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<article-id pub-id-type="doi">10.15309/18psd19030104</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A percepção da doença cardíaca e da comunicação do diagnóstico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The way as the doctor communicates cardiac illness diagnosis to patient may have implications on the patient's perception of his disease, which, in turn, possibly influence on its care. The purpose of this study is to evaluate illness perception on cardiac patients and it's relation with diagnosis communication content perception (identity, causes, consequences, timeline, treatment and personal control, coherence and emotional representation). The study was carried out with 71 adult cardiac patients, undergoing treatment in a regional hospital in the south of Brazil, who answered a sociodemographic questionnaire, a questionnaire of illness perception and a questionnaire about the perception of the information supplied during diagnosis. No significant correlation between cardiac illness perception and the content of the information supplied with diagnosis was found. However, gender related differences were found; women assigned more symptoms to the disease and perceived the symptoms as more cyclical than man. Conclusions: illness perception does not depend of the doctor’s diagnosis communication, finding signs that it may be produce prior to the disease itself.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>A percepção da doença cardíaca e da comunicação do diagnóstico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Cardiac illness perception and diagnosis communication</b></font></p>     <p><b>Viviane Altenhofen<sup>1</sup> &amp; Elisa Kern de Castro<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1 </sup>Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, Brasil.    <a href="mailto:elisakc@unisinos.br">elisakc@unisinos.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A forma como o diagnóstico da doença cardíaca é comunicado pelo médico pode    exercer um papel importante na percepção que o paciente tem de sua doença, que    tem implicações para o seu cuidado. O objetivo do presente estudo é avaliar    a percepção da doença em indivíduos cardíacos e sua relação com a percepção    do conteúdo da comunicação do diagnóstico (sintomas, causas, consequências,    duração, controle pessoal e do tratamento, coerência e representação emocional).    Participaram 71 pacientes cardíacos adultos atendidos num centro de cardiologia    de um hospital de uma cidade do interior do sul que responderam a um questionário    sociodemográfico, questionário de percepção da doença e questionário das percepções    das informações fornecidas no diagnóstico. Não houve correlações significativas    entre as percepções sobre a doença cardíaca e o conteúdo da informação comunicada    no diagnóstico. Contudo, verificaram-se diferenças relacionadas ao gênero, pois    as mulheres atribuíram mais sintomas à doença e perceberam os sintomas da doença    como mais cíclicos que os homens. </p>     <p>A percepção da doença independe da comunicação do médico no diagnóstico, indicando    que ela pode ser construída anteriormente à própria doença.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> doenças cardíacas, percepção da doença, autorregulação,    comunicação</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p> The way as the doctor communicates cardiac illness diagnosis to patient may    have implications on the patient&rsquo;s perception of his disease, which, in turn,    possibly influence on its care. The purpose of this study is to evaluate illness    perception on cardiac patients and it&rsquo;s relation with diagnosis communication    content perception (identity, causes, consequences, timeline, treatment and    personal control, coherence and emotional representation). The study was carried    out with 71 adult cardiac patients, undergoing treatment in a regional hospital    in the south of Brazil, who answered a sociodemographic questionnaire, a questionnaire    of illness perception and a questionnaire about the perception of the information    supplied during diagnosis. No significant correlation between cardiac illness    perception and the content of the information supplied with diagnosis was found.    