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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise do processo de instrução no treino de jovens: um estudo de caso no basquetebol]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this study was to describe the way a Brazilian youth basketball coach builds on his coaching program by inspecting the purposes he set for the coaching, the curricular model and the instructional strategies he adopted, and the knowledge he held about the learning characteristics of his players. The coach, who was purposefully selected for this case study, is a male with ten years of coaching experience and highly recognized for his competence in preparing young basketball players. Data were collected from systematic observation of video and audio records of the coaching sessions during a two weeks micro-cycle; and from formal and informal interviews, also including procedures of stimulated recall. Trustworthiness of descriptions and interpretations was sought by means of triangulation of data sources, participant checking, and researchers&#8217; use of audit trail. Results indicated that the coach&#8217;s instruction prized the players&#8217; understanding the tactical model of the game and the functional principles of play. In order to achieve these goals, the coach proceeded to simplify the game structure and used predominantly game-like tasks and questioning feedback. The high frequency of individualized interactions, the stress on thoughtfully engagement, and the focus on principles of play corroborate the idea of a coaching model oriented towards game understanding.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[desportos]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[educação física]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[teaching games]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>An&aacute;lise do processo de instru&ccedil;&atilde;o no    treino de jovens: um estudo de caso no basquetebol </b>      <p align="center"> </p>     <p align="center"><b>Valmor Ramos<sup>1</sup></b></p>     <p align="center"><b>Juarez Vieira do Nascimento<sup>1</sup></b></p>     <p align="center"><b>Am&acirc;ndio Gra&ccedil;a<sup>2</sup></b></p>     <p align="center"> </p>     <p align="center"><sup>1</sup>Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de e do Esporte    (CEFID), Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil</p>     <p align="center"><sup>2</sup>Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal  </p>     <p align="center">&nbsp; </p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objectivo deste estudo foi descrever a forma como um treinador representa    seu programa de treinamento na forma&ccedil;&atilde;o desportiva de jovens,    relativamente aos prop&oacute;sitos, &agrave;s estrat&eacute;gias, aos modelos    curriculares e &agrave;s aprendizagens dos jogadores. Realizou-se estudo de    caso com um treinador de basquetebol que possu&iacute;a dez anos de experi&ecirc;ncia    e reconhecida compet&ecirc;ncia no &acirc;mbito da forma&ccedil;&atilde;o de    jogadores de basquetebol. Os dados foram colectados a partir da observa&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica com grava&ccedil;&atilde;o de imagem e &aacute;udio de um    microciclo de treino, entrevistas formais e informais e procedimentos de estimula&ccedil;&atilde;o    de mem&oacute;ria. A credibilidade das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es    foi obtida por meio da triangula&ccedil;&atilde;o das fontes de dados, da confirma&ccedil;&atilde;o    das informa&ccedil;&otilde;es pelo treinador e da supervis&atilde;o pelos investigadores    especialistas nesta &aacute;rea. Os resultados indicam que a instru&ccedil;&atilde;o    do treinador conduzia os jovens a compreender o modelo t&aacute;ctico de jogo    e os princ&iacute;pios funcionais do jogo. Para tanto, simplificava a estrutura    do jogo do basquetebol e utilizava, preponderantemente, tarefas de aprendizagem    do tipo formas jogadas e feedback interrogativo. As tentativas frequentes de    individualizar a aprendizagem, estimulando o engajamento consciente e a aten&ccedil;&atilde;o    aos princ&iacute;pios funcionais, refor&ccedil;am a ideia de que o treinador    se aproxima de um modelo de instru&ccedil;&atilde;o voltado &agrave; compreens&atilde;o.  </p>     <p><i><b>Palavras-chave</b>:</i> desportos, basquetebol, educa&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica, treinamento</p>     <p>&nbsp;</p>     <p></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Analysis of the coaching instruction in the youth sport training: a case    study in basketball</b></p>     <p> </p>     <p>The purpose of this study was to describe the way a Brazilian youth basketball    coach builds on his coaching program by inspecting the purposes he set for the    coaching, the curricular model and the instructional strategies he adopted,    and the knowledge he held about the learning characteristics of his players.</p>     <p>The coach, who was purposefully selected for this case study, is a male with    ten years of coaching experience and highly recognized for his competence in    preparing young basketball players. Data were collected from systematic observation    of video and audio records of the coaching sessions during a two weeks micro-cycle;    and from formal and informal interviews, also including procedures of stimulated    recall. Trustworthiness of descriptions and interpretations was sought by means    of triangulation of data sources, participant checking, and researchers&#8217;    use of audit trail. Results indicated that the coach&#8217;s instruction prized    the players&#8217; understanding the tactical model of the game and the functional    principles of play. In order to achieve these goals, the coach proceeded to    simplify the game structure and used predominantly game&#8211;like tasks and    questioning feedback. The high frequency of individualized interactions, the    stress on thoughtfully engagement, and the focus on principles of play corroborate    the idea of a coaching model oriented towards game understanding.</p>     <p><b><i>Key-words</i></b><i>:</i> sports, basketball, coaching, teaching games  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p></p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Ao longo dos anos, v&aacute;rios pa&iacute;ses t&ecirc;m desenvolvido programas    espec&iacute;ficos para a forma&ccedil;&atilde;o de treinadores desportivos.    Tais programas s&atilde;o operacionalizados, basicamente, a partir em um conjunto    de conhecimentos formais ou te&oacute;ricos, organizados por n&iacute;veis de    progress&atilde;o bem determinados(<a href="#66">66</a>,<a name="top66"></a>    <a href="#69">69</a>)<a name="top69"></a>. No entanto, algumas investiga&ccedil;&otilde;es    recentes, realizadas especialmente para esclarecer a forma como treinadores    de sucesso desenvolvem o seu conhecimento profissional, t&ecirc;m questionado    a centralidade destes programas, bem como destacado a import&acirc;ncia do conhecimento    pr&aacute;tico para a forma&ccedil;&atilde;o(<a href="#44">44</a>,<a name="top44"></a>    <a href="#66">66</a>). </p>     <p>De fato, o treinamento desportivo &eacute; uma actividade profissional que    requer do treinador o dom&iacute;nio de um tipo espec&iacute;fico de conhecimento    ou a associa&ccedil;&atilde;o de conhecimentos formais e informais, do qual    os programas de forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem mais prescindir(<a href="#46">46</a>)<a name="top46"></a>.    &Eacute; um conhecimento obtido por meio da experi&ecirc;ncia e tamb&eacute;m    de um processo cont&iacute;nuo de reflex&atilde;o(<a href="#28">28</a>,<a name="top28"></a>    <a href="#30">30</a>,<a name="top30"></a> <a href="#32">32</a>)<a name="top32"></a>,    que permite ao treinador lidar com as situa&ccedil;&otilde;es cotidianas complexas,    de natureza interpessoal, e que envolve quase sempre valores e significados    de pr&aacute;tica muito particulares(<a href="#22">22</a>)<a name="top22"></a>.  </p>     <p>Um aspecto a destacar &eacute; que a tem&aacute;tica do conhecimento do treinador    constitui uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o em expans&atilde;o, a qual    tem privilegiado o estudo das caracter&iacute;sticas do conhecimento pr&aacute;tico    de treinadores &#8220;experts&#8221;. Al&eacute;m disso, as pesquisas emp&iacute;ricas    tem buscado a descri&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de modelos conceituais    de actua&ccedil;&atilde;o, com o prop&oacute;sito de aperfei&ccedil;oar os processos    de forma&ccedil;&atilde;o de treinadores(<a href="#2">2</a>,<a name="top2"></a>    <a href="#20">20</a>,<a name="top20"></a> <a href="#23">23</a>,<a name="top23"></a>    <a href="#40">40</a>)<a name="top40"></a>. Na actualidade, as principais contribui&ccedil;&otilde;es    nesta linha de investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o representadas pelos estudos    de Abraham et al.(<a href="#2">2</a>); C&ocirc;t&eacute; et al.(<a href="#20">20</a>);    Chelladurai(<a href="#17">17</a>)<a name="top17"></a>; Cushion et al.(<a href="#23">23</a>);    d&#8217;Arripe-Longueville et al.(<a href="#24">24</a>)<a name="top24"></a>.  </p>     <p>Ao estudar a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica de professores, Grossman(<a href="#37">37</a>)<a name="top37"></a>    elaborou um modelo heur&iacute;stico que tem sido utilizado em diversas &aacute;reas    para descrever e explicar a forma como os professores operacionalizam o seu    ensino, nomeadamente o Conhecimento Pedag&oacute;gico do Conte&uacute;do (PCK).    Este modelo tem sido utilizado tamb&eacute;m como ponto de partida para investigar    e compreender a maneira como treinadores realizam o seu trabalho, tanto de treinadores    ou instrutores &#8220;experts&#8221; de h&oacute;quei no gelo(<a href="#31">31</a>)<a name="top31"></a>,    de golfe(<a href="#8">8</a>)<a name="top8"></a>, de voleibol(<a href="#4">4</a>)<a name="top4"></a>,    quanto de treinadores na forma&ccedil;&atilde;o vinculados &agrave; modalidade    de basquetebol(<a href="#43">43</a>)<a name="top43"></a>.</p>     <p>Nesta perspectiva, o objectivo deste estudo foi descrever a forma com um treinador    de jovens no basquetebol concebe e articula os componentes relacionados &agrave;    execu&ccedil;&atilde;o do seu treino, nomeadamente os prop&oacute;sitos para    o treino; a estrutura e sequ&ecirc;ncia que desenvolve o seu conte&uacute;do;    a avalia&ccedil;&atilde;o das necessidades, interesses e particularidades dos    jogadores; a natureza das tarefas e as estrat&eacute;gias empregadas para obter    a aprendizagem, motiva&ccedil;&atilde;o e rendimento.</p>     <p>Para atender aos objectivos do estudo e permitir uma interpreta&ccedil;&atilde;o    adequada a respeito do estudo de caso, s&atilde;o fornecidas informa&ccedil;&otilde;es    complementares a respeito da biografia do treinador, como ele descreve a sua    traject&oacute;ria profissional e formativa e, por &uacute;ltimo, as principais    caracter&iacute;sticas do seu modo particular de trabalho na forma&ccedil;&atilde;o    de jogadores de basquetebol, evidenciadas durante um per&iacute;odo espec&iacute;fico    (corte transversal) do seu trabalho anual. </p>     <p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Material e M&eacute;todos</b></p>     <p><b>O m&eacute;todo</b></p>     <p> Para responder &agrave;s quest&otilde;es norteadoras deste estudo, o m&eacute;todo    adoptado foi de uma pesquisa qualitativa. Acredita-se que o uso do termo qualitativo    para caracterizar o m&eacute;todo de investiga&ccedil;&atilde;o seja o mais    representativo diante da diversidade de denomina&ccedil;&otilde;es das pr&aacute;ticas    investigativas desta natureza encontradas na literatura(<a href="#45">45</a>)<a name="top45"></a>.    Trata-se de uma denomina&ccedil;&atilde;o mais ampla e agregadora que contempla    um conjunto de m&uacute;ltiplas metodologias com procedimentos comuns e complementares    entre si, &uacute;teis para se chegar a resolu&ccedil;&atilde;o de um problema    de pesquisa(<a href="#25">25</a>)<a name="top25"></a>. Na Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica, as pesquisas de natureza qualitativa t&ecirc;m experimentado    um aumento gradativo a partir da d&eacute;cada de 1980(<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>,    <a href="#34">34</a><a name="top34"></a>, <a href="#59">59</a>)<a name="top59"></a>,    assim como nas pesquisas a respeito do treinador(<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,    <a href="#30">30</a>)<a name="top30"></a>. A investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa,    de acordo com Bogdan e Biklen(<a href="#10">10</a>)<a name="top10"></a>, caracteriza-se    pelo seu car&aacute;cter descritivo e interpretativo, onde os dados s&atilde;o    analisados principalmente de forma indutiva e os significados pessoais que as    pessoas atribuem &agrave;s suas vidas s&atilde;o fundamentais. Al&eacute;m da    fonte directa de dados ser o ambiente natural e o investigador ser o instrumento    principal de pesquisa, h&aacute; um interesse maior no processo gerador do que    nos resultados ou produtos gerados.</p>     <p>Para examinar em profundidade, de forma detalhada e &#8220;holisticamente&#8221;    um indiv&iacute;duo em contexto(<a href="#52">52</a>)<a name="top52"></a>,    realizou-se um estudo de caso qualitativo. Nesta investiga&ccedil;&atilde;o    em particular, o estudo de caso pode ser classificado tamb&eacute;m como do    tipo interpretativo(<a href="#63">63</a>)<a name="top63"></a>.</p>     <p>A selec&ccedil;&atilde;o do sujeito foi realizada a partir de indicadores de    qualidade profissional, definidos por crit&eacute;rios objectivos (registos,    relat&oacute;rios de federa&ccedil;&atilde;o desportiva) e subjectivos (consulta    a profissionais, dirigentes e treinadores) relativamente &agrave; reputa&ccedil;&atilde;o    profissional(<a href="#33">33</a>)<a name="top33"></a> e ao tempo de experi&ecirc;ncia    de pr&aacute;tica(<a href="#9">9</a>)<a name="top9"></a>. O treinador investigado    obteve, nos &uacute;ltimos cinco anos, bons n&iacute;veis de performance ou    classifica&ccedil;&atilde;o em competi&ccedil;&otilde;es oficiais; desfruta    de reconhecimento de treinadores e dirigentes a respeito de seu conhecimento    e contribui&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de jogadores no basquetebol;    est&aacute; associado a um n&uacute;cleo importante e tradicional de forma&ccedil;&atilde;o    de jovens jogadores de basquetebol; possui um m&iacute;nimo de experi&ecirc;ncia    de pr&aacute;tica profissional de 10 anos no ensino do basquetebol; expressou    disponibilidade e motiva&ccedil;&atilde;o para participar do estudo.