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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alterações de memória e funções executivas em pacientes com depressão]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The major depressive disorder affects about 5% of the world population and is characterized by the presence of symptoms such as: depressed mood, low interest in activities, hypersomnia or insomnia, increased or loss of appetite and feelings of guilt. Given this, the performance of cognitive functions can be negatively impacted. This is a cross-sectional study conducted between January and September 2016 that evaluated short-term memory and executive functions of patients with depression at a public hospital in Recife, Pernambuco. A semi-structured interview was used to characterize the sociodemographic profile, the Hospital Anxiety and Depression Scale, Mini Mental State Examination, the Pictorial Memory Test, and the Wisconsin Card Classification Test. Changes in short-term memory, executive functions and cognitive flexibility, as well as symptoms of depression and anxiety were found.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>Altera&ccedil;&otilde;es de mem&oacute;ria e fun&ccedil;&otilde;es executivas em pacientes com depress&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Memory changes and executive functions in patients with depression</b></font></p>     <p><b>Juliana Pinto Ferreira<sup>1</sup> , Juliana Ramalho Fernandes<sup>1</sup>, Roberta de Melo Barbosa<sup>1</sup>, Jos&eacute; da Silva-Filho<sup>2</sup>, &amp; Leopoldo Fernandes Barbosa<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Faculdade Pernambucana de Sa&uacute;de, Departamento de Psicologia, Recife, Pernambuco, Brasil, <a href="mailto:juliana_laisp@hotmail.com">juliana_laisp@hotmail.com</a>, <a href="mailto:julianarfernandes@yahoo.com.br">julianarfernandes@yahoo.com.br</a>,<a href="mailto:beta.barbosa@hotmail.com"> beta.barbosa@hotmail.com</a>, <a href="mailto:leopoldopsi@gmail.com">leopoldopsi@gmail.com</a>     <p><sup>2</sup>Universidade Federal do Amazonas, Departamento de Psicologia. Manaus, Amazonas, Barsil, <a href="mailto:zehumberto@uol.com.br">zehumberto@uol.com.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO </b></p>     <p>O transtorno depressivo maior atinge cerca de 5% da popula&ccedil;&atilde;o mundial e caracteriza-se pela presen&ccedil;a de sintomas tais como: humor deprimido, baixo interesse em algumas atividades, hipersonia ou ins&ocirc;nia, aumento ou perda de apetite e sentimento de culpa. Diante disso, o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es cognitivas pode ser negativamente impactado. Trata-se de um estudo transversal realizado entre janeiro e setembro de 2016 que avaliou mem&oacute;ria de curto prazo e fun&ccedil;&otilde;es executivas de pacientes com depress&atilde;o em um hospital p&uacute;blico em Recife, Pernambuco. Como instrumentos foram utilizados uma entrevista semiestruturada para caracterizar o perfil sociodemogr&aacute;fico, a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depress&atilde;o, o Mini Exame do Estado Mental, o Teste Pict&oacute;rico de mem&oacute;ria e o Teste Wisconsin de Classifica&ccedil;&atilde;o de Cartas. Foram encontradas altera&ccedil;&otilde;es de mem&oacute;ria de curto prazo, fun&ccedil;&otilde;es executivas e flexibilidade cognitiva, al&eacute;m de sintomas de depress&atilde;o e ansiedade.</p>     <p><b>Palavras-chaves: </b>mem&oacute;ria, depress&atilde;o, cogni&ccedil;&atilde;o, fun&ccedil;&otilde;es executivas</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>The major depressive disorder affects about 5% of the world population and is characterized by the presence of symptoms such as: depressed mood, low interest in activities, hypersomnia or insomnia, increased or loss of appetite and feelings of guilt. Given this, the performance of cognitive functions can be negatively impacted. This is a cross-sectional study conducted between January and September 2016 that evaluated short-term memory and executive functions of patients with depression at a public hospital in Recife, Pernambuco. A semi-structured interview was used to characterize the sociodemographic profile, the Hospital Anxiety and Depression Scale, Mini Mental State Examination, the Pictorial Memory Test, and the Wisconsin Card Classification Test. Changes in short-term memory, executive functions and cognitive flexibility, as well as symptoms of depression and anxiety were found.