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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepções dos professores do desporto escolar sobre a relação entre o sector escolar e o sector federado da Região Autónoma da Madeira]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Teacher’s perceptions of school sport regarding the relation between school and federated sector in the Autonomous Region of Madeira]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade da Madeira Departamento de Educação Física e Desporto ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Sports System Law Framework of Autonomous Region of Madeira5 argues that school sports should be developed in articulation with the federated sport. The study carried out and presented hereunder had two main objectives: to determine if the teachers involved in school sports positions in Madeira were also involved in the federated sector and also to identify their perceptions concerning the relationship that should exist between both sectors. The sample covered a total of 255 participants, representing 98% of the universe of teachers in school sports. The questionnaire used to collect the data was put together departing from the study of Correia & Rosado4 and adapted to Madeira in accordance with its programme of activities7. Data was processed with SPSS and the independence non-parametric technique of the chi-square (p=0.05). The results show a total of 117 teachers (45.9%) involved in the federated sector, and the positions of coach and football modality were the ones that scored the highest percentages, 73.5% and 30.7% respectively. The majority of the respondents (51.8%) think there should be a closer relationship, in the form of articulation and cooperation between the federated and school sector, against 24.7% who do not agree with this point of view, and 21.2% who chose not to express their position. The results also show significant differences between the group of teachers who were linked to federated sport and the group of teachers who had no connection with it (p=0.003). Furthermore, from the 124 teachers who were not involved in the federal sector, 54 (43.5%) are in favour of a closer relationship between both sectors. In conclusion, the results suggest greater coordination and cooperation between the federated and school sectors.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[desporto escolar]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center" ><B >Percepções dos professores do desporto escolar sobre a    relação entre o sector escolar e o sector federado da Região Autónoma da Madeira</B></P>     <P align="center" ><B >Jorge Soares</B></P>     <P align="center" ><i>Departamento de Educação Física e Desporto, Universidade    da Madeira, Portugal</i></P>        <P >&nbsp;</P>     <P ><B >RESUMO</B></P>     <P >A Lei Quadro do Sistema Desportivo da Região Autónoma da Madeira<SUP><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></SUP>    defende que o desporto escolar deve ser desenvolvido numa relação de articulação    com o desporto federado. O estudo seguiu dois objectivos: detectar se os professores    envolvidos em cargos no desporto escolar na Madeira também estavam envolvidos    no sector federado e conhecer as percepções dos mesmos sobre a relação que deve    existir entre ambos os sectores.</P>     <P >A  amostra contabilizou um total de 255 participantes, representando 98% do  universo dos professores do desporto escolar.</P>     <P >Para a recolha dos dados foi utilizado um questionário, construídos a partir    do estudo de Correia &amp; Rosado<SUP><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></SUP>    e adaptado à Madeira a partir do seu programa de actividades<SUP><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></SUP>.    O tratamento dos dados fez-se através do SPSS e da técnica não paramétrica de    independência do Qui-quadrado (p.=0,05).</P>     <P >Os  resultados identificaram um total de 117 professores (45,9%) envolvidos em  cargos no sector federado, sendo o cargo de treinador e a modalidade de futebol,  aqueles que maiores percentagens colheram, 73,5% e 30,7%, respectivamente. A  maioria dos inquiridos (51,8%) acha que deve existir uma relação mais próxima,  de articulação e de cooperação entre o sector escolar e o federado, contra 24,7%  que acham que não, e 21,2% que optaram por não expressar a sua convicção. Os  resultados evidenciaram diferenças significativas entre o grupo dos professores  que estavam ligados ao desporto federado e o grupo dos professores que não tinha  ligação ao federado (p.