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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobre o (des)equilíbrio financeiro da primeira década do Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD.]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[About the financial (un)balance of the first decade of Sporting Soccer Sport Society]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Técnica de Lisboa Faculdade de Motricidade Humana ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[As it happens in many other countries, soccer is no doubt the sport, which gathers more fans in Portugal. The fine results achieved by the national soccer team are a reason for national pride and union feeling. The purpose of this article is to highline sport’s management most unseen part, the financial management of soccer teams. The Sporting, SAD was chosen as the present case study. The authors have analysed the evolution of Sporting’s financial balance during the first decade of its existence, using the classical financial ratio approach. The data were obtained from the Sporting, SAD’s Financial Statements. The results show an unbalanced financial period for the first seven years. Although Sporting, SAD has overtaken this problem for the last three years, it is the authors’ opinion that the financial engineering performed by the organization’s administration was the base for such a change.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[gestão financeira]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center" ><B >Sobre o (des)equilíbrio financeiro da primeira década do    Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD.</B></P>     <P align="center" ><B >Margarida Boa Baptista </B></P>     <P align="center" ><B >Paulo de Andrade</B></P>     <P align="center" ><i>Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de    Lisboa, Portugal</i></P>     <P align="center" >&nbsp;</P>     <P ><B  >RESUMO</B></P>     <P >Como noutros países, o futebol é indiscutivelmente a modalidade desportiva    com mais adeptos em Portugal. Os bons resultados obtidos pela selecção nacional    constituem motivo de orgulho nacional e de sentimento de união. O objectivo    deste artigo é dar uma maior visibilidade à parte mais oculta da gestão desportiva,    a gestão económica e financeira dos clubes de futebol. A Sporting, SAD foi eleita    para o presente estudo de caso. Os autores analisaram a evolução do equilíbrio    financeiro da Sporting, SAD ao longo da primeira década da respectiva existência,    utilizando a abordagem clássica dos rácios financeiros. Os dados recolhidos    derivam dos documentos económico-financeiros e respectivos anexos publicados    nos Relatórios e Contas da Sporting, SAD. Os resultados apurados evidenciam    o desequilíbrio financeiro em que a organização viveu ao longo da primeira década    da sua existência, só ultrapassado nas últimas três épocas, em muito propulsionado    pelas decisões de engenharia financeira tomadas durante a época de 2004/05.</P>     <P ><B  >Palavras-chave</B>:&nbsp; gestão financeira, sociedade desportiva, futebol </P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >ABSTRACT</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B  >About the financial (un)balance of the first decade of Sporting Soccer Sport    Society</B></P>     <P >As it happens in many other countries, soccer is no doubt the sport, which    gathers more fans in Portugal. The fine results achieved by the national soccer    team are a reason for national pride and union feeling. The purpose of this    article is to highline sport&#8217;s management most unseen part, the financial    management of soccer teams. The Sporting, SAD was chosen as the present case    study. The authors have analysed the evolution of Sporting&#8217;s financial    balance during the first decade of its existence, using the classical financial    ratio approach. The data were obtained from the Sporting, SAD&#8217;s Financial    Statements. The results show an unbalanced financial period for the first seven    years. Although Sporting, SAD has overtaken this problem for the last three    years, it is the authors&#8217; opinion that the financial engineering performed    by the organization&#8217;s administration was the base for such a change.