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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relação entre esgotamento e satisfação em jovens praticantes desportivos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Relationship between burnout and satisfaction in young sports practitioners]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study aims to establish the relationship between burnout and athlete sport satisfaction. Two hundred sixty six participants from different sports participated in the study. Specifically, the sample included: 213 males and 53 females (mean age = 20.01±5.357). They completed the Portuguese versions of two scales, assessing Athlete Burnout Questionnaire (Raedeke & Smith, 25) and Athlete Satisfaction Questionnaire (Riemer & Chelladurai, 28). Principal components factor was performed and internal consistency of the subscales was determined by calculating Cronbach's Coefficient Alpha. This investigation found partial support for the validity and reliability of Athlete Burnout Questionnaire when used with a youth Portuguese sport population and a global support for the validity and reliability of Athlete Satisfaction Questionnaire. Results showed high levels of satisfaction and low levels of burnout between the athletes. The two measures are relatively independents but emotional and physical exhaustion can predict dissatisfaction. Higher levels of satisfaction were found for female athletes and for seniors. Gender and age level moderated the relationship between satisfaction and burnout.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center" ><b >Relação entre esgotamento e satisfação em jovens praticantes    desportivos </b></p>     <p align="center" ><b >António Rosado<sup> 1</sup></b></p>     <p align="center" ><b >Isabel Mesquita<sup> 2</sup></b></p>     <p align="center" ><b >Abel Correia<sup>1 </sup></b></p>     <p align="center" ><b >Carlos Colaço<sup> 1</sup></b><sup>&nbsp;</sup></p>     <p align="center" ><sup>1</sup><i>Faculdade de Motricidade Humana, Universidade    Técnica de Lisboa, Portugal</i></p>     <p align="center" ><sup>2</sup><i>Faculdade de Desporto, Universidade do Porto,    Portugal </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>      <p>O presente estudo procura estabelecer a relação entre esgotamento e satisfação    em praticantes desportivos. A amostra era constituída por 266 praticantes, 213    do género masculino e 53 do feminino (média de idades de 20,01 ± 5.357). Os    participantes responderam às versões portuguesas de duas escalas de avaliação    (Athlete Burnout Questionnaire de Raedeke &amp; Smith<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>)</sup>    e Athlete Satisfaction Questionnaire (Riemer &amp; Chelladurai<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.    Realizou-se a análise de componentes principais e a análise da consistência    interna dos factores. Os resultados evidenciam suporte parcial para a validade    e fidelidade da escala de esgotamento quando usada com a população de jovens    desportistas portugueses e um suporte global para as dimensões da escala de    satisfação. Os resultados evidenciam níveis absolutos elevados de satisfação    em todas as dimensões e níveis baixos a moderados de esgotamento, sendo os níveis    mais elevados de satisfação encontrados entre os praticantes do género feminino    e entre os praticantes seniores. Considerando a totalidade da amostra, verifica-se    que a satisfação é, em parte, predita pelo esgotamento embora essa associação    seja, no essencial, fraca e relativa a uma dimensão particular do esgotamento.    As variáveis género e nível de prática moderam as relações entre satisfação    e esgotamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>esgotamento, satisfação</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b >ABSTRACT</b></p>         <p ><b >Relationship between burnout and satisfaction in young sports practitioners</b></p>     <p >The present study aims to establish the relationship between burnout and athlete    sport satisfaction. Two hundred sixty six participants from different sports    participated in the study. Specifically, the sample included: 213 males and    53 females (mean age = 20.01<b >±</b>5.357). They completed the Portuguese versions    of two scales, assessing Athlete Burnout Questionnaire (Raedeke &amp; Smith,    <sup><a href="#25">25</a><a name="top25"></a></sup>) and Athlete Satisfaction    Questionnaire (Riemer &amp; Chelladurai, <sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>).    Principal components factor was performed and internal consistency of the subscales    was determined by calculating Cronbach's Coefficient Alpha.&nbsp; This investigation    found partial support for the validity and reliability of Athlete Burnout Questionnaire    when used with a youth Portuguese sport population and a global support for    the validity and reliability of Athlete Satisfaction Questionnaire.&nbsp; Results    showed high levels of satisfaction and low levels of burnout between the athletes.    The two measures are relatively independents but emotional and physical exhaustion    can predict dissatisfaction. Higher levels of satisfaction were found for female    athletes and for seniors<b >. </b>Gender and age level moderated the relationship    between satisfaction and burnout.