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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Emoções, stress, ansiedade e coping: estudo qualitativo com atletas de elite]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The influence of psychological factors on athletes` sport performance is, in general, well documented. However, few investigations used a qualitative methodology, which gives a more detailed and profound perspective of athlete`s emotions and cognitions. In this sense, using a semi-structured interview with 11 Portuguese elite athletes from different sports, aged between 22 and 36 (M=30.64±4.84), the present study aimed to identify their major sources of stress and anxiety and the coping strategies they used in problematic and stressful situations, as well as to explore the role of other emotions, other than anxiety, in competitive performance. The results showed that: i) the major sources of stress were common to the different sports, and were related with the nature of competition, external pressures and the athletes` performance; ii) the athletes used several coping strategies simultaneously, usually adaptative, either problem or emotion-focused; iii) in addition to anxiety, there were other positive and negative emotions that influenced athletes` performance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Emo&ccedil;&otilde;es, stress, ansiedade e coping: estudo    qualitativo com atletas de elite</b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><b>Cl&aacute;udia Dias<sup>1</sup></b></p>     <p align="center"><b>Jos&eacute; Fernando Cruz<sup>2</sup></b></p>     <p align="center"><b>Ant&oacute;nio Manuel Fonseca<sup>1</sup></b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><sup>1</sup>Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal</p>     <p align="center"><sup>2</sup>Instituto de Educa&ccedil;&atilde; e Psicologia,    Universidade do Minho, Portugal</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A influ&ecirc;ncia dos factores e processos psicol&oacute;gicos no rendimento    desportivo dos atletas est&aacute;, de uma forma geral, amplamente demonstrada.    No entanto, poucas investiga&ccedil;&otilde;es recorreram a uma metodologia    qualitativa, a qual permite uma perspectiva mais detalhada e aprofundada das    emo&ccedil;&otilde;es e cogni&ccedil;&otilde;es dos atletas. Neste sentido,    recorrendo a uma entrevista semi-estruturada, a presente investiga&ccedil;&atilde;o    procurou, junto de 11 atletas portugueses de elite de v&aacute;rios desportos,    com idades compreendidas entre os 22 e os 36 anos (M=30.64±4.84), identificar    as suas principais fontes de stress e ansiedade e as estrat&eacute;gias de coping    a que recorriam em situa&ccedil;&otilde;es stressantes e/ou problem&aacute;ticas,    bem como explorar o papel de outras emo&ccedil;&otilde;es no seu desempenho    desportivo. Os resultados revelaram que: i) as principais fontes de stress estavam    relacionadas com aspectos ligados &agrave; natureza da competi&ccedil;&atilde;o,    press&otilde;es externas e ao seu pr&oacute;prios desempenho, sendo comuns a    diferentes modalidades; ii) os atletas recorriam a diversas estrat&eacute;gias    de coping em simult&acirc;neo, geralmente adaptativas, centradas na resolu&ccedil;&atilde;o    de problemas e/ou na gest&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es; e iii) para al&eacute;m    da ansiedade, outras emo&ccedil;&otilde;es, positivas e negativas, pareciam    influenciar o desempenho dos atletas.</p>     <p><b><i>Palavras-chave</i></b>: stress, ansiedade, coping, emo&ccedil;&otilde;es,    atletas de elite, investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Emotions, stress, anxiety and coping: A qualitative study with elite athletes</b></p>     <p>The influence of psychological factors on athletes` sport performance is,    in general, well documented. However, few investigations used a qualitative    methodology, which gives a more detailed and profound perspective of athlete`s    emotions and cognitions. In this sense, using a semi-structured interview with    11 Portuguese elite athletes from different sports, aged between 22 and 36 (M=30.64±4.84),    the present study aimed to identify their major sources&atilde;of stress and    anxiety and the coping strategies they used in problematic and stressful situations,    as well as to explore the role of other emotions, other than anxiety, in competitive    performance. The results showed that: i) the major sources&atilde;of stress    were common to the different sports, and were related with the nature of competition,    external pressures and the athletes` performance; ii) the athletes used several    coping strategies simultaneously, usually adaptative, either problem or emotion-focused;    iii) in addition to anxiety, there were other positive and negative emotions    that influenced athletes` performance<i>.</i></p>     <p><b><i>Key-words</i></b>: stress, anxiety, coping, emotions, elite athletes,    qualitative research</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, os m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o    qualitativa t&ecirc;m vindo a receber cada vez mais aten&ccedil;&atilde;o por    parte dos investigadores no dom&iacute;nio da psicologia do desporto<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>,<a href="#35">    35</a><a name="top35"></a>)</sup> devido ao facto de, em grande medida, fornecerem    uma perspectiva mais detalhada e aprofundada das emo&ccedil;&otilde;es e cogni&ccedil;&otilde;es    dos atletas, comparativamente aos m&eacute;todos quantitativos<sup>(<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>)</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por exemplo, o recurso a entrevistas, ao permitir que o sujeito descreva com    as suas pr&oacute;prias palavras&atilde;os eventos que ocorrem naturalmente    e o modo como se relacionam com as vari&aacute;veis em an&aacute;lise, proporciona    uma profundidade e riqueza de informa&ccedil;&atilde;o adicional que n&atilde;o    &eacute; conseguida com as medidas de auto-relato geralmente utilizadas em estudos    quantitativos, facilitando assim, naturalmente, uma melhor compreens&atilde;o    dos seus estados psicol&oacute;gicos. Desta forma, esta abordagem pode ser especialmente    &uacute;til na identifica&ccedil;&atilde;o de novas vari&aacute;veis e rela&ccedil;&otilde;es    em &aacute;reas n&atilde;o exploradas&atilde;ou na obten&ccedil;&atilde;o de    avalia&ccedil;&otilde;es exaustivas das emo&ccedil;&otilde;es e cogni&ccedil;&otilde;es    dos atletas<sup>(<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>)</sup>.</p>     <p>Neste contexto, diversos investigadores, enquanto advertem para o excesso de    confian&ccedil;a depositado na informa&ccedil;&atilde;o quantitativa, encorajam    o recurso a abordagens qualitativas na investiga&ccedil;&atilde;o de fen&oacute;menoss    relacionados com o rendimento e excel&ecirc;ncia desportiva. &Eacute; o caso,    por exemplo, da investiga&ccedil;&atilde;o da ansiedade competitiva e da sua    rela&ccedil;&atilde;o com o desempenho desportivo<sup>(e.g., <a href="#15">15</a><a name="top15"></a>,    <a href="#32">32</a><a name="top32"></a>)</sup>, ou do estudo das compet&ecirc;ncias    de <i>coping</i> utilizadas pelos atletas em situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas    e/ou <i>stressantes</i><sup>(e.g., <a href="#24">24</a><a name="top24"></a>)</sup>.</p>     <p>No que respeita &agrave; rela&ccedil;&atilde;o ansiedade- rendimento em particular,    Gould e Krane<sup>(<a href="#18">18</a>)</sup> enfatizaram de forma clara os    pontos fortes das entrevistas aprofundadas com atletas e advogaram que os investigadores    devem considerar seriamente tal abordagem, uma vez que os estudos quantitativos    realizados neste dom&iacute;nio compet&ecirc;ncias tendem a centrar-se unicamente    na identifica&ccedil;&atilde;o dos sintomas. Por outro lado, investiga&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m recorrido a metodologias qualitativas, nomeadamente entrevistas,    t&ecirc;m-se preocupado em identificar as causas/ fontes de ansiedade. De uma    forma geral, estas investiga&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m identificado um vasto    leque de fontes gerais de <i>stress</i>, incluindo padr&otilde;es de alto rendimento    baseados em exig&ecirc;ncias potenciais e ambientais, press&otilde;es de outros    significativos (familiares, treinadores, dirigentes, imprensa, etc.) e aspectos    relacionados com a natureza da competi&ccedil;&atilde;o e com a avalia&ccedil;&atilde;o    social<sup>(e.g., <a href="#15">15</a>, <a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,    <a href="#26">26</a><a name="top26"></a>, <a href="#33">33</a><a name="top33"></a>)</sup>.</p>     <p>Adicionalmente, os m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa    foram tamb&eacute;m preferidos por muitos investigadores para averiguarem as    estrat&eacute;gias de <i>coping</i> utilizadas pelos atletas no confronto com    situa&ccedil;&otilde;es <i>stressantes</i> e/ ou problem&aacute;ticas<sup>(e.g.,    <a href="#1">1</a><a name="top1"></a>, <a href="#15">15</a>, <a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,    <a href="#24">24</a>)</sup>. A este n&iacute;vel, n&atilde;o obstante alguns    estudos terem conclu&iacute;do que muitas das estrat&eacute;gias de <i>coping</i>    identificadas j&aacute; tinham sido descritas na literatura existente, nomeadamente    em estudos quantitativos, foram encontradas algumas estrat&eacute;gias espec&iacute;ficas    &agrave;s exig&ecirc;ncias e contexto da modalidade em quest&atilde;o<sup>(e.g.,    <a href="#24">24</a>)</sup>, as quais, por essa raz&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o    medidas pelos instrumentos geralmente usados para avaliar o <i>coping</i> no    desporto [e.g., <i>Ways of Coping Checklist</i><sup>(<a href="#6">6</a><a name="top6"></a>)</sup>;    COPE <i>Inventory</i><sup>(<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>)</sup>]. Nesta    medida, an&aacute;lises indutivas de entrevistas relacionadas com as estrat&eacute;gias    de <i>coping</i> usadas por atletas poder&atilde;o revelar estrat&eacute;gias    espec&iacute;ficas que surgem da sua interac&ccedil;&atilde;o com o ambiente    social e que, posteriormente, poder&atilde;o contribuir para o desenvolvimento    de instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o contextualmente sens&iacute;veis.