.10.004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536310&pid=S1645-0086201600020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>O'Connor, R. (2011). 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An&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria e valida&ccedil;&atilde;o preliminar de uma vers&atilde;o portuguesa da Escala de Auto-Estima de Rosenberg. <i>Psicologia: Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica, 8</i>(2), 253-268.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536326&pid=S1645-0086201600020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sharaf, A., Thompson, E., &amp; Walsh, E. (2009). Protective effects of self-esteem and family support on suicide risk behaviors among at-risk adolescents. 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The mediating roles of anxiety, depression, and hopelessness on adolescent suicidal behaviors. Suicide and Life-Threatening Behavior, 35(1), 14-34. doi: 10.1521/suli.35.1.14.59266.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536332&pid=S1645-0086201600020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wenzel, A., &amp; Beck, A. T. (2008). A cognitive model of suicidal behavior: Theory and treatment. 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Family economic pressure and adolescent suicidal ideation: Application of the family stress model. Suicide and Life-Threatening Behavior, 35, 251-264. doi: 10.1521/suli.2005.35.3.251.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536338&pid=S1645-0086201600020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ystgaard, M., Hestetun, I., Loeb, M., &amp; Mehlum, L. (2004). Is there a specific relationship between childhood sexual and physical abuse and repeated suicidal behavior? Child Abuse &amp; Neglect, 28, 863-875. doi: 10.1016/j.chiabu.2004.01.009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=536340&pid=S1645-0086201600020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Endereço para Correspondência</a><a name="c0"></a>     <p> Departamento de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Universidade do Algarve- Campus de Gambelas, 8005-139 Faro; Tel.: 962 695 100; Email: <a href="mailto:mbras@ualg.pt">mbras@ualg.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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