</P>     <P ><B  >Key-words</B>: financial management, sport society, soccer</P>     <P >&nbsp;</P>      <P ><B  >INTRODUÇÃO</B></P>     <P ><B  >Sobre a importância  do futebol </B></P>     <P >O Futebol é  indiscutivelmente a modalidade desportiva com mais adeptos em Portugal. Os bons  resultados obtidos pela selecção nacional e pelos três principais clubes com  impacto internacional constituem motivo de orgulho nacional e de sentimento de  união. Poucas são as actividades em que, como no futebol, podemos encontrar um  impacto tão positivo na promoção exterior da imagem de Portugal.&nbsp; </P>     <P >A importância que o futebol tem para os portugueses já no passado levou a    que se sentisse um fenómeno de sentido inverso: <I >quando em 1934, a selecção    da Federação Portuguesa de Futebol perdeu por 9-0, em Madrid, historiadores    houve que levantaram, indignados, as suas vozes, afirmando que o resultado era    indigno da Pátria a que pertenciam os descendentes dos heróicos vencedores de    Aljubarrota&#8230;E note-se que esses intelectuais de maneira nenhuma estavam    ligados ao movimento desportivo, e até o desmerecia</I><SUP>(<a href="#3">3</a><a name="TOP3"></a>)</SUP>.</P>     <P >Uma actividade que tem um impacto tão relevante na sociedade não podia deixar    de se assumir como um poderoso foco de atracção para algumas pessoas que encontram    no dirigismo desportivo uma via para, independentemente de servirem as organizações,    se aproveitarem da posição que ocupam para retirar benefícios pessoais que podem    até apenas passar pelo protagonismo público que adquirem. O poder dos dirigentes    de futebol na sociedade portuguesa é realmente surpreendente. Nesta matéria,    lembremos as palavras proferidas pelo Professor Manuel Sérgio quando assume    que <I >os clubes de maior nomeada funcionam, hoje, como instrumentos de conservação    do poder, por parte de grupos de interesses, arredando os sócios das magnas    decisões sobre a coisa desportiva</I><SUP>(<a href="#9">9</a><a name="TOP9"></a>)</SUP>.    Ironicamente, tal realidade é muitas vezes conseguida com os sócios convencidos    que até lhes coube o poder de decidir, tal a complexidade das matérias que lhes    são colocadas para análise&#8230; Um outro exemplo bem ilustrativo desta situação    é-nos recordado pelo Professor José Esteves: <I >João Havelange, na sua despedida    da FIFA, o acto de maior e mediática repercussão foi uma longa entrevista à    BBC, também exibida em Portugal, onde respondeu à derradeira questão, esta:    &#8220;O que o moveu, o que o tem motivado, na sua longa vida, como dirigente    desportivo?&#8221; disse apenas isto, &#8221;O Poder&#8221;</I><SUP>(<a href="#3">3</a>)</SUP>.</P>     <P >Infelizmente a importância do futebol ultrapassa mesmo a fronteira do fenómeno    desportivo para se misturar na esfera da política. Uma vez mais o Professor    José Esteves alerta: <I >para se alcançar o poder, e em particular o poder autárquico,    dentre as promessas a fazer, ou a dar a entender, mas tudo com largas delapidações    dos dinheiros públicos, sobressaem as correspondentes aos futebóis locais. E    são dezenas de milhões de contos que se despendem anualmente, pelas autarquias,    pequenas, médias e grandes, as de todas as divisões, regionais e nacionais,    que &#8220;o futebol é a distracção, a alegria, do povo&#8221;</I><SUP>(<a href="#3">3</a>)</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Com um peso determinante na propagação e influência do futebol encontramos    os meios de comunicação social. Para lá de circularem em Portugal três jornais    desportivos diários dedicados quase em exclusivo ao futebol, é-nos também fornecida    informação diária em plenos telejornais, durante os horários mais nobres, sobre    os treinos dos três principais clubes portugueses. Encontramos aqui uma importante    ponte para a compreensão da ligação dos clubes de futebol aos patrocinadores.    Seguramente, não é irrelevante o facto de em períodos de tão elevada audiência    poderem ver as suas marcas expostas nos telejornais.</P>     <P ><B  >Sobre a gestão dos  clubes</B></P>     <P >Debruçando-nos  agora sobre a forma como os clubes são geridos, sobressai o facto de existir uma  gestão claramente direccionada para os sócios e adeptos, cuja preocupação está  quase em exclusividade centrada nos resultados desportivos. A emoção da vitória  ou da derrota consubstancia-se no estímulo principal da sua reacção sobre a  performance de dirigentes, técnicos e jogadores. Numa actividade em que está  presente uma tão importante carga emocional, a gestão acaba inevitavelmente por  ser norteada para a máxima debilitação das reacções nos momentos negativos, bem  como para um cuidado enaltecimento dos bons resultados.