However, gender related differences were found; women assigned more symptoms    to the disease and perceived the symptoms as more cyclical than man. </p>     <p>Conclusions: illness perception does not depend of the doctor’s diagnosis communication,    finding signs that it may be produce prior to the disease itself.</p>     <p><b>Keywords:</b><i> </i>cardiac diseases, illness perception, self-regulation,    communication</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A forma como o indivíduo percebe sua doença orienta suas condutas em relação    à doença e tratamento (Figueiras, 2007; Leventhal, Breland, Mora &amp; Leventhal,    2010). Essas percepções são rotuladas e sistematizadas pelo indivíduo a partir    do seu conhecimento prévio sobre aquela doença, suas experiências e experiências    de pessoas próximas (Castro, Aliti, Linhares &amp; Rabelo, 2010). Assim, a percepção    da doença pode ser entendida a partir de dois níveis: 1) o concreto, que condiz    com a realidade e com eventos imediatamente perceptíveis; e 2) as ideias abstratas,    que são constituídas por crenças imaginárias sobre determinada situação (Leventhal,    Breland, Mora &amp; Leventhal, 2010). </p>     <p>As percepções sobre as doenças parte são constituídas de dimensões estáveis    nas diversas doenças crônicas. São elas: percepção dos sintomas (identidade    da doença), causas, consequências, duração (aguda/crônica ou cíclica), controle    (pessoal e do tratamento), coerência (o quanto a doença faz sentido para a pessoa)    e representação emocional (Leventhal, Breland, Mora &amp; Leventhal, 2010).    As percepções individuais do paciente cardíaco exercem um papel fundamental    nas medidas de controle e regulação de sua doença. Estudos apontaram que percepções    positivas da DC (menor atribuição de sintomas à doença, menor percepção de consequências    negativas e melhor entendimento das causas da doença) estão relacionadas à melhor    capacidade de adesão ao tratamento e qualidade de vida (Le Grande et al., 2012;    MacInnes, 2013; Steca, et al., 2013). Em contrapartida, percepções negativas    sobre a doença (graves consequências, atribuição do diagnóstico a fatores causais    externos) foram associadas a pior autoeficácia do paciente e menor capacidade    de gerenciamento da doença (Blair et al., 2014; Mc Cabe, Barnason &amp; Houfek,    2011). </p>     <p>O médico, ao comunicar-se com o paciente sobre a sua doença, informa e discute    (ou deveria discutir) sobre como o paciente percebe essas dimensões (sintomas,    duração, consequências, causa, controle, coerência e representação emocional)    a fim de compreender sua postura frente à sua saúde e orientá-lo sobre o tratamento    (Leventhal, Leventhal &amp; Breland, 2011). Contudo, em geral a comunicação    sobre a doença envolve informações técnicas sobre a doença e o tratamento, e    não explora essas questões. Com base nisso, o presente estudo teve como objetivo    avaliar a percepção da doença em indivíduos cardíacos e sua relação com as dimensões    da percepção da doença cardíaca comunicadas no diagnóstico pelo médico.</p>     <p><b>Método</b>    <br>   <i>Participantes</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i> </i>71 pacientes com DC assistidos num centro de cardiologia de um hospital    regional de uma cidade do interior do sul do Brasil. Todos eram adultos entre    22 e 79 anos de idade e que estavam há pelo menos três meses em tratamento no    serviço, escolhidos por conveniência entre aqueles que aguardavam consultas    de revisão com o médico especialista. A coleta de dados foi realizada entre    os meses de fevereiro e março de 2015, totalizando 19 dias úteis, conforme agenda    das consultas médicas. 155 pacientes foram atendidos no período, e 72 não corresponderam    aos critérios de seleção da amostra por não terem diagnóstico conclusivo de    doença cardíaca. Ainda, dez pacientes não aceitaram participar da pesquisa e    dois foram excluídos por não se comunicarem na língua portuguesa. </p>     <p><i>Material</i></p>     <p><i> </i>Os instrumentos utilizados foram: 1. Questionário dos dados sociodemográficos    e clínicos dos pacientes; 2. <i>Revised Illness Perception Questionnaire</i>    (IPQ-R) (Moss-Morris et al., 2002): investiga as dimensões da percepção da doença    1) Identidade (sintomas); 2) Duração (aguda/crônica ou cíclica); 3) Causas;    4) Consequências; 5) Controle (pessoal e do tratamento); 6) Coerência; 7) Representação    emocional. A dimensão Identidade consta