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, &eacute; tamb&eacute;m importante salientar a import&acirc;ncia    crescente da explora&ccedil;&atilde;o do papel de outras emo&ccedil;&otilde;es,    para al&eacute;m da ansiedade, no rendimento dos atletas, um dom&iacute;nio    ainda muito pouco explorado na psicologia do desporto, especialmente a n&iacute;vel    nacional, e que tem suscitado, especialmente nos &uacute;ltimos anos, o interesse    de diversos investigadores<sup>(e.g., <a href="#7">7</a>, <a href="#19">19</a><a name="top19"></a>,    <a href="#21">21</a><a name="top21"></a>, <a href="#22">22</a><a name="top22"></a>,    <a href="#23">23</a><a name="top23"></a>, <a href="#30">30</a><a name="top30"></a>,    <a href="#31">31</a><a name="top31"></a>)</sup>. Com efeito, parece que a psicologia    do desporto come&ccedil;a a despertar para a ideia de que a investiga&ccedil;&atilde;o    centrada, isoladamente, na vari&aacute;vel da ansiedade, &eacute; insuficiente    para abranger as reac&ccedil;&otilde;ess emocionais dos atletas, come&ccedil;ando    a considerar-se &acute;&acute;a complexidade da vida emocional em contextos    desportivos``<sup>(<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>, p. 204)</sup>, por    exemplo no que se refere ao papel e influ&ecirc;ncia de outras emo&ccedil;&otilde;es    negativas e positivas (e.g., irrita&ccedil;&atilde;o/ raiva, felicidade/ alegria,    culpa, medo, vergonha) no desempenho desportivo. Neste contexto, uma an&aacute;lise    mais aprofundada desta tem&aacute;tica poder&aacute; promover uma compreens&atilde;o    mais aprofundada da influ&ecirc;ncia de diferentes emo&ccedil;&otilde;es no    rendimento e comportamento desportivo dos atletas; para al&eacute;m disso, poder&aacute;    contribuir para &acute;&acute;lan&ccedil;ar os alicerces`` para o futuro desenvolvimento    de instrumentos v&aacute;lidos para avaliar as emo&ccedil;&otilde;es no desporto.</p>     <p>Em suma, o presente estudo, ao recorrer a uma metodologia qualitativa, designadamente    a entrevista, pretendeu preencher algumas lacunas inerentes ao recurso a instrumentos    de auto-relato (decorrentes de uma abordagem predominantemente quantitativa),    procurando identificar, junto de atletas portugueses de elite, as principais    fontes de <i>stress</i> e ansiedade, as estrat&eacute;gias de <i>coping</i>    mais utilizadas e, ainda, as principais emo&ccedil;&otilde;es experienciadas.  </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></p>     <p><b>Sujeitos</b></p>     <p>Participaram neste estudo 11 atletas, 9 do sexo masculino e 2 do sexo feminino,    com idades compreendidas entre os 22 e os 36 anos (M=30.64±4.84), representando    v&aacute;rios desportos: t&eacute;nis (n=2), andebol (n=3), voleibol (n=2),    h—quei em patins (n=2), basquetebol (n=1) e atletismo (n=1).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atendendo aos objectivos deste estudo, foram considerados atletas que, durante    a sua carreira desportiva, tivessem obtido, pelo menos uma vez, uma classifica&ccedil;&atilde;o    entre o 1&ordm; e o 3&ordm; lugar em Campeonatos Internacionais (Europa, &Aacute;frica    ou Mundo) e/ ou uma classifica&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao 5&ordm; lugar    em Jogos Ol&iacute;mpicos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao t&eacute;nis (ao qual    n&atilde;o era poss&iacute;vel aplicar os crit&eacute;rios anteriormente referidos),    foram escolhidos atletas que estavam ou tinham estado classificados nas tabelas    internacionais da modalidade (i.e., <i>Women Tennis Association</i> e <i>Professional    Tennis Association</i>). </p>     <p><b>Instrumentos e procedimentos</b></p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo, os dados foram recolhidos atrav&eacute;s    de uma entrevista semi-estruturada e de resposta aberta, desenvolvida com base    no protocolo de entrevista de Taylor e Schneider<sup>(<a href="#34">34</a><a name="top34"></a>)</sup>.    O gui&atilde;o usado abrangia aspectos relacionados com: (i) fontes de <i>stress</i>    e ansiedade; (ii) estrat&eacute;gias de <i>coping</i>; e (iii); outras emo&ccedil;&otilde;es    (para al&eacute;m da ansiedade), com influ&ecirc;ncia no rendimento.</p>     <p>Em todas as entrevistas foi assegurada a confidencialidade e anonimato dos    dados e recebida autoriza&ccedil;&atilde;o para grava&ccedil;&atilde;o das mesmas.    As entrevistas realizaram-se em locais reservados (de forma a evitar influ&ecirc;ncia    de terceiros), tendo durado entre 90 e 120 minutos. No decorrer da entrevista,    a entrevistadora adoptou uma postura n&atilde;o cr&iacute;tica e n&atilde;o    avaliativa, intervindo apenas quando fosse estritamente necess&aacute;rio esclarecer    alguma afirma&ccedil;&atilde;o ou ponto de vista.</p>     <p><b>An&aacute;lise dos dados</b></p>     <p>A an&aacute;lise de conte&uacute;do foi efectuada de acordo com os procedimentos    sugeridos por especialistas em metodologia da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa    e da an&aacute;lise de conte&uacute;do dos mais variados contextos, incluindo    o desportivo<sup>(<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>, <a href="#17">17</a>,    <a href="#33">33</a>)</sup>. Esta an&aacute;lise qualitativa obedeceu ainda    a alguns princ&iacute;pios fundamentais, sendo realizada em quatro etapas sucessivas:    (i) transcri&ccedil;&atilde;o das entrevistas na sua totalidade; (ii) leitura    e an&aacute;lise cuidada (incluindo segunda e terceira leituras) das situa&ccedil;&otilde;es    descritas, por parte de um painel de cinco psic&oacute;logos do desporto, familiarizados    com este tipo de an&aacute;lise metodol&oacute;gica; (iii) identifica&ccedil;&atilde;o    e descri&ccedil;&atilde;o &acute;&acute;em bruto`` de temas espec&iacute;ficos    descritos pelos atletas; e (iv) an&aacute;lise indutiva dos temas identificados    pelo painel de ju&iacute;zes, posteriormente agrupados em dimens&otilde;es mais    globais. De salientar que esta an&aacute;lise indutiva permite que temas e dimens&otilde;es    gerais possam ser criados <i>a posteriori</i>, a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o    l&oacute;gico-sem&acirc;ntica do texto<sup>(<a href="#11">11</a>)</sup>.</p>     <p>Na primeira etapa, a transcri&ccedil;&atilde;o das entrevistas foi efectuada    de forma a reproduzir fielmente o discurso dos atletas, no sentido de tratar    e organizar as entrevistas, que se encontravam em estado bruto, para uma forma    coerente e l&oacute;gica.</p>     <p>Na segunda fase, as entrevistas foram sujeitas a uma leitura pr&eacute;via    que tinha por objectivo dar uma ideia global do que foi respondido, sendo posteriormente    realizadas segunda e terceira leituras, atentas e cuidadas. Pretendia-se, com    este procedimento, identificar significados e procurar uma coer&ecirc;ncia que    permitisse elaborar o racioc&iacute;nio e organizar as informa&ccedil;&otilde;es    fornecidas pelos participantes. Com base nestas leituras, foi poss&iacute;vel    realizar uma interpreta&ccedil;&atilde;o l&oacute;gico-sem&acirc;ntica do conte&uacute;do    das respostas, que permitiu identificar e/ ou descrever temas espec&iacute;ficos    que representavam situa&ccedil;&otilde;es ou resumos das principais ideias referidas    nas respostas.</p>     <p>Num &uacute;ltimo momento, fez-se o agrupamento dos temas espec&iacute;ficos    com significados id&ecirc;nticos em dimens&otilde;es mais gerais (em algumas    quest&otilde;es os sujeitos referiram mais do que uma dimens&atilde;o geral).    Como crit&eacute;rio de inclus&atilde;o de uma resposta numa dimens&atilde;o,    foi definida a obrigatoriedade de todos os psic&oacute;logos do desporto que    integravam o painel de investigadores assim o terem considerado. Nos casos em    que n&atilde;o existiu concord&acirc;ncia entre os membros do painel, a selec&ccedil;&atilde;o    da dimens&atilde;o na qual a resposta foi inclu&iacute;da foi efectuada a partir    de reflex&atilde;o conjunta, sendo as transcri&ccedil;&otilde;es reanalisadas    at&eacute; se chegar a um consenso. Neste caso, o ponto de vista da entrevistadora    foi considerado especialmente relevante nas discuss&otilde;es interpretativas,    na medida em que possu&iacute;a a vantagem de ter entrevistado e conversado    directamente com todos os participantes do estudo.