=0,003). De realçar ainda que dos 124 professores que não  estavam envolvidos no sector federado, 54 (43,5%) são a favor de uma relação de  proximidade entre ambos os sectores. Em conclusão, os resultados sugerem uma  maior articulação e cooperação entre os sectores escolar e  federado.</P>     <P ><B >Palavras-chave</B>: desporto escolar, desporto federado, cooperação, organização,    professores</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P  >&nbsp;</P>     <P  ><B >ABSTRACT</B></P>     <P  ><B >Teacher&#8217;s perceptions of school sport regarding the relation between    school and federated sector in the Autonomous Region of Madeira</B></P>     <P>The Sports System Law Framework of Autonomous Region of Madeira<SUP><a href="#5">5</a></SUP>    argues that school sports should be developed in articulation with the federated    sport. The study carried out and presented hereunder had two main objectives:    to determine if the teachers involved in school sports positions in Madeira    were also involved in the federated sector and also to identify their perceptions    concerning the relationship that should exist between both sectors.</P>     <P >The sample covered a total of 255 participants, representing 98% of the universe    of teachers in school sports. The questionnaire used to collect the data was    put together departing from the study of Correia &amp; Rosado<SUP><a href="#4">4</a></SUP>    and adapted to Madeira in accordance with its programme of activities<SUP><a href="#7">7</a></SUP>.    Data was processed with SPSS and the independence non-parametric technique of    the chi-square (p=0.05). The results show a total of 117 teachers (45.9%) involved    in the federated sector, and the positions of coach and football modality were    the ones that scored the highest percentages, 73.5% and 30.7% respectively.    The majority of the respondents (51.8%) think there should be a closer relationship,    in the form of articulation and cooperation between the federated and school    sector, against 24.7% who do not agree with this point of view, and 21.2% who    chose not to express their position. The results also show significant differences    between the group of teachers who were linked to federated sport and the group    of teachers who had no connection with it (p=0.003). Furthermore, from the 124    teachers who were not involved in the federal sector, 54 (43.5%) are in favour    of a closer relationship between both sectors. In conclusion, the results suggest    greater coordination and cooperation between the federated and school sectors.</P>     <P  ><B >Key-words</B>: school sport, federated sport, cooperation, organization,    teachers</P>     <P  >&nbsp;</P>      <P ><B >INTRODUÇÃO</B></P>     <P >A Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto<SUP>(<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>)</SUP>,    bem como assim, a Lei de Bases do Sistema Educativo<SUP>(<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>)</SUP>    define, no âmbito dos objectivos, que o desporto escolar deve ser entendido    como um factor de cultura. E, só poderá sê-lo, se considerarmos o desporto como    um fenómeno social e total, onde a vertente educativa e formativa está em primeiro    lugar. Assim, e de acordo com uma análise sistémica e de desenvolvimento do    fenómeno desportivo, as actividades que se desenvolvem no âmbito educativo não    devem estar dissociadas das actividades que se realizam no âmbito do contexto    sociocultural e desportivo, seja na vertente federada-competitiva, seja na vertente    de lazer e recreação. O desporto escolar deve, assim, ser entendido como um    sector autónomo do sistema educativo, mas também deve manter estreitas e dinâmicas    interacções com as actividades que se realizam nos restantes sectores, entre    os quais o sector federado<SUP>(<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>, <a href="#3">3</a><a name="top3"></a>)</SUP>.