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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Today, much is talked about gender, mainly due to the progress made in society as a result of the Feminist and Lesbian, Gay, Bisexual, Transvestite, Transgender, Queer, Intersex (LGBTTQI) movements in the struggle for equality and human rights and social. This study aims to present what has been published in the scientific literature on the pathologization of transsexuality. For that, an integrative review was performed on the Scielo, Lilacs and Medline databases, using the keyword 'pathologization'. Ninety seven items were found. Applied the inclusion and exclusion criteria, twelve remained about the subject in question, published in the period from 2013 to 2017. The results were systematized in four analytical categories: Creating diagnoses, say, power devices; Medicine: assistance or stigmatization?; Resistance to pathologization; Importance of social support. Studies have shown that health diagnoses end up regulating what is normal and abnormal, reinforcing socially established power relations. Also, it was verified that the association between pathology and therapeutics to access corporal modifications facilitates the reinforcement of stigma in relation to transgender people. Finally, the importance of resisting the pathologization of life and support networks in this process was emphasized, so that trans people, who are often victims of prejudice and violence, are respected and can live with dignity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>Patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade a partir de uma revis&atilde;o integrativa</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Transsexuality pathologization from a integrative review</b></font></p>     <p><b>Cl&aacute;ubia Grade<sup>1</sup>, Carolina Baldissera Gross<sup>2</sup>, &amp; Liamara Denise Ubessi<sup>3</sup></b></p>     <p><b><sup>1</sup></b> DCVida- Departamento de Ci&ecirc;ncias da Vida Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul, Iju&iacute;, RS/ Brasil, <a href="mailto:claubiagrade@hotmail.com">claubiagrade@hotmail.com</a></p>     <p><b><sup>2</sup></b> DHE- Departamento de Humanidades e Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul, Iju&iacute;, RS/ Brasil, <a href="mailto:carolina.gross@unijui.edu.br">carolina.gross@unijui.edu.br</a><a href="v20n2a21.htm">v20n2a21</a></p>     <p><b><sup>3</sup></b>Universidade Federal de Pelotas, DESC- Departamento de Enfermagem em Sa&uacute;de Coletiva, Pelotas, RS/ Brasil, <a href="mailto:lia.ubessi@ufpel.edu.br">lia.ubessi@ufpel.edu.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Na atualidade, muito se fala sobre g&ecirc;nero, principalmente devido ao que se avan&ccedil;ou na sociedade em decorr&ecirc;ncia dos movimentos Feminista e de L&eacute;sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transg&ecirc;nero, Queer, Intersexo (LGBTTQI), na luta por igualdade e defesa dos direitos humanos e sociais. Este estudo objetiva apresentar o que tem sido publicado na literatura cient&iacute;fica sobre a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade. Para tanto, realizou-se revis&atilde;o integrativa nas bases de dados Scielo, Lilacs e Medline, com uso da palavra-chave ‘patologiza&ccedil;&atilde;o&rsquo;. Foram encontrados 97 artigos. Aplicados os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o somou 12 sobre o tema em quest&atilde;o, publicados no per&iacute;odo de 2013 a 2017. Os resultados foram sistematizados em quatro categorias anal&iacute;ticas: Criando diagn&oacute;sticos, diga-se, dispositivos de poder; Medicina: assist&ecirc;ncia ou estigmatiza&ccedil;&atilde;o?; Resist&ecirc;ncia a patologiza&ccedil;&atilde;o; Import&acirc;ncia do apoio social. Os estudos apresentaram que os diagn&oacute;sticos em sa&uacute;de, acabam regulamentando o que &eacute; normal e anormal, refor&ccedil;ando as rela&ccedil;&otilde;es de poder estabelecidas socialmente. Ainda, verificou-se que a associa&ccedil;&atilde;o entre patologia e terap&ecirc;utica para o acesso as modifica&ccedil;&otilde;es corporais, facilita o refor&ccedil;o do estigma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas trans. Por fim, ressaltou-se a import&acirc;ncia de resistir a patologiza&ccedil;&atilde;o da vida e das redes de apoio neste processo, para que as pessoas trans, in&uacute;meras vezes v&iacute;timas de preconceitos e viol&ecirc;ncias, sejam respeitadas e possam viver dignamente.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: patologiza&ccedil;&atilde;o, transexualidade, corpo trans</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b> </p>     <p>Today, much is talked about gender, mainly due to the progress made in society as a result of the Feminist and Lesbian, Gay, Bisexual, Transvestite, Transgender, Queer, Intersex (LGBTTQI) movements in the struggle for equality and human rights and social. This study aims to present what has been published in the scientific literature on the pathologization of transsexuality. For that, an integrative review was performed on the Scielo, Lilacs and Medline databases, using the keyword &rsquo;pathologization&rsquo;. Ninety seven items were found. Applied the inclusion and exclusion criteria, twelve remained about the subject in question, published in the period from 2013 to 2017. The results were systematized in four analytical categories: Creating diagnoses, say, power devices; Medicine: assistance or stigmatization?; Resistance to pathologization; Importance of social support. Studies have shown that health diagnoses end up regulating what is normal and abnormal, reinforcing socially established power relations. Also, it was verified that the association between pathology and therapeutics to access corporal modifications facilitates the reinforcement of stigma in relation to transgender people. Finally, the importance of resisting the pathologization of life and support networks in this process was emphasized, so that trans people, who are often victims of prejudice and violence, are respected and can live with dignity.</p>     <p><b>Keywords:</b> pathologization, transsexuality, body trans</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na atualidade, muito tem se falado sobre g&ecirc;nero, principalmente devido ao que se avan&ccedil;ou na sociedade em decorr&ecirc;ncia dos movimentos Feminista e de L&eacute;sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transg&ecirc;nero, Intersexo (LGBTTI), na luta por igualdade e defesa dos direitos humanos e sociais (Silva &amp; Campos, 2014). No entanto, o termo g&ecirc;nero n&atilde;o &eacute; recente. O conceito emerge do movimento feminista que passou a denunciar as desigualdades existentes entre mulheres e homens, ou seja, que s&atilde;o baseadas nas diferen&ccedil;as sexuais (Costa, Madeira, &amp; Silveira, 2012). Percebeu-se, assim, que o g&ecirc;nero &eacute; um elemento constitutivo e estruturante das rela&ccedil;&otilde;es sociais, pois na sociedade s&atilde;o constru&iacute;dos os direitos e deveres de forma diferenciada entre os sexos. </p>     <p>Nesse sentido, Simone de Beauvoir (1970), expoente nome do feminismo, defendia a premissa de que a mulher n&atilde;o &eacute; um ser dado, acabado, mas um ser cuja identidade est&aacute; sempre em constru&ccedil;&atilde;o. A autora afirma que a mulher n&atilde;o &eacute; o ‘segundo sexo&rsquo; por raz&otilde;es biol&oacute;gicas e imut&aacute;veis, mas sim por processos sociais e hist&oacute;ricos, que oferecem tratamentos desiguais baseados no g&ecirc;nero, aos quais se agregam os culturais, econ&ocirc;micos, entre outros. </p>     <p>Assim, muitas quest&otilde;es envolvendo a sexualidade s&atilde;o tratadas como naturais, quando s&atilde;o, na verdade, resultado de uma constru&ccedil;&atilde;o social sobre g&ecirc;nero e sobre o corpo (Bourdieu, 2001). Noutras palavras, consiste no enquadramento do corpo em um g&ecirc;nero, tendo como marcador da diferen&ccedil;a a biologia, dualista, que encobre a pluralidade e a diversidade humana.