<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-0523</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. Cien. Desp.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-0523</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Desporto da Universidade do Porto]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-05232009000300002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alterações ultra-estruturais musculares cardíacas induzidas pela idade no modelo animal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Age-induced cardiac muscle ultra-structural changes in the animal model]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castro]]></surname>
<given-names><![CDATA[DR]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brum]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Duarte]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Desporto CIAFEL - Centro de Investigação em Actividade Física, Saúde e Lazer]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Escola de Educação Física e Esporte ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<volume>9</volume>
<numero>2-3</numero>
<fpage>141</fpage>
<lpage>149</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-05232009000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-05232009000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-05232009000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este trabalho teve por objectivo caracterizar, no modelo animal, as alterações ultra-estruturais musculares cardíacas associadas ao processo de envelhecimento biológico. A amostra foi constituída por 31 ratinhos machos, com 3 meses (n=13) e com 7 meses (n=18) de idade. Após sacrifício, a cada animal foi removido o coração com posterior processamento da parede ventricular esquerda para análise à microscopia electrónica de transmissão. Após digitalização das fotografias, foram quantificados o número, a frequência e as áreas, quer das mitocôndrias quer dos grânulos de lipofuscina/corpúsculos residuais. Os resultados evidenciaram uma maior heterogeneidade mitocondrial e maiores dimensões destes organelos, para os vários percentis estudados, nos animais de 7 meses. No que respeita à frequência mitocondrial por área celular, não se observaram diferenças significativas entre grupos (3 meses: 0,97±0,31 vs 7 meses: 1,03±0,55; p>0,05). Também não foram observadas alterações na densidade mitocondrial (3 meses: 42,10%±9,64 vs 7 meses: 45,17%±18,38; p>0,05). Os grânulos de lipofuscina/corpúsculos residuais não aumentaram de dimensões nem alteraram a sua densidade celular com a idade (3 meses: 0,35±0,51 vs 7 meses: 0,67±1,12; p>0,05); no entanto, a sua frequência, por área celular, foi significativamente maior nos animais de 7 meses (3 meses: 0,11±0,21 vs 7 meses: 0,16±0,16; p<0,05). Dos resultados obtidos é possível concluir que são já evidentes nos animais de 3 meses alterações celulares degenerativas, as quais se agravam com a idade do animal. Os resultados permitem ainda concluir que a área das mitocôndrias cardíacas tende a aumentar com a idade, apesar da sua densidade celular se ter mantido constante.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this work was to characterize, in the animal model, the cardiac muscle ultra-structural changes associated to biological aging process. The sample were 31 male mice, aged 3 months (n=13) and 7 months (n=18). After sacrifice, each animal was removed from the heart with subsequent processing of the left ventricular wall for analysis of transmission electron microscopy. The number, frequency and areas of the mitochondria and granules of lipofuscin / residual corpuscles were quantified by scanning of the obtained photographs. The results showed a higher mitochondrial heterogeneity and size of these organelles, for the various percentiles studied in animals of 7 months. Regarding the frequency of mitochondria by cellular area, there were no significant differences between groups (3 months: 0.97 ± 0.31 vs. 7 months: 1.03 ± 0.55, p> 0.05). Also there were no changes in mitochondrial density (3 months: 42.10% ± 9.64 vs. 7 months: 45.17% ± 18.38, p> 0.05). The lipofuscin granules / residual corpuscles did not increase in size or changed their cellular density with age (3 months: 0.35 ± 0.51 vs. 7 months: 0.67 ± 1.12, p> 0.05); however, their frequency, by cell area was significantly higher in animals of 7 months (3 months: 0.11 ± 0.21 vs. 7 months: 0.16 ± 0.16, p <0.05). From results it is possible to conclude that are already evident degenerative cellular changes in 3 months aged animals, which worsen with aging. It can also be concluded that the area of cardiac mitochondria tends to increase with age, despite its cell density has remained fairly constant.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[envelhecimento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[músculo cardíaco]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[mitocôndrias]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[grânulos de lipofuscina]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[corpúsculos residuais]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[aging]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[cardiac muscle]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[mitochondria]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[granules of lipofuscin]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[residual corpuscles]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P ><B  >Alterações ultra-estruturais musculares cardíacas induzidas pela idade no modelo    animal</B></P>     <P >&nbsp;</P>       <P ><B  >DR Castro<SUP>1, </SUP></B><B  >JC Ferreira<SUP>2, </SUP></B><B  >P Brum<SUP>2, </SUP></B><B  >JA Duarte<SUP>1</SUP></B><B ></B></P>     <P ><SUP>1</SUP><i>CIAFEL, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal</i></P>        <P ><SUP>2</SUP><i>Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo,    Brasil</i></P>     <P ><a name="top1c"></a><a href="#1c"><b>Correspond&ecirc;ncia</b></a></P>       <P >&nbsp;</P>   <B  >   </B>         <P ><B  >RESUMO</B></P>       <P >Este      trabalho teve por objectivo caracterizar, no modelo animal, as alterações      ultra-estruturais