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</front><body><![CDATA[ <p><b>Acerca das reformas em curso na Universidade</b> [<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>] </p>  </p>     <p><b>Jorge Olímpio Bento</b></p> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.</b> “Tudo se encontra em estado de mudança. Nada fica como está. Nós    não buscamos a permanência” &#8211; eis um axioma que provém da antiguidade    clássica e continua pleno de vigor na actualidade.O tempo &#8211; todo o tempo    &#8211; impõe reflexões, reformas e mudanças em todas as esferas da vida. Por    isso mesmo o espaço universitário, sendo por definição um campo varrido pelo    vento refrescante da abertura e renovação das ideias, não deve deixar-se atrair    pela mistura sedutora de astúcia e cinismo com que o imobilismo critica, rejeita    e desencoraja toda e qualquer transformação. As instituições, tal como as pessoas,    não podem nem devem ser sempre iguais. É no tempo e nos tempos que se forjam,    desenvolvem e são provadas. Por não estarem nunca conclusas e terminadas, carecem    de mudar e de se transformar, de evoluir e melhorar. É esse o seu destino, é    essa a missão que as justifica, aprimora e exalta. São transformadoras na medida    em que se transformam.</p> </p>     <p>Nesta conformidade eu desejo que a UP não seja sempre igual, que nunca se dê    por concluída e satisfeita, que se coloque continuamente desafios e metas, visando    uma forma nova e superior. Desejo que não se acomode &#8211; e, muito menos,    perca - neste tempo! Para tanto é forçoso que eu deseje também que, nesta hora    e antes de tudo, a UP reflicta acerca da sua missão, daquilo que já é e do mais    que quer ser, das ‘coisas’ intangíveis e da medida dos valores humanos e universais    em que se revê. Que, em primeiro lugar, fale dos fins que a determinam, da missão    e incumbência que lhe toca cumprir, dos quadros que visa formar. Só depois é    pertinente falar dos instrumentos e meios. Edifícios, laboratórios, acervos    bibliográficos, estruturação, ordenamentos jurídicos etc. são importantes, mas    são fugazes, não duram para sempre. Duradoira é a herança recebida e que deve    ser reforçada, reavivada e transmitida: o apego a princípios e valores, ao saber    e à racionalidade, à reflexão e ao debate, ao uso do pensamento e da razão,    ao cultivo da liberdade e da ética, à rejeição do fácil e falso, das ideias    feitas, das ideologias, dos slogans e das palavras de ordem, da manipulação    e alienação, do populismo e demagogia.</p></p>     <p> <b>2.</b> Ademais deve iluminar a nossa reflexão o postulado magistral de    Ortega y Gasset (1888-1935): <i>“Eu sou eu e a minha circunstância. Se a não    salvo a ela, não me salvo a mim”</i>. </p> </p>     <p>Esta não será uma boa circunstância para nós, se a não tornarmos boa para a    Universidade, se a não fizermos conforme aos nossos desejos. Logo a Universidade    será boa ou má consoante a modelarem os seus professores, estudantes e funcionários.    Eu quero continuar a ter a convicção profunda de que uns e outros não recuarão    diante do empreendimento que lhes é confiado, não consentirão que enferruje    e feneça nas suas mãos o instrumento de aprimoramento espiritual, racional,    cívico, estético e cultural dos cidadãos, que a Universidade consubstancia.    Não ficarão quedos e mudos perante uma circunstância que não está a ser boa    para a Universidade. Não se acomodarão perante a tentativa tresloucada de malbaratar    o património intelectual e moral, nacional e internacionalmente amealhado por    esta instituição.</p> </p>     <p>Não é defensável conceber a Universidade à margem do tempo, isolada e referenciada    a si mesma, indiferente à sociedade, aos seus problemas e necessidades. Mas    é, igualmente, inaceitável domesticá-la e subordiná-la às corporações e aos    interesses que tomaram conta do mundo. Ela deve ser pensada à luz da excelência    académica e da relevância social, enquanto instituição com elevado sentido de    performance em todos os seus domínios e fins, ao serviço das causas da Humanidade,    do país, da cidade e região.