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, importar&aacute; referir que a discuss&atilde;o dos resultados,    que a seguir se apresenta, foi realizada com base nas dimens&otilde;es gerais    definidas para cada uma das quatro quest&otilde;es colocadas aos atletas, com    o objectivo de fazer evidenciar as conclus&otilde;es mais significativas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O E DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</b></p>     <p><b>As principais fontes de stress e ansiedade</b></p>     <p>No que diz respeito &agrave;s fontes de <i>stress</i> e ansiedade competitiva    experienciadas pelos atletas, os resultados da an&aacute;lise qualitativa permitiram    identificar dez dimens&otilde;es gerais: (i) avalia&ccedil;&atilde;o social/    preocupa&ccedil;&otilde;es de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o; (ii) compara&ccedil;&atilde;o    com o advers&aacute;rio; (iii) factores extra-desportivos; (iv) falta de apoio    social; (v) n&atilde;o ter o desempenho esperado; (vi) natureza da competi&ccedil;&atilde;o;    (vii) percep&ccedil;&atilde;o de falta de prontid&atilde;o f&iacute;sica, t&eacute;cnica    e/ ou t&aacute;ctica; (viii) press&otilde;es externas; e (ix) outras (ver Quadro    1).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><i><b>Quadro 1</b></i>. <i><a></a>Dimens&otilde;es gerais e    temas espec&iacute;ficos das situa&ccedil;&otilde;es ou acontecimentos geradores    de elevados n&iacute;veis de </i>stress<i>, press&atilde;o ou ansiedade e frequ&ecirc;ncia    de atletas que as referem.</i></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rpcd/v9n1/9n1a02q1.gif" width="689" height="581"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As fontes de <i>stress</i> mais frequentemente assinaladas pelos atletas estavam    relacionadas com a &acute;natureza da competi&ccedil;&atilde;o`, &acute;press&otilde;es    externas` e &acute;n&atilde;o ter o desempenho esperado`, sendo tamb&eacute;m    assinalados com relativa frequ&ecirc;ncia os aspectos relacionados com a &acute;avalia&ccedil;&atilde;o    social/ preocupa&ccedil;&otilde;es de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o` e a &acute;compara&ccedil;&atilde;o    com o advers&aacute;rio`.</p>     <p>A dimens&atilde;o &acute;natureza da competi&ccedil;&atilde;o` inclu&iacute;a    aspectos associados &agrave; import&acirc;ncia, dificuldade, novidade e n&iacute;vel    competitivo, sendo a importância da competição a mais frequente assinalada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Agora, aquilo que me parecem ser as fontes mais importantes,    &eacute; a import&acirc;ncia do jogo, a import&acirc;ncia desportiva do jogo;    &eacute; um campeonato que se decide naquele momento, &eacute; defender uma    posi&ccedil;&atilde;o classificativa.</i>.....</p>     <p align="right">Atleta 2</p>     <p align="right"><i>O stress vem com a dificuldade , com jogos dif&iacute;ceis....</i></p>     <p align="right">Atleta 10</p>     <p align="right"><i>A import&acirc;ncia do jogo, tipo se for uma final de um torneio    importante....</i></p>     <p align="right">Atleta 4</p>     <p align="right"><i>Qualquer final, qualquer t&iacute;tulo que est&aacute; em    jogo, h&aacute; esse stress....</i></p>     <p align="right">Atleta 8</p>     <p align="right"><i>Todos os jogos que sejam a decidir, tipo final do Campeonato    do Mundo, final do Campeonato da Europa, s&atilde;o sempre os que sentimos mais    press&atilde;o....</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right">Atleta 3</p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="left">No que respeita &agrave;s &acute;press&otilde;es externas`, esta    dimens&atilde;o compreendia refer&ecirc;ncias a familiares, amigos, dirigentes,    treinadores, p&uacute;blico e imprensa, tendo alguns atletas referido a press&atilde;o    simult&acirc;nea de mais do que um destes grupos.</p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Eu acho que isso tudo junto acaba por causar alguma press&atilde;o.    Os amigos, a fam&iacute;lia, a imprensa....</i></p>     <p align="right">Atleta 11</p>     <p align="right"><i>.... das pessoas que convivem connosco....</i></p>     <p align="right">Atleta 3</p>     <p align="right"><i>... familiares talvez, tamb&eacute;m sinto um bocado, se forem    familiares que eu n&atilde;o estou habituada a que vejam os jogos, ou qualquer    coisa, tamb&eacute;m influencia.</i></p>     <p align="right">Atleta 4</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><i>...o treinador que esteja a ver</i>.....</p>     <p align="right">Atleta 4</p>     <p align="right" ><i>...quem esteja a ver, quem esteja a assistir ao jogo, tamb&eacute;m    pose uma fonte...pessoas...</i></p>     <p align="right">Atleta 2</p>     <p>&nbsp;</p>     <p></p>     <p align="left" >Na dimens&atilde;o &acute;n&atilde;o ter o desempenho esperado`    as afirma&ccedil;&otilde;es encontravam-se relacionadas com preocupa&ccedil;&otilde;es    em perder ou n&atilde;o ganhar, n&atilde;o atingir os objectivos desportivos    e com o rendimento de uma forma geral.</p>     <p align="right"><i>...a minha preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; como &eacute;    que vai decorrer o jogo.</i></p>     <p align="right">Atleta 9</p>     <p align="right"><i>...N&atilde;o ganhar, perdermos, n&atilde;o atingirmos os    objectivos...</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right">Atleta 3</p>     <p align="left">Saliente-se ainda a &#8216;avalia&ccedil;&atilde;o social/ preocupa&ccedil;&otilde;es    de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o&#8217;, uma dimens&atilde;o que abrangia    preocupa&ccedil;&otilde;es dos atletas em n&atilde;o decepcionar as outras pessoas,    especialmente outros significativos, e que se traduzia por preocupa&ccedil;&atilde;o    em estar &agrave; altura das expectativas e esperan&ccedil;as depositadas neles.  </p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Ou seja, &eacute; pensar: &#8220;Bem, n&atilde;o podemos fazer    isto, porque n&atilde;o podemos decepcionar este, este, este&#8230;&#8221; </i></p>     <p align="right">Atleta 8</p>     <p align="right"><i>As expectativas, talvez... As expectativas de muitas pessoas    em rela&ccedil;&atilde;o a mim sempre foi uma coisa que existiou ndesde muito    novo, sempre fui im bocado falado, que era prid&iacute;gio, tive resultados    muito, muito novo, portanto, desde 12 anos, 11, j&aacute;tinha resultados muito    bons, nos meus escal&otilde;es e, portanto, desde a&iacute; at&eacute; ao final    da minha carreira tive sempre esse r&oacute;tulo e quando jogava mal era sempre    o factor psicol&oacute;gico, que falhava. Era um r&oacute;tulo f&aacute;cil,    mas ... havia realmente v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es de tens&atilde;o</i>.</p>     <p align="right">Atleta 5</p>     <p align="right"><i>... no dia a seguir, as pessoas, por exemplo, no meu caso,    &agrave;s vezes tenho que me preocupar, embora n&atilde;o me preocupe muito    com o estatuto que tenho e que as pessoas esperam de mim determinada presta&ccedil;&atilde;o.    Isso tamb&eacute;m acaba por ser uma fonte de press&atilde;o, porque eu tamb&eacute;m    espero de mim, eu conquistei um estatuto, um estatuto social e um estatuto financeiro    dentro da equipa, que se n&atilde;o tiver o desempenho que as pessoas esperam    de mim, ponho em causa todo o estatuto que adquiri, isso &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    normal que existe no desporto e na vida, n&atilde;o &eacute;? Tu tens um emprego    A, adquires um certo estatuto financeiro, um certo estatuto na empresa, tens    que trabalhar para manter esse estatuto e n&oacute;s, como desportistas, passa-se    precisamente da mesma maneira, se poss&iacute;vel increment&aacute;-lo.</i></p>     <p align="right">Atleta 7</p>     <p>Finalmente, refira-se a import&acirc;ncia dada &agrave; &acute;compara&ccedil;&atilde;o    com o advers&aacute;rio`, um factor que se constitu&iacute;a como fonte de <i>stress</i>    e ansiedade quando os atletas sentiam que o oponente era superior a eles pr&oacute;prios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><i>Muitas vezes o </i>stress<i> &eacute; maior quando sentimos    alguma incapacidade perante o advers&aacute;rio</i>.</p>     <p align="right" >Atleta 2</p>     <p align="right"> .....<i>talvez o tipo de advers&aacute;ria, normalmente quando    eu jogo com advers&aacute;rias estrangeiras e que t&ecirc;m um melhor </i>:ranking<i>    que eu, eu vou sempre mais descontra&iacute;da, tipo, naquela: ``Vou dar o meu    m&aacute;ximo&acute;&acute;. Quando s&atilde;o advers&aacute;rias portuguesas    ou que t&ecirc;m pior </i>ranking <i>que eu, vou um bocado mais pressionada.</i>.</p>     <p align="right" >Atleta 4</p>     <p>As fontes de <i>stress</i> identificadas parecem assim ir de encontro a diversas    investiga&ccedil;&otilde;es de cariz qualitativo realizadas anteriormente neste    dom&iacute;nio por diversos investigadores<sup>(e.g., <a href="#1">1</a>, <a href="#17">17</a>,    <a href="#26">26</a>)</sup>.</p>     <p>Com efeito, num estudo de James e Collins<sup>(<a href="#26">26</a>)</sup>    com atletas de diversas modalidades, colectivas e individuais, as principais    fontes de <i>stress</i> referiam-se a press&otilde;es de outros significativos,    factores relacionados com a natureza da competi&ccedil;&atilde;o e preocupa&ccedil;&otilde;es    de avalia&ccedil;&atilde;o social e auto-apresenta&ccedil;&atilde;o. Paralelamente,    em estudos de Gould et al. com lutadores<sup>(<a href="#14">14</a>)</sup> e    patinadores de elite<sup>(<a href="#17">17</a>)</sup>, algumas das fontes de    <i>stress </i>mais citadas estavam relacionadas com expectativas e press&atilde;o    para um bom rendimento e exig&ecirc;ncias f&iacute;sicas, psicol&oacute;gicas    (<i>stress</i> competitivo e d&uacute;vidas sobre si pr&oacute;prios) e ambientais    (exig&ecirc;ncias temporais, dos <i >media</i> e <i>stress</i> financeiro) aos recursos do atleta. Por &uacute;ltimo,    investiga&ccedil;&otilde;es de Jones et al.