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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A recidiva em oncologia pediátrica a partir da perspectiva dos profissionais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Cancer is a socially feared disease, recognizing treatment as a long and painful process for the patient, his family members and professionals. When it comes to childhood cancer and its relapse, the subject becomes even more delicate. An issue that is not very much addressed, but which calls for research that gives voice to these subjects. Responding to this demand, the present research aimed to understand the work experience in the relapse of pediatric cancer from the professionals' perspective. An exploratory and qualitative approach was carried out. It was attended by ten health professionals who work in pediatric oncology, who answered a semi-structured interview script, whose data were understood through lexical analysis in Iramuteq software. The results show that: the choice of pediatric oncology as the area of ??action occurs during the residence; work is marked by plural feelings of impotence and gratitude; the greatest challenges for professionals are dealing with the suffering and demands of parents and the child's death process; communication about cancer recurrence is difficult for professionals and parents; the absence of cure prognosis opens space for another form of approach - palliative care; and the child understands the process of treatment and death. It is concluded that oncological pediatrics is a painful and pleasurable area of ??action, which lacks care devices with the mental health of its professionals, so that they can be well and care for their patients with quality.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>A recidiva em oncologia pedi&aacute;trica a partir da perspectiva dos profissionais</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A relapse in pediatric oncology from the perspective of professionals</b></font></p>     <p><b>Sabrina Silva<sup>1</sup>, Cynthia de Freitas Melo<sup>1</sup> B&aacute;rbara Magalh&atilde;es<sup>1</sup></b></p>     <p> <sup>1</sup>Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade de Fortaleza, Fortaleza, Brasil, <a href="mailto:sabrinamarttyns@gmail.com">sabrinamarttyns@gmail.com</a>, <a href="mailto:cf.melo@yahoo.com.br">cf.melo@yahoo.com.br</a>, <a href="mailto:barbarajmagalhaes@gmail.com">barbarajmagalhaes@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O c&acirc;ncer &eacute; uma doen&ccedil;a temida socialmente, pelo reconhecimento do tratamento como um processo longo e doloroso para o paciente, seus familiares e profissionais. Quando se trata do c&acirc;ncer infantil e sua recidiva, o tema torna-se ainda mais delicado. Um tema pouco abordado, mas que convoca a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas que deem voz a esses sujeitos. Respondendo essa demanda, a presente pesquisa objetivou compreender a viv&ecirc;ncia de trabalho na recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico a partir da perspectiva dos profissionais. Foi realizada uma pesquisa explorat&oacute;ria e de abordagem qualitativa. Contou-se com a participa&ccedil;&atilde;o de dez profissionais de sa&uacute;de que atuam em oncologia pedi&aacute;trica, que responderam um roteiro de entrevista semiestruturado, cujo dados foram compreendidos por meio de an&aacute;lise lexical no <i>software</i> Iramuteq. Os resultados mostram que: a escolha pela oncologia pedi&aacute;trica como &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o ocorre durante a resid&ecirc;ncia; o trabalho &eacute; marcado por sentimentos plurais de impot&ecirc;ncia e gratid&atilde;o; os maiores desafios para os profissionais s&atilde;o o lidar com o sofrimento e exig&ecirc;ncia dos pais e processo de morte da crian&ccedil;a; a comunica&ccedil;&atilde;o sobre a recidiva do c&acirc;ncer &eacute; dif&iacute;cil para os profissionais e pais; a aus&ecirc;ncia de progn&oacute;stico de cura abre espa&ccedil;o para outra forma de abordagem - os cuidados paliativos; e a crian&ccedil;a compreende o processo de tratamento e morte. Conclui-se que a pediatria oncol&oacute;gica &eacute; uma &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o dolorosa e prazerosa, que carece de dispositivos de cuidado com a sa&uacute;de mental de seus profissionais, para que estes possam estar bem e cuidar de seus pacientes com qualidade.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b>neoplasias, recidiva, crian&ccedil;a, pessoal de sa&uacute;de, psico-oncologia</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cancer is a socially feared disease, recognizing treatment as a long and painful process for the patient, his family members and professionals. When it comes to childhood cancer and its relapse, the subject becomes even more delicate. An issue that is not very much addressed, but which calls for research that gives voice to these subjects. Responding to this demand, the present research aimed to understand the work experience in the relapse of pediatric cancer from the professionals&rsquo; perspective. An exploratory and qualitative approach was carried out. It was attended by ten health professionals who work in pediatric oncology, who answered a semi-structured interview script, whose data were understood through lexical analysis in Iramuteq software. The results show that: the choice of pediatric oncology as the area of &#8203;&#8203;action occurs during the residence; work is marked by plural feelings of impotence and gratitude; the greatest challenges for professionals are dealing with the suffering and demands of parents and the child&rsquo;s death process; communication about cancer recurrence is difficult for professionals and parents; the absence of cure prognosis opens space for another form of approach - palliative care; and the child understands the process of treatment and death. It is concluded that oncological pediatrics is a painful and pleasurable area of &#8203;&#8203;action, which lacks care devices with the mental health of its professionals, so that they can be well and care for their patients with quality.</p>     <p><b>Keywords:</b> neoplasms, recurrence, child, health personnel, psycho-oncology</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>O c&acirc;ncer se configura como um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, principalmente em pa&iacute;ses em desenvolvimento. Expresso em dados num&eacute;ricos, &eacute; respons&aacute;vel por 12% das mortes no mundo, com mais de seis milh&otilde;es de v&iacute;timas fatais a cada ano. No Brasil, &eacute; a segunda maior causa de morte da popula&ccedil;&atilde;o, com 190 mil casos por ano, 60% desses diagnosticados em est&aacute;gio avan&ccedil;ado (Instituto Nacional de C&acirc;ncer Jos&eacute; Alencar Gomes da Silva [INCA], 2017a). Entre esses n&uacute;meros, encontram-se os casos de c&acirc;ncer infantil (0,5% a 3%), compreendido como toda neoplasia maligna que acomete indiv&iacute;duos menores de 15 anos (INCA, 2017b). Ocupam a primeira causa de morte por doen&ccedil;as entre crian&ccedil;as (12%), cuja sobrevida &eacute; de 64% (INCA, 2017c). N&uacute;meros que denotam a import&acirc;ncia do diagn&oacute;stico precoce, planejamento e avalia&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o e combate ao c&acirc;ncer (Robb &amp; Hanson-Abromeit, 