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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação da qualidade de vida de obesos pretendentes à cirurgia bariátrica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Obesity is a complex and multifactorial phenomenon. In the search for effective ways to care for and prepare the obese for Bariatric Surgery, it is crucial to understanding how they perceive their quality of life. Faced with scarce literature in the national context on the theme, this article aims to analyze how obese aspirants to Bariatric Surgery assess their quality of life. Thus, we sought to: 1) identify how participants qualify the psychological, social, environmental and physical domains of their lives; 2) to reflect on the adequacy of the World Health Organization Quality of Life scale (WHOQOL-bref) in the context of the hospital evaluation of candidates for Bariatric Surgery. This was an empirical, exploratory, descriptive, cross-sectional study whose collection was carried out in October and November 2016, with 29 adult patients attended by the IMIP's Psychological Evaluation Laboratory, obeying the ethical recommendations of the research ethics committee involving human beings. The instruments used were the WHOQOL-bref scale and a sociodemographic questionnaire. The results emphasized the multidimensional relationship between obesity and quality of life, with predominance of dysfunctional aspects of physical order and difficulties faced by participants in interpersonal relationships. In the data, professional and family supports appeared as important factors for coping with obesity, thus contributing to better emotional management during the preparatory period for bariatric surgery. The WHOQOL-bref scale allowed us to understand relevant aspects of the quality of life of the candidates for bariatric surgery in care at IMIP. It is suggested research with robust samples for statistical deepening of the data found here.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida de obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Evaluation of the quality of life of obese candidates for bariatric surgery</b></font></p>     <p><b>Nathaly Ferreira-Novaes<sup>1</sup> , Rennan Paranhos Baroni Lima<sup>2</sup>, M&ocirc;nica Cristina Batista de Melo<sup>3</sup>, &amp; Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa<sup>4</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Universidade Federal de Pernambuco, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cognitiva, 50670-901, Recife, Brasil, <a href="mailto:ncvaz@hcrp.usp.br">ncvaz@hcrp.usp.br</a></p>     <p><sup>2</sup> Faculdade Pernambucana de Sa&uacute;de, Recife, Brasil; Universidade Cat&oacute;lica de Pernambuco, Departamento de P&oacute;s- gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica, Recife, Brasil, <a href="mailto:rennan.paranhos@hotmail.com">rennan.paranhos@hotmail.com</a></p>     <p><sup>3</sup> Faculdade Pernambucana de Sa&uacute;de, Departamento de Psicologia, Recife, Brasil; Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Stricto Sensu em Sa&uacute;de Materno Infantil; Laborat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica, Recife, Brasil, <a href="mailto:monicacbmelo@gmail.com">monicacbmelo@gmail.com</a></p>     <p><sup>4</sup> Faculdade Pernambucana de Sa&uacute;de, Departamento de Psicologia, Recife, Brasil; Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Stricto Sensu em Sa&uacute;de Materno Infantil, Recife, Brasil, <a href="mailto:leopoldopsi@gmail.com">leopoldopsi@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO </b></p>     <p>A obesidade &eacute; um fen&ocirc;meno complexo e multifatorial. Na busca por formas eficazes de cuidado e de prepara&ccedil;&atilde;o dos obesos, para realiza&ccedil;&atilde;o da Cirurgia Bari&aacute;trica, &eacute; crucial a compreens&atilde;o de como os mesmos percebem a sua qualidade de vida. Diante de escassa literatura no contexto nacional acerca da tem&aacute;tica, este artigo objetiva analisar como obesos pretendentes &agrave; Cirurgia Bari&aacute;trica avaliam a sua qualidade de vida. Assim, buscou-se: 1) identificar como os participantes qualificam os dom&iacute;nios psicol&oacute;gico, social, meio ambiente e f&iacute;sico das suas vidas; 2) refletir quanto &agrave; adequa&ccedil;&atilde;o da escala <i>World Health Organization Quality of Life </i>(WHOQOL-bref) no contexto de avalia&ccedil;&atilde;o hospitalar de candidatos &agrave; Cirurgia Bari&aacute;trica. Tratou-se de um estudo emp&iacute;rico, explorat&oacute;rio, descritivo, tipo corte transversal, cuja coleta foi realizada em outubro e novembro de 2016, com 29 pacientes adultos atendidos pelo Laborat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica do IMIP, obedecendo &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas do comit&ecirc; de &eacute;tica em pesquisa envolvendo seres humanos. Os instrumentos utilizados foram a escala WHOQOL-bref e um question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico. Os resultados enfatizaram rela&ccedil;&atilde;o multidimensional da obesidade com a qualidade de vida, predominando aspectos disfuncionais de ordem f&iacute;sica e dificuldades enfrentadas pelos participantes nos relacionamentos interpessoais. Nos dados, os suportes profissionais e familiares apareceram como importantes fatores de enfrentamento da obesidade, contribuindo para melhor um manejo emocional durante per&iacute;odo preparat&oacute;rio para a cirurgia bari&aacute;trica. A escala WHOQOL-bref permitiu apreender aspectos relevantes da qualidade de vida dos candidatos a cirurgia bari&aacute;trica em atendimento no IMIP. Sugere-se pesquisas com amostras robustas para aprofundamento estat&iacute;stico dos dados aqui encontrados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>qualidade de vida, obesidade, whoqol-bref, cirurgia bari&aacute;trica</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>Obesity is a complex and multifactorial phenomenon. In the search for effective ways to care for and prepare the obese for Bariatric Surgery, it is crucial to understanding how they perceive their quality of life. Faced with scarce literature in the national context on the theme, this article aims to analyze how obese aspirants to Bariatric Surgery assess their quality of life. Thus, we sought to: 1) identify how participants qualify the psychological, social, environmental and physical domains of their lives; 2) to reflect on the adequacy of the World Health Organization Quality of Life scale (WHOQOL-bref) in the context of the hospital evaluation of candidates for Bariatric Surgery. This was an empirical, exploratory, descriptive, cross-sectional study whose collection was carried out in October and November 2016, with 29 adult patients attended by the IMIP's Psychological Evaluation Laboratory, obeying the ethical recommendations of the research ethics committee involving human beings. The instruments used were the WHOQOL-bref scale and a sociodemographic questionnaire. The results emphasized the multidimensional relationship between obesity and quality of life, with predominance of dysfunctional aspects of physical order and difficulties faced by participants in interpersonal relationships. In the data, professional and family supports appeared as important factors for coping with obesity, thus contributing to better emotional management during the preparatory period for bariatric surgery. The WHOQOL-bref scale allowed us to understand relevant aspects of the quality of life of the candidates for bariatric surgery in care at IMIP. It is suggested research with robust samples for statistical deepening of the data found here.</p>     <p><b>Keywords: </b>quality of life, obesity, whoqol-bref, bariatric surgery</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A obesidade &eacute; atualmente considerada um dos maiores problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica no mundo. No Brasil, n&atilde;o destoante da conjuntura mundial, o &iacute;ndice de popula&ccedil;&atilde;o obesa vem aumentando. NCD Risk Factor Collaboration (2016) realizou uma pesquisa e, comparando o &iacute;ndice de massa corporal (IMC) de cerca de 20 milh&otilde;es de pessoas de ambos os sexos, de diversas nacionalidades, observou que um quinto da popula&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; obesa, sendo, pois, o Brasil um dos pa&iacute;ses com maior taxa de obesidade do mundo.