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<article-id pub-id-type="doi">10.15309/18psd190216</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A morte e o morrer no processo de formação do enfermeiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this study is to unveil the meanings of death and dying experienced by 10 teachers and 22 students of the Nursing Course of the State University of Rio Grande do Norte. This is a descriptive, exploratory study with a qualitative approach. Four thematic areas of this study emerged, being: Sensations and Feelings when experiencing the process of Death and Dying; The experiences of nursing teaching practices before death and dying; Faith and literature as support found to deal with situations of death and dying; and Nursing training and preparation for experiencing death and dying. Results showed that the students and teachers of nursing feel unprepared to experience the processes of death and to die in the daily life of their teaching and learning practices, evidencing the little preparation that they obtained during their academic formation to face such situations as professionals of the Health area.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>A morte e o morrer no processo de forma&ccedil;&atilde;o do enfermeiro</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Death and dying in the process of nursing education</b></font></p>     <p><b>Ant&ocirc;nia Mar&iacute;lia Praxedes<sup>1</sup>, Janieiry Lima de Ara&uacute;jo<sup>1</sup>, Ellany Gurgel Cosme do Nascimento<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, CEP 59900-000, Pau dos Ferros/RN, Brasil.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo do presente estudo &eacute; desvelar os significados da morte e morrer vivenciados por 10 docentes e 22 discentes do Curso de Enfermagem, da Universidade do Estado do Rio grande do Norte. Trata-se de um estudo descritivo, explorat&oacute;rio, com abordagem qualitativa. Emergiram quatro &aacute;reas tem&aacute;ticas desse estudo, sendo elas: Sensa&ccedil;&otilde;es e Sentimentos ao vivenciar o processo de Morte e Morrer; As experi&ecirc;ncias das pr&aacute;ticas do ensino de enfermagem diante da morte e do morrer; A f&eacute; e a literatura como apoio encontrado para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer; e A forma&ccedil;&atilde;o de enfermagem e o preparo para vivenciar a morte e o morrer. Verificou-se que os discentes e docentes de enfermagem sentem-se despreparados para vivenciar os processos de morte e morrer no cotidiano de suas pr&aacute;ticas de ensino e aprendizagem, evidenciando o pouco preparo que estes obtiveram ao longo de sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica para enfrentarem tais situa&ccedil;&otilde;es enquanto profissionais da &aacute;rea da sa&uacute;de.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> morte, atitude frente &agrave; morte, estudantes de enfermagem, enfermagem educa&ccedil;&atilde;o em enfermagem</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The objective of this study is to unveil the meanings of death and dying experienced by 10 teachers and 22 students of the Nursing Course of the State University of Rio Grande do Norte. This is a descriptive, exploratory study with a qualitative approach. Four thematic areas of this study emerged, being: Sensations and Feelings when experiencing the process of Death and Dying; The experiences of nursing teaching practices before death and dying; Faith and literature as support found to deal with situations of death and dying; and Nursing training and preparation for experiencing death and dying. Results showed that the students and teachers of nursing feel unprepared to experience the processes of death and to die in the daily life of their teaching and learning practices, evidencing the little preparation that they obtained during their academic formation to face such situations as professionals of the Health area.</p>     <p><b>Keywords:</b> death, attitude towards death, nursing students, nursing, education in nursing</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Para a humanidade a experi&ecirc;ncia com a morte e o morrer &eacute; complexa de ser compreendida e aceita. Cada sociedade v&ecirc; esses eventos de diversos olhares. Tal situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; intimamente ligada ao medo do desconhecido, expressado na concep&ccedil;&atilde;o da finitude da vida, que traz grande temor e nega&ccedil;&atilde;o. Presente em todas as cren&ccedil;as, valores e culturas, a morte &eacute; um dos maiores enigmas que povoa o pensar da humanidade (Ribeiro, 2008).