2014). </p>     <p>Refor&ccedil;ado por esses n&uacute;meros, o c&acirc;ncer infantil &eacute; um assunto temido e distanciado pela sociedade, e uma &aacute;rea dif&iacute;cil e evitada por muitos profissionais de sa&uacute;de. Seu diagn&oacute;stico tamb&eacute;m causa bastante como&ccedil;&atilde;o. Isso porque o c&acirc;ncer tem uma representa&ccedil;&atilde;o social bastante negativa, sendo associado &agrave; possibilidade de morte (Kohlsdorf &amp; Costa Junior, 2012), e seu tratamento &eacute; temido, por ser um processo longo e doloroso para todos os envolvidos (pacientes, familiares e profissionais), apesar da evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica das &uacute;ltimas d&eacute;cadas e do seu bom progn&oacute;stico (Arruda-Colli, Lima, Perina, &amp; Santos, 2016; Rech, Silva, &amp; Lopes, 2013). </p>     <p>A doen&ccedil;a gera uma total desestabiliza&ccedil;&atilde;o na rotina da crian&ccedil;a, visto que ela precisar&aacute; passar por longos per&iacute;odos de hospitaliza&ccedil;&atilde;o para o tratamento, ficando impossibilitada de realizar atividades de cunho escolar, recreativo e social, sofrendo com procedimentos invasivos e efeitos colaterais que afetar&atilde;o a sua dieta, autoimagem e autoconceito. Paralelamente, entre os aspectos psicol&oacute;gicos, ocorrem as queixas, medos, d&uacute;vidas e incertezas acerca da realidade e do tratamento submetido (Arruda-Colli, Perina, &amp; Santos, 2015; Batalha, Fernandes, &amp; Campos, 2015; Ferreira, Cruz, Silveira, &amp; Reis, 2015; Studart-Pereira, Cordeiro, &amp; Queiroga, 2015)</p>     <p>Igualmente, causa impactos significativos sobre a din&acirc;mica familiar, exigindo uma reorganiza&ccedil;&atilde;o total desta para lidar com a doen&ccedil;a. Isso ocorre, porque, embora haja possibilidades de cura, h&aacute; sempre um sentimento de inseguran&ccedil;a sobre a probabilidade de um regresso da doen&ccedil;a durante e at&eacute; ap&oacute;s o fim do tratamento, podendo gerar adoecimento na fam&iacute;lia, fragilizando os relacionamentos do casal e entre pais e filhos que ficam secundarizados (Morelli, Scorsolini-Comin, &amp; Santos, 2013). Al&eacute;m disso, a maneira como a fam&iacute;lia se adapta com os aspectos objetivos e subjetivos de enfrentamento da doen&ccedil;a e a forma como ela se reorganiza ou planeja o futuro ao longo do per&iacute;odo de hospitaliza&ccedil;&atilde;o, ter&aacute; impacto significativo sobre como a crian&ccedil;a percebe seu adoecimento.</p>     <p>Paralelamente, os profissionais de sa&uacute;de que cuidam da crian&ccedil;a com c&acirc;ncer, capacitados para a cura como ideal &uacute;nico, com o dever de &ldquo;lutar pela vida&rdquo; at&eacute; o &uacute;ltimo suspiro do paciente, consequentemente, tem dificuldade de lidar com a possibilidade de morte, muitas vezes interpretada como impot&ecirc;ncia, fracasso ou vergonha. Como mecanismo de defesa, evitam o contato com os sentimentos do paciente e adiam a comunica&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia. Ficam expostos de forma intensa e em maior frequ&ecirc;ncia &agrave; sua pr&oacute;pria fragilidade e vulnerabilidade enquanto seres humanos e sofrem com essa rotina, por meio do luto, fadiga, <i>burnout</i>, autorreprova&ccedil;&atilde;o, dist&uacute;rbio do sono ou alcoolismo (F&auml;rber, 2013; Hercos et al., 2014; Salimena, Teixeira, Amorim, Paiva, &amp; Melo, 2013; Santos &amp; Santos, 2015; Silva, 2014).</p>     <p>Ap&oacute;s todo o tratamento, custoso para toda a tr&iacute;ade hospitalar (paciente, familiares e profissionais), pode ocorrer ainda o ressurgimento da doen&ccedil;a ap&oacute;s um per&iacute;odo de melhora, reconhecido como recidiva oncol&oacute;gica. O momento da comunica&ccedil;&atilde;o da recidiva, representa um grande desafio para os profissionais (Andrade et al., 2014; Monteiro &amp; Quintana, 2017; Monteiro, Magalh&atilde;es, F&eacute;res-Carneiro, &amp; Machado, 2015; Silva, Santos, &amp; Castro, 2016), e resgata nos familiares a viv&ecirc;ncia do abalo inicial do recebimento do diagn&oacute;stico. Essa dificuldade dos profissionais para a comunica&ccedil;&atilde;o de m&aacute;s not&iacute;cias d&aacute;-se por diversos motivos. Geralmente a equipe de sa&uacute;de n&atilde;o possui habilidade ou n&atilde;o se sente capacitada para tal tarefa, por falta de forma&ccedil;&atilde;o, desde a gradua&ccedil;&atilde;o, e desconhecimento de t&eacute;cnicas apropriadas para a realiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o (Fran&ccedil;a, Costa, Lopes, N&oacute;brega, &amp; Fran&ccedil;a, 2013). Outro problema ocorre mediante a demanda da fam&iacute;lia para que o paciente infantil n&atilde;o seja informado sobre seu progn&oacute;stico e tratamento. Tal desejo justificasse pela esperan&ccedil;a de proteger a crian&ccedil;a. Ignoram, contudo, que o &ldquo;n&atilde;o dito&rdquo; &eacute; vivido e sentido pelo paciente, que sabe, apesar do sil&ecirc;ncio, e que tem direito de saber sobre seu diagn&oacute;stico e tratamento (Gomes, Lima, Rodrigues, Lima, &amp; Collet, 2013). Direito garantido pelo Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Lei n&ordm; 8.069/1990) e pela Carta dos Direitos dos Usu&aacute;rios da Sa&uacute;de (Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de [MS], 2006).</p>     <p>Diante do fracasso do tratamento oferecido inicialmente, a recidiva do c&acirc;ncer gera desordem na viv&ecirc;ncia emocional de todos os envolvidos, acarretando alto n&iacute;vel de frustra&ccedil;&atilde;o, estresse e grande ansiedade, intensificados pelo novo protocolo de tratamento que se inicia, pelo retorno ao cotidiano hospitalar e pela possibilidade mais concreta de morte, exigindo de todos novos recursos e habilidades adaptativas. &Agrave; medida que novos exames s&atilde;o realizados para avalia&ccedil;&atilde;o do estado cl&iacute;nico da crian&ccedil;a, surge uma grande apreens&atilde;o nos pais, cuidadores e familiares, levando-os a criar esperan&ccedil;as positivas ou n&atilde;o a partir dos resultados. Esse momento &eacute; bastante delicado, pois entre os profissionais h&aacute; um consenso, pelas experi&ecirc;ncias vivenciadas no ambiente hospitalar, que a recidiva possui um decurso mais severo e agressivo, possuindo maior representa&ccedil;&atilde;o social de morte. Por outro lado, diante da amea&ccedil;a real de morte, os pais mant&ecirc;m a esperan&ccedil;a por preserva&ccedil;&atilde;o da vida e s&atilde;o instigados a buscar pela cura, com tomadas de decis&atilde;o e esfor&ccedil;os dedicados para o novo tratamento, considerando os limites, riscos e frequente sentimento de impot&ecirc;ncia diante da situa&ccedil;&atilde;o do filho. Inicia-se a&iacute; um processo dicot&ocirc;mico entre vida e morte, aceita&ccedil;&atilde;o e nega&ccedil;&atilde;o da morte (Arruda-Colli et al., 2016; Hercos et al., 2014). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m disso, a crian&ccedil;a com recidiva de c&acirc;ncer apresenta maior n&iacute;vel de depend&ecirc;ncia e o novo tratamento exige um maior investimento por parte da fam&iacute;lia e dos profissionais no cuidado da crian&ccedil;a, em consequ&ecirc;ncia &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de tarefas. Esse momento exige mudan&ccedil;as na rotina, na esfera social e profissional, sendo muitas vezes necess&aacute;rio abrir m&atilde;o do pr&oacute;prio trabalho para passar um per&iacute;odo de tempo mais prolongado no ambiente hospitalar, provocando menor qualidade de vida para o cuidador, bem como sobrecarga, desgaste f&iacute;sico e emocional, situa&ccedil;&otilde;es de ins&ocirc;nia, fadiga e at&eacute; depress&atilde;o. Para os profissionais, o sentimento tamb&eacute;m &eacute; plural, de gratid&atilde;o (pela confian&ccedil;a e pela proximidade), de dor (por saber do progn&oacute;stico n&atilde;o otimista), ou de distanciamento e sofrimento (por deparar-se com a fragilidade humana e sua pr&oacute;pria fragilidade) (Schiavon et al., 2016).</p>     <p>Frente &agrave;s circunst&acirc;ncias, o assunto &ldquo;morte&rdquo; &eacute; cercado por mal-estar, descontentamento e &agrave;s vezes profundo sil&ecirc;ncio, o que indica uma imensa dificuldade dos familiares e profissionais de sa&uacute;de em lidar com o tema. A possibilidade de perda de um ente querido pr&oacute;ximo e a percep&ccedil;&atilde;o do profissional sobre a morte como sin&ocirc;nimo de fracasso ainda s&atilde;o quest&otilde;es de dif&iacute;cil aceita&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se reconhece a morte da crian&ccedil;a como um processo natural de finitude da vida, visto que se considera esse poss&iacute;vel acontecimento como um infort&uacute;nio no seio familiar no qual o ciclo vital cronologicamente se inverteu (Hercos et al., 2014; Silva, 2014; Silva, Souza, Silva, &amp; Teixeira, 2014).</p>     <p>Para os familiares, a prepara&ccedil;&atilde;o para o momento de uma poss&iacute;vel perda do paciente e a busca de informa&ccedil;&otilde;es e apoio da equipe de sa&uacute;de diante da viabilidade de morte tamb&eacute;m se mostram como estrat&eacute;gias de enfrentamento. Nesse momento &eacute; comum o desenvolvimento do luto antecipat&oacute;rio, acarretando sentimento de desesperan&ccedil;a, bem como o desejo de aquisi&ccedil;&atilde;o do senso de controle, com o intuito de aumentar o sentimento de seguran&ccedil;a por parte dos familiares (Arruda-Colli et al., 2016). </p>     <p>Para os profissionais, em alguns casos, al&eacute;m de todos os sentimentos vividos, precisam reconhecer quando os recursos oferecidos se esgotam e a doen&ccedil;a segue em estado avan&ccedil;ado. Nesse momento, precisam aceitar o progn&oacute;stico de morte e assumir a necessidade de mudan&ccedil;a de abordagem terap&ecirc;utica. Os cuidados paliativos, que devem ser oferecidos a todo paciente com doen&ccedil;a amea&ccedil;adora &agrave; vida, do diagn&oacute;stico &agrave; morte, deve substituir integralmente os cuidados curativos, em fase exclusiva, oferecendo melhor qualidade de vida ao paciente e seus familiares (Cassol, Quintana, Velho, &amp; Nunes, 2016; Valadares, Mota, &amp; Oliveira, 2013).</p>     <p>Nesse est&aacute;gio, acompanhar e cuidar de crian&ccedil;as com c&acirc;ncer em processo de terminalidade exige compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas dos profissionais, como posturas facilitadoras, sensibilidade e equil&iacute;brio emocional com o prop&oacute;sito de favorecer a resolu&ccedil;&atilde;o do luto antecipat&oacute;rio que pode desenvolver nos familiares e na pr&oacute;pria crian&ccedil;a. Estudos apontam que as a&ccedil;&otilde;es facilitadoras mais pertinentes nesse contexto s&atilde;o o uso de medidas educativas e a&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias que proporcionem prazer &agrave; crian&ccedil;a, sendo o l&uacute;dico, o envolvimento em atividades de rotina familiar e social, o toque e afago, bem como uma escuta terap&ecirc;utica emp&aacute;tica, fatores que poder&atilde;o resguardar o paciente de um quadro ap&aacute;tico e depressivo, assim como ter uma vis&atilde;o negativa da vida (Contreras &amp; Alvarado, 2016; Ferreira, Cruz, Silveira, &amp; Reis, 2015). </p>     <p>Compreende-se, a partir da literatura levantada, as dificuldades inerentes ao c&acirc;ncer pedi&aacute;trico, em especial quando ocorre a recidiva e a possibilidade de morte. Relatam ainda a import&acirc;ncia das pr&aacute;ticas de cuidados paliativos em substitui&ccedil;&atilde;o aos cuidados curativos, em casos sem progn&oacute;stico positivo. Da mesma maneira, muitos estudos apontam o modo de enfrentamento da recidiva do c&acirc;ncer e os sentimentos vivenciados frente &agrave; amea&ccedil;a de morte na perspectiva dos familiares. Contudo, pouco se sabe da recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico e os aspectos psicol&oacute;gicos envolvidos nesse processo de cuidados curativos e paliativos a partir da perspectiva dos profissionais, foco do presente artigo. A compreens&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o desse processo doloroso, para a crian&ccedil;a, fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m para os profissionais, muitas vezes silenciosos, se faz necess&aacute;ria, para que se possa oferecer, n&atilde;o apenas uma interven&ccedil;&atilde;o mais adequada, o que &eacute; extremamente importante, mas tamb&eacute;m retirar o sil&ecirc;ncio desses profissionais, compreendendo as suas limita&ccedil;&otilde;es, dificuldades e sentimentos associados. Desta forma, pretende-se contribuir com uma vis&atilde;o mais ampliada, a partir do olhar dos profissionais. Objetiva-se compreender a viv&ecirc;ncia de trabalho na recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico a partir da perspectiva dos profissionais.</p>     <p><b>M&eacute;todo</b></p>     <p><i>Participantes</i></p>     <p>Foi realizada uma pesquisa explorat&oacute;ria, descritiva, de abordagem qualitativa com o intuito de aprofundar-se sobre esse tema pouco explorado na literatura. A escolha por esse delineamento deu-se a partir da defini&ccedil;&atilde;o do tema e desenvolvimento dos objetivos da pesquisa em quest&atilde;o, visto que esses demandam uma escuta ativa e qualificada dos participantes, por meio de um espa&ccedil;o livre de fala, e pela necessidade de investigar as viv&ecirc;ncias a partir do ponto de vista dos indiv&iacute;duos que o constituem, e, por fim, a busca pela compreens&atilde;o do contexto onde a pesquisa realizar-se-&aacute;, dispondo de uma estrutura flex&iacute;vel e interativa (Gomes, 2014).</p>     <p>Por crit&eacute;rio de satura&ccedil;&atilde;o (Fontanella &amp; Turato, 2008), participaram dez profissionais de sa&uacute;de (5 psic&oacute;logas, 3 m&eacute;dicos e 2 enfermeiras) que atuam na oncologia pedi&aacute;trica. Teve como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: ser profissional de sa&uacute;de, atuante na oncologia pedi&aacute;trica, e ter tido experi&ecirc;ncia m&iacute;nima de dois anos na &aacute;rea. S&atilde;o eles: 1) M&eacute;dico, atuante em oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; 17 anos; 2) Psic&oacute;loga, atuante em oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; seis meses; 3) M&eacute;dico, atuante em oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; 10 anos; 4) Psic&oacute;loga, atuante em oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; tr&ecirc;s anos; 5) Psic&oacute;loga, atuante em oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; dois anos e tr&ecirc;s meses; 6) Psic&oacute;loga, atuante na oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; tr&ecirc;s anos; 7) Enfermeira, atuante na oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; oito anos; 8) Enfermeira, atuante na oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; quatro anos; 