de uma lista de sintomas em que o paciente    deve dizer se cada um está ou não relacionado à doença cardíaca. As demais dimensões    são avaliadas a partir de uma escala <i>Likert</i> de 1 (um) (discordo plenamente)    a 5 (cinco) (concordo plenamente). Quanto maior a pontuação, mais negativa é    a percepção da doença. Ainda há uma questão aberta sobre as causas da doença,    em que o paciente deve enumerar três possíveis causas do seu diagnóstico, que    não foi analisada neste artigo. Neste estudo, as dimensões do questionário obtiveram    bons índices de confiabilidade (variando de 0,69 para duração aguda/crônica    a 0,85 para representação emocional), com exceção da dimensão controle do tratamento    (abaixo de 0,60, que foi excluída da análise; 3. Questionário sobre as Percepções    das Informações Fornecidas no Diagnóstico: instrumento elaborado pelos autores,    que avalia a percepção do paciente sobre a comunicação do diagnóstico dado pelo    médico em relação às dimensões da percepção da doença. O instrumento contém    nove questões que compreendem respostas de sim e não, e pergunta se o médico    forneceu ou não informações no diagnóstico sobre a sintomatologia da sua doença    cardíaca, possíveis causas, duração, consequências, controle pessoal e do tratamento,    entendimento da doença e sentimentos do paciente em relação ao seu diagnóstico.    A análise é feita através de frequências e porcentagens das respostas &ldquo;sim&rdquo;,    além de um somatório das respostas positivas. Maior pontuação, mais informações    o paciente percebeu que o médico comunicou. O instrumento está em processo de    validação no Brasil.</p>     <p>Procedimentos</p>     <p>O presente estudo passou pela avaliação do Comitê de Ética [local omitido],    com aprovação em 15/12/2014, sob o Nº CEP 14/201. Todos os participantes foram    convidados a participar da pesquisa antes da consulta médica de rotina com seu    médico cardiologista de referência. Na abordagem, os pacientes foram informados    sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa e também receberam esclarecimentos    sobre o caráter voluntário da participação e garantia de sigilo dos dados de    identificação. Aqueles pacientes que aceitaram participar da pesquisa assinaram    o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e após assinatura, realizou-se    a aplicação dos instrumentos da pesquisa junto à sala de espera. Todos os pacientes    responderam aos questionários sozinhos, num tempo médio de 20 minutos.</p>     <p>Análise dos dados </p>     <p>As análises foram feitas através do <i>Statistical Package for the Social Sciences</i>    (SPSS) versão 22.0. Foram feitas análises descritivas (frequências, escores,    médias e desvio padrão. Estatística paramétrica foi utilizada para verificar    a diferença entre os sexos (teste t) e para verificar associação entre as variáveis    (Correlação de Pearson).<b> </b></p>     <p><b>Resultados</b>    <br>   <i>Análises descritivas</i></p>     <p><i> </i>Dados Sociodemográficos e Clínicos da Amostra Dos 71 pacientes com    diagnóstico de doença cardíaca que compuseram essa amostra, 33 eram homens (46,5%)    e 38 mulheres (53,5%), com média de idade de 59 anos (DP=9,88) e tempo médio    de diagnóstico de 83 meses (DP=96,15). A maioria dos participantes possuía escolaridade    apenas até Ensino Fundamental (87,1%), era casada/união estável (69,0%) e não    trabalhava (69,0%) Os diagnósticos cardíacos mais frequentes foram: angina instável    e estável (22%), arritmia cardíaca (19%), insuficiência cardíaca (15%), isquemia    miocárdica (14%), estenoses (11%) e outros diagnósticos cardíacos (19%). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Percepção da doença cardíaca</p>     <p>Com relação à percepção dos pacientes sobre a sintomatologia da doença cardíaca    (dimensão Identidade), foram examinadas as frequências e porcentagens atribuídas    por eles para cada possível sintoma do questionário. Também foi feita uma soma    de todos os sintomas atribuídos à doença cardíaca pelos pacientes. Em média,    os pacientes atribuíram 7,01 sintomas (DP = 3,35), dos 15 listados pelo instrumento.    Observa-se que o sintoma mais atribuído pelos pacientes à doença cardíaca foi    a fadiga (74,6%), seguido da perda de forças (70,4%) e dores no peito (62,0%).    