</p>     <p>Esta premissa foi tamb&eacute;m problematizada por autores (as) como Michel Foucault e Judith Butler. Segundo Foucault (1988), o dispositivo da sexualidade se refere &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dos saberes que a constituem e aos sistemas de poder que regulam suas pr&aacute;ticas e ditam regras para que os indiv&iacute;duos possam se reconhecer como sujeitos sexuados. Dito de outro modo, <i>sexo </i>- homem, mulher - n&atilde;o &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica e sim uma constru&ccedil;&atilde;o ideal for&ccedil;osamente materializada atrav&eacute;s do tempo (Butler, 2002). </p>     <p>Sob a perspectiva destes (as) autores, os sistemas de <i>sexo-g&ecirc;nero, </i>constru&iacute;dos historicamente por rela&ccedil;&otilde;es de saber e de poder, s&atilde;o efeitos da instaura&ccedil;&atilde;o da norma que produz tamb&eacute;m o dom&iacute;nio de corpos exclu&iacute;dos e abjetos. Ou seja, a heteronormatividade compuls&oacute;ria, que exclui e marginaliza as identidades que se tornam inintelig&iacute;veis dentro da normatividade vigente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, a transexualiade, o corpo trans incomoda. &Eacute; considerada inadequada para<s> </s>uma sociedade onde os corpos s&atilde;o formatados a ser de um determinado modo e, a responder a um determinado ide&aacute;rio social, pois destoa da norma, foge do binarismo de g&ecirc;nero que se converte em um sistema regulador da sexualidade, da subjetividade, da fam&iacute;lia e do modo hegem&ocirc;nico de organiza&ccedil;&atilde;o das sociedades, no caso o patriarcado, refor&ccedil;ado pelo neoliberalismo, neocolonialismo e imperialismo para garantir a ‘ordem&rsquo; (Santos, 2018; Foucault, 2009).</p>     <p>Transexualidade &eacute; definida como &ldquo;uma experi&ecirc;ncia identit&aacute;ria, caracterizada pelo conflito com as normas de g&ecirc;nero&rdquo; (Bento, 2008, p. 18), e faz repensar a ideia de que a normalidade &eacute; caracterizada pela continuidade entre o sexo biol&oacute;gico e o g&ecirc;nero. Diante de tal incompatibilidade, o social cria formas de n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o, de tentar normalizar, corrigir este corpo que sob a perspectiva da heteronormatividade difere. </p>     <p>Uma das formas de enquadramento nos padr&otilde;es tem sido a patologiza&ccedil;&atilde;o. Dentre estas, uma delas consiste na atribui&ccedil;&atilde;o de um C&oacute;digo Internacional de Doen&ccedil;as (CID) como ‘transtorno de identidade sexual&rsquo; &agrave;s pessoas trans, oferecendo as mesmas a possibilidade de &ldquo;readequa&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo; (APA, 2014) ou como portadoras de ‘sintomas&rsquo; transexuais&rsquo;, entre outros.</p>     <p>Mas, que corpo &eacute; esse do qual se fala? Seria somente biol&oacute;gico? Ou um efeito de elementos da subjetividade, da cultura, do processo hist&oacute;rico, das rela&ccedil;&otilde;es sociais, do contexto vivido? Calcar a discuss&atilde;o no biol&oacute;gico, apenas, a tornaria bastante limitada. No entanto, ampliar a concep&ccedil;&atilde;o que se tem de corpo, pensando-o enquanto um conjunto, que integra a mente e o org&acirc;nico, aumenta as possibilidades de compreend&ecirc;-lo. A proposta do presente trabalho &eacute; de que o corpo seja percebido como express&atilde;o, como modos de ser, de existir, corpo enquanto mem&oacute;ria, constru&ccedil;&atilde;o, liberta&ccedil;&atilde;o das amarras que impedem a realiza&ccedil;&atilde;o da sua pot&ecirc;ncia de existir (Deleuze &amp; Guattari, 2010).</p>     <p>Quando essa pot&ecirc;ncia &eacute; interceptada pode redundar em sofrimentos das mais diversas intensidades. A patologiza&ccedil;&atilde;o dessa experi&ecirc;ncia seja pela ci&ecirc;ncia e/ou pela sociedade &eacute; uma dessas formas de impedimento de que a pessoa seja do jeito que deseja ser. Ent&atilde;o, da patologiza&ccedil;&atilde;o do corpo trans pode incorrer em sofrimentos, dentre os mesmos, ps&iacute;quico, e, por conseguinte, tende a interferir na produ&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, sa&uacute;de mental e da vida, como indissoci&aacute;veis. Deste modo, come&ccedil;ou-se a se indagar sobre como a patologiza&ccedil;&atilde;o do corpo trans tem sido trabalhada na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. </p>     <p>Justifica-se esse trabalho pela necessidade de enfrentar-se essa problem&aacute;tica social e de sa&uacute;de (mental) com as contribui&ccedil;&otilde;es dos autores referenciais neste tem&aacute;rio e com o que j&aacute; h&aacute; publicado neste sentido, bem como para facilitar o avan&ccedil;o em reflex&otilde;es, discuss&otilde;es e estudos com vistas &aacute; afirma&ccedil;&atilde;o da transexualidade como um direito, um modo de pertencer ao mundo sem o &ocirc;nus de sofrer em detrimento disso por estigmas, preconceitos, e viol&ecirc;ncias e que em muitas situa&ccedil;&otilde;es tem significado pagar com a pr&oacute;pria vida. O Brasil lidera o ranking mundial de mortes por transfobia. A realidade &eacute; cr&iacute;tica: a cada 48h uma Travesti ou Mulher Transexual &eacute; assassinada no Brasil. No ano de 2017, lembrando incansavelmente da subnotifica&ccedil;&atilde;o desses dados, ocorreram 179 Assassinatos de pessoas Trans, sendo 169 Travestis e Mulheres Transexuais e 10 Homens Trans (Antra, 2018).</p>     <p>&Eacute; de suma import&acirc;ncia que cren&ccedil;as e pudores arraigados sejam repensados, pois muitas vezes esses dogmas prejudicam, e at&eacute; mesmo impossibilitam, que a pessoa expresse e viva sua sexualidade, que n&atilde;o se reduz ao ato sexual (Toneli, 2012). No cen&aacute;rio atual, &eacute; poss&iacute;vel inferir que muitos mitos e tabus relacionados &agrave; sexualidade foram superados, no entanto, a legitima&ccedil;&atilde;o do direito de ser o que se &eacute;, de fato, ainda &eacute; um objetivo a ser alcan&ccedil;ado, haja vista que as pessoas ainda sofrem preconceitos, s&atilde;o violentadas e at&eacute; mesmo assassinadas pelo seu modo de ser, principalmente quando diverge da heteronormatividade (Antra, 2018).