musculares cardíacas associadas ao processo de envelhecimento      biológico. A amostra foi constituída por 31 ratinhos machos, com 3 meses (n=13)      e com 7 meses (n=18) de idade. Após sacrifício, a cada animal foi removido      o coração com posterior processamento da parede ventricular esquerda para      análise à microscopia electrónica de transmissão. Após digitalização das fotografias,      foram quantificados o número, a frequência e as áreas, quer das mitocôndrias      quer dos grânulos de lipofuscina/corpúsculos residuais. Os resultados evidenciaram      uma maior heterogeneidade mitocondrial e maiores dimensões destes organelos,      para os vários percentis estudados, nos animais de 7 meses. No que respeita      à frequência mitocondrial por área celular, não se observaram diferenças significativas      entre grupos (3 meses: 0,97±0,31 vs 7 meses: 1,03±0,55;      p&gt;0,05). Também não foram observadas alterações na densidade mitocondrial      (3 meses: 42,10%±9,64 vs 7 meses:      45,17%±18,38; p&gt;0,05). Os grânulos      de lipofuscina/corpúsculos residuais não aumentaram de dimensões nem alteraram      a sua densidade celular com a idade (3 meses: 0,35±0,51 vs 7 meses: 0,67±1,12;      p&gt;0,05); no entanto, a sua frequência, por área celular, foi significativamente      maior nos animais de 7 meses (3 meses: 0,11±0,21 vs 7 meses: 0,16±0,16; p&lt;0,05). Dos resultados obtidos é possível      concluir que são já evidentes nos animais de 3 meses alterações celulares      degenerativas, as quais se agravam com a idade do animal. Os resultados permitem      ainda concluir que a área das mitocôndrias cardíacas tende a aumentar com      a idade, apesar da sua densidade celular se ter mantido constante.</P>        <P ><B  ><I  >Palavras-chave</I></B><B  >:</B> envelhecimento, músculo cardíaco, mitocôndrias, grânulos de lipofuscina,    corpúsculos residuais</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P >&nbsp;</P>     <P ><B  >ABSTRACT</B></P>     <P ><B  >Age-induced cardiac muscle ultra-structural changes in the animal model</B></P>        <P >The purpose of this work was to characterize, in the animal model, the cardiac    muscle ultra-structural changes associated to biological aging process. The    sample were 31 male mice, aged 3 months (n=13) and 7 months (n=18). After sacrifice,    each animal was removed from the heart with subsequent processing of the left    ventricular wall for analysis of transmission electron microscopy. The number,    frequency and areas of the mitochondria and granules of lipofuscin / residual    corpuscles were quantified by scanning of the obtained photographs. The results    showed a higher mitochondrial heterogeneity and size of these organelles, for    the various percentiles studied in animals of 7 months. Regarding the frequency    of mitochondria by cellular area, there were no significant differences between    groups (3 months: 0.97 ± 0.31 vs. 7 months: 1.03 ± 0.55, p&gt; 0.05). Also there    were no changes in mitochondrial density (3 months: 42.10% ± 9.64 vs. 7 months:    45.17% ± 18.38, p&gt; 0.05). The lipofuscin granules / residual corpuscles did    not increase in size or changed their cellular density with age (3 months: 0.35    ± 0.51 vs. 7 months: 0.67 ± 1.12, p&gt; 0.05); however, their frequency, by    cell area was significantly higher in animals of 7 months (3 months: 0.11 ±    0.21 vs. 7 months: 0.16 ± 0.16, p &lt;0.05).</P>     <P  >From results it is possible to conclude that are already evident degenerative    cellular changes in 3 months aged animals, which worsen with aging. It can also    be concluded that the area of cardiac mitochondria tends to increase with age,    despite its cell density has remained fairly constant.</P>     <P ><B  ><i>Key-words</i>:</B> aging, cardiac muscle, mitochondria, granules of lipofuscin,    residual corpuscles</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B  >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></P>        <P >O envelhecimento é inerente a todos os seres vivos e expressa-se pela perda    progressiva de funcionalidade máxima e pela diminuição da capacidade adaptativa    orgânica, tornando os indivíduos mais susceptíveis à ocorrência de patologias    e doenças e aumentando o risco de morte<SUP>(<a name="top30"></a><a href="#30">30</a>)</SUP>.    Este, tornou-se um dos assuntos mais críticos para as sociedades industrializadas<SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>,    <sup><a name="top26"></a><a href="#26">26</a></sup>, <sup><a name="top27"></a><a href="#27">27</a>)</SUP>    uma vez que, com o aumento da esperança média de vida, a idade média das populações    tem vindo a aumentar e, com ela, também a prevalência das doenças associadas<SUP>(<a name="top36"></a><a href="#36">36</a></sup>,    <sup><a href="#26">26</a>)</SUP>. Estima-se que nos Estados Unidos, no ano 2050,    existam cerca de 19 milhões de pessoas com idades superiores a 85 anos, o que    representa o escalão etário de maior crescimento da sociedade americana<SUP>(<a href="#27">27</a>)</SUP>.    Este crescimento explosivo do número de idosos acima dos 85 anos de idade terá    um impacto dramático no futuro da prática da medicina<SUP>(<a name="top19"></a><a href="#19">19</a>)</SUP>.    A mesma situação repete-se nos países da Europa Ocidental onde 1/5 da população    tem mais de 60 anos e, por cada indivíduo com idade até aos 15 anos, existem    9 com idade superior a 65 anos<SUP>(<a name="top24"></a><a href="#24">24</a>)</SUP>.  </P>        <P >Intimamente relacionadas com o envelhecimento estão as doenças cardiovasculares,    uma das principais preocupações da sociedade moderna. A idade, por si só, representa    o principal factor de risco para a doença cardiovascular<SUP>(<a href="#26">26</a></sup>,    <sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a>)</SUP>, sendo o envelhecimento    do coração acompanhado por mudanças progressivas, persistentes, potencialmente    negativas e, teoricamente, irreversíveis<SUP>(<a name="top35"></a><a href="#35">35</a>)</SUP>.    