</p>     <p> </p>     <p><b>O modelo adoptado</b></p>     <p>Os resultados foram analisados a partir da estrutura do Conhecimento Pedag&oacute;gico    do Conte&uacute;do (PCK) elaborada por Grossman(<a href="#37">37</a>). Os componentes    b&aacute;sicos do PCK s&atilde;o o conhecimento dos prop&oacute;sitos para o    ensino do conte&uacute;do, o conhecimento curricular do conte&uacute;do, o conhecimento    das estrat&eacute;gias e o conhecimento do professor a respeito das concep&ccedil;&otilde;es    e dificuldades das aprendizagens dos alunos. </p>     <p>O conceito conhecimento pedag&oacute;gico do conte&uacute;do denota uma categoria    particular de conhecimento, emergente das transforma&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas    que o professor realiza no conte&uacute;do da sua disciplina com o objectivo    de tornar a mat&eacute;ria que ensina compreens&iacute;vel para os alunos(<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,    <a href="#34">34</a>, <a href="#35">35</a><a name="top35"></a>, <a href="#37">37</a>,    <a href="#58">58</a><a name="top58"></a>). No caso espec&iacute;fico desta investiga&ccedil;&atilde;o,    ele abrange as transforma&ccedil;&otilde;es que o treinador realiza para implementar    o seu programa de treino.</p>     <p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Os procedimentos de recolha e an&aacute;lise dos dados</b></p>     <p>Para obter o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&otilde;es a respeito do processo    de treino deste treinador, foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas; observa&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica das sess&otilde;es; an&aacute;lise de documentos e anota&ccedil;&otilde;es    pessoais; e procedimentos de estimula&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria.</p>     <p>Os instrumentos utilizados na colecta de dados foram: dois roteiros de entrevistas    semi-estruturadas. O primeiro roteiro foi aplicado para identificar dados biogr&aacute;ficos,    fontes de conhecimento, prop&oacute;sitos para o ensino, organiza&ccedil;&atilde;o    do conte&uacute;do e estrat&eacute;gias de ensino. O segundo roteiro foi aplicado    no final do micro ciclo observado, para identificar a forma como o treinador    avaliou a aprendizagem dos atletas. As informa&ccedil;&otilde;es contidas nas    entrevistas foram captadas e gravadas com gravador digital e foram transcritas    com aux&iacute;lio de editor de texto. Foram utilizados tamb&eacute;m entrevistas    recorrentes ou entrevistas ao in&iacute;cio e ao final de cada sess&atilde;o    de treino, no sentido de verificar de forma pormenorizada como estas avalia&ccedil;&otilde;es    e altera&ccedil;&otilde;es curriculares ocorreram.</p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica do treino foi realizada, por    um dos pesquisadores, nos locais onde o treinador desenvolvia suas actividades    quotidianas durante um micro ciclo de treino ou quatro sess&otilde;es consecutivas,    sugeridas pelo pr&oacute;prio treinador. Estas sess&otilde;es tamb&eacute;m    foram gravadas em v&iacute;deo e &aacute;udio. O comportamento verbal do treinador    foi captado por meio de microfone sem fio, de lapela, preso ao treinador, com    receptor acoplado &agrave; filmadora digital. A c&acirc;mara permaneceu fixada    o mais distante poss&iacute;vel do investigado, na tentativa de diminuir o n&iacute;vel    de interfer&ecirc;ncia e espontaneidade nas ac&ccedil;&otilde;es de atletas    e treinador. A focaliza&ccedil;&atilde;o da amplitude total da quadra foi privilegiada    e o pesquisador manteve-se numa posi&ccedil;&atilde;o fixa, pr&oacute;xima da    c&acirc;mara. Os dados registados em v&iacute;deo e &aacute;udio digitais foram    armazenados em microcomputador. Posteriormente, todas as interven&ccedil;&otilde;es    do treinador foram transcritas com o aux&iacute;lio do editor de texto. Os documentos    referentes ao planeamento de treino foram utilizados como fonte complementar    de informa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A &uacute;ltima etapa de recolha de dados compreendeu os procedimentos de estimula&ccedil;&atilde;o    de mem&oacute;ria. Tais procedimentos consistiram na reprodu&ccedil;&atilde;o    de imagens de v&iacute;deo e &aacute;udio dos comportamentos gravados de uma    das sess&otilde;es do pr&oacute;prio treinador investigado (seleccionada pelo    pr&oacute;prio), para que ele explicasse as decis&otilde;es e ac&ccedil;&otilde;es    realizadas no treino(<a href="#47">47</a><a name="top47"></a>, <a href="#68">68</a><a name="top68"></a>).    Igualmente, os coment&aacute;rios do treinador foram armazenados por meio de    gravador digital e transcritos para editor de texto.</p>     <p>No in&iacute;cio da colecta de dados, o participante do estudo foi informado    a respeito dos objectivos da investiga&ccedil;&atilde;o e assinou o termo de    consentimento livre e esclarecido, autorizando a grava&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o    dos resultados. Al&eacute;m disso, o projecto foi aprovado por Comit&ecirc;    de &Eacute;tica em Pesquisa com Seres Humanos em uma universidade p&uacute;blica    em Santa Catarina-Brasil (projeto n&ordm;180/2006). </p>     <p>Na an&aacute;lise dos dados utilizou-se a estrat&eacute;gia de triangula&ccedil;&atilde;o    de tr&ecirc;s principais fontes de informa&ccedil;&atilde;o. A observa&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica de treino constituiu a principal fonte para identificar os    conte&uacute;dos e as estrat&eacute;gias utilizadas. Os dados das entrevistas    serviram prioritariamente para identificar os dados biogr&aacute;ficos e prop&oacute;sitos    de treino. Contudo, os dados das tr&ecirc;s fontes foram constantemente confrontados    para identificar pontos comuns ou divergentes a respeito do conhecimento do    treinador referenciados ao modelo te&oacute;rico de an&aacute;lise. Para o agrupamento    e organiza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave;s    categorias de an&aacute;lise, previamente estabelecidas, utilizou-se o programa    QSR N.vivo, vers&atilde;o 2.0. </p>     <p>Al&eacute;m da triangula&ccedil;&atilde;o, foram empregados os procedimentos    de checagem pelo participante e questionamento pelos pares(<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,    <a href="#5">5</a><a name="top5"></a>, <a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,    <a href="#65">65</a><a name="top65"></a>, <a href="#70">70</a><a name="top70"></a>),    para assegurar a validade descritiva e interpretativa dos dados. Ainda, para    preservar o anonimato do treinador adoptou-se o nome fict&iacute;cio Fernando.