</p>     <p ><b>Key-word</b>: burnout, satisfaction</p>     <p >&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>      <p >A satisfação é uma parte integral da participação e da apreciação do desporto.    Sem satisfação, os atletas virar-se-iam para outras potenciais fontes de sucesso    e prazer. A satisfação em desporto pode ser definida como “um estado afectivo    positivo resultante de uma complexa avaliação das estruturas, processos e produtos    associados com a experiência desportiva”<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>    <sup>p.135)</sup>. Por outras palavras, a satisfação é “a diferença entre a    percepção do que os atletas receberam e o que eles querem”<sup>(<a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>    <sup>p. 135, <a href="#8">8</a><a name="top8"></a>)</sup>. Quanto maior a disparidade    entre o que se quer e o que se obtém, maior a insatisfação experienciada, sendo    o nível de satisfação um indicador dos sentimentos do atleta sobre os ambientes    da equipa desportiva<sup>(<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>)</sup>. </p>      <p >Riemer &amp; Chelladurai<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>    estabeleceram critérios específicos para classificar as diferentes vertentes    da satisfação em desporto. Em primeiro lugar, a satisfação devia estar relacionada    com os resultados, como ganhar ou alcançar os objectivos definidos, e com os    processos que resultam nesses produtos (por, ex., a liderança). Em segundo lugar,    a satisfação devia reflectir processos e resultados individuais e grupais ou    de equipa. Esta ideia suporta-se na noção de que certos resultados desejados    pelos indivíduos podem ser alcançados, unicamente, pela performance ou pelo    esforço dos seus companheiros de equipa <sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.    Consequentemente, um atleta pode desenvolver atitudes face à equipa diferenciadas    das atitudes relativamente a si mesmo. Finalmente, um terceiro critério de classificação    afirma que a satisfação deve ser analisada da dupla perspectiva das tarefas    e dos processos e resultados sociais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Apesar da satisfação ter sido objecto de particular atenção na área da dinâmica    de grupos<sup>(<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>, <a href="#8">8</a><a name="top8"></a>)</sup>,    tem existido pouca investigação para desenvolver medidas adequadas deste constructo.    A aproximação metodológica típica tem sido a utilização de um só item para medir    uma ou mais facetas da satisfação com o desporto <sup>(<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>;    <a href="#28">28</a><a name="top28"></a>; <a href="#30">30</a><a name="top30"></a>)</sup>.    Além de que estes instrumentos, muitas vezes, avaliam a satisfação global sem    estabelecer a natureza da multidimensionalidade da sua construção. Como resultado,    o questionário de satisfação do atleta [ASQ]<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>    foi desenvolvido para ultrapassar esta limitação operacional. Chelladurai, Inamura,    Yamaguchi, Oinuma &amp; Miyauchi<sup>(<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>)</sup>    demonstraram que a performance é uma parte significativa da satisfação do atleta,    consequentemente, qualquer factor que possa influenciar a performance (quer    a nível individual, quer a nível da equipa) pode, também, directa ou indirectamente,    induzir o nível de satisfação do atleta. </p>      <p >No desporto, a satisfação tem sido estudada em conjunto com diversas variáveis,    nomeadamente, a liderança<sup>(<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>, <a href="#9">9</a><a name="top9"></a>    , <a href="#11">11</a><a name="top11"></a>, <a href="#15">15</a><a name="top15"></a>    , <a href="#20">20</a><a name="top20"></a>, <a href="#27">27</a><a name="top27"></a>,    <a href="#29">29</a><a name="top29"></a>, <a href="#30">30</a><a name="top30"></a>,    <a href="#32">32</a><a name="top32"></a>, <a href="#36">36</a><a name="top36"></a>)</sup>.    Diversos académicos da psicologia do desporto incluíram a satisfação do atleta    como uma variável de sucesso no seu trabalho. Por exemplo, o modelo multidimensional    de liderança<sup>(<a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#6"> 6</a><a name="top6"></a>)</sup>    inclui a satisfação como uma variável de sucesso, a par da performance. </p>      <p >A satisfação tem sido fortemente relacionada com o esgotamento na literatura    profissional e educacional, com níveis elevados de insatisfação manifestadas    a altos níveis de esgotamento <sup>(<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>)</sup>.    Similarmente, Lee e Ashford <sup>(<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>)</sup>,    referiram uma relação negativa entre satisfação e exaustão emocional confrontada    com a despersonalização ou a realização pessoal.