Não obstante os grandes avanços da medicina, a doença cardiovascular permanece    como a maior causa de mortalidade e morbilidade nas sociedades industrializadas<SUP>(<a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>,    <sup><a href="#26">26</a>)</SUP>. A World Health Organization e a International Society    of Hypertension referem que as doenças cardiovasculares são responsáveis por    um terço das mortes em todo o mundo<SUP>(<a name="top16"></a><a href="#">16</a>)</SUP>.    Segundo Pugh e Wei<SUP>(<a href="#27">27</a>)</SUP>, nos Estados    Unidos, aproximadamente 1 milhão de pessoas por ano morrem de causas cardiovasculares,    com enormes custos directos e indirectos de cuidados relacionados com doenças    cardiovasculares nos idosos. De referir ainda, e segundo os mesmos autores,    que as estimativas mostram que estes custos têm tendência para aumentar no decorrer    das próximas décadas. No que concerne à Europa, e de acordo com a European Society    of Cardiology, 49% das mortes ocorridas na Europa são consequência destas doenças<SUP>(<a href="#16">16</a>)</SUP>,    que representam ainda a principal causa de morte em adultos de meia-idade e    de idosos na maior parte dos países europeus<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</SUP>.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Tendo em conta o exposto, as informações relativas às alterações funcionais    e estruturais do sistema cardiovascular na ausência de doença com a idade são,    desta forma, essenciais para a definição das características específicas do    processo de envelhecimento cardiovascular que, como referido, é um dos factores    de maior risco de doença cardiovascular<SUP>(<a href="#19">19</a></a>)</SUP>.    Estudos realizados revelam que com a idade há decréscimo gradual de elasticidade,    da capacidade de estiramento e progressiva rigidez quer das paredes dos vasos    quer das paredes cardíacas, estando o desenvolvimento da rigidez dos grandes    vasos relacionado com o incremento de hipertensão sistólica isolada<SUP>(<a href="#19">19</a>,    <a name="top3"></a><a href="#3">3</a>, <a href="#26">26</a>)</SUP>.    Paralelamente, a perda de elementos contrácteis do coração leva à perda da sua    capacidade se adaptar a variações de pré e pós-carga, sobretudo se rápidas<SUP>(<a name="top29"></a><a href="#29">29</a>)</SUP>.    O coração torna-se ligeiramente aumentado de volume devido ao decréscimo de    número de cardiomiócitos com consequente hipertrofia dos que subsistem <SUP>(<a href="#29">29</a>,    <a href="#27">27</a>, <a href="#19">19</a>, <a name="top10"></a><a href="#10">10</a>,   <a name="top2"></a><a href="#2">2</a>)</SUP>, e mais receptivo a    estímulos simpáticos (mas não parassimpáticos)<SUP>(<a href="#10">10</a>)</SUP>.</P>       <P >No      entanto, apesar de existirem, tal como se pode observar, bastantes estudos      que documentam os efeitos do envelhecimento no coração, poucos são os que      documentam as alterações histológicas do músculo cardíaco. Com efeito, grande      parte dos estudos existentes foca as alterações bioquímicas e funcionais do      sistema cardiovascular, em detrimento das alterações estruturais e ultra-estruturais.      Para além disso, importa também referir que, no concerne os estudos realizados      no âmbito do envelhecimento do sistema cardiovascular, estes salientam principalmente      as alterações que ocorrem a nível vascular concentrando-se pouco no que ocorre      a nível do coração. Contudo, é importante frisar      que os estudos de carácter histológico são também decisivos para um melhor      entendimento do envelhecimento a nível cardíaco, chamando, paralelamente,      a atenção dos investigadores na área para futuros esforços de pesquisa. Neste      sentido, o objectivo principal deste trabalho foi o de caracterizar, no modelo      animal, as principais alterações ultra-estruturais do músculo cardíaco que      ocorrem com o aumento da idade cronológica no modelo animal. <B ></B></P>       <P ><B  >&nbsp;</B></P>        <P ><B  >MATERIAL E M&Eacute;TODOS</B></P>       <P ><B  >Amostra</B></P>       <P >Foram      utilizados 31 ratinhos machos, da estirpe C57BL6, com 3 meses (n=13, peso      de 26,2 ± 2,08 gramas) e 7 meses de idade (n=18, peso de 29,7 ± 2,39 gramas),      provenientes do Biotério Central da Faculdade de Medicina da USP Brasil. Os      animais, alojados quatro em cada gaiola (Beira Mar SA, São Paulo, Brasil)      tiveram livre acesso à água e à alimentação (Nuvital nutrientes SA, Curitiba, PR, Brasil),      e foram mantidos à atmosfera normal, com uma temperatura de 21/24 graus centígrados      e com uma variação cíclica de 12 horas luz /12 horas escuro. </P>       <P ><B  >&nbsp;</B></P>       <P ><B  >Procedimentos</B></P>        <P >Todos os animais foram sacrificados por deslocamento cervical de acordo com    os princípios éticos de experimentação animal adotados pelo Colégio Brasileiro    de Experimentação Animal (COBEA, <a href="http://www.cobea.org.br" target="_blank">www.cobea.org.br</a>).    Após toracotomia, o coração foi removido e a parede externa do ventrículo esquerdo    preparada para observação em microscopia electrónica de transmissão segundo    as técnicas de rotina tradicionais. As peças foram seccionados em cubos de 1mm    de aresta e fixadas, durante 4 horas, em gluteraldeído (2,5% em solução tampão    de cacodilato de sódio a 2 M, pH 7.2 – 7.4). Foram posteriormente lavados em    solução tampão, durante uma hora, pós-fixados em tetróxido de ósmio a 2%, durante    2 horas, e lavados novamente em solução tampão, durante trinta minutos. Em seguida,    as amostras sofreram desidratação progressiva, sob a acção de concentrações    crescentes de álcool etílico, durante 3 horas, e impregnação com epon durante    4 horas. O óxido de propileno foi o composto utilizado na transição desidratação/impregnação.    O corte das amostras foi realizado após a fase de inclusão que durou 2 dias.    Todos os procedimentos foram realizados a uma temperatura de 4º C, com a excepção    da fase de inclusão, que foi executada em estufa a uma temperatura de 60ºC.    