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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Representações sociais das pessoas com diabetes mellitus: implicações no controle glicêmico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Qualitative research involving the relationship between social representations of diet, identity and glycemic control was not found in the scientific literature on the subject. The objective of this study is to analyze the social representations of the diet of people with type 2 diabetes mellitus (DM2) as they represent their identity and its implications for glycemic control. A total of 34 DM2 users from a basic health unit in Belo Horizonte, Brazil participated. We used the free association of words with justifications of questions to identify the social representations of identity and diet. The categories of identity representations were obtained from an earlier study conducted with the same participants: those who considered themselves "normal"; those who accept the disease; the nonconformists and those who lead a difficult life. The categories of social representations of diet are: eating healthy, eating vegetables and fruits, eating little, avoiding sweets, not eating at all, not eating too much and not following the diet. It is necessary to develop studies that increase awareness of the difficulties and needs of people with diabetes and promote their involvement and self-care.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>Representa&ccedil;&otilde;es sociais das pessoas com diabetes mellitus: implica&ccedil;&otilde;es no controle glic&ecirc;mico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Social representations in diabetics: implications for glycemic control</b></font></p>     <p><b>Maria Marta Amancio Amorim<sup>1, 2</sup>, Nat&aacute;lia Ramos<sup>2</sup>, &amp; Maria Flavia Gazzinelli<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro Universit&aacute;rio UNA, Belo Horizonte, Brasil. <a href="mailto:mariaamorim@prof.una.br">mariaamorim@prof.una.br</a></p>     <p><sup>2</sup>Centro de Estudos em Migra&ccedil;&otilde;es e Rela&ccedil;&otilde;es Interculturais da Universidade Aberta de Lisboa; <a href="mailto:natalia@uab.pt">natalia@uab.pt</a></p>     <p><sup>3</sup>Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil. <a href="mailto:flavia@enf.ufmg.br">flavia@enf.ufmg.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Pesquisas qualitativas envolvendo a rela&ccedil;&atilde;o entre representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o, identidade e controle glic&ecirc;mico n&atilde;o foram encontradas na literatura cient&iacute;fica sobre o assunto. O objetivo desse estudo &eacute; analisar as representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o das pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) conforme representam a sua identidade e suas implica&ccedil;&otilde;es no controle glic&ecirc;mico. Participaram 34 usu&aacute;rios com DM2 de uma unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de de Belo Horizonte, Brasil. Utilizou-se a associa&ccedil;&atilde;o livre de palavras com justificativas de quest&otilde;es para identificar as representa&ccedil;&otilde;es sociais da identidade e da alimenta&ccedil;&atilde;o. As categorias das representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias foram obtidas de um estudo anterior realizado com os mesmos participantes: aqueles que se consideram &ldquo;normais&rdquo;; os que aceitam a doen&ccedil;a; os inconformados e os que levam a vida com dificuldades. As categorias das representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o: comer saud&aacute;vel, comer verduras e frutas, comer pouco, evitar doces, n&atilde;o comer de tudo, n&atilde;o comer muito e n&atilde;o seguir a dieta. &Eacute; necess&aacute;rio desenvolver estudos que aumentem o conhecimento sobre as dificuldades e as necessidades das pessoas com diabetes e que promovam o seu envolvimento e o autocuidado.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> diabetes, aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de, doen&ccedil;a cr&ocirc;nica, identidade social, alimenta&ccedil;&atilde;o</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Qualitative research involving the relationship between social representations of diet, identity and glycemic control was not found in the scientific literature on the subject. The objective of this study is to analyze the social representations of the diet of people with type 2 diabetes mellitus (DM2) as they represent their identity and its implications for glycemic control. A total of 34 DM2 users from a basic health unit in Belo Horizonte, Brazil participated. We used the free association of words with justifications of questions to identify the social representations of identity and diet. The categories of identity representations were obtained from an earlier study conducted with the same participants: those who considered themselves &quot;normal&quot;; those who accept the disease; the nonconformists and those who lead a difficult life. The categories of social representations of diet are: eating healthy, eating vegetables and fruits, eating little, avoiding sweets, not eating at all, not eating too much and not following the diet. It is necessary to develop studies that increase awareness of the difficulties and needs of people with diabetes and promote their involvement and self-care.</p>     <p><b>Keywords: </b>diabetes, health care primary, illness and disease chronic, self-care</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Devido &agrave; exig&ecirc;ncia do controle constante da glicemia, &agrave; cronicidade e ao fato de n&atilde;o ter cura, a pessoa com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) permanece vinculada ao sistema de sa&uacute;de por d&eacute;cadas e necessita de uma aten&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua centrada no autocuidado e no controle glic&ecirc;mico. As a&ccedil;&otilde;es de autocuidado envolvem o cumprimento de pr&aacute;ticas referentes &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, exerc&iacute;cio f&iacute;sico, uso de medicamentos e o controle glic&ecirc;mico refere-se ao monitoramento das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de-doen&ccedil;a executado pela pr&oacute;pria pessoa (Cyrino, 2009; ADA, 2014). </p>     <p>Apesar da capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o do homem &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do autocuidado e do controle glic&ecirc;mico, o cumprimento dessas pr&aacute;ticas n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para a maioria das pessoas com DM2, pois, a partir da descoberta da doen&ccedil;a, a estrutura da vida cotidiana e as formas que a sustentam s&atilde;o interrompidas (Bury, 1982). Em decorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, ocorrem rupturas na identidade, que podem ser de car&aacute;ter permanente e com impacto nos h&aacute;bitos de vida. Na rela&ccedil;&atilde;o da pessoa com outros, a identidade pode ser constru&iacute;da ou reconstru&iacute;da (Williams, 2000). </p>     <p>Algumas pessoas com DM2 estudadas por Amorim, Ramos, Brito, &amp; Gazzinelli (2014) pelo referencial das representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, julgam-se normais, outras aceitam a doen&ccedil;a, h&aacute; aquelas que s&atilde;o inconformadas e outras levam a vida com dificuldades. Os participantes &ldquo;normais&rdquo; convivem com a doen&ccedil;a de forma positiva e minimizam o impacto do DM2 sobre sua identidade ao vivenciarem o processo da normaliza&ccedil;&atilde;o da enfermidade e do cuidado, no qual as mudan&ccedil;as e adapta&ccedil;&otilde;es requeridas ao tratamento se tornam rotineiras e s&atilde;o incorporadas ao cotidiano. Para os participantes que &ldquo;aceitam a doen&ccedil;a&rdquo;, a enfermidade faz parte da percep&ccedil;&atilde;o da realidade e &eacute; percebida como um fator que limita a pessoa. Os &ldquo;inconformados&rdquo; elaboram a doen&ccedil;a como uma imagem de perigo e de riscos. Os participantes que julgam &ldquo;ter uma vida carregada de dificudades&rdquo; se deparam com entraves ao se cuidarem culminando em sentimentos e atitudes negativas sobre a doen&ccedil;a. Assim os obst&aacute;culos enfrentados pelos participantes que julgam &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a, pensam ser &ldquo;inconformados&rdquo; e &ldquo;tem dificuldades&rdquo; ao colocarem em pr&aacute;tica o autocuidado, devem ser avaliados pela equipe que atua na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de, superando a l&oacute;gica biom&eacute;dica (Amorim, Ramos, Brito, &amp; Gazzinelli, 2014). </p>     <p>Um dos obst&aacute;culos mais dif&iacute;ceis de ser superados pelas pessoas com DM2 &eacute; a alimenta&ccedil;&atilde;o (Anderson, Goddard, Garcia, Guzman, &amp; Vasquez, 1998; Cyrino, 2009; Pontieri &amp; Bachion, 2010), sendo a primeira limita&ccedil;&atilde;o na qual as pessoas se defrontam ao serem diagnosticadas com DM 2, devido a seu car&aacute;ter proibitivo, sendo motivo de estresse, discrimina&ccedil;&atilde;o e opress&atilde;o (Motta, 2009). Al&eacute;m disso, a alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; a principal causa do controle insatisfat&oacute;rio da doen&ccedil;a, devido &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es insuficientes ou incorretas, &agrave;s atitudes negativas e &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es sociais das pessoas com DM2 (Motta, 2009). </p>     <p>As representa&ccedil;&otilde;es sociais t&ecirc;m um papel fundamental na din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es sociais porque respondem a quatro fun&ccedil;&otilde;es essenciais: permitem compreender e explicar a realidade; guiam os comportamentos e as pr&aacute;ticas, permitem a justificativa das tomadas de posi&ccedil;&atilde;o e dos comportamentos e definem a identidade. Ao compreender essas fun&ccedil;&otilde;es essenciais das representa&ccedil;&otilde;es sociais verifica-se que existe rela&ccedil;&atilde;o entre as representa&ccedil;&otilde;es sociais, a identidade e as pr&aacute;ticas sociais ou comportamentos (Abric, 1998).