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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O fenômeno do preconceito nos relacionamentos sorodiferentes para o HIV/AIDS]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal da Paraíba Programa de Pós-graduação em Psicologia Social ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Scientific advances for the diagnosis and treatment of AIDS, provided increased survival of people with HIV / AIDS, encouraging the formation of couples with different serological tests for HIV / AIDS, however, many people living with AIDS remain exposed to stigma and discrimination. The objective was to analyze situations of prejudice experienced by people living with HIV who are serodiscordant relationship to HIV / AIDS. Participated in 26 people living with HIV in heterosexual serodiscordant relationship to HIV / AIDS, and half of each sex. In addition, it interviewed 06 people in serodiscordant relationship to HIV / AIDS. One sociodemographic questionnaire and a semi-structured interview was used. Descriptive and statistical content analysis was used. Most have income more than 5 years of relationship and more than three years of diagnosis. Emerged from two thematic classes: Diagnosis and Prejudice. Scientific advances in AIDS are evident, but the prejudice is still present, probably due to information gaps or socially constructed beliefs. There is a need for policies that guarantee the right of this population to experience their choices in a dignified way.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>O fen&ocirc;meno do preconceito nos relacionamentos sorodiferentes para o HIV/AIDS</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The prejudice phenomenon in serodiscordant relationships for HIV/AIDS</b></font></p>     <p><b>Juliana Rodrigues de Albuquerque<sup>1</sup>, Amanda Trajano Batista<sup>1</sup>, Ana Alayde Werba Saldanha<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal da Para&iacute;ba, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Social, Jo&atilde;o Pessoa, Brasil. Avenida Sin&eacute;zio Guimar&atilde;es, n&ordm; 443, apto 301, CEP: 58040-400, Torre, Jo&atilde;o Pessoa, Para&iacute;ba, Brasil.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos referentes ao diagn&oacute;stico e ao tratamento da Aids, proporcionaram aumento na sobrevida dos indiv&iacute;duos com o HIV/Aids, favorecendo a forma&ccedil;&atilde;o de casais com diferentes sorologias para o HIV/Aids, por&eacute;m, muitas pessoas que vivem com a Aids permanecem expostas &agrave; estigmas e discrimina&ccedil;&otilde;es. Assim, objetivou-se analisar situa&ccedil;&otilde;es de preconceito vivenciadas por pessoas soropositivas que est&atilde;o em relacionamento sorodiferente para o HIV/Aids. Participaram 26 pessoas soropositivas em relacionamento heterossexual e sorodiferente para o HIV/Aids, sendo a metade de cada sexo. Adicionalmente, foram entrevistados 06 pessoas em relacionamento sorodiferente para o HIV/Aids. Utilizou-se um question&aacute;rio s&oacute;ciodemogr&aacute;fico e uma entrevista semi-estruturada. Contou-se com estat&iacute;stica descritiva e An&aacute;lise de Conte&uacute;do. A maioria tem mais de 5 anos de relacionamento e mais de tr&ecirc;s anos de diagn&oacute;stico. Emergiram duas classes tem&aacute;ticas: Diagn&oacute;stico e Preconceito. Os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos na Aids s&atilde;o evidentes, todavia o preconceito ainda &eacute; presente, provavelmente por lacunas informativas ou por cren&ccedil;as socialmente constru&iacute;das, verificando-se a import&acirc;ncia de pol&iacute;ticas a fim de que essa popula&ccedil;&atilde;o vivencie suas escolhas de maneira digna. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> preconceito, HIV/AIDS, sorodiferen&ccedil;a.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Scientific advances for the diagnosis and treatment of AIDS, provided increased survival of people with HIV / AIDS, encouraging the formation of couples with different serological tests for HIV / AIDS, however, many people living with AIDS remain exposed to stigma and discrimination. The objective was to analyze situations of prejudice experienced by people living with HIV who are serodiscordant relationship to HIV / AIDS. Participated in 26 people living with HIV in heterosexual serodiscordant relationship to HIV / AIDS, and half of each sex. In addition, it interviewed 06 people in serodiscordant relationship to HIV / AIDS. One sociodemographic questionnaire and a semi-structured interview was used. Descriptive and statistical content analysis was used. Most have income more than 5 years of relationship and more than three years of diagnosis. Emerged from two thematic classes: Diagnosis and Prejudice. Scientific advances in AIDS are evident, but the prejudice is still present, probably due to information gaps or socially constructed beliefs. There is a need for policies that guarantee the right of this population to experience their choices in a dignified way.</p>     <p><b>Keywords:</b> prejudice, HIV / AIDS, serodiscordance</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Com a sua descoberta, a infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV/Aids obteve significativas respostas, em especial no que tange ao tratamento, cujo perfil epidemiol&oacute;gico passou por transforma&ccedil;&otilde;es e, como desdobramento, modificou a hist&oacute;ria natural da doen&ccedil;a. Inicialmente, a Aids era vista enquanto senten&ccedil;a de morte, todavia, os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos referentes ao diagn&oacute;stico e, por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o da terapia antirretroviral, ocasionaram na redu&ccedil;&atilde;o da morbimortalidade e propiciaram um aumento n&atilde;o apenas na expectativa, mas tamb&eacute;m na qualidade de vida daqueles que possuem o HIV/Aids, (Maksud, 2012; Silva, 2009).</p>     <p> Como consequ&ecirc;ncia das transforma&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do HIV/Aids, t&ecirc;m-se novas tend&ecirc;ncias, dentre tais, a uni&atilde;o afetivo e sexual cada vez mais frequente entre pessoas sorodiferentes para o HIV/Aids. O termo sorodiferente ou sorodiscordante significa a uni&atilde;o de casais heterossexuais ou homossexuais, onde um dos dois &eacute; portador do HIV/Aids (Polejack, 2001). De acordo com Sherr e Barry (2004) o uso da defini&ccedil;&atilde;o sorodiscordante pode implicar a ideia de conflito, disputa ou desarmonia, portanto, neste artigo, ser&aacute; usada a nomenclatura sorodiferen&ccedil;a. </p>     <p>O aumento na qualidade de vida das pessoas que vivem com HVI/Aids proporcionou que as mesmas reconstru&iacute;ssem seus projetos de vida, incluindo aqui os relacionamentos amorosos. Sendo assim, o fen&ocirc;meno da sorodiferen&ccedil;a surge n&atilde;o como um modelo, mas enquanto consequ&ecirc;ncia dessas transforma&ccedil;&otilde;es no car&aacute;ter da doen&ccedil;a (Remien, 2002).</p>     <p>Conforme relatado acima, os avan&ccedil;os referentes ao campo do HIV/Aids desde as primeiras respostas dadas pelo setor m&eacute;dico, levaram de um status de morte iminente para um car&aacute;ter de cronicidade. Todavia, se por um lado os avan&ccedil;os t&eacute;cnicos s&atilde;o not&oacute;rios, por outro lado, muitas pessoas que vivem ou convivem com a Aids permanecem expostas &agrave; estigmas e discrimina&ccedil;&otilde;es, como consequ&ecirc;ncia da perman&ecirc;ncia de cren&ccedil;as distorcidas sobre a doen&ccedil;a, desenvolvidas no in&iacute;cio da epidemia (Silva, 2009; Maksud, 2012). </p>     <p>O viver com Doen&ccedil;as Sexualmente Transmiss&iacute;veis (DSTs), como especificamente com o HIV/Aids, sempre esteve associado a pr&aacute;ticas sexuais desviantes da conduta socialmente aceit&aacute;vel. Muitos indiv&iacute;duos que t&ecirc;m o HIV/Aids possuem uma tend&ecirc;ncia a viver com duas modalidades de doen&ccedil;a: a doen&ccedil;a em si, diagnosticada e trazendo consequ&ecirc;ncias psicofisiol&oacute;gicas, e a doen&ccedil;a relacionada ao preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o inseridos na viv&ecirc;ncia daquele que foi acometido pelo v&iacute;rus, portanto,essas pessoas sofrem uma dupla vitimiza&ccedil;&atilde;o, seja pela doen&ccedil;a diagnosticada, seja pela estigmatiza&ccedil;&atilde;o estabelecida (Gunther, 2013).