Muitos pacientes também atribuíram os sintomas de rigidez nas articulações (59,2%),    falta de ar (56,3%), dores (54,9%), dificuldades em respirar (53,5), tonturas    (52,1 %) e dores de cabeça (50,7 %) à doença cardíaca. Além desses, foram citados    os sintomas de dificuldades para dormir (47,9%), formigamento nos braços e indisposição    do estômago (42,3%), náuseas (39,4%), seguido por perda de peso e problemas    sexuais (16,9%). Os dados estão descritos no <a href="#q1">Quadro 1</a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a04q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nas demais dimensões da percepção da doença, os resultados são apresentados    numa escala <i>likert</i>, que varia de 1 (um) a 5 (cinco). No que tange à duração    cíclica da doença, quanto mais próxima de cinco, mais cíclica. O resultado indica    uma percepção de duração cíclica média de 3,35. Já a percepção da duração aguda/crônica    (respostas perto de um significam duração aguda e de cinco, duração crônica)    indicou que os pacientes têm percepção da doença cardíaca mais crônica que aguda    (M=3,82). As consequências da doença foram de média para alta (M=3,62), assim    como a percepção de controle pessoal (M=3,92). Sobre a coerência da doença,    os pacientes percebiam que sua compreensão da doença era pouco acima da média    (M=3,54) e que a doença tem uma representação emocional negativa média (M=3,48).    O <a href="#q2">Quadro 2</a> mostra os dados descritivos das dimensões da percepção    da doença:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a04q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Com relação às causas atribuídas à doença cardíaca, verificou-se que os pacientes    indicaram fortes crenças de que a doença foi causada por fatores relacionados    ao trabalho (M=4,2) alterações das defesas do organismo (M=4), seguido por estresse    ou preocupações (M=3,99), e não tanto a causas conhecidas como excesso de peso    ou fumo (conforme <a href="#q3">Quadro 3</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a04q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que diz respeito à comunicação do diagnóstico da doença cardíaca, 41 pacientes    (66%) referiram ter recebido o seu diagnóstico pelo médico especialista em cardiologia.    Conforme mostra o <a href="#q4">Quadro 4</a>, a percepção dos pacientes é de    que, em geral, o médico comunicou sobre as dimensões da percepção da doença    no momento do diagnóstico, especialmente sobre o papel do paciente no controle/cura    da sua doença. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a04q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Correlações entre as dimensões da percepção da doença do paciente e as dimensões    da percepção da doença na comunicação do diagnóstico</p>     <p>Não foram encontradas correlações significativas entre as dimensões da percepção    da doença e as dimensões da percepção na comunicação do diagnóstico pelo médico.    Contudo, foram encontradas algumas correlações entre as dimensões da percepção    da doença e variáveis sociodemográficas. </p>     <p> As análises apontaram correlação negativa fraca entre idade e coerência da    doença (r=-0,262; p&lt;0,05), sugerindo que quanto mais velho é o paciente,    menos ele acredita que entende sobre a sua doença. Foram encontradas também    correlações negativas entre as dimensões consequências e coerência da doença    (r=-0,377; p&lt;0,01), mostrando que quanto mais percepções negativas das consequências    da doença tem o paciente, menos eles acreditam que entendem a doença. Ainda    com relação às consequências, verificou-se correlação positiva com representação    emocional negativa (r=0,511; p&lt;0,001), positiva e fraca com duração crônica    (r=0,269; p=0&lt;05) e duração cíclica (r=0,252; p&lt;0,05), ou seja, quanto    mais crenças sobre consequências negativas da doença, mais o paciente percebe    a doença como crônica, cíclica e com efeitos emocionais negativos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com relação à coerência da doença, foi observada correlação negativa com duração    cíclica (r=-0,309; p&lt;0,05) e representação emocional (r=-0,354; p&lt;0,01).    Esses resultados sugerem que quanto mais o paciente acredita que entende sobre    a sua doença, menos cíclica ela é e menor impacto emocional ele acredita que    a doença causa. Por fim, o controle pessoal correlacionou-se de maneira positiva    e fraca com representação emocional (r=0,287; p&lt;0,05), indicando que quanto    maior é a percepção de controle pessoal, maior a representação emocional negativa    da doença.