</p>     <p> </p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Quem &eacute; Fernando</b></p>     <p>Fernando nasceu no Estado de Santa Catarina no ano de 1979. Graduado em Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica e com cerca de 10 anos de experi&ecirc;ncia como treinador na    forma&ccedil;&atilde;o de jogadores, possu&iacute;a tamb&eacute;m especializa&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea de desenvolvimento infantil e estava cursando disciplinas no    curso de mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica. No momento da colecta    de dados estava desenvolvendo suas actividades profissionais em uma escola da    rede privada de ensino que engloba uma associa&ccedil;&atilde;o desportiva e    um complexo educacional voltado para a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica    e universit&aacute;ria, dentre as quais inclui-se a Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica. Diariamente, seu tempo de actividade profissional se dividia    entre o ensino da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica para estudantes do Ensino    Fundamental do col&eacute;gio e o treinamento de equipes masculinas com idade    entre 10 e 13 anos da Associa&ccedil;&atilde;o Desportiva. Al&eacute;m da destacada    participa&ccedil;&atilde;o (conquistas) em competi&ccedil;&otilde;es estaduais    e nacionais como treinador das categorias mais jovens de forma&ccedil;&atilde;o    desportiva, a valoriza&ccedil;&atilde;o profissional de Fernando se amplia e    se relativiza &agrave; medida em que a associa&ccedil;&atilde;o desportiva,    na qual desenvolve seu trabalho, conquistou ao longo dos anos uma prestigiada    posi&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio desportivo estadual e nacional, devido    aos consistentes investimentos no basquetebol, seja na forma&ccedil;&atilde;o    ou em equipes profissionais. </p>     <p> </p>     <p><b>Como aprendeu a ser treinador</b></p>     <p> <b>(fontes de conhecimento) </b></p>     <p>A principal fonte de conhecimento para tornar-se treinador, segundo Fernando,    provem das constantes observa&ccedil;&otilde;es ou &#8220;vendo a atua&ccedil;&atilde;o    de outros treinadores&#8221; que ele acredita serem competentes e que tamb&eacute;m    nutre alguma admira&ccedil;&atilde;o pessoal. Aprender por observa&ccedil;&atilde;o    ou &#8220;apprenticeship-of-observation&#8221;(<a href="#37">37</a>, <a href="#57">57</a><a name="top57"></a>)    compreende um processo de socializa&ccedil;&atilde;o que ocorre com uma pessoa    ou aluno quando este ingressa na escola ou em um contexto cultural de um professor    em particular. </p>     <p>De facto, o seu modo informal de aprendizagem profissional(<a href="#50">50</a><a name="top50"></a>)    se caracteriza por duas situa&ccedil;&otilde;es distintas, por&eacute;m interligadas.    Uma situa&ccedil;&atilde;o inicial, imediatamente ligada &agrave; sua tarefa    de assistente t&eacute;cnico, que apresenta caracter&iacute;sticas similares    ao conceito de mentoriza&ccedil;&atilde;o(<a href="#15">15</a><a name="top15"></a>,    <a href="#16">16</a><a name="top16"></a>, <a href="#23">23</a>), na medida em    que ele permaneceu sobre a orienta&ccedil;&atilde;o do treinador mais experiente    no seu clube por alguns anos (o mesmo que havia sido seu treinador e o estimulou    a acompanh&aacute;-lo em competi&ccedil;&otilde;es para realizar o controle    das estat&iacute;sticas das equipes). O segundo momento de sua aprendizagem    profissional ocorreu quando ele j&aacute; havia alcan&ccedil;ado determinada    autonomia como treinador principal, passando a observar os demais treinadores    nas competi&ccedil;&otilde;es em que participava. Nesta perspectiva, Fernando    cita v&aacute;rios treinadores do &acirc;mbito estadual com os quais ele acredita    que aprendeu algo.</p>     <p>De outro modo, ele reconhece a import&acirc;ncia do papel da experi&ecirc;ncia    na constru&ccedil;&atilde;o do seu conhecimento para o treinamento. No seu entendimento,    a experi&ecirc;ncia deve ser tratada a partir de uma leitura do todo, guiada    por uma &#8220;linha de pensamento&#8221; pr&oacute;pria de cada treinador.    &Eacute; tamb&eacute;m um tipo de sentimento, uma sensibilidade particular,    ou um &#8220;feeling&#8221; como ele mesmo denomina. A interpreta&ccedil;&atilde;o    que se faz destes argumentos &eacute; de que deve haver um processo mental intermedi&aacute;rio    (reflex&atilde;o) de transforma&ccedil;&atilde;o destas experi&ecirc;ncias.</p>     <p>Os dois elementos identificados no processo de aprendizagem profissional deste    treinador, nomeadamente as observa&ccedil;&otilde;es de treinos que realizou    ao longo da vida enquanto ainda era jogador, assistente e treinador principal,    assim como o processo reflexivo sobre tais experi&ecirc;ncias, t&ecirc;m sido    reconhecidos como a forma de aprendizagem profissional mais comum em treinadores    de forma&ccedil;&atilde;o desportiva. Al&eacute;m disso, t&ecirc;m-se convertido    em um linha de investiga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, perspectivada numa    abordagem te&oacute;rica de interac&ccedil;&atilde;o social ou s&oacute;cio-cultural,    definida por Trudel &amp; Gilbert(<a href="#66">66</a>) como &#8220;met&aacute;fora    da participa&ccedil;&atilde;o&#8221;.</p>     <p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Os prop&oacute;sitos para treinamento</b></p>     <p>O conhecimento dos prop&oacute;sitos do treinador pode ser definido como os    objectivos que ele estabeleceu para o treino de determinada mat&eacute;ria.    Referenciados aos valores sociais, os prop&oacute;sitos servem como filtros    que condicionam a selec&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do    de uma disciplina, assim como os procedimentos de instru&ccedil;&atilde;o no    ensino do professor(<a href="#35">35</a>). Os valores t&ecirc;m um car&aacute;cter    avaliativo do que seja priorit&aacute;rio para ensinar(<a href="#27">27</a><a name="top27"></a>).</p>     <p>Na base dos prop&oacute;sitos deste treinador, portanto, est&atilde;o valores    pessoais ou terminais de paix&atilde;o pelo esporte, traduzidos por ele pela    t&iacute;pica imprevisibilidade dos jogos colectivos (de que nada est&aacute;    definido em um jogo). Da mesma forma, manifesta o desejo de usufruir de uma    vida mais estimulante ou excitante. Os valores instrumentais foram evidenciados    a partir da cren&ccedil;a de que o basquetebol &eacute; um jogo de estrat&eacute;gia    que implica intelig&ecirc;ncia (reflex&atilde;o), criatividade, capacidade de    resolver problemas por parte do praticante. Ainda mais, determina&ccedil;&atilde;o,    auto-sufici&ecirc;ncia, certa integridade de car&aacute;cter ou honradez. </p>     <p>Lyle(<a href="#46">46</a>) destaca a necessidade de haver uma distin&ccedil;&atilde;o    entre o que, com frequ&ecirc;ncia, se denomina de filosofia do treinador, tratado    aqui como prop&oacute;sitos, e o modelo de treino. Nesta perspectiva, o modelo    de treino pode ser baseado em um conjunto de cren&ccedil;as que implica na obten&ccedil;&atilde;o    de vantagem ou desvantagens do uso de m&eacute;todos, estrat&eacute;gias defensivas/ofensivas,    ou qualidades que o treinador deseja ver nos jogadores para alcan&ccedil;ar    o n&iacute;vel de rendimento esperado. A filosofia do treinador, por outro lado,    pode englobar este modelo de performance e os valores mais gerais ou os valores    sociais. </p>     <p>Relativamente aos prop&oacute;sitos ligados ao modelo de treino, seguindo a    defini&ccedil;&atilde;o de Lyle(<a href="#46">46</a>), o treinamento de Fernando    guiou-se por um modelo de jogo defensivo que desejava implementar para a participa&ccedil;&atilde;o    de seu grupo no Festival de Basketball, que seria realizado no final daquele    ano. Neste sentido, este treinador estabeleceu este modelo (t&aacute;ctico)    de jogo, fortemente marcado pelos aspectos defensivos, e a partir do qual o    seu treinamento foi idealizado.