</p></p>     <p> <b>3.</b> Há algo inevitável e de inegável importância para a melhoria do    papel da Universidade: a necessidade de renovar permanentemente os processos    de ensino e aprendizagem, as modalidades e finalidades da formação e os caminhos    da sua missão, sob pena de nos mumificarmos. A ênfase renovadora deve cuidar    de aumentar o prestígio da tradição e da herança secular e não contribuir para    o destruir e sepultar. Todavia essa reforma só é possível se não estivermos    constantemente a debater-nos com a angústia de provermos à manutenção das instituições.</p>  </p>     <p>Podem tentar apoucar-nos com a redução dos orçamentos e com a campanha difamatória    movida com um aparelho mediático conivente e arregimentado. Mas não terão força    suficiente para nos estrangular na garganta o grito de protesto, nascido na    consciência das obrigações para com a nossa dignidade. A Universidade tem uma    longa história de farol da liberdade, ocupada e incumbida de clarear caminhos;    não será agora que vai capitular e tornar-se cúmplice da escuridão e da passividade.    Contando com a nossa lucidez e coragem, ela é capaz de prodígios divinos.</p>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Há no mundo, por certo, milhares de Universidades; algumas usufruem de excelente    reputação. Mas muitas centenas delas têm à sua disposição recursos financeiros    superiores, de longe, aos da UP e quedam-se numa posição muito inferior à nossa    nos diversos rankings internacionais. Olho para trás, vejo os números do crescimento    na pós-graduação e produção científica, assim como na procura por estudantes    estrangeiros e não posso deixar de admirar a notável ascensão da UP nas duas    últimas décadas. Claro que se pode melhorar ainda mais, mas esta constatação    e vontade não justificam o criticismo e o negativismo de algumas apreciações.</p></p>     <p> <b>4. </b>O estado de alma da UP face à actual conjuntura não é, bem o sei,    igual em todas as áreas. As diferenças são notórias e não podem ser iludidas.    Como se sabe, a formação específica de cada um de nós é propensa a enraizar    e privilegiar determinados modelos, princípios, valores, saberes, convicções,    crenças e mitos. Por isso mesmo as diversas formações são parcelares e relativas;    nenhuma confere um olhar abrangente do mundo e uma visão integral dos problemas,    antes apela à complementaridade de umas com as outras. Por exemplo, a formação    de engenheiro e o modelo inglês são importantes; mas não podem ser exclusivas    e exaustivas, até porque nem a adesão ao ‘paradigma’ da gestão está a produzir    um mundo melhor, nem as universidades inglesas (e outros serviços públicos do    país de Sua Majestade) passaram a viver num mar de rosas, após a entrada em    vigor do modelo neoliberal.</p> </p>     <p>Como quer que seja, isto dá para perceber o facto de a UP não ter tomado posições    públicas nos últimos anos; de não ter, por exemplo, reagido ao modo funesto    da implementação indígena do Processo de Bolonha. O Processo foi manifestamente    pervertido. É provável que isto não perturbe as áreas afins à tecnologia e aquelas    que contam com uma Ordem para regular o exercício profissional. Mas é altamente    prejudicial para as outras.</p> </p>     <p>Não é agradável de dizer, mas é necessário afirmar que a UP não tem, nos últimos    anos, primado pela coragem. Pelo contrário, a omissão e mesmo o oportunismo    e a cobardia têm dado sinais de vida. Não obstante o apelo do Magnífico Reitor    a comentários acerca da LRJIES-Lei do Regime Jurídico das Instituições de Ensino    Superior, a imensa maioria da UP optou pelo silêncio e acomodamento, talvez    com medo de afrontar o Ministério e de não apanhar algumas migalhas sobrantes    da mesa da capital, ou receosa de abrir o jogo de intenções e acções em relação    ao futuro. Seja como for, agora não se sabe o que a maioria das Faculdades pensa    acerca do