</P>     <P >No caso específico da Região Autónoma da Madeira, e seguindo as oportunidades    consagradas no seu Estatuto Político-Administrativo<SUP>(<a name="top11"></a><a href="#11">11</a>)</SUP>,    o Governo Regional levou à Assembleia Legislativa, a proposta de Lei Quadro    do Sistema Desportivo da Madeira<SUP>(<a href="#5">5</a>), </SUP>que viria a    ser aprovada por maioria. Neste diploma constata-se que existe uma intenção    do Governo Regional no sentido do desporto escolar vir a assumir uma estreita    ligação ao desporto que se desenvolve nos clubes federados. Por exemplo, no    artigo 19º - actividades conjuntas, defende que os clubes e associações federadas    articulam as suas intervenções de modo a favorecer o contacto entre as áreas    do desporto escolar e as do desporto federado, através da implementação de actividades    conjuntas, dotadas de regulamentação técnico-pedagógica apropriada, sem prejuízo    da concretização das actividades específicas de cada um dos sectores. De certa    forma, esta visão integrada, reconhece à escola, um papel relevante na formação    desportiva dos mais jovens e na sua articulação com o desporto que se faz na    sociedade. Nesta abordagem integrada do desporto destacamos<SUP>(<a href="#6">6</a><a name="top6"></a>)</SUP>,    quando defende uma forte ligação da escola ao desporto na sociedade e o desporto    escolar como um viveiro de formação de praticantes para o desporto federado.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >O desporto escolar e as orientações que estão subjacentes à sua organização,    dinâmica e qualidade do serviço, envolvem necessariamente uma dimensão política<SUP>(<a href="#6">6</a>)</SUP>.    Defende, por um lado, que as questões da qualidade do serviço público precisam    de ser analisadas e compreendidas na perspectiva da decisão política para o    serviço público, e por outro na&nbsp; diferença entre o serviço prestado e a    qualidade do serviço percepcionado pelos clientes e intervenientes. Igualmente,    mas no âmbito da avaliação dos serviços profissionais do sector privado<SUP>(<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>)</SUP>,    defende uma relação continuada e consistente na avaliação das expectativas e    dos resultados da satisfação dos clientes.</P>     <P >Neste contexto, as expectativas e percepções dos principais actores envolvidos    na organização desportiva são determinantes para se percepcionar a qualidade    do serviço e melhorar os seus atributos<SUP>(<a href="#8">8</a><a name="top8"></a>,<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>)</SUP>.</P>     <P >Dentro  da organização do desporto escolar, os professores que desempenham cargos  específicos: coordenador ou gestor desportivo, orientador de equipa e  coordenador de actividade interna, constituem os actores mais privilegiados para  avaliarem a qualidade do serviço. </P>     <P >Segundo<SUP>(<a href="#2">2</a><a name="top2"></a>)</SUP>, a qualidade do    serviço das actividades físicas e desportivas passa por determinar o grau de    satisfação e de percepção dos intervenientes. Ademais, sabendo-se que há uma    década atrás, mais de metade dos professores envolvidos no desporto escolar    também estavam envolvidos no desporto federado na qualidade de treinadores<SUP>(<a href="#15">15</a><a name="top15"></a>)</SUP>,    importa conhecer até que ponto esta acumulação continua.</P>     <P >Assim,  o estudo seguiu dois objectivos: detectar se os professores envolvidos em cargos  no desporto escolar na Madeira também estavam envolvidos no sector federado e  conhecer as percepções dos mesmos sobre a relação que deve existir entre ambos  os sectores.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B >MATERIAL  E MÉTODOS</B></P>     <P >Foi  constituída uma equipa de sete investigadores, aproveitando-se as mais-valias  proporcionadas pelos recursos humanos do Gabinete Coordenador do Desporto  Escolar e pelos alunos do Curso de Mestrado em Educação Física e Desporto  (edições 2005/2006 e 2006/2007).</P>     <P >Esta  dupla colaboração permitiu alcançar um total de 255 professores de Educação  Física que exerciam funções específicas no desporto escolar, correspondente a  98% do universo (260). Se tivermos em conta o total dos professores de Educação  Física a leccionar em todas as escolas públicas e privadas dos 2º e 3º ciclos e  ensino secundário na Região Autónoma da Madeira (476), a amostra corresponde a  53,6%.