Dos blocos finais, foram realizados cortes ultra-finos, com uma espessura de    500 Å, destinados à observação em microscopia electrónica de transmissão. Estes    cortes foram colocados em grelhas de cobre (300 Mesh) e contrastados com uma    solução aquosa saturada de acetato de uranilo (durante 30 minutos) e com uma    solução de citrato de chumbo (15 minutos), tendo-se procedido a lavagens no    início e no final de cada um destes procedimentos. </P>       <P >Foi      utilizado um microscópio electrónico de transmissão da marca Zeiss, modelo      EM 10A, a uma voltagem de 60 KV. </P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Foram      efectuadas fotografias das várias grelhas (4 grelhas por animal), com diferentes      ampliações. As imagens foram digitalizadas com um scanner da marca Epson,      modelo Perfection 4990 Photo, e posteriormente armazenadas no computador.      Nas imagens digitalizadas, em função da ampliação usada, foi feita a correspondência      da área da fotografia para µm<SUP>2</SUP>, sendo contabilizados o número de      mitocôndrias e grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais por µm<SUP>2</SUP>.      Com a ajuda de um programa da morfometria (Image J. versão 1.36b, Wayne Rasband,      National Institute of Health, USA), foram quantificadas as áreas das mitocondrias      e dos grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais. Foi ainda relativizada      a área total das mitocôndrias com a área da célula fotografada (densidade      mitocondrial) tendo o mesmo procedimento sido realizado para os grânulos de      lipofuscina e/ou corpúsculos residuais presentes em cada fotografia. Para      além desta análise quantitativa, foi ainda realizada uma análise qualitativa      da estrutura global do tecido.</P>       <P ><B  >&nbsp;</B></P>       <P ><B  >Análise dos dados</B></P>       <P >Para      a análise quantitativa dos dados foi utilizado o programa SPSS (<I  >Statistical Package for the Social Sciences</I>)      – versão 14.0 para <I  >Microsoft Windows</I>. Assim, e no caso dos      dados referentes às áreas das mitocôndrias e grânulos de lipofuscina e/ou      corpúsculos residuais, para testar a simetria da curva efectuou-se a divisão      do desvio-padrão da Skewness pelo seu valor estatístico. Para testar a normalidade      destas amostras foi utilizado o teste de Kolmogrov-Smirnov. Foi ainda realizada      uma distribuição percentílica das áreas das mitocôndrias e uma distribuição      quartílica das áreas dos grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais.      Para a realização das análises inferenciais recorreu-se ao teste de Mann-Whitney.      Para a análise da simetria das curvas das densidades e frequências mitocondriais      e de grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais, foi efectuada a divisão      do desvio-padrão da Skewness pelo seu valor estatístico. Para testar a normalidade      destas amostras foi utilizado o teste de Shapiro-Wilke. Para a análise inferencial      destes dados recorreu-se, no caso dos dados relativos às mitocôndrias, ao      t-test para medidas independentes; no caso dos grânulos de lipofuscina foi      utilizado o teste não-paramétrico de Man-Whitney. Na aplicação destes testes      foi considerado um índice de significância de &#945;=0,05.</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B  >RESULTADOS</B></P>       <P ><B  >Análise qualitativa</B></P>        <P >A análise ultra-estrutural do músculo cardíaco dos animais de 3 meses (Figuras    1A, 1B e 1C) evidenciou um padrão miofibrilar estriado aparentemente normal,    sendo evidentes, em algumas células, alterações focais do retículo sarcoplasmático    e também, de forma focal, depósitos de lípidos (“lipid droplets”); foram ainda    observados nestes animais, embora muito raramente, grânulos de lipofuscina e/ou    corpúsculos residuais. As mitocôndrias apresentavam dimensões heterogéneas,    de estrutura homogénea, com cristas bem definidas, tendo esporadicamente sido    observadas mitocôndrias em fissão. A interdigitação celular dos discos intercalares,    foi também analisada, apresentando uma estrutura e dimensões aparentemente normais.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02f1.jpg" width="628" height="446"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B >Figura 1. </B>Fotografias de microscopia electrónica de diferentes secções    do músculo cardíaco de animais de 3 (<B >A</B>, <B  >B</B>, <B  >C</B>) e 7 meses de idade (<B  >D</B>, <B  >E</B>, <B  >F</B>). A figura <B  >A</B> mostra uma interdigitação celular dos discos intercalares, de estrutura    aparentemente normal. Em <B  >B</B> pode ser observada uma mitocôndria em fissão e em <B >C</B> são ilustradas    diversas mitocôndrias de dimensões variadas e estrutura homogénea, com cristas    bem definidas; é ainda visível uma <I >lipid droplet</I> no canto superior esquerdo.    Em <B  >D</B> são evidentes inclusões de lipofuscina e mitocôndrias com grande heterogeneidade    em tamanho, com cristas mal definidas em algumas delas, sendo também visível    a dilatação do retículo bem como a como a existência de <I >lipid droplets</I>.    Em <B >E</B> pode ser observada uma figura de mielina e duas mitocôndrias com    cristas menos definidas, em contraste com uma mitocôndria com as cristas melhor    evidenciadas. A figura <B  >F</B> ilustra um disco intercalar com uma reduzida interdigitação celular assim    como duas mitocôndrias com cristas melhor definidas comparativamente às restantes.</P>     <P >&nbsp;</P>       <P >A      análise ultra estrutural do músculo cardíaco dos animais com 7 meses (Figuras      1E, 1F e 1G) evidenciou cardiomiócitos com um padrão miofibrilar estriado      regular. À semelhança dos animais de 3 meses, foi também observada neste grupo      uma dilatação do retículo, embora de carácter mais difuso. Foram observados      numerosos grânulos de lipofuscina em grande parte das células observadas,      assim como corpúsculos residuais (figuras de mielina). Também neste grupo      foi observada uma grande heterogeneidade nas mitocôndrias, tanto em termos      de dimensão como na sua estrutura. De referir que o primeiro grupo (3 meses)      apresentava uma estrutura destes organelos mais homogénea. Foram observadas      mitocôndrias mais claras contrastando com outras mais electrodensas, mitocôndrias      com mais cristas e mitocôndrias com cristas mais indefinidas. Também no espaço      intersticial, à semelhança do encontrado nos ratos de 3 meses, não foram encontradas      alterações dignas de registo, tendo os capilares uma estrutura aparentemente      normal.