</p>     <p>A ideia central deste modelo defensivo era de que os jogadores de sua equipe    deveriam proteger a sua cesta e induzir os jogadores atacantes ao erro, explorando    a regra dos 24 segundos de posse de bola do ataque. Para isso, seu trabalho    foi guiado pelos &#8220;princ&iacute;pios operacionais&#8221; estabelecidos    por Bayer(<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>), nomeadamente &#8220;impedir    a progress&atilde;o dos jogadores e da bola para a minha pr&oacute;pria baliza    (cesta)&#8221; e &#8220;protec&ccedil;&atilde;o da minha cesta e do meu campo&#8221;(p.47).  </p>     <p> </p>     <p><b>A organiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos</b></p>     <p>Fernando elaborou uma &#8220;programa&ccedil;&atilde;o&#8221; para o treinamento    anual e descreve por t&oacute;picos todas as actividades a serem realizadas.    Cada t&oacute;pico corresponde a um micro-ciclo quinzenal de trabalho. Foram    aproximadamente 20 (vinte) micro-ciclos durante o ano em que houve a investiga&ccedil;&atilde;o.    O plano di&aacute;rio, por sua vez, foi realizado mentalmente em fun&ccedil;&atilde;o    das circunst&acirc;ncias de treino e de aprendizagem dos jovens. Contudo, em    algumas sess&otilde;es de treino ele utilizou-se de pequenos &#8220;lembretes&#8221;,    nos quais estavam indicados os temas ou exerc&iacute;cios planejados para o    dia.</p>     <p>Em termos gerais, o planeamento baseia-se em uma abordagem que envolve as fases    de jogo. O primeiro &#8220;bloco&#8221; de conte&uacute;dos correspondeu ao    ataque e o segundo &#8220;bloco&#8221; &agrave; defesa. Sinteticamente sua programa&ccedil;&atilde;o    consistiu em: avalia&ccedil;&atilde;o inicial a partir da observa&ccedil;&atilde;o    dos jovens em situa&ccedil;&atilde;o de jogo, treino da t&eacute;cnica ofensiva,    introdu&ccedil;&atilde;o a defesa individual e zona, treino do contra ataque,    ataque de posi&ccedil;&atilde;o, defesa individual (defesa ao atacante sem bola    e com bola), treino de defesa press&atilde;o individual e press&atilde;o zona,    participa&ccedil;&atilde;o em competi&ccedil;&otilde;es locais e internas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante a recolha de dados, o treino de Fernando esteve focado preponderantemente    ao aspecto da t&aacute;ctica individual, nomeadamente aos pap&eacute;is do defensor    nas ac&ccedil;&otilde;es ao atacante sem a posse da bola (defesa ao atacante    sem a bola). Para Oliveira(<a href="#51">51</a><a name="top51"></a>), estes    conte&uacute;dos correspondem a um conjunto de &#8220;pap&eacute;is&#8221; (atacante    com bola, atacante sem bola, defensor) que os jogadores de basquetebol devem    assumir durante as fases de jogo (ataque e defesa). Na defesa, em particular,    os pap&eacute;is s&atilde;o pressionar, sobremarcar, recuperar a bola, ajudar    e flutuar. O termo pap&eacute;is &eacute; tamb&eacute;m utilizado por Moreno(<a href="#38">38</a><a name="top38"></a>)    na an&aacute;lise da estrutura funcional dos desportos de coopera&ccedil;&atilde;o/oposi&ccedil;&atilde;o.  </p>     <p>No caso deste treinador, estes conte&uacute;dos foram treinados com &ecirc;nfase    &agrave; sobremarca&ccedil;&atilde;o (defesa ao jogador sem bola do lado da    bola ou 1&ordf; linha de passe) e &agrave; flutua&ccedil;&atilde;o. A press&atilde;o    ao jogador atacante com bola e ao atacante sem bola completam a sua proposta    curricular. Estes &uacute;ltimos n&atilde;o foram exactamente o objectivo principal    deste micro-ciclo, contudo as actividades propostas por este treinador culminavam    quase sempre com situa&ccedil;&otilde;es de 1 x 1 com est&iacute;mulo a defesa    individual simples e press&atilde;o. </p>     <p> </p>     <p><b>A instru&ccedil;&atilde;o no ensino</b></p>     <p>Verificou-se que Fernando subordina os aspectos t&eacute;cnicos ao t&aacute;ctico,    sem que isso represente alguma desvaloriza&ccedil;&atilde;o do primeiro em rela&ccedil;&atilde;o    ao segundo. A quest&atilde;o que se coloca, portanto, &eacute; como este treinador    treinou estes conte&uacute;dos ou qual o comportamento de instru&ccedil;&atilde;o    foi mais marcante na realiza&ccedil;&atilde;o desta tarefa. Relativamente a    estes comportamentos, percebeu-se que suas instru&ccedil;&otilde;es (pr&eacute;-instru&ccedil;&atilde;o)    foram em menor propor&ccedil;&atilde;o e de car&aacute;cter geral, ou seja,    o treinador transmitia conte&uacute;dos mas n&atilde;o especificava ou particularizava    formas de executar habilidades ou decis&otilde;es t&aacute;cticas(<a href="#29">29</a><a name="top29"></a>).    Por outro lado, o detalhamento do conte&uacute;do e a quantidade das interven&ccedil;&otilde;es    foram diferentes para as instru&ccedil;&otilde;es que ocorriam durante a pr&aacute;tica    das actividades (feedback pedag&oacute;gico). De certo modo, estas formas de    interven&ccedil;&otilde;es foram aquelas que mais caracterizam o comportamento    de treino de Fernando, destacadamente pelo seu envolvimento e interac&ccedil;&atilde;o    com os jovens e pelo desejo de fornecer o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&otilde;es    no momento mais apropriado, ou como ele mesmo indica, de n&atilde;o deixar &#8220;&#8230;fugir    muito as oportunidades de corre&ccedil;&atilde;o&#8221;.</p>     <p>Outra caracter&iacute;stica verificada no treino de Fernando foi o uso da verbaliza&ccedil;&atilde;o    como o seu modo preponderante e mais peculiar de actua&ccedil;&atilde;o, em    detrimento ao uso da demonstra&ccedil;&atilde;o. Muito embora, em v&aacute;rios    momentos as duas formas tivessem sido utilizadas, conjuntamente e de modo complementar.    Descrever a presta&ccedil;&atilde;o ou informar ao jovem a forma como ele realizou,    assim como prescrever o comportamento desejado, &eacute; outro ponto caracter&iacute;stico    do treinador, principalmente para os conte&uacute;dos t&eacute;cnicos. Por&eacute;m,    levar os jovens a &#8220;pensar&#8221; por meio de formas &#8220;interrogativas&#8221;    para n&atilde;o ser apenas &#8220;um receptor de mensagens e de ideias&#8221;    &eacute; marcadamente o objectivo fundamental deste treinador </p>     <p>O incentivo &agrave; reflex&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o consciente    do jovem na aprendizagem revela, em um primeiro momento, a valoriza&ccedil;&atilde;o    deste treinador ao processo de media&ccedil;&atilde;o do jovem na constru&ccedil;&atilde;o    do pr&oacute;prio conhecimento. Num segundo momento, a preocupa&ccedil;&atilde;o    de provocar nele um processo de pensamento convergente para a descoberta de    um conceito ou princ&iacute;pio previamente estabelecido. No caso particular    de Fernando, a pretens&atilde;o foi de &#8220;induzir&#8221; os jovens ao seu    modelo de jogo, ou seja, um comportamento de instru&ccedil;&atilde;o que se    aproxima do estilo de ensino por descoberta guiada ou convergente, na qual a    aprendizagem se manifesta a partir de respostas espec&iacute;ficas e correctas    sobre o conte&uacute;do, decorrentes de um processo e sequ&ecirc;ncia de questionamentos    orientados pelo professor(<a href="#48">48</a><a name="top48"></a>, <a href="#49">49</a><a name="top49"></a>).    