</P>     <P >Foi elaborado um questionário de avaliação da qualidade do serviço com base    no instrumento desenvolvido no estudo realizado em Portugal Continental<SUP>(<a href="#4">4</a>)</SUP>,    posteriormente adaptado e validado à orgânica e regulamentação do desporto escolar    da Madeira<SUP>(<a href="#7">7</a>)</SUP>. Para apurar a fiabilidade do questionário    utilizou-se a técnica de Alpha de Cronbach tendo-se verificado a existência    de fiabilidade interna adequada para cada uma das variáveis em análise.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >A  aplicação do questionário foi feita através de uma reunião de carácter  obrigatório tendo sido orientada pelos respectivos elementos da equipa de  investigação que prestaram os esclarecimentos e asseguraram a recolha e imediata  do instrumento.</P>     <P >No  que diz respeito aos procedimentos estatísticos recorremos ao software SPSS  (Statistical Package for the Social Sciences) versão 15.0 for Windows e ao  programa Microsoft Office Excel versão 11.0. Dada a natureza da maioria das  variáveis - do tipo nominal e ordinal, recorremos à utilização de técnicas não  paramétricas, nomeadamente, o teste do Qui-Quadrado, e o teste Mann-Whitney,  para uma probabilidade de erro de 0,05. </P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B >RESULTADOS</B></P>     <P ><B >Envolvimento  dos professores do desporto escolar no sector federado</B></P>     <P >A  participação e acumulação de funções dos professores do desporto escolar no  sector federado pode ser um factor relevante para o conhecimento e  desenvolvimento da relação entre os dois sectores. Nessa medida procuramos  conhecer até que ponto os professores do desporto escolar estavam ligados também  ao sector federado, e verificámos que, 117 (45,9%) dos professores, durante o  ano lectivo 2006-2007, estiveram ligados a um clube fora da escola, contra 129  (50,6%).</P>     <P >Constatou-se que o cargo desempenhado no sector federado que maior resultado    colheu foi o de treinador/monitor com um valor de 73,5%, seguido do de atleta    com 10,26% e do de Dirigente/Coordenador com 9,4% (Figura 1).</P>     <P >&nbsp;</P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a09f1.gif" width="610" height="334"></P>     
<P align="center" ><B  >Figura 1</B>. Cargos ocupados no sector federado pelos professores do desporto    escolar</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >&nbsp;</P>     <P >A análise da participação dos professores no sector federado, de acordo com    as modalidades desportivas, permitiu-nos destacar a de futebol como aquela que    colheu maior preferência dos professores (30,7%), seguido do voleibol (11,4%)    e da natação (8,7%), resultados muito similares aos das modalidades desportivas    no sector escolar.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a09f2.gif" width="744" height="453"></P>     
<P align="center" ><B >Figura 2</B>. Modalidades desportivas do sector federado    onde estão envolvidos os professores</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >Articulação  do desporto escolar com o desporto federado</B></P>     <P >Confrontados  com a questão &#8220;Considera que o desporto escolar na sua escola deveria ter uma  relação mais próxima (articulada/interligada cooperante) com o DF?&#8221;, 132 (51,8%)  dos professores responderam afirmativamente, contra 63 (24,7%) que disseram que  não. Os resultados indicam-nos ainda mais um resultado interessante e  preocupante: 54 (21,2%) preferiam não emitir qualquer  resposta.</P>     <P >No sentido de se procurar uma justificação plausível para a percentagem de    51,8% a concordar com uma maior proximidade entre ambos os sectores, avançou-se    com o <I  >Chi-Square Test</I> a fim de verificar se os professores que estavam envolvidos    no sector federado eram os que mais defendiam a relação de proximidade. Os resultados    do Quadro 1 confirmam que existem diferenças significativas (p=0,003) entre    os dois grupos de professores, sendo os que estão ligados ao sector federado    aqueles que defendem uma articulação mais próxima. </P>     <P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center" ><b><i>Quadro 1. Relação entre a percepção que os professores    têm da articulação desporto escolar-desporto federado e o envolvimento/não envolvimento    dos mesmos nos clubes federados</i></b></P>     <P align="center" ><i><b><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a09t1.gif" width="761" height="381"></b></i></P>     