</P>        <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >Análise quantitativa</B></P>       <P >A      Tabela 1 apresenta os valores médios absolutos e respectivos desvios-padrão      das áreas das mitocôndrias e grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais,      bem como as suas respectivas amplitudes de variação, medidos em µm<SUP>2</SUP>,      para ambos os grupos. </P>        <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >Tabela 1</B>. Valores médios ± desvios-padrão e amplitude de variação das áreas    (em µm<SUP>2</SUP>)<SUP> </SUP>das mitocôndrias e dos grânulos de lipofuscina    e/ou corpúsculos residuais (GL/CR) nos dois grupos de animais.</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02t1.jpg" width="675" height="122"></P>        
<P >&nbsp;</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Pela      análise da Tabela 2 constata-se que a distribuição realizada para as      áreas das mitocôndrias apresenta diferenças significativas entre grupos em      todos os percentis. </P>        <P >&nbsp;</P>     <P ><B  >Tabela 2</B>. Distribuição percentílica das áreas mitocondriais (µm<SUP>2</SUP>)    nos dois grupos de animais.</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02t2.jpg" width="327" height="100"></P>       
<P >&nbsp;</P>        <P >A Figura 2 ilustra a variação com a idade dos vários percentis de distribuição    das áreas mitocondriais. No referente às áreas dos grânulos de lipofuscina e/ou    corpúsculos residuais verificou-se que apenas o quartil 50 apresenta diferenças    significativas entre grupos (Tabela 3). </P>     <P >&nbsp;</P>       <P > </P>        <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02f2.jpg" width="315" height="208"></P>       
<P ><B  >Figura      2. </B>Variações      com a idade dos vários percentis de distribuição das áreas mitocondriais.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >&nbsp;</P>        <P ><B  >Tabela 3. </B>Distribuição quartílica das áreas dos grânulos de lipofuscina e/ou    corpúsculos residuais (µm<SUP>2</SUP>) nos dois grupos de animais.</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02t3.jpg" width="330" height="99"></P>       
<P >&nbsp;</P>        <P >A Figura 3 ilustra a variação com a idade dos vários quartis de distribuição    das áreas dos grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais.</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02f3.jpg" width="314" height="205"></P>       
<P ><B  >Figura      3. </B>Variações      com a idade dos vários quartis de distribuição das áreas dos grânulos de lipofuscina      e/ou corpúsculos residuais.</P>       <P >&nbsp;</P>       <P >A      tabela 4 apresenta os valores médios absolutos e respectivos desvios-padrão      das densidades e frequências das mitocôndrias e depósitos de lipofuscina e/ou      corpúsculos residuais, para ambos os escalões etários. Não existem diferenças      significativas entre as médias das densidades e frequências mitocondriais      entre grupos. A comparação entre grupos da frequência de depósitos de lipofuscina      e/ou corpúsculos residuais demonstra que estes apresentam diferenças estatisticamente      significativas. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas      entre grupos no caso da densidade de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B >&nbsp;</B></P>        <P ><B  >Tabela 4</B> – Valores médios ± desvios-padrão das densidades e das frequências    celulares de mitocondrias e de grânulos de lipofuscina e/ou corpúsculos residuais    (GL/CR), para ambos os grupos.</P>     <P ><img src="/img/revistas/rpcd/v9n2-3/9n2-3a02t4.jpg" width="693" height="159">  </P>     
<P ><B  >&nbsp;</B></P>        <P ><B  >DISCUSS&Atilde;O</B></P>        <P >Dos resultados encontrados foi possível observar que, talvez devido a uma    baixa capacidade regenerativa, existiam já nos animais jovens indicadores característicos    do processo degenerativo e que estes se agravavam nos animais adultos. Estes    dados estão de acordo com o conceito de que o envelhecimento de organismos multicelulares    é mais evidente em órgãos ou tecidos constituídos maioritariamente por células    pós-mitóticas, tais como os miócitos cardíacos<SUP>(<a name="top32"></a><a href="#32">32</a>,    <a name="top34"></a><a href="#34">34</a>)</SUP>. Devido à sua baixa    capacidade regenerativa, é natural que as marcas deixadas pelas agressões diárias    a que as células se sujeitam durante a sua actividade subsistam no tempo. Desta    forma, não será de estranhar que animais relativamente jovens apresentem já    estas marcas da passagem do tempo, sendo as alterações mitocondriais e a acumulação    de lipofuscina as alterações que se destacam com mais proeminência nestas células<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>,    <a href="#34">34</a>)</SUP>. </P>        <P >É também possível que as células pós-mitóticas possam ser mais susceptíveis    aos danos cumulativos das EROs devido à incapacidade de se auto-substituir.    Com efeito, o coração passa, aparentemente, por uma redução de número de células    nobres com o passar do tempo, podendo esta redução de número ser devida à ocorrência    de morte celular por apoptose como consequência de danos irreversíveis nas células<SUP>(<a name="top15"></a><a href="#15">15</a>)</SUP>.    Esta incapacidade de substituição das células que contém DNA mitocondrial com    mutações, em tecidos pós-mitóticos, por células saudáveis, pode também explicar    a maior incidência de mutações no DNA mitocondrial em tecidos pós-mitotóticos    versus tecidos mitóticamente activos<SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP>. Assim,    esta baixa capacidade regenerativa das células pós-mitóticas pode explicar a    razão de existirem já marcas de degenerescência celular ratos jovens e de estas    aumentarem nos animais com 7 meses de idade.