No treino do jogo, esta estrat&eacute;gia est&aacute; associada aos modelos    de ensino de base construtivista e modelos de ensino para a compreens&atilde;o,    na qual o praticante &eacute; confrontado com situa&ccedil;&otilde;es problema    (t&aacute;cticas) e &eacute; incitado a resolv&ecirc;-las. Os debates, as discuss&otilde;es    e os questionamentos remetem &agrave; aprendizagem por compreens&atilde;o dos    conceitos t&aacute;cticos, levando &agrave; ac&ccedil;&otilde;es mais conscientes    durante o jogo(<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>, <a href="#26">26</a><a name="top26"></a>,    <a href="#36">36</a><a name="top36"></a>, <a href="#48">48</a>, <a href="#67">67</a><a name="top67"></a>).  </p>     <p>O treino baseado na busca da participa&ccedil;&atilde;o activa do jovem &eacute;    um ind&iacute;cio marcante no trabalho de Fernando em direc&ccedil;&atilde;o    &agrave; abordagem construtivista(<a href="#56">56</a><a name="top56"></a>).    Ap&oacute;s revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre a tem&aacute;tica do construtivismo,    Chen e Rovegno(<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>) incluem a aprendizagem    activa como um dos elementos centrais desta abordagem e destacaram, em estudo    no ensino da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica elementar, que professores    experts facilitavam a auto-responsabiliza&ccedil;&atilde;o e auto-regula&ccedil;&atilde;o    por engajamento dos alunos em actividades de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas,    guiando-os ao pensamento cr&iacute;tico sobre a qualidade do movimento e percep&ccedil;&atilde;o    de seus pr&oacute;prios limites na constru&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio    conhecimento. </p>     <p>O uso frequente de procedimentos de questionamento deste treinador, direccionados    individualmente para cada jovem a partir do envolvimento pessoal, bem como a    utiliza&ccedil;&atilde;o do primeiro nome fornecem ind&iacute;cios de que ele    reconhece a aprendizagem como um processo individualizado, t&iacute;pico do    construtivismo. Al&eacute;m disso, representa tamb&eacute;m uma forma particular    de manter a aten&ccedil;&atilde;o e o engajamento consciente dos jovens na pr&aacute;tica    das actividades. </p>     <p>A aprendizagem pela compreens&atilde;o, no entendimento de Fernando, n&atilde;o    se esgota no treino da t&aacute;ctica, mas se estende ao treino de outros conte&uacute;dos,    revelando a sua concep&ccedil;&atilde;o sobre aprendizagem. Da mesma forma,    acredita que o conte&uacute;do do basquetebol n&atilde;o deve ser treinado isoladamente,    sem rela&ccedil;&atilde;o com o contexto real de jogo, cabendo ao treinador    ressaltar a utilidade pr&aacute;tica e imediata do conte&uacute;do. Este modelo    de instru&ccedil;&atilde;o, segundo Fernando, foi constru&iacute;do com o passar    do tempo e com a reflex&atilde;o sobre sua experi&ecirc;ncia de pr&aacute;tica    profissional, aliada a busca incessante para treinar mais e melhor. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><b>As tarefas de aprendizagem</b></p>     <p>Na descri&ccedil;&atilde;o das tarefas de aprendizagem, realizou-se uma adapta&ccedil;&atilde;o    do modelo de Rink(<a href="#55">55</a><a name="top55"></a>), relativamente &agrave;    progress&atilde;o e complexidade para os jogos de invas&atilde;o. Por outra    parte, acredita-se que a utiliza&ccedil;&atilde;o conjugada deste modelo com    o &#8220;gradiente de tipologias&#8221; de Cami(<a href="#64">64</a><a name="top64"></a>)    acrescenta clareza na an&aacute;lise das modifica&ccedil;&otilde;es que Fernando    implementou nas tarefas de aprendizagem. </p>     <p>A principal caracter&iacute;stica do treino de Fernando (Tabela 1) foi a utiliza&ccedil;&atilde;o    de tarefas do tipo sint&eacute;tica (formas jogadas), evidenciando duas formas    de tratamento distintas. No primeiro conjunto de tarefas, nomeadamente aquelas    tarefas realizadas na primeira e segunda sess&atilde;o de treino (1x2 e 2x3),    houve modifica&ccedil;&otilde;es mais significativas no planeamento do que nas    tarefas da terceira sess&atilde;o de treino (1x1, 2x2 e 3x3). Nas primeiras    tarefas, as modifica&ccedil;&otilde;es criaram vantagens e desvantagens ao defensor:    a) vantagem espacial, a medida em que os jogadores iniciavam o exerc&iacute;cio    do mesmo ponto fixo na quadra e no mesmo momento; b) desvantagem num&eacute;rica,    haja vista que havia um defensor e dois atacantes (1x2).</p>     <p> </p>     <p align="center"><i><b>Tabela 1</b>. Tempo de exercita&ccedil;&atilde;o nas tarefas    de aprendizagem.</i></p>     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/rpcd/v9n1/9n1a06t1.gif" width="690" height="291"></i></p>     
<p> </p>     <p>O primeiro tipo de modifica&ccedil;&atilde;o (espacial) permitiu ao jovem defensor    (pelo menos nos primeiros instantes do exerc&iacute;cio) realizar a leitura    da situa&ccedil;&atilde;o, analisar as suas possibilidades de resposta em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es do atacante e orientar-se ou realizar o ajustamento    corporal mais adequado para acompanhar, em deslocamento defensivo, o atacante    sem bola. Por outro lado, a condi&ccedil;&atilde;o de desvantagem num&eacute;rica    para o defensor foi amenizada dado que o atacante com a posse da bola estava    fixo em um ponto da quadra (atacante parado). Nestas circunst&acirc;ncias, considera-se    que o n&iacute;vel de complexidade de decis&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o    se manteve facilitado, em virtude do menor n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia aos    processos perceptivos do jovem defensor.</p>     <p>O segundo grupo de tarefas sint&eacute;ticas (1x1, 2x2 e 3x3), utilizadas especificamente    na 3&ordf; sess&atilde;o de treino, distingue-se do primeiro grupo porque as    situa&ccedil;&otilde;es de treino se mantiveram mais pr&oacute;ximas do jogo    formal. Foram preservados os elementos da estrutura formal do basquetebol, bem    como as rela&ccedil;&otilde;es entre estes elementos, inserindo o jovem praticante    em um contexto de pr&aacute;tica sensivelmente mais complexo, ao n&iacute;vel    perceptivo, decis&oacute;rio e de execu&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considera-se que as rela&ccedil;&otilde;es cruciais no contexto de jogo s&atilde;o    aquelas que se estabelecem entre os jogadores (defensores e atacantes; cooperantes    e opositores) na medida em que estes (jogadores) s&atilde;o referenciais m&oacute;veis    e activos no jogo, diferentemente de outros elementos estruturais, como campo    e a cesta. Esta condi&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel e activa requer do praticante    n&atilde;o s&oacute; uma capacidade de decis&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o,    mas sobretudo um n&iacute;vel mais acurado de percep&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O fornecimento de uma quantidade elevada de informa&ccedil;&otilde;es aos jogadores    inexperientes ou com n&iacute;vel elementar de pr&aacute;tica, de acordo com    Tavares (<a href="#61">61</a><a name="top61"></a>, <a href="#62">62</a><a name="top62"></a>),    dificulta de sobremaneira a obten&ccedil;&atilde;o de decis&otilde;es e respostas    mais ajustadas &agrave;s circunst&acirc;ncias do jogo. Por consequ&ecirc;ncia,    cabe ao treinador elaborar propostas pedag&oacute;gicas que graduem a quantidade    e velocidade de fornecimento destas informa&ccedil;&otilde;es de modo a reduzir    a complexidade do processamento. </p>     <p>Ainda, no segundo grupo de tarefas, as modifica&ccedil;&otilde;es estiveram    mais a cargo das caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias das formas de jogo reduzido.    