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pesquisas qualitativas envolvendo a rela&ccedil;&atilde;o entre as representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o, da identidade e o controle glic&ecirc;mico n&atilde;o foram encontradas na literatura. Assim o objetivo do presente estudo &eacute; analisar as representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o das pessoas com DM2 conforme representam a sua identidade e suas implica&ccedil;&otilde;es no controle glic&ecirc;mico.</p>     <p><b>M&Eacute;TODO</b></p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>Os usu&aacute;rios com DM2 de uma unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de de Belo Horizonte, Brasil foram convidados a participar do estudo, excluindo aqueles que possu&iacute;am cegueira, amputa&ccedil;&atilde;o de membro e a presen&ccedil;a de infec&ccedil;&otilde;es. Aceitaram o convite 34 participantes, 97% com idade acima de 50 anos, 32% do sexo masculino e 68% do feminino. Esses participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelos Comit&ecirc;s de &Eacute;tica e Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais e da Secretaria Municipal da Sa&uacute;de da Prefeitura de Belo Horizonte/Brasil, cumprindo as exig&ecirc;ncias da Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96 (Brasil, 1996).</p>     <p><i>Material</i></p>     <p>Para captar os dados qualitativos, pensamentos e sentimentos mais espont&acirc;neos relacionados &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, os participantes falaram cinco palavras ou express&otilde;es, ap&oacute;s serem estimulados pela quest&atilde;o indutora: Quando voc&ecirc; pensa em &ldquo;alimenta&ccedil;&atilde;o do diab&eacute;tico&rdquo;, o que vem &agrave; sua mente? Logo ap&oacute;s, foi solicitado que apontassem a evoca&ccedil;&atilde;o considerada mais importante com a respectiva justificativa. Com a finalidade de complementar os dados referentes &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o buscando captar pr&aacute;ticas alimentares, perguntou-se aos participantes &ldquo;como voc&ecirc; se sente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;?</p>     <p>As entrevistas foram gravadas, as falas dos participantes referentes &agrave;s justificativas da quest&atilde;o norteadora foram transcritas na &iacute;ntegra e interpretados pela An&aacute;lise do Conte&uacute;do Tem&aacute;tico-Categorial proposta por Bardin (2010), seguindo as etapas, pr&eacute;-an&aacute;lise, codifica&ccedil;&atilde;o e tratamento dos resultados. A interpreta&ccedil;&atilde;o das mensagens foi realizada pelos pesquisadores obtendo-se descri&ccedil;&otilde;es compat&iacute;veis, o que confere confiabilidade aos dados. </p>     <p>Para obter dos dados quantitativvos, dosou-se a HbA1c, por meio da coleta de sangue dos participantes por pun&ccedil;&atilde;o venosa, adicionando o anticoagulante EDTA-K2, utilizando o m&eacute;todo de an&aacute;lise da inibi&ccedil;&atilde;o imunoturbidim&eacute;tria do Wiener Laborat&oacute;rios S.A.<sup>&reg;. </sup></p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>Os dados da alimenta&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas foram apresentados e analisados de forma conjunta, como um complexo representa&ccedil;&atilde;o-pr&aacute;tica (Wagner, 1994) tendo como referencial te&oacute;rico a Teoria das Representa&ccedil;&otilde;es Sociais (Moscovici, 2012). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As representa&ccedil;&otilde;es da alimenta&ccedil;&atilde;o e o controle glic&ecirc;mico dos participantes foram apresentados conforme os participantes representam a sua identidade, &ldquo;normal&rdquo;, &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a&rdquo;; &ldquo;ter dificuldades&rdquo; e &ldquo;inconformado&rdquo;, obtidas no estudo anterior, com os mesmos participantes (Amorim, Ramos, Brito &amp; Gazzinelli, 2014). As falas de cada categoria de um participante conforme representa a identidade foram descritas nos resultados na forma de cita&ccedil;&otilde;es literais, de maneira que deram vida &agrave; representa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Para o controle glic&ecirc;mico empregaram-se como ponto de corte da HbA1c os valores &#8804; 7% (ADA, 2014), utilizando o <i>Statistical Package for Social Sciences<sup>&reg;</sup></i> vers&atilde;o 14, SPSS for Windows TM, SPSS Inc, IL. Utilizaram-se os testes n&atilde;o param&eacute;tricos de Kruskal Wallis e de Jonckheere-Terpstra, estabelecendo-se o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de cinco por cento. </p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>As categorias das representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o levantadas foram: &ldquo;comer saud&aacute;vel&rdquo;, &ldquo;comer verduras e frutas&rdquo;, &ldquo;comer pouco&rdquo;, &ldquo;desviar dos doces&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o comer de tudo&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o comer muito&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o seguir a dieta&rdquo;. A representa&ccedil;&atilde;o social de um participante e a sua pr&aacute;tica conforme representa a identidade &eacute; apresentada a seguir. </p>     <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o dos participantes &ldquo;normais&rdquo;</b></p>     <p>As pessoas que julgam ter uma vida normal (n=15) representam a alimenta&ccedil;&atilde;o nas categorias comer saud&aacute;vel (n=3), comer reduzido (n=4), comer verduras e frutas (n=4) e desviar dos doces (n=4), abordadas a seguir. </p>     <p><b>Comer Saud&aacute;vel.</b><i> </i>A sa&uacute;de tem significativa import&acirc;ncia na vida dos participantes &ldquo;normais&rdquo; que, preocupados em manter o controle glic&ecirc;mico, orientam-se pelas ideias disseminadas na sociedade, em diferentes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, de comer &ldquo;coisas sadias&rdquo; para representar a sua alimenta&ccedil;&atilde;o. Assim, uma participante relaciona a alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel ao controle glic&ecirc;mico:</p>     <p>&ldquo;Procurar comer coisas sadias. &Eacute; uma alimenta&ccedil;&atilde;o sadia, porque devo aceitar o metabolismo do meu organismo para ele ficar mais no n&iacute;vel normal. Depois que a gente adoece voltar atr&aacute;s &eacute; muito dif&iacute;cil, principalmente o diab&eacute;tico.&rdquo;</p>     <p>A participante possui a cren&ccedil;a de que a glicose pode ficar normal se ela aceitar o organismo acometido pelo DM2. Como essa enfermidade n&atilde;o tem cura, seu organismo n&atilde;o retorna ao estado anterior de normalidade; mas ela consegue encontrar o equil&iacute;brio din&acirc;mico entre a sa&uacute;de e a doen&ccedil;a, ao conviver de forma harmoniosa com as normas da alimenta&ccedil;&atilde;o sadia. </p>     <p>A sua alimenta&ccedil;&atilde;o para ser saud&aacute;vel depende do equil&iacute;brio entre os aspectos quantitativos e qualitativos:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;A gente n&atilde;o faz a alimenta&ccedil;&atilde;o do diab&eacute;tico certinha, certinha. Eu n&atilde;o fa&ccedil;o a alimenta&ccedil;&atilde;o separada. Eu posso comer de tudo, mas tudo dosado n&eacute;? Eu como p&atilde;o com margarina light, tomo leite integral, caf&eacute; com ado&ccedil;ante. De manh&atilde;, se n&atilde;o tem p&atilde;o, eu como biscoito. Ontem eu fiz no almo&ccedil;o arroz, feij&atilde;o, verdura e ma&ccedil;&atilde; de peito (meu marido adora, mas eu procuro comer um peda&ccedil;o menor e com menos gordura; o caldo &eacute; muito gorduroso e a&iacute; eu n&atilde;o como). Eu como duas bananas por dia, laranja ou ma&ccedil;&atilde;. Eu evito fazer doce. &Agrave;s vezes eu fa&ccedil;o lanche da tarde, &agrave;s vezes eu como banana. O jantar &eacute; o mesmo. Eu fa&ccedil;o quibe frito, uma vez por semana. Eu bebo cerveja sexta, s&aacute;bado e domingo.