</p>     <p>Atualmente, a obesidade pode ser definida como uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica, n&atilde;o contagiosa, de dif&iacute;cil controle, caracterizada por excessivo ac&uacute;mulo de gordura nos tecidos adiposos (Tavares, Nunes &amp; Santos, 2010). Todavia, para al&eacute;m da &ecirc;nfase nos fatores gen&eacute;ticos e fisiol&oacute;gicos, a obesidade tamb&eacute;m pode ser analisada sob o enfoque dos diferentes significados socioculturais a ela atribu&iacute;dos, os quais se referem a aspectos como beleza, sa&uacute;de e doen&ccedil;a (Vasconcelos &amp; Costa Neto, 2008). Desse modo, por se tratar de um fen&ocirc;meno complexo e multifatorial (Kolotkin, Meter &amp; Williams, 2001), o uso de diferentes abordagens permite a constru&ccedil;&atilde;o de um olhar mais abrangente acerca da sua din&acirc;mica.</p>     <p>O IMC, calculado pela rela&ccedil;&atilde;o entre peso e altura de uma pessoa, &eacute; um dos principais indicadores comumente utilizados para diagnosticar a obesidade em adultos. Em estudos epidemiol&oacute;gicos, a obesidade &eacute; normalmente diagnosticada com valores de IMC superiores a 30kg/m2 e a sua gravidade por ser observada em diferentes graus (Vigitel, 2014). Contudo, no delineamento de tratamentos da referida doen&ccedil;a, &eacute; importante considerar o seu car&aacute;ter multifatorial, pois a mesma conjuga a intera&ccedil;&atilde;o de fatores sociais, comportamentais, culturais, psicol&oacute;gicos, metab&oacute;licos e gen&eacute;ticos (Kolotkin et al., 2001), cujas implica&ccedil;&otilde;es variam de pessoa para pessoa.</p>     <p>Comumente, a literatura destaca um impacto significativo da obesidade nas condi&ccedil;&otilde;es cotidianas dos indiv&iacute;duos por ela acometidos (Barros, Moreira, Frota, Ara&uacute;jo &amp; Caetano, 2014). Quanto aos quadros cl&iacute;nicos associados &agrave;quela morbidade, pode-se destacar o desenvolvimento de transtornos alimentares, psicol&oacute;gicos (tais como depress&atilde;o e de ansiedade), ortop&eacute;dicos e a intensifica&ccedil;&atilde;o de outras doen&ccedil;as (como hipertens&atilde;o, diabetes mellitus, doen&ccedil;as cardiovasculares, entre outras) (Rocha &amp; Costa, 2012; Stefan, H&auml;ring, Hu &amp; Schulze, 2013; Head, 2015; Sch&uuml;nemann, Gama &amp; Navarro, 2009; Silva, Pais-Ribeiro &amp; Cardoso, 2009), assim como suic&iacute;dio (Viana, 2012). Essa conjuntura se mostra como prop&iacute;cia para diversos preju&iacute;zos sociais e econ&ocirc;micos, devido &agrave; debilidade f&iacute;sica e aos crescentes gastos com tratamentos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O cen&aacute;rio supracitado incentiva um crescente interesse entre os pesquisadores quanto a compreens&atilde;o da qualidade de vida relacionada &agrave; &aacute;rea da sa&uacute;de (Almeida, Loureiro &amp; Santos, 2001; Minayo, 2000), pois esse &eacute; um aspecto importante para a avalia&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica psicol&oacute;gica das pessoas obesas indicadas ou submetidas &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, a qual tem cada vez mais indicada como forma de tratamento da obesidade (Flores, 2014; Pimenta, Bertrand, Mograbi, Shinohara, &amp; Landeira-Fernandez, 2015).</p>     <p>Segundo a OMS - Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de - (1997), a qualidade de vida pode ser definida como a percep&ccedil;&atilde;o de um indiv&iacute;duo quanto &agrave; sua posi&ccedil;&atilde;o na vida no contexto da cultura e nos sistemas de valores, nos quais ele vive e relaciona com os seus objetivos, expectativas, padr&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es. Portanto, “A avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida relacionada ao estado de sa&uacute;de &eacute; um fator importante na verifica&ccedil;&atilde;o do impacto causado pela doen&ccedil;a no bem-estar do indiv&iacute;duo, em especial naqueles que apresentam outras comorbidades” (Barros et al., 2014), bem como pelo tratamento m&eacute;dico indicado, por exemplo, realizando comparativos antes e depois do procedimento cir&uacute;rgico, no caso da cirurgia bari&aacute;trica. Desse modo, a necessidade crescente de analisar sistematicamente a qualidade de vida das pessoas na sua rela&ccedil;&atilde;o com o estado de sa&uacute;de foi terreno f&eacute;rtil para impulsionar a constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos psicom&eacute;tricos voltados para essa tem&aacute;tica (Kolotkin et al., 2001; Silva, Pais-Ribeiro &amp; Cardoso, 2008).</p>     <p>Com o objetivo de se construir um instrumento que avaliasse diversos dom&iacute;nios da qualidade de vida e que fosse v&aacute;lido internacionalmente, a OMS elaborou um projeto colaborativo multic&ecirc;ntrico que resultou na constru&ccedil;&atilde;o da escala WHOQOL-100 (WHO, 1997), a qual foi traduzida para o portugu&ecirc;s e validada no Brasil. Contudo, a necessidade do uso de question&aacute;rios mais curtos, que demandassem pouco tempo para o seu preenchimento, mas que tivessem boas qualidades psicom&eacute;tricas, incentivou a constru&ccedil;&atilde;o de uma vers&atilde;o reduzida daquela escala: a WHOQOL-bref (Whoqol Group, 1998). Trata-se, portanto, de uma interessante possibilidade para abordar quest&otilde;es de qualidade de vida em contextos avaliativos de pessoas que pretendem se submeter &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. Contudo, escassos s&atilde;o os estudos emp&iacute;ricos que utilizaram a escala WHOQOL-bref, considerando a situa&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o de obesos em destaque neste artigo.</p>     <p>Quanto aos estudos brasileiros dedicados a analisar a qualidade de vida de pessoas obesas, relacionando-a com o tratamento da cirurgia bari&aacute;trica, pode-se destacar o trabalho de Villela et al. (2004), no qual pacientes em momentos pr&eacute; e p&oacute;s cirurgia bari&aacute;trica foram avaliados, mediante o instrumento <i>Medical Outcomes 36-Itens Short-Form Health Survey </i>(SF-36). Os autores observaram que houve uma melhoria na habilidade funcional, vitalidade e sa&uacute;de geral dos pacientes j&aacute; submetidos &agrave; bari&aacute;trica, em detrimento do grupo pr&eacute; cir&uacute;rgico, no qual foi apresentada uma significativa redu&ccedil;&atilde;o no grau da qualidade de vida.</p>     <p>Vasconcelos e Costa Neto (2008), a partir do seu trabalho cl&iacute;nico com obesos pr&eacute; cir&uacute;rgicos nos &acirc;mbitos de cl&iacute;nica privada e de hospital p&uacute;blico, desenvolveram uma investiga&ccedil;&atilde;o com interesse semelhante ao do presente estudo - avaliar a percep&ccedil;&atilde;o de obesos pr&eacute;-cir&uacute;rgicos sobre diversas dimens&otilde;es da pr&oacute;pria qualidade de vida relacionada &agrave; sa&uacute;de. Participaram 30 pacientes de ambos os sexos nessa pesquisa, com idades entre 20 e 60 anos, que estavam na fila de espera para a cirurgia bari&aacute;trica em um hospital p&uacute;blico, no centro-oeste brasileiro. Como instrumentos de coleta de dados, foram aplicados o <i>World Health Organization Quality of Life Assessment </i>(WHOQOL 100) e o <i>Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey </i>(SF-36), al&eacute;m de uma entrevista semiestruturada gravada em &aacute;udio.</p>     <p>Foi observado que tanto o WHOQOL-100 quanto o SF-36 foram capazes de avaliar a percep&ccedil;&atilde;o de qualidade de vida apresentada pelos participantes do referido estudo, apontando &aacute;reas que precisam ser tomadas como prioridades de interven&ccedil;&atilde;o pela equipe de sa&uacute;de (Vasconcelos &amp; Costa Neto, 2008). Os dados apontaram para uma expressiva perda da independ&ecirc;ncia e do bem-estar f&iacute;sico, decorrente da obesidade, enquanto que houve uma maior preserva&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida no que tange aos aspectos sociais e &agrave; sa&uacute;de mental. Os autores argumentaram que esse &uacute;ltimo ponto se deu, possivelmente, por os participantes da referida investiga&ccedil;&atilde;o estarem em assist&ecirc;ncia pela equipe multiprofissional de sa&uacute;de do hospital, h&aacute; cerca de 24 meses, na &eacute;poca da coleta de dados. Nesse procedimento assistencial a rede de suporte social foi fortalecida, mediante grupos regulares de obesos.