</p>     <p><b>Keywords: </b>memory, depression, cognition, executive functions</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Entre os transtornos de humor, o transtorno depressivo maior (TDM) &eacute; o mais comum atingindo cerca de 5% da popula&ccedil;&atilde;o mundial (APA, 2013). Para o diagn&oacute;stico, o paciente deve apresentar alguns sintomas, tais como: humor deprimido, diminui&ccedil;&atilde;o do interesse em algumas atividades, hipersonia ou ins&ocirc;nia, aumento ou perda de apetite e sentimentos de culpa e inutilidade (Gazzaninga, 2005). As consequ&ecirc;ncias do TDM v&atilde;o al&eacute;m das supracitadas, podem afetar negativamente o funcionamento cognitivo e refletem na qualidade de vida geral da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Relatos na literatura apontam que em determinadas situa&ccedil;&otilde;es, a depress&atilde;o pode at&eacute; mesmo ser confundida com dem&ecirc;ncia, pois, considerando que h&aacute; um decl&iacute;nio de mem&oacute;ria em ambos, estima-se que de 1% a 31% dos pacientes com diagn&oacute;stico de s&iacute;ndrome demencial tenham, na realidade, o transtorno depressivo com dificuldades de mem&oacute;ria associadas (Katzman et al., 1988). Al&eacute;m disso, a perda da funcionalidade cognitiva causada pela depress&atilde;o pode estar aindarelacionada com d&eacute;ficits de aten&ccedil;&atilde;o e mem&oacute;ria (Dalgalarrondo, 2009), trazendo importantes preju&iacute;zos para o desempenho de atividades rotineiras, impactando ainda mais negativamente a qualidade de vida das pessoas (Valcarenghi et al., 2011).</p>     <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o neuropsicol&oacute;gica de pacientes deprimidos, os dom&iacute;nios cognitivos mais comumente afetados s&atilde;o: evoca&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s intervalos de tempo, aquisi&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, aten&ccedil;&atilde;o, concentra&ccedil;&atilde;o, flexibilidade cognitiva e abstra&ccedil;&atilde;o (Zakzanis, 1999).</p>     <p>A mem&oacute;ria &eacute; a capacidade de registrar, manter e evocar experi&ecirc;ncias e fatos j&aacute; ocorridos. Quanto ao registro de informa&ccedil;&atilde;o, a mem&oacute;ria tem tr&ecirc;s est&aacute;gios b&aacute;sicos, que envolvem: mem&oacute;ria sensorial, onde informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o armazenadas brevemente; mem&oacute;ria de curto prazo, que as mant&eacute;m na consci&ecirc;ncia por um espa&ccedil;o de tempo maior que o associado &agrave; mem&oacute;ria sensorial; e a mem&oacute;ria de longo prazo, na qual o armazenamento das informa&ccedil;&otilde;es &eacute; relativamente permanente, essa estrutura &eacute; nomeada de modelo modal de mem&oacute;ria (Gazzaninga, 2005).</p>     <p>Al&eacute;m da mem&oacute;ria e aten&ccedil;&atilde;o, as fun&ccedil;&otilde;es executivas que est&atilde;o relacionadas a um sistema funcional neuropsicol&oacute;gico, respons&aacute;vel por dar in&iacute;cio e desenvolver uma atividade com um objetivo determinado. Esse sistema gerencia os recursos cognitivo-comportamentais com as finalidades de planejamento e regula&ccedil;&atilde;o do comportamento (Corso, 2013).</p>     <p>As fun&ccedil;&otilde;es executivas trabalham em parceria com todas as outras fun&ccedil;&otilde;es cerebrais, contudo, ressalta-se a estreita rela&ccedil;&atilde;o com os processos de mem&oacute;ria. Powell e Voeller (2004) prop&otilde;em a divis&atilde;o deste conceito em tr&ecirc;s subdom&iacute;nios principais: controle cognitivo (mem&oacute;ria de trabalho, controle da aten&ccedil;&atilde;o, solu&ccedil;&atilde;o de problemas), controle comportamental (iniciativa de movimentos, comportamentos, antecipa&ccedil;&atilde;o de consequ&ecirc;ncias), controle emocional (modula&ccedil;&atilde;o emocional e do humor, estrat&eacute;gias auto tranquilizadoras).