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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A sintomatologia depressiva e as memórias autobiográficas em universitários]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Depression is one of the most prevalent disorders at present, its symptoms cause significant clinical suffering, impairment in social functioning and in other areas of the subject's life, such as recovery of memories. Individuals with depressive symptoms have difficulty remembering positive events in their life. In contrast, because they are depressed the evocation of negative memories are more likely. For this purpose the present study aimed to investigate the relationship between the symptoms of depression and the autobiographical memories in a sample of 25 students from an IES. A sociodemographic record, the Beck Depression Inventory (BDI) and the Autobiographical Memory Test (TMA) were used as instruments for the research. In this study, the results presented through the Pearson correlation showed that the BDI score and the Specific Positive Memories were statistically significant inversely proportional (r = -0.541, p <0.01), as well as the BDI score and the Categorical Memories Negatives were statistically significant directly proportional (r = 0.528, p <0.01). There was a significant inversely correlated correlation between the BDI score and the General Specific Memory, without considering its valence, (r = -0.437, p <0.05). And a significant correlation was directly proportional between the BDI score and the General Categorical Memories (r = 0.498, p <0.05). However, it is possible to conclude that greater intensity in depressive symptoms, the more nonspecific is the autobiographical memory.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>A sintomatologia depressiva e as memórias autobiográficas    em universitários</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The depressive symptoms and autobiographic memories in university</b></font></p>     <p><b>Mirna Bezerra<sup>1</sup>, Joyce Silva de Gusmão<sup>1</sup>, André Fermoseli<sup>2</sup>,    Vanina Teixeira<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Centro Universitário Tiradentes, Maceió/AL, Brasil. </p>     <p><sup>2 </sup>Centro Universitário Tiradentes, Maceió/AL, Brasil; Universidade    de São Paulo - USP, São Paulo, Brasil.</p>     <p><sup>3</sup> Centro Universitário CESMAC, Maceió/AL Brasil. e-mail: <a href="mailto:vanina.papini@ig.com.br">vanina.papini@ig.com.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A depressão é um dos transtornos mais prevalentes na atualidade, seus sintomas    provocam sofrimento clínico significativo, prejuízo no funcionamento social    e em outras áreas da vida do sujeito, como a recuperação de memórias. Indivíduos    que apresentam o quadro depressivo possuem dificuldade em recordar eventos positivos    de sua vida. Em contrapartida, por estarem deprimidos a evocação de memórias    negativas são mais prováveis. Para tanto o presente estudo objetivou investigar    a relação entre a sintomatologia da depressão a as memórias autobiográficas    em uma amostra de 25 estudantes de uma IES. Foram utilizados como instrumentos    para a pesquisa uma ficha sociodemográfica, o Inventário de Depressão - Beck    (BDI) e o Teste de Memória Autobiográfica (TMA). Neste estudo, os resultados    apresentados através da correlação de Pearson mostravam que o escore do BDI    e as Memórias Específicas Positivas foram estatisticamente significativa inversamente    proporcional (r= -0,541; p&lt; 0,01), bem como o escore do BDI e as Memórias    Categóricas Negativas foram estatisticamente significativa diretamente proporcional    (r= 0,528; p&lt;0,01). Houve correlação significativa inversamente porporcional    entre o escore do BDI e as Memórias Específicas Geral, sem considerar a sua    valência, (r= -0,437; p&lt; 0,05). E correlação significativa diretamente proporcional    entre o escore do BDI e Memórias Categóricas Geral (r= 0,498; p&lt; 0,05). No    entanto, é possível concluir que maior intensidade em sintomas depressivos,    mais inespecífica é a memória autobiográfica. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> depressão, memória autobiográfica, psicologia</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Depression is one of the most prevalent disorders at present, its symptoms    cause significant clinical suffering, impairment in social functioning and in    other areas of the subject&rsquo;s life, such as recovery of memories. Individuals    with depressive symptoms have difficulty remembering positive events in their    life. In contrast, because they are depressed the evocation of negative memories    are more likely. For this purpose the present study aimed to investigate the    relationship between the symptoms of depression and the autobiographical memories    in a sample of 25 students from an IES. A sociodemographic record, the Beck    Depression Inventory (BDI) and the Autobiographical Memory Test (TMA) were used    as instruments for the research. In this study, the results presented through    the Pearson correlation showed that the BDI score and the Specific Positive    Memories were statistically significant inversely proportional (r = -0.541,    p &lt;0.01), as well as the BDI score and the Categorical Memories Negatives    were statistically significant directly proportional (r = 0.528, p &lt;0.01).    There was a significant inversely correlated correlation between the BDI score    and the General Specific Memory, without considering its valence, (r = -0.437,    p &lt;0.05). And a significant correlation was directly proportional between    the BDI score and the General Categorical Memories (r = 0.498, p &lt;0.05).    However, it is possible to conclude that greater intensity in depressive symptoms,    the more nonspecific is the autobiographical memory.</p>     <p><b>Keywords:</b><b> </b>depression, autobiographical memory, psychology</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>O Transtorno Depressivo Maior é caracterizado pela presença dos seguintes sintomas:    humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias; acentuada diminuição    do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades; perda ou ganho    significativo do peso sem estar fazendo dieta; insônia ou hipersonia; agitação    ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimentos de inutilidade    ou culpa excessiva; capacidade diminuída para pensar ou se concentrar e pensamentos    recorrentes de morte (DSM V, 2014).</p>     <p>Beck (2011) apresenta a tríade primária na depressão, em que há a conexão entre    os aspectos cognitivos e os fenômenos afetivos, motivacionais e físicos da depressão.    O primeiro componente da tríade é o padrão de interpretar as situações de maneira    negativa. Estes indivíduos interpretam as situações em seu ambiente de forma    derrotista e depreciativa e enxergam a própria vida preenchida de derrotas,    obstáculos ou de situações traumáticas. O segundo componente é o padrão de ver    a si mesmo de forma negativa e o terceiro componente consiste na visão negativa    do futuro, os pacientes anteveem que suas dificuldades irão permanecer ou que    o sofrimento irá continuar, enxergam uma vida de penúria, frustração e de privação.</p>     <p>A Organização das Nações Unidas (ONU, 2016) indica, em sua estimativa global,    que 350 milhões de pessoas sofrem de depressão. O Instituto Brasileiro de Geografia    e Estatística (IBGE, 2014) apresentou que 7,6% da sociedade brasileira acima    de 18 anos possui diagnóstico de depressão.</p>     <p>Em alguns casos, indivíduos em episódio depressivo reconhecem suas memórias    autobiográficas, porém são referidas a experiências negativas, em outros casos    de depressão percebe-se que ela é acompanhada pelo acesso diminuído e mais lento    a eventos autobiográficos passados de valência positiva, isso acontece porque    quando estão deprimidos tendem a recordar lembranças negativas, pois essas estão    mais disponíveis, essa evocação é conhecida como memória congruente com o humor.    Porém mesmo após a essa lembrança de memórias positivas, os indivíduos diagnosticados    com depressão não conseguem experimentar a melhora no humor. (Baddeley, 2010;    Beck 2013; Kohler et al, 2015). </p>     <p>A Memória Autobiográfica (MA) diz respeito às memórias que são guardadas pelo    sujeito em relação a si mesmo e ao seu redor, acompanha um senso de re-experiência    do evento original e da crença de que ele aconteceu (Baddley et al, 2011; Dutra    et al, 2012). A MA está relacionada à capacidade que o indivíduo possui de recordar    eventos e fatos pessoais de sua vida que foram vividos e conhecidos pelo sujeito    no seu passado como: situações, nomes e faces, podendo apresentar a supergeneralização,    de modo que a recordação do próprio passado do indivíduo é feita de maneira    genérica e inespecífica e sem especificidade espaço-temporal (Frank; Fernandez,    2006; Dutra et al; 2012). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A presença de memórias supergeneralizadas sobre o passado é uma das características    observadas em indivíduos depressivos, podendo comprometer a visualização de    eventos relacionados ao futuro, comprometimento na capacidade de na resolução    de problemas, facilitação de atos suicidas e aumento da ruminação (Pergher,    Stein, Wainer, 2004).