</p>     <p>A partir do exposto e do compromisso &eacute;tico, pol&iacute;tico e social da forma&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de e de estar imbricada com os fen&ocirc;menos sociais, este trabalho tem por objetivo apresentar o que tem sido publicado na literatura cient&iacute;fica sobre a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade a partir de uma revis&atilde;o integrativa. </p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p>Estudo de revis&atilde;o integrativa da literatura, por se tratar de uma metodologia que permite a s&iacute;ntese de pesquisas sobre determinado tema e a integra&ccedil;&atilde;o de resultados de estudos significativos na pr&aacute;tica. Tal metodologia se mostra como uma ferramenta &uacute;til, pois possibilita a integra&ccedil;&atilde;o de estudos experimentais e n&atilde;o - experimentais para a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno avaliado (Souza, Silva, &amp; Carvalho, 2010). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o intuito de cumprir com o objetivo proposto, na data de 09 de maio de 2018 foi realizado a busca sistem&aacute;tica de artigos disponibilizados online no <i>Scientific Electronic Library Online - </i>Scielo, <i>Literatura Latino-americana e do Caribe em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;d - </i>Lilacs e <i>Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line - </i>Medline, correspondente ao per&iacute;odo de 2013 a 2017, a fim de reunir resultados atuais sobre que tem sido publicado na literatura cient&iacute;fica sobre a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade e do corpo transexual. Foi utilizada como palavra - chave ‘patologiza&ccedil;&atilde;o&rsquo;, com vistas a localizar todos os estudos que versassem sobre esse tem&aacute;rio.</p>     <p>Os mesmos foram selecionados independente do idioma, e considerado os seguintes crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: versar sobre o tema em quest&atilde;o, textos completos disponibilizados online e pesquisas qualitativas e quantitativas; e de exclus&atilde;o, os artigos repetidos e os que n&atilde;o explicitavam a natureza da pesquisa. Ap&oacute;s, os estudos selecionados foram lidos na &iacute;ntegra, e extra&iacute;das as seguintes informa&ccedil;&otilde;es dos mesmos - ano, t&iacute;tulo, autoria, peri&oacute;dico, objetivo, caracter&iacute;sticas metodol&oacute;gicas e resultados encontrados -, que foram agrupados por categorias anal&iacute;ticas, quais s&atilde;o: (1) Criando diagn&oacute;sticos, diga-se, dispositivos de poder; (2) Medicina: assist&ecirc;ncia ou estigmatiza&ccedil;&atilde;o?; (3) Resist&ecirc;ncia a patologiza&ccedil;&atilde;o; (4) Import&acirc;ncia do apoio social.</p>     <p>Os resultados apresentam a revis&atilde;o integrativa em quadros sin&oacute;pticos e de forma descritiva seguida de discuss&atilde;o, sobre a patologiza&ccedil;&atilde;o do corpo trans e da transexualidade. Intenta-se com essa apresenta&ccedil;&atilde;o facilitar a compreens&atilde;o e aplicabilidade pr&aacute;tica do/a leitor/a, para fins de contribuir com a produ&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental, fornecendo subs&iacute;dios para problematiza&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o de estigmas e preconceitos, evitar o sofrimento ps&iacute;quico devido a isso, promover a inclus&atilde;o na sa&uacute;de e social, e principalmente que a pessoa se realize na sua pot&ecirc;ncia de exist&ecirc;ncia. </p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Conforme levantamento realizado para identificar a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos &uacute;ltimos cinco anos, a fim de reunir resultados atuais sobre o que tem sido publicado na literatura cient&iacute;fica sobre a patologiza&ccedil;&atilde;o da transesexualidade e do corpo transexual, foram encontrados 97 artigos. Aplicado os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o, obteve-se 12 artigos, dos quais seis foram publicados em ingl&ecirc;s, quatro em espanhol e dois em portugu&ecirc;s, encontrados dois em cada ano de 2013 a 2016 e quatro em 2017 (<a href="#f1">Figura 1</a>) em diferentes peri&oacute;dicos nos bancos e dados Scielo, Lilacs e Pubmed. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os 12 artigos foram escritos por 17 pesquisadores/as, com forma&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Enfermagem, Antropologia, Medicina, Sociologia, Servi&ccedil;o Social, vinculados as seguintes institui&ccedil;&otilde;es: Universidade de Coimbra, Universidade Nacional de Ros&aacute;rio, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade de Lincoln, Universidade de Michigan, Universidade de Indiana, Universidade de Chicago, Universidade de Granada, Universidade Federal de Sergipe. Quanto ao m&eacute;todo, dos 12 artigos, 11 s&atilde;o estudos qualitativos e um quantitativo.</p>     <p>A partir da leitura exaustiva nos 12 artigos selecionados para o estudo (<a href="#q2">Quadros 2</a>, <a href="#q3">3</a>, <a href="#q4">4</a>,<a href="#q5">5</a> e 6), ap&oacute;s an&aacute;lise de conte&uacute;do, se chegou as seguintes categorias: (1) Criando diagn&oacute;sticos, digam-se, dispositivos de poder; (2) Medicina: assist&ecirc;ncia ou estigmatiza&ccedil;&atilde;o?; (3) Resist&ecirc;ncia a patologiza&ccedil;&atilde;o; e (4) Import&acirc;ncia do apoio social (<a href="#q1">Quadro 1</a>). As mesmas s&atilde;o discutidas em di&aacute;logo com autores contempor&acirc;neos que tem contribu&iacute;do na problematiza&ccedil;&atilde;o da patologiza&ccedil;&atilde;o da sexualidade e do corpo trans. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a13q5.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O tema de patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade foi abordado de diferentes modos nos artigos. O <a href="#q2">quadro 2</a> apresenta os caracter&iacute;stica dos estudos que sustentam a categoria (1) ‘Criando diagn&oacute;sticos, digam-se, dispositivos de poder&rsquo;.</p>     <p>A pesquisa de Alcaire (2015) analisa a &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o desse manual, com base em tr&ecirc;s exemplos: a homossexualidade como uma doen&ccedil;a mental, a identidade trans como ‘disforia de g&ecirc;nero&rsquo; e a assexualidade como ‘dist&uacute;rbio de desejo sexual hipoativo&rsquo;. O autor aponta a imprecis&atilde;o e os efeitos de se rotular identidades e orienta&ccedil;&otilde;es sexuais como transtornos mentais. A ressignifica&ccedil;&atilde;o ou aboli&ccedil;&atilde;o desses diagn&oacute;sticos &eacute; resultado das a&ccedil;&otilde;es de movimentos sexuais, que se recusam a se enquadrar em classifica&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, uma vez que afirmam que a diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma doen&ccedil;a. </p>     <p>O estudo de Allevi (2017) descreve a constru&ccedil;&atilde;o de taxonomias feitas por Francisco De Veyga, em uma Penitenciaria na Argentina, para enquadrar sexualidades dissidentes. Percebe-se que h&aacute; muitas oscila&ccedil;&otilde;es na argumenta&ccedil;&atilde;o De Veyga. No in&iacute;cio, os casos de invers&atilde;o cong&ecirc;nita s&atilde;o explicados como decorrentes de comportamentos do sujeito na inf&acirc;ncia - inclina&ccedil;&otilde;es femininas, car&aacute;ter fraco, fragilidade -, desse modo, o car&aacute;ter inato se referia a certa impulsividade que o sujeito teria em contraste com o seu sexo &quot;biol&oacute;gico&rdquo;. Quando chegou aos casos de invers&atilde;o adquirida, De Veyga define um desequil&iacute;brio ps&iacute;quico como fator crucial dessa condi&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Caravaca Morera (2017) prop&otilde;e uma reflex&atilde;o acerca da transexualidade enquanto dispositivo de poder, com base no pensamento foucaultiano. Para Foucault (2007), os dispositivos s&atilde;o um instrumento formado por um conjunto de pr&aacute;ticas discursivas e n&atilde;o discursivas que t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica de domina&ccedil;&atilde;o: o poder disciplinar. No caso, disciplinar modos de ser e existir e por conseguinte, de enquadrar na heteronormatividade pelo cerceamento do que diverge a essa ‘performance&rsquo; que figura como hegem&ocirc;nica. </p>     <p>O <a href="#q3">quadro 3</a> apresenta a associa&ccedil;&atilde;o entre patologia e terap&ecirc;utica no acesso &agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es corporais.