</P>        <P >Olhando para os valores das áreas mitocondriais, em termos médios, podemos    constatar que a área média destes organelos foi maior aos 7 meses de idade e    que, tendo em conta o seu desvio-padrão, este grupo apresenta uma grande amplitude    de variação. No entanto, e pelo facto deste parâmetro não apresentar uma distribuição    normal, recorremos à análise da sua distribuição percentílica. Foi possível    observar que existe uma grande heterogeneidade em termos de dimensões da população    mitocondrial nos animais adultos, estando também descrito, em tecidos com células    pós-mitóticas de animais senescentes, uma extrema variabilidade no tamanho e    formas das mitocôndrias<SUP>(<a name="top33"></a><a href="#33">33</a>,    <a href="#36">36</a>)</SUP>. Esta heterogeneidade pode ser devida às diferenças    de idades entre mitocôndrias. De facto, as mitocôndrias das células pós-mitóticas    envelhecidas tendem a apresentar um potencial electro-químico diminuído e a    produzir menos ATP do que as mitocôndrias de células mais jovens, devido a deficiências    causadas na cadeia respiratória, motivadas por mutações no DNA mitocondrial    pela provável acção das ERO<SUP>(<a name="top12"></a><a href="#12">12</a>)</SUP>.    Segundo Hood et al.<SUP>(<a name="top14"></a><a href="#14">14</a>)</SUP>,    é possível que este distúrbio metabólico esteja envolvido no despoletar do aumento    progressivo do conteúdo mitocondrial, de forma a compensar o decréscimo no ATP.    Desta forma, é natural encontrarmos nas células dos animais adultos mitocôndrias    jovens acabadas de formar. Julga-se ainda que esta heterogeneidade de dimensões    mitocondriais resulta de uma capacidade de fissão alterada das mitocôndrias    com dano oxidativo e de deficiências na autofagia das mitocôndrias “gigantes”,    observando-se que, enquanto estas persistem nas células, e perdem a sua função    respiratória, existe um aumento compensatório de mitocôndrias pequenas, acabadas    de ser geradas<SUP>(<a name="top8"></a><a href="#8">8</a>, <a href="#32">32</a>)</SUP>.    As maiores dimensões mitocondriais nos vários percentis estudados encontradas    nos animais de 7 meses, apresentando as dimensões extremas neste grupo de animais,    podem também ser explicadas quer pela diminuição da sua capacidade de divisão    quer pela diminuição da capacidade de autofagocitose dos cardiomiócitos, sugerindo    que a morfologia mitocondrial está longe de ser estática. De facto, as mitocôndrias    das células pós-mitóticas envelhecidas são geralmente aumentadas, muitas vezes    ao ponto de serem chamadas “gigantes”, e demonstram danos estruturais que variam    desde o edema da matriz a uma quase completa destruição dos componentes mitocondriais<SUP>(<a name="top7"></a><a href="#7">7</a>)</SUP>.    O edema da matriz mitocondrial está causalmente associado à perda do potencial    electroquímico membranar por perturbação da integridade da membrana interna    mitocondrial<SUP>(<a name="top11"></a><a href="#11">11</a>)</SUP>.    Considera-se que estas alterações possam derivar dos efeitos danosos do stress    oxidativo decorrentes da própria funcionalidade mitocondrial<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>,    <a name="top13"></a><a href="#13">13</a>, <a href="#34">34</a>, <a href="#7">7</a>)</SUP>.    De facto, para além destes organelos serem os responsáveis pela maior porção    de ERO produzido a nível intracelular<SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP>, é importante    frisar que o DNA mitocondrial, não estando protegido por histonas e sendo reparado    de forma menos eficiente, é mais sujeito a mutações quando comparado ao DNA    nuclear<SUP>(<a name="top23"></a><a href="#23">23</a>)</SUP>. Não    obstante estes factores, a reciclagem mitocondrial deveria permitir a eliminação    das mitocôndrias danificadas por autofagocitose e a sua substituição através    da replicação de mitocôndrias normais. Uma vez que existe, de facto, uma acumulação    de mitocôndrias danificadas nos miócitos cardíacos, subentende-se que a reciclagem    autofágica está longe de ser perfeita.</P>        <P >Uma das grandes teorias do envelhecimento assenta no pressuposto de que as    mutações no DNA mitocondrial e o dano oxidativo possam contribuir para o processo    de envelhecimento biológico. Danos no DNA mitocondrial podem efectivamente transformar    o simbionte num parasita<SUP>(<a name="top17"></a><a href="#17">17</a>)</SUP>.    Especula-se que as mutações que se acumulam com a idade possam levar a uma produção    de energia deficiente bem como ao acréscimo de produção de ERO, resultando em    dano celular<SUP>(<a href="#12">12</a>, <a name="top5"></a><a href="#5">5</a>)</SUP>.    O stress oxidativo e o dano oxidativo podem, pois, desempenhar um papel crítico    no processo de envelhecimento. Na última década, evidências abundantes sugerem    que o ritmo de produção de ERO aumenta com a idade e que, por outro lado, a    eficácia da degradação das biomoléculas modificadas pelo dano oxidativo diminui<SUP>(<a name="top20"></a><a href="#20">20</a>)</SUP>.    A teoria do envelhecimento mitocondrial considera a acumulação de mitocôndrias    deficientes como o mecanismo central responsável pelo processo de envelhecimento<SUP>(<a name="top18"></a><a href="#18">18</a>,    <a href="#20">20</a>, <a href="#17">17</a>)</SUP>. Esta ideia encontra muitos    apoiantes<SUP>(<a name="top25"></a><a href="#25">25</a>, <a name="top28"></a><a href="#28">28</a>,    <a name="top22"></a><a href="#22">22</a>, <a href="#33">33</a>)</SUP>    e coloca a acumulação de mitocôndrias danificadas com a idade nas células e    tecidos, como uma grande contribuição para um declínio funcional gradual com    a idade.</P>       <P >No      referente à densidade mitocondrial, aparentemente esta não tende a aumentar      com a idade. No entanto, nos animais adultos encontrámos uma maior diversidade      deste parâmetro entre células, existindo células com grandes e outras com      baixas densidades mitocondriais. Podemos desta forma concluir que as células      não sejam todas iguais nem reajam de igual forma à passagem do tempo, sendo      provável que existam células mais capazes que outras. Os nossos resultados      revelam ainda que a frequência mitocondrial se mantém com a idade cronológica.      