ordenamento jurídico da UP e era bom que se soubesse, que uns não    estivessem de peito aberto e outros a jogar à defesa, com cartas desconhecidas. </p>  </p>     <p>Não é aceitável que, em nome do combate a basismos e populismos de que enfermava    a anterior legislação das Universidades, a actual LRJIES tenha consagrado um    basismo bem maior e mais gravoso: agora o Conselho Geral, que escolhe o Reitor,    é eleito por voto quase universal. Mais ainda, se assim o entenderem as grandes    unidades orgânicas ligadas às áreas tecnológicas, a maioria das unidades orgânicas    fica arredada da participação na condução dos destinos da Universidade. Ora    isto não acontece por acaso ou por distracção do legislador!</p> </p>     <p><b>5.</b> Estamos obrigados a um exigente exercício de responsabilidade, que    implica precisamente o contrário de um jogo de leviana competição por supremacias    da irracionalidade. Isto reclama transparência nas intenções e frontalidade    nos gestos e palavras. Por isso afirmo sem rodeios e concessões: aquilo que    é aplicável nalgumas partes pode fragilizar as outras e afectar o todo. Ora    isto recomenda ponderação e equilíbrio nas decisões. Se importar para a sua    configuração o paradigma hoje vigente no país e no mundo &#8211; “os ricos cada    vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres” &#8211;, a UP debilitará a    sua estrutura, minará a sua unidade, a sua independência, a sua autonomia, a    sua missão e a sua imagem e projecção. E, não por último, prestará um péssimo    serviço - para não dizer traição - à cidade e à região.</p> Não pode ser ignorada    a possibilidade, bem evidente, de a maior universidade do país, por força de    reorganizações insanas, se converter numa pequena universidade, sem dimensão    nem relevância para competir internacionalmente. Os rankings existentes mostram    que quanto mais diminuta é a universidade menos ‘chances’ ela tem de vir a integrá-los.    E, deste modo, vê-se desmentido um dos argumentos cimeiros do reformismo.</p>  </p>     <p>Enfim os interesses, visões e conveniências de algumas áreas, departamentos,    institutos e docentes não devem determinar o superior interesse da UP, nem sobrepor-se    a ele. O que hoje se destruir não será fácil de reconstruir amanhã.</p> </p>     <p><b>6.</b> Devo à UP a honra culminante de uma vida de obreiro obscuro. Por    mais que eu durasse, nenhuma outra teria o fulgor que esta me concedeu, de sair    da noite para o dia, da penumbra para a luz, do nevoeiro para o sol, do anonimato    opaco para a cidadania esclarecida. Estou, pois, imensamente grato à UP. E,    por isso mesmo e em nome dela, ouso afirmar que a sociedade em que vivemos está    ainda demasiadamente aquém da medida humana, aquém do que precisa vir a ser.    Também por isto atrevo-me a dizer que as mudanças que estão a ser imprimidas,    pelo governo e pelos arautos do neoliberalismo, às universidades e a outras    instituições públicas não se revêem na medida humana, mas tão somente numa medida    de gestão perversa, ou seja, numa visão distorcida que promove os meios e instrumentos    à categoria de fins.</p> </p>     <p>A Universidade não vive do recolhimento e da renúncia ao mundo. Tem valores    próprios, mas não é aceitável que se enclausure neles. É imperioso que esteja    no mundo ao lado de outros protagonistas e que participe de modo responsável    e empenhado configuração da realidade. Com todos os outros parceiros e, quando    necessário, contra eles. Porque é essa a sua vocação suprema e a maneira superior    de cumprir a sua inalienável obrigação.</p> </p>     <p>Assim não é curial ‘reformar’ a Universidade para a sujeitar ao serviço de    interesses espúrios; precisa, sim, de ser melhor formatada como centro comprometido    com as causas primeiras da sociedade e Humanidade. Não deve servir mais ninguém.</p>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, merece empenhamento entusiasta e apoio activo tudo quanto sublinhe,    enfatize, alimente, fortaleça e engrandeça a missão humanista e cultural da    Universidade; e deverá contar com a nossa antipatia, igualmente activa, tudo    quanto a iluda, diminua, debilite e enfraqueça.