</p>      <p >Nos últimos anos, o termo esgotamento começou a aparecer na comunidade desportiva,    com crescente frequência <sup>(<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>, <a href="#12">12</a><a name="top12"></a>,    <a href="#13">13</a><a name="top13"></a>, <a href="#24">24</a><a name="top24"></a>,<a href="#26">    26</a><a name="top26"></a>, <a href="#34">34</a><a name="top34"></a>, <a href="#33">33</a><a name="top33"></a>)</sup>.    Atletas de elite abandonaram o desporto no auge das suas carreiras, sustentando    que estavam esgotados, estado que os levava ao abandono da modalidade<sup>(<a href="#31">31</a><a name="top31"></a>)</sup>.    Esta situação levou a que treinadores de todos os níveis começassem a discutir    os perigos do esgotamento. A ideia subjacente nos modelos teóricos sobre o esgotamento    é a de que o atleta se encontra submetido a uma enorme variedade de elementos    stressantes (sociais, afectivos, de treino, competitivos, etc.), sem capacidade    de implementar estratégias de “combate” suficientes e que, consequentemente,    vão levar ao síndrome de esgotamento<sup>(<a href="#22">22</a><a name="top22"></a>)</sup>.    Para Raedeke e Smith<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>)</sup>, o    esgotamento é um síndrome tridimensional caracterizado pelo esgotamento emocional,    a despersonalização e a baixa realização pessoal. A dimensão de exaustão físico/emocional    parece estar associada às exigências do treino e da competição; já a reduzida    percepção da dimensão de realização pessoal penaliza os sentimentos dos atletas    no que respeita ao seu crescimento e realização pessoal nas suas participações    desportivas, enquanto a dimensão despersonalização representa a perda de interesse    pelo desporto e o consequente desejo de retirada<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>)</sup>.</p>      <p >O modelo cognitivo-afectivo de Smith<sup>(<a href="#31">31</a><a name="top31"></a>)</sup>    é o primeiro modelo explicativo do esgotamento, construído para o contexto desportivo,    definindo-o como uma reacção ao stresse crónico. Existem características que    são indicadores de síndrome de esgotamento<sup>(<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>,    <a href="#10">10</a><a name="top10"></a>)</sup> tais como: baixa motivação ou    energia; problemas de concentração; perda de desejo de jogar/participar; falta    de preocupação; distúrbio do sono; esgotamento físico e mental; auto-estima    diminuída; afecto negativo; mudanças de humor; abuso de substâncias; mudança    de valores e crenças; isolamento emocional; ansiedade aumentada; altos e baixos;    dores de cabeça e depressão.</p>      <p >Na literatura desportiva muito pouca investigação pode ser encontrada relatando    a relação entre a satisfação dos atletas e o esgotamento. Altahayneh<sup>(<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>)</sup>    indicou que a satisfação dos atletas se encontrava correlacionada negativamente    com o esgotamento. Todas as associações resultantes neste estudo suportaram    esta hipótese, ou seja, que a variável satisfação correlacionava-se negativa    e significativamente com todas as variáveis de esgotamento do atleta. Na verdade,    altos níveis de trabalho, sobre pressão, são considerados como uma causa para    o esgotamento<sup>(<a href="#23">23</a><a name="top23"></a>)</sup>. É racional    esperar que, nalgumas dimensões, os atletas que estejam satisfeitos relatem    níveis mais baixos de esgotamento do que propriamente aqueles que estão descontentes.    No entanto, muito poucos estudos analisaram esse elo; por conseguinte, deveremos    ser cautelosos quando interpretamos esses dados, uma vez que a coexistência    de esgotamento e satisfação não é incomum<sup>(<a href="#23">23</a><a name="top23"></a>)</sup>.    Espera-se, também, que essas relações sejam influenciadas pelo género e escalão    de formação, que de certa forma poderão moderar a associação satisfação-esgotamento.</p>      <p >Da análise dos quadros teóricos referenciados ressalta a necessidade de conhecermos os níveis de satisfação e de esgotamento dos praticantes desportivos, de saber se estes níveis variam em função de variáveis como o género e o escalão e, ainda, de aprofundarmos as relações entre satisfação e esgotamento em desporto.</p>      <p >Neste estudo coloca-se a hipótese de existirem entre os atletas níveis elevados de satisfação com as diversas dimensões da prática desportiva e existirem de baixos níveis de esgotamento entre os atletas. Coloca-se, ainda, a hipótese de existência da associação entre esgotamento e satisfação, de tal maneira que elevados níveis de satisfação se associam a baixos níveis de esgotamento. A nossa hipótese inicial é de que a satisfação dos atletas (com o treino e a instrução, com o tratamento pessoal, com a performance da equipa e com a performance individual) estará negativamente correlacionada com o esgotamento dos atletas pois parece-nos mais provável que atletas satisfeitos relatem níveis mais baixos de esgotamento do que os atletas satisfeitos. A nossa hipótese é, também, que essas relações sejam influenciadas pelo género e escalão de formação, que deverão moderar as relações satisfação-esgotamento. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b >MÉTODO</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b >Participantes</b></p>      <p >Neste estudo participaram 267 indivíduos dos quais 213 do género masculino    e 53 do género feminino, provenientes de vinte e três modalidades, das quais    dezasseis são modalidades individuais e sete são modalidades colectivas, com    uma média de idades de 20,07<u>+</u>5,357. Garantiu-se, assim, uma amostra muito    heterógenea no que respeita à proveniência desportiva.</p>      <p ><b >Instrumentos</b></p>      <p >Para a realização deste estudo, utilizaram-se os seguintes questionários:    Questionário sobre o Esgotamento do Atleta (Athlete Burnout Questionnaire) de    Thomas Raedeke e Alan Smith<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>)</sup>    e Questionário sobre a Satisfação do Atleta (Athlete Satisfaction Questionnaire)    de Riemer e Chelladurai<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>    nas suas adaptações portuguesas. </p>      <p >Obteve-se, por tradução, a versão portuguesa de ambos os instrumentos com    base na constituição de um painel de peritos<sup>(<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>)</sup>    com formação avançada em ciências do desporto e 2 licenciados em línguas e literatura    inglesa, que procederam a traduções independentes dos instrumentos. As várias    fases de confrontação de alternativas de tradução garantiram uma adequada tradução    do instrumento à capacidade de compreensão dos destinatários.</p>      <p >A satisfação dos praticantes foi medida pelo ASQ de Riemer e Chelladurai<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.    Este questionário mede 15 factores da satisfação dos praticantes (performance    individual, performance da equipa, utilização de capacidades, estratégia, tratamento    pessoal, treino e instrução, contribuição das tarefa de grupo, contribuição    social do grupo, ética da equipa, integração da equipa, dedicação pessoal, orçamento,    pessoal médico, serviços de suporte académicos e agentes externos) num total    de 56 itens. Os praticantes respondem numa escala de 1 a 7, indicando o valor    mais elevado a máxima satisfação. A escala foi devidamente testada quanto à    sua fidelidade, validade de construção e estrutura factorial<sup>(<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>)</sup>.</p>      <p >Neste estudo, a satisfação foi avaliada através da utilização de quatro das    15 sub-escalas do ASQ: satisfação com treino e instrução (3 itens), satisfação    tratamento pessoal (5 itens), satisfação com a equipa (3 itens) e satisfação    com a performance individual (3 itens). As duas primeiras sub-escalas concentram-se    na satisfação com o processo de treino, enquanto que as outras avaliam a satisfação    com os resultados associados aos processos de liderança<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.</p>      <p >A satisfação com o treino e a instrução refere-se à satisfação com o treino    e à instrução fornecida pelo treinador. A satisfação com o tratamento pessoal    refere-se à satisfação com os comportamentos no treino que directamente afectam    o indivíduo e que indirectamente afectam o desenvolvimento de equipa. Esta dimensão    inclui o suporte social e o feedback positivo. A satisfação com a equipa refere-se    à satisfação do praticante com o nível dos resultados da sua equipa. A performance    na tarefa inclui a performance absoluta, a realização de objectivos e as melhorias    do desempenho. Finalmente, a satisfação com a performance individual refere-se    à satisfação do praticante com o seu desempenho das tarefas. A performance na    tarefa inclui a performance absoluta, melhorias na performance e realização    de objectivos<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.</p>      <p >Riemer e Chelladurai<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>    estimaram a consistência interna (Alfa de Cronbach) entre .78 e .95 (média=.88).    Riemer e Chelladurai também forneceram a evidência da validade de construção    do ASQ. Para o efeito utilizaram a análise factorial confirmatória e as correlações    de item-score total. As correlações entre as sub-escalas do ASQ<sup>(<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>,    as sub-escalas que medem o constructo “Intenção de Abandono” e “Compromisso    de Equipa” <sup>(<a href="#8">8</a>)</sup> e a Escala de Afectividade Negativa    fornecem a evidência de validade referida ao critério. Esta escala foi devidamente    testada quanto à fidelidade, validade de construção e estrutura factorial<sup>(<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,    <a href="#28">28</a><a name="top28"></a>)</sup>.</p>      <p >Para a amostra actual, obtiveram-se os seguintes valores de fidelidade: .870 (satisfação com a equipa), .895 (satisfação com a performance individual), .950 (satisfação com o Treino/Instrução) e .963 (satisfação com o tratamento pessoal). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O questionário sobre o Esgotamento do Atleta é constituído por 15 questões,    numa escala de Likert que varia de quase nunca (1) a quase sempre (5). O conteúdo    e a validade de construção do ABQ foram demonstrados por Raedeke e Smith<sup>(<a href="#25">25</a><a name="top25"></a>)</sup>.    