<sup>(<a href="#27">27</a><a name="top27"></a>,    <a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup> mostraram a relev&acirc;ncia    da percep&ccedil;&atilde;o de prontid&atilde;o, da expectativa dos resultados,    da import&acirc;ncia da competi&ccedil;&atilde;o e dos factores ambientais.  </p>     <p>Ou seja, de uma forma geral, as fontes de <i>stress</i> reportadas em diferentes    investiga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consistentes com as fontes de <i>stress</i>    identificadas na presente investiga&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, a an&aacute;lise    dos dados sugeriu tamb&eacute;m a necessidade de se ter em linha de conta outras    fontes de <i >stress</i> e ansiedade relacionadas, por exemplo, com a percep&ccedil;&atilde;o    de falta de prepara&ccedil;&atilde;o para a competi&ccedil;&atilde;o, exig&ecirc;ncias    ambientais, falta de apoio social durante a competi&ccedil;&atilde;o, ou at&eacute;    com quest&otilde;es n&atilde;o directamente relacionadas com a competi&ccedil;&atilde;o,    como o facto de o clube ainda n&atilde;o ter renovado o contrato ao/&agrave;    atleta ou, ainda, problemas familiares e pessoais.</p>     <p><b >As estrat&eacute;gias de coping com o stress e a ansiedade</b></p>     <p>Relativamente &agrave;s estrat&eacute;gias de <i >coping</i> utilizadas em situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas e/ ou <i >stressantes</i>,    os resultados das an&aacute;lises &agrave;s respostas dos atletas, apresentados    no Quadro 2, permitiram identificar treze dimens&otilde;es principais: (i) aceita&ccedil;&atilde;o;    (ii) apoio emocional/ social; (iii) apoio instrumental; (iv) autocontrolo emocional/    redu&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o; (v) autoculpabiliza&ccedil;&atilde;o;    (vi) autodistrac&ccedil;&atilde;o; (vii) <i >coping</i> activo; (viii) <i >coping</i> confrontativo; (ix) desistir/ desinvestir; (x) isolamento; (xi) planeamento;    (xii) reavalia&ccedil;&atilde;o positiva da situa&ccedil;&atilde;o; e (xiii)    religi&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><i><b>Quadro 2</b>. Dimens&otilde;es gerais e temas espec&iacute;ficos    das estrat&eacute;gias de coping para lidar com    <br>   situa&ccedil;&otilde;es geradoras de stress, ansiedade ou press&atilde;o e frequ&ecirc;ncia    de atletas que as referem.</i></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rpcd/v9n1/9n1a02q2.gif" width="690" height="691"></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p>As estrat&eacute;gias de &acute;<i >coping</i> activo` e de &acute;reavalia&ccedil;&atilde;o positiva das situa&ccedil;&otilde;es`    pareciam ser as mais utilizadas pelos atletas, seguidas do &acute;planeamento`;    outra estrat&eacute;gia de <i >coping</i> psicol&oacute;gico tamb&eacute;m utilizada    com relativa frequ&ecirc;ncia dizia respeito &agrave; &acute;aceita&ccedil;&atilde;o`    das situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas.</p>     <p>Os atletas que recorriam ao &acute;<i >coping</i> activo` iniciavam ac&ccedil;&otilde;es directas para lidar com a situa&ccedil;&atilde;o    problem&aacute;tica, o que se traduzia num incremento do esfor&ccedil;o, ou    do trabalho, e na procura de solu&ccedil;&otilde;es alternativas; por outras    palavras, n&atilde;o desistiam de procurar resolver o problema.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">.... <i>vamos trabalhar aquilo que falhamos </i>(.....) <i>insistir    um bocadinho mais naquilo</i>...</p>     <p align="right">Atleta 10</p>     <p align="right"><i>...tenho    que trabalhar mais porque algo est&aacute; mal, tenho que melhorar porque algo    est&aacute; mal. &Agrave;s vezes n&atilde;o cumprimos com as directrizes ou    com os sistemas t&aacute;cticos que est&aacute;o definidos e o incumprimento    &agrave;s vezes leva a derrotas, muitas vezes</i>...</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right">Atleta 9</p>     <p align="right"><i>Tentar continuar a lutar, n&atilde;o sei... lutar, penso nisso,    continuar a lutar (....) &eacute; isso que eu penso; &acute;Vou tentar dar a    volta</i>...`</p>     <p align="right">Atleta 4</p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="left">O recurso ao &acute;planeamento`, por sua vez, envolvia a tentativa    de defini&ccedil;&atilde;o, perante um problema, de uma estrat&eacute;gia de    resolu&ccedil;&atilde;o para o mesmo.</p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Para que aconte&ccedil;a o que eu quero tenho que fazer isto,    isto, isto e isto; &quot;Tenho que focalizar este jogador assim e focar aquele    assim&quot;, ou seja., nos pensamentos antes</i>.</p>     <p align="right">Atleta 8</p>     <p align="right">...<i>tento pensar nos objectivos que eu tenho, tipo os objectivos    que eu quero atingir</i>.</p>     <p align="right">Atleta 4</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"> <i>...tento-me concentrar naquilo que ser&aacute; a minha tarefa    e a tarefa do grupo; dificuldades que eu possa eventualmente encontrar, tentar    pensar um pouco naquilo que eu terei que fazer no jogo</i>.</p>     <p align="right">Atleta 7</p>     <p>Geralmente,    os atletas que recorriam &agrave; &acute;reavalia&ccedil;&atilde;o positiva`    procuravam algo de bom e positivo no que estava a acontecer, isto &eacute;,    tentavam ver as situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas pelas quais estavam    a passar numa perspectiva diferente, de forma mais positiva. Para manter um    pensamento positivo, os atletas recorriam a diversas estrat&eacute;gias, entre    as quais o uso de verbaliza&ccedil;&otilde;es positivas ou visualiza&ccedil;&atilde;o    mental e recorda&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias anteriores positivas.</p>     <p align="right">...<i>&Eacute; um pouco isso, &eacute; ter o tal pensamento positivo.    Um m&eacute;dico amigo meu, a certa altura dizia-me assim: &quot;P&aacute;,    voc&ecirc;s pensam sempre que a garrafa est&aacute; meia vazia, mas ela n&atilde;o    est&aacute; meia vazia, ela est&aacute; meia cheia&quot;. Eu, na minha posi&ccedil;&atilde;o    particular, sou um finalizador, sou um &acute;ponta`. Eu sei que vou defrontar    um grande guarda-redes, e sei, por experi&ecirc;ncias anteriores, que falhei    remates... se eu me concentrar nos remates que falhei, n&atilde;o saio dali,    porque n&atilde;o encontro solu&ccedil;&otilde;es, porque falhei... Ele levantou    a perna ali e eu bati com a bola l&aacute;, ele fechou, etc.. Mas eu entretanto    penso desta forma: &acute;&acute;N&atilde;o, aten&ccedil;&atilde;o que eu j&aacute;    fiz isto, isto, isto e isto e deu..``; muitas vezes acontece-me isso. H&aacute;    guarda-redes com que tenho mais alguma dificuldade em finalizar, em ultrapass&aacute;-los    e ``jogo&acute;&acute; um pouco com essa situa&ccedil;&atilde;o: ``N&atilde;o,    calma, ent&atilde;o, eu falhei assim, mas tamb&eacute;m marquei assim, eu j&aacute;    marquei daquela forma... portanto, eu n&atilde;o sou incapaz do o fazer, vamos    l&aacute;!</i>&acute;&acute;</p>     <p align="right">Atleta 2</p>     <p align="right">...<i>Eu quando estou nervosa penso sempre positivo, penso para    mim, penso que n&atilde;o vou perder mais, que n&atilde;o vou perder com aquela,    e que vou ganhar e que isto &eacute; o meu campeonato; acho que penso positivo    quando estou nervosa. Tamb&eacute;m transpiro um bocadinho, mas &eacute; positivo,    tudo &eacute; positivo, acho que sim, &eacute; normal uma pessoa quando est&aacute;    stressada transpirar-se, acho eu, para mim &eacute;; principalmente das m&atilde;os,    transpiro mais das m&atilde;os quando estou stressada e fico fria; transpiro    e fico com frio</i>.</p>     <p align="right">Atleta 6</p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p>Um dado interessante prende-se com o facto de muitos atletas terem referido    que a &acute;aceita&ccedil;&atilde;o` da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica    ou <i >stressante</i> era, frequentemente, um &acute;ponto de partida` essencial    no processo de <i >coping</i>, na medida em que s&oacute; depois de aceitarem a situa&ccedil;&atilde;o    conseguiam, de alguma forma, tentar lidar com a mesma. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><i>Em rela&ccedil;&atilde;o aos anos que j&aacute; andamos a    jogar pode ser um defeito aceitar que as coisas acontecem, &acute;&acute;isto    acontece, est&aacute; a acontecer``; (....) pode ser um defeito, mas tamb&eacute;m    &eacute; uma forma de n&atilde;o ligar</i>...</p>     <p align="right">Atleta 2</p>     <p align="right"><i>P&aacute;ra um segundo e pensa: esse golo j&aacute; n&atilde;o    podes fazer nada, por muito mau que tenha sido, o maior frango que tenha sido,    esse golo ningu&eacute;m vai poder apag&aacute;-lo, esse golo est&aacute; no    marcador</i>:....</p>     <p align="right">Atleta 8</p>     <p>De uma forma geral, as estrat&eacute;gias de <i >coping</i> identificadas na    presente investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o congruentes n&atilde;o s&oacute;    com investiga&ccedil;&otilde;es de cariz mais quantitativo realizadas anteriormente<sup>(e.g.,    <a href="#2">2</a><a name="top2"></a>, <a href="#7">7</a>, <a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,    <a href="#20">20</a><a name="top20"></a>)</sup>, mas tamb&eacute;m com investiga&ccedil;&otilde;es    qualitativas desenvolvidas com atletas de elite<sup>(e.g., <a href="#2">2</a>,    <a href="#10">10</a><a name="top10"></a>, <a href="#15">15</a>, <a href="#16">16</a>,    <a href="#24">24</a>)</sup>.