</p> </p>     <p><b>7.</b> Que lugar está reservado para a ciência? </p>     <p>Respondo, servindo-me de uma citação de António Bracinha Vieira: “Um lugar    bastante decadente porque a chamada Logociência, que era admirável, que nos    mostrava os confins do universo, a evolução do homem, a origem da linguagem,    o comportamento dos animais, que estava cheia de enigmas, deixou de ter investimento,    como hoje se diz. Então o que se desenvolve? A tecnociência. A biotecnologia.    As ciências que vão reforçar a indústria e aumentar os lucros das grandes sociedades.    A sociedade que pode subsidiar a ciência, subsidia aquela que lhe vai dar vantagem.    É um círculo vicioso, que vai cortar a ciência da verdadeira fonte que a alimenta    &#8211; alargar o horizonte de conhecimentos”.[<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>]</p>  </p>     <p>O mesmo autor constata um <i>regresso da barbárie</i>, a junção “do pior dos    primatas com o pior das térmitas”, o avanço da manipulação fácil e da passividade    crítica, a emergência do indivíduo incaracterístico, frio, ávido, timorata,    um escravo terrivelmente degradado, sem princípios e sem escrúpulos,&nbsp; a    derrota dos gregos pelos bárbaros “sem pensamento, sem ética, sem estética,    sem horizonte, sem projecto, sem reflexão”. E acusa que, por já estarem no estádio    da linguagem enfraquecida, temos doutorados e professores “que dizem parvoíces”.    “E como não sabem falar também não sabem pensar. E então há uma queda do nível    da razão, toda essa irracionalidade emerge e é premiada pela sociedade, pela    Absurdidade”. A gravidade da acusação vai mais longe: o <i>incaracterístico</i>    “tornou-se a norma e está bastante invisível, ou seja, as pessoas convivem com    ele e já o abrigam, não o vêem. Julgo que o papel da filosofia é justamente    dar a ver aquilo que é visível mas que as pessoas normalmente não vêem ou não    querem ver, não podem, não conseguem”. </p> </p>     <p>Pois é, mas a filosofia e tudo quanto lhe é correlato estão postergados, sofrem    o exílio e o ostracismo. Sim, “que dizer &#8211; alerta Daniel Sampaio &#8211;    do apagamento progressivo da Filosofia ou da menorização das humanidades, para    já não falar da ideia agora na moda de que às escolas compete servir as empresas?”</p>    Responde o mesmo autor: “A esperança está, como sempre, nas novas gerações.    Oxalá estejam atentas e ainda a tempo de evitar a barbárie”.[<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>] </p>  </p>     <p> <b>8. </b>É isto que me encoraja, num exercício de cinismo e humor negro,    a tecer elogios ao vento que passa. </p> Há quem tenha saudades do passado.    Eu, ao invés, tenho saudades do futuro. De um futuro que colha os frutos deste    aliciante presente.</p> </p>     <p>Em tempos idos não se usava camisinha para fazer amor. O resultado está à vista;    e não me estou a referir à transmissão e proliferação de doenças infecto-contagiosas.    Penso sim na existência &#8211; que bem podia ter sido evitada - de alguns personagens    que andam por aí, em funções de chefia e decisão, a atazanar-nos a vida de uma    maneira que ninguém imaginaria até há pouco, tendo em conta aquilo que propalavam    aos quatro ventos e as filiações ideológicas que ardilosamente ainda ousam afirmar    para iludir os ingénuos e incautos. Resta-nos a esperança de que eles doravante    façam uso cuidado do preservativo &#8211; ou então que enveredem por outros    caminhos &#8211; para ver se os actores do futuro têm outra matriz genética    e, sobretudo, ética.</p> </p>     <p>Mais, a língua portuguesa no passado era muito rígida e taxativa. Chamava-se    mentiroso a um indivíduo por faltar à verdade. Agora o nosso idioma é muito    mais flexível; está em franca evolução, tornou-se mais dúctil e proteico. Os    mentirosos já não o são mais; apenas têm opiniões diferentes e apresentam versões    não coincidentes com as dos outros, quando muito dizem inverdades ou coisas    que nunca aconteceram. Por isso chamar mentiroso a um aldrabão é hoje sinal    de agressividade e rudeza, falta grave de civismo, de educação, de boas maneiras.