</p>     <p>O significado dado &agrave; morte e o morrer sofreu diversas mudan&ccedil;as nas diferentes sociedades. Tais modifica&ccedil;&otilde;es, no modo de encar&aacute;-la, ocorreram de acordo com cada fase hist&oacute;rica da organiza&ccedil;&atilde;o sociocultural humana. O processo morte/morrer n&atilde;o &eacute; apenas um acontecimento biol&oacute;gico, mas sim, um fato constru&iacute;do socialmente e historicamente (Menezes, 2004). A morte n&atilde;o &eacute; um drama unicamente pessoal, mas de uma comunidade que, s&uacute;bita ou lentamente, v&ecirc; um membro deixar de desempenhar um papel social definido. Um dos aspectos mais marcantes da morte &eacute; o impacto emocional que ela causa nos sobreviventes (Muniz, 2012). </p>     <p>Os estudos que abrangem a tem&aacute;tica existem desde os prim&oacute;rdios da hist&oacute;ria da humanidade, as especula&ccedil;&otilde;es sobre a verdade sobre o tema povoam o pensamento humano desde a Idade M&eacute;dia at&eacute; a contemporaneidade. A morte e o morrer para o homem medieval eram vividos de modo pac&iacute;fico, uma vez que o individuo se sentia acolhido pela comunidade e pelas cren&ccedil;as religiosas: a morte era um evento corriqueiro e familiar (Ari&egrave;s, 2003)<sup>.</sup> </p>     <p>Na sociedade moderna, a morte &eacute; um evento familiar, o seu entendimento remete a compreens&atilde;o cultural das cren&ccedil;as de cada grupo social. Ser algo comum n&atilde;o a caracteriza como um acontecimento passivo, pelo contr&aacute;rio, o medo sobre os reais acontecimentos/sentimentos que a cercam fazem com que o homem adquira repulsa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o natural da morte (Menezes, 2004). </p>     <p>Com os avan&ccedil;os das ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas, a morte se tornou um evento previs&iacute;vel e frequente. As repercuss&otilde;es geraram a nega&ccedil;&atilde;o e o isolamento social em torno do evento. O morrer passou a ser controlado pela medicina que busca incansavelmente o seu controle. Aos m&eacute;dicos, e demais profissionais, lhes foram atribu&iacute;dos &agrave; capacidade, mediante os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos das ci&ecirc;ncias, de diminu&iacute;rem as taxas de mortalidade, consequentemente, a responsabilidade pelo prolongamento da vida. A morte deixa de ser um evento corriqueiro, natural, parte da vida existencial, para ser um evento de altera&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gico, advindo, por consequ&ecirc;ncia, do acometimento por doen&ccedil;a grave. O momento que marca o fim da vida sai do conv&iacute;vio familiar e sua ocorr&ecirc;ncia passa a ser compartilhada com terapeutas e cuidadores em ambiente hospitalar (Elias, 2001)<sup>.</sup> </p>     <p>A concep&ccedil;&atilde;o de morte e do morrer assumida pelos profissionais de sa&uacute;de quando atuando nos ambientes hospitalares, local comum onde o evento morte ocorre. A necessidade do enfrentamento diante da terminalidade da vida &eacute; frequente para aqueles que cuidam dos que sofrem e vivencia o morrer, em especial, os profissionais da enfermagem, respons&aacute;veis direto pelo cuidado dos pacientes (Salom&eacute;, Cavali, &amp; Esp&oacute;sito, 2009).</p>     <p>O cuidado de enfermagem n&atilde;o se constitui numa tarefa simples, a viv&ecirc;ncia com os processos de adoecimento e morte das pessoas, implica a necessidade de uma prepara&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica baseada na aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e habilidades que tornem os profissionais aptos a prestar um cuidado humanizado desde a concep&ccedil;&atilde;o humana, o nascimento, o viver, o morrer e no p&oacute;s-morte (Oliveira &amp; Amorim, 2008). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Deste modo discutir a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais enfermeiros, diante do cuidado com o processo morrer e a morte em si, &eacute; garantir ao indiv&iacute;duo seus direitos de cidadania e dignidade. Para que a assist&ecirc;ncia prestada seja de qualidade e humanizada &eacute; necess&aacute;rio instrumentalizar os estudantes, ainda em processo de forma&ccedil;&atilde;o, para lidar com o morrer, o que, por consequ&ecirc;ncia, amenizaria os anseios e as dificuldades para prestar os cuidados de enfermagem e o preparo para a morte diante da efetiva&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de que tratam diretamente do tema no Brasil (Ribeiro, 2008).</p>     <p>Diante do exposto, esta pesquisa teve como objetivo conhecer as concep&ccedil;&otilde;es dos docentes e discentes sobre a forma&ccedil;&atilde;o do enfermeiro em se tratando do cuidado de enfermagem diante da morte e do morrer.</p>     <p><b>M&Eacute;TODO</b></p>     <p>Estudo explorat&oacute;rio, com abordagem qualitativa, desenvolvida no munic&iacute;pio de Pau dos Ferros/RN, localizado no Estado do Rio Grande do Norte, na Regi&atilde;o Nordeste do Brasil. Situa-se na microrregi&atilde;o hom&ocirc;nima e mesorregi&atilde;o do Alto Oeste Potiguar, h&aacute; 410 quil&ocirc;metros a oeste da capital do Estado, Natal (IDEMA, 2011). O local de estudo foi a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), especificamente, o Campus Avan&ccedil;ado Prof&ordf;. Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM) situado nesta cidade. </p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>A amostra &eacute; constitu&iacute;da por 32 sujeitos pertencentes a 2 grupos:</p>     <p>Grupo 1: Docentes do curso de enfermagem CAMEAM/UERN.</p>     <p>Grupo 2: Discentes do curso de enfermagem CAMEAM/UERN.