</p>     <p> Na situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do relacionamento sorodiferente, al&eacute;m da possibilidade de infec&ccedil;&atilde;o entre os parceiros, existe uma quest&atilde;o de desvaloriza&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da uni&atilde;o entre pessoas marcadas, socialmente, como diferentes. Segundo Passarell (2003) as imagens associadas a uma rela&ccedil;&atilde;o sorodiferente, para pessoas soronegativas, s&atilde;o imagens relacionadas &agrave; perda, doen&ccedil;a, ang&uacute;stia e compaix&atilde;o, promovendo assim, visibilidade ao tabu da soropositividade, colocando, por v&aacute;rias raz&otilde;es, as pessoas em relacionamento sorodiferente, em uma posi&ccedil;&atilde;o estigmatizada (Parker &amp; Aggleton, 2001; Goffman, 1988). </p>     <p>Muitos casais recorrem ao recurso do sigilo a fim de evitar situa&ccedil;&otilde;es de preconceito ou mesmo de discrimina&ccedil;&atilde;o, estendendo o sil&ecirc;ncio sobre o diagn&oacute;stico da sorodiferen&ccedil;a para familiares e amigos, ressaltando que nessa modalidade de relacionamento tem-se o fen&ocirc;meno do &quot;preconceito aumentado&quot;, visto o parceiro soronegativo tamb&eacute;m sofrer repres&aacute;lias por est&aacute; envolvido com algu&eacute;m que possui o v&iacute;rus (Albuquerque, 2014). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dessa forma, o temor da Aids n&atilde;o est&aacute; implicado apenas em rela&ccedil;&atilde;o a presen&ccedil;a do v&iacute;rus, mas no que diz respeito &agrave; descoberta do diagn&oacute;stico, tornando p&uacute;blicos aspectos da vida privada. Por isso, o sil&ecirc;ncio diante do diagn&oacute;stico. No imagin&aacute;rio popular, ainda h&aacute; cren&ccedil;as dos prim&oacute;rdios da epidemia, que situam o indiv&iacute;duo soropositivo como algu&eacute;m &ldquo;desviante&rdquo;. Segundo Velho (2003), reconhecer uma pessoa enquanto &ldquo;desviante&rdquo; diz respeito a situa&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&atilde;o de julgamentos e exclus&atilde;o, cuja primeira amea&ccedil;a pode n&atilde;o ser a doen&ccedil;a enquanto quest&atilde;o fisiopatol&oacute;gica, mas como provocadora de uma condi&ccedil;&atilde;o social patol&oacute;gica.</p>     <p>Em alguns casos de parceria sorodiferente para o HIV/Aids, os casais afirmam que a grande preocupa&ccedil;&atilde;o com a Aids se d&aacute; n&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao v&iacute;rus, mas em decorr&ecirc;ncia dos aspectos sociais que surgem pela revela&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico, isto &eacute;, para essas pessoas, o v&iacute;rus se torna menos relevante por ser controlado com o tratamento medicamentoso se comparado, por exemplo, com o estigma e preconceito sofridos (Albuquerque, 2014). A autora, por meio de entrevistas com casais nesse tipo de relacionamento, observou que a aceita&ccedil;&atilde;o social era o grande desafio dessas pessoas no que diz respeito ao HIV/Aids (Albuquerque, 2014). </p>     <p> Algumas cren&ccedil;as do inicio da epidemia, resultavam na associa&ccedil;&atilde;o da Aids com a morte vista como puni&ccedil;&atilde;o em decorr&ecirc;ncia do desvio da conduta socialmente estabelecida. Com isso, v&aacute;rios estere&oacute;tipos de explica&ccedil;&otilde;es imprecisas surgiram, contribuindo para respostas de estigmatiza&ccedil;&atilde;o (Parker &amp; Aggleton, 2001). Dessa forma, a discrimina&ccedil;&atilde;o pode ser definida como &quot;a aus&ecirc;ncia de justificativa objetiva, o sujeito sofre uma distin&ccedil;&atilde;o que resulta em tratamento injusto direcionado a um grupo espec&iacute;fico&quot; ( Parker &amp; Aggleton, 2002). Segundo Tajfel (1983), o fen&ocirc;meno do preconceito, seria anterior ao indiv&iacute;duo, uma vez que tal fen&ocirc;meno &eacute; inerente &agrave; pr&oacute;pria estrutura da sociedade. Tal ideia, no campo do HIV/Aids, pode receber suporte, uma vez que as express&otilde;es de preconceito contra o indiv&iacute;duo soropositivo n&atilde;o ocorrem no v&aacute;cuo social, pelo contr&aacute;rio, s&atilde;o produzidas e perpetuadas na din&acirc;mica das a&ccedil;&otilde;es sociais. </p>     <p> Partindo de tais pressupostos, esta pesquisa teve enquanto objetivo, analisar situa&ccedil;&otilde;es de preconceito vivenciadas por pessoas soropositivas que est&atilde;o em relacionamento sorodiferente para o HIV/Aids. </p>     <p><b>M&Eacute;TODO</b></p>     <p>Tratou-se de uma pesquisa explorat&oacute;ria-descritiva e transversal, de abordagem qualitativa, sendo a coleta de dados feita no ambulat&oacute;rio de um Hospital de refer&ecirc;ncia no atendimento ao HIV/Aids, na cidade de Jo&atilde;o Pessoa-PB. </p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p><i>&nbsp;</i>Para compor os dados descritivos, participaram 26 indiv&iacute;duos com diagn&oacute;stico de soropositividade para o HIV/Aids que estavam em relacionamento heterossexual e sorodiferente para o HIV/Aids, no ambulat&oacute;rio onde s&atilde;o acompanhadas para tratamento. Na etapa qualitativa, contou-se com 8 pessoas com diagn&oacute;stico positivo para o HIV/Aids e que se encontravam em relacionamento heterossexual e sorodiferente para o HIV/Aids, sendo estas entrevistadas no ambulat&oacute;rio durante o per&iacute;odo do estudo. </p>     <p>Os crit&eacute;rios utilizados para inclus&atilde;o dos participantes foram: estar em relacionamento sorodiferente para o HIV e conhecer essa condi&ccedil;&atilde;o sorol&oacute;gica no m&iacute;nimo h&aacute; um ano, apresentar boas condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e emocionais e concordar em participar do estudo. O numero de participantes n&atilde;o foi previamente definido, ocorrendo por indica&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, os quais sugeriam, dentre o universo de atendimentos do dia da coleta, &agrave;queles que preenchiam os requisitos. </p>     <p><i>Material</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi usado um question&aacute;rio autoaplic&aacute;vel para a primeira etapa do estudo, o qual versava sobre quest&otilde;es s&oacute;cio demogr&aacute;ficas e referentes as caracter&iacute;sticas do casal. </p>     <p>As entrevistas semiestruturadas, objetivaram a compreens&atilde;o da viv&ecirc;ncia sorodiferente, focando em aspectos ligados as difculdades enfrentadas por essas pessoas. A priori, perguntou-se &ldquo;<i>Como seria estar em um relacionamento afetivo sexual, no qual apenas um possu&iacute;a o v&iacute;rus HIV</i>&rdquo;, posteriormente, questionou-se sobre as dificuldades relacionadas a tal parceria. Os temas apontados pelos participantes foram anotados e, ent&atilde;o, solicitada uma explica&ccedil;&atilde;o sobre cada um deles, procurando-se, assim, explorar os temas evocados e <i>investigar os sentidos atribu&iacute;dos</i> pelos casais.</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>Com a aprova&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Universidade Federal da Para&iacute;ba, foi realizado contato com a institui&ccedil;&atilde;o hospitalar, esclarecendo sobre os objetivos da pesquisa. Os participantes foram informados sobre o estudo, explicitando-se o car&aacute;ter volunt&aacute;rio da participa&ccedil;&atilde;o, seguido da assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. Logo ap&oacute;s, foi solicitado a cada participante, de forma individual, que respondesse aos question&aacute;rios. Ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do instrumento, foi feita a entrevista. As entrevistas foram gravadas, mediante autoriza&ccedil;&atilde;o dos entrevistados, para posterior transcri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise. </p>     <p><i>An&aacute;lise dos dados</i></p>     <p>Sobre &agrave; etapa quantitativa, foi constru&iacute;do um banco de dados a partir da digita&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios com pr&eacute;via codifica&ccedil;&atilde;o das respostas, sendo utilizado o Software SPSS For Windows - vers&atilde;o 18 para tal. Tais dados foram analisados por meio de estat&iacute;stica descritiva, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de medidas de posi&ccedil;&atilde;o (M&eacute;dia, Mediana) e de variabilidade (Desvio Padr&atilde;o, Amplitude).