</p>     <p>Comparações de médias (teste t)</p>     <p>Realizou-se teste t para comparar a percepção da doença e da comunicação do    diagnóstico entre pacientes homens e mulheres. Foram encontradas diferenças    significativas nas dimensões Identidade (t=-2,961; p&lt;0,01) em que as mulheres    atribuíam mais sintomas à doença (m=8,11; dp=3,24) que os homens (m=5,81; dp=3,10).    As mulheres também perceberam a doença cardíaca como mais cíclica que os homens    (t=-2,234; p&lt;0,05; média das mulheres =3,56; dp=0,99; média dos homens=3,05;    dp=0,82).</p>     <p><b> </b><b>Discussão</b>    <br>   O objetivo principal foi avaliar a percepção da doença em pacientes cardíacos    e sua relação com a comunicação das dimensões da percepção da doença identificadas    pelo paciente na comunicação do seu diagnóstico. O principal achado foi que    a percepção da doença foi independente das informações fornecidas pelo médico    na comunicação do diagnóstico. Portanto, ainda que grande parte dos pacientes    tenha referido que recebeu informações do seu médico sobre os sintomas, causas,    consequências, controle pessoal e do tratamento da sua doença, reações emocionais,    isso não teve relação com as suas percepções sobre a doença nessas dimensões.    Diante desse resultado, pode-se pensar em duas hipóteses: 1) O paciente reconhece    que as informações sobre a doença foram fornecidas pelo médico, no entanto,    elas não tiveram impacto nas suas percepções em relação à sua doença; 2) A construção    do conhecimento sobre a doença cardíaca e as percepções relacionadas a ela podem    ser construídas fora do contexto da relação médico-paciente, e as informações    dadas na consulta podem não ter o peso necessário para modificar o que pensam    os pacientes sobre a sua doença. </p>     <p>Com base na primeira hipótese, é possível que as informações fornecidas pelo    médico tenham sido pouco compreendidas pelo paciente por dificuldades na comunicação,    ainda mais considerando a baixa escolaridade dos participantes. Para Phillips    et al. (2011), o nível de compreensão do paciente sobre a doença depende da    qualidade das informações fornecidas e do quanto elas estão alinhadas com as    suas representações cognitivas e emocionais. Além disso, para que as informações    do médico sejam assimiladas, é importante que exista uma relação médico-paciente    de confiança, e é possível que neste caso alguns pacientes tenham se sentido    pouco à vontade para expressar suas percepções e dúvidas (Di Matteo et al.,    2012). O médico deve estar atento às características do paciente e explorar    suas percepções sobre a doença para que possa transmitir as informações de forma    mais adaptada e contextualizada ao indivíduo (Phillips et al., 2011). Ao encontro    dessa questão, um estudo realizado por Leventhal, Brisette e Leventhal (2003)    mostrou que as expectativas que o médico constrói durante a consulta exercem    influência nas percepções do paciente acerca da sua doença. Nesse estudo, foram    investigadas as percepções do paciente sobre sua doença após a consulta e posteriormente    foram investigadas as expectativas dos médicos em relação à adesão desses indivíduos    ao tratamento (aspectos favoráveis e desfavoráveis), bem como aspectos da sua    comunicação. Os resultados indicaram que as percepções mais imprecisas sobre    a doença e menos coerentes foram expressadas pelos pacientes que não obtiveram    uma comunicação médica baseada nas dimensões da percepção da doença e que foram    avaliados pelo médico como tendo baixo potencial de adesão ao tratamento. Por    outro lado, a comunicação médica baseada nesse modelo aliada às expectativas    positivas do profissional em relação à adesão do paciente foi preditora de respostas    mais realistas dos pacientes sobre a sua doença e tratamento. </p>     <p>Em relação à segunda hipótese, de que o conhecimento e as percepções sobre    a DC podem ser construídos fora do contexto da relação médico-paciente, pode-se    compreender que essas percepções são pré-existentes ao próprio adoecimento,    e podem ser tão arraigadas que uma conversa com o médico não as transforme.    