</p>     <p>Como um aspecto bem conhecido no funcionamento da memória em episódios depressivos,    a memória autobiográfica supergeneralizada apresenta-se em sujeitos deprimidos    através da recordação de um período inteiro de sua vida, ao invés de recuperar    um evento específico que ocorreu em um momento preciso de sua história, enquanto    indivíduos que não sofrem de depressão são capazes de recordar memórias específicas    facilmente (Nandrino et al, 2002).</p>     <p>As memórias autobiográficas vão se moldando ao longo da vida e estas fornecem    aos indivíduos a capacidade de planejar e enfrentar os desafios do cotidiano,    assim, essas memórias definem o &ldquo;eu&rdquo;. A disfunção da memória autobiográfica    é marcante em transtornos de humor e que talvez possa ser uma causa para a recuperação    de memórias negativas na depressão (KOHLER et al, 2015). Recordar uma memória    autobiográfica pode ser uma tarefa agradável e reconfortante, porém em alguns    casos acontece o oposto, idosos com amnésia ou demência, não conseguem acessar    as memórias autobiográficas tão facilmente (BADDLEY et al, 2011). </p>     <p>Portanto, este estudo objetivou investigar o comprometimento da memória autobiográfica    em indivíduos com sintomatologia depressiva, bem como analisar se há correlação    entre esses sintomas depressivos e as memórias autobiográficas de valência positiva    e negativa. </p>     <p><b>Método</b>    <br>   Trata-se de uma pesquisa realizada através de uma amostragem não probabilística    acidental e por conveniência. Para a execução deste, obteve-se aprovação do    Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 66901717.0.0000.5641; parecer nº 2.056.936).    Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.    A coleta de dados foi realizada nos meses de maio a setembro de 2017 em uma    IES da cidade de Maceió/AL.</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>Foi realizado um estudo descritivo e transversal, com indivíduos a partir de    18 anos, universitários do Centro Universitário Tiradentes, na cidade de Maceió/AL,    através de uma amostragem não probabilística por conveniência. O estudo foi    feito com 25 estudantes com idades entre 18-44 anos, de forma voluntária, de    acordo com as regras estabelecidas no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido    (TCLE).</p>     <p><i>Material</i></p>     <p>Foram coletados os dados dos participantes através de uma ficha sociodemográfica    para identificação da amostra. Foi realizada também a aplicação do Inventário    de Depressão Beck (BDI) e Teste de Memória Autobiográfica (TMA).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa ficha tem por objetivo a coleta de informações para a caracterização da    amostra, sendo registrado: sexo, idade, curso, se possui outra graduação, se    já realizou algum tratamento psicológico e se faz uso de medicação controlada.</p>     <p>O BDI (Inventário de Depressão Beck) instrumento criado por Beck, Ward, Mendelson,    Mock e Erbaugh (1961), para medir a intensidade da depressão. É uma escala de    auto relato, contendo 21 itens, cada um com quatro alternativas, apresentando    o grau crescente de gravidade da depressão, com escores de 0 a 3. É uma escala    auto aplicável, em que o indivíduo deve marcar a alternativa que mais descreve    o momento em que esteja vivenciando. Esta escala deve ser respondida com base    nos acontecimentos da última semana. A recomendação para o uso do BDI é para    indivíduos de 17 a 80 anos de idade. O escore total é o resultado do somatório    dos escores individuais de cada item. O escore total permite a classificação    de níveis de intensidade da depressão. Os pontos de corte foram sugeridos para    avaliar a intensidade de depressão, de 0-9, depressão mínima; 10-16, leve; 17-29,    moderada; 30-63 grave. O BDI é uma medida de intensidade, assim sendo não é    indicado para identificar categorias nosológicas.