9) Psic&oacute;loga, atuante na oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; cinco anos; 10) M&eacute;dica, atuante na oncologia pedi&aacute;trica h&aacute; seis anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Material</i></p>     <p>Foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado, contendo as seguintes categorias: (1) a atua&ccedil;&atilde;o na oncologia pedi&aacute;trica; (2) a comunica&ccedil;&atilde;o de m&aacute;s not&iacute;cias e compreens&atilde;o sobre a recidiva do c&acirc;ncer; (3) a vida e a morte; (4) a rela&ccedil;&atilde;o paciente-fam&iacute;lia-profissionais diante do c&acirc;ncer e da possibilidade de morte; e (5) as interven&ccedil;&otilde;es utilizadas pelos profissionais de sa&uacute;de para uma melhor qualidade de vida. </p>     <p><i>Procedimento</i></p>     <p>A presente pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa, sob o parecer N&ordm; 1.939.406. Posteriormente, o recrutamento dos participantes deu-se pela t&eacute;cnica da bola de neve, por meio da qual o pesquisador contata um participante, escolhido de forma intencional e por conveni&ecirc;ncia, que indica outro participante para constituir a amostra, seguido de sucess&otilde;es de indica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; compor a amostra (Diehll &amp; Tatim, 2004). As entrevistas foram realizadas pessoalmente, de forma individual e com aux&iacute;lio de gravador, em local escolhido pelos participantes, respeitando todos os aspectos &eacute;ticos para pesquisas com seres humanos propostos pelas resolu&ccedil;&otilde;es n&ordm; 466/12 e 510/16.</p>     <p>As an&aacute;lises dos dados ocorreram em cinco etapas, utilizando-se o programa Iramuteq (<i>Interface de R pour les Analyses Multimensionnelles de Textes et de Questionnaires</i>). Foram realizadas an&aacute;lises lexicogr&aacute;ficas cl&aacute;ssicas para verifica&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;stica de quantidade de evoca&ccedil;&otilde;es e formas. Obteve-se a Classifica&ccedil;&atilde;o Hier&aacute;rquica Descendente (CHD), para o reconhecimento do dendograma com as classes que surgiram, desconsiderando as palavras com x<sup>2</sup> &lt; 3,80 (p &lt; 0,05). Ao final, foi emitida uma nuvem de palavras, por meio da qual &eacute; poss&iacute;vel visualizar as palavras mais representativas dos discursos dos participantes. </p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Este t&oacute;pico refere-se &agrave;s an&aacute;lises realizadas com o objetivo de identificar compreender a viv&ecirc;ncia de trabalho na recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico a partir da perspectiva dos profissionais. O <i>corpus</i> geral<i> </i>foi constitu&iacute;do por 536 segmentos de texto (ST), com aproveitamento de 406 STs (75,75%). Emergiram 19.028 ocorr&ecirc;ncias (palavras, formas ou voc&aacute;bulos), sendo 2.580 palavras distintas e 1.337 palavras com uma &uacute;nica ocorr&ecirc;ncia. O conte&uacute;do analisado foi categorizado em seis classes: Classe 1, com 74 ST (18,23%); Classe 2, com 71 ST (17,49%); Classe 3, com 71 ST (17,49%); Classe 4, com 77 ST (18,97%); Classe 5, com 56 ST (13,79%); e Classe 6, com 57 ST (14,04%).</p>     <p>Essas seis classes se encontram divididas em tr&ecirc;s ramifica&ccedil;&otilde;es (A, B e C) do corpus total em an&aacute;lise. O subcorpus A, recebe o nome de sua &uacute;nica Classe 1 (&ldquo;<i>A decis&atilde;o por trabalhar na oncologia pedi&aacute;trica&rdquo;)</i>, que se refere aos fatores que influenciaram os profissionais por trabalhar na &aacute;rea da oncologia pedi&aacute;trica. O subcorpus B, &ldquo;O trabalho em oncologia pedi&aacute;trica&rdquo;, que cont&eacute;m os discursos correspondentes &agrave; Classe 2 (<i>&ldquo;A limita&ccedil;&otilde;es e os desafios de se trabalhar na oncologia pedi&aacute;trica&rdquo;), </i>abordando os desafios e as dificuldades enfrentadas no cotidiano desses profissionais, bem como o reconhecimento dos pr&oacute;prios limites,<i> </i>e a Classe 3 (&ldquo;<i>Os sentimentos associados ao trabalho em oncologia pedi&aacute;trica&rdquo;),</i> que aponta para os sentimentos mais presentes e o como lidam com eles. O Subcorpus C, &ldquo;A recidiva do C&acirc;ncer&rdquo;, que &eacute; composto pela Classe 4 (&ldquo;<i>Possibilidade de cura, tratamento e cuidados paliativos</i>&rdquo;), que aponta sobre as possibilidades de cura, e mostram que quando o progn&oacute;stico &eacute; negativo, ainda h&aacute; cuidado a ser feito, a Classe 5 (&ldquo;<i>A comunica&ccedil;&atilde;o da recidiva do C&acirc;ncer e o Acompanhamento psicol&oacute;gico&rdquo;</i>), indicando que o acompanhamento psicol&oacute;gico inicia durante e depois do processo de comunica&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico da recidiva, ou seja, desde a entrada do paciente no hospital, e a Classe 6 (&ldquo;<i>Compreens&atilde;o da Crian&ccedil;a</i>&rdquo;) apontando que a crian&ccedil;a &eacute; capaz de compreender a doen&ccedil;a, o tratamento e o processo de morte, a seguir descritas (ver <a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a21f1.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Classe 1- A decis&atilde;o por trabalhar na oncologia pedi&aacute;trica <b> </b></i></p>     <p>Compreende 14,04% (<i>f</i> = 57 ST) do corpus total analisado. Constitu&iacute;da por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 6,53 (Hospitalar) e x2 = 76,05 (Oncologia). Essa classe &eacute; composta por palavras como &ldquo;Oncologia&rdquo; (x&sup2; = 76,06); &ldquo;Pediatria&rdquo; (x&sup2; = 68,61); &ldquo;Resid&ecirc;ncia&rdquo; (x&sup2; = 49,02); &ldquo;Gradua&ccedil;&atilde;o&rdquo; (x&sup2; = 37,29); &ldquo;Escolha&rdquo; (x&sup2; = 36,96) e &ldquo;Apaixonar&rdquo; (x&sup2; = 24,73).</p>     <p>Verificou-se que a decis&atilde;o por trabalhar na &aacute;rea da oncologia pedi&aacute;trica ocorreu devido &agrave; exist&ecirc;ncia de um interesse m&iacute;nimo pela &aacute;rea desde o per&iacute;odo de gradua&ccedil;&atilde;o, assim como uma identifica&ccedil;&atilde;o particular pelo trabalho com crian&ccedil;as, passando a olhar a pediatria com certo entusiasmo em algum per&iacute;odo do curso. Outro fator importante pela decis&atilde;o foi a oportunidade de ter experi&ecirc;ncia e contato com a &aacute;rea, especialmente durante a resid&ecirc;ncia. </p>     <p><i>Trabalhar com crian&ccedil;a sempre foi meu foco, ent&atilde;o eu tinha certeza que meu p&uacute;blico seria crian&ccedil;a, onde eu fosse. E a&iacute; na gradua&ccedil;&atilde;o eu fui me apaixonando pela sa&uacute;de, especificamente pelo hospital. E a&iacute; fiz minha resid&ecirc;ncia em pediatria, fiz especializa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m em psicopedagogia, todas as &aacute;reas que eu poderia estar com crian&ccedil;a eu fui, e fiz neuropsicologia tamb&eacute;m. Ent&atilde;o eu vim para o hospital, j&aacute; fui contratada para vim para pediatria </i>(Psic&oacute;loga 2). </p>     <p><i>Quando eu era aluno de medicina, eu tinha muitas d&uacute;vidas. Eu cheguei a dizer a alguns colegas que pediatria era uma coisa que eu nunca faria. Ent&atilde;o, pediatria n&atilde;o foi exatamente minha primeira escolha. Gostei muito de pediatria quando comecei a fazer internato, e eu gostei de um jeito que resolvi que eu n&atilde;o queria fazer outra coisa, se n&atilde;o, pediatria. A&iacute; eu resolvi fazer resid&ecirc;ncia na &aacute;rea. Entrei