Quanto à fidelidade, Raedeke e Smith estimaram a coerência interna (alfa de    Cronbach) de .91 para a exaustão físico-emocional, .85 para a baixa realização    pessoal, e .90 para a desvalorização. Adicionalmente, as estimativas de fidelidade    com o teste-reteste conseguidas numa amostra de corredores de corta-mato nas    três subescalas foram .92 para a exaustão físico-emocional, .86 para a baixa    realização pessoal e .92 para a desvalorização. No questionário do esgotamento,    através da análise factorial de componentes principais, pelo método varimax,    confirmou-se a existência das três dimensões previstas: esgotamento físico e    emocional, despersonalização e baixa realização pessoal explicando 53,97% da    variância total. Para a amostra actual, a fidelidade da escala de esgotamento    é de .849 para a exaustão físico-emocional e de .749 para a desvalorização.    Um factor (realização pessoal) teve fidelidade inferior a .70 - e não foi incluído    nas análises subsequentes.</p>      <p ><b >Procedimentos</b></p>      <p >Todos os atletas, das diferentes modalidades, foram contactados pessoalmente para que fosse autorizada a aplicação dos questionários, com a respectiva explicação introdutória sobre a finalidade e forma de preenchimento, dos mesmos. Após este procedimento, os atletas preencheram os respectivos questionários, sendo sempre garantido o anonimato e a confidencialidade dos resultados. Todos os participantes preencheram os questionários numa sala tranquila sem terem presentes companheiros de equipa. </p>      <p >O preenchimento dos questionários demorou aproximadamente 20 minutos. Os questionários foram contrabalançados para se eliminar o efeito de ordenação. Os procedimentos de correlação usados envolveram a realização da prova <i>r</i> de Pearson e a regressão múltipla para a totalidade da amostra tendo sido estabelecido um nível de significância de <i>p</i> &lt; .05. Para além do estudo correlativo procedeu-se, ainda, a uma comparação dos resultados dos testes de satisfação e esgotamento em função do género e do escalão competitivo, tendo-se utilizado a estatística ANOVA, após verificação dos pressupostos de normalidade e homogeneidade das variâncias.</p>      <p >Esses procedimentos foram efectuados através do programa de análise estatística, SPSS 15.0.</p>      <p ><b >&nbsp;</b></p>     <p ><b >RESULTADOS</b></p>      <p >As estatísticas descritivas apresentadas no Quadro 1 pretendem caracterizar a amostra global em medidas de tendência central e de dispersão. </p>      <p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><b ><i>Quadro 1. Estatísticas Descritivas    das variáveis de Satisfação e Esgotamento</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t1.gif" width="479" height="301"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p >As médias descritas representam valores baixos de esgotamento, quer no que    se refere ao esgotamento global, quer no que se refere às duas dimensões de    esgotamento retidas para análise; a exaustão físico-emocional e a desvalorização.    Já no que se refere à satisfação, encontrámos valores médios a elevados de satisfação    entre os praticantes inquiridos.</p>     <p >A mesma análise foi realizada em função da variável género. Como se pode constatar    (Quadro 2), os praticantes masculinos apresentam valores mais elevados de esgotamento,    quer global, quer no que se refere à exaustão físico-emocional quer à desvalorização.    Já as praticantes apresentam valores mais elevados de satisfação com a prática    desportiva em todas as dimensões de análise consideradas.</p>     <p >&nbsp;</p>      <p align="center" ><b ><i>Quadro 2. Estatísticas Descritivas    das variáveis de Satisfação e Esgotamento de acordo com o Género</i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t2.gif" width="486" height="501"></p>      
<p >&nbsp;</p>     <p >A comparação dos dois grupos revela diferenças significativas para a satisfação    global, para a satisfação com a equipa, para a satisfação com o tratamento pessoal    e a performance individual, sendo favoráveis às participantes.</p>      <p align="center" >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center" ><b ><i>Quadro 3. Valores da Anova para as comparações entre    Satisfação e Esgotamento em função do Género</i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t3.gif" width="462" height="194"></p>      
<p >&nbsp;</p>      <p >No que se refere ao esgotamento, não se encontraram diferenças significativas    entre os dois géneros.</p>     <p >No que se refere aos escalões etários, considerando uma divisão em escalões    de formação e escalão sénior, verificámos maiores níveis de satisfação e de    esgotamento global para os seniores, bem como maiores níveis de exaustão física    e emocional e de desvalorização e níveis mais elevados de satisfação com a equipa,    com o tratamento pessoal, com a performance individual e com o treino e a instrução    do que os escalões de formação.</p>      <p align="center" >&nbsp;</p>     <p align="center" ><b ><i>Quadro 4. Estatísticas Descritivas das variáveis de    Satisfação e Esgotamento de acordo com o Escalão</i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t4.gif" width="448" height="486"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p >As comparações ente os dois escalões etários vem revelar, no entanto, que    essas diferenças não são estatisticamente significativas para o valor global    do esgotamento, nem para a exaustão físico-emocional, mas, sim, para a desvalorização,    sentindo os seniores, de forma significativamente mais intensa a influência    desta dimensão do esgotamento. No entanto, apresentam, sistematicamente valores    mais elevados de satisfação do que os praticantes dos escalões de formação.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p align="center" ><b ><i>Quadro &nbsp;5. Valores da Anova    para as comparações entre Satisfação e Esgotamento em função do Escalão</i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t5.gif" width="518" height="215"></p>      