</p>     <p>Referente &agrave;s entrevistas, estas foram analisadas com base em categorias determinadas a partir dos temas suscitados, sendo processados por meio de An&aacute;lise de Conte&uacute;do tem&aacute;tica, conforme proposta de Bardin (2009). </p>     <p><i>Aspectos &eacute;ticos</i></p>     <p>Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo ao Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de (CCS), da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB), de acordo com a &ldquo;Resolu&ccedil;&atilde;o n<sup>0</sup> 196/96 Sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos&rdquo;, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. </p>     <p><b> </b>Os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos do estudo bem como sobre a possibilidade de desist&ecirc;ncia a qualquer momento, sem que isso resultasse em qualquer preju&iacute;zo ao atendimento oferecido pela institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de na qual a pesquisa se deu. Foi assegurado o anonimato dos participantes, assim como a confidencialidade das informa&ccedil;&otilde;es prestadas pelo preenchimento dos question&aacute;rios e das entrevistas. Sendo assim, para os indiv&iacute;duos que escolheram participar, foi entregue o termo de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo a descri&ccedil;&atilde;o do estudo e seus objetivos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESULTADOS</b></p>     <p> O perfil dos participantes aponta para indiv&iacute;duos com m&eacute;dia de 36,4 anos de idade (DP=10,51, variando de 19 a 70 anos), metade de cada sexo, a maior parte com renda maior que dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos (N=19), escolariza&ccedil;&atilde;o fundamental incompleta (N=10) e m&eacute;dia (N=07). A maioria afirma religiosidade mediana (M=2,81; DP=,902 - variando de 1 a 5), em sua maioria, cat&oacute;licos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo de diagn&oacute;stico, os respondentes relataram, em sua maioria (N=20), conhecimento superior a tr&ecirc;s anos. Sobre o tempo de relacionamento, 20 participantes afirmaram ser acima de tr&ecirc;s anos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n2/19n2a19q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por meio das entrevistas, emergiram duas classes tem&aacute;ticas, sendo denominadas: Diagn&oacute;stico e Preconceito. Na primeira classe tem&aacute;tica mencionada, surgiram as categorias Impacto inicial (Subcategorias: Sentimentos negativos, Impacto no parceiro, Medo da transmiss&atilde;o e Idea&ccedil;&atilde;o Suicida) e Cren&ccedil;as distorcidas (Subcategorias: Aids e sobrevida e Aids e morte). Sobre a classe tem&aacute;tica Preconceito, esta trouxe categorias como Discrimina&ccedil;&atilde;o (Subcategorias: Ambiente de trabalho, Familiares e Rela&ccedil;&otilde;es sociais), Medo (Subcategorias: Express&otilde;es de preconceito, Preconceito duplo e Temor da rejei&ccedil;&atilde;o), Cren&ccedil;as antigas (Subcategorias: Formas de transmiss&atilde;o, Aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es e Estere&oacute;tipo) e Recurso do sigilo (Subcategorias: Prote&ccedil;&atilde;o do casal, Familiares e Amigos/outros). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="g1"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n2/19n2a19g1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="g2"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n2/19n2a19g2.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O</b></p>     <p> Uma tend&ecirc;ncia que tende a se confirmar no presente estudo &eacute; no que diz respeito &agrave; feminiza&ccedil;&atilde;o da Aids, visto metade dos respondentes soropositivos serem mulheres. A literatura aponta que tal fen&ocirc;meno, no pa&iacute;s, pode ser considerado como o mais relevante dos &uacute;ltimos anos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; epidemia, cuja causa de mortalidade &eacute; uma das principais nas mulheres em idade f&eacute;rtil (Ferreira, Figueiredo &amp; Souza, 2011). </p>     <p> Referente ao tempo de relacionamento, os dados demonstram que, assim como em outros estudos, o impacto da sorodiferen&ccedil;a nem sempre sinaliza para um rompimento do relacionamento, mas o aumento da qualidade de vida das pessoas que convivem com o HIV/Aids pode proporcionar a manuten&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o dos seus projetos de vida (Maksud, 2012). Sendo assim, aponta-se uma transforma&ccedil;&atilde;o no car&aacute;ter da epidemia, de maneira que se passa de um status de morte iminente para um contexto de morbidade que pode ser devidamente manipulado (Polejack, 2001). </p>     <p> Referente ao momento do diagn&oacute;stico, os relatos apresentaram no Impacto Inicial, sentimentos negativos, conforme as falas abaixo demonstram: </p>     <p><i>&quot;A&iacute;, aquilo pra mim foi um choque n&eacute;, como &eacute; que eu vou viver? Nunca passei por isso e na minha fam&iacute;lia nunca teve isso, a&iacute; eu n&atilde;o queria acreditar e nem queria aceitar, da&iacute; eu fiquei com muito medo de viver com essa doen&ccedil;a que n&atilde;o tinha jeito, s&oacute; tinha o tratamento.&quot; (P4, F)</i></p>     <p><i>&quot;Eu acho que eu passei duas ou tr&ecirc;s semanas s&oacute; chorando, simplesmente, eu n&atilde;o conseguia fazer mais nada. Eu tive muita depress&atilde;o, s&oacute; chorando, s&oacute; chorando e eu n&atilde;o sabia mais o que fazer, a vida realmente perdeu o sentido, abriu um buraco muito grande.&quot; (P6, M) </i></p>     <p><i>&quot;Quando veio a hist&oacute;ria da doen&ccedil;a, &eacute; um m&iacute;ssel que passa por dentro de voc&ecirc; e voc&ecirc; nem sabe o que sentir, voc&ecirc; olha pra voc&ecirc; assim e pensa 'Caramba, aqui tem um buraco imenso, como &eacute; que eu vou fechar isso agora?' A dor &eacute; mais ou menos assim.&quot; (P6, M)</i></p>     <p><i>&quot;Na hora eu me senti triste, porque j&aacute; pensou, voc&ecirc; fazer um exame e descobri que ta com o HIV? &Eacute; muito triste descobri que t&aacute; com uma doen&ccedil;a que n&atilde;o tem cura, a&iacute; foi por isso que eu fiquei triste, porque essa doen&ccedil;a n&atilde;o tem cura. Porque se tivesse cura eu at&eacute; n&atilde;o ficava muito triste n&atilde;o, mas &eacute; uma coisa que &eacute; definitiva na vida da gente ne.&quot; (P2, M) </i></p>     <p> A primeira fala remonta ao choque inicial pela percep&ccedil;&atilde;o de invulnerabilidade anterior ao diagn&oacute;stico, o que remete a Aids ainda ser vista enquanto &quot;doen&ccedil;a dos outros&quot; conforme assinala Maksud (2012). As falas tamb&eacute;m demonstram que a ang&uacute;stia que envolve tal descoberta diagn&oacute;stica se d&aacute; pela Aids se tratar de uma doen&ccedil;a que n&atilde;o apresenta cura, destacando que tal revela&ccedil;&atilde;o pode suscitar sintomas de depress&atilde;o conforme fala acima. Nesse tipo de modalidade de relacionamento, tamb&eacute;m vale destacar a subcategoria Impacto no parceiro, uma vez que a descoberta do diagn&oacute;stico de soropositividade nesses casos, envolve um momento de ang&uacute;stia frente a possibilidade de revela&ccedil;&atilde;o desta condi&ccedil;&atilde;o para o parceiro afetivo e sexual. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&quot;</i><i>Desde o come&ccedil;o que eu descobri que tinha isso, ele ficou do meu lado, ele ficou muito triste com a noticia, pensou em acabar sabe, foi muito dif&iacute;cil pra n&oacute;s dois, mas a&iacute; ele aceitou.&quot; (P1, F) </i></p>     <p><i>&nbsp;</i><i>&quot;Pra ela foi triste saber disso, tanto pra ela quanto pra mim na verdade, porque n&atilde;o &eacute; legal numa rela&ccedil;&atilde;o isso...