Para Leventhal et al. (2003), o paciente cria suas percepções a respeito de    uma doença através das experiências adquiridas (próprias e vicárias) ao longo    da vida, as quais orientam seu comportamento de enfrentamento. Essas percepções    podem ser condizentes com a realidade da situação ou não, podendo ser até mesmo    mais arraigadas do que as próprias informações técnico/científicas fornecidas    pelo médico no momento da consulta. Desse modo, as percepções sobre a doença    cardíaca dos indivíduos desse estudo podem ter sofrido influências das suas    experiências diretas ou indiretas anteriores, que podem ser mais significativas    dos que as próprias informações trazidas pelo médico a respeito do seu diagnóstico    naquele momento. Além disso, a idade avançada e a baixa escolaridade dos pacientes    desse estudo também podem ter implicações nesse resultado, já que eles podem    não ter compreendido bem as informações recebidas. </p>     <p>O fato das mulheres terem a percepção de que a doença cardíaca possui mais    sintomas e é mais cíclica que os homens confirmam outros resultados semelhantes    (Figueiras, Monteiro &amp; Caeiro, 2012; Yan et al., 2011). Ao que tudo indica,    as mulheres demonstram maior disponibilidade para falar dos seus sintomas, enquanto    os homens tendem a não relatá-los, mesmo nos casos em que os sintomas são evidentes    (uso de aparelho de monitoramento dos batimentos, cicatrizes de cateter, por    exemplo). Os homens parecem ter suas ações focadas na resolução de problemas    advindos da doença e do tratamento, enquanto as mulheres tendem a procurar apoio    emocional e social para lidar com a situação de ameaça à sua saúde (González    &amp; Rodríguez-Carvajal, 2015). Esse aspecto é um fator a ser considerado pelas    equipes de saúde para identificar e diferenciar as representações da doença    cardíaca em homens e mulheres e, assim, orientar suas medidas de cuidado de    forma mais cautelosa e precisa de acordo com o gênero.</p>     <p>Os pacientes mais velhos creem que compreendem menos a sua doença. É possível    que esses pacientes tenham maior número de comorbidades o que, por sua vez,    pode ocasionar diferentes sintomas físicos e inclusive comprometimento cognitivo,    razões que podem dificultar a sua compreensão e alcance sobre os aspectos que    envolvem a doença. Por outro lado, aspectos culturais, como o estigma de que    não são capazes de se autogerir, podem interferir na sua autoeficácia (Rabelo    &amp; Cardoso, 2007). </p>     <p>Ainda sobre as percepções da doença, diferentemente dos estudos de McCabe et    al. (2011) e Riley et al. (2012), mais da metade dos pacientes dessa amostra    achavam que compreendiam bem a sua doença e, da mesma forma, possuíam capacidade    de controlá-la. Talvez uma explicação possível para essa dissimilaridade seja    a idade avançada dos participantes desse estudo, sendo que, segundo Pollock    e Schmidt, (2003), os pacientes mais velhos tendem a representar emocionalmente    a doença cardíaca como menos ameaçadora do que os mais jovens. Nessa etapa do    ciclo vital, os filhos são independentes e os idosos estão menos ativos no mercado    de trabalho, portanto o impacto emocional da doença cardíaca tende a ser menor    do que em pessoas jovens. Este fato pode conferir às pessoas mais velhas a crença    de maior controle autorregulatório sobre a sua doença (Phillips et al., 2012).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto à duração, os pacientes cardíacos a percebiam mais crônica que aguda,    com sintomas relativamente cíclicos, relacionados a consequências negativas    da doença. Ainda que haja essa percepção, a cronicidade da doença cardíaca é    uma característica que deve ser bastante enfatizada pelas equipes no cuidado    ao paciente, uma vez que uma percepção realista dessa cronicidade orientará    o cuidado e a adesão ao tratamento nesses pacientes. </p>     <p>A relação entre consequências negativas da doença e pouca compreensão (coerência)    sobre o seu diagnóstico comprometem a percepção realista da doença e o paciente    pode ter dificuldades em vislumbrar alternativas possíveis para enfrentá-la.    