No caso das tarefas de um contra um (1x1), o jogador defensor viu a complexidade    aumentada com exig&ecirc;ncia de defender um espa&ccedil;o maior (meia quadra).    O jogador deveria decidir o que fazer e como fazer em um leque de v&aacute;rias    ac&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, sujeitas a ac&ccedil;&atilde;o livre    ou activa do atacante e dependente do seu n&iacute;vel ou qualidade de percep&ccedil;&atilde;o.    Ademais, havia por parte do treinador a tentativa de induzir o jovem defensor    ao conceito defensivo proposto. </p>     <p>Durante o treino em situa&ccedil;&atilde;o (1x1), Fernando acrescentou uma    regra que estimulava a emula&ccedil;&atilde;o e o esfor&ccedil;o, ao mesmo tempo    que exigia mais rigor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s regras de jogo. Esta    iniciativa compreendeu uma tentativa externa para aumentar o interesse e o engajamento    individual dos jovens. A regra imposta consistia em premiar o atacante que convertesse    uma cesta, adquirindo o direito de realizar mais um ataque na outra metade da    quadra. De modo semelhante, o defensor ao obter a posse da bola realizaria o    pr&oacute;ximo ataque.</p>     <p>A modifica&ccedil;&atilde;o &#8220;quem faz cesta, continua atacando&#8221;    voltou a ocorrer somente na tarefa de (3x3), mantendo as limita&ccedil;&otilde;es    do exerc&iacute;cio a cargo apenas da pr&oacute;pria caracter&iacute;stica da    atividade sint&eacute;tica/forma b&aacute;sica de jogo. Acredita-se que a avalia&ccedil;&atilde;o    positiva do treinador daquela sess&atilde;o de treino foi o principal motivo    pelo qual ele n&atilde;o realizou mais modifica&ccedil;&otilde;es nas tarefas.    Com efeito, as modifica&ccedil;&otilde;es foram maiores no primeiro grupo de    tarefas e foram sendo menos utilizadas nas situa&ccedil;&otilde;es de 2x2 e    3x3, em virtude de os jovens estarem a corresponder mais adequadamente &agrave;s    demandas dos n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia da pr&aacute;tica. </p>     <p>Sob a forma de jogo modificado, a tarefa do tipo global foi utilizada em tr&ecirc;s    sess&otilde;es de treino. Na segunda e terceira sess&atilde;o, elas serviram    como actividades de prepara&ccedil;&atilde;o com &ecirc;nfase ao aspecto recreativo    e de prepara&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica. Contudo, havia em sua estrutura    alguns elementos ou conte&uacute;do t&eacute;cnico e t&aacute;ctico impl&iacute;cito.  </p>     <p>Na quarta sess&atilde;o, o jogo modificado tomou quase a totalidade do tempo    de treino. Foram actividades de 5x5 em uma metade da quadra, frequentemente    denominada de ataque contra defesa. Para Cami(<a href="#64">64</a>), este &eacute;    um tipo de trabalho global que opera adapta&ccedil;&otilde;es a elementos estruturais    do basquetebol, nomeadamente o campo de jogo. Embora na tarefa se tenha um ataque    activo e organizado taticamente, com um conjunto m&uacute;ltiplo de decis&otilde;es    poss&iacute;veis de serem tomadas (mas n&atilde;o total como no jogo), as ac&ccedil;&otilde;es    dos atacantes foram completamente sob forma de ataque posicional sem as fases    de transi&ccedil;&atilde;o de jogo. Esta modifica&ccedil;&atilde;o altera o    n&iacute;vel de imprevisibilidade do jogo e da velocidade do ataque. Ainda,    a exercita&ccedil;&atilde;o do sistema t&aacute;ctico (exigido pelo treinador    naquele treino) favoreceu o processo perceptivo dos jovens defensores, &agrave;    medida em que esta pratica torna o ataque mais lento do que em um jogo formal.    Os objetivos deste tipo de tarefa na proposta de treino de Fernando eram de    assegurar alguma naturalidade ou &#8220;fluidez&#8221; para o conceito defensivo    ensinado.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, este treinador realizou o jogo formal de basquetebol sem    modifica&ccedil;&otilde;es. O objectivo era estabelecer uma situa&ccedil;&atilde;o    real de competi&ccedil;&atilde;o entre as duas equipes, contemplando a intensidade    e a velocidade de execu&ccedil;&atilde;o inerentes ao jogo. Contudo, suas interven&ccedil;&otilde;es    verbais eram constantes quanto ao controle dos conceitos de ataque e defesa    que desejava implementar. </p>     <p> </p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A perspectiva do ensino dos jogos para a compreens&atilde;o surgiu a partir    de uma proposta desenvolvida por Bunker e Thorpe(<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>)    como alternativa metodol&oacute;gica ao modelo tradicional de ensino, na qual    a t&eacute;cnica &eacute; desenvolvida a partir de tarefas rigidamente estruturadas    fora do contexto natural de jogo(<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>, <a href="#36">36</a>,    <a href="#39">39</a><a name="top39"></a>, <a href="#41">41</a><a name="top41"></a>,    <a href="#42">42</a><a name="top42"></a>). Ao longo dos anos, algumas contribui&ccedil;&otilde;es    te&oacute;ricas t&ecirc;m proporcionado o aperfei&ccedil;oamento do modelo e    a amplia&ccedil;&atilde;o dessa abordagem, sendo a compila&ccedil;&atilde;o    elaborada por Metzler(<a href="#48">48</a>) a respeito dos modelos instrucionais    uma refer&ecirc;ncia importante desta tend&ecirc;ncia(<a href="#13">13</a>).  </p>     <p>Sobre este assunto, Metzler(<a href="#48">48</a>) recomenda que um modelo de    instru&ccedil;&atilde;o faz refer&ecirc;ncia a um coerente e compreensivo plano    de a&ccedil;&atilde;o que implica, necessariamente, numa orienta&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica de base e em um conjunto pr&oacute;prio de expectativas de decis&otilde;es    e a&ccedil;&otilde;es para alunos e professores. No caso particular da abordagem    do ensino para a compreens&atilde;o, ressaltou o predom&iacute;nio do dom&iacute;nio    cognitivo e do conte&uacute;do t&aacute;ctico, a estrutura&ccedil;&atilde;o    das tarefas baseadas resolu&ccedil;&atilde;o de problemas t&aacute;cticos e    tamb&eacute;m a busca constante do professor ou treinador pelo engajamento e    motiva&ccedil;&atilde;o do jovem.</p>     <p>No que diz respeito &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de base,    o construtivismo tem sido a refer&ecirc;ncia mais consistente para fundamentar    o ensino para a compreens&atilde;o(<a href="#19">19</a><a name="top19"></a>,    <a href="#36">36</a>, <a href="#48">48</a>, <a href="#56">56</a>). De fato,    o construtivismo n&atilde;o &eacute; propriamente uma teoria, mas um conjunto    de teorias de conhecimento e aprendizagem que compartilham princ&iacute;pios    e que, por meio da cria&ccedil;&atilde;o de uma &#8220;concep&ccedil;&atilde;o    construtivista&#8221;, busca fornecer subs&iacute;dios para a resolu&ccedil;&atilde;o    de situa&ccedil;&otilde;es de ensino e aprendizagem(<a href="#56">56</a>, <a href="#60">60</a><a name="top60"></a>).  </p>     <p>A concep&ccedil;&atilde;o de treino para compreens&atilde;o &eacute; visualizada    no treinador investigado a partir da sua valoriza&ccedil;&atilde;o aos processos    mediadores de aprendizagem. A preocupa&ccedil;&atilde;o constante deste treinador    para manter a aten&ccedil;&atilde;o dos jovens durante o processo de instru&ccedil;&atilde;o,    muitas vezes utilizando procedimentos de questionamento (interrogando), outras    vezes criando situa&ccedil;&otilde;es de debate, remete ao princ&iacute;pio    da participa&ccedil;&atilde;o consciente e activa na aprendizagem. Acredita-se    que estas situa&ccedil;&otilde;es configuram-se em uma tentativa de desenvolver    um tipo de pensamento na ac&ccedil;&atilde;o, que permita ao jovem compreender    ou apropriar-se do conhecimento. A aprendizagem nesta perspectiva implica reconhecer    que uma pessoa aprende quando &eacute; capaz de utilizar-se do que sabe ou do    que aprendeu, em circunst&acirc;ncias variadas, de forma flex&iacute;vel e aut&oacute;noma,    obtendo um n&iacute;vel satisfat&oacute;rio de sucesso(<a href="#53">53</a><a name="top53"></a>,    <a href="#54">54</a><a name="top54"></a>). </p>     <p>Um aspecto a destacar &eacute; que, no caso particular do treino do basquetebol,    a ideia de acrescentar &agrave; compreens&atilde;o o factor desempenho ou de    transforma&ccedil;&atilde;o do conhecimento, parece ser o tipo de aprendizagem    mais adequada para agir em um contexto inst&aacute;vel e imprevis&iacute;vel,    como se constata nos jogos desportivos colectivos. Al&eacute;m de atribuir significado,    explicar, relacionar e repetir, &eacute; necess&aacute;rio aplicar e acrescentar    um saber fazer coerente e convincente. </p>     <p>Outra evid&ecirc;ncia da aproxima&ccedil;&atilde;o do trabalho do treinador    investigado ao ensino para a compreens&atilde;o est&aacute; na forma como o    conte&uacute;do foi organizado (conhecimento curricular) e na estrutura&ccedil;&atilde;o    das tarefas (estrat&eacute;gias). Relativamente ao primeiro ponto, notou-se    que o treinador partiu de uma situa&ccedil;&atilde;o na qual o jogo (o todo)    foi privilegiado e, a partir do qual decorreu a selec&ccedil;&atilde;o e o treino    dos demais conte&uacute;dos (partes). Em termos pr&aacute;ticos, verificou-se    a subordina&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos t&eacute;cnicos e da t&aacute;ctica    individual aos princ&iacute;pios de jogo colectivo de ataque e defesa. Al&eacute;m    disso, o treino dos conte&uacute;dos t&eacute;cnicos ou da t&aacute;ctica individual    s&oacute; se justificava ou tinha significado &agrave; medida que era aludido    ao modelo de jogo almejado. </p>     <p>As tarefas utilizadas, preponderantemente do tipo sint&eacute;tico e global,    evidenciam por sua vez a tentativa do treinador investigado de promover uma    interac&ccedil;&atilde;o activa do jovem com um meio ou contexto de jogo, globalmente    preservado e tipicamente complexo. A aprendizagem levada a cabo deste modo,    mesmo que por meio de situa&ccedil;&otilde;es de jogo reduzidas, permitia ao    jovem perceber um pouco as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem no jogo    e as consequ&ecirc;ncias rec&iacute;procas das suas ac&ccedil;&otilde;es e decis&otilde;es    nos demais elementos. Nas tarefas realizadas, o jovem passou a actuar numa &#8220;via    de m&atilde;o dupla&#8221;, por um lado aprendia sobre a realidade do jogo e,    por outro lado, era capaz de modificar a sua ac&ccedil;&atilde;o e de outros,    configurando um processo de interac&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;as constantes.  </p>     <p> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1">1</a>. <a name="1"></a>7th Forum of ENSSEE (2004). 7th Forum    of ENSSEE - 26 - 29 September - Lausanne &#8220;Sport World and Academic World&#8221;    - The Contribution of Physical Education</p>     <p><a href="#top2">2</a>. <a name="2"></a>7th Forum of ENSSEE - 26 - 29 September,    2004 - Lausanne &#8220;Sport World and Academic World&#8221; - The Contribution    of Physical Education, Lausanne</p>     <p><a href="#top3">3</a>.<a name="3"></a> Abraham A, Collins D, Martindale R (2006)    The coaching schematic: Validation through expert coach consensus. Journal of    Sports Sciences 24:549 - 564</p>     <p><a href="#top4">4</a>.<a name="4"></a> Ackerman MC (2002). Benefits of sports    participation for adolescent girls. Alliant International University, San Francisco    Bay, pp. 188</p>     <p><a href="#top5">5</a>.<a name="5"></a> Afonso CA, Gra&ccedil;a A, Mesquita I (2003).    O conhecimento do treinador a respeito das metodologias de ensino e treino do    voleibol na forma&ccedil;&atilde;o. In: Mesquita I, Moutinho C, Faria R (eds)    Investiga&ccedil;&atilde;o em voleibol: estudos ib&eacute;ricos. FCDEF-UP Porto,    pp 22-31</p>     <p><a href="#top6">6</a>.<a name="6"></a> Alves-mazzotti AJ, Gewandsznajder F    (2004). O m&eacute;todo nas ci&ecirc;ncias naturais e sociais: pesquisa quantitativa    e qualitativa. Pioneira Thompson Learning, S&atilde;o Paulo</p>     <!-- ref --><p><a href="#top7">7</a>.<a name="7"></a> Alves FC (2002) A triangula&ccedil;&atilde;o    enquanto t&eacute;cnica de valida&ccedil;&atilde;o qualitativa. Revista Portuguesa    de Pedagogia 36:77-87&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=741451&pid=S1645-0523200900010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top8">8</a>. <a name="8"></a>Bayer C (1994). O ensino dos desportos    colectivos. Dinalivros, Lisboa</p>     <p><a href="#top9">9</a>.<a name="9"></a> Benham RH (2002). Expertise in sport instruction:    Examining the pedagogical content knowledge of expert golf instructors. Michigan    State University, United States: Michigan.</p>     <p><a href="#top10">10</a>.<a name="10"></a> Berliner DC (2000). A personal response    to those who bash teacher education. Journal of Teacher Education 51:358-371</p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>71. <a></a>Yin RK (2005) Estudo de Caso - Planejamento e M&eacute;todos. Bookman,    Porto Alegre</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></p>     <p><b>Valmor Ramos</b></p>     <p>Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de e do Esporte - CEFID</p>     <p> Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica</p>     <p>Rua Pascoal Simone, 358</p>     <p>Coqueiros, Florian&oacute;polis - SC, CEP 88080-350</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:d2vr@udesc.br">d2vr@udesc.br</a></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A triangulação enquanto técnica de validação qualitativa.]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Pedagogia]]></source>
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<volume>36</volume>
<page-range>77-87</page-range></nlm-citation>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A investigação sobre os modelos de ensino dos jogos desportivos.]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portugesa de Ciências do Desporto]]></source>
<year>2007</year>
<volume>7</volume>
<page-range>401-421</page-range></nlm-citation>
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