</p>     <p>Como crit&eacute;rio de inclus&atilde;o - Grupo 1: (1) Ser membro do quadro docente do Curso de Enfermagem. (2) Ter ministrado ou Estar ministrando as disciplinas &ldquo;Est&aacute;gio Curricular Supervisionado I, II, III e IV&rdquo; desde a cria&ccedil;&atilde;o do Curso. Como crit&eacute;rio de exclus&atilde;o - Grupo 1: (1) Est&aacute; afastado da fun&ccedil;&atilde;o docente por qualquer motivo. </p>     <p>Ao final do refinamento da amostra pelos crit&eacute;rios inclusivos e exclusivos, estavam aptos para a realiza&ccedil;&atilde;o da coleta de dados, 10 docentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como crit&eacute;rio de inclus&atilde;o - Grupo 2: (1) Ser discente regularmente matriculado no Curso de Enfermagem do CAMEAM/UERN; (2) Estar matriculado nas disciplinas &ldquo;Est&aacute;gio Curricular Supervisionado III e IV&rdquo;. Como crit&eacute;rios de exclus&atilde;o - Grupo 2: (1) Alunos afastados das atividades acad&ecirc;micas devido atestado m&eacute;dico ou de outra natureza por ocasi&atilde;o da coleta de dados; (2) Impossibilidade de responder a entrevista em consequ&ecirc;ncia de alguma doen&ccedil;a tempor&aacute;ria; (3) Alunos em processo de trancamento, movimenta&ccedil;&atilde;o interna ou abandono do curso.</p>     <p>Ao final do refinamento da amostra, pelos crit&eacute;rios inclusivos e exclusivos, estavam aptos para a realiza&ccedil;&atilde;o da coleta de dados, 22 discentes.</p>     <p><i>Material</i></p>     <p>A entrevista individual foi o instrumento de coleta de dados utilizado. Para cada grupo um roteiro semiestruturado fora organizado para o melhor alcance dos objetivos da pesquisa.</p>     <p>Os questionamentos aos participantes giraram em torno dos seguintes pontos: os sentimentos envolvidos em lidar com a morte de pessoa pr&oacute;xima; as concep&ccedil;&otilde;es e sensa&ccedil;&otilde;es sobre o processo de morte e morrer; o preparo para vivenciar a morte e o morrer; como a tem&aacute;tica est&aacute; sendo abordada no curso de gradua&ccedil;&atilde;o em enfermagem (processo ensino/aprendizagem); o preparo dos acad&ecirc;micos de enfermagem para o cuidar ao presenciar a morte/morrer e como os docentes reagem ao vivenciar o processo de morte-morrer.</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>A entrevista individual foi o instrumento de coleta de dados utilizado. Os questionamentos aos participantes giraram em torno dos seguintes pontos: sentimentos envolvidos em lidar com a morte de pessoa pr&oacute;xima; concep&ccedil;&otilde;es e sensa&ccedil;&otilde;es sobre o processo de morte e morrer; preparo para vivenciar a morte e o morrer; como a tem&aacute;tica est&aacute; sendo abordada no curso de gradua&ccedil;&atilde;o em enfermagem (processo ensino/aprendizagem); preparo dos acad&ecirc;micos de enfermagem para o cuidar ao presenciar a morte/morrer e como os docentes reagem ao vivenciar o processo de morte-morrer.</p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas seguiu as fases: agendamento individual da entrevista com cada participante. O convite foi atrav&eacute;s de contato telef&ocirc;nico ou E-mail. No dia agendado pelo participante realizou-se a explica&ccedil;&atilde;o dos objetivos, metodologia, riscos e benef&iacute;cios da pesquisa. O local da grava&ccedil;&atilde;o foi escolhido pelo sujeito. Este local seguro e confort&aacute;vel e possibilitou que a entrevista n&atilde;o fosse interrompida e, que somente o pesquisador e o entrevistado estivessem presentes.</p>     <p>Ap&oacute;s o esclarecimento sobre o estudo, o participante assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE, atestando a participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria do discente ou docente. Seguiu-se, assim a grava&ccedil;&atilde;o das entrevistas com auxilio de minigravador digital. </p>     <p>O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica e Pesquisa (CEP) da UERN, que avaliou sua adequa&ccedil;&atilde;o as normas brasileiras que regulamentam as pesquisas com seres humanos. O parecer consubstanciado foi emitido em 25 de Janeiro de 2013, sob o CAAE (Certificado de Apresenta&ccedil;&atilde;o para Aprecia&ccedil;&atilde;o &Eacute;tica) n&ordm; 10807112.7.0000.5294. Portanto, o estudo est&aacute; em conformidade com a Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 466/12 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de (CNS).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A</i><i>n&aacute;lise de dados</i></p>     <p>A an&aacute;lise dos dados transcorreu atrav&eacute;s da &ldquo;An&aacute;lise Tem&aacute;tica&rdquo;, proposta por Minayo. Esta se processou de acordo com as quatro seguintes etapas: (1) Pr&eacute;-an&aacute;lise; (2) Explora&ccedil;&atilde;o do Material; (3) Tratamento dos Resultados e (4) Interpreta&ccedil;&atilde;o (Minayo, 2007). </p>     <p>Os resultados compilados dos depoimentos colhidos, sequencialmente &agrave; an&aacute;lise dos dados, fizeram surgir os seguintes temas de an&aacute;lise: 1) Sensa&ccedil;&otilde;es e Sentimentos ao vivenciar o processo de Morte e Morrer; 2) As experi&ecirc;ncias das pr&aacute;ticas do ensino de enfermagem diante da morte e do morrer; 3) A f&eacute; e a literatura como apoio encontrado para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer e 4) A forma&ccedil;&atilde;o de enfermagem e o preparo para vivenciar a morte e o morrer.