</p>     <p>Quanto aos dados sociodemogr&aacute;ficos, no referido estudo (Vasconcelos &amp; Costa Neto, 2008) foi observado ainda que a maioria dos participantes eram mulheres (83,3%), al&eacute;m de baixa condi&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica. Grande parte da amostra era composta por profissionais aut&ocirc;nomos e foi referido que n&atilde;o estavam afastados do trabalho em fun&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a ou do tratamento, pois eles buscavam estrat&eacute;gias de enfrentamento para lidar com as dificuldades decorrentes da obesidade para darem conta de aspectos referente &agrave; subsist&ecirc;ncia. Todavia, os autores afirmaram n&atilde;o terem conseguido estabelecer correla&ccedil;&atilde;o entre os resultados dos instrumentos e os dados sociodemogr&aacute;ficos, devido ao baixo n&iacute;vel de signific&acirc;ncia dos dados para uma compara&ccedil;&atilde;o desse porte.</p>     <p>Guedes, Virgens, Nascimento e Vieira (2009) realizaram um estudo explorat&oacute;rio, buscando avaliar a qualidade de vida de pessoas submetidas &agrave; cirurgia bari&aacute;trica do tipo Deriva&ccedil;&atilde;o Biliopancre&aacute;tica com Preserva&ccedil;&atilde;o G&aacute;strica (DBPPG), mediante a administra&ccedil;&atilde;o do <i>Bariatric Analysis Reporting Outcome System </i>(BAROS). Foi observada melhoria da autoestima, da vida sexual, do rendimento no trabalho, da participa&ccedil;&atilde;o na sociedade na situa&ccedil;&atilde;o p&oacute;s cir&uacute;rgica. Houve, portanto, uma significativa associa&ccedil;&atilde;o da melhoria da qualidade de vida com a realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia DBPPG.</p>     <p>Em um estudo transversal, realizado por Barros et al. (2014) em um hospital pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) no Cear&aacute;, com 64 pessoas que estavam na fila de espera para a realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia bari&aacute;trica, foi utilizado o question&aacute;rio Qualidade de Vida de Moorehead-Ardelt II (QoL-II). Assim como no estudo mencionado no par&aacute;grafo anterior, foi observado predom&iacute;nio do sexo feminino na amostra avaliada. De modo geral, foi verificado que a obesidade influencia negativamente a qualidade de vida dos indiv&iacute;duos, sendo os dom&iacute;nios mais afetados o que estavam relacionados &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, ao sedentarismo e &agrave; sexualidade.</p>     <p>Como se pode observar, nos estudos acima, foram utilizados diferentes instrumentos na busca por dados que esclarecessem quais aspectos da qualidade de vida dos obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, ou j&aacute; submetidos a esse procedimento, mostravam-se mais preservados e quais se apresentavam mais prejudicados. Cada um apresenta as suas limita&ccedil;&otilde;es e possibilidades, contudo, diante das valida&ccedil;&otilde;es robustas em diferentes pa&iacute;ses e no Brasil, bem como do car&aacute;ter breve da sua administra&ccedil;&atilde;o, a escala WHOQOL-bref pode ser um promissor instrumento para abordar a qualidade de vida no contexto hospitalar de avalia&ccedil;&atilde;o de pessoas para submiss&atilde;o &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. Contudo, no Brasil, a administra&ccedil;&atilde;o da WHOQOL-bref ainda foi pouco explorada naquele tipo de situa&ccedil;&atilde;o, apesar da sua significativa aplica&ccedil;&atilde;o em diversos contextos da sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o referido objetivo, na literatura nacional, foi encontrado o estudo de Moraes, Caregnato e Schneider (2014). Nessa pesquisa foi analisada a qualidade de vida de 16 obesos nas condi&ccedil;&otilde;es pr&eacute; e p&oacute;s cir&uacute;rgicos utilizando a escala WHOQOL-bref. Identificou-se que 25% dos participantes apresentaram insatisfa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; sua sa&uacute;de e &agrave; qualidade de vida antes da cirurgia bari&aacute;trica ser realizada. Enquanto isso, foi encontrado que, ap&oacute;s a cirurgia, os pacientes passaram a demonstrar um retorno positivo no que se refere a sua sa&uacute;de, discorrendo que haviam tido uma melhoria em sua qualidade de vida, mas que por vezes, apresentavam-se sentimentos negativos decorridos da experi&ecirc;ncia p&oacute;s-operat&oacute;ria.</p>     <p>Nas pesquisas abordadas anteriormente foi comum a chamada para a necessidade da amplia&ccedil;&atilde;o dos dados nacionais sobre a qualidade de vida de obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, inclusive no que diz respeito a sua rela&ccedil;&atilde;o com aspectos sociodemogr&aacute;ficos. Por conseguinte, com o interesse de trazer mais uma contribui&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica para a &aacute;rea, o presente artigo se prop&otilde;e a discutir dados referentes &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida de uma amostra brasileira de obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, mediante o uso da escala WHOQOL-bref. Assim, buscou-se: 1) identificar como aqueles indiv&iacute;duos avaliam o seu n&iacute;vel de qualidade de vida, no que diz respeito aos dom&iacute;nios f&iacute;sico, psicol&oacute;gico, rela&ccedil;&otilde;es sociais e meio ambiente; 2) refletir acerca da adequa&ccedil;&atilde;o da escala WHOQOL-bref para a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida de obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, a partir dos dados obtidos neste estudo.</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>Foi realizado um estudo quanti-qualitativo, tipo corte transversal, no per&iacute;odo correspondente aos meses outubro e novembro de 2016. Esta pesquisa foi aprovada pelo comit&ecirc; de &eacute;tica, parecer 1.102.119 seguindo todas as exig&ecirc;ncias &eacute;ticas referentes a pesquisas com seres humanos.</p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>A amostra foi composta por 29 candidatos &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, que estavam em acompanhamento psicol&oacute;gico pelo Laborat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica da institui&ccedil;&atilde;o hospitalar Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), na cidade do Recife/ PE, durante os meses de outubro e novembro de 2016. A escolha por esse <i>locus </i>de pesquisa se deu por o referido hospital se tratar de uma entidade filantr&oacute;pica de refer&ecirc;ncia nas regi&otilde;es Norte e Nordeste do Brasil. Dentre os servi&ccedil;os prestados pelo IMIP, h&aacute; o tratamento da obesidade pelas vias da Cirurgia Bari&aacute;trica, cujo funcionamento conta com uma equipe multiprofissional que atua, na referida institui&ccedil;&atilde;o, voltada para a prepara&ccedil;&atilde;o e acompanhamento ambulatorial de pacientes que desejam emagrecer, mediante aquele tipo de procedimento cir&uacute;rgico.</p>     <p><i>Material</i></p>     <p><i> </i>A realiza&ccedil;&atilde;o da coleta de dados se deu mediante utiliza&ccedil;&atilde;o da escala <i>World Health Organization Quality of Life </i>(WHOQOL-bref), para avaliar a qualidade de vida dos participantes. O referido instrumento &eacute; composto por 26 quest&otilde;es objetivas, com alternativas dispostas, numa escala tipo <i>Likert</i>, para cada quest&atilde;o, com a seguinte varia&ccedil;&atilde;o: intensidade (nada-extremamente), capacidade (nada-completamente), avalia&ccedil;&atilde;o (muito insatisfeito-muito satisfeito; muito ruim-muito bom) e frequ&ecirc;ncia (nunca-sempre). as quais visam avaliar os dom&iacute;nios: f&iacute;sico, psicol&oacute;gico, rela&ccedil;&otilde;es sociais e meio ambiente.