e, durante a resid&ecirc;ncia, eu entrei em contato com pacientes da oncologia. Ent&atilde;o, o aluno de medicina que dizia que jamais faria pediatria, se apaixonou por ela </i>(M&eacute;dico 1). </p>     <p><i>Classe 2 - A limita&ccedil;&otilde;es e os desafios de se trabalhar na oncologia pedi&aacute;trica </i></p>     <p>Foi constitu&iacute;da por 18,23 % (<i>f</i> = 74 ST) do corpus total analisado. Composta por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 4,76 (Respeitar) e x<sup>2</sup> = 32,18 (Entender). Apresenta palavras como &ldquo;Entender&rdquo; (x&sup2; = 32,18); &ldquo;Limite&rdquo; (x&sup2; = 31,96); &ldquo;Conseguir&rdquo; (x&sup2; = 29,03); &ldquo;Trabalhar&rdquo; (x&sup2; = 26,91); &ldquo;M&atilde;e&rdquo; (x&sup2; = 20,37); e &ldquo;Morrer&rdquo; (x&sup2; = 18,44). </p>     <p>Na an&aacute;lise realizada, verificou-se que est&atilde;o contemplados os discursos sobre como os entrevistados compreendem suas limita&ccedil;&otilde;es diante da crian&ccedil;a na oncologia. Observou-se como uma grande dificuldade lidar com o sofrimento dos pais perante o adoecimento dos filhos, bem como a press&atilde;o que estes exercem sobre os profissionais, exigindo a&ccedil;&otilde;es mais resolutivas para o regresso da doen&ccedil;a. </p>     <p><i>A maior dificuldade para mim &eacute; lidar com o sofrimento da m&atilde;e, porque o que se sabe &eacute; que temos que ser profissional, que n&atilde;o podemos se envolver. Mas como n&atilde;o fazer isso? [&hellip;] Muitas nos culpam pela piora do filho, porque acham que n&atilde;o estamos fazendo o trabalho direito, da melhor maneira poss&iacute;vel, ou o suficiente. Acreditam que a crian&ccedil;a teve piora por consequ&ecirc;ncia de algo que fizemos ou deixamos de fazer. Eu n&atilde;o tomo isso pra mim, na verdade eu tento entender isso, pois ali tem sofrimento </i>(Enfermeira 2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda mediante a fala dos entrevistados, tamb&eacute;m foi percebida grande dificuldade em lidar com a morte da crian&ccedil;a, alegando necessidade de reconhecer os pr&oacute;prios limites emocionais frente a essas situa&ccedil;&otilde;es. Alegam que se sentem propensos a desenvolver afei&ccedil;&atilde;o, uma vez que a crian&ccedil;a oncol&oacute;gica &eacute; aquela que passa longos per&iacute;odos de interna&ccedil;&atilde;o, criando o estreitamento da rela&ccedil;&atilde;o profissional-paciente e profissional-fam&iacute;lia. </p>     <p><i>As maiores dificuldades que eu vejo &eacute; mais a quest&atilde;o do enfrentamento. Quando a gente perde a crian&ccedil;a &eacute; muito dif&iacute;cil, porque nossos pacientes&hellip;, o m&iacute;nimo de tratamento deles &eacute; de 6 meses. &Eacute; muito tempo, e voc&ecirc; se apega, porque se acompanha todas as crian&ccedil;as, conhece a vida delas e isso n&atilde;o tem como acontecer </i>(Psic&oacute;loga 2).</p>     <p><i>Lidar com a morte &eacute; muito dif&iacute;cil! Minha primeira paciente tinha 4 anos, eu me apeguei muito a ela. Ela estava bem e num final de semana que passei em casa, quando voltei na segunda, ela tinha falecido! Foi horr&iacute;vel! Passei 3 anos sentindo a morte dela. Desde desse dia, eu decidi que n&atilde;o iria me apegar a nenhuma crian&ccedil;a, como uma maneira de me resguardar e respeitar meu limite. Depois, eu passei a evitar o afeto, passei a conversar menos com eles, fazia apenas meu trabalho e saia</i> (Enfermeira 1).</p>     <p><i>Classe 3 - Os sentimentos associados ao trabalho em oncologia pedi&aacute;trica </i></p>     <p>&Eacute; constitu&iacute;da por 17,49% (<i>f</i> = 71 ST) do corpus total analisado. Composta por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 6,34 (Pequeno) e x<sup>2</sup> = 23,89 (Espa&ccedil;o). Apresenta palavras como &ldquo;Espa&ccedil;o&rdquo; (x&sup2; = 23,89); &ldquo;Lidar&rdquo; (x&sup2; = 23,89); &ldquo;Desafio&rdquo; (x&sup2; = 20,73); &ldquo;Impactante&rdquo; (x&sup2; = 19,06); &ldquo;Aprender&rdquo; (x&sup2; = 18,92); e &ldquo;Vida&rdquo; (x&sup2; = 15,41). </p>     <p>Refere-se aos sentimentos mais vivenciados pelos profissionais diante do adoecimento da crian&ccedil;a, que v&atilde;o desde a impot&ecirc;ncia &agrave; gratid&atilde;o, reconhecendo a import&acirc;ncia de atuar num espa&ccedil;o t&atilde;o &iacute;ntimo como o universo das crian&ccedil;as e dos pais. Relatam ainda que sofrem intenso desgaste emocional e que necessitam estar bem para desempenhar um bom servi&ccedil;o, sendo necess&aacute;rio terem um espa&ccedil;o aut&ecirc;ntico e acolhedor para trabalhar suas quest&otilde;es. </p>     <p><i>Um dos sentimentos mais fortes acho que &eacute; a impot&ecirc;ncia, a frustra&ccedil;&atilde;o. Estar ali com os pais, com a crian&ccedil;a, disposto a dar o apoio, &eacute; um desafio </i>(Psic&oacute;loga 2).</p>     <p><i>As vezes bate um desespero, porque lidar com esses processos normais da vida, de adoecimento, de perda, de fragilidade, isso te exige estar bem, estar forte, &eacute; necess&aacute;rio um espa&ccedil;o para trabalhar essas quest&otilde;es </i>(Psic&oacute;loga 3).</p>     <p><i>Classe 4-Possibilidade de cura, tratamento e cuidados paliativos</i></p>     <p>Foi constitu&iacute;da por 17,49 % (<i>f</i> = 71 ST) do corpus total analisado. Composta por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 5,98 (Paliativo) e x<sup>2</sup> = 103,23 (Cura). Apresenta palavras como &ldquo;Cura&rdquo; (x&sup2; = 103,23); &ldquo;Tratamento&rdquo; (x&sup2; = 45,3); &ldquo;Recidiva&rdquo; (x&sup2; = 41,46); &ldquo;Possibilidade&rdquo; (x&sup2; = 38,18); &ldquo;Doen&ccedil;a&rdquo; (x&sup2; = 20,37); e &ldquo;Diminuir&rdquo; (x&sup2; = 19,06).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Discorre acerca do trabalho e as opini&otilde;es dos profissionais frente a possibilidade de cura, as op&ccedil;&otilde;es de tratamento e utiliza&ccedil;&atilde;o dos cuidados paliativos exclusivos quando se esgotam os recursos que possam viabilizar a evolu&ccedil;&atilde;o positiva do quadro cl&iacute;nico da crian&ccedil;a. Conforme os discursos, evidencia-se a recidiva como a diminui&ccedil;&atilde;o das chances de sobreviv&ecirc;ncia do paciente pedi&aacute;trico, e ainda que a cura em um determinado momento n&atilde;o seja mais poss&iacute;vel, n&atilde;o se dissipa a possibilidade de cuidado. </p>     <p><i>De uma forma geral, o n&uacute;mero de doen&ccedil;as que n&oacute;s temos com op&ccedil;&atilde;o curativa para recidiva &eacute; pequeno. &Eacute; mais f&aacute;cil realmente n&atilde;o se ter uma op&ccedil;&atilde;o de cura. Agora a inexist&ecirc;ncia da possibilidade de cura, n&atilde;o significa exatamente a inexist&ecirc;ncia de tratamento. Voc&ecirc; pode tratar um paciente de forma paliativa para prolongar a sobrevida dele ou pode simplesmente tratar para diminuir os sintomas </i>(M&eacute;dico 1).