<p >&nbsp;</p>      <p >No procedimento estatístico para verificar qual a relação entre a satisfação    e o esgotamento obtiveram-se os resultados apresentados no Quadro 6.</p>     <p >&nbsp;</p>      <p align="center" ><b ><i>Quadro 6. Correlações entre Satisfação e Esgotamento  </i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t6.gif" width="688" height="436">  </p>      
<blockquote>        <blockquote>          ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>            <blockquote>              <p>* A correlação é significativa a 0.05 (bi-caudal). </p>             <p>**&nbsp; A correlação é significativa a 0.01 (bi-caudal).</p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p >&nbsp;</p>      <p >Como se esperaria, as correlações entre as diversas dimensões da satisfação    são significativas e positivas o mesmo acontecendo com as diversas dimensões    do esgotamento. </p>      <p >Considerando a totalidade da amostra de praticantes verifica-se, no essencial, a ausência de correlação entre as diversas dimensões da satisfação e do esgotamento, com excepção para a correlação entre a satisfação com o treino e a instrução e a exaustão físico-emocional. Sendo positiva essa relação (r=.138, p=.025) tal significa que elevados níveis de satisfação com o treino e a instrução potenciam a percepção de níveis superiores de exaustão física e emocional.</p>      <p >Quando as matrizes de correlações consideraram os dois níveis da variável género verificou-se, para o sexo feminino, uma ausência total de correlação entre as diversas medidas de satisfação e as medidas de esgotamento. Já no que se refere aos praticantes masculinos a satisfação com o treino e a instrução correlaciona-se positivamente com o Esgotamento Global (r=.145, p=.037) e com a Exaustão Física e Emocional (r=.177, p=.011).</p>      <p >Por outro lado, os escalões de formação apresentam correlações significativas entre a Satisfação com o Treino e a Instrução com o Esgotamento (r=.0257, p=.008), a Exaustão Físico-Emocional (r=.233, p=.015) e a desvalorização (r=.202, p=0.37), de tal modo que a satisfação com o treino e a Instrução se correlaciona positiva e significativamente com todas as variáveis do esgotamento consideradas. Acresce, ainda, que a satisfação com a equipa se correlaciona positivamente com a exaustão físico-emocional (r=.233, p=.015) e que a satisfação com a performance individual se correlaciona, também, com a exaustão (r=.207, p=.031). Diversas medidas de satisfação correlacionam-se, assim, positivamente com diversas medidas de esgotamento nos escalões de formação. </p>      <p >Já no escalão sénior, a Satisfação com o Treino e a Instrução correlaciona-se negativamente quer com o valor global do esgotamento (r= -.167, p=.039) quer com a Desvalorização (r = -. 169, p=.0036). Tal significa que as relações entre esgotamento e satisfação parecem ser muito influenciadas pelas variáveis género e escalão etário.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >No sentido de aprofundar estas relações, procurando perceber em que medida    a satisfação global podia ser predita pelas diversas medidas parciais de satisfação    e pelas medidas de esgotamento, realizámos uma análise da regressão múltipla    (utilizando o método <i >enter</i>) para a totalidade da amostra.</p>     <p >&nbsp;</p>      <p align="center" ><b ><i>Quadro 7. Modelo de Regressão para a Satisfação Global    </i></b></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a07t7.gif" width="666" height="322"></p>     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>             <p>Variável Dependente: Valor Global da Satisfação</p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O modelo geral obtido indica que, como se esperava, a satisfação global é predita pelas medidas parciais de satisfação, cujo peso relativo pode agora ser equacionado com base nos valores beta da equação de regressão e, ainda, pela exaustão físico-emocional, com a qual se correlaciona negativamente. A variabilidade associada ao género e ao escalão etário sugeriu a necessidade de equações de regressão específicas para estas duas variáveis. No que se refere ao sexo masculino manteve-se o mesmo modelo (a exaustão a correlacionar-se negativamente com a satisfação global) mas o modelo alterou-se para o género feminino, uma vez que a exaustão físico-emocional deixa de ter expressão significativa como preditora da satisfação (t=.063, p=.950), o que sublinha a grande independência, no género feminino, entre satisfação e esgotamento. </p>      <p >A análise da regressão considerando os dois escalões etários, seniores e formação, evidencia, no caso dos seniores, que a satisfação global não é predita por nenhuma das variáveis do esgotamento. No caso dos escalões de formação, a exaustão física e emocional é já considerada no modelo (t=-3.915, p=.000), apresentando uma correlação negativa com o valor global da satisfação.