</p>     <p>Al&eacute;m do WHOQOL-bref, os participantes responderam um question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico previamente elaborado pelos pesquisadores, cujo objetivo foi identificar o perfil dos sujeitos colaboradores. O referido formul&aacute;rio abordou os seguintes aspectos: idade, g&ecirc;nero, estado civil, religi&atilde;o e motiva&ccedil;&atilde;o para o procedimento cir&uacute;rgico. Ao longo do encontro com cada participante, foram registradas observa&ccedil;&otilde;es realizadas por um dos pesquisadores, o qual conduziu o respectivo di&aacute;logo. Esses registros, foram elaborados mediante o uso de palavras-chave e frases sucintas em espa&ccedil;o reservado para aquele fim, no pr&oacute;prio question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico. Esses dados auxiliaram na amplia&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados, abrindo a possibilidade de uma discuss&atilde;o mais rica e contextualizada.</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i> </i>Depois de assinarem ao TCLE, cada participante respondeu, individualmente, a escala WHOQOL-bref em uma sala de atendimento do Laborat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica (LAP), com a ajuda de um dos pesquisadores. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s proferida a instru&ccedil;&atilde;o de como preencher o question&aacute;rio, &agrave; medida que o pesquisador lia cada pergunta do WHOQOL-bref, o participante escolhia as respostas, conforme o seu pr&oacute;prio julgamento. Optou-se por essa forma de administra&ccedil;&atilde;o do instrumento por se julgar que ela facilitaria o esclarecimento de poss&iacute;veis d&uacute;vidas dos participantes quanto a algumas quest&otilde;es. Ao final do preenchimento da WHOQOL-bref, os indiv&iacute;duos responderam a ficha sociodemogr&aacute;fica entregue pelo pesquisador presente.</p>     <p>Os dados obtidos da WHOQOL-bref foram tabulados, mediante o <i>software Microsoft Excel, </i>e foi utilizada estat&iacute;stica descritiva para a an&aacute;lise quantitativa dos escores obtidos na referida escala. Os demais dados, obtidos nos encontros com cada participante (mediante a ficha sociodemogr&aacute;fica e por meio de coment&aacute;rios realizados pelos participantes, quanto &agrave;s quest&otilde;es preenchidas na escala), foram descritos e acrescentados &agrave; discuss&atilde;o, &agrave; medida que os pesquisadores julgaram ser pertinente.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Na amostra, predominou a participa&ccedil;&atilde;o de mulheres, totalizando 24 (82,76%) pessoas do sexo feminino e 5 (17,24%) do masculino. A faixa et&aacute;ria geral variou entre 25 e 60 anos. Destes, 2 (6,89%) afirmaram que n&atilde;o seguem nenhuma corrente religiosa, enquanto que 1 (3,44%) se denominou Testemunha de Jeov&aacute; e 26 (89,65%) afirmaram-se como crist&atilde;os (protestantes/cat&oacute;licos). Quanto ao estado civil dos participantes, 1 (3,45%) declarou ser vi&uacute;vo, 12 (41,38%) casados e 16 (55,17%) solteiros.</p>     <p>Dos escores obtidos, foi observado que mais da metade (75,86%) dos participantes perceberam como <i>regular </i>(37,93%) e <i>ruim </i>(37,93%) a qualidade de vida que dispunham no momento da pesquisa, bem como a sua satisfa&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria sa&uacute;de. Os resultados revelaram que predominou a avalia&ccedil;&atilde;o de cada dom&iacute;nio da escala WHOQOL-bref, como <i>regulares </i>e <i>ruins</i>. Enquanto isso, em um dos dom&iacute;nios das rela&ccedil;&otilde;es sociais, houve a qualifica&ccedil;&atilde;o <i>muito boa</i>, mesmo que pela minoria. Como ser&aacute; descrito a seguir, esses dados refletem a &ecirc;nfase dos indiv&iacute;duos, quanto &agrave;s dificuldades presentes no cotidiano dos obesos indicados &agrave; cirurgia bari&aacute;trica (<a href="#q1">Quadro 1</a>), na forma que se percebem nas suas viv&ecirc;ncias di&aacute;rias, considerando os diferentes dom&iacute;nios da qualidade de vida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n1/20n1a01q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No dom&iacute;nio f&iacute;sico foi encontrado que 51,72% dos participantes avaliaram como <i>regular </i>as suas condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas. Foi frequente na amostra a refer&ecirc;ncia a desconfortos e inc&ocirc;modos corporais, diretamente ligados &agrave;s dores f&iacute;sicas, dificuldades para locomo&ccedil;&atilde;o e importante necessidade de acompanhamento m&eacute;dico para tratamento de comorbidades associadas &agrave; obesidade.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos demais indiv&iacute;duos, mais da metade (31,03%) referiu perceber as suas condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas em <i>bom </i>estado, enquanto que 17,24% as qualificaram-nas como <i>ruim</i>. Esses dados sugerem uma rela&ccedil;&atilde;o do baixo dom&iacute;nio f&iacute;sico, apresentado nesse &uacute;ltimo grupo, com a baixa energia para desenvolver as atividades do cotidiano, muitas vezes refletindo na capacidade de desenvolver as atividades di&aacute;rias. A amostra referiu sofrimento com o comprometimento das atividades laborais, mencionando recorrentes dificuldades de concentra&ccedil;&atilde;o e insuficiente energia para executarem todas as atividades competentes aos seus of&iacute;cios. Os participantes que referiram uma boa qualidade das condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas tamb&eacute;m destacaram a frequente necessidade de acompanhamento m&eacute;dico, devido &agrave;s comorbidades advindas com a obesidade, como exemplo hipertens&atilde;o e diabetes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quase metade dos participantes (48,28%) apresentaram escores que avaliaram o dom&iacute;nio psicol&oacute;gico como <i>regular</i>, enquanto que 37,93% se perceberam em condi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas <i>ruins</i>, frequentemente associadas a autoestima e a sentimentos negativos, decorrentes de viv&ecirc;ncias sociais e das limita&ccedil;&otilde;es advindas com a obesidade. Os dados sugerem que a baixa autoestima possui uma rela&ccedil;&atilde;o com aspectos est&eacute;ticos, principalmente nas mulheres, por dificuldades para encontrarem roupas adequadas ao corpo, conforme comentaram durante o preenchimento da escala. Apenas 13,79% dos participantes apresentaram <i>boa </i>rela&ccedil;&atilde;o consigo mesmos, destacando boa capacidade de concentra&ccedil;&atilde;o e busca pelo bom proveito da vida. Apesar das complica&ccedil;&otilde;es e dificuldades encontradas na viv&ecirc;ncia da obesidade, esses indiv&iacute;duos afirmaram que n&atilde;o vivenciam sentimentos negativos com frequ&ecirc;ncia, tais como mal humor, depress&atilde;o, ansiedade, dentre outros. Estaria esse dado relacionado com o acompanhamento psicol&oacute;gico? Com aspectos da espiritualidade e/ou da personalidade dos obesos? Com apoio social dos indiv&iacute;duos, advindos dos la&ccedil;os de amizades e familiares? Essas n&atilde;o foram quest&otilde;es aprofundadas nesta pesquisa.</p>     <p>Dos escores apresentados na amostra desta pesquisa, ainda se observa que 13,79% dos participantes perceberam os aspectos relacionados ao meio ambiente como <i>ruins</i>, enquanto que 72,41% avaliaram-nos como <i>regulares</i>. Desse modo, mais de 85% da amostra enfatizaram as dificuldades relacionadas a sua seguran&ccedil;a e &agrave; insatisfa&ccedil;&atilde;o com o ambiente f&iacute;sico que habitam, representadas nas quest&otilde;es Q8 e Q9, com as quais se deparam no cotidiano. Frequentemente, a condi&ccedil;&atilde;o financeira surgiu como um elemento insuficiente na vida dos sujeitos, o qual pode estar repercutindo, em certa medida, nas poucas oportunidades de lazer dos participantes.</p>     <p>Os outros 13,79% dos participantes, restantes, indicaram uma boa qualifica&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio meio ambiente, sobressaindo-se os escores da Q131. Esses dados sugerem que a satisfa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com o referido dom&iacute;nio possui rela&ccedil;&atilde;o com a conscientiza&ccedil;&atilde;o desses quanto ao procedimento cir&uacute;rgico bari&aacute;trico, facilitada pela suficiente disponibiliza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es quanto ao tratamento.