</p>     <p>Mais    concretamente, numa investiga&ccedil;&atilde;o realizada por Barbosa e Cruz<sup>(<a href="#2">2</a>)</sup>    com andebolistas portugueses, os autores conclu&iacute;ram que as estrat&eacute;gias    mais utilizadas eram a resolu&ccedil;&atilde;o planeada de problemas (um misto    de <i >coping</i> activo e planeamento) e a reavalia&ccedil;&atilde;o positiva    das situa&ccedil;&otilde;es. Paralelamente, no seu estudo com lutadores ol&iacute;mpicos    de luta livre, Gould et al.<sup>(<a href="#15">15</a>)</sup> tamb&eacute;m constataram    que aqueles atletas recorriam preferencialmente a estrat&eacute;gias activas    e de planeamento para lidarem com situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas.    Al&eacute;m disso, quer nesta investiga&ccedil;&atilde;o com lutadores, quer    num estudo posterior com patinadores<sup>(<a href="#16">16</a>)</sup>, os autores    constataram que uma das estrat&eacute;gias de <i >coping</i> utilizada por maior n&uacute;mero de sujeitos era a visualiza&ccedil;&atilde;o    mental, geralmente no &acirc;mbito da reavalia&ccedil;&atilde;o positiva das    situa&ccedil;&otilde;es. De forma similar, Dale<sup>(<a href="#10">10</a>)</sup>    verificou que a visualiza&ccedil;&atilde;o mental era uma das estrat&eacute;gias    mais referidas por atletas de decatlo para lidarem com distrac&ccedil;&otilde;es    e, posteriormente, Holt e Hogg<sup>(<a href="#24">24</a>)</sup> conclu&iacute;ram    que recordar desempenhos anteriores positivos ou usar verbaliza&ccedil;&otilde;es    positivas tamb&eacute;m se encontravam entre as estrat&eacute;gias preferidas    por jogadoras de futebol de elite para lidarem com exig&ecirc;ncias competitivas.</p>     <p>Em    suma, &agrave; semelhan&ccedil;a dos lutadores e patinadores<sup>(<a href="#15">15</a>,    <a href="#16">16</a>)</sup>, dos atletas de decatlo de Dale<sup>(<a href="#10">10</a>)</sup>,    das futebolistas de Holt e Hogg<sup>(<a href="#24">24</a>)</sup> e dos andebolistas    de Barbosa e Cruz<sup>(<a href="#2">2</a>)</sup>, os atletas deste estudo pareciam    ser muito eficazes na sua capacidade de recorrerem ao <i >coping</i> activo,    ao planeamento das situa&ccedil;&otilde;es e &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o    e reavalia&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es no sentido    de determinarem que necessitavam de alterar os seus pensamentos ou comportamentos    actuais para lidarem melhor com situa&ccedil;&otilde;es <i >stressantes</i> e/ ou problem&aacute;ticas.</p>     <p>Adicionalmente,    &agrave; semelhan&ccedil;a de investiga&ccedil;&otilde;es anteriores de Gould    et al.<sup>(<a href="#15">15</a>)</sup>, os atletas n&atilde;o recorriam unicamente    a estrat&eacute;gias que lhes permitissem lidar com o problema/ <i >stressor</i>, tentando tamb&eacute;m lidar com emo&ccedil;&otilde;es perturbadoras    geradas pela situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica. O apoio social, por    exemplo, era uma estrat&eacute;gia &agrave; qual os atletas participantes neste    estudo recorriam quer para regular as emo&ccedil;&otilde;es (e.g., conversar    com pessoas que os ajudavam a sentirem-se melhor) quer para tentar encontrar    uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema (e.g., procurar conselhos de outras    pessoas), o que, de resto, confirma a import&acirc;ncia dada &agrave; estrat&eacute;gia    de <i >coping</i> por diversos investigadores<sup>(e.g., <a href="#7">7</a>,    <a href="#16">16</a>, <a href="#30">30</a>)</sup>. Neste contexto, Folkman e    Lazarus<sup>(<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>)</sup> salientam o valor    do apoio social como uma importante estrat&eacute;gia de <i >coping</i> a ser    cultivada e conservada, podendo ser utilizada de forma distinta por diferentes    pessoas.</p>     <p>Al&eacute;m    disso, ao mostrarem que os atletas recorriam simultaneamente a mais do que uma    estrat&eacute;gia de <i >coping</i>, estes resultados v&atilde;o ao encontro do que foi alertado por Gould    et al.<sup>(<a href="#15">15</a>)</sup>, que, ao depararem-se com este dado    na anteriormente referida investiga&ccedil;&atilde;o com lutadores ol&iacute;mpicos,    sustentaram que &acute;&acute;<i >a observa&ccedil;&atilde;o de que os lutadores    identificam mais do que uma estrat&eacute;gia de coping &eacute; consistente    com a no&ccedil;&atilde;o de que o coping &eacute; um processo din&acirc;mico,    complexo``</i><sup>(<a href="#15">15</a>, pp. 86-87)</sup>.</p>     <p>Por    &uacute;ltimo, saliente-se que n&atilde;o obstante a maior parte das estrat&eacute;gias    identificadas ser positiva, houve tamb&eacute;m refer&ecirc;ncia a comportamentos    de <i >coping</i> teoricamente menos eficazes, um resultado que tamb&eacute;m    tinha sido evidente noutras investiga&ccedil;&otilde;es<sup>(e.g., <a href="#5">5</a><a name="top5"></a>)</sup>.    Assim, apesar de ter sido encorajador notar que a maioria das estrat&eacute;gias    de <i >coping</i> utilizadas pelos atletas de elite deste estudo era adaptativa    (e.g., <i >coping</i> activo, planeamento, reavalia&ccedil;&atilde;o positiva),    os comportamentos de <i >coping</i> desadaptativos identificados (e.g., <i >coping</i>    confrontativo, isolamento) sugerem que, mesmo com atletas de elite, devem ser    efectuados esfor&ccedil;os para educar e fornecer apoio psicol&oacute;gico a    atletas que recorrem a comportamentos de <i >coping</i> menos eficazes e potencialmente    desajustados ou inadequados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b >As    emo&ccedil;&otilde;es</b> </p>     <p>No quadro 3, s&atilde;o apresentadas as emo&ccedil;&otilde;es, para al&eacute;m    da ansiedade, que os atletas consideraram influenciar o seu rendimento, e que    incluem: (i) a felicidade-alegria/ bem-estar; (ii) a frustra&ccedil;&atilde;o;    (iii) a irrita&ccedil;&atilde;o/ raiva; (iv) o medo; (v) o orgulho; (vi) a tristeza;    e (vii) a vergonha. De todas estas emo&ccedil;&otilde;es, a &acute;irrita&ccedil;&atilde;o/raiva`    e a &acute;felicidade/alegria` foram referidas por mais atletas, sendo o &acute;medo`    mencionado por um n&uacute;mero mais reduzido de atletas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><i><b>Quadro 3</b>. Dimens&otilde;es gerais e temas espec&iacute;ficos    das emo&ccedil;&otilde;es e frequ&ecirc;ncia de atletas que as referem</i></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rpcd/v9n1/9n1a02q3.gif" width="689" height="362"></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p>Como se pode constatar nos exemplos seguintes, de um modo geral, os atletas    consideraram a &acute;vergonha`, o &acute;medo`, a &acute;tristeza` e a &acute;frustra&ccedil;&atilde;o`    negativos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Vergonha j&aacute; senti uma vez, fiquei c&aacute; para tr&aacute;s,    senti vergonha na prova x; foi a seguir ao outro Campeonato da Europa (...),    estavam &agrave; espera de mim uma coisa e saiu outra, senti vergonha porque    fiquei mesmo c&aacute; para tr&aacute;s e senti vergonha porque n&atilde;o lutei,    podia ao menos acabar, n&atilde;o dei o meu limite; foi uma prova mesmo... fui    para l&aacute;, comecei bem e depois desliguei do pelot&atilde;o e desliguei    de tudo, parecia que estava a passear l&aacute; nas ruas (...), s&oacute; para    acabar a prova...senti vergonha, &eacute; negativo</i>.</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 6</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><b></b><i>Foi um acumular de vergonha, uma frustra&ccedil;&atilde;o,    a vergonha por aquilo estar a decorrer da forma que estava a decorrer e estarmos    a perder com um advers&aacute;rio que nunca foi, nem &eacute;, nem ser&aacute;    mais forte do que n&oacute;s</i>...</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 2</b></p>     <p align="right"><b></b><i>&Eacute;</i> <i>medo, eu tenho muito medo, medo de    perder com portuguesas.</i></b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 6</b></p>     <p align="right"><b></b>...<i>medo de perder alguns jogos</i></b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 5</b></p>     <p align="right"><b></b><i>Durante a competi&ccedil;&atilde;o, pronto, o receio    &eacute; mais de uma pessoa continuar a falhar.</i>..</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 7</b></p>     <p align="right"><b></b><i>E uma pessoa est&aacute; triste... h&aacute; milhentas    situa&ccedil;&otilde;es que podem suceder, para ficarmos tristes: uma pessoa    ter um compromisso e saber que n&atilde;o o vai poder cumprir na sua vida; ter    um filho doente; uma pessoa zangar-se com a namorada, zangar-se com a mulher;    ter uma chatice com o pai; o pai doente, tanta coisa, n&atilde;o &eacute;? n&oacute;s    sofremos precisamente ... n&oacute;s somos humanos, n&atilde;o &eacute;? Todos    os problemas que um ser humano tem, no seu dia-a-dia no trabalho, um problema    com um colega, um problema com o patr&atilde;o, neste caso o treinador ou o    director; todo este tipo de situa&ccedil;&otilde;es podem influenciar negativamente    a situa&ccedil;&atilde;o. Eu j&aacute; tive, por exemplo, n&atilde;o tive assim    casos em que me sentisse triste derivado a um problema destes, s&oacute; relativamente,    pronto, a um problema de sa&uacute;de, ou sentir-me um pouco mais triste nesse    aspecto, felizmente eu nunca tive assim problemas com colegas, nem com treinadores,    nem com directores, mas sei de colegas que tiveram e, pronto, foi muito dif&iacute;cil,    tentei ser aquela m&atilde;o, dar incentivo, tentar modificar um pouco aquele    dia menos bom dessa pessoa; algumas vezes conseguia, outras vezes n&atilde;o    conseguia</i>.