</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>Os discentes encontravam-se 68% (15) entre 20 &agrave; 25 anos e 32%(7) entre 25 &agrave; 35 anos. Os docentes estavam graduados h&aacute; entre 4 a 9 anos 70% (7) e 30% (3) entre 10 a 17 anos. Com rela&ccedil;&atilde;o ao tempo de atua&ccedil;&atilde;o como docente 50%(5) menos de 05 anos e 50% (5) entre 5 a 7 anos. </p>     <p>As concep&ccedil;&otilde;es sobre a morte e o morrer dos discentes e docentes de Enfermagem, nos possibilitou melhor conhecer/entender o processo de forma&ccedil;&atilde;o do enfermeiro para lidar com a morte e o morrer. </p>     <p><b>Sensa&ccedil;&otilde;es e Sentimentos ao vivenciar o processo de Morte e Morrer</b></p>     <p>Disp&otilde;e sobre as sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos que vivenciaram ao enfrentar situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer ao longo das suas vidas. Aproximadamente em sua totalidade, observou-se que tais eventos s&atilde;o acompanhados por grande tristeza e perda. A morte e o morrer s&atilde;o vistos como situa&ccedil;&otilde;es carregadas de negatividade e revolta. Em geral, as pessoas n&atilde;o aceitam a morte o morrer.</p>     <p>Dos 10 docentes, 07 j&aacute; passaram por situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer em suas vidas, vivenciadas com sentimentos de tristeza e negativismo. Para os discentes, as sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos se assemelham, dos 22 discentes 21 deles assumem que vivenciaram a morte e morrer em suas vidas. </p>     <p><i>De extrema tristeza, em primeiro momento, e de revolta pela quest&atilde;o da morte mesmo, aquele momento de nega&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o, n&atilde;o acredito) e depois foi mais aquela revolta pela quest&atilde;o social</i>. (DOCENTE A)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A minha principal sensa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da pena, foi &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o poder fazer nada, v&ecirc; que quem esta ao seu redor vai sofrer, principalmente quem morava com essa pessoa que faleceu, vai sofrer tanto e voc&ecirc; n&atilde;o pode fazer nada, sensa&ccedil;&atilde;o de impot&ecirc;ncia</i>. (DOCENTE C).</p>     <p>[...] <i>eu nunca me acostumo com o fato da terminalidade da vida. Eu sempre sinto o baque, e eu sempre me permito elaborar meu luto, na propor&ccedil;&atilde;o e tempo certo do que deve ser.</i> (DOCENTE J)</p>     <p><i>Tristeza, a falta de um apoio n&eacute;, que nunca ningu&eacute;m chegou pra mim e tentou me confortar. Eu sempre aguento a dor s&oacute;, calado, ent&atilde;o &eacute; um problema dif&iacute;cil [...] &Eacute; uma angustia forte</i>. (DISCENTE B).</p>     <p>[...] <i>&eacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de impot&ecirc;ncia, &eacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de culpa mesmo, voc&ecirc; acha que realmente voc&ecirc; poderia ter feito alguma coisa quando voc&ecirc; n&atilde;o pode e voc&ecirc; quer entender</i>. (DISCENTE D).</p>     <p><i>Tristeza, impot&ecirc;ncia [...] voc&ecirc; vendo uma pessoa assim e voc&ecirc; n&atilde;o poder fazer nada, eu me lembro de que eu chorei muito, demais. </i>(DISCENTE E).</p>     <p><i>Ang&uacute;stia &eacute; o que se sente e, tipo quando voc&ecirc; tenta imaginar que aquela pessoa n&atilde;o vai mais estar presente e principalmente quando a pessoa tem certo v&iacute;nculo com voc&ecirc; e voc&ecirc; acaba se angustiando porque voc&ecirc; vai ficar sem o conv&iacute;vio, sem aquilo que voc&ecirc; tinha dela. &Eacute; mesmo a quest&atilde;o da ang&uacute;stia e mais nada</i> (DISCENTE F).</p>     <p><i>Primeiro a pessoa n&atilde;o aceita e depois voc&ecirc; fica com aquela sensa&ccedil;&atilde;o de que poderia ter feito mais, assim, que poderia ter passado mais tempo com aquela pessoa, que voc&ecirc; poderia ter dito mais alguma coisa, que voc&ecirc; poderia ter convivido mais com ela. A&iacute; voc&ecirc; sente aquela sensa&ccedil;&atilde;o de tristeza, de n&atilde;o poder mais, de tomar certas atitudes que voc&ecirc; queria ter, mas que n&atilde;o deu tempo</i>.( DISCENTE T)</p>     <p>[...] <i>quando voc&ecirc; tem a sua primeira perca voc&ecirc; fica triste e voc&ecirc; &agrave;s vezes pensa assim: ser&aacute; que se eu tivesse cuidado mais desse paciente ele tinha chegado &agrave; &oacute;bito? Ser&aacute; que realmente eu fiz tudo que tinha de ser feito praquele paciente? Ser&aacute; que eu negligenciei algum sintoma, algum sinal que ele tinha que eu n&atilde;o percebi que poderia ter me ajudado no diagn&oacute;stico mais preciso, um tratamento mais preciso?</i> (DISCENTE L).</p>     <p><b>As experi&ecirc;ncias das pr&aacute;ticas do ensino de enfermagem diante da morte e do morrer</b></p>     <p>Enfatiza as pr&aacute;ticas de ensino de enfermagem diante da morte e do morrer, vivenciadas pelos docentes, e ainda, como os discentes tem encarado esses aprendizados durante sua forma&ccedil;&atilde;o. Informa&ccedil;&otilde;es captadas a partir da indaga&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<i>Descreva o que tem sido para voc&ecirc; vivenciar a morte e o morrer em sua pr&aacute;tica docente?