</P>     <P >E o que dizer da  criação de valor económico na organização? Será vista como um objectivo para os  sócios e adeptos?</P>     <P >O actual Presidente do Sporting Clube de Portugal admitiu recentemente que    <I  >o Sporting teve anos de má gestão desportiva, é preciso reconhecê-lo</I><SUP>(<a href="#5">5</a><a name="TOP5"></a>)</SUP>.    Dado o relevo que tem dado à difícil situação económica que o clube atravessa    ao longo do seu mandato, admitimos que tenha um entendimento da gestão desportiva    muito mais abrangente do que o respeitante à esfera da performance competitiva.    Não deixa, no entanto, de ser curioso que os elevadíssimos prejuízos anuais    não tenham merecido qualquer comentário específico a um Presidente que tem dado    tanta ênfase à situação económica e financeira do clube.</P>     <P >Ora, o que é uma  gestão competente?</P>     <P >Entronca aqui uma  das vertentes principais do futebol, a quantidade de euros e dólares que giram  em torno desta modalidade. A perpetuidade do Clube é garantida apenas pelos  êxitos desportivos ou necessitam estes de ser acompanhados por uma correcta  gestão económica e financeira? Não deverá uma gestão competente procurar  alcançar equilíbrio económico e financeiro lutando simultaneamente pela obtenção  de bons resultados desportivos?</P>     <P >Recordemos Peter Drucker: <I >as empresas têm de ter resultados financeiros    satisfatórios para viverem; sem eles não conseguem sobreviver e não podem, de    facto, fazer o seu trabalho. Contudo, elas não existem para ter resultados financeiros.    Os resultados financeiros, por si mesmo, não são adequados, não são o propósito    da empresa e não são a justificação e a razão da sua existência</I><SUP>(<a href="#2">2</a><a name="TOP2"></a>)</SUP>.    Sublinhemos portanto, algo que frequentemente parece arredado das mentes de    tantos dirigentes desportivos: sem resultados económicos positivos as organizações    não conseguem sobreviver. Então, justificar-se-á que nos questionemos sobre    a reacção de sócios e adeptos perante uma má gestão económica. Sofre algum tipo    de penalização? E o papel do Conselho Fiscal? Alerta os sócios para uma eventual    degradação da situação económica? E é a este importante órgão alguma vez apontado    o dedo, co-responsabilizando os seus membros por não denunciarem a condução    de um clube para uma situação de falência? Nunca. Desde logo porque a maioria    dos sócios não sabe interpretar os dados fornecidos por um Balanço ou uma Demonstração    de Resultados. E aqueles que sabem não se preocupam em, ano após ano, analisar    a sua evolução. É portanto uma área que vai evoluindo sem grande controlo até    que os sinais vermelhos surjam bem acesos. Provavelmente, numa altura em que    a autonomia financeira já fica muita aquém do desejável, entregando-se o clube    nas mãos de terceiros, dos bancos. Como exemplo flagrante, mais uma vez, nas    palavras do actual Presidente do Sporting, SAD, <I  >tanto o BES como o BCP acham que têm uma exposição muito elevada no Sporting    cujo índice de solvabilidade é muito baixo. Ou seja, querem que o clube diminua    radicalmente o seu passivo bancário</I><SUP>(<a href="#4">4</a><a name="TOP4"></a>)</SUP><I >.</I>  </P>     <P ><B  >Sobre os objectivos  do trabalho</B></P>     <P >Com este trabalho  vamos procurar dar uma maior visibilidade para a parte mais oculta da gestão  desportiva, a gestão económica e financeira dos clubes de futebol. Com o advento  das SAD&#8217;s procurou-se criar uma nova cultura, novas metodologias de trabalho,  trazendo para as organizações desportivas uma indispensável componente  empresarial, uma maior profissionalização da estrutura. A sociedade que vamos  analisar, a Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD foi constituída por  escritura pública de 28 de Outubro de 1997, com um capital de 7.000.000 contos,  com apelo à subscrição pública, regendo-se pelo regime jurídico especial  estabelecido no Decreto-lei n.