Quando o paciente consegue desenvolver uma percepção mais clara e realista do    seu diagnóstico, melhor será a sua adaptação com a doença e melhor será a sua    postura de enfrentamento da mesma (Leventhal et al., 2011). Nessa perspectiva,    o ajustamento das crenças sobre as consequências da doença cardíaca pode ser    uma estratégia importante para adesão do paciente ao tratamento. </p>     <p>Os pacientes que acreditavam que compreendiam bem a sua doença (dimensão coerência),    assim como nos estudos de Le Grande et al. (2012), MacInnes (2013) e Steca et    al. (2013), percebiam-na como menos cíclica (dimensão duração) e possuíam uma    representação emocional menos negativa. Partindo disso, pode-se compreender    que quando o indivíduo se sente mais esclarecido sobre a sua doença, sua capacidade    de avaliar a sua condição de saúde se torna mais clara e mais precisa e esse    aspecto o torna mais consciente, melhorando sua capacidade de avaliação realista    da doença. De acordo com Phillips et al. (2012), o fato do indivíduo acreditar    que pode ser capaz de controlar a sua doença pode torná-lo mais motivado e fazer    com que o mesmo mantenha maior equilíbro auto-regulatório, o que pode vir a    melhorar sua capacidade de resolução dos problemas que derivam da sua doença.    O estudo possibilitou conhecer as percepções dos pacientes cardíacos sobre a    sua doença e a verificação de que elas são independentes das informações sobre    sintomas, causas, consequências, controle, duração, representação emocional    e entendimento que o paciente tem sobre a sua doença que os médicos informam    no diagnóstico. A partir disso, compreende-se que a percepção sobre a doença    anterior ao diagnóstico pode não ser tão fácil de ser modificada com as informações    prestadas pelo médico. </p>     <p>As diferenças de gênero encontradas com respeito aos sintomas e duração cíclica    evidenciam a necessidade de uma atenção diferenciada por parte dos profissionais    da saúde que considere as particularidades entre homens e mulheres. Da mesma    forma, é importante orientar os profissionais para que atuem com as pessoas    idosas de maneira a aumentar sua capacidade de compreensão sobre a sua doença,    e uma das estratégias poderia ser pedir a presença de um acompanhante nesse    momento.</p>     <p>Esse estudo apresenta algumas limitações, em especial relacionado à heterogeneidade    de diagnósticos cardíacos dos participantes e a sua pouca escolaridade.Future    researches could work with specific sub-samples to understand possible peculiarities    in this perceptions according to the type of cancer, severity and time of diagnosis.    Pesquisas futuras poderão investigar diagnósticos cardíacos específicos para    compreender crenças específicas. Além disso, o tempo entre o recebimento do    diagnóstico de doença cardíaca e o momento da aplicação dos questionários nos    participantes pode ter interferido nas memórias do paciente ao responder o questionário    que investigava aspectos relacionados à comunicação do diagnóstico (viés de    memória). Nesse sentido, é importante o desenvolvimento de estudos longitudinais    que avaliem a percepção da comunicação do diagnóstico no momento em que ele    é feito e a evolução da percepção da doença ao longo do tratamento.</p>     <p> Apesar dessas limitações, os resultados desse estudo são relevantes ao deixar    evidente que as percepções da doença cardíaca precisam ser ajustadas e trabalhadas    pela equipe de saúde a fim de promover uma melhor qualidade de vida ao paciente.    Entende-se que a percepção da doença é importante de ser avaliada, mas não é    suficiente para explicar a complexidade dos fatores envolvidos na doença cardíaca    e na autorregulação do indivíduo frente à doença. Com isso, espera-se que esse    estudo tenha contribuído para elucidar algumas dessas questões e subsidiar melhor    cuidado ao paciente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> </b><b>REFERÊNCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Blair, J., Angus, N. J., Lauder, W. J., Atherton, I., Evans, J. &amp; Leslie,    S. J. (2014). 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Profesionales de enfermería:    existencia o ausencia de sesgos de género y su repercusión sobre la salud de    las mujeres. <i>Revista Rol de Enfermería, 38</i>(1), 48-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=557993&pid=S1645-0086201800030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Le Grande, M. R., Elliott, P. C., Worcester, M. U., Murphy, B. M., Goble, A.    J., Kugathasan, V. &amp; Sinha, K. (2012). Identifying illness perception schemata    and their association with depression and quality of life in cardiac patients.    <i>Psychology, health &amp; medicine, 17</i>(6), 709-722. 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