</p>     <p>Almeida e Murta (2013) problematizam a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade enquanto crit&eacute;rio para acesso &agrave; cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o. O desafio &eacute; pensar em como garantir o acesso da pessoa trans ao sistema de sa&uacute;de, sem que para isso ela precise corresponder a determinadas expectativas de comportamento presentes em protocolos, que lhe assegurem laudos psiqui&aacute;tricos favor&aacute;veis &agrave;s suas modifica&ccedil;&otilde;es corporais. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso pensar num modelo assistencial que n&atilde;o ofere&ccedil;a apenas a cirurgia de trangenitaliza&ccedil;&atilde;o e demais interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, mas que seja capaz de dar suporte a quem desejar enfrentar os in&uacute;meros desafios e sofrimentos que a afirma&ccedil;&atilde;o da identidade trans traz consigo. </p>     <p>A pesquisa de Davy (2015) aponta a exig&ecirc;ncia de um diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico para acessar as tecnologias de transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero e reconhecimento legal, como um fator que pode incentivar pessoas trans a enquadrar suas narrativas em acordo com o que determina o DSM-5, para garantir que suas reivindica&ccedil;&otilde;es sejam atendidas.</p>     <p>O estudo de Nelson (2016) enfatiza como o feminismo lidou com as desigualdades de poder, sustentadas pelo g&ecirc;nero atribu&iacute;do e aborda a complexa rela&ccedil;&atilde;o entre transg&ecirc;neros e feministas. Ao longo do texto &eacute; feita uma analogia entre maternidade e transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero. A assist&ecirc;ncia m&eacute;dica &eacute; geralmente bem-vinda por mulheres em suas gesta&ccedil;&otilde;es, e at&eacute; mesmo necess&aacute;ria em alguns casos para evitar problemas, no entanto, n&atilde;o &eacute; estritamente necess&aacute;ria para se tornar m&atilde;e. Seguindo essa linha de pensamento, enquanto muitas pessoas transexuais veem as interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas como essenciais para a aceita&ccedil;&atilde;o social e integridade pessoal, outras n&atilde;o. </p>     <p>Gerar uma crian&ccedil;a &eacute; um processo &aacute;rduo e com perigos, mas mesmo assim as mulheres n&atilde;o s&atilde;o obrigadas a passar por nenhuma forma de terapia como condi&ccedil;&atilde;o para obter ajuda m&eacute;dica durante a gravidez e o parto (Nelson, 2016). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <a href="#q4">quadro 4</a>, mostra os entraves que a transexualidade enfrenta no social, na inconformidade com binarismo de g&ecirc;nero imposta, e que a resist&ecirc;ncia &agrave; patologiza&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o transexual &eacute; um modo de n&atilde;o sucumbir a normatiza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida.</p>     <p>Malatino (2013) relata sua experi&ecirc;ncia nas salas de espera de consult&oacute;rios m&eacute;dicos - onde foi diagnosticada como intersexual. Considera as salas de espera aquilo que o antrop&oacute;logo Marc Aug&eacute; (1995) denominou &ldquo;n&atilde;o-lugar&rdquo;, ou seja, espa&ccedil;os de transitoriedade que n&atilde;o possuem significado suficiente para serem definidos como &quot;um lugar&quot;. Nessa perspectiva, a sala de espera n&atilde;o &eacute; um espa&ccedil;o confort&aacute;vel de se habitar, mas um lugar onde se espera restaurar o equil&iacute;brio corporal/mental. Assim, a perman&ecirc;ncia em salas de espera evidencia semelhan&ccedil;as entre a intersexualidade e a experi&ecirc;ncia trans, pois essa espera se d&aacute; para que se descubra porque corpos e g&ecirc;neros est&atilde;o desalinhados, e consequentemente, para acessar tecnologias que permitam restaurar uma simetria.</p>     <p>O estudo de Suess (2014) aponta o surgimento de estudos e de variados movimentos ativistas trans e intersex, em diferentes partes do mundo, que lutam pela aboli&ccedil;&atilde;o da patologiza&ccedil;&atilde;o de suas experi&ecirc;ncias, pela cessa&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o e da viol&ecirc;ncia trans/ interf&oacute;bica que s&atilde;o vitimas. O estudo em quest&atilde;o apresenta dois projetos editoriais te&oacute;rico-ativistas criados na Argentina s&atilde;o apresentados no texto: Em 2007 foi criado o &ldquo;El Teje&rdquo; - primeiro jornal latino-americano de travestis -distribu&iacute;do em formato impresso e online, que aborda a despatologiza&ccedil;&atilde;o trans, a descri&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia de discrimina&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de, riscos do uso de silicone industrial nos processos de modifica&ccedil;&atilde;o corporal, dentre outros; j&aacute; &ldquo;Interdicciones&rdquo; &eacute; o nome de uma antologia de escritos sobre intersexualidade em espanhol, que tem inten&ccedil;&atilde;o de dar espa&ccedil;o para uma produ&ccedil;&atilde;o discursiva sobre a transexualidade, em espanhol e portugu&ecirc;s, sob a forma de um &quot;investimento geopol&iacute;tico&quot;, para desafiar a predomin&acirc;ncia dos escritos em ingl&ecirc;s. </p>     <p>O trabalho de Eckhert (2016) aponta como, ao mesmo tempo em que a medicaliza&ccedil;&atilde;o da orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero contribuiu para o surgimento de movimentos p&uacute;blicos em prol dos direitos <i>queer</i>, tamb&eacute;m culminou na marginaliza&ccedil;&atilde;o das minorias sexuais. A linguagem da biologia produz a imagem de um organismo defeituoso evolutivamente. Assim, a medicaliza&ccedil;&atilde;o moderna tenta normalizar as sexualidades &ldquo;desviantes&rdquo;, declarando-as como varia&ccedil;&otilde;es naturais do instinto e comportamento humanos.</p>     <p>Jenkins e Short (2017) analisam como os atores sociais contribuem e resistem a patologiza&ccedil;&atilde;o da intersexualidade. Os atores sociais ocupam lugares que se atravessam, usu&aacute;rios s&atilde;o tamb&eacute;m ativistas e acad&ecirc;micos, alian&ccedil;as entre grupos (como m&eacute;dicos e ativistas) podem mudar ao longo do tempo, de tal forma que os grupos convergem em certos pontos e divergem em outros. Nesse sentido, constata-se que atores sociais s&atilde;o influenciados por, e usam, estruturas sociais para avan&ccedil;ar suas posi&ccedil;&otilde;es. Uma estrutura abrangente de diagn&oacute;stico social necessita uma vis&atilde;o din&acirc;mica, relacional e multidirecional de todos os atores sociais e estruturas sociais envolvidos na negocia&ccedil;&atilde;o de um diagn&oacute;stico. </p>     <p>O <a href="#q5">quadro 5</a> apresenta as caracter&iacute;sticas de estudos que destacam a import&acirc;ncia do apoio social no processo transexualizador e universo transexual.