</p>     <p>Nos escores referentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais, mais da metade dos participantes (55%) enfatizaram dificuldades dos obesos no estabelecimento e aprofundamento dos v&iacute;nculos com outras pessoas. Da amostra estudada, 17,24% avaliaram esse dom&iacute;nio como <i>ruim</i>, enquanto que em 37,93% ele se mostrou como <i>regula</i>r. Esses dados sugerem que as quest&otilde;es relacionadas ao dom&iacute;nio psicol&oacute;gico, destacadas acima, tamb&eacute;m envolvem as dificuldades para v&iacute;nculos interpessoais profundos, associadas ao aumento excessivo do peso dos indiv&iacute;duos. Os escores da Q212 enfatizaram uma importante insatisfa&ccedil;&atilde;o dos participantes com a vida sexual, o que pode trazer relevantes repercuss&otilde;es em rela&ccedil;&otilde;es amorosas e na autoestima.</p>     <p>Contudo, 31,03% e 13,79% dos participantes se perceberam no dom&iacute;nio das rela&ccedil;&otilde;es sociais como em numa condi&ccedil;&atilde;o <i>boa </i>e <i>muito boa</i>, respectivamente. Esses dados sugerem que a positiva qualifica&ccedil;&atilde;o das suas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais pode estar associada ao fato dos indiv&iacute;duos perceberem que recebem importante apoio do meio social, representado pelos seus familiares e amigos, para lidarem com as dificuldades decorrentes da obesidade.</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Em conson&acirc;ncia com a literatura, a amostra aqui abordada demonstrou importante rela&ccedil;&atilde;o entre qualidade de vida e obesidade. Os resultados apontam que a maioria significativa das avalia&ccedil;&otilde;es da qualidade de vida, realizadas pelos participantes deste estudo, variou entre as categorias <i>regular </i>e <i>necessita melhorar </i>(ver Quadro 1) em todos dom&iacute;nios abordados na escala WHOQOL-bref. Essas estimativas corroboram com dados encontrados em diversos estudos (Moraes et al., 2014; Vasconcelos &amp; Costa Neto, 2008; Barros et al., 2014), nos quais, mesmo utilizando instrumentos de coleta distintos, foi frequente a presen&ccedil;a de perspectiva negativada dos obesos, quanto a sua qualidade de vida antes da cirurgia bari&aacute;trica, ao considerarem fatores como sa&uacute;de, satisfa&ccedil;&atilde;o com o corpo e com as atividades laborais, entre outros.</p>     <p>1 Diz respeito &agrave; disponibilidade das informa&ccedil;&otilde;es que lhes s&atilde;o necess&aacute;rias na vida cotidiana.</p>     <p>2 Diz respeito &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida sexual.</p>     <p>Em conson&acirc;ncia com a literatura, os coment&aacute;rios realizados pelos participantes, durante o preenchimento da escala WHOQOL-bref, revelaram que a procura pela cirurgia bari&aacute;trica traz consigo quest&otilde;es de diferentes ordens: comorbidades, autoimagem, emocionais, relacionais, entre outras. Assim, os achados da presente pesquisa ilustram a complexidade e multidimensionalidade da obesidade (Kolotkin et al., 2001), bem como o seu impacto nas condi&ccedil;&otilde;es de vida das pessoas obesas (Barros et al., 2014), em diferentes esferas de experi&ecirc;ncia - sa&uacute;de, social, laboral, afetiva, financeira, entre outras. A seguir, buscar-se-&aacute; olhar para os resultados apresentados, considerando essa complexidade em cada dom&iacute;nio abordado na escala WHOQOL-bref.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito ao dom&iacute;nio f&iacute;sico, a presente pesquisa ilustra os crescentes dados estat&iacute;sticos, apresentados por diversos autores (Stefan, et al., 2013; Head, 2015; Melo, 2011), quanto &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es da obesidade, em seus est&aacute;gios mais graves, na sa&uacute;de das pessoas que a desenvolveram - tais como diabetes, doen&ccedil;as cardiovasculares, dificuldades motoras e at&eacute; mesmo alguns c&acirc;nceres. Na amostra em an&aacute;lise, observou-se que os pacientes apresentavam, em sua maioria, quadro cl&iacute;nico de hipertens&atilde;o, alguns acompanhados por queixas, como dificuldades motoras, devido a intensas dores musculares e nas articula&ccedil;&otilde;es, causadas pelo aumento de peso. Essa observa&ccedil;&atilde;o corrobora com achados de Melo (2011), ao afirmar que a obesidade pode ser considerada como fator respons&aacute;vel pela redu&ccedil;&atilde;o da qualidade e expectativa de vida do sujeito, contribuindo para o surgimento de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, como osteoartrose, doen&ccedil;a hep&aacute;tica gordurosa n&atilde;o alco&oacute;lica, c&acirc;ncer, doen&ccedil;a cardiovascular, renal e apn&eacute;ia do sono - isto &eacute;, comorbidades ligadas &agrave; incapacidade funcional.</p>     <p>Diante dessa conjuntura, os participantes relataram estar em acompanhamento m&eacute;dico espec&iacute;fico para cuidarem das condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, facilitadas pela obesidade, o que indica preocupa&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o dessas pessoas para o autocuidado, al&eacute;m de abertura para ades&atilde;o a tratamentos de sa&uacute;de, junto a servi&ccedil;os especializados. Esses s&atilde;o aspectos importantes para serem considerados na avalia&ccedil;&atilde;o de obesos em situa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via a cirurgia bari&aacute;trica, a qual se mostra, nesse cen&aacute;rio, como significativa aliada &agrave; meta de reduzir o peso.</p>     <p>Atualmente, s&atilde;o variadas as formas de tratamento da obesidade, tais como psicoterapias, medicamentos, dietas e programas de atividades f&iacute;sicas (Marcelino &amp; Patr&iacute;cio, 2011). Todavia, muitas vezes os obesos m&oacute;rbidos n&atilde;o conseguem obter sucesso apenas por meio desses recursos, o que normalmente repercute em, al&eacute;m do aumento do peso, frustra&ccedil;&atilde;o, ansiedade constante, estresse, depress&atilde;o, continuidade do comportamento alimentar inadequado e o agravamento do quadro cl&iacute;nico da morbidade e comorbidades (Marcelino &amp; Patr&iacute;cio, 2011). Esse cen&aacute;rio corrobora com o baixo &iacute;ndice de participantes que referiram satisfa&ccedil;&atilde;o consigo mesmos (13,79%), face os desafios apresentados nas viv&ecirc;ncias cotidianas, facilitados pela obesidade.</p>     <p>Diante disso, h&aacute; d&eacute;cadas a cirurgia bari&aacute;trica tem se mostrado como uma promissora op&ccedil;&atilde;o de tratamento para os indiv&iacute;duos acometidos por obesidade em alto grau de severidade. O referido procedimento cir&uacute;rgico se apresenta para esses indiv&iacute;duos com a promessa de vida melhor, devido ao emagrecimento r&aacute;pido que ela possibilita (Moraes et al., 2014). Entretanto, apesar dos benef&iacute;cios que ela pode trazer, v&aacute;rios estudos abordam sobre fatores de risco p&oacute;s-cir&uacute;rgicos, tais como a presen&ccedil;a de conflitos psicol&oacute;gicos por dificuldades de si adaptar a uma nova condi&ccedil;&atilde;o de vida p&oacute;s cirurgia bari&aacute;trica, altera&ccedil;&otilde;es na auto percep&ccedil;&atilde;o corp&oacute;rea, anemias, faltas de vitamina, enfraquecimento de cabelos e unhas, descalcifica&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, entre outros (Carvalho, 2011; Castro, Ferreira, Chinelato &amp; Ferreira, 2013; Ehrenbrink, Pinto &amp; Prando, 2009; Marchesini, 2010). Ou seja, as condi&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-cir&uacute;rgicas podem tamb&eacute;m representar situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade e risco, que muitas vezes nem s&atilde;o pensadas pelos obesos que decidem pela cirurgia bari&aacute;trica. Trata-se, pois, de um tratamento, no qual precisa haver um trabalho de conscientiza&ccedil;&atilde;o dos pretendentes quanto a todo o processo cir&uacute;rgico, bem como &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas e possibilidades que podem vir a surgir em situa&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s-cir&uacute;rgico (Domingues et al., 2007). Nesse sentido, uma compreens&atilde;o minuciosa das condi&ccedil;&otilde;es de vida atual, pr&eacute; cir&uacute;rgica, al&eacute;m das perspectivas voltadas para a vida ap&oacute;s a cirurgia bari&aacute;trica, s&atilde;o elementos essenciais para serem trabalhados na prepara&ccedil;&atilde;o das pessoas que pretendem se submeter ao referido tipo de tratamento.