&quot; (P2, M) </i></p>     <p>A decis&atilde;o de manter um relacionamento sorodiferente nem sempre implica em aus&ecirc;ncia de conflitos ou ang&uacute;stia por parte de ambos os parceiros, todavia, trata-se de situa&ccedil;&otilde;es diferentes dependendo de quem det&ecirc;m o diagn&oacute;stico. Para o parceiro soronegativo, de acordo com fala do parceiro soropositivo, podem surgir conflitos no sentido de desistir ou n&atilde;o da uni&atilde;o, por&eacute;m, uma vez que o relacionamento prosseguiu ap&oacute;s esse impacto inicial, demonstra-se que o viver com a sorodiferen&ccedil;a pode ser naturalizado na viv&ecirc;ncia do casal, conforme observado em outros estudos (Reis &amp; Gir, 2009; Polejack, 2001). </p>     <p> Somado ao impacto que a descoberta do HIV/Aids suscita no parceiro soronegativo, a subcategoria referente ao medo da transmiss&atilde;o tamb&eacute;m emergiu, especialmente na modalidade de relacionamento pr&eacute;-diagn&oacute;stico, uma vez que pr&aacute;ticas sem o uso do preservativo anteriores &agrave; descoberta trouxeram momentos de tens&atilde;o conforme a fala abaixo: </p>     <p><i>&quot;&quot; Assim, quando eu descobri que tinha o v&iacute;rus, eu n&atilde;o sabia quando eu tinha pego ne, da&iacute; eu fiquei com medo que ela tamb&eacute;m tivesse pego, mas a gente providenciou logo pra ela fazer o exame, fez todos os exames e gra&ccedil;as a Deus n&atilde;o deu nada.&quot; (P5, M)</i></p>     <p> A possibilidade de transmiss&atilde;o horizontal aponta para um fator de medo constante para muitos casais sorodiferentes para o HIV/Aids, cuja situa&ccedil;&atilde;o pode acarretar em conflitos, dificultando uma viv&ecirc;ncia afetiva e sexual plena (Lago, Maksud &amp; Go&ccedil;alves, 2013). Em virtude desse medo, estrat&eacute;gias radicais de preven&ccedil;&atilde;o podem surgir, como por exemplo, a esquiva de troca de car&iacute;cias e at&eacute; mesmo na separa&ccedil;&atilde;o de utens&iacute;lio dom&eacute;sticos do parceiro soropositivo (Albuquerque, 2014). Conforme a autora, o fato de tais estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o serem adotadas n&atilde;o implica em resolu&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis problemas entre os parceiros, pelo contr&aacute;rio, estas medidas podem trazer sentimentos de culpa e at&eacute; mesmo no distanciamento entre o casal (Albuquerque, 2014). </p>     <p>Outro fator preocupante que emergiu durante as entrevistas, foi a descoberta diagn&oacute;stica culminar no surgimento de idea&ccedil;&atilde;o suicida por alguns participantes, fato que pode est&aacute; ligado a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre a Aids, uma vez que aquele que possui o diagn&oacute;stico de HIV/Aids ainda &eacute; encarado como algu&eacute;m fadado &agrave; morte ou &agrave; sobrevida (Albuquerque, 2014). </p>     <p><i>&quot;</i><i> Na hora, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, eu queria morrer, queria morrer, s&oacute; pensava em morrer mesmo, porque eu pensava que a minha vida tava terminando ali naquele momento.&quot; (P1, F). </i></p>     <p><i>&nbsp;</i><i>&quot;Eu me senti muito mal, eu n&atilde;o queria mais ficar internada, eu s&oacute; queria me matar, e eu s&oacute; dizia 'eu n&atilde;o quero, eu n&atilde;o quero viver, eu quero morrer.'&quot; (P4, F)</i></p>     <p><i>&nbsp;</i>As falas acima remetem a sintomas depressivos que a descoberta de uma doen&ccedil;a como a Aids pode gerar, levando at&eacute; mesmo ao desejo pela terminalidade, seja por se tratar de uma doen&ccedil;a incur&aacute;vel, seja pelo forte estigma social que a Aids ainda traz (Albuquerque, 2014; Polejack, 2001). Somada &agrave;s dificuldades que as pessoas em relacionamento sorodiferente vivenciam no que tange &agrave; preven&ccedil;&atilde;o, a aus&ecirc;ncia de acessibilidade &agrave; informa&ccedil;&otilde;es sobre a Aids e sorodiferen&ccedil;a pode colocar essas pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento ps&iacute;quico, contribuindo para que as mesmas n&atilde;o relatem aos familiares e at&eacute; mesmo aos parceiros sobre o diagn&oacute;stico pelo temor frente a possibilidade de rejei&ccedil;&atilde;o, o que pode contribuir para o isolamento social, intensificando o quadro depressivo que pode se instalar desde a descoberta (Silva, 2012; Albuquerque, 2014). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria Cren&ccedil;as distorcidas, emergiram subcategorias que remetem a cren&ccedil;as desenvolvidas no in&iacute;cio da epidemia, como por exemplo, a Aids enquanto sin&ocirc;nimo de sobrevida e a Aids ligada &agrave; morte, corroborando por exemplo, com os achados de Maksud (2012). </p>     <p><i>&quot;Eu pensei que por causa do v&iacute;rus eu n&atilde;o iria ter oportunidade pra mais nada na minha vida...&quot; (P1, F) </i></p>     <p><i>&quot;Quando eu descobri a doen&ccedil;a a minha maior preocupa&ccedil;&atilde;o era 'Caramba, como &eacute; que um dia eu vou ter fam&iacute;lia, filhos?', pra mim tinha acabado tudo ne, fam&iacute;lia, filhos...mas hoje eu sei que &eacute; diferente.&quot; (P6, M) </i></p>     <p> De acordo com Silva e Camargo (2009), a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a bem como acerca do tratamento contribui para que a imagem do soropositivo ainda esteja ligada a uma figura catequizante. O impacto do diagn&oacute;stico envolve pessoas que at&eacute; ent&atilde;o estavam no exogrupo, isto &eacute;, que percebiam a Aids enquanto &quot;doen&ccedil;a dos outros&quot;, por isso, j&aacute; possu&iacute;am representa&ccedil;&otilde;es sobre a doen&ccedil;a, e na maioria dos casos, representa&ccedil;&otilde;es j&aacute; ultrapassadas sobre o viver com a Aids. A &uacute;ltima fala mencionada tamb&eacute;m traz &agrave; tona o diagn&oacute;stico de HIV/Aids enquanto barreira para a constru&ccedil;&atilde;o de relacionamentos amorosos, quando o participante referiu a impossibilidade de ter uma fam&iacute;lia e procriar em virtude da doen&ccedil;a. As pesquisas apontam que esse entendimento de que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel o estabelecimento de relacionamentos afetivos e sexuais bem como o planejamento familiar por aqueles que vivem com o v&iacute;rus HIV tende a gerar o fen&ocirc;meno do preconceito aumentado em relacionamentos sorodiferentes, que se refere &agrave; dificuldade que se tem em aceitar a uni&atilde;o entre diferentes, no caso a uni&atilde;o entre algu&eacute;m que &eacute; saud&aacute;vel e algu&eacute;m que tem uma doen&ccedil;a (Saldanha, 2003).</p>     <p> Tais entendimentos podem resultar em sentimentos de ang&uacute;stia e medo pela compreens&atilde;o de que o HIV/Aids traz a suspens&atilde;o de projetos de vida, resultando na terminalidade. Conforme a fala abaixo, a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre a doen&ccedil;a foi o fator contribuinte para a liga&ccedil;&atilde;o do HIV/Aids com a morte, portanto, refor&ccedil;a-se a import&acirc;ncia de campanhas que, efetivamente, busquem a desconstru&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as sobre o HIV/Aids, a fim de que o estigma e o preconceito sejam reduzidos sobre aqueles que vivem a sorodiferen&ccedil;a. </p>     <p><i>&quot;Bem, naquela &eacute;poca com a ignor&acirc;ncia que eu tinha e com a falta de informa&ccedil;&atilde;o que eu tinha, &eacute;...a primeira coisa que vem na sua cabe&ccedil;a &eacute; &ldquo;Eu vou morrer, e eu vou morrer r&aacute;pido.&quot; (P6, M)</i></p>     <p><i>&quot; Eu logo pensei que a minha vida acabou ne, eu pensei logo 'eu n&atilde;o vou poder escrever' porque eu sou escritor, eu fiz mestrado, fiz doutorado e tudo isso passa pela cabe&ccedil;a na hora, ent&atilde;o, eu comecei a dizer ao m&eacute;dico 'Puxa, eu estou escrevendo um livro, n&atilde;o vai da tempo terminar!'.&quot; (P7, M)</i></p>     <p><i>&nbsp;</i> A segunda classe tem&aacute;tica do presente estudo, denominada Preconceito, demonstrou que o cotidiano dos participantes &eacute; permeado por situa&ccedil;&otilde;es que envolvem o medo da rejei&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o. A categoria discrimina&ccedil;&atilde;o envolveu comportamentos de hostilidade no ambiente de trabalho, por familiares e nas demais rela&ccedil;&otilde;es sociais. </p>     <p><i>&quot;</i><i>Como aconteceu j&aacute; comigo, eu tava trabalhando e a&iacute; descobriram e me botaram pra fora. Me tiraram do trabalho por isso, eles n&atilde;o me disseram que foi por isso, mas uma pessoa do trabalho chegou e me disse 'Olha, teve uma pessoa que chegou pra ele (o patr&atilde;o) e contou pra ele que voc&ecirc; ia pra Jo&atilde;o Pessoa porque voc&ecirc; tem HIV, ent&atilde;o, foi por isso que ele te tirou'. Ent&atilde;o, eu acho que dos momentos ruins, eu acho que esse foi o pior, porque foi preconceito.