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As fun&ccedil;&otilde;es executivas visam ao controle e &agrave; regula&ccedil;&atilde;o do processamento das informa&ccedil;&otilde;es no c&eacute;rebro. Neste sentido, os diferentes recursos cognitivos, motivacionais, emocionais e comportamentais s&atilde;o conservados, controlados e associados por esse sistema. Dentre todas essas fun&ccedil;&otilde;es acredita-se que o controle inibit&oacute;rio e a flexibilidade cognitiva estejam entre as fun&ccedil;&otilde;es nucleares no desempenho de outras atividades mentais mais complexas (Argimon et al., 2006). No entanto, o que se tem verificado em muitos estudos com pacientes deprimidos, &eacute; que a avalia&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria destes pacientes &eacute; supervalorizada, deixando-se de investigar outras habilidades cognitivas como aten&ccedil;&atilde;o, fun&ccedil;&otilde;es executivas e velocidade de processamento de informa&ccedil;&otilde;es (Christensen et al., 1997).</p>     <p>Em testes que avaliam fun&ccedil;&otilde;es executivas e aten&ccedil;&atilde;o, os pacientes com transtorno depressivo e com dem&ecirc;ncia t&ecirc;m apresentado um desempenho deficit&aacute;rio. Escores rebaixados podem ser vistos em provas de flu&ecirc;ncia verbal, planejamento, aten&ccedil;&atilde;o dividida e aten&ccedil;&atilde;o inibit&oacute;ria. Estas dificuldades n&atilde;o s&atilde;o observadas em pacientes normais (Swainson et al., 2001). Entretanto, &eacute; importante ressaltar que nem todos os pacientes deprimidos apresentam estes d&eacute;ficits. Desta forma, esse estudo objetivou caracterizar o perfil sociodemogr&aacute;fico e os aspectos cognitivos de pacientes com hip&oacute;tese diagn&oacute;stica de TDM.</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>A popula&ccedil;&atilde;o do estudo foi composta por 21 pacientes com hip&oacute;tese diagn&oacute;stica de TDM. Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o utilizados foram pacientes maiores de 18 anos que estivessem em acompanhamento por psiquiatras e/ou residentes de psiquiatria com hip&oacute;tese diagn&oacute;stica de TDM. Os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o envolveram pacientes af&aacute;sicos ou com alguma patologia que os impedissem de responder aos instrumentos utilizados.</p>     <p><i>Material</i></p>     <p>Foram utilizados: entrevista semiestruturada para caracterizar o perfil em rela&ccedil;&atilde;o a: idade, escolaridade, renda, religi&atilde;o, atividade de lazer, atividade f&iacute;sica, diagn&oacute;stico, tempo de diagn&oacute;stico, tipo de medica&ccedil;&atilde;o, tratamento psicol&oacute;gico e psiqui&aacute;trico atual e anterior; a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depress&atilde;o - HAD (Botega ,1995) para rastreio de sintomas de ansiedade e depress&atilde;o; a caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil cognitivo foi realizada atrav&eacute;s do Mini Exame do Estado Mental - MEEM (Bertolucci, 1994); o Teste Pict&oacute;rico de mem&oacute;ria - TEPIC-M (Rueda, 2007) para avaliar mem&oacute;ria de curto prazo; e o Teste Wisconsin de Classifica&ccedil;&atilde;o de Cartas - WCST (Heaton, Chelune, Talley &amp; Curtiss, 1993; Cunha et al, 2005) para avalia&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es cognitivas.</p>     <p>Todos os instrumentos foram corrigidos considerando os seus pontos de corte referidos pelos estudos de valida&ccedil;&atilde;o. Para a HAD foram utilizados como pontos de corte: improv&aacute;vel (0-7), poss&iacute;vel (8-11) e prov&aacute;vel diagn&oacute;stico (12 a 21) (Botega, 1995). O TEPIC-M considerou os pontos de corte pela faixa et&aacute;ria, para o MEEM o ponto de corte utilizado para aqueles analfabetos foi 20, 28 para aqueles com 9 a 11 anos de estudo e 29 para aqueles com mais de 11 anos de estudo (Bertolucci, 2994).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao WSCT, a tarefa inclui a classifica&ccedil;&atilde;o de 128 cartas segundo as categorias de cor (amarelo, azul, verde, vermelho), forma (cruz, c&iacute;rculo, tri&acirc;ngulo, estrela) e n&uacute;mero (de um a quatro est&iacute;mulos com a mesma forma). A tarefa de classifica&ccedil;&atilde;o dessas cartas se encerra quando s&atilde;o completadas as seis categorias (Lopes et al., 2013). Ao final foram determinados 16 indicadores interpretativos (Cunha et al., 2005). Em 2011, a vers&atilde;o prot&oacute;tipo de 2005, passou por um aperfei&ccedil;oamento, que teve como objetivo o desenvolvimento da vers&atilde;o eletr&ocirc;nica brasileira (software) do Teste. Nesse estudo foi utilizada essa vers&atilde;o eletr&ocirc;nica.