</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p><i> </i>Para a seleção da amostra um convite foi divulgado entre os alunos    desta instituição através das mídias digitais para a participação como voluntário    da pesquisa e através de convite presencial em salas de aula. Após esse contato,    foi marcado um horário com o participante voluntário na Clínica de Psicologia    da Instituição para a coleta de dados e aplicação dos instrumentos. </p>     <p>O TMA (Teste de Memória Autobiográfica) utilizado pela primeira vez em pacientes    com diagnóstico de depressão por Williams e Broadbent em 1986. O teste é utilizado    para avaliar a especificidade de memória autobiográfica. Com base na versão    adaptada para o Brasil por Pergher (2005), foram utilizadas 15 palavras, 5 palavras-estímulo    neutra (infantil, moderado, novo, ocasião e rápido); 5 palavras-estímulo de    valência positiva (elogio, agradável, diversão, animado e honesto); e 5 palavras-estímulo    de valência negativa (trágico, infeliz, miséria, raivoso e decepcionado). É    um teste verbal, em que o aplicador vai relatando as palavras, uma por vez,    até que o indivíduo relate a memória em um prazo de 60 segundos para cada palavra    dita. A codificação das respostas obtidas para cada palavra-estímulo é realizada    de acordo com quatro categorias. Uma das categorias é relacionada a não memórias    ou associados semânticos, duas dessas categorias referem-se às memórias supergeneralizadas    (categóricas e estendidas) e a quarta categoria engloba as memórias específicas.    O escore varia de 0 a 3. </p>     <p><b> </b><b> </b><i>Análise dos dados </i></p>     <p><b> </b>Para fins de caracterização da amostra, foi realizada a análise descritiva    dos dados da ficha sociodemográfica através de frequência absoluta e percentual.    Foi utilizado o programa de estatística IBM SPSS versão 21, a fim de organizar    e categorizar todos os dados obtidos. Foram realizadas análises de correlação    de Pearson para verificar a existência significativa entre nível de depressão    e memórias autobiográficas supergeneralizadas, bem como se são diretamente ou    inversamente proporcionais. O nível de significância estabelecido foi de p&lt;0,05.</p>     <p><b>Resultados</b>    <br>   A amostra foi composta por 25 estudantes, dos quais, 88% (n=22) representava    o sexo feminino e 12% (n=3) correspondeu ao sexo masculino. O que prevaleceu    na pesquisa, foram estudantes do curso de Psicologia, com 64% (n=16), que se    sentiam atraídos devido ao tema do estudo. Foi analisado também que 64% (n=16)    dos participantes já haviam feito psicoterapia e 16% (n=4) fizeram uso de medicação    controlada. O <a href="#q1">Quadro 1</a> mostra a caracterização dos participantes.  </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a05q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De acordo com o <a href="#q2">Quadro 2</a>, que apresenta a classificação do    Inventário de Depressão Beck -BDI, o nível depressão mínima houve maior incidência,    em 36% (n=9) dos indivíduos, o segundo que teve maior incidência foi o nível    leve, correspondendo 32% (n=8) dos indivíduos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a05q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Buscou-se avaliar a existência de relações entre os escores obtidos no Inventário    de Depressão Beck com as respostas apresentadas no Teste de Memória Autobiográfica,    como demonstra a <a href="#q3">Quadro 3</a>. De fato, a correlação foi estaticamente    significativa inversamente proporcional, correspondendo à hipótese deste trabalho,    que maior intensidade em sintomas depressivos terá um prejuízo maior em evocar    memórias específicas positivas, sendo assim, uma correlação inversamente proporcional    (r= -0,541; p&lt; 0,01). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a05q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, houve uma correlação significativa diretamente proporcional,    em relação ao BDI e as respostas às memórias categóricas negativas, visto que,    indivíduos em quadros depressivos, possuem as memórias negativas mais disponíveis,    porém pouco específicas. (r= 0,528; p&lt;0,01). Inicialmente, uma das hipóteses    levantada para este estudo era de que as memórias autobiográficas negativas    fossem mais específicas nos indivíduos que apresentassem alto índice de sintomas    depressivos, correspondendo com seu estado deprimido, porém na avaliação dos    resultados concluiu-se que os participantes com maior índice de sintomas depressivos    apresentaram memórias autobiográficas negativas inespecíficas, ou seja, supergeneralizadas.  </p>     <p>O <a href="#q4">Quadro 4</a> apresenta correlação significativa inversamente    proporcional entre o Escore do BDI e respostas para Memórias Específicas de    forma geral, sem considerar a sua valência. (r= -0,473; p&lt; 0,05). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/psd/v19n3/19n3a05q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Houve correlação diretamente proporcional e estatisticamente significativa    (r=0,498; p&lt; 0,05) entre o Escore do BDI e respostas para Memórias Categóricas    de forma geral. </p>     <p><b>Discussão</b>    <br>   Confirmando a hipótese levantada para este estudo, quanto maior a sintomatologia    depressiva menor a especificidade da memória autobiográfica de valência positiva.    