&quot; (P1, F) </i></p>     <p>Conforme preconiza a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), por meio de sua Recomenda&ccedil;&atilde;o n&ordm; 200, tem-se a garantia dos direitos humanos &agrave;s pessoas que possuem o HIV/Aids nos contextos de trabalho, de forma que pr&aacute;ticas estigmatizantes e discriminat&oacute;rias s&atilde;o vedadas, por&eacute;m, comportamentos discriminat&oacute;rios ainda s&atilde;o comuns no contexto do HIV/Aids, como relatado pela participante, corroborando com os achados de Maksud (2012), a qual tamb&eacute;m observou casos de perda do emprego em raz&atilde;o do diagn&oacute;stico de HIV/Aids. Gunther (2013) afirma que os indiv&iacute;duos soropositivos que passam por situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o podem sofrer dois tipos de doen&ccedil;a: uma referente ao preconceito, pela estigmatiza&ccedil;&atilde;o, acarretando em uma situa&ccedil;&atilde;o de vitimiza&ccedil;&atilde;o dupla, tanto pela enfermidade f&iacute;sica, quanto pela discrimina&ccedil;&atilde;o voltada para ele. Embora os avan&ccedil;os legais e sociais relacionados ao HIV/Aids sejam not&oacute;rios, o autor enfatiza que o HIV/Aids, dentre os casos de sa&uacute;de, provoca situa&ccedil;&otilde;es mais frequentes de discrimina&ccedil;&atilde;o (Gunther, 2013). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o no contexto familiar tamb&eacute;m foi afirmada pelos participantes: </p>     <p><i>&quot;</i><i> Ah, eu vivo dentro do preconceito. Caramba, eu vivo dentro do preconceito. Eu contei pra minha fam&iacute;lia, e eu n&atilde;o vivo com a minha fam&iacute;lia, por que quando eu me descobri com HIV ficou aquela paranoia ne, as minhas coisas, as minhas roupas, os meus talheres...era tudo separado!&quot; (P6, M) </i></p>     <p><i>&quot;Olha, s&oacute; pra voc&ecirc; ter uma ideia,se eu fosse lavar minha roupa, toda roupa da m&aacute;quina n&atilde;o era misturada junto com a minha.&quot; (P6, M) </i></p>     <p><i>&quot;As minhas outras tias dizem que aceita, mas eu sinto assim, uma frieza pro meu lado sabe, se afastaram depois que souberam.&quot; (P4, F)</i></p>     <p>A pol&iacute;tica de acesso universal ao tratamento de Aids bem como a diminui&ccedil;&atilde;o de interna&ccedil;&otilde;es e dos indicadores de mortalidade por Aids contribu&iacute;ram para que o status de morte iminente da pessoa que possui o HIV viesse a ser substitu&iacute;do por um car&aacute;ter de cronicidade. Todavia, se por um lado os avan&ccedil;os t&eacute;cnicos s&atilde;o incontend&iacute;veis, por outro lado, os indiv&iacute;duos que vivem ou convivem com a doen&ccedil;a permanecem expostos &agrave; estigmas e discrimina&ccedil;&otilde;es (Silva, 2009). Dentre estas situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o, vale salientar as cren&ccedil;as sobre as formas de cont&aacute;gio j&aacute; desmistificadas pela ci&ecirc;ncia que ainda est&atilde;o presentes no imagin&aacute;rio popular, conforme referido pelo relato acima. </p>     <p> Observa-se que o preconceito, para os participantes desse estudo, veio das rela&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas, como no ambiente de trabalho, na fam&iacute;lia e no c&iacute;rculo de amizades, ressaltando que esse fen&ocirc;meno pode ser fator de ang&uacute;stia e conflitos dentro dos relacionamentos sorodiferentes, visto, nesse tipo de modalidade, a possibilidade de que o preconceito e mesmo a discrimina&ccedil;&atilde;o atinja tamb&eacute;m o parceiro soronegativo da rela&ccedil;&atilde;o. Conforme a transcri&ccedil;&atilde;o abaixo, o parceiro soronegativo apreende coment&aacute;rios hostis dos amigos diante da possibilidade de contamina&ccedil;&atilde;o: </p>     <p><i>&quot;Porque quando os amigos dele descobriram tipo, ele fez tipo uma pesquisa, a&iacute; ele perguntou a v&aacute;rios amigos dele se eles tivessem uma mulher e ela passasse esse v&iacute;rus pra ele e qual seria a rea&ccedil;&atilde;o deles e dois falaram que aceitariam e o resto disse que matava, ent&atilde;o, a rea&ccedil;&atilde;o era matar.&quot; (P1, F) </i></p>     <p> Tais coment&aacute;rios podem trazer sofrimento ps&iacute;quico para ambos os parceiros, uma vez que se verifica a hostilidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais diante de uma descoberta diagn&oacute;stica, levando ent&atilde;o, a omiss&atilde;o do casal sobre sua sorodiferen&ccedil;a. No caso da revela&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica para amigos ou colegas, o trecho abaixo deixa claro que a descoberta da soropositividade ainda pode levar ao distanciamento social: </p>     <p><i>&quot;Tem pessoas que j&aacute; recebem sinais desfocados sobre mim, sobre a doen&ccedil;a, se afastaram de mim. S&atilde;o colegas da minha esfera, mas n&atilde;o s&atilde;o meus amigos.&quot; (P6,M) </i></p>     <p> Emergiu tamb&eacute;m, por meio das entrevistas, a categoria denominada Medo, esta categoria foi relacionada ao medo do preconceito, do preconceito duplo e da rejei&ccedil;&atilde;o social. No caso do relacionamento sorodiferente, o temor frente &agrave;s express&otilde;es de preconceito pode se fazer presente tamb&eacute;m para o parceiro soronegativo, de maneira que o rompimento do relacionamento pode ser incentivado pelas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Em pesquisa realizada com casais sorodiferentes, Maksud (2012) encontrou a tend&ecirc;ncia de a uni&atilde;o entre pessoas sadias e doentes propiciar tens&otilde;es e estigmas entre as rela&ccedil;&otilde;es sociais mais pr&oacute;ximas dos casais, especialmente quando se trata de uma doen&ccedil;a como a Aids, cuja principal forma de cont&aacute;gio tende a colocar o indiv&iacute;duo infectado enquanto um ser &quot;desviante&quot; das normas sociais estabelecidas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&quot;</i><i>Foi uma vez, quando come&ccedil;aram a descobrir que eu vinha pra o hospital, como eu moro numa cidade muito pequena todo mundo logo fala e disseram pra ele 'N&atilde;o, como voc&ecirc; vai ficar com ela!?Ela tem isso!Tu n&atilde;o tem medo de morrer?'Quando foi nesse mesmo dia, resolvemos ter uma conversa muito s&eacute;ria pra decidir se a gente ia ficar junto realmente, porque eu tinha muito medo desse preconceito todo.&quot; (P1, F) </i></p>     <p><i>&quot;Ah, eu me sinto muito mal, seil&aacute;, &eacute; muito dif&iacute;cil voc&ecirc; se relacionar com uma pessoa que n&atilde;o tem, a&iacute; chega uma pessoa que sabe que voc&ecirc; tem ou desconfia, a&iacute; pronto e fica querendo que o relacionamento acabe, eu acho que isso &eacute; o que mais acontece.&quot; (P1, F) </i></p>     <p> A literatura aponta que a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o de um relacionamento sorodiferente e, consequentemente, o incentivo para o rompimento da uni&atilde;o, diz respeito a um fen&ocirc;meno comum por raz&otilde;es j&aacute; explicitadas na presente pesquisa, sendo tal fen&ocirc;meno estendido at&eacute; mesmo para profissionais de sa&uacute;de que trabalham em centro de refer&ecirc;ncia ao atendimento em HIV/Aids ( Lago, Maksud &amp; Gon&ccedil;alves, 2013). Segundo os autores, os relacionamentos sorodiferentes para o HIV/Aids s&atilde;o vistos de forma negativa por muitos profissionais de sa&uacute;de, culminando em uma esp&eacute;cie de &quot;apagamento simb&oacute;lico&quot; do casal. Diante disso, tem-se a invisibilidade da sorodiferen&ccedil;a nesses servi&ccedil;os de sa&uacute;de, trazendo dentre as v&aacute;rias consequ&ecirc;ncias, dificuldades na ades&atilde;o ao tratamento bem como em medidas preventivas por parte dos casais (Lago, Maksud &amp; Gon&ccedil;alves, 2013). </p>     <p> Ainda sobre a subcategoria relacionada ao medo do preconceito, o relato abaixo traz o preconceito enquanto fator principal de ang&uacute;stia vivido pelo casal, onde o participante refere que mais do que ang&uacute;stia pela presen&ccedil;a do v&iacute;rus, est&aacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ser aceito socialmente por causa da doen&ccedil;a. S&atilde;o aspectos sociais referentes a Aids, aspectos esses que v&atilde;o al&eacute;m dos aspectos biol&oacute;gicos que envolvem o HIV/Aids. </p>     <p><i>&quot;Mas eu e minha esposa a gente adora festa, a gente sempre sai e leva nossa vida, o HIV n&atilde;o me impede n&atilde;o, agora o que mata mesmo &eacute; o preconceito, mas o v&iacute;rus n&atilde;o.