</p>     <p><i>Procedimento</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entrevistas foram realizadas nos dias do atendimento no ambulat&oacute;rio de sa&uacute;de mental do IMIP, no per&iacute;odo da coleta, em uma sala tranquila, silenciosa e com boa ilumina&ccedil;&atilde;o para que fossem minimizadas poss&iacute;veis interfer&ecirc;ncias nos testes.</p>     <p>Os dados foram digitados em um banco de dados no Excel com dupla entrada para detectar poss&iacute;veis erros ou incoer&ecirc;ncias e posteriormente analisados em <i>software </i>R. Foi utilizado o teste de qui-quadrado para verificar depend&ecirc;ncia entre duas vari&aacute;veis e hip&oacute;tese nula. De acordo com a an&aacute;lise, quando o p-valor foi &lt; 0.05, a hip&oacute;tese de independ&ecirc;ncia entre as vari&aacute;veis era rejeitada.</p>     <p>O teste exato de Fisher foi utilizado para substituir o qui-quadrado quando uma ou mais frequ&ecirc;ncias esperadas eram menores do que cinco e o n&uacute;mero total de observa&ccedil;&otilde;es estava entre vinte e quarenta. O teste t foi utilizado para a compara&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dias quando as m&eacute;dias dos dois grupos s&atilde;o consideradas iguais, caso o p-valor seja &lt; 0.05 a hip&oacute;tese nula &eacute; rejeitada.</p>     <p>Aspectos &Eacute;ticos</p>     <p>O projeto de pesquisa foi elaborado seguindo as normas e diretrizes propostas pela resolu&ccedil;&atilde;o 466/12, submetido e aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Faculdade Pernambucana de Sa&uacute;de, com o n&uacute;mero do CAAE 50901515.1.0000.5569. Todos os participantes da pesquisa foram informados acerca dos objetivos da mesma e voluntariamente assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>A amostra foi composta por 21 pacientes com TDM, sendo 20 (95,24%) mulheres. A idade dos pacientes entrevistados variou de 19 a 66 anos e a m&eacute;dia da idade foi 46,5 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade, 5 (23,8%) possu&iacute;am ensino superior completo ou p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, 9 (42,86%) possu&iacute;am ensino m&eacute;dio completo e 3 (14,29%) ensino fundamental incompleto, apenas 1 n&atilde;o era alfabetizado, 11 (52,38%) eram estudantes ou afirmaram n&atilde;o ter profiss&atilde;o.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; renda, 5 (23,81%) eram assalariados, 8 afirmaram receber at&eacute; 1 sal&aacute;rio m&iacute;nimo (38,10%), 5 (23,81%) recebiam at&eacute; 2 sal&aacute;rios m&iacute;nimos, 1 (4,76%) recebia entre 3 e 5 sal&aacute;rios m&iacute;nimos e 2 (9,52%) afirmaram receber entre 6 e 9 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Sobre a religi&atilde;o dos participantes, 9 (46,86%) se declararam evang&eacute;licos, 8 (38,10%) cat&oacute;licos, 2 (9,52%) de outras religi&otilde;es e 2 (9,52%) afirmaram n&atilde;o possuir religi&atilde;o. Atividades de lazer rotineiras foram relatadas por 12 (57,14%) pacientes. A pr&aacute;tica de atividades f&iacute;sicas regular foi relatada por 13 participantes (61,90%).</p>     <p>O uso de medica&ccedil;&atilde;o para o tratamento da depress&atilde;o e ansiedade foi relatado por 15 (71,43%) pacientes e 6 (28,57%) n&atilde;o utilizavam nenhuma medica&ccedil;&atilde;o. Entre os pacientes, 14 (66,67%) realizavam ou j&aacute; tiveram acompanhamento psicol&oacute;gico e todos realizavam acompanhamento psiqui&aacute;trico. Dos 13 pacientes que apresentaram indicativo para depress&atilde;o, 5 n&atilde;o realizam acompanhamento psicol&oacute;gico.</p>     <p>Os sintomas de ansiedade e depress&atilde;o avaliados pela HAD apontaram que 13 pacientes (61,90%) apresentaram sintomas poss&iacute;veis de depress&atilde;o no momento da coleta e 19 pacientes (90,48%), sintomas de ansiedade. &Eacute; importante ressaltar que a escala citada acima &eacute; uma escala de rastreio de sintomas, portanto n&atilde;o possui fins diagn&oacute;sticos (Botega, 1995).