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b >DISCUSSÃO</b></p>      <p >Os atletas deste estudo apresentam baixos níveis de esgotamento e apresentam    elevados níveis de satisfação com todas as componentes da sua experiência desportiva.    Na medida em que a satisfação deriva prioritariamente dos aspectos psicológicos    e ambientais associados ao atleta<sup>(<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,    <a href="#7">7</a><a name="top7"></a>)</sup>, os resultados do presente estudo    mostram efectivamente que, de uma forma geral, a prática desportiva tem proporcionado    aos praticantes sentimentos positivos sobre os ambientes da equipa<sup>(<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,    <a href="#7">7</a><a name="top7"></a>)</sup> e sobre os desempenhos individuais.    No presente estudo esta constatação foi particularmente evidente nas equipas    sénior e no sexo feminino. </p>      <p >Por outro lado, verificámos que a satisfação dos atletas (treino e instrução, tratamento pessoal, performance da equipa e performance individual) estão altamente correlacionadas. De facto, a satisfação global correlaciona-se positivamente com os diversos factores de satisfação e todas elas entre si. O mesmo acontece para as diversas variáveis do esgotamento, que se correlacionam significativamente entre si, de modo positivo. </p>      <p >A satisfação dos atletas não se correlaciona, no entanto, do mesmo modo com todas as variáveis do esgotamento e a variável género e escalão etário parecem influenciar esta relação. No nosso caso, a exaustão físico-emocional aparece como o melhor preditor da satisfação global com as práticas desportivas mantendo com esta uma correlação moderada negativa.</p>      <p >Também Altahayneh<sup>(<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>)</sup> encontrou    correlações moderadas negativas entre a exaustão físico-emocional e os quatro    factores da satisfação. O autor encontrou, ainda, correlações moderadas negativas    entre os quatro factores da satisfação com o desporto e a percepção de realização,    facto não constatado no nosso estudo. Se esta constatação global tende a confirmar    a nossa hipótese de estudo, já quando se considera a moderação das variáveis    género e escalão etário, a interpretação deverá ser diferenciada.</p>      <p >No presente estudo foi claro que a variável género interferiu na relação estabelecida entre satisfação e a exaustão física e emocional. Enquanto que nos praticantes estas duas variáveis registaram uma correlação negativa, nas praticantes a relação foi de independência. Ademais, as praticantes apresentaram níveis de satisfação significativamente superiores, podendo encontrar explicação em possíveis diferenças relacionadas com os objectivos de prática desportiva. </p>      <p >Tradicionalmente, o desporto tem sido considerado uma actividade associada    ao conceito de masculinidade, no qual prevalece os atributos de forte, agressivo,    poderoso e musculoso em contraste com o conceito de feminilidade, o qual se    associa a uma relativa fragilidade, submissão e gentileza<sup>(<a href="#19">19</a><a name="top19"></a>,&nbsp;    <a href="#35">35</a><a name="top35"></a>)</sup>. Deste modo, as mulheres tendem    a ser menos competitivos que os homens, em ambientes onde os imperativos de    rendimento se sobrepõe aos de participação. Tal pode explicar que o sexo feminino,    ao privilegiar a participação, a filiação ao grupo, as relações estabelecidas    através do desporto, apresente a percepção de níveis de satisfação elevados    na prática desportiva. Tais assunções mereceriam no futuro serem confirmadas    ou infirmadas pela investigação.&nbsp; </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >No que se refere aos escalões etários, considerando uma divisão em escalões de formação e escalão sénior, verificámos maiores níveis de satisfação e de esgotamento global para os seniores, bem como maiores níveis de exaustão física e emocional e de desvalorização e níveis mais elevados de satisfação com a equipa, com o tratamento pessoal, com a performance individual e com o treino e a instrução do que os escalões de formação.</p>      <p >Relativamente aos escalões etários foi claro que, enquanto nos seniores a satisfação global não foi predita por nenhuma variável do esgotamento, nos iniciados verificou-se uma correlação negativa da exaustão física e emocional com a satisfação. O facto de os seniores apresentarem maior esgotamento e satisfação, embora parecendo paradoxal e contrariando alguma literatura, pode se dever à importância conferida aos objectivos de rendimento em oposição aos objectivos de participação comuns nos escalões de formação. A auto-superação, a transcendência pessoal no ultrapassar dos limites da performance pode, de facto, explicar o facto dos atletas se sentirem mais satisfeitos quando estão esgotados, porquanto o cansaço físico é um indicador de auto-superação. </p>      <p >De facto, os objectivos de prática desportiva podem explicar estas diferenças.    