º 67/97, de 3 de Abril. No prospecto de Subscrição  Pública, em Agosto de 1997, pode-se ler que <I  >a Vossa empresa é gerida de forma  responsável e transparente na defesa do património dos seus accionistas</I>. Mas  será que esta profunda transformação se veio a reflectir em mudanças  comportamentais dos dirigentes face à gestão e, em particular, no que respeita à  evolução do equilíbrio financeiro da organização ao longo da primeira década da  respectiva existência? Esta é uma das perguntas a que iremos tentar responder  com este trabalho.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Pretendemos assim, com o presente trabalho, focalizar a atenção para a necessidade    do adepto apaixonado passar a encarar como uma inevitabilidade a gestão do clube    de uma forma integrada, onde a componente desportiva nunca pode desassociar-se    da estratégia económica e financeira, de molde a poder estar sempre garantida,    num prazo mais ou menos longo, a obtenção do indispensável equilíbrio económico    e financeiro, essencial ao futuro da organização desportiva e sustentáculo fundamental    à tão desejada competitividade desportiva a médio e longo prazo. </P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >MATERIAL E  MÉTODOS</B></P>     <P ><B  >Sobre o método  aplicado</B></P>     <P >A verificação de equilíbrio financeiro é considerada fundamental para a análise    da estabilidade da organização. O estudo do equilíbrio financeiro visa a certificação    da existência, ou não, de um relacionamento equilibrado entre os recursos e    as aplicações existentes em qualquer organização<SUP>(<a href="#6">6</a><a name="TOP6"></a>)</SUP>.    As decisões de gestão sobre a estrutura financeira, ou sobre a forma através    da qual os elementos do activo (aplicações de fundos) são financiados, por capitais    alheios de curto ou médio e longo prazo (origens alheias de fundos) ou por capitais    próprios (origens próprias de fundos), devem garantir a existência de equilíbrio    financeiro na organização. Pelo exposto, são incontornáveis os efeitos condicionantes    de duplo sentido entre as políticas de investimentos e financiamentos. Dito    de outro modo, a política de investimentos é condicionada pela política de financiamentos    tal como, por seu turno, não se deverá conceber uma política de financiamentos    desintegrada da política de investimentos. </P>     <P >Para a aferição pretendida utilizámos a abordagem tradicional que assenta    em dois vectores elementares, a saber, a análise do Fundo de Maneio e a Teoria    dos Rácios<SUP>(<a href="#1">1</a><a name="TOP1"></a>)</SUP>, no que respeita    exclusivamente ao conjunto de rácios que apreciam aspectos de índole financeira,    denominados rácios de liquidez e de financiamento. </P>     <P >Existem outras teorias de análise do equilíbrio financeiro, das quais destacamos    a Teoria Funcional, cuja preocupação reside no equilíbrio funcional entre as    origens e as aplicações de fundos, estudando a relação existente entre si para    cada ciclo financeiro da organização (ciclo de investimento, ciclo das operações    financeiras e ciclo das operações de exploração), a partir da construção do    balanço funcional<SUP>(<a href="#1">1</a>, <a href="#6">6</a>)</SUP>. Contudo,    para que a sua aplicação seja possível, é necessário ter-se um conhecimento    detalhado sobre as componentes das diversas rubricas que constituem as grandes    classes de contas do Balanço. É pois devido à carência de tal informação, bem    como à opção dos autores em não sustentar a aplicação da referida teoria em    demasiados pressupostos, no sentido de diminuir ao máximo o risco da subjectividade,    que se optou por utilizar para o presente trabalho uma teoria já há muito testada,    garantindo assim um elevado grau de fiabilidade quanto aos resultados alcançados.</P>     <P ><B  >Sobre a recolha de  dados</B></P>     <P >Os dados recolhidos derivam dos documentos económico-financeiros e respectivos    anexos publicados nos Relatórios e Contas do SPORTING &#8211; Sociedade Desportiva    de Futebol, SAD., em especial, os dados incluídos nos Balanços e Demonstrações    de Resultados, relativos aos primeiros dez anos de existência da sociedade desportiva    em análise, designadamente, aos exercícios económicos de 1997/1998 a 2006/2007.</P>     <P ><B  >Sobre a explicação  de alguns dados recolhidos</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Algumas situações  particulares referentes aos dados recolhidos merecem uma explicação mais  detalhada, a saber:</P>     <P >a) Na época 2003/2004 <I >as demonstrações financeiras do exercício são de    apenas onze meses de actividade, pelo que não são directamente comparáveis com as dos restantes exercícios</I><SUP>(<a href="#7">7</a><a name="TOP7"></a>)</SUP>.    