</p>     <p>O trabalho de Silva e Cerqueira (2014) aponta que os &ldquo;trans&rdquo; - travestis, transexuais e transg&ecirc;neros - trazem consigo diversos grupos de perten&ccedil;a, como o de pessoas consideradas desviantes, anormais, exc&ecirc;ntricas; fazem parte de um fragmento populacional que possui fam&iacute;lias em vulnerabilidade social e econ&ocirc;mica devido ao preconceito que se constitui em torno desses sujeitos; assim como integram um grupo social de pessoas que se submetem a tratamentos hormonais e &agrave; cirurgia de redesigna&ccedil;&atilde;o sexual. O trabalho indica que alguns estudiosos defendem que n&atilde;o existiria uma identidade trans, pois estas pessoas se definem enquanto homens e mulheres e n&atilde;o como transexuais ou travestis, j&aacute; outros grupos usam a nomenclatura &ldquo;Homens transexuais&rdquo; e &ldquo;Mulheres transexuais&rdquo;, e ainda existe um grupo menos expressivo, que se utilizam do termo transg&ecirc;nero como forma de expressar possibilidades de cruzamentos e nuances entre os g&ecirc;neros. </p>     <p>J&aacute; Cosme, Ram&iacute;rez, e Mu&ntilde;oz (2017), realizaram um estudo qualitativo, observacional e descritivo, com mulheres trans da Cidade do M&eacute;xico, durante o ano de 2015. Constatou-se que a discrimina&ccedil;&atilde;o e a viol&ecirc;ncia, bem como a escassez de servi&ccedil;os de sa&uacute;de que as mulheres trans recebem por falta de treinamento conscientiza&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, produzem impactos negativos na sa&uacute;de mental das entrevistadas, tais como sintomas relacionados &agrave; depress&atilde;o, ansiedade e idea&ccedil;&atilde;o suicida. </p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Denota-se que mesmo com a efervesc&ecirc;ncia dos movimentos sociais feminista, LGBTTI e outros, e a nova proposta do C&oacute;digo Internacional de Doen&ccedil;as 11 que excluiu todas as categorias relacionadas &agrave;s pessoas trans (Folha de S&atilde;o Paulo, 2018), ainda s&atilde;o poucos os/as pesquisadores/as que se ocupam com esta problem&aacute;tica que pode levar muitas pessoas as mais diversas formas de sofrimento. O fato de patologizar algo que &eacute; inerente ao ser humano pode justamente incorrer em uma situa&ccedil;&atilde;o de adoecimento. Noutras palavras, no seu rev&eacute;s. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Categoria 1 - Criando diagn&oacute;sticos, digam-se, dispositivos de poder</i></p>     <p>O enunciado de transtornos mentais constru&iacute;dos pelos atores sociais (profissionais da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o) vem possibilitando a amplia&ccedil;&atilde;o do controle institucional sobre a vida dos indiv&iacute;duos, interferindo diretamente na padroniza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e das condi&ccedil;&otilde;es do viver e morrer. Assim, a problematiza&ccedil;&atilde;o do sentido da produ&ccedil;&atilde;o de categorias diagn&oacute;sticas, que padronizam o normal e o patol&oacute;gico quanto ao comportamento social, pode contribuir para que se possa questionar como se d&aacute; o exerc&iacute;cio das rela&ccedil;&otilde;es de poder na sociedade ocidental.</p>     <p>O Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais (DSM) fornece crit&eacute;rios para a classifica&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico de transtornos mentais, utilizado por profissionais de diferentes &aacute;reas (APA, 2014). No entanto, apesar de ser considerado por muitos, uma ferramenta de auxilio, tamb&eacute;m tem sido bastante criticado, uma vez que pode haver interesses subjacentes, de psiquiatras e ind&uacute;strias, envolvidos, conforme analisado na pesquisa de Alcaire (2015) explicitado no <a href="#q2">quadro 2</a>. </p>     <p>Na quinta edi&ccedil;&atilde;o do DSM, as pessoas cujo g&ecirc;nero ao nascer divergem daquele com quem se identificam &eacute; diagnosticado como ‘disforia de g&ecirc;nero&rsquo;. Todavia, o movimento trans anti-patologiza&ccedil;&atilde;o reivindica a autodetermina&ccedil;&atilde;o como maneira de reconhecimento para a realiza&ccedil;&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero e busca eliminar a necessidade de diagn&oacute;sticos psiqui&aacute;tricos para efetuar a mudan&ccedil;a de g&ecirc;nero.</p>     <p>Michel Foucault (1988), em seus escritos na Hist&oacute;ria da Sexualidade, discute como figuras de autoridade (sacerdotes, m&eacute;dicos e cuidadores) produzem e disseminam discursos que incitam a heteronormatividade. Assim, a amea&ccedil;a social do DSM-5 &eacute; que ele se torne uma abordagem biopol&iacute;tica - um instrumento de poder - uma vez que define padr&otilde;es de normalidade e patologia, no que tange o comportamento sexual. </p>     <p>O g&ecirc;nero &eacute; produzido performativamente, por meio de pr&aacute;ticas reguladoras. Assim, os pap&eacute;is de g&ecirc;nero n&atilde;o correspondem &agrave; base biol&oacute;gica, mas dependem de aloca&ccedil;&otilde;es sociais, de aprender e seguir as prescri&ccedil;&otilde;es do g&ecirc;nero, que s&atilde;o impostas por meio de pr&aacute;ticas disciplinares que saturam o corpo de estere&oacute;tipos para a representa&ccedil;&atilde;o ‘correta&rsquo; do g&ecirc;nero (Butler, 2007). </p>     <p>As problematiza&ccedil;&otilde;es da sexualidade realizadas por De Veyga no estudo de Allevi (2017) e Caravaca Morera (2017), apresentados no <a href="#q2">quadro 2</a>, fazem pensar na disciplinariza&ccedil;&atilde;o de corpos e pr&aacute;ticas, ao encontro do proposto por Foucault (2009) e Butler (2007). A ideia da transexualidade como um dispositivo denuncia rela&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de poder que estabelecem esses imperativos normativos que visam padronizar pessoas e sexualidades. A partir das rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre os diferentes dom&iacute;nios do conhecimento, principalmente entre medicina, direito e psicologia foi que a transexualidade tornou-se um dispositivo ancorada na &aacute;rea de transtornos mentais (APA, 2014), quais s&atilde;o, pr&aacute;ticas de saber e poder que circulam como discursos de verdade.</p>     <p>Ent&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos &eacute; um dispositivo de poder, como uma das formas de disciplinamento e controle sobre a vida, de enquadramento da mesma em um determinado par&acirc;metro de exist&ecirc;ncia, no caso da heteronormatividade, que n&atilde;o est&aacute; desvinculado de um conjunto de condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-pol&iacute;ticas-hist&oacute;ricas-ideol&oacute;gicas-econ&ocirc;micas e culturais que atuam tamb&eacute;m na (re) produ&ccedil;&atilde;o destes discursos. </p>     <p><i>Categoria 2 - Medicina: assist&ecirc;ncia ou extigmatiza&ccedil;&atilde;o?