Desta forma, e uma vez que não se regista um aumento da densidade e frequência      mitocondrial com a idade, e que, no entanto, estas tendem a aumentar significativamente      de volume, podemos especular que ocorre, com o processo de envelhecimento,      um aumento das áreas celulares (hipertrofia dos cardiomiócitos).</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Relativamente às áreas dos grânulos de lipofuscina e/ ou corpúsculos residuais,    aparentemente não aumentam com a idade, registando-se até, pelo contrário, uma    diminuição no quartil 50. No entanto, a sua frequência celular aumenta com a    idade pois, à medida que o tempo passa, maior número destas degenerações se    vão acumulando nas células. Os nossos resultados sugerem que, embora haja formação    continuada de moléculas de lipofuscina em cada célula, estas não parecem ter    tendência a fundir-se às já existentes na célula. É ainda possível que, devido    a uma capacidade diminuída da eficácia de degradação das biomoléculas modificadas    pelo dano oxidativo nas células envelhecidas, estes grânulos derivem de mitocôndrias    danificadas que não conseguiram ser devidamente autofagocitadas, explicando    desta forma o aumento significativo da frequência celular de grânulos de lipofucsina    e/ou corpos residuais observado nos animais adultos. Foi ainda observado que    nos animais mais velhos existe uma grande amplitude de variação entre células    das densidades dos grânulos de lipofuscina e/ ou corpúsculos residuais uma vez    que os desvios padrão neste grupo são mais elevados. Sendo a lipofuscina um    produto residual da peroxidação de lipoproteínas celulares, não degradável,    os depósitos deste pigmento aumentam em número com a idade, ocupando uma porção    cada vez maior do espaço intracelular<SUP>(<a href="#8">8</a>, <a href="#27">27</a>)</SUP>.</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B  >CONCLUS&Otilde;ES</B></P>        <P >Os resultados obtidos permitem concluir que os animais jovens evidenciam já    marcas características do processo de envelhecimento, tendendo estas a se agravar    nos animais adultos. Para além disso, parece existir uma grande heterogeneidade    em termos de dimensões da população mitocondrial, especialmente nos animais    adultos. Os valores das áreas mitocondriais, em termos médios, foram maiores    nos animais adultos, aumentando significativamente com a idade em todos os percentis    estudados, sendo as mitocôndrias mais heterogéneas e de dimensões extremas nos    animais adultos, sugerindo os nossos resultados que a morfologia mitocondrial    está longe de ser estática. No entanto, a densidade mitocondrial, aparentemente,    não parece tender a aumentar nos animais com 7 meses. No que respeita às áreas    dos grânulos de lipofuscina e/ ou corpúsculos residuais, estes não aumentam    com o tempo em termos de dimensões mas a sua frequência celular parece aumentar    com a idade.</P>     <P >&nbsp;</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B  >REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></P>        <P  > <a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Andrawes W, Bussy C, Belmin, J. (2005).    Prevention of cardiovascular events in elderly people. <I  >Drugs Aging</I>, 22 (10): 859-876</P>       <P></P>            <a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Anversa P, Rota M, Urbaneck K, Hosoda T,  Sonnenblick EH, Leri A, Kajustra J, Bolli R. (2005). Myocardial aging. A stem  cell problem. <I  >Basic Res Cardiol</I>, 100: 482-493</P>      <P ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Aronson D (2004). Pharmacological prevention of cardiovascular  aging – Targeting the Mailard reaction. <I >Br J Pharmacol</I>, 142: 1055-1058</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ></P>            <a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Backer GD, Ambrosioni E, Broch-Johnsen  K, Brotons C, Cifkova R,&nbsp; Dallongeville J, Ebrahim S, Faergeman O, Graham  I, Mancia G, Cats VM, Orth-Gomér K, Perk P,&nbsp; Pyörälä K, Rodicio JL, Sans  S, Sansoy V,&nbsp; Sechtem U, Silber S, Thomsen T, Wood D (2003). European guidelines  on cardiovascular disease prevention in clinical practise. Third joint task force  of european and other societies on cardiovascular disease prevention in clinical  practise. <I  >Eur J Cardiovasc Prev Rehabil</I>, 10 (Suppl 1): S1-S78</P>      <P ></P>            <a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Beal MF (2005). Mitochondria take center  stage in aging and neurodegenaration. <I >Ann Neurol</I>, 58: 495-505</P>      <P></P>             <a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Beckman KB, Ames BN (1998). The free radical  theory of aging matures. <I >Physiol Rev</I>, 78: 547-581</P>      <P ></P>            <a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Brookes PS, Yoon Y, Robotham JL, Anders  MW, Sheu S-S (2004). Calcium, ATP, ROS: a mitochondrial love-hate triangle. <I  >Am J Physiol</I>, 287, C817-C833</P>      <P ></P>            <a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Brunk T, Terman A (2002). The mithocondrial-lysosomal  axis theory of aging. Acumulation of damaged mitochondria as a result of imperfect  autophagocytosis. <I >Eur J Biochem</I>, 269: 1996-2002</P>      <P ></P>           9. Cristofalo VJ, Gerhard GS, Pignolo RJ (1994). Molecular biology of aging.  <I >Surg Clin North Am</I>, 74: 1-21</P>      <P > <a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Ferrari FU, Radaelli A, Centola    M (2003). Aging and the cardiovascular system. <I >J Appl Physiol</I>, 95: 2591-2597</P>        <P  CxSpLast> <a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Frank S, Gaume B, Bergmann-Leitner    ES, Leitner WW, Robert EG, Catez F, Smith CL, Youle RJ (2001). The role of dynamin    protein 1, a mediator of mitochondrial fission, in apoptosis. <I >Dev Cell</I>,    1: 515-525</P>       <P ></P>            <a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Hagen TM, Moreu R, Suh JH, Visioli F  (2002). Mitochondrial decay in the aging rat heart. Evidence for improvement by  dietary supplementation with Acetyl-L-Carnitine and/or Lipoic Acid. <I  >Ann N Y Acad Sci</I>, 959: 491-507</P>      <P ></P>            <a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. HipKiss AR (2003). Errors, mitochondrial  dysfunction and ageing. <I  >Biogerontol</I>, 4: 397-400</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ></P>            <a name="14"></a><a href="%7E#top14">14</a>. Hood DA, Adhihetty PJ, Colavechia  M, Gordon JW, Irrcher I, Joseph A-M, Lowe ST, Rungi AA (2003). Mitochondrial biogenesis  and the role of the protein import pathway. <I >Medicine and Science in Sports  &amp; Exercise</I>, 35(1): 86-94</P>      <P></P>             <a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. Johnson FB, Sinclair DA, Guarente L  (1999). Molecular biology of aging. <I >Cell</I>, 96: 291-302</P>      <P ></P>            <a name="16"></a><a href="#top16">16</a>. Kaplan N, Mendis S, et al. (2003). 