&rdquo;</p>     <p>A pr&aacute;tica alimentar dessa participante n&atilde;o &eacute; &ldquo;certinha, certinha&rdquo; conforme deseja. Ela come alimentos sadios, como margarina light<i>,</i> verduras e frutas. Expressa uma preocupa&ccedil;&atilde;o em fracionar os alimentos no decorrer do dia e consumir, de forma &ldquo;dosada&rdquo; alimentos gordurosos e bebida alco&oacute;lica. Ao dizer que come menor quantidade de alimentos gordurosos, categoriza os alimentos levando em considera&ccedil;&atilde;o a quantidade e a qualidade de gorduras. Quando ela menciona que substitui o lanche pela banana demonstra preocupa&ccedil;&atilde;o com o componente qualitativo da alimenta&ccedil;&atilde;o, no que diz respeito a presen&ccedil;a de carboidrato. </p>     <p><b>Comer Reduzido</b><i>. </i>Para esses participantes que se julgam &ldquo;normais&rdquo;, o controle centra-se na quantidade de comida e se expressa no comer reduzido, ideia escolhida para representar a alimenta&ccedil;&atilde;o da pessoa com DM2. Segue o discurso de um participante que direciona a sua vida normal para o comer reduzido:</p>     <p>&ldquo;Normal. Desde quando fiquei sabendo que era diab&eacute;tico, em 1996, tenho uma vida normal. Diminu&iacute; a quantidade que comia, de dois pratos, passei a comer um prato. O m&eacute;dico disse para eu diminuir, mas nunca passou dieta. O m&eacute;dico do conv&ecirc;nio da empresa me disse que, como viajo o tempo todo, &eacute; bom eu chupar uma bala, sen&atilde;o pode dar hipoglicemia.&ldquo;</p>     <p>Como a alimenta&ccedil;&atilde;o cotidiana desse participante inclui os mesmos alimentos consumidos anteriormente, antes do advento da enfermidade, ele a representa como normal. A redu&ccedil;&atilde;o dos alimentos efetuada por ele n&atilde;o &eacute; considerada dieta, entendida por ele como uma lista de alimentos permitidos e proibidos com as respectivas quantidades. Na pr&aacute;tica ele come normal:</p>     <p>&ldquo;A minha alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; normal, nunca recebi dieta. Diminu&iacute; a quantidade que comia e passei a comer a metade. Sou motorista e, dia sim e dia n&atilde;o, viajo para Vit&oacute;ria. Fico num hotel e volto no outro dia &agrave;s 21 horas. Na volta eu como tr&ecirc;s frutas, que pego no hotel&rdquo;. </p>     <p>Essa pessoa n&atilde;o recebeu dieta contendo alimentos que pode ou n&atilde;o comer, ent&atilde;o continua comendo &ldquo;normal&rdquo;, os mesmos alimentos consumidos antes da enfermidade. Ele se reeducou e reduziu a comida pela metade. Al&eacute;m da quantidade, a qualidade se faz presente na sua pr&aacute;tica alimentar ao escolher comer frutas durante as viagens longas. Esses alimentos ricos em carboidratos simples e fibras ajudam a manter a glicemia controlada at&eacute; o momento da pr&oacute;xima refei&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><b>Comer Verduras e Frutas.</b><i> </i>Comer verduras e frutas, recomenda&ccedil;&atilde;o divulgada na m&iacute;dia como um dos comportamentos referentes &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel a ser adotado pela popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o social da alimenta&ccedil;&atilde;o desse participante normal: </p>     <p>&ldquo;Fa&ccedil;o comida separada para mim, arroz e carne. Como muita verdura e fruta. A &uacute;nica coisa que consumo &eacute; mam&atilde;o, laranja e banana. Eu adoro banana. Ma&ccedil;&atilde; eu n&atilde;o gosto, pois d&aacute; fome. De vez em quando, eu compro melancia e abacaxi. De vez em quando, para variar. N&atilde;o &eacute; sempre.&rdquo;</p>     <p>A participante al&eacute;m de comer em grande quantidade desses alimentos, relata um cuidado diferencial ao preparar sua comida em separado. Na pr&aacute;tica ela pauta-se no controle, ao aderir ao tratamento e no desejo, pois sente prazer ao comer fritura: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Antigamente eu era mais desmazelada. Se eu comer isso, eu vou morrer mesmo, meu pai era que falava assim. Ent&atilde;o, eu pensei, deixa eu maneirar nas coisas de comer. Eu quero viver. N&atilde;o cortei tudo. Como fritura. Eu j&aacute; estou mais ou menos sabendo o que posso fazer. Estou consciente. Agora, pelo menos, eu como praticamente de hora marcada. De tr&ecirc;s em tr&ecirc;s horas, eu belisco a toda hora. Diminu&iacute; muito. &Agrave;s 10 horas, como uma banana amassada com aveia e leite. No almo&ccedil;o, como arroz, feij&atilde;o, carne e verdura crua e cozida, tudo com pouco &oacute;leo. &ldquo;</p>     <p>Ela atribui sentido a sua pr&aacute;tica alimentar ao relatar que, por querer viver, tomou uma atitude de controlar, ou seja, &ldquo;maneirar nas coisas de comer&rdquo;. No passado, era negligente com a sua alimenta&ccedil;&atilde;o, ao ser conivente com o discurso do pai: &ldquo;se eu comer isso, eu vou morrer mesmo&rdquo;. Atualmente decidiu comer os alimentos que representa, verduras e frutas, al&eacute;m de comer de tr&ecirc;s em tr&ecirc;s horas e comer os alimentos fritos que tanto gosta. </p>     <p><b>Desviar dos Doces</b><i>. </i>Uma cren&ccedil;a cristalizada que circula no senso comum &eacute; que as pessoas com DM2 n&atilde;o podem comer doces. Uma participante &ldquo;normal&rdquo; representa sua alimenta&ccedil;&atilde;o de maneira a desviar dos doces como forma de se proteger das consequ&ecirc;ncias do consumo desse alimento dito proibido, conforme relato: </p>     <p>&ldquo;Doce, parei de fazer e de comer. Doce, eu sinto prazer em comer doce. Suco, eu parei de tomar, porque eu gosto doce. Eu n&atilde;o gosto de ado&ccedil;ante. Diminu&iacute; a quantidade que tomava de caf&eacute;, coloco um pouco de leite desnatado&rdquo;. </p>     <p>Ela gosta e sente prazer ao comer alimentos adocicados, que causam sensa&ccedil;&otilde;es de recompensa e bem-estar. Por&eacute;m, essa participante descreve que n&atilde;o come e nem prepara esses alimentos que transparecem ter se tornado mais resistentes ao desejo. Por n&atilde;o gostar de ado&ccedil;ante, buscou uma alternativa para ado&ccedil;ar o caf&eacute; com o a&ccedil;&uacute;car do leite. Assim, no dia a dia, ela desvia do doce de forma radical: </p>     <p>&ldquo;De manh&atilde;, tomo caf&eacute; com leite. Antes do almo&ccedil;o, eu como um biscoito. Meu almo&ccedil;o &eacute; cedo, como arroz, feij&atilde;o, verdura e um pedacinho de carne. Tem dia que eu como bem, tem dia que eu n&atilde;o tenho prazer de comer e a&iacute; eu fa&ccedil;o macarr&atilde;o instant&acirc;neo. Tenho fome, mas n&atilde;o tenho vontade. No lanche, como p&atilde;o com manteiga e caf&eacute; com leite. No jantar, &eacute; o mesmo do almo&ccedil;o. &Agrave;s 10 horas da noite, eu tomo um lanche, p&atilde;o e biscoito. Doce, eu n&atilde;o compro mais para n&atilde;o ter em casa. Suco, eu parei de tomar, porque eu gosto &eacute; de suco doce. Fa&ccedil;o batata frita, umas ou duas vezes por m&ecirc;s; pastel, uma vez por m&ecirc;s. Eu gosto de cerveja, tomo tr&ecirc;s a quatro garrafas, dividindo para seis pessoas&rdquo;. </p>     <p>Guiada pela norma de desviar do alimento que lhe desperta prazer essa participante n&atilde;o compra doces, nem toma suco ado&ccedil;ado. Em busca de sensa&ccedil;&otilde;es agrad&aacute;veis, consome esporadicamente outros alimentos de que gosta como batata frita, pastel e cerveja. Mesmo assim, em determinados dias, a alimenta&ccedil;&atilde;o dela &eacute; marcada pela falta de prazer em comer. Ela fraciona as refei&ccedil;&otilde;es e come verduras. </p>     <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es Sociais da Alimenta&ccedil;&atilde;o dos Participantes que &ldquo;Aceitam a Doen&ccedil;a&rdquo;</b></p>     <p>Os participantes que &ldquo;aceitam a doen&ccedil;a&rdquo; (n=5) se pautam no &ldquo;n&atilde;o&rdquo; para representar a sua alimenta&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o comer muito (n=2) e n&atilde;o comer de tudo (n=3). </p>     <p><b>N&atilde;o comer muito.</b><i> </i>Na contemporaneidade, &ldquo;comer muito&rdquo; &eacute; considerado um comportamento prejudicial &agrave; sa&uacute;de, pois a quantidade excessiva de comida &eacute; um fator de risco para obesidade, DM2, hipertens&atilde;o e doen&ccedil;as cardiovasculares. De forma a evitar o mal &agrave; sa&uacute;de, um participante representa a sua alimenta&ccedil;&atilde;o na forma negativa dessa express&atilde;o, <i>n&atilde;o</i><i> comer muito</i>. As pessoas com DM2 n&atilde;o podem ficar muito tempo sem comer relata o participante que &ldquo;aceita a doen&ccedil;a&rdquo;:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Como doce e chupo bala esporadicamente. Quando eu estou fora de casa, muito tempo sem comer nada, d&aacute; aquela chia&ccedil;&atilde;o, a&iacute; eu chupo uma bala e bebo &aacute;gua&rdquo;.