Sendo que no escalão sénior imperam os objectivos de rendimento, onde a auto-superação    constante dos limites de performance é uma prerrogativa incontornável, é natural    que a satisfação não dependa do desgaste emocional e físico dos praticantes    mas mais de outros aspectos como seja o sucesso na competição, o reconhecimento    social, etc. De facto, a vivência de uma prática deliberada altamente estruturada    com o objectivo explícito de ultrapassar as debilidades e de optimizar o rendimento<sup>(<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>)</sup>,    torna a experimentação de níveis de exaustão física e emocional elevados algo    natural, resultante das elevadas exigências competitivas impostas aos praticantes.  </p>      <p >Contrariamente, nos iniciados, por coincidir com a fase inicial da prática    organizada, onde o prazer da participação<sup>(<a href="#35">35</a><a name="top35"></a>)</sup>    e o desenvolvimento do espírito de equipa, a aquisição de competências e a possibilidade    de competir são os motivos indicados pelos jovens para praticarem desporto federado<sup>(<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>)</sup>    é plausível que a experimentação de níveis de exaustão física elevada induzam    baixos níveis de satisfação. Seria interessante, em futuras pesquisas analisar    a consistência e estabilidade das possíveis razões apontadas para a relação    entre satisfação e exaustão física e emocional em função do escalão de prática.  </p>      <p >Em suma, o estudo realizado indicou que os níveis de esgotamento podem ser independentes dos níveis de satisfação, embora a questão não tenha uma resposta única, presente o efeito de diversas variáveis mediadoras cujo efeito terá de ser melhor compreendido. Futuramente, importa aprofundar, as relações entre satisfação e esgotamento. </p>      <p >A pesquisa futura deverá estudar os efeitos do esgotamento dos atletas na intenção de abandono e no próprio abandono e estudos comparativos e inter-culturais devem ser conduzidos para determinar as similaridades e diferenças de diversas características dos treinadores e dos atletas, em função de diversas determinantes sócio-culturais. A pesquisa deve, ainda, examinar as exigências pessoais e situacionais dos diversos tipos de desportos e níveis competitivos de modo a se poder determinar, nestes contextos, as relações entre satisfação e esgotamento. Uma maior compreensão dos mecanismos que influenciam o esgotamento e a satisfação dos atletas pode ajudar a desenvolver métodos mais efectivos de treino. </p>      <p >Beneficiando do estudo, directores e administradores desportivos deverão ser capazes de detectar estratégias de potenciação da satisfação e de prevenção do esgotamento. Os dados também podem ser benéficos ao sugerir direcções relevantes no desenvolvimento de estratégias de intervenção e de planos de acção. Os treinadores podem desenvolver estratégias de intervenção, alterar climas organizacionais, modificar os seus estilos de liderança e implementar estratégias de compensação para aumentar a satisfação, reduzir o esgotamento do atleta, melhorar as condições de trabalho e criar ambientes mais saudáveis.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b >REFERÊNCIAS</b></p>           <!-- ref --><p ><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. AbuBader SH (2000). Work satisfaction,    burnout, and turnover among social workers in Israel: A causal diagram. <i>International    Journal of Social Welfare </i>9: 191-200.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=743155&pid=S1645-0523200900020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Altahayneh Z (2003). <i >The effects    of coach’s’ behaviors and burnout on the satisfaction and burnout of the athletes</i>.&nbsp;    Unpublished doctoral dissertation. The Florida State University. College of    Education.</p>      <p ><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Capel SA, Sisley BL, Desertrain GS    (1987). The relationship of role conflict and role ambiguity to burnout in high    school basketball coaches. <i>Journal of Sport Psychology </i>9: 106-117.</p>      <p ><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Chelladurai P (1980). Leadership in    sport organizations. <i>Canadian Journal of Applied Sport Sciences </i>5(4):    226-231. </p>      <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Chelladurai P (1984). Discrepancy between    preferences and perceptions of leadership behaviour and satisfaction of athletes    in varying sports. <i>Journal of Sport Psychology, </i>6: 27-41.</p>      <p ><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Chelladurai P (1990). 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<body><![CDATA[<p >Estrada da Costa, Cruz Quebrada</p>     <p >1495-688 Cruz Quebrada-Dafundo</p>     <p >Lisboa (Portugal)</p>     <p >E-mail: <a href="mailto:arosado@fmh.utl.pt">arosado@fmh.utl.pt</a></p>      ]]></body><back>
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<year>2000</year>
<volume>9</volume>
<page-range>191-200</page-range></nlm-citation>
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