</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 7</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><b></b><i>De forma negativa, a frustra&ccedil;&atilde;o, estar    chateada, amuada e irritada, a irrita&ccedil;&atilde;o; come&ccedil;o a jogar    e as coisas n&atilde;o est&atilde;o a correr bem, normalmente o que eu sinto    mais &eacute; frustra&ccedil;&atilde;o, que &eacute; ainda pior, ainda piora    as coisas, frustra&ccedil;&atilde;o e estar negativa, estar sempre a dizer coisas    negativas e se n&atilde;o corre bem, em vez de tentar continuar, a mudar as    coisas...n&atilde;o deixar andar</i>.</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 4</b></p>     <p align="right"><b></b>Por outro lado, a &acute;irrita&ccedil;&atilde;o/ raiva`    foi considerada positiva por alguns atletas e negativa por outros.</b></p>     <p align="right"> <b></b><i>Agora, eu, por exemplo, gosto de estar irritado, gosto    de me enervar, gosto de me chatear, para mim &eacute; positivo; a pior coisa    e andar l&aacute; e aparentar c&aacute; para fora tranquilidade, &eacute; quando    eu estou pior, &eacute; quando me sinto pior</i>...</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 3</b></p>     <p align="right"><b></b><i>Eu (...) prefiro estar irritado (...), ou seja, prefiro    discutir com o &aacute;rbitro com um advers&aacute;rio entrar numa pequena zanga    num dado momento, isso n&atilde;o me tira da concentra&ccedil;&atilde;o. (...)    O irritar-me com um advers&aacute;rio n&atilde;o me tira da concentra&ccedil;&atilde;o,    discuto porque sei como estou a discutir e sei que me vai haver um cart&atilde;o    amarelo e acabar&aacute;, e acaba a coisa</i>.</b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 8</b></p>     <p align="right"><b></b>...<i>tinha muitas vezes raiva (...), sempre fui muito    agressivo, sou uma pessoa agressiva, não é violenta no mau sentido, mas sempre    fui muito temperamental. Havia alturas que aquilo se controlava mais ou menos,    mas havia alturas em que sa&iacute;a um bocado do controlo no jogo, mas nunca    fui uma pessoa com problemas ou falta de emo&ccedil;&otilde;es... nunca fui    (...), mas tinha muitas vezes raiva, depois &agrave;s vezes tinha que me irritar    um bocado...</i></b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 2</b></p>     <p align="right"><b></b>...<i>A irrita&ccedil;&atilde;o...s&oacute; fico irritada    durante a prova quando me d&atilde;o encontr&otilde;es, &eacute; mau porque    estraga logo tudo, eu n&atilde;o gosto de levar encontr&otilde;es durante a    prova, fico logo desconcentrada, sei l&aacute; ... </i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><b></b>Atleta 6</b></p>     <p align="right"><b></b>J&aacute; a &acute;felicidade/ alegria` era vista como    positiva e associada quer com alegria quer com bem-estar.</b></p>     <p align="right"><b></b><i>a alegria a jogar, prazer de estar a jogar (...), acho    que &eacute; isso. S&atilde;o positivas porque me ajudam a ganhar, o estar alegre...</i></b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 4</b></p>     <p><b></b>Por    &uacute;ltimo, &uacute;nico atleta que fez refer&ecirc;ncia ao &acute;orgulho`,    definiu esta emo&ccedil;&atilde;o de forma ambivalente, como uma &acute;espada    de dois gumes`.</b></p>     <p align="right"><b></b><i>O orgulho &eacute; bom por um lado e por outro n&atilde;o;    &eacute; mau porque vou sentir tamb&eacute;m mais press&atilde;o, porque as    pessoas v&atilde;o esperar mais de mim na prova a seguir; mas &eacute; bom porque    ``Campe&atilde;o da Europa e tal&acute;&acute;...&eacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o    boa, &eacute; fixe...</i></b></p>     <p align="right"><b></b>Atleta 6</b></p>     <p><b></b>Um    outro aspecto curioso que se pode ressaltar destes dados &eacute; que os atletas    atribu&iacute;ram relev&acirc;ncia a emo&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o foram    consideradas por Lazarus<sup>(<a href="#30">30</a>)</sup> na adapta&ccedil;&atilde;o    do seu modelo para o desporto, nomeadamente a tristeza, o medo e a frustra&ccedil;&atilde;o.    Este aspecto deve ser tido em considera&ccedil;&atilde;o em investiga&ccedil;&otilde;es    futuras, concretamente no que diz respeito &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica no dom&iacute;nio das emo&ccedil;&otilde;es    no contexto desportivo. </b></p>     <p><b></b>Paralelamente,    &eacute; tamb&eacute;m interessante constatar que emo&ccedil;&otilde;es como    a irrita&ccedil;&atilde;o/ raiva, geralmente consideradas negativas pela literatura    da especialidade<sup>(e.g., <a href="#23">23</a>)</sup>, nem sempre s&atilde;o    vistas dessa forma pelos atletas. Ali&aacute;s, parece que se passa com esta    emo&ccedil;&atilde;o o mesmo que acontece com a ansiedade, que uns atletas consideram    positiva e outros negativa. Em estudos futuros, ser&aacute; oportuno analisar    se esta percep&ccedil;&atilde;o estar&aacute; relacionada com estrat&eacute;gias    de <i >coping</i> e/ ou percep&ccedil;&atilde;o de controlo.</b></p>     <p><b></b>Por    outro lado, o facto da vergonha, a tristeza e o medo terem sido consistentemente    considerados negativos &eacute; um aspecto a n&atilde;o negligenciar em termos    pr&aacute;ticos &#8211; i.e., na interven&ccedil;&atilde;o com atletas &#8211;    nomeadamente no que respeita ao desenvolvimento de estrat&eacute;gias de <i >coping</i>    e gest&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es. O mesmo racioc&iacute;nio dever&aacute;    ser aplicado &agrave; euforia, referida como negativa devido ao seu poder de    provocar desconcentra&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante este facto necessitar    de ser comprovado em estudos futuros, esta refer&ecirc;ncia pode constituir    um alerta importante para t&eacute;cnicos e consultores a intervirem directamente    com atletas.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&Otilde;ES E IMPLICA&Ccedil;&Otilde;ES</b></b></p>     <p><b></b>A    presente investiga&ccedil;&atilde;o pretendia, recorrendo a entrevistas aprofundadas,    identificar as principais fontes de <i>stress</i> e estrat&eacute;gias de <i >coping</i>    a que atletas de elite recorriam em situa&ccedil;&otilde;es <i >stressantes</i>    e/ ou problem&aacute;ticas, bem como explorar o papel de outras emo&ccedil;&otilde;es    no seu desempenho desportivo.</b></p>     <p><b></b>A    metodologia escolhida justifica-se pela necessidade de se aprofundarem os estudos    de natureza quantitativa realizados anteriormente e, porque, nos &uacute;ltimos    anos, tem sido uma abordagem cada vez mais sugerida por alguns investigadores    no dom&iacute;nio da psicologia do desporto<sup>(e.g., <a href="#11">11</a>,    <a href="#15">15</a>, <a href="#16">16</a>)</sup>. Importa salientar, por&eacute;m,    que n&atilde;o obstante permitirem o acesso a informa&ccedil;&atilde;o dificilmente    conseguida de outra forma, as investiga&ccedil;&otilde;es qualitativas e, especificamente,    a compara&ccedil;&atilde;o dos resultados com outros estudos de cariz qualitativo,    tem limita&ccedil;&otilde;es. Com efeito, j&aacute; diversos investigadores    alertaram para que as compara&ccedil;&otilde;es entre estudos qualitativos,    apesar de necess&aacute;rias e desej&aacute;veis, devem ser realizadas com algum    cuidado, pois diferen&ccedil;as no paradigma da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa    ao n&iacute;vel das entrevistas, observa&ccedil;&otilde;es, natureza e limites    da amostra e abordagens metodol&oacute;gicas podem, em alguns casos, aumentar    a probabilidade de gerar respostas e categorias distintas<sup>(<a href="#16">16</a>,    <a href="#26">26</a>)</sup>. Por outro lado, como afirmaram Krane et al.<sup>(<a href="#29">29</a><a name="top29"></a>)</sup>,    &acute;&acute;esperar similaridade entre os investigadores qualitativos seria    uma &acute;codifica&ccedil;&atilde;o prematura` da &acute;forma correcta de    fazer trabalho qualitativo` ``<sup>(p. 217)</sup>. Todos estes aspectos sugerem    assim um cuidado e aten&ccedil;&atilde;o especiais na compara&ccedil;&atilde;o    dos resultados.</b></p>     <p><b></b>A    an&aacute;lise dos dados relacionados com as principais fontes de <i>stress</i>    e ansiedade experienciadas pelos sujeitos deste estudo permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o    de dimens&otilde;es gerais que eram, de uma forma geral, consistentes com investiga&ccedil;&otilde;es    anteriores neste dom&iacute;nio. al&eacute;m disso, apesar de os atletas estarem    envolvidos em diferentes modalidades, algumas fontes de <i>stress</i> eram partilhadas,    designadamente no que concerne &agrave; natureza da competi&ccedil;&atilde;o,    press&otilde;es externas ou a preocupa&ccedil;&atilde;o com o facto de n&atilde;o    terem o desempenho esperado.</b></p>     <p><b></b>No    que diz respeito &agrave;s estrat&eacute;gias de <i >coping</i>, a presente    investiga&ccedil;&atilde;o vem ao encontro de afirma&ccedil;&otilde;es de Folkman    e Lazarus<sup>(<a href="#12">12</a>)</sup> e Gould et al.<sup>(<a href="#15">15</a>,    <a href="#16">16</a>)</sup>, segundo os quais as estrat&eacute;gias de <i >coping</i>    n&atilde;o est&atilde;o limitadas a estrat&eacute;gias espec&iacute;ficas para    lidar com um <i >stressor</i> espec&iacute;fico. De facto, as an&aacute;lises    efectuadas mostraram que os sujeitos recorriam simultaneamente a diversas estrat&eacute;gias    de <i >coping</i> e n&atilde;o apenas a uma, podendo estas ser centradas na    resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e/ ou na gest&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es,    adaptativas e/ ou desadaptativas. Em concreto, os atletas recorriam principalmente    ao <i >coping</i> activo, &agrave; reavalia&ccedil;&atilde;o positiva e ao planeamento,    todas estrat&eacute;gias consideradas adaptativas, mas tamb&eacute;m referiram    o recurso a algumas estrat&eacute;gias desadaptativas (e.g., desistir/ desinvestir;    <i >coping</i> confrontativo).