Nandrino e colaboradores (2002) em sua pesquisa chegaram à conclusão de que    o acesso a memórias positivas é principalmente o mais prejudicado em pacientes    deprimidos. Kolher e colaboradores (2015) observaram que a ausência de memórias    autobiográficas positivas é um possível marcador para a recorrência de episódios    depressivos, pois ao compararem indivíduos com depressão que recordaram uma    memória autobiográfica positiva com indivíduos controles que também tiveram    recordação positiva, perceberam que as memórias dos indivíduos com depressão    são menos emocionalmente intensas. Sumner e colaboradores (2010) em sua pesquisa    avaliaram as memórias autobiográficas de adolescentes que tinham histórico de    depressão. Concluíram então que a diminuição da especificidade das memórias    autobiográficas prediz uma probabilidade para o desenvolvimento da depressão.</p>     <p>No presente estudo os participantes com maior índice de sintomas depressivos    apresentaram memórias autobiográficas negativas inespecíficas, ou seja, supergeneralizadas.    Corroborando Kleim e Ehlers (2008) obtiveram os efeitos mais significativos    em participantes com depressão, pois os mesmos recuperaram menos memórias autobiográficas    específicas do que participantes sem depressão. Porém, contrariando esta afirmação    no estudo de Nascimento e Pergher (2011), participantes em estado depressivo    foram mais específicos quanto às memórias autobiográficas negativas. </p>     <p>Podemos atribuir à forma como as memórias autobiográficas de valência negativa    se apresentaram quanto à ausência de especificidade apesar do índice significativo    do BDI, ao fato do valor emocional atribuído a essas memórias, pois ao recordar    podem provocar sentimentos dolorosos vinculados a lembrança. Raes (2006) afirma    que a menor especificidade das memórias em sugestões negativas prediz um desfecho    de níveis mais altos na depressão. Hermans e coloboradores (2006) afirmam que    a supergeneralização das memórias se devem ao fato de que pessoas deprimidas    tendem a parar a busca da memória que é reforçada negativamente, pois reduz    o efeito negativo das memórias dolorosas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito, a correlação entre o índice significativo de sintomas    depressivos e a especificidade da memória autobiográfica, as análises indicaram    uma correlação inversamente proporcional e estatisticamente significativa entre    o escore de depressão e especificidade geral da memória. Nascimento e Pergher    (2011) sugeriram que quanto mais deprimido estiver o paciente, menos específicas    serão suas memórias autobiográficas. Porém, em sua pesquisa com 79 sujeitos    durante consultas psicológicas, Costa (2010) não verificou memórias autobiográficas    generalizadas significativas em participantes com sintomatologia depressiva    comparados a participantes sem depressão. Pergher e colaboradores (2004) em    seus estudos utilizaram o Teste de Memória Autobiográfica para vários transtornos    de humor, com um dos resultados concluíram que na depressão e no transtorno    do estresse pós-traumático os participantes obtiveram mais respostas de memórias    supergeneralizadas quando comparados aos demais transtornos de humor. Assim,    puderam concluir que a evitação de memórias dolorosas específicas esteja relacionada    ao transtorno depressivo e de estresse pós-traumático. Esta afirmação corrobora    com o presente estudo que identificou que quanto mais significativo os sintomas    depressivos, maior a presença de memórias categóricas, que correspondem às memórias    supergeneralizadas.</p>     <p>Também comprovamos neste estudo que de uma forma geral quanto maior o índice    de sintomas depressivos mais categóricas serão as memórias autobiográficas.    Hermans e colaboradores (2006) concluíram que pessoas com depressão respondem    com mais frequência memórias supergeneralizadas ou categóricas. A presença dessas    memórias pode impedir no curso da recuperação da depressão devido ao processo    de ruminação. Maganini, Melo e Peixoto (2012) indicaram em seu estudo uma relação    inversa estatisticamente significativa entre a especificidade da memória autobiográfica    e o score do BDI, concluindo que sujeitos com maior nível de depressão possuem    menos especificidade na memória autobiográfica. Costa (2010) obteve o mesmo    resultado em sua pesquisa com indivíduos que apresentavam sintomatologia depressiva    e mais memórias nas palavras de valência negativa, em comparação a sujeitos    sem depressão.