&rdquo;. </i>Os seguintes relatos surgiram:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Na minha pr&aacute;tica eu vi poucas pessoas morrerem, vivenciar o processo de morrer eu vivenciei de duas apenas. Uma na minha &eacute;poca que ainda n&atilde;o era de forma&ccedil;&atilde;o era de est&aacute;gio, que eu fiquei totalmente revoltada pelo descaso dos profissionais de sa&uacute;de com o paciente [...]. E a segunda morte aconteceu agora, eu estava acompanhando uns alunos no est&aacute;gio de Semiologia e Semiot&eacute;cnica, e que eu vivenciei a mesma coisa, o mesmo sentimento de descaso, o m&eacute;dico n&atilde;o quis fazer o atendimento de emerg&ecirc;ncia, o ambu n&atilde;o estava pronto, n&atilde;o tem carrinho de emerg&ecirc;ncia, n&atilde;o tem medica&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia. (DOCENTE A).</i></p>     <p><i>No inicio quando eu comecei a trabalhar no hospital que onde se presencia mais, eu tive mais dificuldade. [...] Hoje em algumas situa&ccedil;&otilde;es eu j&aacute; encaro com uma naturalidade maior</i>. (DOCENTE E).</p>     <p><i>&Eacute; algo que me incomoda. Se eu for contar para voc&ecirc; a minha trajet&oacute;ria sobre o processo de morrer eu diria que na gradua&ccedil;&atilde;o, eu diria que eu me dava melhor com meus sentimentos em rela&ccedil;&atilde;o a esse processo.</i> (DOCENTE G).</p>     <p><i>A gente vai vivenciando, amadurecendo. Existem situa&ccedil;&otilde;es que voc&ecirc; fica sem saber o que fazer</i>. (DOCENTE H)</p>     <p>Os discentes externaram suas percep&ccedil;&otilde;es de maneira semelhantes as do grupo anterior, ficando evidente o sentimento de insatisfa&ccedil;&atilde;o com o cuidado de sa&uacute;de prestado e impot&ecirc;ncia com o descaso com a vida humana. A morte n&atilde;o recebe um cuidado de sa&uacute;de com dignidade e qualidade. Tais afirma&ccedil;&otilde;es podem ser comprovadas nas falas a seguir: </p>     <p>[...] <i>a sensa&ccedil;&atilde;o foi assim, uma perda estranha porque eu estava sentido que o paciente estava parado, estava preocupado, nervoso e ao mesmo tempo eu via alguns profissionais que n&atilde;o estavam nem a&iacute;, muito na rotina, conversando at&eacute; sobre outros assuntos normais de economia, festas, compra de algum objeto</i>. (DISCENTE A).</p>     <p>[...] <i>s&oacute; nesse est&aacute;gio, que a gente est&aacute; tendo agora, aqui no hospital eu presenciei dez fal&ecirc;ncias. [...] todas foram muito importantes, porque eu vejo cada paciente aqui, se ele precisa da minha ajuda e eu vejo como se fosse eu naquela cama e tento dar o m&aacute;ximo de mim, mesmo n&atilde;o sendo bom em tudo, mas eu tento dar o m&aacute;ximo</i>. (DISCENTE B).</p>     <p>[...] <i>Achei que demorou o atendimento, o m&eacute;dico demorou a chegar, vieram chamar o m&eacute;dico aqui na urg&ecirc;ncia, a&iacute; eu fiquei na respira&ccedil;&atilde;o com o ambu e o pessoal l&aacute; nas massagens, nas medica&ccedil;&otilde;es, mas eu fiquei assim a&eacute;rea, sem iniciativa</i>. (DISCENTE E).</p>     <p><i>Nesse est&aacute;gio eu n&atilde;o vivi menos de 20 &oacute;bitos n&atilde;o, [...] Eu senti apenas d&oacute; da pessoa desencarnando-se, mas ao mesmo tempo em que eu via a situa&ccedil;&atilde;o, o quadro clinico ao qual se encontrava o paciente, eu via como alivio tamb&eacute;m.</i> (DISCENTE F).</p>     <p><i>&Eacute; frustrante. [...] eu ajudei a empacotar e, &eacute; algo assim, que voc&ecirc; fica inconfort&aacute;vel, a maneira que eles tratam o corpo como se fosse um saco de batatas</i>. (DISCENTE J).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A f&eacute; e a literatura como apoio para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer</b></p>     <p>Embasado no questionamento de como tem buscado preparo para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es de morte e o morrer de pacientes no cotidiano de suas pr&aacute;ticas, como eles tem conseguido tal preparo. </p>     <p>O que foi percebido vem de concep&ccedil;&otilde;es religiosas e de literaturas que abordam essas tem&aacute;ticas, Existem ainda, aqueles que acreditam que o preparo para lidar com a morte e o morrer, n&atilde;o vem de literaturas, mas que este, na realidade &eacute; singular de cada um, e varia de acordo com o modo de cada viver a vida. Como pode ser comprovado pelas falas a seguir:</p>     <p><i>Na verdade eu acho que esse preparo n&atilde;o vem de referencial bibliogr&aacute;fico. [...] na verdade eu acho que &eacute; muito a concep&ccedil;&atilde;o que eu tenho de vida, o que eu acho da vida, o que eu acho da minha religi&atilde;o e do meu deus.</i> (DOCENTE B). </p>     <p><i>Na verdade eu nunca parei para pensar nisso, mas eu sou cat&oacute;lico fervoroso, muita f&eacute; em Deus e ai parte muito dessa espiritualidade, essa mudan&ccedil;a, esse embate</i>. (DOCENTE 3).</p>     <p>[...] <i>a rotina do servi&ccedil;o foi quem me deu esse preparo, conversando com outros colegas a gente fala mais nessa situa&ccedil;&atilde;o. Confesso que algumas vezes pedir for&ccedil;as a Deus, uma ajuda para que possa passar por essas situa&ccedil;&otilde;es</i>. (DOCENTE C).