</p>     <p>Ele explica que quando fica muito tempo sem comer &ldquo;d&aacute; aquela chia&ccedil;&atilde;o&rdquo;, sinal de que h&aacute; falta de glicose no sangue. O &ldquo;rem&eacute;dio&rdquo; &eacute; chupar uma bala para combater o mal-estar sentido, cren&ccedil;a que circula no senso comum. Assim, o a&ccedil;&uacute;car, tradicionalmente banido da dieta dessas pessoas, torna-se um aliado ao ser introduzido no corpo para combater um estado mal&eacute;fico. A informa&ccedil;&atilde;o &ldquo;comer em intervalos regulares evita a hipoglicemia&rdquo; ainda n&atilde;o circula comumente entre as pessoas. Esse participante julga que a pessoa com DM2 n&atilde;o deve comer muito: </p>     <p>&ldquo;Alimenta&ccedil;&atilde;o em casa &eacute; na quantidade normal. Gordura reduzida, pouca alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; a da fam&iacute;lia, ela &eacute; balanceada. Em 1990, eu dei uma secada, reduzi o peso, pois segui rigorosamente a dieta, passei uma fome danada, duas colheres de arroz e de feij&atilde;o, aquele peda&ccedil;&atilde;o de carne, n&atilde;o, um peda&ccedil;o pequeno de carne, verdura refogada. Minha m&atilde;e era diab&eacute;tica, e a&iacute; eu disse para ela que ia seguir a dieta. A&iacute; ela morreu, a&iacute; tem o fator emocional. A minha glicose varia muito. Fui &agrave; m&eacute;dica e disse para ela que, na minha dieta, eu tava sentindo fraqueza. De um lado piora, do outro melhora. Ela me disse que n&atilde;o precisa ser tanto rigoroso. Poderia seguir a dieta, mas n&atilde;o abusar. Tem dia que fico o dia inteiro beliscando&rdquo;.</p>     <p>Com a experi&ecirc;ncia de seguir a dieta rigorosa, sob a vigil&acirc;ncia da m&atilde;e, esse participante que &ldquo;aceita a doen&ccedil;a&rdquo; sentiu-se fraco e aprendeu com a m&eacute;dica que n&atilde;o deve ser t&atilde;o rigoroso, assim optou por n&atilde;o comer muito e &ldquo;n&atilde;o abusar&rdquo;. Em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; dieta rigorosa, h&aacute; dias em que &ldquo;belisca o dia inteiro&rdquo;, contrariando o plano alimentar ideal para a pessoa com DM2 que consiste comer todas as refei&ccedil;&otilde;es e &ldquo;beliscar&rdquo; algum alimento entre elas. E como resultado dessa pr&aacute;tica inadequada, a sua glicose n&atilde;o &eacute; normal, varia muito. </p>     <p><b>N&atilde;o comer de tudo.</b><i> </i>A linguagem a que a ci&ecirc;ncia recorre para falar sobre as no&ccedil;&otilde;es nutricionais de variedade e equil&iacute;brio dos nutrientes &eacute; traduzida, no discurso leigo, em &ldquo;comer de tudo&rdquo;. A t&ocirc;nica do discurso desse participante que &ldquo;aceita a doen&ccedil;a&rdquo; recai sobre o que n&atilde;o pode comer e o impacto desses alimentos sobre o organismo acometido pela doen&ccedil;a:</p>     <p>&ldquo;Consci&ecirc;ncia para comer. Temos que ter consci&ecirc;ncia do que vai comer, n&atilde;o &eacute; qualquer coisa que pode entrar, se ele for comer uma comida que n&atilde;o serve, ele pode passar mal&rdquo;.</p>     <p>Esse participante classifica as comidas nas que n&atilde;o servem para comer como as que causam mal ao organismo acometido pelo DM2. Provavelmente o n&atilde;o comer de tudo ficou gravado na mente desse participante quando aceitou seguir a dieta proibitiva prescrita. A pr&aacute;tica alimentar desse participante &eacute; norteada pelo n&atilde;o comer alimentos que fazem mal ao organismo doente:</p>     <p>&ldquo;Olha, eu penso &eacute; isso, a pessoa tem consci&ecirc;ncia do que vai comer. N&atilde;o &eacute; qualquer coisa que pode entrar. Vou seguir a orienta&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico, sou um paciente. Eu n&atilde;o posso ir para outro lado, eu sei que vou passar mal. Mas minha comida n&atilde;o &eacute; comida de doente, ela vai evitar a doen&ccedil;a, ela n&atilde;o provoca doen&ccedil;a. Todo dia eu como p&atilde;o. Coloco queijo ou salame. Eu uso leite desnatado e tomo ado&ccedil;ante. Como arroz, feij&atilde;o, verdura e carne. Eu levo minha marmita. Chupo duas laranjas depois do almo&ccedil;o e da janta. O jantar &eacute; o mesmo, como menos&rdquo;.</p>     <p>O relato desse participante &eacute; t&iacute;pico de um &ldquo;paciente&rdquo; que julga ser &ldquo;consciente&rdquo; ao ouvir &ldquo;pacientemente&rdquo; o m&eacute;dico para n&atilde;o comer de tudo. Ele gerencia sua doen&ccedil;a aceitando o regime com base na representa&ccedil;&atilde;o de que o que ele come &ldquo;n&atilde;o &eacute; comida de doente&rdquo;. Com o pensamento na doen&ccedil;a, ele relata que sua comida n&atilde;o piora o DM2, mas evita as complica&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a. Na sua pr&aacute;tica alimentar ele relata realizar somente 3 refei&ccedil;&otilde;es caf&eacute; da manh&atilde;, almo&ccedil;o e jantar, ficando muito tempo sem comer entre as refei&ccedil;&otilde;es. </p>     <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es Sociais da Alimenta&ccedil;&atilde;o das Pessoas que &ldquo; t&ecirc;m Dificuldades&rdquo;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os participantes que &ldquo;tem uma vida com dificuldades&rdquo; (n=8) representam a sua alimenta&ccedil;&atilde;o nas categorias negativas n&atilde;o comer muito (n=3), n&atilde;o comer de tudo (n=2) e n&atilde;o seguir a dieta (2). Uma participante representa a alimenta&ccedil;&atilde;o no comer verdura e frutas e diferentemente dos normais tem dificuldade de colocar em pr&aacute;tica o seu pensamento. </p>     <p><b>N&atilde;o comer muito.</b><i> </i>Para um participante que julga ter dificuldade o &ldquo;n&atilde;o comer muito&rdquo; foi expresso dessa maneira: </p>     <p>&ldquo;N&atilde;o sinto nada. Eu me sinto bem, eu como normal, n&atilde;o sou de comer em exagero. Eu sei o que eu n&atilde;o posso comer&rdquo;.</p>     <p>Esse participante &ldquo;que tem dificuldades&rdquo; julga conhecer os alimentos que n&atilde;o pode comer e pensa comer sem exagero. Ao analisar as suas pr&aacute;ticas, verifica-se que &ldquo;n&atilde;o come muitas refei&ccedil;&otilde;es&rdquo;: </p>     <p>&ldquo;Tomei caf&eacute; da manh&atilde;, comi um peda&ccedil;o de queijo. Gosto derretido na panela. Agora, eu s&oacute; almo&ccedil;o. Eu n&atilde;o fico sem jantar. Fa&ccedil;o tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es. Eu sinto bem fazendo a minha comida para os meus filhos. Eu como normal, sem exagero&rdquo;.</p>     <p>Ele sente-se bem ao preparar as refei&ccedil;&otilde;es para os filhos e julga comer &ldquo;normal&rdquo;, sem &ldquo;exagero&rdquo;, ao relatar que come tr&ecirc;s vezes ao dia, pr&aacute;tica alimentar n&atilde;o adequada, pois omite os lanches intermedi&aacute;rios entre as refei&ccedil;&otilde;es. </p>     <p><b>N&atilde;o comer de tudo</b><i>. </i>Alguns participantes que julgam ter dificuldades se ancoram na categoria &ldquo;n&atilde;o comer de tudo&rdquo; para dar conta do complexo significado da alimenta&ccedil;&atilde;o. Para exemplificar essa representa&ccedil;&atilde;o cito o discurso desse participante: </p>     <p>&ldquo;N&atilde;o alimentar o que n&atilde;o pode&rdquo;. </p>     <p>Ele usa o n&atilde;o duas vezes para refor&ccedil;ar o &ldquo;n&atilde;o comer de tudo&rdquo;. Observa-se, pelo relato da sua pr&aacute;tica, que esse participante tem dificuldades em comer fruta, o alimento que julga n&atilde;o poder comer:</p>     <p>&ldquo;Levanto &agrave;s 7 horas, como um p&atilde;o com caf&eacute;. Fa&ccedil;o arroz, como muito, quatro colheres, uma concha de feij&atilde;o, uma verdura, uma salada, carne cozida, um peda&ccedil;o de frango. Depois eu janto, &agrave;s 7 horas, o mesmo do almo&ccedil;o e a mesma quantidade. Fruta, eu gosto, mas &eacute; muito caro. Eu sou chegada num mam&atilde;o, mas ele &eacute; doce. Pode? Banana, eu posso? E melancia? E laranja, eu posso? E manga, eu posso? De vez em quando, eu tomo suco no almo&ccedil;o ou refrigerante. O <i>diet</i> que &eacute; bom, n&atilde;o &eacute; mesmo?&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse participante &ldquo;que tem dificuldades&quot; se apropria do saber do senso comum - as pessoas com DM2 n&atilde;o podem comer a&ccedil;&uacute;car presente nas frutas e alia esse conhecimento a sua situa&ccedil;&atilde;o financeira. Constr&oacute;i, desse modo, a ideia de que n&atilde;o pode comer as frutas porque s&atilde;o caras e doces. Assim a fruta ou outro tipo de alimento n&atilde;o est&aacute; presente nos intervalos entre as refei&ccedil;&otilde;es, pois ela consome somente 3 refei&ccedil;&otilde;es. </p>     <p><b>N&atilde;o seguir a dieta</b><i>.