</p>     <p>Nessa conjuntura destaca-se, pois, que a postura dos participantes, deste estudo, de buscar pelo cuidado da sa&uacute;de, citado anteriormente, remete-se, tamb&eacute;m, ao caminho de inser&ccedil;&atilde;o daquelas pessoas na rede de servi&ccedil;os assistenciais multidisciplinares de sa&uacute;de, que, como &eacute; comum no contexto brasileiro, por diversas vezes se mostram prec&aacute;rios em diversos espa&ccedil;os. Contudo, foi frequente a refer&ecirc;ncia de satisfa&ccedil;&atilde;o pelos participantes, no que diz respeito ao acesso e &agrave; qualidade dos servi&ccedil;os prestados pelo IMIP - hospital em que se encontram em acompanhamento no tratamento da obesidade e comorbidades. Conforme, destacado por aqueles indiv&iacute;duos, esse aspecto tamb&eacute;m se mostrou como fator mobilizador para a continuidade do autocuidado e o enfrentamento dos desafios implicados neste.</p>     <p>Essa observa&ccedil;&atilde;o corrobora com Lopes, Ca&iacute;res e Veiga (2013), os quais afirmam que a efic&aacute;cia da assist&ecirc;ncia de sa&uacute;de, voltada para o tratamento da cirurgia bari&aacute;trica, &eacute; possibilitada pela presen&ccedil;a de uma equipe multiprofissional que abranja &aacute;reas como nutri&ccedil;&atilde;o, enfermagem, medicina, fisioterapia, psicologia, servi&ccedil;o social e educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Por meio de uma atua&ccedil;&atilde;o articulada desses profissionais &eacute; poss&iacute;vel trabalhar os padr&otilde;es alimentares dos pacientes, as suas expectativas quanto a vida depois da cirurgia bari&aacute;trica, bem como incluir os familiares na fase preparat&oacute;ria dos obesos para a referida modalidade de tratamento da obesidade, pois o procedimento cir&uacute;rgico &eacute; apenas um dos primeiros passos na busca pelo emagrecimento. Embora, devido aos objetivos deste trabalho, n&atilde;o haja dados que caracterizem o acompanhamento profissional oferecido no IMIP aos pacientes candidatos a cirurgia bari&aacute;trica, os participantes destacaram como satisfat&oacute;rio o acesso ao servi&ccedil;o de sa&uacute;de no referido hospital e a disponibiliza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es referentes ao tratamento, o que remete a poss&iacute;vel trabalho de conscientiza&ccedil;&atilde;o na fase pr&eacute; cir&uacute;rgica.</p>     <p>Do presente estudo ainda &eacute; poss&iacute;vel destacar que a obesidade carrega consigo diversos valores e significados culturais compartilhados, que comumente se configuram em cen&aacute;rios de discrimina&ccedil;&otilde;es e rejei&ccedil;&otilde;es sociais dos indiv&iacute;duos nela enquadrados. Como afirmado por Lima (2010), al&eacute;m das complica&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de f&iacute;sica, os obesos tamb&eacute;m podem sofrer com quest&otilde;es de ordens psicol&oacute;gicas e socioculturais em seu cotidiano.</p>     <p>A literatura aponta que, comumente, no mundo contempor&acirc;neo a condi&ccedil;&atilde;o de “ser obeso” carrega estigmas, n&atilde;o apenas de quem est&aacute; numa condi&ccedil;&atilde;o limitante, mas tamb&eacute;m de quem se inclui em um padr&atilde;o est&eacute;tico indesejado, aspecto que interfere significativamente nas suas rela&ccedil;&otilde;es sociais, como as profissionais e as de grupos de amizade (Oliveira, 2014; Levine &amp; Schweitzer, 2015). Desse modo, como destacado por alguns autores (Almeida, Zanatta &amp; Rezende, 2012; Cardoso, 2014; Silva et al., 2009; Castro et al., 2013), a obesidade pode corroborar para o isolamento social, evita&ccedil;&atilde;o experiencial e distor&ccedil;&atilde;o da autoimagem.</p>     <p>Os dados deste estudo demonstram que, al&eacute;m da predomin&acirc;ncia do g&ecirc;nero feminino na amostra de obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, tamb&eacute;m encontrada na literatura, muitos dos aspectos referidos pelas mulheres como motivadores para a realiza&ccedil;&atilde;o desse tratamento estavam relacionados &agrave; autoimagem, &agrave; est&eacute;tica e a pr&oacute;prias quest&otilde;es de sa&uacute;de. Pensando nessa conjuntura, uma pesquisa realizada por Freitas, Lima, Costa &amp; Lucena Filho (2010) destaca que, culturalmente, existe um padr&atilde;o de beleza avaliado pelo &iacute;ndice de massa corporal da mulher e que relaciona o conceito de belo com a magreza est&eacute;tica do indiv&iacute;duo. Em conson&acirc;ncia com essa observa&ccedil;&atilde;o, Anzai (2000) j&aacute; havia afirmado que geralmente o padr&atilde;o de beleza da mulher &eacute; associado a modelos e &iacute;cones femininos magros, em sua significativa maioria, que est&atilde;o nos holofotes e na m&iacute;dia.</p>     <p>Muitas das mulheres que compuseram a amostra do presente estudo referiram desconforto quanto ao seu corpo em diversas situa&ccedil;&otilde;es sociais, como quando n&atilde;o conseguiam encontrar roupas nos seus tamanhos nas lojas. Relataram, tamb&eacute;m, experi&ecirc;ncias constrangedoras em que as pessoas as olhavam e se dirigiam a elas com palavras ofensivas, descrevendo de forma pejorativa a condi&ccedil;&atilde;o de estarem obesas. Esses aspectos se mostraram associados &agrave; presen&ccedil;a de baixa autoestima das participantes. Esses dados que corroboram com os achados de Torres, Rosa e Moscavitch (2016), em estudo que relacionou g&ecirc;nero, obesidade e qualidade de vida em amostra brasileira. Os autores observaram que as mulheres obesas apresentaram &iacute;ndice mais elevado de sofrimento psicol&oacute;gico ligado &agrave; apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, relacionando-se com menor autoestima, do que os homens obesos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar da apar&ecirc;ncia ter surgido em coment&aacute;rios dos participantes masculinos e femininos, no que diz respeito &agrave;s maiores dificuldades provenientes da condi&ccedil;&atilde;o de estar obeso, as maiores ang&uacute;stias referidas pelos homens, na presente pesquisa, foram associadas &agrave;s comorbidades e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sexuais, pontos tamb&eacute;m levantados pelas mulheres, em alguns momentos. Para aqueles indiv&iacute;duos as quest&otilde;es sobre a sexualidade giraram em tornos da preocupa&ccedil;&atilde;o com a impot&ecirc;ncia sexual e com o medo de ficarem menos atraentes para as parceiras, quest&otilde;es que lidam diretamente com a auto percep&ccedil;&atilde;o e a autoestima. Esses elementos refor&ccedil;am a relev&acirc;ncia dos marcadores socioculturais implicados constru&ccedil;&atilde;o social dos g&ecirc;neros, feminino e masculino, nas formas que a obesidade &eacute; vivenciada pelos indiv&iacute;duos em suas rela&ccedil;&otilde;es consigo mesmos e com as outras pessoas no cotidiano.</p>     <p>No que se refere &agrave; dimens&atilde;o social da qualidade de vida, quase metade dos participantes desta pesquisa afirmaram que, apesar dos aspectos levantados acima, a obesidade n&atilde;o trouxe grandes preju&iacute;zos aos seus relacionamentos familiares e de amizade. Por&eacute;m, os participantes afirmaram que, ao contr&aacute;rio do que ocorre nas suas rela&ccedil;&otilde;es com outras pessoas, com as quais entram em contato na sociedade, recebem muito apoio dos familiares e amigos para lidarem com os variados desafios advindos da obesidade e com o desejo de emagrecer, bem como com a mobiliza&ccedil;&atilde;o pessoal para realiza-lo.</p>     <p>Dado interessante no dom&iacute;nio psicol&oacute;gico diz respeito baixo &iacute;ndice de viv&ecirc;ncias de sentimentos negativos na amostra desta pesquisa, tais como depress&atilde;o, ansiedade e idea&ccedil;&atilde;o suicida. Contudo, &eacute; importante destacar que al&eacute;m da rede de apoio familiar e de amizade presente na vida dos participantes, no per&iacute;odo de realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, esses tamb&eacute;m contavam com acompanhamento de equipe multiprofissional no hospital em que pretendiam se submeter &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. Em conson&acirc;ncia com as observa&ccedil;&otilde;es de Vasconcelos e Costa Neto (2008), esse tipo de procedimento deve estar repercutindo positivamente em diferentes dimens&otilde;es da qualidade de vida da amostra em an&aacute;lise - tais como melhor manejo emocional e dos sentimentos envolvidos no contexto pr&eacute; cirurgia bari&aacute;trica e nas expectativas do p&oacute;s cir&uacute;rgico, disponibilidade de informa&ccedil;&otilde;es acerca desse tratamento e facilita&ccedil;&atilde;o de momentos reflexivos, como j&aacute; mencionado anteriormente.