&quot; (P3, M) </i></p>     <p> Nos relacionamentos sorodiferentes h&aacute; uma particularidade que envolve a quest&atilde;o do medo do preconceito, a qual diz respeito ao temor do preconceito duplo, isto &eacute;, os indiv&iacute;duos soropositivos tanto podem sofrer express&otilde;es de preconceito para com eles bem como para com o parceiro. Diante de tal possibilidade, alguns casais optam pela omiss&atilde;o do diagn&oacute;stico a fim de preservar suas rela&ccedil;&otilde;es familiares. As falas abaixo trazem mais uma vez a resist&ecirc;ncia que as pessoas ainda possuem de aceitar a uni&atilde;o entre pessoas com sorologias distintas para o HIV/Aids: </p>     <p><i>&quot;</i><i>Eu tenho muito medo porque a fam&iacute;lia dele &eacute; muito grande e ele tem medo que a fam&iacute;lia dele tenha essa suspeita, e a partir disso descubra e despreze eu e at&eacute; ele, a&iacute; ele tem esse medo.&quot; (P1, F) </i></p>     <p><i>&quot;Ah, &eacute; muito triste ne, porque a fam&iacute;lia dele mesmo n&atilde;o sabe, as minhas cunhadas e os meus cunhados me amam, mas eu n&atilde;o quero que eles saibam. E ele n&atilde;o quer que eles saibam, eu acho assim que ele n&atilde;o conta porque sabe que se eles souberem v&atilde;o chamar ele e dizer 'Como tu vive com uma mulher que tem esse problema?'. A&iacute;, eu tenho medo de ouvir e ele ser abandonado pela fam&iacute;lia, que &eacute; uma fam&iacute;lia muito unida, e eu ficar tamb&eacute;m recha&ccedil;ada.&quot; (P4, F) </i></p>     <p> Somado ao medo de sofrer express&otilde;es de preconceito e preconceito duplo, tem-se o temor da rejei&ccedil;&atilde;o social. Albuquerque (2014) observou que um dos sentimentos iniciais que acometem as pessoas que vivenciam a revela&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica para o HIV &eacute; de que ser&atilde;o rejeitadas pelas suas rela&ccedil;&otilde;es sociais mais &iacute;ntimas, inclusive pelo parceiro. </p>     <p><i>&quot;Por que eu s&oacute; pensava que ia ser rejeitada pela minha fam&iacute;lia, por causa da discrimina&ccedil;&atilde;o mesmo, eu achava que minha fam&iacute;lia ia me d&aacute; as costas, e ainda mais meu pai que tem pensamento antigo ne, eu pensava que meu pai n&atilde;o ia aceitar de jeito nenhum ne?&quot; (P4, F) </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&quot;E eu tinha uma tia aqui na Para&iacute;ba que sabia que eu tava doente, logo no come&ccedil;o eu n&atilde;o queria contar ne, porque eu tinha medo de como ela ia agir, tinha muito medo e contar pra ela, porque eu tinha medo dela n&atilde;o olhar nem mais pra mim.&quot; (P4, F) </i></p>     <p>Verifica-se ent&atilde;o, apoiando os achados de Maliska, Padilha, Vieira e Bastiani (2009), que o diagn&oacute;stico do HIV/Aids evidencia n&atilde;o apenas fatores biol&oacute;gicos, mas tamb&eacute;m ps&iacute;quicos, sociais, culturais e econ&ocirc;micos. Trata-se de uma experi&ecirc;ncia limite, na qual a intensidade pode ser maior segundo as compreens&otilde;es subjetivas que cada indiv&iacute;duo tem sobre a Aids, isto &eacute;, s&atilde;o respostas, fortemente, influenciadas por cren&ccedil;as e valores tanto individuais quanto sociais e institucionais. </p>     <p>A classe tem&aacute;tica Preconceito tamb&eacute;m trouxe como categoria a presen&ccedil;a de Cren&ccedil;as distorcidas sobre a Aids, cren&ccedil;as estas que foram desenvolvidas no in&iacute;cio da epidemia, sendo portanto, maci&ccedil;amente desmistificadas por especialistas da &aacute;rea da sa&uacute;de. Dentro desse aspecto, tem-se as formas de transmiss&atilde;o do v&iacute;rus entendidas de maneira incorreta, o que pode refor&ccedil;ar o preconceito contra aquele que possui o diagn&oacute;stico de HIV/Aids:</p>     <p><i>&quot;Olha, eu j&aacute; ouvi de pessoas, j&aacute; escutei coment&aacute;rios, na verdade, eu j&aacute; escutei e vi. E foram pessoas pr&oacute;prias da minha fam&iacute;lia, n&atilde;o foi com m&atilde;e ou irm&atilde;, foram de mais longe, mas s&atilde;o da fam&iacute;lia. Houve uma vez preconceito, se falou porque uma vez eu tava na casa da pessoa, e uma tia minha falou que beber &aacute;gua onde a pessoa que tem essa doen&ccedil;a bebe pode contrair a doen&ccedil;a, e eu fiquei muito triste com esse coment&aacute;rio, eu ainda disse que isso n&atilde;o existe que n&atilde;o pega assim.&quot; (P2, M) </i></p>     <p><i>&quot;No inicio eu ainda ficava cismado de usar a mesma toalha, os copos, mas a m&eacute;dica disso que n&atilde;o tinha nada haver, que eu podia levar a vida normal.&quot; (P3, M)</i></p>     <p>Os relatos apontam para cren&ccedil;as distorcidas sobre a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a como fator de ang&uacute;stia para quem vive com o HIV/Aids, <i> </i>deixando claro mais uma vez que ainda h&aacute; muito para se avan&ccedil;ar em termos de aspectos sociais no campo da Aids. Conforme a &uacute;ltima fala referida, medidas radicais de preven&ccedil;&atilde;o foram tomadas pelo parceiro soropositivo da rela&ccedil;&atilde;o pelo medo da transmiss&atilde;o, no entanto, ap&oacute;s informa&ccedil;&otilde;es concedidas pelo profissional de sa&uacute;de, a situa&ccedil;&atilde;o de sorodiferen&ccedil;a foi naturalizada de maneira coerente. Sendo assim, ressalta-se a import&acirc;ncia de que profissionais de sa&uacute;de tratem do fen&ocirc;meno da sorodiferen&ccedil;a, incluindo no atendimento o parceiro soronegativo da rela&ccedil;&atilde;o, a fim de desmistificar <i> </i>cren&ccedil;as erradas sobre a doen&ccedil;a, para que esses casais possam vivenciar suas rela&ccedil;&otilde;es de forma satisfat&oacute;ria (Albuquerque, 2014). </p>     <p>Outro aspecto destacado pelos participantes da pesquisa se refere &agrave; aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre o HIV/Aids por parte da sociedade como poss&iacute;vel determinante das cren&ccedil;as distorcidas sobre a doen&ccedil;a e, consequentemente, do preconceito gerado. &Eacute; mencionado, inclusive, a precariedade de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a redu&ccedil;&atilde;o do preconceito e da discrimina&ccedil;&atilde;o contra aqueles que vivem com o v&iacute;rus. </p>     <p><i>&quot;</i><i>Mas eu posso entender a ignor&acirc;ncia na cabe&ccedil;a das pessoas, apesar que eu n&atilde;o aceito, por que eu acho que o governo &eacute; muito desgra&ccedil;ado na quest&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, a informa&ccedil;&atilde;o sobre o HIV/Aids s&oacute; existe no carnaval e em feriados ne?&quot; (P6, M) </i></p>     <p><i>&quot;Eu tentei explicar, mas n&atilde;o adianta, n&atilde;o adianta porque o mito que se tem fala mais alto do que o que a Aids realmente &eacute;. Ent&atilde;o, as pessoas leigas e est&uacute;pidas veem a Aids muito pior do que, talvez, ela pare&ccedil;a. Ela &eacute; uma doen&ccedil;a s&eacute;ria, como eu falei, mas tamb&eacute;m n&atilde;o precisa disso tudo.&quot; (P6, M) </i></p>     <p><i>&quot;Mas o preconceito existe, existe e muito, principalmente as pessoas desinformadas que acham que se a pessoa pegar o v&iacute;rus vai morrer, ne, e a gente sabe que houve uma evolu&ccedil;&atilde;o grande mesmo, o que falta descobrir mesmo &eacute; a cura, mas o resto t&aacute; a&iacute;, voc&ecirc; pode at&eacute; ter filhos.&quot; (P7, M) </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com Lago, Maksud e Gon&ccedil;alves (2013), assim como afirmam os pr&oacute;prios participantes deste estudo, a desinforma&ccedil;&atilde;o seria uma das grandes respons&aacute;veis para que o estigma sobre aqueles que possuem ou que est&aacute; relacionado com algu&eacute;m que tem o dign&oacute;stico de soropositividade para o HIV ainda perdure, apesar dos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos nesse campo. </p>     <p>Outro ponto a destacar ainda na categoria de Cren&ccedil;as distorcidas &eacute; acerca do estere&oacute;tipo que ainda sem tem em rela&ccedil;&atilde;o aquele que possui o HIV/Aids, refor&ccedil;ando ainda mais situa&ccedil;&otilde;es de preconceito e mesmo de discrimina&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><i>&quot;Eu estava gordo e eu achava que t&aacute; gordo n&atilde;o tinha nada haver, por que o estere&oacute;tipo que voc&ecirc; tem daquele paciente com HIV &eacute; um paciente magrinho, que nem o Cazuza. Bom, e n&atilde;o foi isso que aconteceu, eu estava bem.