</p>     <p>Diante do exposto, este trabalho verificou como dado mais significativo que    existe uma correlação inversa entre o índice nas respostas do BDI e na especificidade    da memória autobiográfica a partir das respostas obtidas no TMA, ou seja, maior    intensidade em sintomas depressivos, mais inespecífica é a memória autobiográfica    comprovando a hipótese levantada para realização desta pesquisa. Este fenômeno    da supergeneralização da memória autobiográfica nos possibilita supor que um    de seus desencadeadores está na presença de sintomas depressivos. </p>     <p>Como fatores de limitação deste estudo, indica-se o tamanho da amostra pela    dificuldade de adesão dos participantes, destacando maior adesão do público    feminino. Abrindo a possibilidade da realização da pesquisa com maior número    de participantes para um resultado mais significativo. Bem como a ausência de    <i>follow-up</i>, especialmente com relação à especificidade das memórias em    comparação aos sujeitos com sintomatologia depressiva, antes e depois de intervenções    terapêuticas neste sentido para verificar a presença ou não de melhora das memórias    e da depressão.</p>     <p>Como foi possível observar, a supergeneralização das memórias autobiográficas    representa um fator de risco para o desenvolvimento da depressão, bem como um    fator de risco para um melhor prognóstico, por isso dá-se a relevância deste    estudo para um melhor entendimento clínico do quadro depressivo e ampliar as    possibilidades de intervenções com foco nas memórias autobiográficas desses    pacientes. </p>     <p>Vale destacar que quanto mais precocemente identificado esse comprometimento    da memória autobiográfica melhor devem ser as possibilidades de intervenções    do psicólogo direcionando o tratamento para a psicoeducação deste comprometimento    no quadro depressivo e as implicações do não tratamento, pois a visão de futuro    também é prejudicada pela valência negativa das memórias autobiográficas, bem    como o processo de ruminação que contribui para a manutenção deste quadro. Então,    um trabalho focado a dar mais importância às memórias de valência positiva pode    contribuir no aumento da especificidade da memória.</p>     <p>A relevância de ter realizado este estudo com um público que não foi previamente    diagnosticado com depressão, nem teve esse fator como critério, é que a maioria    das pesquisas realizadas no Brasil acerca desta temática foi com população clínica    previamente diagnosticada com a depressão, portanto esta pesquisa possibilita    uma maior generalização dos resultados, pois o foco dessa pesquisa deu-se em    observar o prejuízo da memória autobiográfica em indivíduos que possuíam ou    não sintomas depressivos, analisando o nível da memória quando ainda o sujeito    não possui diagnóstico para depressão, abrindo a possibilidade de perceber a    presença ou não desse prejuízo prévio ao fechamento do diagnóstico. </p>     <p> Dada à importância da temática, intervenções podem ser propostas em universitários    mediante ao resultado desta pesquisa e estudos futuros devem ser realizados,    investigando o prejuízo e a correlação entre grupos (controle - indivíduos com    depressão); bem como se há relevância significativa quando comparadas com grupos    de faixas etárias distintas, também levando em consideração a escolaridade.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (2014). DSM-5: manual diagnóstico e estatístico    de transtornos mentais. (5. ed.). Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558123&pid=S1645-0086201800030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Baddeley, A., Eysenck, M. W., &amp; Anderson, M. C. (2011). <i>Memória</i><b>.</b>    Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558125&pid=S1645-0086201800030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Beck, J. (2013). <i>Terapia cognitivo-comportamental</i>. (2. ed). Porto Alegre:    Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558127&pid=S1645-0086201800030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Beck, A. T. (2011). <i>Depressão: causas e tratamento.</i> Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558129&pid=S1645-0086201800030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Costa, S. S. (2010). Depressão e Memória Autobiográfica em Adultos. (Dissertação    de mestrado não publicada). Universidade da Beira Interior. Covilhã,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558131&pid=S1645-0086201800030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cunha, J. A. (2001). <i>Manual da versão em português das escalas Beck<b>.