</p>  </p>     <p>A traição também mudou de significado. Agora os traidores não traem; antes    revelam abertura e flexibilidade, espírito de inovação, reforma, mudança e adaptação    aos desafios desta era. Do mesmo modo os autores de barganhas passaram a ser    gente sagaz, viva, esperta.</p> </p>     <p>A honra era uma obrigação; hoje não, porquanto é inquestionável. A honorabilidade    que, no passado, tinha que ser conquistada e exibida, agora é um direito natural    que não pode ser posto em causa. Tal como o carácter. Antes era um bem escasso    que nem todos logravam alcançar; agora é uma das maiores dádivas da <i>demo-cracia</i>[<a href="#4">4</a><a name="top4"></a>]    nos últimos tempos; é algo generosamente distribuído a rodos, todos o têm, de    tal maneira que já não se pergunta por ele, mesmo quando se ausenta constantemente    do espaço público.</p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Também as qualidades da honradez, integridade e decência perderam o significado    e a dimensão que tinham. Além de não haver vantagem em falar nelas, exibi-las    e reclamá-las, elas deixaram de ser notáveis e de conferir respeitabilidade    a quem as ostenta. Pelo contrário, os seus cultores são uns grandes tansos,    trouxas e idiotas.</p> </p>     <p>Antes havia conhecimento a menos e desejava-se saber mais. Aprendia-se com    esforço, disciplina, rigor e dificuldade; exigia-se muito e era custoso e árduo.    Hoje há saber acumulado, mas sumiu a necessidade de aprender tanto e de despender    energias com esse fim. Por isso veio em boa hora o Processo de Bolonha, para    fixar o que é útil e o que é dispensável e obrigar as Universidades a não ‘desperdiçar’    recursos com assuntos inconvenientes ao mercado. Em vez de ‘humanistas’ passamos    a ter ‘profissionais’ técnicos sem qualquer teor intelectual do que têm a dizer    ou fazer, idiotas avessos à dor e ao fastio de reflectir e aptos a aceitar e    seguir, sem pensar, o primeiro <i>condutor</i> que surgir. O perfil dos novos    quadros deve ser vazio de sonhos, ideais, utopias, causas humanas e universais.    Como disse Max Weber, numa antevisão deste tempo, chegou a hora dos “especialistas    sem espírito, sensualistas sem coração”. Mais ainda, continua o vaticínio, “esta    nulidade imagina haver atingido um nível de civilização nunca dantes alcançado”.</p>  </p>     <p>Vamos formar (?!) gente incapaz de fazer perguntas, de se interrogar, de ter    rebates e inquietações, dúvidas e perplexidades da consciência e da alma, de    levantar questões, de fundar argumentos e convicções, de reagir às manipulações    e perversões, de se indignar perante os agravos infligidos à sua e universal    humanidade. O futuro vai ser, pois, fácil e cómodo, sem as angústias e ansiedades    do presente, tranquilo, ledo e quedo como no melhor dos mundos. Não admira,    portanto, que no tocante a saudade me volte para o horizonte vindouro e queira    esquecer o passado que tanto trabalho e canseiras me deu.</p> &nbsp;</p> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>[<a href="#top1">1</a><a name="1"></a>] Este texto comporta, no essencial,    uma mensagem enviada aos membros do Senado da Universidade do Porto, em 9.10.2007,    acrescida de outros considerandos. </p>     <p>[<a href="#top2">2</a><a name="2"></a>] VIEIRA, António Bracinha: <i>Somos    todos escravos do Incaracterístico</i>. In: <i>Pública</i>, 18.11.2007.</p>     <p>[<a href="#top3">3</a><a name="3"></a>] SAMPAIO, Daniel: <i>A barbárie</i>.    In: <i>Pública</i>, 25.11.2007.</p></p>     <p> [<a href="#top4">4</a><a name="4"></a>] Democracia é o governo do povo, segundo    a etimologia grega do termo. Aqui a palavra surge separada para evidenciar o    poder do demo.</p> </p>      ]]></body>
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