Os resultados deste exercício foram, na nossa opinião, bastante beneficiados    devido a esta situação. Efectivamente, os principais centros de custos, custos    com o pessoal, amortizações, FSE e custos financeiros, terão sido positivamente    afectados em mais de 3 milhões de euros enquanto que, a nível de proveitos operacionais,    admitimos que o mês em falta tenha apenas deixado de contabilizar cerca de 600.000    euros respeitantes a quotizações de sócios, patrocínios e royalties.</B></P>     <P >b) A situação  financeira da sociedade foi positivamente afectada a partir do exercício de  2004/05 pelos motivos seguintes:</P>     <P ><I  >Por escritura pública realizada em 31 de Março de 2005 o capital social foi elevado    de m &euro; 22 000 para m &euro;  42 000. O aumento foi efectuado mediante a emissão de 10 000 000 de novas acções    escriturais nominativas, com o valor nominal de  &euro;  2 e um ágio de  &euro;  0,65 cada uma. No âmbito do processo de consolidação, reestruturação e reorganização económico-financeira    a Sporting SAD cedeu, em finais do mês de Março de 2005, à DE &#8211; Desporto    e Espectáculo, SA, sociedade na qual detinha 100% do seu capital: os direitos    televisivos e os direitos acessórios relativos às épocas desportivas de 2008/09    a 2018/19 e os créditos do contrato celebrado com a TBZ Marketing &#8211; Acções Promocionais,    SA. Por contrato celebrado em finais de Março de 2005 a Sporting, SAD alienou    a participação financeira detida na DE &#8211; Desporto e Espectáculo, SA à    Sporting Comércio e Serviços, pelo montante de m&euro; 65000. Esta operação    gerou uma mais valia contabilística de m&euro; 64950, a qual se encontra relevada    nas demonstrações financeiras a 30 de Junho de 2005</I><SUP>(<a href="#8">8</a><a name="TOP8"></a>)</SUP>.&nbsp;  </P>     <P >c) No Relatório e Contas referente à época desportiva 2006/07 surge um montante    de proveitos com transferências de jogadores de &euro; 25 456 000 devido fundamentalmente    à saída do jogador Nani. </P>     <P ><B  >Sobre a  transferência de jogadores</B></P>     <P >A questão relativa  à contabilização das mais-valias provenientes de transferências de jogadores tem  sido matéria de controvérsia entre várias sociedades desportivas, podendo  observar-se a dicotomia opcional &#8220;proveitos operacionais <I  >versus</I> proveitos extraordinários&#8221;. Não  se trata apenas de uma mera discussão académica: quando incorporados no balanço  organizacional, os passes dos jogadores são classificados como investimentos e,  consequentemente, contabilizados em imobilizado incorpóreo (Propriedade  Industrial e Outros Direitos), ficando assim, sujeitos a uma base anual de  amortizações. O custo anual que é portanto repercutido nas contas é o da  amortização. Porém, quando existe uma mais-valia proveniente de uma  transferência de um jogador, deixando de fazer parte do património da  organização, deveria, segundo os mais básicos pressupostos do método  contabilístico, ser incorporado em proveitos  extraordinários.</P>     <P >A opção por  considerar tais proveitos como operacionais pode originar erros graves de  análise para aqueles que não são conhecedores desta situação. Se as sociedades  estiverem cotadas na Bolsa de Valores, como é o caso da organização em estudo,  os accionistas acabam por poder ser induzidos em erro por deficiente informação.  As contas do Sporting SAD da época 2006/7 constituem um excelente exemplo do  risco de erro delineado, pois podem facilmente conduzir a uma deficiente análise  da evolução da situação económica e financeira da organização. Em boa verdade,  se os proveitos respeitantes às transferências fossem imputados a proveitos  extraordinários, obteríamos um resultado operacional negativo superior a 8  milhões de euros. </P>     <P >Atendendo a que no caso em apreço, a sociedade só a partir da época de 2003/2004    é que enveredou pelo critério de contabilizar em proveitos operacionais tais    mais-valias, foi opção dos autores corrigir as demonstrações de resultados a    partir dessa época, imputando os respectivos valores a proveitos extraordinários.