</p>     <p>Segundo Sebastiani e Maia (2005), a atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo &eacute; relevante para a reorganiza&ccedil;&atilde;o da vida do sujeito, no que concerne a momentos de transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a em suas vidas. Dessa forma, compreende-se que no contexto da cirurgia bari&aacute;trica, o acompanhamento psicol&oacute;gico durante o per&iacute;odo pr&eacute; cir&uacute;rgico da amostra em an&aacute;lise, pode ser um importante fator no fortalecimento da rede de apoio social e na elabora&ccedil;&atilde;o pessoal dos pacientes sobre as condi&ccedil;&otilde;es de vida no presente, o tratamento da obesidade em quest&atilde;o e as modifica&ccedil;&otilde;es corporais, emocionais e comportamentais previstas. Assim, enquanto componente da equipe de sa&uacute;de no hospital, defende-se que servi&ccedil;o da Psicologia &eacute;, nesse contexto, um elemento do dom&iacute;nio ambiental que possivelmente repercute de modo positivo na dimens&atilde;o subjetiva dos participantes, no processo de enfrentamento da obesidade, o qual come&ccedil;a antes mesmo da cirurgia.</p>     <p>Diante da discuss&atilde;o aqui desenvolvida, observa-se que este artigo trouxe &agrave; tona a relev&acirc;ncia de se compreender como os obesos com indica&ccedil;&atilde;o a cirurgia bari&aacute;trica avaliam a sua qualidade de vida, a qual diz respeito a um conjunto de fen&ocirc;menos pessoais que abarcam respostas emocionais do pr&oacute;prio sujeito, bem como uma satisfa&ccedil;&atilde;o acerca de suas pr&oacute;prias viv&ecirc;ncias (Giacomoni, 2004). Para isso s&atilde;o necess&aacute;rios instrumentos que facilitem uma abordagem, que n&atilde;o apenas enfoque a obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos, mas que tamb&eacute;m facilite a conscientiza&ccedil;&atilde;o do quadro cl&iacute;nico atual, bem como as suas implica&ccedil;&otilde;es e formas de lidar com ele, dentre as quais se encontra a cirurgia bari&aacute;trica.</p>     <p>Nesse contexto, conforme os dados apresentados, a escala WHOQOL-bref se apresenta como uma ferramenta validada no Brasil, de f&aacute;cil e r&aacute;pida administra&ccedil;&atilde;o, que permite a obten&ccedil;&atilde;o objetiva e geral das informa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; qualidade de vida dos obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. Observa-se que o instrumento supracitado permitiu o delineamento do perfil de usu&aacute;rios do servi&ccedil;o de sa&uacute;de do IMIP, voltado para cirurgia bari&aacute;trica, mais especificamente no que diz respeito &agrave; condi&ccedil;&atilde;o dos participantes na fase pr&eacute;-cir&uacute;rgica. Pelo car&aacute;ter padronizado e r&iacute;gido de abordagem da escala, muitos significados constru&iacute;dos pelos indiv&iacute;duos referentes &agrave;s quest&otilde;es abordadas na escala, comumente, n&atilde;o s&atilde;o externalizados durante o preenchimento do question&aacute;rio, na modalidade auto administrada.</p>     <p>Desse modo, a administra&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio pelo profissional, que l&ecirc; e preenche as quest&otilde;es, enquanto que os pacientes ouvem e escolhem as alternativas apresentadas, mostra-se como uma sugest&atilde;o interessante para minimizar o problema apresentado acima. No caso desta pesquisa, aquela forma de administra&ccedil;&atilde;o da escala se assemelhou a uma situa&ccedil;&atilde;o de entrevista, apresentando, portanto, um car&aacute;ter dial&oacute;gico, que facilitou a emerg&ecirc;ncia de coment&aacute;rios espont&acirc;neos, por parte dos participantes, &agrave; medida que foram respondendo as quest&otilde;es lidas pelos pesquisadores. Esses dados s&atilde;o cruciais para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma avalia&ccedil;&atilde;o consistente.</p>     <p>Neste sentido, observando-se a necessidade de aprofundamento de algumas quest&otilde;es abordadas neste estudo, acrescenta-se, ainda, ser imprescind&iacute;vel, em pesquisas futuras, a realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista semiestruturada que explore melhor as informa&ccedil;&otilde;es emergentes durante a administra&ccedil;&atilde;o da escala WHOQOL-bref, visto car&aacute;ter subjetivo implicado no pr&oacute;prio conceito de qualidade de vida, pois o mesmo se relaciona com a forma que o indiv&iacute;duo relata as suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias (Vasconcelos &amp; Costa Neto, 2008). Nesse contexto, o de di&aacute;rio de campo &eacute; um instrumento interessante para registros do pesquisador, quanto a suas observa&ccedil;&otilde;es e a coment&aacute;rios advindos dos participantes, para serem aprofundados em entrevistas posteriores. Sugere-se que esse procedimento tamb&eacute;m pode ser complementado, em estudos posteriores, com o uso de equipamentos gravadores no momento da administra&ccedil;&atilde;o do instrumento, para uma obten&ccedil;&atilde;o mais fiel e detalhada desse momento, mediante a transcri&ccedil;&atilde;o do material gravado.</p>     <p>Para finalizar, este estudo se mostrou relevante por trazer esclarecimentos do perfil da qualidade de vida de pacientes candidatos &agrave; cirurgia bari&aacute;trica em acompanhamento pelo servi&ccedil;o oferecido no IMIP. A discuss&atilde;o aqui levantada se trata, pois, de aspectos relevantes para a organiza&ccedil;&atilde;o articulada de protocolos de atendimento dos diferentes profissionais que comp&otilde;em a equipe voltada para o processo do tratamento da obesidade pela cirurgia bari&aacute;trica. Portanto, apesar do car&aacute;ter explorat&oacute;rio, este estudo apresenta contribui&ccedil;&otilde;es de cunho pr&aacute;tico e te&oacute;rico, para a atua&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de estudantes e profissionais que trabalho com o referido tipo de demanda.</p>     <p>O uso da escala WHOQOL-bref foi pertinente para atingir os objetivos propostos nesta pesquisa, sendo, pois, um instrumento interessante para o contexto hospitalar, dada a sua praticidade de manuseio e an&aacute;lise. Contudo, destaca-se que ainda permanece na agenda das pesquisas psicol&oacute;gicas uma pend&ecirc;ncia de estudos com amostras brasileiras maiores, que permitam an&aacute;lises estat&iacute;sticas mais robustas dos aspectos abordados na escala WHOQOL-bref, aplicada ao contexto dos obesos pretendentes &agrave; cirurgia bari&aacute;trica, inclusive realizando correla&ccedil;&otilde;es significativas com aspectos sociodemogr&aacute;ficos dessa popula&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Almeida, G. A. N., Loureiro, S.R., &amp; Santos, J. E. (2001). Obesidade m&oacute;rbida em mulheres: Estilos alimentares e qualidade de vida. <i>Archivos Latinoamericanos de Nutrici&oacute;n</i>, <i>51</i>, 359-365.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561504&pid=S1645-0086201900010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, S. S., Zanatta, D. P., &amp; Rezende, F. F. (2012). Imagem corporal, ansiedade e depress&atilde;o em pacientes obesos submetidos &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. <i>Estudos de Psicologia (Natal), 17</i>, 153-160. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2012000100019" target="_blank">10.1590/S1413-294X2012000100019</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561506&pid=S1645-0086201900010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Anzai, K. (2000). O corpo enquanto objeto de consumo. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncia do Esporte</i>, <i>21</i>, 71-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561508&pid=S1645-0086201900010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Barros, L. M., Moreira, R. A. N., Frota, N. M., Ara&uacute;jo, T. M., &amp; Caetano, J. A. (2014). Influ&ecirc;ncia da Obesidade M&oacute;rbida na Qualidade de Vida dos Indiv&iacute;duos. In: <i>Anais do Congresso Internacional de Humanidades &amp; Humaniza&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de, 1, </i>372, S&atilde;o Paulo, SP: Editora Blucher. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.5151/medpro-cihhs-10826" target="_blank">10.5151/medpro-cihhs-10826</a>.