</p>     <p><i>Eu tenho uma forma&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica desde sempre e a religi&atilde;o ajuda muito nisso, a f&eacute; ajuda muito nisso. E eu j&aacute; li bastante a quest&atilde;o de como encarar a morte, eu j&aacute; li sobre tanatologia</i>. (DOCENTE D).</p>     <p>[...] <i>acho que Deus d&aacute; conformidade naquela hora e d&aacute; os ensinamentos pra voc&ecirc; seguir os passos o que tem que ser feito na hora</i>. (DISCENTE A).</p>     <p><i>Esse preparo eu acho que &eacute; das minhas viv&ecirc;ncias em v&aacute;rias culturas diferentes, e minha viv&ecirc;ncia pessoal, minha cria&ccedil;&atilde;o</i>. (DISCENTE C).</p>     <p><i>Eu acho na f&eacute;. [...] Acho que a f&eacute; &eacute; o principal</i>. (DISCENTE D).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Me revoltei contra o ser humano, me revoltei contra Deus, contra aquela situa&ccedil;&atilde;o que eu n&atilde;o aceitava</i>. (DISCENTE K).</p>     <p><i>Digamos que na b&iacute;blia, conceitos espirituais porque as pessoas sempre se mant&ecirc;m convictas em alguma f&eacute;, sejam ateus ou cat&oacute;licas, seja como for, ent&atilde;o eu acredito que ou Deus, ou santo, ou algum ser pode proteg&ecirc;-las, consol&aacute;-las e lidar com a situa&ccedil;&atilde;o</i>. (DISCENTE F).</p>     <p><b>A Forma&ccedil;&atilde;o em Enfermagem e o preparo recebido para vivenciar a morte e o morrer</b></p>     <p>A contribui&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o para lidar com a morte e o morrer, e o preparo dado por ela para enfrentar essas situa&ccedil;&otilde;es. Onde ficam evidenciados a insatisfa&ccedil;&atilde;o com o modo da tem&aacute;tica morte &eacute; abordado na gradua&ccedil;&atilde;o. Fato que ficou evidenciado a partir desse questionamento: <i>Voc&ecirc; considera que a sua forma&ccedil;&atilde;o lhe deu preparo suficiente para lidar com a morte? De que forma?</i></p>     <p>[...] <i>eu sempre percebi que a nossa forma&ccedil;&atilde;o ela &eacute; muito a quem daquilo que espera por a gente no servi&ccedil;o. [...] s&atilde;o pontuais, &eacute; uma aula de tanatologia aqui, &eacute; uma aula de humaniza&ccedil;&atilde;o na assist&ecirc;ncia ali, &eacute; uma aula de espiritualidade aqui, mas n&atilde;o existe realmente uma forma&ccedil;&atilde;o de como voc&ecirc; lidar com isso e tamb&eacute;m n&atilde;o sei como seria abordar isso dentro da enfermagem. [...] Mas passou longe de dizer que tive uma boa forma&ccedil;&atilde;o para lidar com a morte. </i>(DOCENTE A).</p>     <p><i>A gente participou de uma oficina da discuss&atilde;o sobre morte. Lembro que foi feito at&eacute; uma din&acirc;mica para a gente entender a morte, a perda da fam&iacute;lia, a gente fez a t&eacute;cnica de cobrir o corpo, mas ela fez tamb&eacute;m a gente entender o que era a perda, ela fez entender o que era a perda de um ente nosso, quais os sentimentos quando a gente perde, sofrimento, saudade, dificuldade de aceitar</i>. (DOCENTE C).</p>     <p><i>Nenhum! Foi abordada em uma disciplina que tinha o nome patologia geral morte, mas o aspecto fisiol&oacute;gico, fisiopatol&oacute;gico.</i> (DOCENTE D).</p>     <p><i>N&atilde;o. Eu acho que o processo de morrer n&atilde;o tem um per&iacute;odo espec&iacute;fico para ser trabalhado. Essa discuss&atilde;o ela precisa esta permeada em todas as disciplinas ou na maioria delas</i>. (DOCENTE G).</p>     <p><i>No meu caso o preparo pra lidar com a morte foi acontecendo, eu nunca tive uma disciplina especifica sobre a morte. A pr&aacute;tica me ensinou. Minha forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deu preparo emocional e cient&iacute;fico sobre isso n&atilde;o.</i> (DOCENTE I).</p>     <p>A insatisfa&ccedil;&atilde;o com o modo com a qual a gradua&ccedil;&atilde;o aborda as tem&aacute;ticas morte e morrer propaga-se tamb&eacute;m para os discentes de enfermagem, que afirmam que se sentem despreparados para vivenciar tais eventos no cotidiano de suas pr&aacute;ticas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os depoimentos dos discentes referem que a tem&aacute;tica foi abordado em momentos de algumas disciplinas, mas que consideram as abordagens utilizadas na gradua&ccedil;&atilde;o insuficiente.</p>     <p><i>No processo de morte/morrer na minha forma&ccedil;&atilde;o teve alguns enfoques s&oacute;, em algumas aulas sobre isso</i>. (DISCENTE A).</p>     <p>[...] <i>na faculdade a gente ver um lado humanizado muito forte, por&eacute;m n&atilde;o explicam a psicologia e os tipos de rea&ccedil;&otilde;es, e os tipos de personalidade que a gente vai enfrentar aqui, falam uma coisa muito superficial.</i> (DISCENTE C).</p>     <p><i>De jeito nenhum. N&oacute;s tivemos at&eacute; certo treinamento, teve orienta&ccedil;&atilde;o de como lidar com a pessoa que morreu. Como &eacute; que prepara o corpo, como &eacute; que a gente deve fazer os procedimentos extremamente t&eacute;cnicos.</i> (DISCENTE H).</p>     <p><i>N&atilde;o! Assim, a universidade ela discute um pouco morte e o processo de morrer, a discuss&atilde;o &eacute; muito pouca, &eacute; muito incipiente</i>. (DISCENTE J).