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O MEEM foi alterado em 19 pacientes (90,48%) e, embora o MEEM alterado seja indicativo de decl&iacute;nio cognitivo, esses dados podem ter sido influenciados pelo elevado grau de altera&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria observada no TEPIC-M em 18 pacientes (85,71%).</p>     <p>As vari&aacute;veis TEPIC-M, MEEM foram analisadas e relacionadas com as vari&aacute;veis de ansiedade e depress&atilde;o da HAD, por&eacute;m todas elas s&atilde;o independentes. Os dados do WSCT de ambos os grupos, tanto os que apresentavam sintomatologia depressiva quanto os que n&atilde;o apresentavam, foram alterados quando comparados aos dados normativos.</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Os dados do WCST est&atilde;o representados no <a href="#q1">quadro 1</a>. O grupo 1 foi composto pelos pacientes que apresentavam sintomatologia depressiva no momento da coleta e o grupo 2, pacientes que n&atilde;o apresentavam esta sintomatologia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n1/20n1a09q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A m&eacute;dia do n&uacute;mero total de erros cometidos pelos pacientes com sintomas depressivos no momento foi 79 (DP &plusmn; 15,7), correspondendo a mais da metade do total das 128 cartas. J&aacute; os que n&atilde;o apresentaram sintomas depressivos no momento, tiveram uma m&eacute;dia de 76,5 (DP &plusmn; 29,8) erros, sendo a maioria desses erros n&atilde;o perseverativos no grupo 1 e perseverativos no grupo 2.</p>     <p>De acordo com os resultados expostos no <a href="#q1">quadro 1</a>, a m&eacute;dia de ensaios para completar a primeira categoria (indicador 14) foi 22 (DP &plusmn; 34,7) no grupo 1, o que demonstra elevado n&uacute;mero de ensaios para conseguir completar esta categoria do teste a partir do crit&eacute;rio 'cor', quando comparados aos dados normativos (14,39).</p>     <p>A m&eacute;dia do fracasso em manter o contexto (indicador 15), evidenciada no grupo 1, quando comparadas aos dados normativos (0,67), demonstra uma falha dos pacientes em se manter atentos durante a realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa, pois s&atilde;o caracterizados como erros inesperados cometidos durante uma sequ&ecirc;ncia de acertos. (Brito et al., 2012). Conforme o indicador 16, aprendendo a aprender, observou-se que a m&eacute;dia do grupo 2 foi igual a -3.9 (DP &plusmn; 10,1). Quando comparada aos dados normativos (-2,65), essa m&eacute;dia demonstra a dificuldade de aprendizagem durante a realiza&ccedil;&atilde;o do teste.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto &agrave;s respostas perseverativas (indicador 5), o grupo 2, que n&atilde;o apresentava sintomatologia depressiva durante a coleta de dados, demonstrou m&eacute;dia igual a 62,7 (DP&plusmn; 44,6). Tal m&eacute;dia pode indicar inflexibilidade cognitiva, pois essa vari&aacute;vel indica n&atilde;o experimenta&ccedil;&atilde;o de novas alternativas para a realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa. (Brito et al., 2012)</p>     <p>Comparando a m&eacute;dia de respostas perseverativas (62,7) do grupo 2 com os dados normativos (14,4), pode-se inferir que os pacientes estejam apresentando remiss&atilde;o parcial ou completa de sintomatologia depressiva durante a coleta de dados pois a remiss&atilde;o sintom&aacute;tica &eacute; caracterizada pela aus&ecirc;ncia de sintomas significativos durante os dois &uacute;ltimos dois meses (completa) ou por um per&iacute;odo inferior a dois meses sem sintomas significativos de um epis&oacute;dio depressivo maior (APA, 2013).</p>     <p>Foi realizada uma an&aacute;lise comparativa entre os pacientes dos grupos 1 e 2, classificados a partir da presen&ccedil;a de sintomas de depress&atilde;o (<a href="#q2">quadro 2</a>) e de ansiedade (<a href="#q3">quadro 3</a>) no momento da coleta e da an&aacute;lise comparativa entre as m&eacute;dias nos indicadores do WCST, por meio do teste t de Student para os indicadores com distribui&ccedil;&atilde;o normal. Os resultados da compara&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o dos indicadores do WCST, mostrando seus respectivos valores &quot;t&quot; e o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia (p), resultante da an&aacute;lise estat&iacute;stica ser&atilde;o apresentados a seguir nos <a href="#q2">quadro 2</a> e <a