</i></p>     <p>A associa&ccedil;&atilde;o entre patologia e terap&ecirc;utica passou a ser concebida como acesso a modifica&ccedil;&otilde;es corporais. Cabe questionar at&eacute; que ponto os diagn&oacute;sticos facilitam o atendimento cl&iacute;nico e o acesso para aqueles que o querem, ou culminam para refor&ccedil;ar a estigmatiza&ccedil;&atilde;o de determinados grupos de pessoas, conforme apresentam Almeida e Murta (2013), Davy (2015), Nelson (2016), descritos nos resultados e no <a href="#q3">quadro 3</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A representa&ccedil;&atilde;o da transexualidade pelo discurso do &ldquo;corpo errado&rdquo; (um homem vivendo erroneamente num corpo feminino e vice versa) sustenta o binarismo de g&ecirc;nero, pois s&atilde;o os indiv&iacute;duos que precisam mudar, se adequar. Segundo Butler (2008), o sexo bin&aacute;rio (homem/mulher) n&atilde;o traduz uma condi&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica dos corpos, esse ‘sexo&rsquo; &eacute; um processo mediante o qual as normas reguladoras que o materializam e o definem, para alcan&ccedil;arem essa materializa&ccedil;&atilde;o, precisam ser reiteradas for&ccedil;adamente, pelo que a autora nominou de performatividades. Em contraponto, atualmente crescem campanhas, como a <i>Stop Trans Patologization </i>(Pare com a patologiza&ccedil;&atilde;o trans), influenciadas por te&oacute;ricos e ativistas <i>Queer</i> - que compreendem os g&ecirc;neros como constru&ccedil;&otilde;es inst&aacute;veis e plurais - que defendem o direito de todos/as se expressarem e modificarem seus corpos como julgarem conveniente, de acordo com suas necessidades.</p>     <p>O sex&oacute;logo Harry Benjamin (1966), em seu trabalho com transexuais, identificou uma tipologia que diferenciava o &rsquo;verdadeiro&rsquo; transexual do travesti e do homossexual, estabelecendo um tipo de pessoa que exigia mudan&ccedil;as f&iacute;sicas para expressar plenamente sua identidade de g&ecirc;nero. </p>     <p>O &rsquo;verdadeiro transexual&rsquo; era amplamente ensaiado, e repassado nas cl&iacute;nicas de g&ecirc;nero para acessar as tecnologias de readequa&ccedil;&atilde;o sexual. Percebe-se que uma tipologia semelhante &agrave; de Benjamin foi usada indiretamente no DSM-5, pois nota-se que transexuais acreditam que se n&atilde;o expressarem masculinidades e feminilidades estereotipadas, n&atilde;o se encaixar&atilde;o no modelo que pode garantir-lhes a transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero (Benjamin, 1966).</p>     <p>A mudan&ccedil;a nos crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos do DSM-5, de Transtorno de Identidade de G&ecirc;nero para Disforia de G&ecirc;nero tem sido bastante contestada, pois a psiquiatria continua tendo poder sobre a transi&ccedil;&atilde;o trans e a patologiza&ccedil;&atilde;o reflete na estigmatiza&ccedil;&atilde;o dessas pessoas. Alguns ativistas sugerem que o envolvimento psiqui&aacute;trico n&atilde;o deve ser um requisito, em vias de sa&uacute;de e assist&ecirc;ncia jur&iacute;dica para quem quer ter um corpo diferente. &Eacute; o que acontece na Fran&ccedil;a, Dinamarca, Argentina, e Malta; lugares onde os transexuais s&atilde;o legalmente reconhecidos e possuem acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, sem necessidade de diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico.</p>     <p>Ent&atilde;o, por que no caso dos transexuais h&aacute; esse imperativo? Ou &eacute; mais uma constru&ccedil;&atilde;o social que se estabelece a partir de rela&ccedil;&otilde;es de um determinado saber sobre o corpo e poder colocando o sexo biol&oacute;gico novamente para legitimar a exist&ecirc;ncia em uma nova condi&ccedil;&atilde;o, como a transexualidade? Ainda, &eacute; preciso refletir a partir dos escritos de Foucault (2007), que a afirma&ccedil;&atilde;o deste lugar de ‘transexual&rsquo; em uma sociedade heteronormativa em que n&atilde;o abre lugar para a diferen&ccedil;a, visa-se justamente a cria&ccedil;&atilde;o de possibilidades de exist&ecirc;ncia, como resist&ecirc;ncia.</p>     <p><i>Categoria 3 - Resist&ecirc;ncia a patologiza&ccedil;&atilde;o</i></p>     <p>A transexualidade ainda enfrenta grandes entraves na quest&atilde;o da aceita&ccedil;&atilde;o social. A n&atilde;o conformidade com a imposi&ccedil;&atilde;o social do binarismo de g&ecirc;nero &eacute; marginalizada. Assim, a resist&ecirc;ncia a patologiza&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o trans se mostra uma luta contra uma sociedade hetero e cisnormativa, que tenta ditar regras de como as pessoas devem ser e desejar. Essas discuss&otilde;es s&atilde;o apresentadas pelos estudos de Eckhert (2016), Jenkins e Short (2017), Malatino (2013) e Suess (2014) nos resultados e <a href="#q4">quadro 4</a>.</p>     <p>Alem disso, h&aacute; tamb&eacute;m a Lei de Identidade de G&ecirc;nero da (Lei n&ordm; 26.743, 2012), a qual declara a diversidade sexual e de g&ecirc;nero como direito individual. Tamb&eacute;m reconhece a popula&ccedil;&atilde;o trans como cidad&atilde;os e cidad&atilde;s de primeira categoria, uma vez que possibilita a modifica&ccedil;&atilde;o do nome e do g&ecirc;nero nos documentos de identidade e traz a visibilidade para as cirurgias de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o e demais modifica&ccedil;&otilde;es corporais, sem a necessidade de nenhum tipo de laudo m&eacute;dico ou psicol&oacute;gico. </p>     <p>Nessa perspectiva, em que a medicaliza&ccedil;&atilde;o tenta normatizar a vida, &eacute; preciso ter em mente que as disparidades de sa&uacute;de s&atilde;o estruturalmente produzidas pelas institui&ccedil;&otilde;es sociais, legais e m&eacute;dicas transf&oacute;bicas e heteronormativas de nossa sociedade, a desmedicaliza&ccedil;&atilde;o do <i>queer</i> implica na desconstru&ccedil;&atilde;o dos motivos que fazem a heterossexualidade permanecer no manto. </p>     <p>A transexualidade desnaturaliza os padr&otilde;es heteronormativos estabelecidos socialmente, uma vez que constr&oacute;i novas formas de se olhar as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero. Assim, resistir a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade &eacute; um modo de produzir exist&ecirc;ncia, ou seja, de (re) exist&ecirc;ncia (Ubessi, 2017). Ou dito de outra forma, &eacute; um modo de ressignificar a vida e as rela&ccedil;&otilde;es, cruzando limites institu&iacute;dos e reivindicando o direito a identidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Categoria 4 - A import&acirc;ncia do apoio social</i></p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o heteronormativa ainda prevalece na sociedade, e culmina na manuten&ccedil;&atilde;o de preconceitos e atos de discrimina&ccedil;&atilde;o direcionados a transexuais. Poder contar com uma rede de apoio se mostra imprescindivel para que o sujeito trans consiga expressar e viver sua sexualidade, sem que isso cause tanto sofrimento ps&iacute;quico. As pessoas trans n&atilde;o s&atilde;o entes isolados no mundo e sim est&atilde;o imersas em contextos sociais e la&ccedil;os afetivos (Silva &amp; Cerqueira, 2014).