&quot; (P6, M) </i></p>     <p>O trecho supracitado traz a tona estere&oacute;tipos f&iacute;sicos remetidos ao in&iacute;cio da epidemia, salientando ainda mais o sofrimento diante do diagn&oacute;stico (Silva e Camargo, 2009). </p>     <p>Por fim, tem-se a categoria Recurso do sigilo enquanto fator de preserva&ccedil;&atilde;o para aqueles que vivem a sorodiferen&ccedil;a. Por meio de algumas falas, emergiu a categoria Prote&ccedil;&atilde;o do casal enquanto causa para que o sigilo do diagn&oacute;stico seja mantido. </p>     <p><i>&quot;Ele, assim, ele nega pra todo mundo, pra os amigos dele ele mente, assim, os moradores da cidade, a fam&iacute;lia dele ningu&eacute;m sabe, na minha fam&iacute;lia ningu&eacute;m sabe tamb&eacute;m, &eacute; melhor pra os dois, n&eacute;?&quot; (P1, F) </i></p>     <p><i>&quot;Eu prefiro que ela nem venha pra c&aacute; comigo, porque ela &eacute; muito conhecida, e &eacute; chato n&eacute;, eu t&aacute; aqui e ela tem que vir tamb&eacute;m, &agrave;s vezes ela vinha pra conversar com o m&eacute;dico, mas eu evito porque ela &eacute; muito conhecida, ent&atilde;o pra preservar a gente do povo eu disse 'N&atilde;o, deixa ela quieta'.&quot; (P3, M) </i></p>     <p> De modo semelhante, Albuquerque (2014) observou o sigilo como principal estrat&eacute;gia de enfrentamento na modalidade da sorodiferen&ccedil;a, visto o sigilo proteger os casais de eventuais situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o ou de rejei&ccedil;&atilde;o social. Nesse &acirc;mbito, o sigilo ou segredo, surge como uma estrat&eacute;gia de prote&ccedil;&atilde;o do viver e conviver com a Aids. O fen&ocirc;meno do sil&ecirc;ncio, ou seja, a omiss&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o direta sobre a Aids pode eliminar o risco de propaga&ccedil;&atilde;o para a sociedade. Por&eacute;m, segundo Sousa, Kantorski e Bielemann (2004), o sigilo, ainda que assuma uma caracter&iacute;stica de poder, de se ter algo poderoso, no HIV/Aids expressa a necessidade de omitir algo que deponha contra a pessoa. </p>     <p>A subcategoria Familiares indica que o recurso do sigilo &eacute; utilizado mesmo para pessoas bem pr&oacute;ximas do casal, como por exemplo, na revela&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico apenas para o parceiro.</p>     <p><i>&quot;Ningu&eacute;m sabe, nem familiares, da minha fam&iacute;lia somente minha esposa, claro, eu prefiro assim.&quot; (P7, M) </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Sendo assim, o temor da rejei&ccedil;&atilde;o social bem como da n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o de uma relacionamento sorodiferente resulta no sil&ecirc;ncio sobre o assunto. Valendo salientar que nem sempre tal omiss&atilde;o, ainda que seja um recurso de prote&ccedil;&atilde;o, culmina em aus&ecirc;ncia de ang&uacute;stia ou conflitos para o casal, uma vez que, em alguns relacionamentos sorodiferentes, o n&atilde;o revelar a pessoas pr&oacute;ximas do casal sobre a sorodiferen&ccedil;a pode gerar sentimentos de ang&uacute;stia (Albuquerque, 2014). De acordo com Maksud (2012), a revela&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica de sorodiferen&ccedil;a para as fam&iacute;lias de ambos os parceiros tem aspectos ligados &agrave; rela&ccedil;&otilde;es de poder, isto &eacute;, envolve a escolha das pessoas para quem contar, qual dos parceiros far&aacute; a revela&ccedil;&atilde;o e quem possui o monop&oacute;lio da revela&ccedil;&atilde;o, de maneira que nem sempre ambos os parceiros est&atilde;o em acordo com tais aspectos ou mesmo com a escolha pela revela&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> A subcategoria Amigos/Outros emergiu com bastante frequ&ecirc;ncia pelos participantes, cuja escolha pelo sigilo envolve a prote&ccedil;&atilde;o contra a viv&ecirc;ncia do preconceito, seja por amigos, seja por rela&ccedil;&otilde;es sociais mais amplas. </p>     <p><i>&quot; Ah, o preconceito social existe sim, agora eu sempre procurei manter em sigilo, porque eu sou uma figura p&uacute;blica entendeu, eu ando por v&aacute;rios estados, estou sempre apresentando trabalho, ent&atilde;o, de fato, por conta do preconceito, eu pe&ccedil;o sempre o sigilo ao profissional de sa&uacute;de que sabe, por que o preconceito contra uma figura p&uacute;blica &eacute; ainda mais forte do que com um cidad&atilde;o que n&atilde;o tem acesso nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, que n&atilde;o &eacute; conhecido enquanto profissional.&quot; (P7, M)</i></p>     <p><i>&quot;Eu sempre escuto piada de quem t&aacute; doente, mas eu fico na minha, me d&oacute;i?d&oacute;i! &Eacute; ruim escutar as pessoas falarem 'Ah, porque a pessoa ter HIV &eacute; muito ruim e tal', a&iacute; eu fico triste ne, eu fico pensando que eu tenho e porque que isso tinha que ter acontecido comigo?Eu sei que eles n&atilde;o sabem que eu tenho, mas mesmo assim ne, e ainda bem que eles nao sabem.&quot; (P4, F) </i></p>     <p><i>&quot;Eu tenho a doen&ccedil;a, sou consciente da doen&ccedil;a, uso o rem&eacute;dio direito, como &eacute; pra ser usado. E eu transmito pras pessoas, n&atilde;o sobre a doen&ccedil;a, que eu n&atilde;o posso n&eacute;, por que o tal do preconceito &eacute; grande. Mas eu falo pras pessoas um pouco da minha vida, da minha experi&ecirc;ncia.&quot; (P5, M) </i></p>     <p><i>N&atilde;o enfrento preconceito por que eu escondo, meu caso n&atilde;o foi divulgado pra ningu&eacute;m, s&oacute; alguns familiares, muita gente sabe que eu to fazendo um tratamento de pulm&atilde;o, a&iacute; o pessoal me perguntava o que eu vinha fazer em Jo&atilde;o Pessoa, a&iacute; eu dizia que era pra tratar do pulm&atilde;o.&quot; (P5, M) </i></p>     <p> Ainda que o sigilo seja encarado enquanto um recurso de prote&ccedil;&atilde;o para aqueles que vivem ou convivem com o HIV/Aids, algumas falas apontam para a escolha pela n&atilde;o informa&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a ou mesmo pela n&atilde;o desconstru&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as distorcidas sobre a Aids, uma vez que prestar informa&ccedil;&atilde;o pode denunciar a condi&ccedil;&atilde;o, ressaltando que aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es tende a refor&ccedil;ar ainda mais o estigma. Se por um lado, o sigilo &eacute; sin&ocirc;nimo de prote&ccedil;&atilde;o para o casal em rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos que muitos referem como os mais preocupantes na viv&ecirc;ncia sorodiferente- estigma e preconceito-, por outro lado, conforme demonstra a literatura, o segredo pode favorecer para que o preconceito ganhe ainda mais espa&ccedil;o (Duffy, 2005; Silva &amp; Camargo Jr, 2011; Lago, Maksud &amp; Gon&ccedil;alves, 2013).</p>     <p> Os avan&ccedil;os no campo do HIV/Aids desde as primeiras respostas dadas pelo setor da sa&uacute;de, s&atilde;o incontest&aacute;veis, visto o tratamento medicamentoso assim como a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas contribu&iacute;rem para que o status de morte iminente fosse modificado por uma condi&ccedil;&atilde;o de cronicidade, de maneira que o indiv&iacute;duo que vive com o HIV pode planejar sua vida, como por exemplo, nos projetos que envolvem os relacionamentos amorosos.</p>     <p> Dos anos 1980 at&eacute; ent&atilde;o o fen&ocirc;meno do HIV/Aids vivenciou significativas transforma&ccedil;&otilde;es, cujos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos propiciaram a uni&atilde;o cada vez mais frequente de casais sorodiferentes. Nada obstante, no que tange aos avan&ccedil;os sociais, este campo ainda tem muito a progredir, uma vez que o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o foram referidos por aqueles que vivem a sorodiferen&ccedil;a enquanto o maior desafio a ser enfrentado. Nesse contexto, a presente pesquisa percebe o desafio da aceita&ccedil;&atilde;o social pelos casais sorodiferentes para o HIV/Aids, de forma que mais preocupante do que os aspectos biol&oacute;gicos do HIV, tem-se a preocupa&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o social, ressaltando que tal aceita&ccedil;&atilde;o diz respeito n&atilde;o apenas a uma quest&atilde;o de necessidade, mas, principalmente, enquanto um direito.