<P align="center" >&nbsp;</P>     <P >Todavia,  o Quadro 1 também nos mostra que, do grupo dos professores que não estão  envolvidos no sector federado, 54 deles (43,5%) consideram que deveriam haver  uma relação mais próxima.</P>     <P ><B  >Dinamismo na conquista de parceiros externos</B></P>     <P >Uma  maior articulação e interacção entre os dois sectores desportivos pode ser  explicada a partir da identificação da dinâmica das escolas na conquista de  parceiros externos. Os resultados obtidos sobre esta questão revelaram que quase  metades dos docentes (45,5%) não evidenciaram opinião, o que pode significar  desconhecimento da existência de parceiros externos ou displicência em relação à  questão. Por outro lado, daqueles que se pronunciaram, 29,4% dizem haver  dinamismo e 22,4% considera a sua escola pouco activa na conquista de parceiros  externos (Quadro 2).</P>     <P >&nbsp;</P>     <P align="center" ><b><i>Quadro 2. Escola como dinâmica ou não na conquista    de parceiros externos</i></b></P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a09t2.gif" width="474" height="137"></P>     
<P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Dos 75 que acharam que a escola é dinâmica na conquista de parceiros externos    a maior percentagem (33,3%) apontou os clubes e associações desportivas como    organizações parceiras.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B >DISCUSSÃO</B></P>     <P >Os resultados apurados sugerem claramente uma maior articulação e cooperação    entre o sector desportivo escolar e o sector federado e estão em concordância    com as novas orientações definidas na Lei Quadro do Sistema Desportivo da Região    Autónoma da Madeira<SUP>(<a href="#5">5</a>)</SUP> quando advoga uma maior dinâmica    de interacção e articulação do trabalho da escola com as actividades dos clubes    e associações desportivas.</P>     <P >Os resultados também confirmam um envolvimento elevado, com mais de 50% dos    professores do desporto escolar a exercer funções específicas no desporto federado.    Os mesmos resultados já tinham sido apurados no ano lectivo de 1994/1995 quando<SUP>(<a href="#15">15</a><a name="top15"></a>)</SUP>    constatou que 54% dos docentes do desporto escolar também estavam ligados ao    sector federado, especialmente na função de treinador.</P>     <P >No entanto, é o grupo dos professores que está envolvido em funções mo desporto    federado, quem mais defende uma relação de aproximação entre ambos os sectores,    comparativamente com o grupo de docentes que não estava envolvido no sector    federado. O conhecimento que os professores detêm pelo facto de estarem envolvidos    em ambos os sectores, e as potencialidades de interacção, podem ser duas possíveis    explicações para esta convicção dos docentes. Tal como sugerem autores que têm    reflectido e escrito a interacção entre o sector escolar e o sector federado<SUP>(<a href="#1">1</a>,    <a href="#3">3</a>, <a href="#13">13</a><a name="top13"></a>, <a href="#16">16</a><a name="top16"></a>)</SUP>,    as dinâmicas e as sinergias que se criam entre ambos os sectores, devem superar    claramente os conflitos e adversidades, e acrescentar mais valias para a qualidade    da formação e competição desportivas dos mais jovens. </P>     <P >O  estudo também evidencia um resultado muito interessante: do grupo dos  professores que não estava envolvido no sector federado, constatou-se que uma  percentagem elevada (43,5%) foi no sentido de concordar com a relação de  aproximação e de interacção entre ambos os sectores.</P>     <P >Uma das interpretações plausíveis para estes resultados é o de que a escola    pode e deve ter um papel relevante na formação desportiva inicial e na sua relação    de intercomplementaridade com o papel dos clubes federados<SUP>(<a href="#3">3</a>,    <a href="#6">6</a>)</SUP>. </P>     <P >Supostamente, os professores que estão envolvidos nos clubes esperam e anseiam    que haja uma maior dinâmica de cooperação e articulação entre ambos os sectores.    