</p>     <p>No que se refere &agrave; identidade transexual, Bento (2006, p. 201) explica que n&atilde;o existe uma &ldquo;identidade transexual&rdquo;, mas posi&ccedil;&otilde;es de identidade organizadas atrav&eacute;s de uma complexa rede de identifica&ccedil;&otilde;es que se efetiva mediante movimentos de nega&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o aos modelos disponibilizados socialmente para se definir o que seja um homem/mulher de &ldquo;verdade&rdquo;. </p>     <p>&Eacute; pertinente ressaltar que a constitui&ccedil;&atilde;o de uma identidade de g&ecirc;nero n&atilde;o se configura de maneira simples e r&aacute;pida, uma vez que ocorre ininterruptamente e demanda tempo. Desde a socializa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, s&atilde;o originadas as estruturas das primeiras disposi&ccedil;&otilde;es dur&aacute;veis, nomeadas por Bourdieu (1983) de <i>habitus.</i> Assim, todas as institui&ccedil;&otilde;es - familiares, escolares e religiosas - contribuem nesse processo de reprodu&ccedil;&atilde;o de verdades que, aos poucos, s&atilde;o naturalizadas e incorporadas.</p>     <p>Nesse sentido, constata-se que a constru&ccedil;&atilde;o da identidade social da mulher/homem trans no contexto atual &eacute; fortemente influenciada e determinada pela rela&ccedil;&atilde;o e redes de apoio sociais estabelecidas. Essa rede de apoio social pode ser composta pela fam&iacute;lia, colegas de trabalho/ estudo, amigos, pares e comunidade. No entanto, quando se refere &agrave; transexualidade e &agrave; travestilidade, &eacute; necess&aacute;rio frisar que h&aacute; uma rede de apoio social enfraquecida e marcada pelo estigma e preconceito. </p>     <p>Butler (2009, p. 122) exp&otilde;e que &ldquo;Num certo sentido, precisamos nos desfazer para que sejamos n&oacute;s mesmas: precisamos ser parte de um extenso tecido social para criar quem n&oacute;s somos&rdquo;, pois a autonomia s&eacute; &eacute; poss&iacute;vel de ser alcan&ccedil;ada com o apoio e o suporte de uma comunidade para enfrentar tamb&eacute;m a discrimina&ccedil;&atilde;o e a viol&ecirc;ncia, conforme o evidenciado por Cosme, Ram&iacute;rez, e Mu&ntilde;oz (2017), bem como a falta de servi&ccedil;os diversos e pol&iacute;ticas sociais para acolher essas pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de necessidade.</p>     <p>Diante disso, aponta-se para a necessidade de acolhimento dos modos de exist&ecirc;ncia das pessoas trans. &Eacute; fundamental que a sociedade reveja seus conceitos e passe a respeitar a subjetividade de cada um. A n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o, xingamentos, viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, agress&otilde;es f&iacute;sicas e, em casos extremos, assassinatos, s&atilde;o algumas das consequ&ecirc;ncias que a falta de informa&ccedil;&atilde;o e respeito &agrave; pessoa humana podem ocasionar. Trata-se da viola&ccedil;&atilde;o da dignidade humana, do direito de existir do jeito que se &eacute;.</p>     <p>Por isso, &eacute; preciso ampliar as discuss&otilde;es acerca desse tema em casa, nas escolas, no ambiente de trabalho, ou seja, em todas as circunst&acirc;ncias sociais, haja vista que esse &eacute; um problema que afeta a sociedade como um todo.</p>     <p>Dentre as produ&ccedil;&otilde;es averiguadas, algumas versavam sobre a cria&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos por profissionais da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o, que culminam na regulamenta&ccedil;&atilde;o do que &eacute; considerado normal e anormal, por aqueles que det&ecirc;m o saber, refor&ccedil;ando as rela&ccedil;&otilde;es de poder estabelecidas socialmente. Tamb&eacute;m se verificou que a associa&ccedil;&atilde;o entre patologia e terap&ecirc;utica, para o acesso a modifica&ccedil;&otilde;es corporais, pode ser prejudicial, uma vez que a estigmatiza&ccedil;&atilde;o de determinados grupos de pessoas, diga-se transexuais, pode ser refor&ccedil;ado. </p>     <p>Ressaltou-se ainda, a import&acirc;ncia da resist&ecirc;ncia &agrave; patologiza&ccedil;&atilde;o e da rede de apoio para que as pessoas transexuais, que por in&uacute;meras vezes s&atilde;o v&iacute;timas de preconceito e viol&ecirc;ncia por sua condi&ccedil;&atilde;o, sejam respeitadas e possam viver dignamente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Constatou-se, com esta pesquisa, que a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade ainda &eacute; extremamente presente, apesar da amplitude cada vez maior que a tem&aacute;tica vem ganhando na sociedade e pelos movimentos sociais. H&aacute; pesquisadores que se ocupam deste debate, ainda que poucos, e muitos dos quais o fazem por serem trans. V&ecirc;-se, portanto, que a quest&atilde;o &eacute; complexa, devendo ser mais explorada. </p>     <p>Por tal motivo, este trabalho busca impulsionar mais estudos e discuss&otilde;es sobre o tema, ressaltando que ainda h&aacute; muito a ser trabalhado e que mais explana&ccedil;&otilde;es sobre o assunto mostram-se importantes. Diante disso, a revis&atilde;o integrativa da literatura mostrou-se em uma importante ferramenta para conhecer a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da &aacute;rea e indicar necessidades de estudo sobre tal conte&uacute;do.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Alcaire, R. (2015). The pathologisation of sexual diversity: a critical scrutiny of the DSM. <i>Ex &aelig;quo,</i> <i>32</i>, 155-167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567177&pid=S1645-0086201900020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Allevi, J. I. (2017). La creaci&oacute;n cl&iacute;nica de normas sexuales Nosolog&iacute;a, patologizaci&oacute;n y contramodelos sexuales en la Penitenciar&iacute;a Nacional de Buenos Aires (Argentina, 1901-1904). <i>Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latinoamericana</i>, <i>26</i>, 126- 147. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/1984-6487.sess.2017.26.07.a" target="_blank">10.1590/1984-6487.sess.2017.26.07.a</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567179&pid=S1645-0086201900020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, G., &amp; Murta, D. (2010). Reflex&otilde;es sobre a possibilidade da despatologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade e a necessidade da assist&ecirc;ncia integral &agrave; sa&uacute;de de transexuais no Brasil. <i>Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latonoamericana</i><i>,</i> <i>14</i>, 380-407. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/S1984-64872013000200017" target="_blank">10.1590/S1984-64872013000200017</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567181&pid=S1645-0086201900020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Association, A. P. (2014). <i>Manual diagn&oacute;stico e estat&iacute;stico de transtornos mentais: </i><i>DSM-5 [Tradu&ccedil;&atilde;o: Maria In&ecirc;s Corr&ecirc;a Nascimento&hellip;et al].</i> 5 ed. Porto Alegre: Artmed.</p>     <!-- ref --><p>Associa&ccedil;&atilde;o nacional de travestis e transsexuais - ANTRA. (2018). <i>Mapa dos assassinatos de travestis e transexuais no Brasil em 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567184&pid=S1645-0086201900020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i><b> </b></p>     <!-- ref --><p>Aug&eacute;, M. (1995). <i>Non-places: Introduction to an Anthropology of Supermodernity.</i> London: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567186&pid=S1645-0086201900020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Beauvoir, S. (1970). <i>O Segundo sexo - fatos e mitos [Tradu&ccedil;&atilde;o de S&eacute;rgio Milliet]</i>. 