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p><b>&nbsp;</b>Albuquerque, J. R. (2014). <i>&quot;At&eacute; que a morte nos separe&quot;: o casamento sorodiferentes para o HIV/Aids e seus desdobramentos</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Psicologia) Universidade Federal da Para&iacute;ba, Jo&atilde;o Pessoa,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556578&pid=S1645-0086201800020001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> PB. </p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (2009). <i>An&aacute;lise de Conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556580&pid=S1645-0086201800020001900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Duffy, L. (2005). Sufferig, shame and silence: The stigma of HIV/Aids. <i>Journal of the Association of Nurses in Aids Care</i>, <i>16</i>(1), 13-20.&nbsp;doi: 10.1016/j.jana.2004.11.002&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556582&pid=S1645-0086201800020001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ferreira, R. C. M. Figueiredo, M. A. C., &amp; Souza, L. B. (2011). Trabalho, HIV/Aids: enfrentamento e dificuldades relatadas por mulheres. <i>Psicologia em Estudo</i>, <i>16</i>(2), 259-267. Recuperado de:<a href="http://bibliobase.sermais.pt:8008/BiblioNET/Upload/PDF6/004131_Psicol%20em%20Estu.pdf" target="_blank">http://bibliobase.sermais.pt:8008/BiblioNET/Upload/PDF6/004131_Psicol%20em%20Estu.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556583&pid=S1645-0086201800020001900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Goffman, E. (1988). <i>Estigma: notas sobre a manipula&ccedil;&atilde;o da identidade deteriorada</i>. Rio de Janeiro: Guanabara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556584&pid=S1645-0086201800020001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Gunther, L. E. (2013). O HIV e a Aids: preconceito, discrimina&ccedil;&atilde;o e estigma no trabalho. <i>Revista Jur&iacute;dica</i>,<i>1</i>(30), 398-428. 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A &quot;sorodiscord&acirc;ncia para profissionais de sa&uacute;de: estudo qualitativo da assist&ecirc;ncia em ambulat&oacute;rio de HIV/Aids em munic&iacute;pio do Estado do Rio de Janeiro. <i>Temas em psicologia</i>, <i>21</i>(3), 973-988. doi:10.9788/TP2013.3-EE11PT.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556587&pid=S1645-0086201800020001900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maksud, L. (2012). Sil&ecirc;ncios e segredos: aspectos (n&atilde;o falados) da conjugalidade face &agrave; sorodiscord&acirc;ncia para o HIV/AIDS. <i>Caderno de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>, <i>28</i>(6), 1196-1204. doi:10.1590/S0102-311X2012000600018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556589&pid=S1645-0086201800020001900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Maliska, I. C. A., Padilha, M. I., Vieira, M., &amp; Bastiani, J. (2009). Percep&ccedil;&otilde;es e significados do diagn&oacute;stico e conv&iacute;vio com o HIV/Aids. <i>Revista Ga&uacute;cha de Enfermagem</i><i>, 30</i>(1), 85-91.</p>     <p>Recuperadode:<a href="http://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/5966/6567" target="_blank">http://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/5966/6567</a></p>     <!-- ref --><p>Parker, R., &amp; Aggleton, P. (2001). <i>Estigma, discrimina&ccedil;&atilde;o e Aids</i>. Rio de Janeiro: ABIA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556593&pid=S1645-0086201800020001900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Passarell, C. (2003). Imagens da sorodiscord&acirc;ncia. In: I. Maksud, J. R. Terto, V. Pimenta, &amp; M. C. Parker (Org.). <i>Conjugalidade e Aids: a quest&atilde;o da sorodiscord&acirc;ncia e os servi&ccedil;os de sa&uacute;de</i> (1a ed., Cap. 7, pp. 45-48). Rio de Janeiro: ABIA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556595&pid=S1645-0086201800020001900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Polejack, L. (2001). <i>Convivendo com a diferen&ccedil;a: din&acirc;mica relacional de casais sorodiscordantes para o HIV/Aids</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado). Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556597&pid=S1645-0086201800020001900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Brasil. </p>     <!-- ref --><p>Reis, R. K., &amp; Gir, E. (2009). Convivendo com a diferen&ccedil;a: o impacto da sorodiscord&acirc;ncia na vida afetivo-sexual de portadores do HIV/Aids. <i>Revista da Escola de Enfermagem. </i><i>USP</i>, <i>44</i>(3), 759-765. doi: 10.1590/S0080-62342010000300030.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556599&pid=S1645-0086201800020001900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Remien, R. (2002). Uma revis&atilde;o dos desafios para casais sorodiscordantes e quest&otilde;es de Sa&uacute;de P&uacute;blica: implica&ccedil;&otilde;es para interven&ccedil;&otilde;es. In: I. Maksud., J. R. Terto., &amp; v, V. Pimenta (Org.). <i>Conjugalidade e Aids: a quest&atilde;o da sorodiscord&acirc;ncia e os servi&ccedil;os de sa&uacute;de</i> (1a ed., Cap. 10, pp. 21-25). Rio de Janeiro: ABIA.</p>     <!-- ref --><p>Saldanha, A. A. W. (2003). <i>Vulnerabilidade e Constru&ccedil;&otilde;es de enfrentamento da soropositividade ao HIV por mulheres infectadas em relacionamento est&aacute;vel</i>. (Tese de doutorado). Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556602&pid=S1645-0086201800020001900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Brasil. </p>     <!-- ref --><p>Sherr, L., &amp; Barry, N. (2004). Fatherhood and HIV-positive heterosexual men. <i>HIV Medicine</i>, <i>5</i>(1), 258-263. doi: 10.1111/j.1468-1293.2004.00218.x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556604&pid=S1645-0086201800020001900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, J. (2009). <i>O viver com aids depois dos 50 anos e sua rela&ccedil;&atilde;o com a Qualidade de vida </i>(Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado) Universidade Federal da Para&iacute;ba, Jo&atilde;o Pessoa,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556605&pid=S1645-0086201800020001900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Para&iacute;ba, Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silva, L. M. F. (2012). <i>Fazendo a diferen&ccedil;a: As din&acirc;micas da conjugalidade sorodiscordante para o HIV/AIDS</i> (Tese de doutorado) Universidade Federal da Para&iacute;ba, Jo&atilde;o Pessoa,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556607&pid=S1645-0086201800020001900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Para&iacute;ba, Brasil. </p>     <!-- ref --><p>Silva, A. M., &amp; Camargo Jr, K. R. (2011). A invisibilidade da sorodiscord&acirc;ncia na aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas com HIV/Aids. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva</i>, <i>16</i>(12), 4865-4873. doi:10.1590/S1413-81232011001300035&nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556609&pid=S1645-0086201800020001900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sousa, A.S., Kantorski, L.P., &amp; Bielemann, V.L.M. (2004). A Aids no interior da fam&iacute;lia - percep&ccedil;&atilde;o, sil&ecirc;ncio e segredo na conviv&ecirc;ncia social. <i>Health Sciences Maring&aacute;</i>, <i>26</i>(1), 1-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556611&pid=S1645-0086201800020001900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tajfel, H. (1983).&nbsp;<i>Grupos humanos e categorias sociais: estudos em psicologia social II</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556613&pid=S1645-0086201800020001900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Velho, G. (2003). O estudo do comportamento desviante: a contribui&ccedil;&atilde;o da antropologia social. In: G. Velho (Org). <i>Desvio e diverg&ecirc;ncia: uma cr&iacute;tica da patologia s&oacute;cial </i>(pp. 11-28). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=556615&pid=S1645-0086201800020001900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
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