</i> Em conson&acirc;ncia com o pensamento de que as pessoas com DM2 t&ecirc;m dificuldades em implementar o plano alimentar, o &ldquo;n&atilde;o seguir a dieta&rdquo; &eacute; a forma como um participante que &ldquo;tem uma vida carregada de dificuldades&rdquo; representa sua alimenta&ccedil;&atilde;o. O depoimento desse participante acerca da alimenta&ccedil;&atilde;o justifica a dificuldade de seguir o plano alimentar: </p>     <p>&ldquo;N&atilde;o consegui fazer dieta. N&atilde;o fa&ccedil;o como deveria fazer, por causa do meu trabalho de representante comercial. Trabalho de manh&atilde; e &agrave; tarde estou em casa. Eu gostaria de ter for&ccedil;a de vontade para fazer dieta&rdquo;.</p>     <p>Simplesmente conhecer as a&ccedil;&otilde;es a serem realizadas n&atilde;o foi suficiente para ele implementar a &ldquo;dieta&rdquo;, pois manifestou sentimentos de incapacidade. Para esse participante, o trabalho dificulta o cumprimento da dieta j&aacute; que a ocupa&ccedil;&atilde;o profissional o impede de comer em casa. Na pr&aacute;tica, ele <i>n&atilde;o</i><i> segue a dieta,</i> pois t&ecirc;m dificuldades:</p>     <p>&ldquo;Eu n&atilde;o fa&ccedil;o esse regime, n&atilde;o sou de ficar comendo o dia inteiro. Eu encho o prato e como a minha mesma refei&ccedil;&atilde;o de antes de ser diab&eacute;tico. Uma vez por semana eu como doce, eu sinto vontade de comer doce&rdquo;.</p>     <p>Para ele fazer &ldquo;regime&rdquo; significa comer o dia inteiro; assim, ele constata que n&atilde;o consegue fazer dieta, devido ao fato de trabalhar fora de casa. Esse pensamento &eacute; correto, pois a pessoa com DM2 deve comer v&aacute;rias vezes ao dia, fracionando a ingest&atilde;o alimentar. Complementa: &ldquo;encho o prato e como a minha mesma refei&ccedil;&atilde;o de antes de ser diab&eacute;tico&rdquo;. O doce faz parte da sua alimenta&ccedil;&atilde;o, comendo uma vez por semana.</p>     <p><b>Comer verduras e legumes.</b><i> </i>Uma participante que &ldquo;tem dificuldades&rdquo; construiu o <i>habitus </i>de consumir verduras e frutas, antes do advento da doen&ccedil;a, pautado pelo prazer. Assim ela representa sua alimenta&ccedil;&atilde;o no comer verduras e frutas, pois esses alimentos lhes proporcionam sensa&ccedil;&otilde;es gustativas agrad&aacute;veis: </p>     <p>&ldquo;Gosto de verdura. Porque toda vida eu gosto de verdura. Se est&aacute; tudo certo eu como duas qualidades de verdura, s&oacute; n&atilde;o gosto de pepino. Eu perdi minha m&atilde;e na &eacute;poca em que ia fazer os exames. Eu n&atilde;o estava seguindo a dieta direitinho por causa do hospital, fiquei 20 dias no hospital, a&iacute; os resultados subiram&rdquo;.</p>     <p>Diferentemente dos normais essa participante tem dificuldade em colocar em pr&aacute;tica o pensamento representacional de comer verduras e frutas:</p>     <p>&ldquo;Na semana que eu fa&ccedil;o compras no sacol&atilde;o, eu como direitinho. Eu n&atilde;o tenho condi&ccedil;&atilde;o de comprar fruta tal, eu compro banana. Eu gosto muito de verdura e legumes, eu capricho, mas se n&atilde;o tem, eu vou tentando. O assunto da alimenta&ccedil;&atilde;o, a gente tenta, mas n&atilde;o &eacute; perfeito. O medicamento &eacute; perfeito, &eacute; direitinho, mas a alimenta&ccedil;&atilde;o a gente acaba trope&ccedil;ando. Se eu ficar umas tr&ecirc;s horas sem comer, me d&aacute; uma tremura, tontura e fraqueza. Se eu for sair, eu ponho na bolsa um biscoito ou uma bala, como aquelas mo&ccedil;as orientam a gente. Eu vou driblando. A &uacute;nica coisa que eu estrepo &eacute; com a alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ela construiu o gosto pelas verduras e legumes, condi&ccedil;&atilde;o essencial para efetivar o consumo; por&eacute;m destaca que a compra dos alimentos est&aacute; condicionada pela situa&ccedil;&atilde;o financeira e argumenta que o mesmo n&atilde;o ocorre com os medicamentos distribu&iacute;dos gratuitamente pelo servi&ccedil;o de sa&uacute;de. Quando faz compras, ela come &ldquo;direitinho&rdquo;, mas, quando o alimento acaba, ela &ldquo;dribla&rdquo; a norma de comer diariamente verduras e come o que tem em casa. Provavelmente ela n&atilde;o fraciona as refei&ccedil;&otilde;es no decorrer do dia ao dizer que sofre os sintomas da hipoglicemia. </p>     <p><b>Representa&ccedil;&otilde;es Sociais da Alimenta&ccedil;&atilde;o das Pessoas &ldquo;Inconformadas&rdquo;</b></p>     <p>Os participantes &ldquo;inconformados&rdquo; (n=6) representam a sua alimenta&ccedil;&atilde;o nas categorias negativas: n&atilde;o comer muito (n=2) e n&atilde;o comer de tudo (n=2). Duas participantes representam a sua alimenta&ccedil;&atilde;o no comer verduras, contudo na pr&aacute;tica comem os alimentos proibidos. </p>     <p><b>N&atilde;o comer muito.</b><i> </i>Para essa participante inconformada, o <i>n&atilde;o comer muito</i> significa n&atilde;o comer demais e n&atilde;o comer de menos. Isso significa:</p>     <p>&ldquo;Nunca fazer extravag&acirc;ncia. Quando comecei o tratamento, o m&eacute;dico me deu uma dieta para eu nunca fazer extravag&acirc;ncia e nunca fazer regime demais. Eu n&atilde;o fa&ccedil;o aquele regime, pois a pessoa que faz um regime rigoroso morre mais depressa&rdquo;.</p>     <p>As consequ&ecirc;ncias de fazer uma dieta rigorosa t&ecirc;m um significado dram&aacute;tico para essa participante inconformada, pois pode levar &agrave; morte precoce. Ela julga que a dieta n&atilde;o deve contemplar o excesso nem a escassez de alimentos. Na pr&aacute;tica ela pensa que n&atilde;o come muito:</p>     <p>&ldquo;Eu sinto bem, gra&ccedil;as a Deus. Nunca fazer uma dieta demais e nunca fazer extravag&acirc;ncia. Seguir o limite, do jeito que ele me ensinou, eu fa&ccedil;o. Eu fa&ccedil;o o exame e, se ele est&aacute; alto, eu controlo. De manh&atilde;, eu gosto de um peda&ccedil;o de p&atilde;o de sal com margarina, uma fatia fininha de queijo e caf&eacute; com ado&ccedil;ante. No almo&ccedil;o, eu como arroz, feij&atilde;o, peda&ccedil;o de carne, frango, almeir&atilde;o, alface. Eu custo a comprar doce para n&atilde;o comer. Eu gosto de doce de p&ecirc;ssego. Tomo suco com ado&ccedil;ante, mas n&atilde;o sou muito de suco. Costumo tomar refrigerante de lim&atilde;o com a&ccedil;&uacute;car. Tem dia que eu lancho: um biscoito, uma broinha, um cafezinho. Jantar, eu esquento, a mesma coisa&rdquo;. </p>     <p>Ancorada nas antinomias &ldquo;nunca fazer extravag&acirc;ncia&rdquo; e &ldquo;nunca fazer regime demais&rdquo;, essa participante n&atilde;o adere &agrave; dieta rigorosa, mas controla a alimenta&ccedil;&atilde;o a sua maneira - com base no resultado dos exames e nos conhecimentos que julga serem corretos - come doce e bebe refrigerante de vez em quando. Relata tomar o desjejum e, depois, almo&ccedil;ar, pr&aacute;tica que a distancia da recomenda&ccedil;&atilde;o de uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada para a pessoa com DM2. </p>     <p><b>N&atilde;o comer de tudo.</b><i> </i>Para os participantes inconformados o &ldquo;n&atilde;o comer de tudo&rdquo; foi constru&iacute;do nas restri&ccedil;&otilde;es, conforme relata uma pessoa com DM2: </p>     <p>&ldquo;N&atilde;o comer massa. Porque n&atilde;o podemos comer massa&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O discurso dessa participante pauta-se na cren&ccedil;a divulgada no senso comum segundo a qual as pessoas com DM2 n&atilde;o podem comer massas<i>.</i> Massas, p&atilde;es e legumes que nascem debaixo da terra foram prescritos como proibidos pelos m&eacute;dicos durante muito tempo at&eacute; o advento da insulina. Essa proibi&ccedil;&atilde;o constitui uma representa&ccedil;&atilde;o cristalizada, evidenciando o papel dos alimentos como portadores de significados simb&oacute;licos que permeiam o imagin&aacute;rio coletivo. A pr&aacute;tica alimentar dessa participante caracteriza-se pelas restri&ccedil;&otilde;es e pela falta de prazer:</p>     <p>&ldquo;Eu cortei o p&atilde;o e estou comendo biscoito cream cracker. Tomo leite desnatado. No intervalo, como banana, pera. Como arroz, feij&atilde;o, um pouquinho, bife e salada de verdura. Gosto muito de salada de verdura, couve crua, alface, almeir&atilde;o, verdura de folha, sempre eu fa&ccedil;o. &Agrave; tarde, eu como uma fruta. No lanche da noite, eu como biscoito com leite, caf&eacute; ou uma fruta. Se eu comer &agrave; noite, eu passo mal. Eu sinto muitas dores no corpo. Eu que fa&ccedil;o a comida. Mas comer direito, eu n&atilde;o me alimento bem. N&atilde;o fico com aquela vontade. Fa&ccedil;o, mas quando eu fa&ccedil;o, n&atilde;o gosto. Eu moro com o meu marido. Eu comeria melhor se fosse a comida de outra pessoa. N&atilde;o gosto muito de cozinhar&rdquo;. </p>     <p>Ela n&atilde;o come &agrave; noite e a obriga&ccedil;&atilde;o de preparar a comida diariamente traz para ela insatisfa&ccedil;&atilde;o. Dessa maneira, julga n&atilde;o comer direito. Para evitar as massas, uma cren&ccedil;a forte que permeia seu pensamento, ela substitui o p&atilde;o pelo biscoito <i>cream cracker,</i> um alimento do mesmo grupo, rico em gordura e conhecido no senso comum como alimento de dieta.</p>     <p><b>Comer verduras e frutas.