2003  World Health Organization / International Society of Hipertension statement on  management of Hypertension. <I  >J Hypertens</I>, 21: 1983 – 1992</P>      <P ></P>            <a name="17"></a><a href="#top17">17</a>. Kowland A, Jendrach M, Pohl S, Bereither-Hanh  J, Hammerstein P (2005). On the relevance of mitochondrial fusions for the accumulation  of mitochondrial deletion mutants: A modelling study. <I  >Aging Cell</I>, 4: 273-283</P>      <P></P>             <a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. Kowland A, Kirkwood TBL (2000). Acccumulation  of defective mitochondria trough delayed degradation of damaged organelles and  its possible role in ageing of post-mitotic and dividing cells. <I  >J Theor Biol</I>, 202: 145-160</P>      <P ></P>            <a name="19"></a><a href="#top19">19</a>. Lakatta EG, Sollott SJ (2002). The ´heart-break`  of older age. <I  >Mol Interv</I>, 2 (7): 431-446</P>      <P> <a name="20"></a><a href="#top20">20</a>. Lee H-C, Wei Y-H (2001). Mitochondrial    alterations, cellular response to oxidative stress and defective degradation    of proteins in aging. <I  >Biogerontol</I>, 2: 23-244</P>       <P ></P>            <a name="21"></a><a href="#top21">21</a>. Li S-Y, Du M, Dolence EK, Fang CX, Mayer  GE, Ceylan-Isik AF, LaCour KH, Yang X, Wilbert CJ, Sreejayan N, Ren J (2005).  Aging induces cardiac diastolic dysfunction, oxidative stress, accumulation of  advanced glycation end products and protein modification. <I >Aging Cell</I>,  4: 57-64</P>      <P></P>             <a name="22"></a><a href="#top22">22</a>. Linnane AW, Marzuki S, Ozawa T, Tanaka  M (1989). Mitichondrial DNA mutations as an important contributor to ageing and  degenerative diseases. <I  >Lancet</I>, 1(8639): 642-645</P>      <P></P>             <a name="23"></a><a href="#top23">23</a>. Logan DC (2006). The mitocondrial compartment.  <I  >Journal of Experimental</I> <I  >Botany</I>, 57(6): 225-243</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P></P>             <a name="24"></a><a href="#top24">24</a>. Marques A (1993). Actividade física  e saúde na terceira idade, in: <I  >Physical Activity and Health in the Eldery</I> – Proceedings of the 1st conference  of EGREPA; Oeiras; Portugal, 26-30, October.</P>      <P></P>             <a name="25"></a><a href="#top25">25</a>. Miquel J (1980). Mitochondrial role  in cell ageing. <I  >Exp Gerontol</I>, 15(6): 575-591</P>      <P></P>             <a name="26"></a><a href="#top26">26</a>. Pepe S, Lakatta EG (2005). Aging heart  and vessels&nbsp;: Masters of adaptation and survival. <I  >Cardiovasc Res</I>, 66: 190-193</P>      <P></P>             <a name="27"></a><a href="#top27">27</a>. Pugh KG, Wei JY (2001). Clinical implications  of physiological changes in the aging heart. <I  >Drugs Aging</I>, 18 (4): 263-276</P>      <P></P>             <a name="28"></a><a href="#top28">28</a>. Richter C (1989). Do mitochondrial DNA  fragments promote cancer and aging?. <I >Febs Letters</I>, 241(1-2): 1-5</P>      <!-- ref --><P >&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=747716&pid=S1645-0523200900030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ></P>            <a name="30"></a><a href="#top30">30</a>. Spirduso W (1995). <I  >Physical Dimensions of Aging</I>. Champaign: Human Kinetics.</P>      <P ></P>            <a name="31"></a><a href="#top31">31</a>. Sussman M, Anversa P (2004). Myocardial  aging and senescence: Where have the stem cells gone?. <I >Annu Rev Physiol</I>,  66: 29-48</P>      <P ></P>            <a name="32"></a><a href="#top32">32</a>. Szibor M, Holtz J (2003). Mitochondrial  ageing. <I  >Basic Res Cardiol</I>, 98: 210-218</P>      <P></P>            <a name="33"></a><a href="#top33">33</a>. Terman T, Brunk UT (2005). Autophagy  in cardiac myocyte homeostasis, aging, and pathology. <I  >Cardiovasc Res</I>, 68, 355-365</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P ></P>            <a name="34"></a><a href="#top34">34</a>. Terman A, Dalen H, Eaton JW, Neuzil  J, Brunk UT (2003). Mitochondrial recycling and aging myocytes: the role of autophagocytosis.  <i>Exp Gerontol, 38: 863-876</i></P>      <P ></P>            <a name="35"></a><a href="#top35">35</a>. Trifunovic A, Wredenberg A, Falkenberg  M, Spelbrink JN, Rovio AT, Bruder CE, Bohlooly M, Gldlof S, Oldfors A, Wilbon  R, Tornel J, Jacobs HT, Larsson N-G (2004). Premature aging in mice expressing  defective mitochondrial DNA polymerase. <I >Nature</I>, 429: 417-423      <p><a name="36"></a><a href="#top36">36</a>. Weinert BT, Timiras PS (2003). Physiology    of aging: Theories of aging. <I  >J Appl Physiol</I>, 95: 1706-1716</P>     <p>&nbsp;</P>     <P ><B  ><a name="1c"></a><a href="#top1c">CORRESPOND&Ecirc;NCIA</a></B></P>       <P ><B  >José Alberto Duarte</B></P>       <P >CIAFEL, FADEUP</P>       <P >Rua Dr. Plácido Costa      91</P>       <P >4200-450 Porto, Portugal</P>       <P ><B  >Tel: +351 </B>225074784<B  ></B></P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B  >Fax: +351 </B>225500689<B  ></B></P>        <P ><B  >E-mail: </B><a href="mailto:jarduarte@fade.up.pt">jarduarte@fade.up.pt</A></a></P>  </P>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Robert]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Envelhecimento]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-name><![CDATA[Publicações Instituto Piaget]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