</P>     <P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B  >DISCUSSÃO DE  RESULTADOS</B></P>     <P ><B  >Sobre o Fundo de  Maneio</B></P>        <P >Um elevado Fundo de Maneio (FM), expresso pelo excedente dos capitais permanentes    (capitais colocados à disposição da gestão por um período superior a 1 ano)    sobre o activo fixo (totalidade das imobilizações líquidas de amortizações e    das dívidas a receber num prazo superior a 1 ano), é, na perspectiva desta teoria,    um sinal de maior solidez financeira de uma organização, garantindo que as fontes    de financiamento permanentes cobrem não só o activo fixo como ainda uma certa    percentagem do activo circulante. Os resultados da Sporting SAD (Quadro 1) revelam    exactamente o contrário durante os primeiros 7 anos, período durante o qual    o FM se foi agravando vertiginosamente, arrancando de um patamar negativo de    6 064 m&euro; (milhares de euros) na época de 1997/98 até atingir, na época    de 2003/04 um limiar negativo de 63 334 m&euro;. Durante este período, a organização    viveu um claro desequilíbrio financeiro, representando a parte de capitais exigíveis    a curto prazo que esteve a financiar a parte do activo cuja liquidez é mais    reduzida. De salientar, dada a ressalva anteriormente efectuada quanto à particularidade    dos valores envolvidos nas demonstrações financeiras do exercício referente    à época de 2003/04, um potencial agravamento do valor respeitante ao FM do mesmo    ano, caso tivesse sido contabilizado o mês em falta, uma vez que na presença    de um benefício dos custos contabilizados, não compensado por movimento inverso    do lado dos proveitos, muito provavelmente, iríamos alcançar um resultado líquido    do exercício ainda mais negativo do que o apresentado (9 222 m&euro;), prejudicando    ainda mais o valor do capital próprio total já negativo em 47246 m&euro;. Nos    últimos três anos em análise, isto é, a partir de 2004/05, a tendência até então    delineada é completamente alterada, na medida em que não só o FM apresenta valores    positivos como uma propensão de claro crescimento, observando-se no último ano    um montante positivo de 66 663 m&euro;. Incontornavelmente, a viragem verificada    ao nível do valor do total do capital próprio da época de 2003/04 para a de    2004/05, passando de um valor negativo de 47246 m&euro; para um valor positivo    de 33924 m&euro;, teve um peso inestimável na reviravolta provocada ao nível    do FM. Os factores já sublinhados anteriormente relativamente à alteração do    valor total do capital próprio ao longo da época de 2004/05, induziram a tal    melhoria tão significativa: por um lado, o aumento de 20 000 m&euro; do capital    social através da emissão de acções, e por outro, a obtenção de um lucro de    54670 m&euro;, decisivamente alicerçado pela cedência de direitos televisivos,    acessórios e créditos à DE &#8211; Desporto e Espectáculo, SA, e alienação da    participação na DE à Sporting Comércio e Serviços, SA, processo que gerou uma    mais-valia de 64950 m&euro;. Por último, a mais-valia de 25456 m&euro; gerada    pela venda do jogador Nani contribuiu para se atingir, em 2006/07, o valor máximo    do FM ao longo de toda a primeira década da Sporting, SAD. </P>     <P >&nbsp;</P>        <P align="center" ><b><i>Quadro 1- Fundo de Maneio</i></b></P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a15q1.gif" width="701" height="543"></P>     
<P align="center" >&nbsp;</P>     <P align="left" ><B  >Sobre os Rácios de Liquidez</B></P>         <P >Os rácios de  liquidez conferem a capacidade das organizações  solverem os seus compromissos de curto prazo. Como a Sporting, SAD não detém  existências, calculámos apenas os rácios de liquidez reduzida e imediata (Quadro  2). Segundo este modelo, valores elevados demonstram que a organização tem uma  liquidez do activo suficiente para fazer face às obrigações inerentes ao passivo  de curto prazo. Assume-se como patamar mínimo de segurança financeira o valor de  1 para a liquidez reduzida, enquanto que para a imediata o valor padrão é  inexistente, dependendo sobretudo das necessidades de tesouraria compatíveis com  a natureza da actividade desenvolvida pela organização. Os valores obtidos para  os rácios de liquidez da Sporting, SAD são, à excepção da liquidez reduzida ao  longo dos três últimos anos analisados, manifestamente insuficientes, revelando  aos respectivos credores um elevado risco, tanto no que respeita ao reembolso  pelos créditos concedidos, como no que concerne à concessão de novos créditos ou  empréstimos de curto prazo. Na época de 2004/05, a grande diminuição do passivo  de curto prazo, alavancado pelo aumento do activo de curto prazo (situações que,  no período em causa, em muito se sustentaram na variação positiva da conta de  accionistas), originaram a grande melhoria da liquidez reduzida, continuando  esta a incrementar-se até à época 2006/07. Gravíssimos são os resultados da  liquidez imediata, denotando-se uma quase nulidade dos meios mais líquidos para  fazer face às dívidas a pagar num período inferior a 1  ano.