</b> Ter o pensamento representacional nas verduras e frutas, n&atilde;o significa comer de forma saud&aacute;vel, pois a alimenta&ccedil;&atilde;o adequada deve conter aspectos qualitativos e quantitativos. Uma participante inconformada se pauta no &ldquo;comer verduras e frutas&rdquo;:</p>     <p>&ldquo;Eu como ma&ccedil;&atilde;, laranja, pera, banana. O meu regime tem suco e tem verdura. Eu como ma&ccedil;&atilde;, banana, laranja, de vez em quando uma pera. A ma&ccedil;&atilde; &eacute; a mais importante e depois vem a pera. Eu como bolo quando vou &agrave; casa de minha m&atilde;e. Eu moro com a minha menina e o meu marido e a&iacute; eu saio do regime. Eu tenho que controlar, eu tenho que comer um p&atilde;ozinho e almo&ccedil;ar. L&aacute; na casa da minha m&atilde;e eu desconto&rdquo;.</p>     <p>Essa participante depois de cumprir a regra que guia a alimenta&ccedil;&atilde;o no seu lar, comer verduras e frutas, ao visitar sua m&atilde;e, sai do &ldquo;regime&rdquo;, comendo os alimentos que n&atilde;o pode comer. Ela relata que come um p&atilde;ozinho e depois almo&ccedil;a, ficando muito tempo sem comer entre o desjejum e o almo&ccedil;o, pr&aacute;tica que pode elevar a glicemia. </p>     <p><b>Controle Glic&ecirc;mico do Grupo de Pessoas com DM2</b></p>     <p>Observa-se uma tend&ecirc;ncia de aumento das m&eacute;dias da HbA1c ao longo dos grupos distribu&iacute;dos na seguinte ordem: &ldquo;normal&rdquo;, &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;ter dificuldades&rdquo; e &ldquo;inconformado&rdquo; - resultados estatisticamente significativos a um p de 0,041 (<a href="#q1">Quadro 1</a> ). Verifica-se que somente os valores m&eacute;dios da HbA1c dos participantes &ldquo;normais&rdquo; encontram-se na faixa recomendada (&#8804; 7%). Aqueles que julgam &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a&rdquo;, os que &ldquo;t&ecirc;m dificuldade&rdquo; e os &ldquo;inconformados&rdquo; possuem os valores acima do preconizado (&#8805; 7%). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n2/19n2a11q1.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O</b></p>     <p>Os valores adequados da HbA1c dos participantes que se julgam &ldquo;normais&rdquo;<i> s&atilde;o </i>adequados e<i> </i>est&atilde;o relacionados com as a&ccedil;&otilde;es de autocuidado, permitindo inferir sobre a efic&aacute;cia a alimenta&ccedil;&atilde;o (Sousa,, Musil, Price, &amp; Davis, 2005 ; Sigh &amp; Press, 2008; ADA, 2014; Ortiz, Cabriales, Gonz&agrave;les, &amp; Meza, 2010) A alimenta&ccedil;&atilde;o adequada melhora a resist&ecirc;ncia &agrave; insulina, diminui os n&iacute;veis da glicose plasm&aacute;tica, da circunfer&ecirc;ncia abdominal e da gordura visceral melhorando o perfil metab&oacute;lico dos triglicer&iacute;deos e colesterol (Farshchi,Taylor, &amp; MacDonald, 2004; Sartorelli; Franco, &amp; Cardoso, 2006). </p>     <p>O modo particular como os participantes que julgam &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;ter dificuldades&rdquo; e &ldquo;inconformados&rdquo; realizam o autocuidado referente &agrave; pr&aacute;tica alimentar, derivou dos diferentes processos de subjetiva&ccedil;&atilde;o nos quais cada uma deles se ap&oacute;ia para construir suas representa&ccedil;&otilde;es sociais sobre a identidade e a alimenta&ccedil;&atilde;o e consequetemente possuir valores m&eacute;dios da HbA1c acima dos valores normais. </p>     <p>A seguir ser&atilde;o analisadas as implica&ccedil;&otilde;es das representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o dos participantes conforme representam a identidade</p>     <p><b>Participantes &ldquo;Normais&rdquo;</b></p>     <p>O fato dos participantes se verem como &ldquo;normais&rdquo;<i> </i>ao inv&eacute;s de doentes e representarem a alimenta&ccedil;&atilde;o da pessoa com DM2 como saud&aacute;vel pode levar ao desenvolvimento de atitudes positivas, de responsabiliza&ccedil;&atilde;o pela sua sa&uacute;de, instaurando comportamentos de autocuidado eficazes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e ao controle da glicemia (Silva, 2008; Torrez-L&oacute;pez, Sandoval-D&iacute;az, &amp; Pando-Moreno, 2005). A redu&ccedil;&atilde;o do estresse associado &agrave; doen&ccedil;a, maior receptividade ao tratamento, confian&ccedil;a da equipe multiprofissional, melhora da auto-estima, senso de auto-efic&aacute;cia, percep&ccedil;&atilde;o mais positiva sobre a sa&uacute;de e aceita&ccedil;&atilde;o social foi evidenciado por Steed, Cooke e Newman (2003).</p>     <p>As representa&ccedil;&otilde;es sociais-pr&aacute;ticas dos participantes &ldquo;normais&rdquo; est&atilde;o sintonizadas com os princ&iacute;pios da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel para as pessoas com DM2, segundo as quais para se alimentar de forma adequada deve-se contemplar o equil&iacute;brio entre a quantidade e a qualidade dos alimentos e ingerir os alimentos de forma fracionada (ADA, 2014). </p>     <p>Possivelmente os participantes &ldquo;normais&rdquo;<i> </i>passaram pela ruptura biogr&aacute;fica e pelo primeiro est&aacute;gio de adapta&ccedil;&atilde;o cotidiana do DM2, caracterizado por per&iacute;odos de equil&iacute;brio, seguido de fases de instabilidade com reca&iacute;das e per&iacute;odos de equil&iacute;brio. &Eacute; nessa fase que os participantes &ldquo;normais&rdquo; re(aprenderam) a se alimentar, resultado do conhecimento do que, do quanto, do como e do quando comer de forma flex&iacute;vel, com a possibilidade de consumir os alimentos de que se gosta, auxiliados pela fam&iacute;lia. Depois do per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o vem a normaliza&ccedil;&atilde;o da enfermidade e do cuidado, um processo em que as mudan&ccedil;as e adapta&ccedil;&otilde;es requeridas pelo tratamento se tornam rotineiras e a pessoa busca minimizar seu impacto no dia a dia, preservando seu equil&iacute;brio som&aacute;tico e psicol&oacute;gico (Charmaz, 2000), diminuindo o impacto da doen&ccedil;a sobre a identidade da pessoa (Kelleher, 1988). </p>     <p><b>Participantes que &ldquo;Aceitam a doen&ccedil;a&rdquo;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A despeito das diferentes raz&otilde;es pelas quais as pessoas aceitam a doen&ccedil;a e se veem como doentes resulta em atitudes de aceita&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos conflitos de v&aacute;rias ordens decorrentes da doen&ccedil;a que lhes acometem e as a&ccedil;&otilde;es de autocuidado. </p>     <p>No diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a a pessoa poder&aacute; perder a sua identidade, os estatutos sociais conferidos pelo estado civil, profiss&atilde;o, pelas diferentes perten&ccedil;as sociais para assumir a identidade de doente (Colli&egrave;re, 1999). O doente posiciona-se numa rela&ccedil;&atilde;o de desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o pela sua sa&uacute;de que implica em isen&ccedil;&atilde;o de responsabilidades sociais, impossibilidade de cuidado de si mesmo, desejo de ficar bem e dever de procurar e cooperar com o tratamento m&eacute;dico (Robison, 1971). Segundo Francioni e Silva (2002) o processo da aceita&ccedil;&atilde;o da identidade &ldquo;diab&eacute;tica&rdquo; e as suas consequ&ecirc;ncias s&atilde;o cr&iacute;ticas, mas insuficientes por si pr&oacute;prias, para a mudan&ccedil;a de comportamento subsequente das pessoas com DM2. </p>     <p>As atitudes de aceita&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e as representa&ccedil;&otilde;es sociais negativas referentes ao n&atilde;o comer muitas refei&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o comer de tudo dessas pessoas conduzem a um consumo elevado de alimentos numa mesma refei&ccedil;&atilde;o, devido ao n&atilde;o fracionamento da alimenta&ccedil;&atilde;o, cumprindo as pr&aacute;ticas alimentares que n&atilde;o devem ser realizadas. As representa&ccedil;&otilde;es sociais da alimenta&ccedil;&atilde;o desses participantes n&atilde;o est&atilde;o sintonizadas com os princ&iacute;pios da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel (ADA, 2014). </p>     <p>Pautar-se nas representa&ccedil;&otilde;es sociais para entender a experi&ecirc;ncia do adoecer dos participantes que julgam &ldquo;aceitar a doen&ccedil;a&rdquo; significa entender o modelo de Parsons, em que o doente cr&ocirc;nico pensa cumprir o papel de &ldquo;paciente&rdquo; passivo, ao seguir rigorosamente as normas proibitivas prescritas pelos profissionais que cuidam da sua sa&uacute;de. Esse participantes passaram pela ruptura biogr&aacute;fica, deixaram de se identificar como &ldquo;normais&rdquo; para constru&iacute;rem uma nova representa&ccedil;&atilde;o de pessoas doentes. </p>     <p><b>Participante que &ldquo;t&ecirc;m uma vida com dificuldades&rdquo;</b></p>     <p>Alguns participantes se v&ecirc;em com uma vida carregada de dificuldades e t&ecirc;m atitudes negativas e pessimistas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a