</p>     <p><i>A partir do momento que a crian&ccedil;a n&atilde;o tem a possibilidade de cura, jamais ela vai deixar de ter uma possibilidade de tratamento, porque a&iacute; entra os cuidados paliativos </i>(M&eacute;dico 2). </p>     <p><i>Classe 5- A comunica&ccedil;&atilde;o da recidiva do C&acirc;ncer e o Acompanhamento psicol&oacute;gico</i></p>     <p>Foi constitu&iacute;da por 13,79% (<i>f</i> = 56 ST) do corpus total analisado. Composta por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 4,89 (Fam&iacute;lia) e x<sup>2</sup> = 45,02 (M&eacute;dico). Apresenta palavras como &ldquo;M&eacute;dico&rdquo; (x&sup2; = 45,02); &ldquo;Acompanhar&rdquo; (x&sup2; = 32,06); &ldquo;Not&iacute;cia&rdquo; (x&sup2; = 25,25); &ldquo;Receber&rdquo; (x&sup2; = 18,41,37); &ldquo;Apoio&rdquo; (x&sup2; = 14,32); &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (x&sup2; = 13,5); e &ldquo;Cuidado&rdquo; (x&sup2; &gt; 9,0). </p>     <p>Esta se&ccedil;&atilde;o evoca os discursos dos profissionais sobre como compreendem a comunica&ccedil;&atilde;o da recidiva e como se d&aacute; o acompanhamento psicol&oacute;gico &agrave; crian&ccedil;a adoecida e &agrave; fam&iacute;lia. Fica evidente que a comunica&ccedil;&atilde;o da recidiva &eacute; um processo dif&iacute;cil e doloroso, visto que &eacute; muito temida pelos pais, que passam a observar todas as rea&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a. Nesse processo a equipe busca acolher fam&iacute;lia e paciente e desenvolver uma comunica&ccedil;&atilde;o intelig&iacute;vel e transparente sobre a real situa&ccedil;&atilde;o, com prop&oacute;sito de oferecer um bom suporte. </p>     <p><i>Geralmente o diagn&oacute;stico vem da equipe m&eacute;dica. O m&eacute;dico e o psic&oacute;logo v&atilde;o juntos para dar essa m&aacute; noticia, eles falam e a gente dar o suporte, mas isso n&atilde;o ocorre sempre, n&atilde;o &eacute; regra. Vejo muito questionamento entre a equipe e a fam&iacute;lia, que n&atilde;o quer um determinado tipo de terapia, ou uma quimioterapia mais forte, porque sabe o que ela pode causar, ent&atilde;o a fam&iacute;lia e a equipe m&eacute;dica tamb&eacute;m tem muito esse medo em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento </i>(Psic&oacute;loga 2).</p>     <p><i>Se d&aacute; no consult&oacute;rio, a fam&iacute;lia j&aacute; vem meio que sabendo, a gente abre o jogo mesmo e j&aacute; pedimos v&aacute;rios exames. N&atilde;o utilizamos a palavra recidiva, para ficar mais claro para a fam&iacute;lia, temos o cuidado de falar que a doen&ccedil;a voltou </i>(M&eacute;dico 2).</p>     <p><i>Classe 6- Compreens&atilde;o da Crian&ccedil;a</i></p>     <p>Foi constitu&iacute;da por 18,97% (<i>f </i>= 77 ST) do corpus total analisado. Composta por palavras e radicais no intervalo entre x<sup>2</sup> = 3,97 (Perceber) e x<sup>2</sup> = 58,49 (Pai). Apresenta palavras como &ldquo;Idade&rdquo; (x&sup2; = 33,52); &ldquo;Perguntar&rdquo; (x&sup2; = 29,94); &ldquo;Compreender&rdquo; (x&sup2; = 16,42); &ldquo;Nomear&rdquo; (x&sup2; = 12,91); &ldquo;Explicar&rdquo; (x&sup2; = 12,27); e &ldquo;Escutar&rdquo; (x&sup2; = 9,31). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir da an&aacute;lise realizada, verificou-se que a crian&ccedil;a em algum momento passa a compreender o percurso e as especificidades de sua doen&ccedil;a, mesmo sem entender a complexidade e os riscos a que est&aacute; submetida diariamente. Enfatiza-se a preocupa&ccedil;&atilde;o dos pais sobre o sofrimento dos filhos caso venham a se aprofundar em detalhes, tentando a todo custo esconder o quadro cl&iacute;nico como tentativa inicial de prote&ccedil;&atilde;o, solicitando aos profissionais que n&atilde;o expliquem &agrave;s crian&ccedil;as a real situa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><i>&Eacute; muito pela idade. A compreens&atilde;o de uma crian&ccedil;a pequena &eacute; diferente de um adolescente, que j&aacute; &eacute; super consciente. Ele ler na internet, ele j&aacute; chega com tudo em m&atilde;os </i>(M&eacute;dica 5). </p>     <p><i>Independentemente da idade, as crian&ccedil;as sempre sabem sobre o processo delas. Mesmo que elas n&atilde;o consigam dizer &ldquo;eu estou com c&acirc;ncer&rdquo; elas percebem, pois &eacute; o corpo dela que est&aacute; sobre interven&ccedil;&atilde;o </i>(Psic&oacute;loga 4).</p>     <p>Ao final, foi poss&iacute;vel analisar a nuvem de palavras obtida por meio dos relatos dos pr&oacute;prios participantes, verificando-se que as palavras mais evocadas foram: &ldquo;Crian&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;Paciente&rdquo;, &ldquo;Trabalhar&rdquo;, &ldquo;Fam&iacute;lia&rdquo;, &ldquo;C&acirc;ncer&rdquo;, &ldquo;Dizer&rdquo;, &ldquo;Recidivo&rdquo;, &ldquo;Tratamento&rdquo;, &ldquo;Dif&iacute;cil&rdquo;, &ldquo;Lidar&rdquo; e &ldquo;Conseguir&rdquo;. Observa-se que, para os participantes, a recidiva do c&acirc;ncer &eacute; uma experi&ecirc;ncia extremamente dif&iacute;cil n&atilde;o s&oacute; para a crian&ccedil;a e para a fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m para o profissional que &eacute; o principal respons&aacute;vel pelo cuidado, devendo ser esse o foco principal do trabalho (ver <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/psd/v20n2/20n2a21f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>A literatura enfatiza que escolha por atuar na pediatria, al&eacute;m do interesse m&iacute;nimo pela &aacute;rea desde o in&iacute;cio do curso, tamb&eacute;m se d&aacute; frequentemente pela oportunidade de contemplar na pr&aacute;tica a rela&ccedil;&atilde;o discente-docente e discente-paciente no ambiente hospitalar. Por outro lado, na &aacute;rea m&eacute;dica, a pediatria n&atilde;o &eacute; uma &aacute;rea intensamente desejada inicialmente pelos estudantes. Como consequ&ecirc;ncia, no Brasil h&aacute; uma not&aacute;vel redu&ccedil;&atilde;o de 42% do n&uacute;mero de inscritos em resid&ecirc;ncia pedi&aacute;trica nos &uacute;ltimos 12 anos (Silva et al., 2014).</p>     <p>A respeito das principais dificuldades e desafios de se trabalhar na oncologia pedi&aacute;trica elencadas pelos participantes, estar o lidar com o processo de morte da crian&ccedil;a e com o sofrimento dos pais. Isso ocorre porque a sociedade ocidental atual, de uma forma geral, possui dificuldade em aceitar e lidar com a morte, e sustenta o lugar de responsabiliza&ccedil;&atilde;o da vida ao profissional de sa&uacute;de, que deve alcan&ccedil;ar de qualquer maneira a miss&atilde;o de curar (Hercos et al., 2014). Al&eacute;m disso, o ambiente hospitalar e o contato com as fam&iacute;lias e crian&ccedil;as em contexto de adoecimento, posiciona os profissionais da sa&uacute;de constantemente diante situa&ccedil;&otilde;es estressoras, de perdas e de sofrimento cont&iacute;nuo. Esse fator pode gerar excessiva carga emocional, o que eleva o risco de estresse ocupacional e pode afetar diretamente a qualidade do trabalho oferecido ao paciente (Santos &amp; Santos, 2015). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os discursos apresentados podem sugerir a compreens&atilde;o de que h&aacute; muitos impasses diante da morte do paciente, sendo frequente a viv&ecirc;ncia do luto n&atilde;o reconhecido quando a perda acontece. Quando ocorre a morte, &eacute; quebrada a rotina de visitas, cuidado e a rela&ccedil;&atilde;o que se mantinha com a crian&ccedil;a ou adolescente e a fam&iacute;lia, podendo gerar conflitos, rea&ccedil;&otilde;es diversas e comportamentos disfuncionais frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. Alguns profissionais podem passar a emitir no manejo de novos pacientes comportamentos que v&atilde;o desde a indiferen&ccedil;a, como um mecanismo de defesa perante o indiv&iacute;duo adoecido, interpretando como uma maneira eficiente de se resguardar emocionalmente, at&eacute; uma empatia genu&iacute;na, que os tornaram incapazes de manter um distanciamento cr&iacute;tico, intensificando o sofrimento frente uma nova perda naquele ambiente (Salimena et al., 2013).