</P>         <P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center" ><b><i>Quadro 2- R&aacute;cios de Liquidez</i></b></P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a15q2.gif" width="697" height="353"></P>     
<P align="center" >&nbsp;</P>     <P ><B  >Sobre os Rácios de Financiamento</B></P>     <P >No essencial, os rácios de financiamento estabelecem comparações entre os    capitais alheios, os capitais próprios e os capitais totais, permitindo uma    análise complementar aos rácios de liquidez, centrando a nossa atenção na capacidade    organizacional de solver os seus compromissos a médio/longo prazo (Quadro 3).    A expressão do peso dos capitais alheios no financiamento organizacional é dada    pelo Rácio de Endividamento, evidenciando a ideia geral do risco financeiro,    o qual cresce com a sua percentagem. A questão crucial da autonomia financeira    foi posta em causa desde a época 1999/00 até à de 2004/05, ano em que foi recuperado    o sinal positivo do total dos capitais próprios. Na mesma linha de orientação,    surge o Rácio de Solvabilidade, verificando em que medida o passivo é coberto    pelos capitais próprios. Os resultados revelam uma nítida falta de independência    financeira entre o período de 1999/00 até 2003/04. No último ano, a proporção    do capital próprio em relação ao passivo é claramente confortável. Quanto ao    grau de exigibilidade do passivo, dado tanto pela Estrutura do Endividamento    a Curto Prazo e como pelo Peso do Endividamento a Médio/Longo Prazo, os resultados    mostram-nos que só a partir da época de 2005/2006 é que se vislumbra uma pressão    menos elevada de tesouraria, dado o crescente peso do endividamento a médio/longo    prazo face ao de curto prazo. Por seu turno, o grau em que a exploração organizacional    consegue gerar meios suficientes para cobrir os respectivos encargos financeiros    é dado pelo Rácio de Cobertura dos Encargos Financeiros. Os valores negativos    obtidos até à época de 2003/04 denunciam graves problemas com o pagamento de    juros, só ocorrendo uma cobertura adequada no ano de 2005/06 e embora mantendo-se    positivo no último ano, decai para um limiar de segurança. O Rácio da Estrutura    dos Capitais Estáveis é indicador do peso do endividamento a longo prazo em    relação à totalidade dos capitais permanentes disponíveis na organização. É    observado um claro desequilíbrio no financiamento a longo prazo entre o endividamento    estável e os capitais próprios entre as épocas de 2001/02 e 2003/04, situação    que se restabelece a partir de 2004/05. A Margem de Auto-financiamento permite    analisar a capacidade da organização na geração de meios através das suas operações.    Entre as épocas de 2000/01 e 2002/03, a Sporting, SAD mostrou, nesse âmbito,    uma total incapacidade, verificando-se em 2004/05 uma inversão de tal aptidão,    fundamentando-se na obtenção de um lucro muito elevado nesse ano, pelas razões    que já alertámos anteriormente. Por último, o Período de Reembolso expressa    o número de períodos económicos necessários para que, com o nível de auto-financiamento    organizacional apurado, se consiga cobrir o total das dívidas a médio/longo    prazo contraídas. Neste âmbito, o período muito crítico corresponde às épocas    de 2000/01 a 2002/03, onde são verificados valores negativos, impossibilitando    a cobertura em análise. Nos últimos 4 anos, os valores, embora muito irregulares,    são todos inferiores aos quatro anos e meio, e no último ano, o aumento do auto-financiamento    verificado em muito pela venda do jogador Nani, permite um período de reembolso    inferior a um ano e meio.</P>     <P align="center" >&nbsp;</P>     <P align="center" ><b><i>Quadro 3- R&aacute;cios de Financiamento</i></b></P>     <P align="center" ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2/9n2a15q3.gif" width="701" height="780"></P>     