e &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de autocuidado. As pessoas pessimistas esperam resultados negativos e tendem a atribuir os problemas das suas vidas - adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas, controle permanente de desejos e sensa&ccedil;&otilde;es e ansiedades a fatores gerais e externos (Anderson, Goddard, Garcia, Guzman, &amp; Vasquez, 1998; Snyder, Rand, &amp; Sigmon, 2002; Reiviche &amp; Guilham, 2003). &Eacute; poss&iacute;vel que essas pessoas ao confrontarem com as dificuldades n&atilde;o exer&ccedil;am esfor&ccedil;os continuados no sentido de alcan&ccedil;ar os seus objetivos, negligenciando o tratamento (Nichols &amp; Brow, 2003; Silva, Pais-Ribeiro, &amp; Cardoso, 2004). Essas pessoas apresentam agravamento do controle glic&ecirc;mico, pior ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica e risco aumentado de complica&ccedil;&otilde;es a longo prazo (Ciechanowski, Katon, &amp; Russo, 2000; Matos, 2000). </p>     <p>As atitudes negativas e pessimistas e as representa&ccedil;&otilde;es sociais relacionadas ao n&atilde;o comer muitas refei&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o comer de tudo, n&atilde;o seguir a dieta e comer verduras e frutas das pessoas que julgam &ldquo;ter dificuldades&rdquo; conduzem a uma alimenta&ccedil;&atilde;o inadequada associada a longos per&iacute;odos sem ingest&atilde;o de alimentos que podem contribuir para os n&iacute;veis elevados da glicemia desses participantes. Guiados pela representa&ccedil;&atilde;o &ldquo;ter uma vida com dificuldades&rdquo; eles revelam dificuldades em acatar as prescri&ccedil;&otilde;es proibitivas que receberam dos profissionais de sa&uacute;de. Eles julgam comer de forma correta e n&atilde;o reconhecem que suas dificuldades comprometem sua alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. Essas representa&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o est&atilde;o sintonizadas com os princ&iacute;pios da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel (ADA, 2014). </p>     <p>Pautar-se nas representa&ccedil;&otilde;es sociais para entender a experi&ecirc;ncia do adoecer dos participantes que julgam &ldquo;ter uma vida com dificuldades&rdquo; significa entender que o diagn&oacute;stico do DM2 acarreta muitas vezes um choque emocional para a pessoa que n&atilde;o est&aacute; preparada para conviver com as limita&ccedil;&otilde;es decorrentes da condi&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica, que quebra a harmonia org&acirc;nica e muitas vezes transcede a pessoa, interferindo na vida familiar e social (P&eacute;rez, Franco, Santos, &amp; Zanetti, 2008). Esses participantes passaram pela ruptura biogr&aacute;fica, deixaram de se identificar como normais para constru&iacute;rem uma nova representa&ccedil;&atilde;o deles pr&oacute;prios como pessoas que tem dificuldades de serem &ldquo;diab&eacute;ticos&rdquo;. Esses participantes julgam ter dificuldades, pois n&atilde;o conseguiram dar um sentido ao que lhes ocorre e tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiram reconstruir a sua identidade dependente inteiramente das intera&ccedil;&otilde;es sociais. </p>     <p><b>Participantes &ldquo;Inconformados&rdquo;</b></p>     <p><i> </i>Os inconformados t&ecirc;m atitudes de insatisfa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a, aos acontecimentos da sua vida cotidiana e as a&ccedil;&otilde;es de autocuidado requeridas. A revela&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico de DM2 pode levar ao sofrimento pela perda do <i>self</i> e uma luta para aceitar o novo <i>self </i>(Ockleford, Shaw, Willars, &amp; Dixon-Woods, 2008). O &ldquo;paciente&rdquo; com a sua nova identidade de doente atribui aos profissionais de sa&uacute;de o controle do seu tratamento e estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de obedi&ecirc;ncia, submiss&atilde;o, forte depend&ecirc;ncia e inatividade, fidelidade e lealdade (Carapinheiro, 1997; Ribeiro, 1998; Pa&uacute;l &amp; Fonseca, 2001; Serra, 2005). As pessoas com DM2 vivem sucessivas altera&ccedil;&otilde;es e estados de desequil&iacute;brio relacionados com altera&ccedil;&otilde;es biof&iacute;sicas e reajustamentos psicol&oacute;gicos que conduzem frequentemente a situa&ccedil;&otilde;es de desgaste e de insatisfa&ccedil;&atilde;o com a vida ao assumir a rotina de autocuidado (Amorim &amp; Coelho, 2008). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As atitudes de insatisfa&ccedil;&atilde;o e as representa&ccedil;&otilde;es sociais negativas referentes ao n&atilde;o comer muito e n&atilde;o comer de tudo das pessoas inconformadas proporcionam a instaura&ccedil;&atilde;o de comportamentos de n&atilde;o controle e n&atilde;o fracionamento da alimenta&ccedil;&atilde;o que podem contribuir para os n&iacute;veis elevados da glicemia desses participantes. Essas representa&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o est&atilde;o sintonizadas com os princ&iacute;pios da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel (ADA, 2014). </p>     <p>Pautar-se nas representa&ccedil;&otilde;es sociais para entender a experi&ecirc;ncia do adoecer dos participantes que julgam &ldquo;inconformados&rdquo; significa resgatar a ruptura biogr&aacute;fica e a constru&ccedil;&atilde;o da identidade. Os sentimentos de desconforto, insatisfa&ccedil;&atilde;o, repress&atilde;o, baixa auto-estima e falta de prazer os impedem de construir a identidade de &ldquo;ser normal&rdquo;. A pessoa com DM2 no transcorrer do tratamento, vivencia sentimentos e comportamentos que dificultam a aceita&ccedil;&atilde;o de sua condi&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica de sa&uacute;de, e, consequentemente a ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos saud&aacute;veis que permitam lidar com as limita&ccedil;&otilde;es da enfermidade (P&eacute;rez, Franco, Santos, &amp; Zanetti, 2008).).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Abric, J-C. A. (1998). A abordagem estrutural das representa&ccedil;&otilde;es sociais. In: Moreira, A.S.P.; &amp; Oliveira, D.C. <i>Estudos</i><i> interdisciplinares de representa&ccedil;&atilde;o social. </i><i>( </i>pp. 27-38). Goi&acirc;nia: Ed. AB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555036&pid=S1645-0086201800020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>ADA. American Diabetes Association (2014). Standarts of medical care in diabetes. <i>Diabetes</i><i> Care</i>, 37 (Supllem. 1), 514-580. doi:10.2337/dc14-S014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555038&pid=S1645-0086201800020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Amorim, I. L. &amp; Coelho, R. (2008). Diabetes mellitus tipo 2 e sintomas psicopatol&oacute;gicos. <i>Psicologia, Sa&uacute;de &amp; Doen&ccedil;as</i>, 9 (2), 319-333.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555040&pid=S1645-0086201800020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Amorim, M.M.A., Ramos, N., Brito, M.J.M. &amp; Gazzinelli, M. F. (2014). Identity Representations of People With Diabetes. <i>Qualitative Health Research</i>, 24, 913-922. doi: 10.1177/1049732314539577&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555042&pid=S1645-0086201800020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Anderson, R. M., Goddard, C. E., Garcia, R., Guzman, J.R., &amp; Vasquez, F. (1998). Using focus groups to identify diabetes care and education issues for Latinos with diabetes. <i>Diabetes Educator</i>, <i>24</i>, 616-625. doi:10.1177/014572179802400507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555043&pid=S1645-0086201800020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (2010). <i>An&aacute;lise do conte&uacute;do</i>. Lisboa, Portugal: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555045&pid=S1645-0086201800020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (1996). <i>Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de sobre diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos </i>Bras&iacute;lia, Brasil: Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, 10 de outubro de 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555047&pid=S1645-0086201800020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bury, M. (1982). Chronic illness as biographical disruption. <i>Sociology of Health and Illness</i>, <i>4</i>, 167-182. doi:10.1111/1467-9566.ep11339939.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555049&pid=S1645-0086201800020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carapinheiro, G. (1987). Cen&aacute;rios de estrat&eacute;gias m&eacute;dicas no hospital. <i>Critical Review of Science Social</i>, <i>23</i>, 141-156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555051&pid=S1645-0086201800020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Charmaz, K. Experiencing chronic illness. (2000). In: Alabrecht, G.; Fitzpatrick, R., Scrimshamw, S. (Eds.) <i>The handobook of social sciences studies in health and medicine</i>, (pp. 275-292). London: Sage.