</p>     <p>Verificou-se tamb&eacute;m que pessoas que se dedicam ao atendimento de crian&ccedil;as oncol&oacute;gicas vivenciam sentimentos amb&iacute;guos e contradit&oacute;rios na realiza&ccedil;&atilde;o de suas atividades. A literatura mostra que o contato com esses pacientes motiva a viv&ecirc;ncia de sentimento de impot&ecirc;ncia, ang&uacute;stia e frustra&ccedil;&atilde;o por pressupor resultados quase sempre negativos em rela&ccedil;&atilde;o ao c&acirc;ncer (Hercos et al., 2014). Por outro lado, tamb&eacute;m se verifica muitos sentimentos positivos na rela&ccedil;&atilde;o com o trabalho, como a gratid&atilde;o pelos pacientes e pelos pr&oacute;prios familiares, que mesmo em sofrimento reconhecem minimamente as a&ccedil;&otilde;es dos profissionais como algo significativo. Tamb&eacute;m se expressam sentimentos de alegria, de conquista, principalmente quando h&aacute; melhora, recupera&ccedil;&atilde;o e alta do paciente (Salimena et al., 2013).</p>     <p>Os discursos dos profissionais tamb&eacute;m mostraram que o tratamento da recidiva do c&acirc;ncer &eacute; compreendido como um per&iacute;odo muito sofrido, sobretudo quando este, est&aacute; acompanhado do esgotamento da possibilidade de cura. Inicialmente, no oferecimento dos cuidados paliativos, a literatura mostra que geralmente ele &eacute; recebido de forma negativa pelos pais, havendo grande rejei&ccedil;&atilde;o desse tipo de cuidado &agrave; crian&ccedil;a hospitalizada, como tentativa de negar o progresso da doen&ccedil;a. Enfatiza-se que o acompanhamento e o esclarecimento da fam&iacute;lia durante todo o processo de morte e luto tamb&eacute;m &eacute; uma forma concreta de cuidado, devendo os cuidados paliativos ser compreendido como uma necessidade real na abordagem de crian&ccedil;as com c&acirc;ncer, independente de exauridas possibilidades de cura. Dessa forma, a equipe m&eacute;dica que atua nesse contexto deve ser capacitada para lidar com as in&uacute;meras quest&otilde;es que se apresentam, inclusive saber reconhecer no percurso da doen&ccedil;a se a morte &eacute; iminente ou n&atilde;o, como meio proveitoso de resguardar-se de atitudes invasivas e persistentes que prejudiquem o paciente, recorrendo aos cuidados paliativos tardiamente, limitando o suporte de vida (Cassol et al., 2016; Valadares et al., 2013).</p>     <p>Atrav&eacute;s das falas apresentadas tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel reconhecer que a comunica&ccedil;&atilde;o de m&aacute;s not&iacute;cias &eacute; um momento de grande impacto e dificuldade para a fam&iacute;lia e tamb&eacute;m para o profissional, visto que se exige que este desenvolva dispositivos favor&aacute;veis &agrave; uma comunica&ccedil;&atilde;o de qualidade, sens&iacute;vel e que cause um impacto mais ameno sobre quem escuta. Nesse momento, a literatura mostra que &eacute; importante oferecer cuidados espec&iacute;ficos a quem recebe o diagn&oacute;stico, uma vez que o aparecimento de sintomas j&aacute; &eacute; um grande alerta para a fam&iacute;lia, que neste momento j&aacute; est&aacute; tomada de intensa ansiedade e expectativas sobre os resultados, que podem trazer s&eacute;rias repercuss&otilde;es. A comunica&ccedil;&atilde;o deve estar circundada de uma linguagem mais simples poss&iacute;vel, clara e objetiva, a fim de que a fam&iacute;lia possa reconhecer suas possibilidades e limita&ccedil;&otilde;es frente &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o e ao novo tratamento (Andrade et al., 2014; Fran&ccedil;a et al., 2013; Monteiro &amp; Quintana, 2017; Monteiro et al.<a href="http://pesquisa.bvsalud.org/brasil/?lang=pt&amp;q=au:%22Machado,%20Rebeca%20Nonato%22">, </a>2015; Silva et al., 2016).</p>     <p>Por fim, a partir dos discursos dos profissionais, pode-se perceber que a doen&ccedil;a vai se apresentando de forma muito clara para crian&ccedil;a independentemente da idade, uma vez que a viv&ecirc;ncia do c&acirc;ncer &eacute; uma experi&ecirc;ncia individual, mas que est&aacute; inserida num contexto de sofrimento, choro, desespero, desorganiza&ccedil;&atilde;o, experimenta&ccedil;&atilde;o da dor por efeito das in&uacute;meras interven&ccedil;&otilde;es sobre o corpo, hospitaliza&ccedil;&atilde;o, separa&ccedil;&atilde;o familiar, escolar e limita&ccedil;&atilde;o da autonomia, entre outros fatores, o que estimula a crian&ccedil;a buscar entender minimamente o que se passa com ela. Mesmo sem compreender a doen&ccedil;a em sua complexidade, tem a capacidade de perceber que est&aacute; acontecendo algo de impreciso naquele momento. Os pais s&atilde;o os maiores comunicadores dos atributos da doen&ccedil;a, visto que geralmente s&atilde;o eles que transmitem aos filhos o significado que atribuem ao c&acirc;ncer (Gomes et al., 2013).</p>     <p>Pode-se considerar como aspecto limitante desta pesquisa o fato de ter sido realizada de forma transversal, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel efetu&aacute;-la a longo prazo, de forma longitudinal. Conquanto, por considerar as transforma&ccedil;&otilde;es e oscila&ccedil;&otilde;es dos pensamentos inerentes aos sujeitos, em raz&atilde;o de fatores individuais e ambientais, &eacute; sugerido que novas an&aacute;lises sejam apreciadas, bem como a partir de novas consultas apontem outros dados, como meio de explorar outros fatores vigentes nesse contexto.</p>     <p> Desse modo, torna-se primordial ampliar os conhecimentos acerca dessa tem&aacute;tica, considerando um cen&aacute;rio que apresenta in&uacute;meras demandas psicol&oacute;gicas. Prop&otilde;em-se ainda que as institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de ofere&ccedil;am espa&ccedil;os acolhedores e de suporte ps&iacute;quico para as demandas de seus profissionais, de forma a mant&ecirc;-lo bem para o exerc&iacute;cio de sua pr&aacute;tica e boa aten&ccedil;&atilde;o e cuidado aos pacientes. Ademais, as compreens&otilde;es aqui expressas poder&atilde;o contribuir tanto para incrementar novos estudos, como servir de refer&ecirc;ncia e compartilhamento de pr&aacute;ticas em favor de outros indiv&iacute;duos que ir&atilde;o vivenciar ou j&aacute; vivenciaram o contexto de recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Andrade, C. G., Oliveira, R. C., Costa, S. F. G., Lopes, M. E. L., N&oacute;brega, M. M. L., Abr&atilde;o, F. M. S. (2014). Comunica&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias dif&iacute;ceis para pacientes sem possibilidade de cura e familiares: atua&ccedil;&atilde;o do enfermeiro. <i>Revista de Enfermagem, 22</i>(5)<i>, </i>674-679. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.12957/reuerj.2014.5748" target="_blank">10.12957/reuerj.2014.5748</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568601&pid=S1645-0086201900020002100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arruda-Colli, M. N., Lima, R., Perina, E., &amp; Santos, M. (2016). A recidiva do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico: um estudo sobre a experi&ecirc;ncia materna. <i>Psicologia USP</i>, <i>27</i>(2), 307-314. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/0103-656420140078" target="_blank">10.1590/0103-656420140078</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568603&pid=S1645-0086201900020002100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arruda-Colli, M. N. F., Perina, E. M., &amp; Santos, M. A. (2015). Experiences of Brazilian children and family caregivers facing the recurrence of cancer. <i>European Journal of Oncology Nursing</i>, <i>19</i>(5), 458-464. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1016/j.ejon.2015.02.004" target="_blank">10.1016/j.ejon.2015.02.004</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568605&pid=S1645-0086201900020002100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Batalha, L. M. C., Fernandes, A. M., &amp; Campos, C. (2015). Qualidade de vida em crian&ccedil;as com c&acirc;ncer: concord&acirc;ncia entre crian&ccedil;as e pais. <i>Escola Anna Nery, 19</i>(2), 292-296. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20150039" target="_blank">10.5935/1414-8145.20150039</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568607&pid=S1645-0086201900020002100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cassol, P. B., Quintana, A. M., Velho, M. T. A. C., &amp; Nunes, J. B. (2016). Autonomia do paciente terminal: percep&ccedil;&atilde;o da enfermagem de uma unidade de interna&ccedil;&atilde;o hemato oncol&oacute;gica. <i>Journal of Nursing and Health</i>, <i>6</i>(2), 298-308.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568609&pid=S1645-0086201900020002100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Contreras, S. E. C. &amp; Alvarado, O. I. S. (2016). Los pacientes del programa alivio del dolor y cuidados paliativos: razones y significados para enfermeras/os<i>. </i><i>Ciencia y enfermer&iacute;a,</i> <i>22</i>(1), 47-63. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532016000100005" target="_blank">10.4067/S0717-95532016000100005</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568611&pid=S1645-0086201900020002100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Diehll, A., &amp; Tatim, D. (2004). <i>Pesquisa em ci&ecirc;ncias sociais aplicadas: m&eacute;todos e t&eacute;cnicas. </i>S&atilde;o Paulo, BRA: Pearson Prentice Hall.</p>     <!-- ref --><p>F&auml;rber, S. S. (2013). Tanatologia cl&iacute;nica e cuidados paliativos: facilitadores do luto oncol&oacute;gico pedi&aacute;trico. <i>Cadernos Sa&uacute;de Coletiva</i>, <i>21</i>(3), 267-271. 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Do diagn&oacute;stico &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do c&acirc;ncer infantil: perspectiva de crian&ccedil;as. <i>Texto Contexto Enfermagem,</i> <i>22</i>(3), 671-679.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568621&pid=S1645-0086201900020002100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes, R. (2014). <i>Pesquisa qualitativa em sa&uacute;de. </i>S&atilde;o Paulo: Instituto S&iacute;rio-Liban&ecirc;s de Ensino e Pesquisa. Recuperado de: <a href="https://iep.hospitalsiriolibanes.org.br/Documents/LatoSensu/caderno-pesquisa-qualitativa-mestrado-2014.pdf" target="_blank">https://iep.hospitalsiriolibanes.org.br/Documents/LatoSensu/caderno-pesquisa-qualitativa-mestrado-2014.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568623&pid=S1645-0086201900020002100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hercos T. M., Vieira F. S., Oliveira M. S., Buetto L. S., Shimura C. M. N., &amp; Sonobe H. M., (2014). O trabalho dos profissionais de enfermagem em unidades de terapia intensiva na assist&ecirc;ncia ao paciente oncol&oacute;gico. <i>Revista Brasileira de Cancerologia,</i> <i>60</i>(1), 51-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568624&pid=S1645-0086201900020002100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Instituto Nacional de C&acirc;ncer Jos&eacute; Alencar Gomes da Silva [INCA] (2017a). <i>C&acirc;ncer - o que &eacute;? </i>Recuperado de <a href="http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/oquee" target="_blank">http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/oquee</a>.</p>     <p>Instituto Nacional de C&acirc;ncer Jos&eacute; Alencar Gomes da Silva [INCA] (2017b). <i>C&acirc;ncer pedi&aacute;trico.</i> Recuperado de <a href="http://www1.inca.gov.br/situacao/arquivos/ocorrencia_cancer_pediatrico.pdf" target="_blank">http://www1.inca.gov.br/situacao/arquivos/ocorrencia_cancer_pediatrico.pdf</a> </p>     <p>Instituto Nacional de C&acirc;ncer Jos&eacute; Alencar Gomes da Silva [INCA] (2017c). <i>C&acirc;ncer Infantojuvenil.</i> Recuperado de <a href="http://www.inca.gov.br/dia-mundial-do-cancer/cancer-infantojuvenil.asp" target="_blank">http://www.inca.gov.br/dia-mundial-do-cancer/cancer-infantojuvenil.asp</a> </p>     <!-- ref --><p>Kohlsdorf, M., &amp; Costa Junior, &Aacute;. L. (2012). Impacto psicossocial do c&acirc;ncer pedi&aacute;trico para pais: revis&atilde;o da literatura. <i>Paid&eacute;ia</i> <i>(Ribeir&atilde;o Preto)</i>, <i>22</i>(51), 119-129. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2012000100014" target="_blank">10.1590/S0103-863X2012000100014</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568629&pid=S1645-0086201900020002100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lei n&ordm; 8.069, Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, 13 de julho de 1990. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm</a>. Acesso em: 19 mar. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568631&pid=S1645-0086201900020002100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mazer-Gon&ccedil;alves, S. M., Martins do Valle, E. R., &amp; Santos, M. A. (2016). Significados da morte de crian&ccedil;as com c&acirc;ncer: viv&ecirc;ncias de m&atilde;es de crian&ccedil;as companheiras de tratamento. <i>Estudos de Psicologia (Campinas)</i>, <i>33</i>(4), 613-622. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000400005" target="_blank">10.1590/1982-02752016000400005</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568633&pid=S1645-0086201900020002100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de [MS] (2006). <i>Carta dos direitos dos usu&aacute;rios da sa&uacute;de: ilustrada.</i> S&eacute;rie F. Comunica&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de. Bras&iacute;lia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568635&pid=S1645-0086201900020002100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Monteiro, D. T. &amp; Quintana, A. M. (2017). A comunica&ccedil;&atilde;o de m&aacute;s not&iacute;cias na UTI: Perspectiva dos m&eacute;dicos. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa</i>, <i>32</i>(4), 1-9. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.1590/0102.3772e324221" target="_blank">10.1590/0102.3772e324221</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568637&pid=S1645-0086201900020002100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Monteiro, M. C., Magalh&atilde;es, A. S., F&eacute;res-Carneiro, T., &amp; Machado, R. N. (2015). A rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-fam&iacute;lia diante da terminalidade em UTI. <i>Psicologia Argumento, 33</i>(81)<i>, 314-329</i>. DOI: <a href="https://dx.doi.org/10.7213/psicol.argum.33.081.AO07" target="_blank">10.7213/psicol.argum.33.081.AO07</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=568639&pid=S1645-0086201900020002100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morelli, A. B., Scorsolini-Comin, F., &amp; Santos, M. A. (2013). Impacto da morte do filho sobre a conjugalidade dos pais. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva, 18</i>(9), 2711-2720. 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