</b></p>     <p><b></b>Assim,    dado que este estudo sugere que os atletas de elite recorrem a um vasto leque    de estrat&eacute;gias de <i >coping</i>, consideramos ser interessante desenvolver estudos longitudinais que    possibilitem o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o entre as fontes    de <i>stress</i> e as estrat&eacute;gias de <i >coping</i> geralmente utilizadas para lidar com as mesmas. Por outro lado, parece    ser evidente a monitoriza&ccedil;&atilde;o de uma poss&iacute;vel natureza din&acirc;mica    das respostas de <i >coping</i> ao longo da &eacute;poca e a an&aacute;lise    da efic&aacute;cia de interven&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel do <i >coping</i>. V&aacute;rios autores<sup>(e.g., <a href="#15">15</a>, <a href="#16">16</a>,    <a href="#24">24</a>)</sup> sugeriram que, no desporto, os atletas podem usar    diferentes estrat&eacute;gias de <i >coping</i> em diferentes fases do ciclo    competitivo e de acordo com as exig&ecirc;ncias da situa&ccedil;&atilde;o, sendo    por isso recomendado que, futuramente, sejam conduzidos estudos longitudinais    em que tenham lugar m&uacute;ltiplas entrevistas ao longo da &eacute;poca ou    em m&uacute;ltiplas &eacute;pocas e em diferentes contextos de rendimento (e.g.,    competi&ccedil;&otilde;es f&aacute;ceis/ dif&iacute;ceis; les&otilde;es); desta    forma, as liga&ccedil;&otilde;es entre o uso de estrat&eacute;gias de <i >coping</i>, redu&ccedil;&atilde;o ou gest&atilde;o do <i>stress</i> e rendimento    podiam ser mais clarificadas. Adicionalmente, a realiza&ccedil;&atilde;o deste    g&eacute;nero de estudos qualitativos e longitudinais tamb&eacute;m poder&aacute;    ajudar os investigadores a ultrapassarem as limita&ccedil;&otilde;es de entrevistas    retrospectivas isoladas, nomeadamente no que respeita &agrave; precis&atilde;o    dos resultados recordados, ou &agrave; influ&ecirc;ncia dos resultados das competi&ccedil;&otilde;es    na recorda&ccedil;&atilde;o das percep&ccedil;&otilde;es de efic&aacute;cia    das estrat&eacute;gias utilizadas.</b></p>     <p><b></b>Por    outro lado, pelo menos uma das estrat&eacute;gias de <i >coping</i> reveladas    pelos atletas nas entrevistas realizadas (e.g., <i >coping</i> confrontativo)    n&atilde;o &eacute; especificamente medida por instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o    quantitativa, como o &eacute; o caso do <i >Brief</i> COPE <sup>(ver <a href="#3">3</a><a name="top3"></a>)</sup>.    Parecem assim justificar-se as advert&ecirc;ncias de Crocker et al.<sup>(<a href="#8">8</a><a name="top8"></a>)</sup>,    para os &acute;&acute;perigos`` dos principais instrumentos usados para medir    o <i >coping</i> no desporto n&atilde;o terem sido originalmente desenvolvidos    com popula&ccedil;&otilde;es desportivas e, consequentemente, n&atilde;o terem    em linha de conta outras estrat&eacute;gias de <i >coping</i> espec&iacute;ficas resultantes da interac&ccedil;&atilde;o dos atletas    com o seu ambiente social. Este dado poder&aacute; sugerir as potencialidades    do desenvolvimento de instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o do <i >coping</i> contextualmente sens&iacute;veis.</b></p>     <p><b></b>Uma outra &aacute;rea potencialmente importante para investiga&ccedil;&otilde;es    futuras diz respeito &agrave; an&aacute;lise de estrat&eacute;gias de <i >coping</i> espec&iacute;ficas em termos da sua (in)efic&aacute;cia. Com efeito,    Gould et al.<sup>(<a href="#15">15</a>)</sup> sugeriram que a estrat&eacute;gia    utilizada pode n&atilde;o ser t&atilde;o importante quanto a capacidade do atleta    para a iniciar e usar de forma autom&aacute;tica. Neste contexto, h&aacute;    tamb&eacute;m necessidade de se desenvolverem investiga&ccedil;&otilde;es sobre    a interven&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do ensino ou promo&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias de <i >coping</i>, com o prop&oacute;sito de ensinar,    aos atletas, estrat&eacute;gias associadas a um <i >coping</i> bem-sucedido (e, especialmente, fazer com que os atletas aprendam    essas estrat&eacute;gias de forma a que se tornem autom&aacute;ticas). Neste    sentido, compara&ccedil;&otilde;es de atletas sujeitos a interven&ccedil;&atilde;o    com outros inclu&iacute;dos em grupos de controlo permitir&atilde;o aos investigadores    identificar rela&ccedil;&otilde;es mais precisas entre o uso de estrat&eacute;gias    de <i >coping</i> e o rendimento. Em face da exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as individuais    nas respostas de <i >coping</i> dos atletas, torna-se tamb&eacute;m imperativo    que estas sejam analisadas de forma aprofundada.</b></p>     <p><b></b>Por outro lado, a percep&ccedil;&atilde;o de controlo pode constituir    um factor determinante no potencial efeito debilitativo ou facilitativo da ansiedade    no rendimento, pelo que entendemos que dever&aacute; ser um aspecto importante    a incluir em futuros estudos. Segundo Carver e Scheier<sup>(<a href="#4">4</a><a name="top4"></a>)</sup>,    se os indiv&iacute;duos se sentem no controlo de uma situa&ccedil;&atilde;o    problem&aacute;tica, ter&atilde;o expectativas positivas para lidar com a mesma    e atingirem os seus objectivos e, por isso, responder&atilde;o com uma focaliza&ccedil;&atilde;o    aumentada na tarefa (e.g., aumento do esfor&ccedil;o, maior persist&ecirc;ncia,    maiores n&iacute;veis de rendimento); em contrapartida, se percepcionam uma    incapacidade de se controlarem a si pr&oacute;prios ou ao seu ambiente, muito    provavelmente duvidar&atilde;o das suas capacidades de <i >coping</i>, o que    pode gerar ansiedade e consequente diminui&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o,    desviando o atleta da tarefa. O recurso a uma metodologia qualitativa para investigar    poss&iacute;veis rela&ccedil;&otilde;es entre a percep&ccedil;&atilde;o de controlo    e as estrat&eacute;gias de <i >coping</i> em situa&ccedil;&otilde;es elicitadoras    de ansiedade dever&aacute; ser, assim, um aspecto a contemplar futuramente.</b></p>     <p><b></b>Na    mesma linha, considerando que emo&ccedil;&otilde;es como a irrita&ccedil;&atilde;o/    raiva ou o orgulho assumiram, neste estudo, um papel amb&iacute;guo &#8211;    variando o seu valor e utilidade em fun&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o    e/ ou do indiv&iacute;duo &#8211; importar&aacute; tentar relacionar as emo&ccedil;&otilde;es    de atletas n&atilde;o s&oacute; com as estrat&eacute;gias de <i >coping</i>    (efic&aacute;cia, automaticidade), mas tamb&eacute;m com a percep&ccedil;&atilde;o    de controlo. Na presente investiga&ccedil;&atilde;o, foi evidente que os atletas    experimentavam diversos estados emocionais para al&eacute;m da ansiedade (e.g.,    irrita&ccedil;&atilde;o/ raiva, vergonha, felicidade, tristeza) e que o estudo    isolado desta emo&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser algo &acute;&acute;redutor``    se o que se pretende &eacute; promover o desempenho desportivo. Neste contexto,    esta linha de investiga&ccedil;&atilde;o poder&aacute; permitir compreender    melhor o papel de diferentes estados emocionais no desempenho desportivo &#8211;    um dom&iacute;nio sobre o qual, como foi anteriormente referido, o conhecimento    &eacute; ainda escasso &#8211; e, posteriormente, desenvolver programas de auto-regula&ccedil;&atilde;o    emocional que incluam n&atilde;o s&oacute; a ansiedade, mas tamb&eacute;m outras    emo&ccedil;&otilde;es.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b>Em suma, o presente estudo, recorrendo a uma metodologia qualitativa,    permitiu evidenciar a emerg&ecirc;ncia do importante papel que outras emo&ccedil;&otilde;es    e/ou reac&ccedil;&otilde;ess emocionais, para al&eacute;m da ansiedade, parecem    desempenhar e assumir na competi&ccedil;&atilde;o desportiva, refor&ccedil;ando    assim a necessidade de uma abordagem mais ampla e integradora neste dom&iacute;nio    de investiga&ccedil;&atilde;o. Na verdade, parece ser evidente que a compreens&atilde;o    do fen&oacute;menos da ansiedade, bem como de muitas outras emo&ccedil;&otilde;es,    porque surgem e actuam num contexto que por si s&oacute; &eacute; altamente    complexo e multifacetado, poder&aacute; ser melhorada se reconhecermos que ela(s)    integra(m) um sistema de m&uacute;ltiplas vari&aacute;veis interdependentes    (incluindo vari&aacute;veis pessoais e contextuais), devendo por isso ser consideradas,    desejavelmente, de forma combinada e/ ou em simult&acirc;neo.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AGRADECIMENTOS</b></b></p>     <p><b></b>Esta    investiga&ccedil;&atilde;o foi realizada com o apoio da Funda&ccedil;&atilde;o    para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia    e Ensino Superior), atrav&eacute;s da bolsa PRAXIS XXI/BD/20022/99.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b> </b></p>     <p><b></b><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Anshel MH, Wells B. (2000). Sources    of acute stress and coping styles in competitive sport. <i >Anxiety, Stress, and Coping: An International Journal</i> 13: 1-26.</b></p>     <!-- ref --><p><b></b><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>.    