href="#q3">3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n1/20n1a09q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n1/20n1a09q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise do <a href="#q2">quadro 2</a> reflete a compara&ccedil;&atilde;o dos resultados da m&eacute;dia comparando pacientes que apresentam, ainda neste momento, sintomas de depress&atilde;o. Embora as vari&aacute;veis sejam independentes quando comparadas intra-grupo, os dados gerais de todos os participantes est&atilde;o abaixo do esperado quando comparados com os dados normativos do WCST para a mesma faixa et&aacute;ria e escolaridade, sendo elas, 68,81; 24,05; 23,14; 11,13; 45,2 e 71,27, respectivamente (Heaton et al., 2005).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao percentual de respostas de n&iacute;vel conceitual (indicador 12) do <a href="#q2">quadro 2</a>, os dois grupos apresentaram m&eacute;dias abaixo do n&iacute;vel esperado (20,6 e 26,1) quando comparadas aos dados normativos (71,27). (Heaton et al., 2005). Retratando apenas os acertos intencionais, desprezando os acertos aleat&oacute;rios, a m&eacute;dia do grupo 1 foi de 20,6, revelando dificuldade nesta tarefa. Esta dificuldade apresentada corrobora com um estudo comparativo entre idosos com depress&atilde;o e um grupo controle. (Esteves et al., 2016).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dois grupos do <a href="#q2">quadro 2</a> foram estatisticamente equivalentes nos indicadores do WCST. &Eacute; poss&iacute;vel perceber uma tend&ecirc;ncia &agrave; signific&acirc;ncia nos indicadores 8 e 9 (p&lt;0,0953), que s&atilde;o os erros n&atilde;o perseverativos e o percentual desses erros, respectivamente.</p>     <p>Observou-se que em todos os participantes do <a href="#q2">quadro 2</a>, a m&eacute;dia do n&uacute;mero total de erros foi abaixo do esperado, corroborando com o estudo que avaliou fun&ccedil;&otilde;es executivas em idosos com sintomas depressivos, os resultados indicam que o grupo de pacientes depressivos apresentam m&eacute;dias menores quando comparados aos grupos controles (Esteves et al, 2016).</p>     <p>A m&eacute;dia de erros n&atilde;o perseverativos e do percentual de erros n&atilde;o perseverativos abaixo do esperado para a popula&ccedil;&atilde;o geral (Heaton et al, 2005) pode refletir inflexibilidade cognitiva e resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a durante a execu&ccedil;&atilde;o da tarefa. Esses dados foram evidenciados por um estudo que teve como objetivo a avalia&ccedil;&atilde;o da flexibilidade cognitiva em idosos depressivos (Lopes et al., 2013).</p>     <p>Na an&aacute;lise comparativa do <a href="#q3">quadro 3</a>, no que diz respeito aos erros n&atilde;o perseverativos, os dois grupos apresentaram m&eacute;dias abaixo do n&iacute;vel esperado (26,5 e 30,2) em rela&ccedil;&atilde;o aos dados normativos (11,13). (Heaton et al., 2005).</p>     <p>&Eacute; interessante ressaltar que o grupo de pacientes com indicativo para ansiedade obteve m&eacute;dia de erros n&atilde;o perseverativos maior (45,2) quando comparados aos pacientes sem indicativo para ansiedade (26,6). Esta compara&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se aplica ao percentual de erros n&atilde;o perseverativos (p&lt;0,00414) do grupo 1 (45,2) com o grupo 2 (26,6).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao percentual de respostas de n&iacute;vel conceitual, os dois grupos do <a href="#q3">quadro 3</a> apresentaram m&eacute;dias abaixo do n&iacute;vel esperado (20,6 e 26,1) quando comparadas aos dados normativos (71,27). (Heaton et al., 2005).</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Foram encontradas diversas altera&ccedil;&otilde;es cognitivas na popula&ccedil;&atilde;o estudada, entre elas: altera&ccedil;&otilde;es de mem&oacute;ria de curto prazo, fun&ccedil;&otilde;es executivas e flexibilidade cognitiva. Altera&ccedil;&otilde;es afetivas tamb&eacute;m foram encontradas atrav&eacute;s de &iacute;ndices de sintomatologia depressiva e ansiosa superiores aos dados normativos. Ressalta-se que os pacientes estavam em acompanhamento m&eacute;dico psiqui&aacute;trico e considerando que a maioria destes apresentou n&iacute;veis elevados de ansiedade, sugere-se que possam ser beneficiados com suporte psicol&oacute;gico al&eacute;m do psiqui&aacute;trico.