</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O</b></p>     <p>Ficam evidenciados nas falas dos entrevistados, tanto docentes, quanto discentes, que as sensa&ccedil;&otilde;es e os sentimentos que envolvem o processo de morte e morrer, s&atilde;o muitos negativos, tomados de muita tristeza, revolta, impot&ecirc;ncia e medo. Ademias, enfatiza-se que, mesmo com a postura defensiva, a nega&ccedil;&atilde;o e o distanciamento no que envolve as quest&otilde;es de morte e morrer, estes n&atilde;o conseguem banir os mais variados sentimento de pesar e rea&ccedil;&otilde;es humanas neste momento. O processo de morte e morrer s&atilde;o negados e a tratam como algo subsistente, como consequ&ecirc;ncias se defrontam com os piores sentimentos ao vivenciar tais processos (Carvalho et al., 2006). </p>     <p>Apesar de a morte subsistir desde o princ&iacute;pio da humanidade, o processo morte e morrer tem sido motivo de afli&ccedil;&atilde;o, agonia e desespero, j&aacute; que mostra o qu&atilde;o suscept&iacute;vel, vulner&aacute;vel e t&ecirc;nue &eacute; o estar vivo, ou seja, ser mortal, finito. &Eacute; um processo simplesmente natural, universal e inevit&aacute;vel, mas mesmo assim o ser humano n&atilde;o suporta imaginar, pensar ou discutir sobre sua pr&oacute;pria morte e acaba projetando-a no outro, tendo em vista a impossibilidade de conceber o mundo sem sua presen&ccedil;a (Carvalho et al., 2006). </p>     <p>A revolta, o n&atilde;o aceitar, se faz presente em in&uacute;meras falas, como sentimento predominante quando se vivencia o processo de morte e morrer. &Eacute; percept&iacute;vel a demonstra&ccedil;&atilde;o de sentimentos obscuros e de indigna&ccedil;&atilde;o, sobressaindo os sentimentos de ang&uacute;stia, tristeza, medo e impot&ecirc;ncia.</p>     <p>Enfrentar a morte/morrer &eacute; sempre uma tarefa dif&iacute;cil e angustiante para quem a vivencia, podendo ser mais ainda para quem a observa, pois a morte provoca rupturas profundas entre quem morreu e em quem continua vivendo. Por isso &eacute; necess&aacute;rio ajustes no modo de entender, perceber e de viver no mundo (Carvalho et al., 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deve-se pensar, discutir, dialogar sobre a morte e morrer, antes que, tenha se que defrontar com ela na vida. Se n&atilde;o for feito dessa maneira, ir&aacute; lembrar-se brutalmente da pr&oacute;pria finitude quando encarar estas situa&ccedil;&otilde;es (Kubler-Ross, 1987).</p>     <p>O discente de enfermagem &eacute; colocado diante de sua finitude, quando morre um paciente que estava sobre seus cuidados, o que pode causar sentimentos de estranheza e impot&ecirc;ncia, al&eacute;m disso, pode ser alvo da revolta dos familiares que perderam o ente querido, resultando em sentimentos de culpa e questionamentos relacionados aos cuidados prestados por ele (Silva &amp; Silva, 2007).</p>     <p>Apesar de se tratarem de profissionais de enfermagem, de docentes e discentes de enfermagem, pessoas essas que estar&atilde;o vivenciando e que j&aacute; vivenciaram situa&ccedil;&otilde;es de morte o morrer de pacientes na rotina de suas pr&aacute;ticas, para eles a morte/morrer ainda &eacute; um acontecimento desconfort&aacute;vel. &Eacute; percept&iacute;vel que eles n&atilde;o conseguem pensar, refletir, encarar a morte e o morrer de uma forma menos traum&aacute;tica, embora tenham a consci&ecirc;ncia que se trata de algo comum e natural, com qual dever&atilde;o se acostumar devido &agrave;s especificidades da enfermagem. </p>     <p>A sensa&ccedil;&atilde;o de impot&ecirc;ncia que surge decorrente de sua pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o, ou seja, foram preparados para manter e recuperar a vida. Ao perceberem que est&atilde;o perdendo o controle sobre a vida dos pacientes e que n&atilde;o conseguem preserv&aacute;-la, sentem-se deprimidos e impotentes (Sp&iacute;ndola &amp; Macedo, 1994).</p>     <p>Cada vez mais, estudos sobre morte/morrer comprovam que a justificativa do despreparo em lidar com tal fen&ocirc;meno &eacute; conferida muitas vezes &agrave; forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, e salientam ainda que a gradua&ccedil;&atilde;o continua a n&atilde;o preparar os profissionais para vivenciarem o processo de morte e morrer (Lunardi Filho et al, 2001).</p>     <p>Os profissionais de sa&uacute;de passam por momentos de questionamento sobre a sua finalidade profissional (pr&aacute;tica voltada para vida e recusa da morte), como visto nos depoimentos dos sujeitos dessa pesquisa, estes por sua vez manifestam sentimentos de inseguran&ccedil;a, incapacidade, constrangimento, ang&uacute;stia, sofrimento, dor, culpa e procuram alguma falha nos procedimentos que a justifique (Oba, Tavares, &amp; Oliveira, 2002).</p>     <p>A busca pelo preparo para lidarem com as situa&ccedil;&otilde;es de morte e morrer, n&atilde;o s&atilde;o efetivas na forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, o apoio encontrado na religi&atilde;o, na f&eacute; e em Deus, como modo de aux&iacute;lio para lidar com esses momentos. Deixam de lado o ser profissional de sa&uacute;de e externam seu lado humano, aflorando suas concep&ccedil;&otilde;es religiosas e culturais, no cuidado com a morte, expressam o desejo por uma intercess&atilde;o divina. </p>     <p>O preparo na gradua&ccedil;&atilde;o nos cursos da sa&uacute;de em especial os de enfermagem, &eacute; pautado em procedimentos extremamente t&eacute;cnicos. Onde a reflex&atilde;o por parte dos alunos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; morte/morrer n&atilde;o s&atilde;o instigados e encorajados na academia. Tais afirma&ccedil;&otilde;es mostram, o qu&atilde;o necess&aacute;rio &eacute; as escolas de enfermagem iniciarem o processo de mudan&ccedil;a na prepara&ccedil;&atilde;o de praticantes apenas tecnicamente competentes, para profissionais que sejam capazes de lidar com seus pr&oacute;prios sentimentos e us&aacute;-los de modo deliberado e humanamente sofisticados (Bernieri &amp; Hirdes, 2007).