<P >&nbsp;</P>     <P ><B  >CONCLUSÕES</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >A existência de  estabilidade financeira tem de se constituir, definitivamente, como um vector  indispensável para a prossecução dos objectivos ligados à competitividade  desportiva numa organização como a Sporting, SAD, pelo que, torna-se fundamental  garantir aturadamente o equilíbrio financeiro de organizações desta natureza.  </P>     <P >Os resultados  apurados evidenciam o desequilíbrio financeiro em que a Sporting, SAD viveu ao  longo da primeira década da sua existência, só ultrapassado nas últimas três  épocas, em muito propulsionado pelas decisões de engenharia financeira tomadas  durante a época de 2004/05. Não podemos deixar de sublinhar que tais medidas  podem acarretar graves riscos de encobrir a realidade muito negativa dos  resultados correntes da organização, os quais, não tendo em consideração os  proveitos decorrentes das mais-valias de transferência de jogadores, atingiram o  somatório exorbitante de quase 200 milhões de euros de prejuízo ao longo dos  primeiros dez anos que analisámos.&nbsp;&nbsp;  </P>     <P >Esperamos, com o  nosso trabalho, ter estimulado a atenção do adepto apaixonado para uma das áreas  mais importantes da gestão do desporto, a área financeira. Desprezar esta área é  um erro que pode trazer, num prazo mais ou menos lato, consequências  irreversíveis para o futuro dos clubes de futebol. </P>     <P >Em futuros trabalhos e na posse de informação contabilística mais detalhada,    é nosso propósito não só aprofundar a análise iniciada a esta sociedade desportiva,    adoptando metodologias alternativas, como também, utilizando indicadores análogos,    verificar e comparar o comportamento económico e financeiro das SAD do Porto    e do Benfica.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS</B></P>     <P  ><a href="#TOP1">1</a><a name="1"></a>. Carvalho das Neves João (2005). <I >Pack    Análise Financeira &#8211; Técnicas Fundamentais. Avaliação e Gestão da Performance    Estratégica da Empresa</I>. Lisboa: Texto Editora.</P>     <!-- ref --><P  ><a href="#TOP2">2</a><a name="2"></a>. Drucker Peter, Nakauchi Isao (1999). <I >Tempo    de desafios. Tempo de decisões</I>. Lisboa: Difusão Cultural.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=744652&pid=S1645-0523200900020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P  ><a href="#TOP3">3</a><a name="3"></a>. Esteves José (1999). <I >O Desporto e    as estruturas sociais</I>. Lisboa: Edições Universitárias Lusófonas.</P>     <P  ><a href="#TOP4">4</a><a name="4"></a>. Franco Filipe Soares (2006). Entrevista    ao Presidente do Sporting Clube de Portugal, Filipe Soares Franco in <I >O Jogo</I>    de 17 de Março de 2006.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P  ><a href="#TOP5">5</a><a name="5"></a>. Franco Filipe Soares (2008). Entrevista    ao Presidente do Sporting Clube de Portugal, Filipe Soares Franco in <I >Jornal    Diário de Notícias</I> de 1 de Junho de 2008. </P>     <P  ><a href="#TOP6">6</a><a name="6"></a>. Neto de Carvalho Cristina, Magalhães Gioconda    (2005). <I  >Análise Económico-Financeira de Empresas</I>. 3ª Edição. Lisboa: Universidade    Católica Portuguesa Editora.</P>     <P  ><a href="#TOP7">7</a><a name="7"></a>. <I >Relatório e Contas</I> a 30 de Junho    de 2004 da Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD.</P>     <P  ><a href="#TOP8">8</a><a name="8"></a>. <I >Relatório e Contas</I> a 30 de Junho    de 2005 da Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD </P>     <P  ><a href="#TOP9">9</a><a name="9"></a>. Sérgio Manuel (2003). <I >Algumas teses    sobre o Desporto</I>. Lisboa: Compendium.</P>     <P  >&nbsp;</P>     <P  ><B >CORRESPONDÊNCIA</B></P>     <P  ><B >Margarida Boa Baptista</B></P>     <P >Doutorada em Ciências do Desporto</P>     <P >Professora Auxiliar da FMH &#8211; UTL</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Estrada da Costa, Cruz Quebrada, Oeiras</P>     <P >E-mail: <a href="mailto:margaridab@fmh.utl.pt">margaridab@fmh.utl.pt</a></P>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Drucker]]></surname>
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<surname><![CDATA[Nakauchi]]></surname>
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<source><![CDATA[Tempo de desafios: Tempo de decisões]]></source>
<year>1999</year>
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