</b>    </i>Casa do Psicólogo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558133&pid=S1645-0086201800030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dutra, T. G., Kurtinaitis, L. C. L., Cantilino, A., Vasconcelos, M. C. S.,    Hazin, I., &amp; Sougey, E. B. A. (2012). Supergeneralização da memória autobiográfica    nos transtornos depressivos<b>. </b><i>Trends Psychiatry Psychother, 34</i>(2),    73-79. doi:10.1590/S2237-60892012000200005&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558135&pid=S1645-0086201800030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Frank, J., &amp; Fernandez, L. J.(2006). Rememoração, subjetividade e as bases    neurais da memória autobiográfica.<b> </b><i>Psicologia Cliníca, 18</i>(1),    35 - 47. doi: 10.1590/S0103-56652006000100004&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558136&pid=S1645-0086201800030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hermans, F. R. D.; Beyers, W., Williams, J. M. G., Brunfaut, E., &amp; Eelen,    P. (2006). Reduced Autobiographical Memory Specificity and Rumination in Predicting    the Course of Depression. <i>Journal of Abnormal Psychology,115</i>(4), 699-704.    doi: 10.1037/0021-843X.115.4.699&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558137&pid=S1645-0086201800030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e estatística. (2006). PAS - Pesquisa    Anual de Serviços. Disponível <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/ecnomia/comercioeservico/pas/pas2006" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/ecnomia/comercioeservico/pas/pas2006</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558138&pid=S1645-0086201800030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>Kleim, B.; Ehlers, A. Reduced autobiographical memory specificity predicts    depression and posttraumatic stress disorder after recent trauma. Journal of    Consulting and Clinical Psychology, v. 76, n. 2, p. 231-242, Apr. 2008. doi:    10.1037/0022-006X.76.2.231</p>     <p>Köhler, C. A.; et al. Autobiographical Memory Disturbances in Depression: A    Novel Therapeutic Target?. Neural Plasticity, v. 2015, p. 1-14, 2015. Disponível    em: <a href="https://www.hindawi.com/journals/np/2015/759139/" target="_blank">https://www.hindawi.com/journals/np/2015/759139/</a>.</p>     <p>Maganini, R. F; Melo, W. V; Peixoto, M. S. Relação entre sintomatologia depressiva    e memória autobiográfica em uma população geral. Universo Acadêmico, Taquara,    v. 5, n. 1, jan./dez. 2012, p: 185-198.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nandrino, J. L; Pezard, L; Posté, A; Réveillére, C; Beaune, D. Autobiographical    Memory in Major Depression: A Comparison between First-Episode and Recurrent    Patients<b>. </b>Psychopathology, v. 35, p. 335-340, 2002. Disponível em: <a href="https://www.researchgate.net/publication/10897666_Autobiographical_Memory_in_Major_Depression_A_Comparison_between_First-Episode_and_Recurrent_Patients" target="_blank">https://www.researchgate.net/publication/10897666_Autobiographical_Memory_in_Major_Depression_A_Comparison_between_First-Episode_and_Recurrent_Patients</a>.    doi: 10.1159/000068591</p>     <p>Nascimento, J. M. S.; Pergher, G. K.; Memória autobiográfica e depressão: um    estudo correlacional com amostra clínica. Rev. Psicologia Teoria e Prática,    2011. p. 142-153. Disponível em: <a href="http://pepsic.bvsalud.org/pdf/ptp/v13n2/v13n2a11.pdf" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/pdf/ptp/v13n2/v13n2a11.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>ONU - Organização das Nações Unidas. 2016. Disponível em: <a href="https://nacoesunidas.org/depressao-e-tema-de-campanha-da-oms-para-dia-mundial-da-saude-de-2017" target="_blank">https://nacoesunidas.org/depressao-e-tema-de-campanha-da-oms-para-dia-mundial-da-saude-de-2017</a>    .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=558145&pid=S1645-0086201800030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Pergher, G. K; Stein, L. M; Wainer, R. Estudos sobre a memória na depressão:    achados e implicações para a terapia cognitiva. Rev. Psiq. Clín. 31 (2);82-90,    2004. Disponível em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/rpc/v31n2/a04v31n2" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/rpc/v31n2/a04v31n2</a>.    doi: 10.1590/s0101-60832004000200004.</p>     <p>Raes, F. et al. Reduced autobiographical memory specificity and rumination    in predicting the course of depression. Journal of Abnormal Psychology, v. 115,    n. 4, p. 699-704, Nov. 2006<b>. </b>doi: 10.1037/0022-006X.76.2.231</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 01 de Junho de 2018/ Aceite em 25 de Outubro de 2018</p>      ]]></body><back>
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