Conforme modelo organizacional proposto por<SUP>(<a href="#13">13</a>)</SUP>,    o desporto na escola constituiu uma zona de interface e de projecção do atleta    para a vida e para a competição, e neste sentido o trabalho do desporto escolar    não pode ficar indiferente ao que se faz no desporto federado.</P>     <P >Dos 117 professores que também estão ligados ao desporto federado, 73,5% desempenham    o papel de treinador ou monitor desportivo. É de realçar que há cerca de dez    anos atrás<SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP>, também já tinha constatado que    uma percentagem elevada (69%) dos professores envolvidos no sistema desportivo,    desempenhava o cargo de treinador desportivo.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Havendo  esta duplicidade de funções é pertinente questionar o aproveitamento ou não  desta oportunidade, seja numa perspectiva de continuidade da prática desportiva  dos jovens quando transitam do escolar para o federado, seja ao nível da  optimização dos recursos humanos e das sinergias que resultam da participação  conjunta dos praticantes nas respectivas competições. Contudo, é necessário  considerar os princípios de interacção e clarificar o papel de ambos os  sectores, para que haja uma relação de cooperação, de complementaridade, e não  de crispação ou de conflito.</P>     <P >Os resultados também colocam em evidência a necessidade das escolas conquistarem    parcerias externas e optimizarem os recursos com os clubes e associações desportivas    federadas. O incremento dos clubes desportivos escolares poderá ser uma estratégia    de desenvolvimento da organização interna das escolas no sentido de uma melhoria    substancial da qualidade do serviço<SUP>(<a href="#16">16</a>)</SUP>. Para tal,    é necessário que se criem sinergias e autonomia suficiente para que os actores    organizacionais possam desenvolver as suas competências e interagir com as actividades    desenvolvidas pelas associações e clubes, num contexto mais amplo da organização    das actividades desportivas para jovens.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B >CONCLUSÃO</B></P>     <P >Os  resultados do estudo leva-nos a concluir que os professores envolvidos em  funções específicas no desporto escolar defendem uma relação mais próxima e uma  interacção de cooperação entre o sector do desporto escolar e o sector do  desporto federado. </P>     <P >Esta  relação não só é defendida por aqueles professores que estão também envolvidos  em funções específicas no desporto federado, como também pelos que apenas  exercem funções no sector escolar.</P>     <P >Os resultados do estudo indiciam uma fraca e preocupante relação da escola    na conquista de parceiros externos para o desporto escolar. </P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B >AGRADECIMENTOS</B></P>     <P >O  autor do estudo agradece a colaboração: do Gabinete Coordenador do Desporto  Escolar da Direcção Regional de Educação da Madeira; dos professores do desporto  escolar das escolas do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário da Região Autónoma  da Madeira; das professoras Júlia Andrade e Sandra Godinho e dos estudantes do  Mestrado em Educação Física e Desporto da Universidade da Madeira: Jorge  Camacho, Duarte Sumares, Hélio Antunes, Ana Sampaio, Isabel Vieira, Miguel  Saldanha e Ricardo Santos.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >&nbsp;</P>     <P ><B >REFERÊNCIAS</B></P>     <!-- ref --><P  ><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Bento J (1985). Desporto na escola e desporto    no clube &#8211; possibilidades de uma cooperação. <I >Horizonte</I>. V. II(1):    3-6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=743429&pid=S1645-0523200900020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P  ><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Chelladurai P (2006). <I >Human Resource    Management in Sport and Recreation</I>. Human Kinetics, 2nd edition.</P>     <!-- ref --><P  ><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Coelho O (1989). Desporto escolar e desporto    federado, algumas reflexões necessárias. <I >Horizonte</I> VI, (4/5): 152-153.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=743431&pid=S1645-0523200900020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P  ><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Correia A, Rosado A (2006). <I >A Satisfação    da Comunidade Escolar e das Famílias relativamente ao desporto escolar</I>.    