</p>     <p>Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Vigitel Brasil 2014: vigil&acirc;ncia de fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o para doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas por inqu&eacute;rito telef&ocirc;nico. (2015). Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dispon&iacute;vel em <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2014.pdf" target="_blank">http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2014.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cardoso, S. M. (2014). <i>A Inflexibilidade Psicol&oacute;gica na Obesidade: estudo das propriedades psicom&eacute;tricas do AAQ-W. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Psicologia Cl&iacute;nica, Universidade de Coimbra, Coimbra,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561512&pid=S1645-0086201900010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Carvalho, L. E. M. R. (2011). <i>De Obeso a Magro: as viv&ecirc;ncias das pessoas submetidas a cirurgia bari&aacute;trica. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Enfermagem M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica. Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Coimbra,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561514&pid=S1645-0086201900010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Castro, M. R., Ferreira, V. N., Chinelato, R. C., &amp; Ferreira, M. E. (2013). Imagem corporal em mulheres submetidas &agrave; cirurgia bari&aacute;trica: Intera&ccedil;&otilde;es socioculturais. <i>Motricidade</i>, <i>9</i>(3), 82-95. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.6063/motricidade.9(3).899" target="_blank">10.6063/motricidade.9(3).899</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561516&pid=S1645-0086201900010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Domingues, S. G., Gazoni, F. M., Konishi, R. K., Guimar&atilde;es, H. P., Vendrame, L. S., &amp; Lopes, R. D. (2007). Cuidados intensivos para pacientes em p&oacute;s-operat&oacute;rio de cirurgia bari&aacute;trica. <i>Revista brasileira de terapia intensiva, 19</i>, 205-209. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0103-507X2007000200011" target="_blank">10.1590/S0103-507X2007000200011</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561518&pid=S1645-0086201900010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ehrenbrink, P. P., Pinto, E. E. P., &amp; Prando, F. L. (2009). Um novo olhar sobre a cirurgia bari&aacute;trica e os transtornos alimentares. <i>Psicologia hospitalar (S&atilde;o Paulo)</i>, <i>7</i>, 88-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561520&pid=S1645-0086201900010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Flores, C. A. (2014). Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica para cirurgia bari&aacute;trica: pr&aacute;ticas atuais. <i>ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva</i><b>, </b><i>27</i>(1), 59-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561522&pid=S1645-0086201900010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Freitas, C. M. S. M., Lima, R. B. T., Costa, A. S., &amp; Lucena Filho, A. (2010). O padr&atilde;o de beleza corporal sobre o corpo feminino mediante o IMC. <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Esporte</i>, <i>24</i>, 389-404. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092010000300010" target="_blank">10.1590/S1807-55092010000300010</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561524&pid=S1645-0086201900010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giacomoni, C. H. (2004). Bem-estar subjetivo: em busca da qualidade de vida. <i>Temas em Psicologia da SBP</i>, <i>12</i>, 43-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561526&pid=S1645-0086201900010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISSN 1413-389X</p>     <!-- ref --><p>Guedes, A. C., Virgens, A. A., Nascimento, C. E., &amp; Vieira, M. P. B. (2009). Qualidade de vida em pacientes submetidos &agrave; cirurgia bari&aacute;trica do tipo Deriva&ccedil;&atilde;o Biliopancre&aacute;tica com Preserva&ccedil;&atilde;o G&aacute;strica (DBPPG). <i>Revista do Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de</i>, <i>27</i>, 209-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561528&pid=S1645-0086201900010000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Head, G. A. (2015). Cardiovascular and metabolic consequences of obesity. <i>Frontiers in Physiology</i>, <i>6</i>, 32. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.3389/fphys.2015.00032" target="_blank">10.3389/fphys.2015.00032</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561530&pid=S1645-0086201900010000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Kolotkin, R. L., Meter, K., &amp; Williams, G. R. (2001). Quality of life and obesity. <i>Obesity reviews</i>, <i>2</i>, 219-229. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1046/j.1467-789X.2001.00040.x" target="_blank">10.1046/j.1467-789X.2001.00040.x</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561532&pid=S1645-0086201900010000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Levine, E. E. &amp; Schweitzer, M. E. (2015). The affective and interpersonal consequences of obesity. <i>Organizational Behavior and Human Decision Processes</i>, <i>127</i>, 66-84. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1016/j.obhdp.2015.01.002" target="_blank">10.1016/j.obhdp.2015.01.002</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561534&pid=S1645-0086201900010000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lima, A. K. M. (2010). <i>A constru&ccedil;&atilde;o narrativa dos sentidos de bioidentidade: obesidade e cirurgias bari&aacute;tricas. </i>Tese de doutorado em Psicologia Cognitiva. Universidade Federal de Pernambuco, Recife,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561535&pid=S1645-0086201900010000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> PE, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Lopes, L. A. L., Ca&iacute;res, A. C. R., &amp; Veiga, A. G. M. (2013). Relev&acirc;ncia da equipe multiprofissional &agrave; cirurgia bari&aacute;trica. <i>Revista UNING&Aacute;</i>, <i>38</i>, 163-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561537&pid=S1645-0086201900010000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcelino, L. F. &amp; Patr&iacute;cio, Z. M. (2011). A complexidade da obesidade e o processo de viver ap&oacute;s a cirurgia bari&aacute;trica: uma quest&atilde;o de sa&uacute;de coletiva<b>. </b><i>Revista Ci&ecirc;ncia &amp; sa&uacute;de coletiva, 16</i>, 4767- 4776. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S141381232011001300025" target="_blank">10.1590/S141381232011001300025</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561539&pid=S1645-0086201900010000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marchesini, S. D. (2010) Acompanhamento psicol&oacute;gico tardio em pacientes submetidos &agrave; cirurgia bari&aacute;trica<b>. </b>ABCD<i>, Arquivos Brasileiros De </i>Cirurgia <i>Digestiva, 23</i>, 108-113. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202010000200010" target="_blank">10.1590/S0102-67202010000200010</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561541&pid=S1645-0086201900010000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Melo, M. E. (2011). Doen&ccedil;as desencadeadas ou agravadas pela obesidade. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.abeso.org.br/pagina/14/artigos.shtml" target="_blank">http://www.abeso.org.br/pagina/14/artigos.shtml</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561543&pid=S1645-0086201900010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minayo, M. C. (2000). Qualidade de vida e sa&uacute;de: um debate necess&aacute;rio. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva</i>, <i>5</i>, 7-18. doi:<a href="https://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232000000100002" target="_blank">10.1590/S1413-81232000000100002</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=561545&pid=S1645-0086201900010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moraes, J. M., Caregnato, R. C. A., &amp; Schneider, D. S. (2014). 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