</p>     <p>&Eacute; importante ressaltar que devido &agrave; escassez de pesquisas com a popula&ccedil;&atilde;o adulta e que fazem acompanhamento psiqui&aacute;trico para depress&atilde;o e a rela&ccedil;&atilde;o do transtorno com as fun&ccedil;&otilde;es cognitivas, os dados do presente estudo foram comparados com os dados da tabela normativa da valida&ccedil;&atilde;o dos instrumentos considerando a idade e escolaridade adequadas e em algumas situa&ccedil;&otilde;es, discutidos com dados de estudos com a popula&ccedil;&atilde;o de idosos.</p>     <p>Desta feita, considerando que um baixo desempenho cognitivo pode impactar diretamente a qualidade de vida das pessoas, outros estudos com a popula&ccedil;&atilde;o de adultos com depress&atilde;o devem ser realizados. As limita&ccedil;&otilde;es deste estudo referem-se ao delineamento do estudo, do tipo transversal, que impede a visualiza&ccedil;&atilde;o prospectiva dos d&eacute;ficits cognitivos aqui encontrados e se eles persistem ou n&atilde;o no decorrer do tratamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>American Psychiatric Association. (2013). <i>Diagnostic and statistical manual of mental disorders DSM-V </i>(5th Ed). Arlington: VA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563009&pid=S1645-0086201900010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Argimon, I.I., Bicca, M., Timm, L.A., &amp; Vivan, A. (2006). Fun&ccedil;&otilde;es executivas e a avalia&ccedil;&atilde;o de flexibilidade de pensamento em idosos. <i>Revista brasileira de ci&ecirc;ncias do envelhecimento humano</i>, <i>3</i>, 35-42. 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Recuperado de <a href="http://www.scielo.br/pdf/rsp/v29n5/04.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/rsp/v29n5/04.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563013&pid=S1645-0086201900010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brito, I.L., Areosa, S.C., Lopes, R.M.F., &amp; Argimon IL. (2012). Avalia&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es executivas em idosos acometidos por doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas. <i>Cuadernos de Neuropsicologia</i>, <i>6</i>(1), 46-62. 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Desempenho de idosos com e sem sintomas depressivos no WCST-64. <i>Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica</i>, <i>15</i>(1), 31-39. Recuperado de <a href="http://pepsic.bvsalud.org/pdf/avp/v15n1/v15n1a05.pdf" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/pdf/avp/v15n1/v15n1a05.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563019&pid=S1645-0086201900010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gazzaninga, M. (2005). <i>Ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica: mente, c&eacute;rebro e comportamento</i>. S&atilde;o Paulo: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563020&pid=S1645-0086201900010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Heaton, R.K., Chelune, G.J., Talley, J.L., Kay, G.G., &amp; Curtiss, G. (2005). <i>Manual do Teste Wisconsin de Classifica&ccedil;&atilde;o de Cartas. Adapta&ccedil;&atilde;o e padroniza&ccedil;&atilde;o brasileira. </i>S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563022&pid=S1645-0086201900010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Katzman, R., Lasker, B., &amp; Bernstein, N. (1988). 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Altera&ccedil;&otilde;es na funcionalidade/cogni&ccedil;&atilde;o e depress&atilde;o em idosos institucionalizados que sofreram quedas. <i>Acta Paulista de Enfermagem</i>, <i>24</i>(6), 828-833. Recuperado de <a href="http://www.scielo.br/pdf/ape/v24n6/a17v24n6.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/ape/v24n6/a17v24n6.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563029&pid=S1645-0086201900010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zakzanis, K.K., Leach, L., Kaplan, E. (1999). <i>Neuropsychological Diferential Diagnosis</i>. USA: Suecks e Zeitlinger Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=563030&pid=S1645-0086201900010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 31 de Mar&ccedil;o de 2017/ Aceite em 29 de Outubro de 2018</p>      ]]></body><back>
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