</p>     <p>O estudante de enfermagem ainda est&aacute; sendo preparado com maior &ecirc;nfase para lidar com a vida no que tange aos aspectos t&eacute;cnicos e pr&aacute;ticos da fun&ccedil;&atilde;o profissional. H&aacute; pouca &ecirc;nfase em quest&otilde;es emocionais e na instrumentaliza&ccedil;&atilde;o para o duelo constante entre a vida e a morte, no qual, muitas vezes, deve prestar assist&ecirc;ncia &agrave; pessoa para que tenha uma morte digna (Oba et al., 2002).</p>     <p>Percebe-se que o profissional de enfermagem desde a sua gradua&ccedil;&atilde;o, reconhece a dificuldade de lidar com a morte e o morrer no cotidiano de suas pr&aacute;ticas, assim como, reconhecem a necessidade da academia abordar de maneira mais integral conte&uacute;dos que possibilitem uma maior reflex&atilde;o acerca da tem&aacute;tica e que viabilizem uma melhor maneira de lidar positivamente com essa quest&atilde;o. Como bem coloca Rinpoche (2004) o conhecimento sobre a morte, ajudar aos que est&atilde;o morrendo e a natureza espiritual deste processo devem estar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da sociedade. Devendo ser ensinados com profundidade nas escolas, faculdades e universidades, e especialmente, nas cl&iacute;nicas e hospitais-escola para m&eacute;dicos e enfermeiros (RINPOCHE, 2014)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Evidenciou que os docentes e discentes de enfermagem enfrentam dificuldades em vivenciar a morte e o morrer no cotidiano de suas pr&aacute;ticas de cuidado, n&atilde;o se sentem preparados para vivenciar a morte e o morrer de seus pacientes e em sua vida cotidiana. Ao mesmo tempo observam-se poucos meios e instrumentos utilizados na gradua&ccedil;&atilde;o que abordem o tema dif&iacute;cil de ser discutida. Depoimentos intensos, repletos de emo&ccedil;&atilde;o. Ao serem indagados sobre perdas de pessoas de seu conv&iacute;vio familiar e, at&eacute; mesmo de pacientes, em suas pr&aacute;ticas de ensino e/ou est&aacute;gio. Sendo necess&aacute;rio por muitas vezes parar a entrevista para poder o entrevistado se recompor e continuarmos. Fato esse que ocorreu com grande parte dos entrevistados. As pessoas quando falam de assuntos que envolvem as sensa&ccedil;&otilde;es advindas da morte e do morrer do outro, seja no seu &acirc;mbito profissional ou familiar, estas s&atilde;o tomadas de grande sensibilidade.</p>     <p>Faz-se necess&aacute;rio, portanto, que a gradua&ccedil;&atilde;o em enfermagem seja o ponto de apoio que os estudantes necessitam para enfrentar com maior naturalidade as quest&otilde;es que envolvem a morte e o morrer. Para que estes se sintam preparados para lidar com o paciente na vida, assim como em sua morte, garantindo um cuidado de enfermagem qualificado.</p>     <p> Percebe-se a necessidade de incluir na grade curricular disciplinas que abordem com maior &ecirc;nfase e mais diretamente as tem&aacute;ticas morte e morrer. Al&eacute;m de cria&ccedil;&atilde;o de grupos de extens&atilde;o para abordar tais assuntos atrav&eacute;s de semin&aacute;rios. Para contribuir com o desenvolvimento de habilidades e compet&ecirc;ncias para uma assist&ecirc;ncia al&eacute;m da t&eacute;cnica, mais humana e coletiva. Que se estenda o cuidado de enfermagem na morte aos familiares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <p>Ari&egrave;s, P. (2003). <i>Hist&oacute;ria da Morte no Ocidente: da Idade Media aos nossos dias</i>. (Ediouro, Ed.) (1st ed.). Rio de Janeiro.</p>     <!-- ref --><p>Bernieri, J., &amp; Hirdes, A. (2007). O preparo dos acad&ecirc;micos de enfermagem brasileiros para vivenciarem o processo morte-morrer. <i>Texto &amp; Contexto - Enfermagem</i>, <i>16</i>(1), 89-96. doi: 10.1590/S0104-07072007000100011&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556043&pid=S1645-0086201800020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, L. S., Oliveira, M. A. da S., Portela, S. C., Silva, C. A. da, Oliveira, A. C. P. de, &amp; Camargo, C. L. de. (2006). A morte e o morrer no cotidiano de estudantes de enfermagem. <i>Revista Enfermagem UERJ</i>, <i>14</i>(4), 551-557. 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(10th ed.).</p>     <!-- ref --><p>Muniz, P. H. (2012). O estudo da Morte e suas Representa&ccedil;&otilde;es Socioculturais Simb&oacute;licas e espaciais. <i>Varia Scientia</i>, <i>6</i>(12), 159-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556052&pid=S1645-0086201800020001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oba, M. das D. V., Tavares, M. S. G., &amp; Oliveira, M. H. P. de. (2002). 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