Estudo realizado no âmbito do protocolo entre a Direcção Geral de Inovação e    Desenvolvimento Curricular e a Faculdade de Motricidade Humana, Lisboa - Portugal.</P>     <P  ><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Decreto Legislativo Regional n.º 4/2007/M,    de 11 de Janeiro. Lei Quadro do Sistema Desportivo da Região Autónoma da Madeira.    <I  >Diário da República</I> Série I - N.º 8, 277-286.</P>     <P  ><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Garcia R (2005). Escola, Educação Física    e Tempo Livre: um relação também da Gestão Desportiva. <I >Gestão do Desporto</I>,    Associação Portuguesa de Gestão do Desporto, Ano 2 (2 Julho): 12-28.</P>     <P  ><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. GCDE (2006). <I >Programa do Desporto    Escolar 2006/2007&#8211; Madeira</I>. Direcção Regional de Educação, Gabinete    Coordenador do Desporto Escolar. <a href="http://www.madeira-edu.pt/dre/gcde" target="_blank">www.madeira-edu.pt/dre/gcde</a>,    Dezembro de 2006.</P>     <P  ><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>. Gronroos, C. (1984). A Service quality    model and its marketing implications. <I  >European Journal of Marketing</I> 18(4): 36-44.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P  ><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. Lei n.º 5/2007, de 16 de Janeiro. Lei    de Bases da Actividade Física e do Desporto. <I >Diário da República</I> I Série-N.º    11, 356-363.</P>     <P  ><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Lei n.º 49/2005, de 30 de Agosto. Lei    de Bases do Sistema Educativo, <I >Diário da República</I> I Série A, N.º 166.</P>     <P  ><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Lei n.º 130/99, de 21 de Agosto, Estatuto    Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, <I >Diário da República</I>    n.º 169, de 22 de Julho de 1999.</P>     <P  ><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>. Ojasalo J (2001). Managing customer    expectations in professional services, <I >Managing Service Quality</I> 11(3):    200 &#8211; 21.</P>     <P  ><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>. Pires G (1994). <I >Desporto escolar    &#8211; desenvolvimento e gestão de projectos</I>. U.T.L., Faculdade de Motricidade    Humana, Departamento de Ciências do Desporto, Lisboa.</P>     <P  ><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>. Robinson L (2006). Customer expectations    of sport organisations. <I >European</I> <I >Sport Management Quarterly</I>    6(1): 67-84.</P>     <P  ><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>. Soares J (1997). <I  >Desporto Escolar &#8211; organização e perspectivas futuras</I>. Edição o Desporto    Madeira. Funchal.</P>     <P  ><a href="#top16">16</a><a name="16"></a>. Soares J (2001). Sport in the School    Environment: the role of the sport club. (Second prize of the Best Poster Award).    <I >Congresso da Association International Des Écoles Supérieurs D&#8217;Education    Physique e Universidade da Madeira &#8211; Funchal</I>.</P>     <P  >17. Walsh K (1991). Quality and public services. <I >Public Administration</I>    69(4): 503&#8211;514.</P>     <P  >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P  ><B >CORRESPONDÊNCIA</B></P>     <P ><B >Jorge Soares</B></P>     <P >Departamento de Educação Física e Desporto &#8211; Piso 1</P>     <P >Campus Universitário da Penteada, Universidade da Madeira</P>     <P >9000-390 Funchal </P>     <P >Telef.: 962566517; 291705321.</P>     <P >E-mail: <a href="mailto:j.soares@uma.pt">j.soares@uma.pt</a></P>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Bento]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desporto na escola e desporto no clube: possibilidades de uma cooperação]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Coelho]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desporto escolar e desporto federado, algumas reflexões necessárias]]></article-title>
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<year>1989</year>
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<issue>4</issue><issue>5</issue>
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