Barbosa LG, Cruz JF (1997). Estudo do <i >stress</i>, da ansiedade e das estrat&eacute;gias    de <i >coping</i> psicol&oacute;gico no andebol de alta competi&ccedil;&atilde;o.    <i >Psicologia: Teoria, investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica </i>2: 523-548</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=740869&pid=S1645-0523200900010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><b></b><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>.    Carver CS (1997). You want to measure coping but your protocol`s too long: Consider    the Brief Cope. <i >International Journal of Behavioral Medicine</i> 4(1): 92-100.</b></p>     <p><b></b><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>.    Carver CS, Scheier MF (1994). Situational coping and coping dispositions in    a stressful transaction. <i >Journal of Personality and Social Psychology </i>66:    184-195.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>.    Carver CS, Scheier MF, Weintraub JK. (1989). Assessing coping strategies: A    theoretically based approach. <i >Journal of Personality and Social Psychology</i>    56: 267-283.</b></p>     <p><b></b><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Crocker PR (1992). Managing stress    by competitive athletes: Ways of coping. <i >International Journal of Sport    Psychology</i> 23: 161-175.</b></p>     <p><b></b><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>.    Crocker PR, Graham TR (1995). Coping by competitive athletes with performance    stress: Gender differences and relationships with affect. <i >The Sport Psychologist</i></b></p>     <p><b></b><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>.    Crocker PR, Kowalski KC, Graham TR. (1998). Measurement of coping strategies    in sport. In: Duda JL (ed.). <i >Advances in sport and exercise psychology measurement</i>.</b></p>     <p><b></b><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>.    Cruz JF. (1996). <i >Stress, ansiedade e rendimento na competi&ccedil;&atilde;o    desportiva</i>. Braga: Centro de Estudos em Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia,    Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia, Universidade do Minho.</b></p>     <p><b></b><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>.    Dale GA. (2000). Distractions and coping strategies of elite decathletes during    their most memorable performances. <i >The Sport Psychologist</i> 14: 17-41.</b></p>     <p><b></b><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>.    Edwards T, Kingston K, Hardy L, Gould D. (2002). A qualitative analysis of catastrophic    performances and the associated thoughts, feelings and emotions. <i>The Sport    Psychologist </i>16: 1-19.</b></p>     <p><b></b><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>.    Folkman S, Lazarus RS (1985). If it changes it must be a process: Study of emotion    and coping during three stages of a college examination. <i >Journal of Personality    and Social Psychology </i>48, 150-170.</b></p>     <p><b></b><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>.    Giacobbi PR, Weinberg RS. (2000). An examination of coping in sport: Individual    trait anxiety differences and situational consistency. <i >The Sport Psychologist</i>    14: 42-62.</b></p>     <p><b></b><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>.    Gould D, Eklund RC, Jackson SA. (1992). 1988 U. S. Olympic wrestling excellence:    I. Mental preparation, precompetitive cognition, and affect. <i >The Sport Psychologist</i>    6: 358-382.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>.    Gould D, Eklund RC, Jackson SA (1993). Coping strategies used by U.S. Olympic    wrestlers. <i >Research Quarterly for Exercise and Sport</i> 64: 83-93.</b></p>     <p><b></b><a href="#top16">16</a><a name="16"></a>.    Gould D, Finch LM, Jackson SA (1993). Coping strategies used by national champion    figure skaters. <i >Research Quarterly for Exercise and Sport</i> 64: 453-468.</b></p>     <p><b></b><a href="#top17">17</a><a name="17" id="17"></a>. Gould D, Jackson SA,    Finch LM (1993). Sources of stress in national champion figure skaters. <i >The    Sport Psychologist</i> 7: 354-374.</b></p>     <p><b></b><a href="#top18">18</a><a name="18"></a>.    Gould D, Krane V (1992). The arousal-athletic performance relationship: Current    status and future directions. In: Horn TS (ed.). <i >Advances in psychology</i>.    Champaign IL: Human Kinetics, 119-141.</b></p>     <p><b></b><a href="#top19">19</a><a name="19"></a>. Gould D, Udry E (1994). The    psychology of knee injuries and injury rehabilitation. In: Griffin LY (ed.).    <i>Rehabilitation of the injured knee</i>. St. Louis MO: Mosby, 86-98.</b></p>     <p><b></b><a href="#top20">20</a><a name="20"></a>. Hammermeister J, Burton D    (2001). Stress, appraisal, and coping revisited: Examining the antecedents of    competitive state anxiety with endurance athletes. <i>The Sport Psychologist</i>    15: 66-90.</b></p>     <p><b></b><a href="#top21">21</a><a name="21"></a>.    Hanin YL (2000). Introduction: An individualized approach to emotion in sport.    In: Hanin YL (ed.). <i >Emotions in sport</i>. Champaign, IL: Human Kinetics,    ix-xii.</b></p>     <p><b></b><a href="#top22">22</a><a name="22"></a>.    Hanin YL (2000). Individual zones of optimal functioning (IZOF) model: Emotion-performance    relationships in sport. In: Hanin YL (ed.). <i>Emotions in sport</i>. Champaign,    IL: Human Kinetics, 65-89.</b></p>     <p><b></b><a href="#top23">23</a><a name="23"></a>.    Hanin YL 2000). Successful and poor performance and emotions. In: Hanin YL (ed.).    <i >Emotions in sport</i>. Champaign IL: Human Kinetics, 157-187.</b></p>     <p><b></b><a href="#top24">24</a><a name="24"></a>. Holt NL, Hogg JM (2002). Perceptions    of stress and coping during preparation for the 1999 women&acute;s soccer world    cup finals. <i >The Sport Psychologist </i>16: 251-271.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b><a href="#top25">25</a><a name="25"></a>.    Jackson S (1995). The growth of qualitative research in psychology. In: Morris    TW, Summers J (eds.). <i >Sport psychology: Theory, applications and issues</i>.    Milton QLD (Australia): Jacaranda Wiley, Ltd., 575-591.</b></p>     <p><b></b><a href="#top26">26</a><a name="26"></a>.    James B, Collins D (1997). Self-presentational sources of competitive stress    during performance. <i >Journal of Sport and Exercise Psychology </i>19: 17-35.</b></p>     <p><b></b><a href="#top27">27</a><a name="27"></a>. Jones G (1991). Recent developments    and current issues in competitive state anxiety research. <i >The Sport Psychologist</i>    4: 152-155.</b></p>     <p><b></b><a href="#top28">28</a><a name="28"></a>.    Jones G, Hardy L (1990). Stress in sport: Conceptual considerations and effects    upon performance. In: Jones G, Hardy L (eds.). <i >Stress and performance in    sport</i>. Chichester (UK): John Wiley &amp; Sons, Inc., 247-277.</b></p>     <p><b></b><a href="#top29">29</a><a name="29"></a>.    Krane V, Andersen MB, Strean WB (1997). Issues&atilde;of qualitative research    methods and presentation. <i >Journal of Sport and Exercise Psychology</i> 19:    213-218.</b></p>     <p><b></b><a href="#top30">30</a><a name="30"></a>.    Lazarus RS (2000). How emotions influence performance in competitive sports.    <i>The Sport Psychologist</i> 14: 229-252.</b></p>     <p><b></b><a href="#top31">31</a><a name="31"></a>.    Mellalieu SD, Hanton S, Jones G (2003).Emotional labeling and competitive anxiety    in preparation and competition. <i >The Sport Psychologist</i> 17: 157-174.</b></p>     <p><b></b><a href="#top32">32</a><a name="32"></a>.    Roberts GC, Treasure DC (1995). Achievement goals, motivational climate, and    achievement strategies and behaviours in sport. <i >International Journal of    Sport Psychology </i>26: 64-80.</b></p>     <p><b></b><a href="#top33">33</a><a name="33"></a>. Scanlan TK, Stein GL, Ravizza    K (1991). An in-depth study of former elite figure skaters: 3. Sources of stress.    <i >Journal of Sport and Exercise Psychology</i> 13: 103-120.</b></p>     <p><b></b><a href="#top34">34</a><a name="34"></a>.    Taylor J, Schneider BA (1992). The sport-clinical intake protocol: A comprehensive    interviewing instrument for sport. <i>Professional Psychology: Research and    Practice</i> 23: 318-325.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b><a href="#top35">35</a><a name="35"></a>. Weinberg R, Gould, D (1995).    <i >Foundations of sport and exercise psychology</i>. Champaign IL: Human Kinetics.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></p>     <p><b></b>Cl&aacute;udia Dias</p>     <p><b></b>Gabinete de Psicologia do Desporto</p>     <p><b></b>Faculdade de Desporto, Universidade do Porto</p>     <p><b></b>Rua Dr. Pl&aacute;cido Costa, 91</p>     <p><b></b>4200-450 Porto</p>     <p><b></b>Portugal</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:cdias@fade.up.pt">cdias@fade.up.pt</a></p>     ]]></body>
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<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
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<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[JF]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo do stress, da ansiedade e das estratégias de coping psicológico no andebol de alta competição.]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Teoria, investigação e Prática]]></source>
<year>1997</year>
<volume>2</volume>
<page-range>523-548</page-range></nlm-citation>
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