4. ed. S&atilde;o Paulo: Difus&atilde;o Europ&eacute;ia do Livro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567188&pid=S1645-0086201900020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Benjamin, H. (1966). <i>The Transsexual Phenomenon.</i> New York: Julian Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567190&pid=S1645-0086201900020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bento, B. A. de M. (2008). <i>O que &eacute; transexualidade.</i> S&atilde;o paulo: brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567192&pid=S1645-0086201900020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bento, B. A. de M. (2006). <i>A reinven&ccedil;&atilde;o do corpo: sexualidade e g&ecirc;nero na experi&ecirc;ncia transexual. </i>Rio de Janeiro: Garamond.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567194&pid=S1645-0086201900020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, P. (1983). <i>Quest&otilde;es de sociologia</i><i>.</i> Rio de Janeiro: Marco Zero.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567196&pid=S1645-0086201900020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, P. (2001). <i>O Poder Simb&oacute;lico. Trad. Fernando Tomaz.</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567198&pid=S1645-0086201900020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, J. (2009). Desdiagnosticando o g&ecirc;nero. <i>Physis: Revista de Sa&uacute;de Coletiva,</i> <i>19</i>(1) 95-126. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312009000100006" target="_blank">10.1590/S0103-73312009000100006</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567200&pid=S1645-0086201900020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, J. (2007). <i>El g&eacute;nero en disputa: El feminismo y la subversi&oacute;n de la identidad. [Tradu&ccedil;&atilde;o de Antonia Mu&ntilde;oz]</i>. M&eacute;xico: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567202&pid=S1645-0086201900020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Butler, J. (2002). <i>Cuerpos que importan. Sobre los limites materials y discursivos del &ldquo;sexo&rdquo;. </i>Buenos Aires: Paid&oacute;s.</p>     <!-- ref --><p>Caravaca Morera, J. A. (2017). El dispositivo trans: sobre realidades, complejidades y subversiones al aparato cisheterosexual. <i>Revista Enfermer&iacute;a Actual em Costa Rica,</i> <i>32</i>, 197-209. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.15517/revenf.v0i32.26129" target="_blank">10.15517/revenf.v0i32.26129</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567205&pid=S1645-0086201900020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cosme, J. A. G., Ram&iacute;rez, P. A. H., &amp; Mu&ntilde;oz, O. A. O. (2017). Performatividad del g&eacute;nero, medicalizaci&oacute;n y salud en mujeres transexuales en Ciudad de M&eacute;xico. <i>Salud Colectiva, Lan&uacute;s</i>, <i>13</i>, 633-646. DOI: <a href="https://dx.doi.org/ 10.18294/sc.2017.1363" target="_blank"> 10.18294/sc.2017.1363</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567207&pid=S1645-0086201900020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Costa, R. G., Madeira, M. Z. de A.,&amp; Silveira, C. M. H. (2012). Rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e poder: tecendo caminhos para a desconstru&ccedil;&atilde;o da subordina&ccedil;&atilde;o feminina. In <b><i>17&ordm; Encontro Nacional da Rede Feminista e Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher e Rela&ccedil;&otilde;es de G&ecirc;nero</i></b> [Jo&atilde;o Pessoa, PB]. Retirado de <a href="http://www.ufpb.br/evento/index.php/17redor/" target="_blank">http://www.ufpb.br/evento/index.php/17redor/</a></p>     <!-- ref --><p>Davy, Z. (2015). The DSM-5 and the politics of diagnosing transpeople. <i>Revista Arch Sex Behav</i><b>,</b> <i>4</i>, 1165-1176. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1007/s10508-015-0573-6" target="_blank">10.1007/s10508-015-0573-6</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567210&pid=S1645-0086201900020001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G., &amp; Guattari, F. (2010). <i>O anti- &Eacute;dipo: Capitalismo e esquizofrenia 1. [Tradu&ccedil;&atilde;o de Luiz B. L. Orlandi]</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567212&pid=S1645-0086201900020001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Eckhert, E. (2016). A case for the demedicalization of Queer Bodies. <i>Yale Journal of Biology and Medicine,</i> <i>89</i>, 239-246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567214&pid=S1645-0086201900020001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> PMCID: PMC4918872</p>     <!-- ref --><p>Folha de S&atilde;o Paulo. (2018). S&atilde;o Paulo: Grupo Folha. Retirado de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/06/oms-tira-transexualidade-de-nova-versao-de-lista-de-doencas-mentais.shtml" target="_blank">https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/06/oms-tira-transexualidade-de-nova-versao-de-lista-de-doencas-mentais.shtml</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567216&pid=S1645-0086201900020001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Foucault, M. (1988). <i>Hist&oacute;ria da Sexualidade I: a vontade de saber.</i> Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567217&pid=S1645-0086201900020001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (2009). <i>Vigiar e punir: nascimento da pris&atilde;o.</i> Rio de Janeiro: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567219&pid=S1645-0086201900020001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (2007). <i>O Nascimento da Biopol&iacute;tica</i><i>.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567221&pid=S1645-0086201900020001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Jenkins, T. M, &amp; Short, S. E. (2017). Negotiating intersex: a case for revising the theory of social diagnosis. <i>Social Science &amp; Medicine- Journal Elsevier</i>, <i>175</i>, 91-98. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1016/j.socscimed.2016.12.047" target="_blank">10.1016/j.socscimed.2016.12.047</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567223&pid=S1645-0086201900020001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><i>Lei n&ordm; 26.743, de 9 de maio de 2012</i>. (2012). Estabelece o direito &agrave; identidade de g&ecirc;nero das pessoas. Retirado de <a href="https://www.tgeu.org/sites/default/files/ley_26743.pdf" target="_blank">https://www.tgeu.org/sites/default/files/ley_26743.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>Malatino, H. (2013). The waiting room: ontological homelessness, sexual synecdoche, and queer becoming. <i>Journal of Medical Humanities</i>, <i>34</i>, 241-244. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1007/s10912-013-9225-9" target="_blank">10.1007/s10912-013-9225-9</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=567226&pid=S1645-0086201900020001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nelson, J. L. (2016). Understanding transgender and medically assisted gender transition: feminism as a critical resource. <i>AMA Journal of Ethics- Medicine and Society,</i> <i>18</i>, 1132-1138. 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