</p>     <!-- ref --><p>Cienchanowski, P. S., Katon, W. J. &amp; Russo, J. O. (2000). Depression and diabetes: impacto of depressives symptoms on adherence, function and costs. <i>Archivos of Internal Medicine,</i> 160, 3278-3285. doi:10.1001/archinte.160.21.3278.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555054&pid=S1645-0086201800020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Colli&egrave;re, M-F. (1999). <i>Promover a vida</i>. 3&ordf; ed. Lisboa, Portugal: Ed. Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555056&pid=S1645-0086201800020001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cyrino, A. P. (2009). <i>Entre a ci&ecirc;ncia e a experi&ecirc;ncia -</i>uma cartografia do autocuidado em diabetes. S&atilde;o Paulo, Brasil: Editora da Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555058&pid=S1645-0086201800020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deschamps, J.-C., &amp; Moliner, P. (2009). <i>A identidade em psicologia s&oacute;cia - </i>dos processos identit&aacute;rios &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es sociais. Petr&oacute;polis, Brasil: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555060&pid=S1645-0086201800020001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Farshchi, H., Taylor, M. &amp; McDonald, I. (2004).Regular meal frequency creates more appropriate insulin sensitivity and lipid profiles compared with irregular meal frequency in healthy lean women. European Journal of Clinical Nutrition58, 1071-1077. doi:10.1038/sj.ejcn.1601935.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555062&pid=S1645-0086201800020001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Francioni, F.F.&amp; Silva, D.M.G. (2002). O Processo de aceita&ccedil;&atilde;o em viver com diabetes mellitus: considera&ccedil;&atilde;o sobre a influ&ecirc;ncia do meio ambiente. <i>Texto Contexto &amp; Enfermagem</i>, 11 (3), 36-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555064&pid=S1645-0086201800020001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kelleher, D. (1988). <i>Diabetes</i><i>.</i> London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555066&pid=S1645-0086201800020001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Matos, A. P. (2000). Estudo de alguns aspectos emocionais e cognitivos na Diabetes. <i>Psiquiatria</i><i> Cl&iacute;nica</i>, 21 (3), 173-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555068&pid=S1645-0086201800020001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Moscovici, S. (2012). <i>A psican&aacute;lise, sua imagem e seu p&uacute;blico. </i>Petr&oacute;polis, Brasil: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555070&pid=S1645-0086201800020001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Motta, D. G. (2009). <i>Educa&ccedil;&atilde;o</i><i> nutricional &amp; diabetes tipo 2 -</i> compartilhando saberes, sabores e sentimentos. Piracicaba, Brasil: Jacinta Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555072&pid=S1645-0086201800020001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Nichols, G. N. &amp; Brown, J. B. (2003). Unadjusted and adjusted prevalence of diagnosed depression in type 2 diabetes. <i>Diabetes</i><i> Care,</i> 26, 744-749. doi:10.2337/diacare.26.3.744.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555074&pid=S1645-0086201800020001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ockleford, E., Shaw, R. L., Willars, J. &amp; Dixon-Woods, M. (2008). Education and self-management for people newly diagnoses with type 2 diabetes: a qualitative study of patients`views. <i>Chronic </i><i>Illnes</i>, 4, 28-37. doi: 10.1177/1742395307086673.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555076&pid=S1645-0086201800020001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ortiz, L. G. C., Cabriales, E. C. G., Gonz&agrave;les, J. G. G. &amp; Meza, M. V. G. (2010). Condutas de autocuidado e indicadores de sa&uacute;de em adultos com diabetes tipo 2. <i>Revista Latino-Americana de Enfermagem,</i> 18, 675-680. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692010000400003" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692010000400003</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555078&pid=S1645-0086201800020001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pa&uacute;l, C., Fonseca, A. (2001). <i>Psicossociologia</i><i> da Sa&uacute;de</i>. Lisboa, Portugal: CLIMEPSI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555080&pid=S1645-0086201800020001100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>P&eacute;rez, D. S., Franco, L. J., Santos, M. A. &amp; Zanetti, M. L. (2008). Representa&ccedil;&otilde;es sociais de mulheres diab&eacute;ticas, de camadas populares, em rela&ccedil;&atilde;o ao processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a. <i>Revista Latino-Americana Enfermagem</i>, 16, 389-395. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000300009" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000300009</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555082&pid=S1645-0086201800020001100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Pontieri, F. M. &amp; Bachion, M. M. (2010). Cren&ccedil;as de pacientes diab&eacute;ticos acerca da terapia nutricional e sua influ&ecirc;ncia na ades&atilde;o ao tratamento. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva</i>, 15, 151-160, 2010. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000100021" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000100021</a>.</p>     <!-- ref --><p>Reivich, K. &amp; Guilham, J. (2003). Learned optimism the measurement of explanation style. In: S.J Lopez, C.R Snyder. (Eds.). <i>Positive psychology assessment</i>. A handbook of models and measures (pp.57-74). USA: American Pshycological Association.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555085&pid=S1645-0086201800020001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, J. L. P. (1998). <i>Psicologia</i><i> e Sa&uacute;de</i>. Lisboa, Portugal: CLIMEPSI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555087&pid=S1645-0086201800020001100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Robinson, D. (1971). <i>The process of becoming ill</i>. Londres: Routeledge &amp; Kegan Paul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555089&pid=S1645-0086201800020001100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Sartorelli, D. S., Franco, L. J. &amp; Cardoso, M. A. (2006). Interven&ccedil;&atilde;o nutricional e preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria do diabetes mellitus tipo 2: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica<i>. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica,</i> 22, 7-18. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006000100002" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006000100002</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555091&pid=S1645-0086201800020001100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Serra, M. N. (2005). <i>Aprender</i><i> a ser doente</i> - processos de aprendizagem de doentes em internamemento hospitalar. Loures, Portugal: Lusoci&ecirc;ncia.</p>     <!-- ref --><p>Silva, L. S. (2008). <i>Saber</i><i> pr&aacute;tico de sa&uacute;de</i> - as l&oacute;gicas do saud&aacute;vel no cotidiano. Porto, Portugal: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555094&pid=S1645-0086201800020001100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, I., Pais-Ribeiro, J., &amp; Cardoso, H. (2004). Dificuldade em perceber o lado positivo da vida? Stresse em doentes diab&eacute;ticos com e sem complica&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas da doen&ccedil;a. <i>Psychological Analysis</i>, <i>3</i>(22), 597-605.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555096&pid=S1645-0086201800020001100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sigh, R. &amp; Press, M. (2008). Clinical care and delivery can we predict future improvement in glycaemic control? <i>Diabetic Medicine. </i>25, 170-173. doi: 10.1111/j.1464-5491.2007.02309.x.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555098&pid=S1645-0086201800020001100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Snyder, C. R., Rand, K. L. &amp; Sigmon, D. R. (2002). Hope theory. In: C.R Snyder, S.J. Lopez (Eds.). <i>Handbook of positive psychology. 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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Os autores agradecem o financiamento da<b> </b>Capes Demanda<b> </b>Social e Capes - Proc. BEX 4757/11-4.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 15 de Janeiro de 2016/ Aceite em 27 de Fevereiro de 2018</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>      ]]></body><back>
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